Review: Mochila Osprey Kestrel 48

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Mochila carregada para mais um dia de Conquistas no Pico novo aqui nos arenitos do interior de SP

Quando a gente ganha um equipo novo pra fazer review, normalmente a gente sempre procura falar bem. Mas aí, Ariano que sou, resolvi ser do contra e botar a mochila pra ralar mesmo. Assim eu poderia ter bastante  “bagagem” (tu-dun-tssss) pra poder falar dessa mochila e pra ver se ela ia aguentar todo o “abuso” que eu costumo dar aos meus equipos. Achei importante também não ler nenhum review de mochila antes pra não sugestionar minha avaliação.

Nesses praticamente 3 meses com a Mochila, pude levar ela pra Escalar Trad, Esportiva e principalmente pra abrir via (as vezes as 3 modalidades ao mesmo tempo). E quem abre via sabe o tanto de peso que vai além das tradicionais costuras, cadeirinha, corda, mosquetões, sapatilhas, capacete, magnésio, água, café e eventualmente os móveis. Em dia de conquista, além de tudo isso, levo também furadeira de bateria, muitos parabolts, chapeletas, correntes, argolas, martelo, cola, e muito mais! Foram 3 meses intensos!

E por coincidência nessa época voltei a estar em forma e a apertar novamente. É massa poder contar com equipamentos que correspondem à nossas expectativas e nos dão suporte para nossas atividades, e não apenas “quebram o galho”. Mas vamos parar de Bla-bla-bla e vamos ao que interessa que é a Mochila Kestrel 48L.

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Osprey Kestrel 48L – Sim, ela é linda mesmo!

A característica que mais chama atenção é o Conforto.

O costado especial Osprey confere a essa mochila uma sensação de que a mochila está leve, mesmo no limite indicado pelo fabricante. Não raro numa subida  começava a sentir dor nas pernas e não sabia porquê, até lembrar que era porque a mochila estava com a capacidade máxima de peso mas sem sentir desconforto nenhum nas costas, tentava manter o ritmo de quem estivesse caminhando sem mochila.

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Costado regulável de acordo com a altura do usuário, transpirável e extremamente confortável

Muitos bolsos organizam sem comprometer a quantidade de espaço interno

Eu tive uma mochila nacional com a mesma litragem uns 8 anos atrás. Fiquei com a mochila tipo 2 meses pois não suportei o fato de não caber nada nela. Eram muitos bolsos e que “comiam” o espaço interno, e no compartimento principal da mochila não cabia nada. E nem nos bolsos.

Essa mochila possui o compartimento principal extremamente grande, e os vários bolsos cumprem uma nobre função: Organização, coisa que eu adoro – além de se traduzir em segurança quando o assunto é montanhismo. Rápido acesso às suas coisas pode significar chegar seco no carro, não perder um momento que você quer fotografar, ou, como foi o meu caso, significou rápido estancamento de um ferimento que tive no dedo pois acessei rapidamente meu estojo de primeiros socorros que fica na cabeça da mochila.

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O zipper na parte inferior permite acesso ao compartimento que pode ser junto com o principal ou separado através de uma divisória regulável.

O Compartimento inferior possui uma divisória, então é perfeito pra deixar o Anoraque e minha toca, assim, caso esfrie muito, não preciso esvaziar a mochila inteira para acessar esses ítens.  Achei SEN-SA-CIO-NAL que essa divisória é regulável, então esse compartimento inferior pode ser tão pequeno quanto se queira (o espaço mínimo para o meu anoraque) ou inexistente. No começo deixei regulado no máximo pois algumas vezes carregava a furadeira em separado, mas quando não levava-a senti que sobrava espaço no fundo e faltava no compartimento principal – o que se resolveu pela regulagem interna da divisória.

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Tiras de puxar o Ziper incríveis!

E na hora de abrir os diversos compartimentos, os pequenos puxadores do ziper são uma mão na roda. Sabe quando você fica caçando o zíper meia hora até acha-lo pra poder abrir aquele bolso? Aqui não!  É sempre fácil achar o zíper, e mais fácil ainda  puxa-lo com estas tiras especiais emborrachadas que tem o formato do dedo.

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Bolso telado sob a cabeça da mochila

Existe um bolso sob a cabeça da mochila que é de “telinha”. Em princípio imaginei que fosse para colocar pequenos ítens, qual não foi minha surpresa ao descobrir  um uso que não sei nem se foi pensado pra esse fim, mas me salvou! Minha lanterna de cabeça tem um sistema de regulagem que quando está muito claro (ou olhando num objeto próximo) ela fica fraca, e quando está muito escuro (ou olhando para longe) ela fica forte. Guardei ali minha lanterna e certa vez achei ela ligada (era dia). Mas como a telinha deixa a luz passar, a lanterna estava no mais fraco, não tendo consumido muita bateria, e, caso tivesse ficado acesa nesse esquema mais de 15mins teria se apagado (configuração da lanterna). Quem nunca achou a Headlamp acesa dentro da mochila? Bem, com esse bolso também fica fácil de ver, mesmo que sua lanterna não tenha o sistema como a minha, se a lanterna está acesa ou não.

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Bolsos laterais volumosíssimos e discretos

Aposto que você nem tinha reparado que essa mochila possuía esses dois bolsos na lateral da mochila. São enormes, e sempre coloco meu café num deles (porque nos bolsos externos de telinha elástica eu coloco minhas garrafas de 2l de água). No outro normalmente vai a câmera fotográfica, esparadrapão, Magnésio Líquido, protetor solar e outras pequenices não tão pequenas assim. E os bolsos são estrategicamente colocados na lateral, “forçando” as “telinhas” de suporte das garrafas para a parte mais interna da mochila, junto às costas. Isto torna o acesso com uma mão só à garrafa muito mais prático. A principal vantagem, no entanto, é que ficando pra dentro, a tela elástica fica protegida de raspar em troncos, galhos com espinhos, corrimãos (e o que você puder imaginar que raspa que pode gastar e danificar a telinha). Minha mochila antiga tinha a telinha completamente destruída por conta disso. Muito bem pensado!

E ainda, falando sobre os vários compartimentos, um dos mais úteis, ainda mais pra quem costuma perder as coisas como eu, é o bolso que fica na barrigueira. Fechou o carro, apertou o alarme e zás, coloca a chave na barrigueira. Só vou acessar de noite quando estiver de volta. Rápido e sem bagunça! (ah, e com aquele esqueminha no ziper pra achar rapidinho😉 )

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Bolsos nas duas barrigueiras para guardar ítens importantes de rápido acesso!

Bolso discreto com Capa de Chuva integrada

Esse ano as chuvas foram muito intensas aqui no interior de São Paulo, e muitos dos aproaches ou saídas do Climb foram na chuva. Com a capa de Chuva integrada, eu não tenho que me preocupar em levar uma capa de chuva a mais, o que ocuparia um espaço extra na mochila. Rápido, prático, discreto, de baixissimo volume e com logo refletivo, a capa de chuva salvou vários saquinhos de magnésio de chegarem no carro enxarcados!

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Capa de Chuva impermeável de baixo volume integrada

Compartimento principal com Fivela exclusiva super rápida

Eu adoro essa fivelinha. Ela é rápida de abrir com uma mão só e pra fechar é só empurrar, não precisa segurar, apertar nem nada, o próprio movimento na direção de abrir ou de fechar faz ela funcionar. É genial e no começo quando vc se liga como funciona, fica espantado como é que ninguém pensou nisso antes!

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Quem foi o gênio que inventou essa fivela?

Tiras Externas para carregar ítens por fora da mochila.

Eu descobri do pior jeito que quando você prende alguma coisa por fora da mochila, ela tem que estar “presa”, outrossim você pode tomar uma martelada na cabeça quando abaixa pra desviar de um galho, pular uma cerca…

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“Presilhas” especiais para fixar bastões de caminhada, Piolets de Gelo, Martelo e o que mais você quiser prender por fora pra não ficar “Balançando” ao leo. (observe a sujeira: Não tive pena, usei mesmo!)

No caso da Osprey Kestrel 48L há várias tiras em princípio pensadas para carregar Bastões de caminhada e Piolets de gelo. No entanto, para as minhas necessidades se adaptou perfeitamente para carregar o martelo que eu uso nas conquistas de vias, e a pistola injetora de cola da Âncora Sistemas de Fixação. Além disso as tiras são muito úteis para carregar a loninha que eu uso para estender no pico e colocar a mochila e os equipamentos em cima. Como é a primeira coisa que eu pego quando chego no pico e a última que guardo, nada mais lógico que guardar fora da mochila.

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Tiras externas pra carregar a loninha e capacete e garrafinha nos respectivos compartimentos de telinha elástica.

Porta Capacete Integrado na parte externa

Achei genial, e sonhava com o dia que teria uma mochila com compartimento externo para o capacete. Ainda mais eu, que sou daqueles manés que escala até esportiva de capacete né (aviso de ironia), então o capacete tava sempre junto. O melhor é que por fora, o capacete não ocupa um espaço precioso dentro da mochila, vai o saquinho de mag dentro dele, e na hora de apertar várias mochilas no porta malas é só tirar pra mochila ficar mais compacta. A telinha é molinha, porém com uma elasticidade absurda, você não fica com aquela má impressão de estar “esgarçando” um paninho frágil, pelo contrário. Além do mais, como a garantia da mochila é vitalícia, e eu não estou dando nenhum uso inadequado pra ela, (e mesmo se estivesse), daqui um tempo quando estiver esgarçado é só entrar em contato pra trocarem. Mas do jeito que a Osprey é, acho que vai demorar bastante até isso acontecer.

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O capacete cabia mais pra dentro, não fosem os pães de queijo no fundo…

Ajustes: a mochila se molda ao corpo

Com vários ajustes, tanto nas alças, quanto na barrigueira e no peitoral, a mochila “cola” no corpo e vai justinha, acompanhando o movimento do corpo de maneira inteligente. É bacana porque mesmo colada no corpo, aquele costado que eu falei no começo faz com que o suor não se acumule e haja uma boa aeração.

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Super ajustavel, ela se molda nas costas e distribui o peso de maneira uniforme. (Perceba a garrafinha deslocada à frente protegida, mais próxima ao corpo)

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Cinta-Peitoral com regulagem de altura e de largura. Detalhe para o Apito de emergência!

Compartimento para reservatório de água externo

Uma sacada também de mestre foi colocar o compartimento pra camelback (vulgo reservatório de água) do lado de fora. Assim você pode enchê-lo ou esvaziá-lo, troca-lo sem a necessidade de esvaziar a mochila (o que, quando é por dentro, demanda que a mochila seja esvaziada inteirinha se não não cabe). Na Kestrel, o fato do reservatório de água ser por fora faz com que o volume da água não “coma” o volume interno da mochila.

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Local para reservatório de água do lado de fora, no costado – acesso rápido sem ter que abrir a mochila.

Desvantagens

Bem, como eu disse, coloquei a mochila pra ralar mesmo. Como se fosse minha boa e velha mochila pra ver se ela dava conta. Pra ter motivos pra reclamar e apontar onde poderia melhorar. A primeira coisa que eu não gostei é que eu estava adaptado a mochilas com abertura total, em que você abre uma tampa e imediatamente tem acesso a qualquer coisa na mochila sem ter que tirar outras coisas que estivessem por cima. No caso da Kestrel é preciso tirar as coisas que estão por cima para acessar as debaixo, ou abrir por baixo, caso a divisória não esteja regulada. No entanto quando eu estava subindo uma trilha bem íngreme, pensei que o tanto de conforto que a mochila oferece quando você está com ela nas costas compensa – e muito – essa configuração diferente. E depois de 3 meses já acostumei mesmo. Tiro tudo e ponho na minha loninha . As coisas pequenas estão fáceis e acessíveis nos bolsos, então até que a transição não foi tão dolorida.

Outro contra é que por ser muito confortável, você enche a mochila até não caber mais nada, depois ainda pendura um monte de coisa pra fora, e sai andando sem perceber que está pesado. Aí na primeira subida você fica ofegante e não sabe porquê. As pernas começam a doer e você não sabe porquê. Mas depois das primeiras vezes que acontece você começa a se adaptar e a  manerar no ritmo pra não ficar muito cansado, porquê você não percebe que tem uma mochila tão pesada nas costas. Pelo menos não senti desconforto nenhum nas trilhas de aproximação que eu fiz de no máximo 40minutos-1h.

Mais um ponto negativo (já que review sem ponto negativo não é review) é o preço. Tanto no Brasil quanto la fora ela figura entre uma das mais caras. Mas depois de andar 10m com a mochila nas costas você entende. Entende também que é uma mochila pensada pra você NUNCA MAIS comprar outra mochila na vida, pois ela tem o sistema de garantia vitalicia “All-Mighty”. Ou seja, não importa se foi o seu cachorro que mastigou sua mochila enquanto você saiu 5 minutos pra levar o lixo na rua, se o ziper parou de funcionar depois de 15 anos, ou se uma pedra caiu em cima dela (Que você mesmo derrubou escalando). Você entra em contato com os caras da Osprey e eles fazem com que você sempre tenha sua mochila Osprey funcionando, na maioria das vezes, sem custo algum.

1,5 ano atrás lá no Cuscuzeiro eu derrubei uma pedra na mochila do meu amigo Wagner. 1 mês depois a Bronet do Brasil que representa a marca aqui no Brasil já tinha mandado uma nova pra ele.

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Imagina o tamanho da pedra….

Conclusões

Bem, não foi muito dificil me adaptar à minha nova mochila de Climb Osprey Kestrel 48L. Uma mochila extremamente confortável nas costas e ombros independente do peso, bastante resistente tanto à abrasão quanto nos pequenos detalhes (como zíperes, fivelas, etc..). Com seus muitos ajustes ela é versátil, podendo ser utilizada no volume máximo ou com pouca coisa, bastando pra isso utilizar as fitas de compressão para que ela fique sempre “justinha”. O volume gigante por dentro contrasta com o tamanho relativamente compacto por fora.

É uma mochila para quem quer levar todos os seus equipos de escalada e ainda o rango tudo numa mochila só (se bem que eu aprendi que a banana deve ir por fora em qualquer mochila se não tem que comer de colher com canela por cima – se é que vc me entende). Apesar do preço, deve-se pensar no longo prazo: é uma mochila pra se ter pra vida inteira, com uma supergarantia infinita que te da tranquilidade de utiliza-la sem ficar de frescurinha de “economizar” a mochila.  Eu pelo menos não tive dó e ela está aguentando muito bem. É uma mochila para o escalador e montanhista consciente. Pra quem sabe que nos dias de hoje o mercado nos faz consumir cada vez mais coisas que precisamos cada vez menos, mesmo sem necessidade nos empurram produtos com obsolescência programada, para que tenhamos que comprar outro em pouco tempo (vide as Havaianas que eram infinitas e agora estão descartáveis ou o antigo Nokia com o jogo da cobrinha Vs. seu smartphone que não aguenta nem uma sentada com ele no bolso). Uma mochila que vai na contramão das tendências exploratórias do mercado e te oferece uma alternativa sustentável pra se ter como companheira, tranquilo de que ela sempre estará lá. A Osprey garante!

E as conquistas continuam!

Bem, esse é um post rapidinho pra dizer que estou indo pra Arcos hoje abrir vias não num setor novo, mas num pico novo…. se tudo der certo vamos abrir para a galera durante o festival..aguardem novidades… B)

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Vou aproveitar e pegar mais 500 chapas Gariglio pra oferecer pra vocês na Quero Escalar e também pra metralhar a região aqui dos arenitos com vias novas. Há picos novos, e a galera está se mobilizando em achar mais, isso é incrível! Abrir via é fácil, dificil é procurar pedras novas, falar com dono, negociar acesso, abrir trilha… E é nessa parte que a galera tem mandado décimo grau ultimamente e feito a diferença no climb da região. Depois abrir via a gente cola junto e  ensina, aprende, compartilha o conhecimento, equipos, etc… Bem, e agradecemos também a parceria da Âncora Sistemas de Fixação que tem apoiado as nossas conquistas de sobremaneira nos últimos meses! Ontem chegou mais uma remessa de Parabolts PBA, Alfa (especiais para arenitos mais friáveis), da cola AQI 380 (para colar agarras principalmente)  com bicos misturadores e tão importante quanto, uma das melhores, se não “As” melhores Brocas do mercado que eu já usei: A Twister e a Booster. Mói pedra, muito bom. E no pico novo ali em Brotas o arenito é um dos mais duros que eu já vi, tava precisando mesmo! =D

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Bem, agradeço o Apoio, no fim de semana vou tirar umas fotinhos para o Review da Mochila Kestrel 32 da OSPREY (que tem sido super pacientes e tem dado a maior vibe) e  dos chumbadores Âncora em ação!

C´ya!

 

PS – Tem umas 5 vias com top batido esperando pra serem terminadas no cuscuzeiro… em breveeee..😉

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Essa mochila é foda demais… Aguardem…

 

E o post de hoje vai para…

Gosto muito desse vídeo. O escalador não é nenhum Edu Marin de simpatia, mas o boulder é muito legal. Taí uma das coisas que eu gostaria de fazer um dia e não fiz, boulder com uma das pessoas com quem mais aprendi sobre mim mesmo, sobre a vida e sobre climb. Bem, ultimamente eu tenho feito bastante boulder (comparado com antes) e tem sido bastante divertido. As vezes os dias de Climb são 99% perfeitos, (menos quando a gente corta o dedo e tem que tomar 6 pontos na mão e fica 15 dias sem escalar por causa disso) mas sempre fica faltando aquele 1% que eu acho que pode ser explicada por aquela frase que diz que a felicidade só é real quando compartilhada. Humm, talvez eu goste do vídeo também por causa da música, e de me identificar um pouco com a letra.

Bem, por hoje serei breve, tendo sido mais longo que havia sido em algum tempo. Desejo tudo de melhor, de verdade. Assim que estiver de pé novamente (nem lembro como é isso) acerto as contas. Espero que não demore!

 

E o primeiro de Abril?

Dessa vez não é pegadinha, esse pico existe, as vias estão abertas e essa foto é só 10% da parede escalável. (e metade das vias abertas)

Dessa vez não é pegadinha, esse pico existe, as vias estão abertas e essa foto é só 10% da parede escalável. (e metade das vias abertas)

Bem, muita gente deve lembrar que ano passado rolou uma comoção geral por conta da minha pegadinha de primeiro de Abril. Muita gente veio tirar satisfação no pico, que não gostou nada da brincadeira. Pra quem não lembra (o post está aqui), fiz um post fake dizendo que haviamos descoberto uma suposta falésia aqui em São Carlos, contei toda a história de como achamos o local e desenvolvido até então as 17 vias negativas do pico. Fiz até um croqui fake sobre uma foto de uma parede podre real que havia tirado numa das nossas buscas por paredes novas na região. Mas era tudo mentira e todo mundo acreditou hahaha Devo confessar que dessa vez eu me superei, pois como vc´s sabem, a zueira não tem limites. Teve nego de fora ja me ligando se programando pra vir conhecer o  pico novo no próximo feriado, gente criticando a grampeação, gente parabenizando enfim, o bagulho deu o que falar. Mas o meu intuito foi alcançado, porém não sabia eu que de maneira tão contundente. Queria eu dar um chacoalho na galera que se ninguém ajudasse a procurar picos de escalada novos, continuaríamos sempre na mesma de ir pros mesmos Cusco e Itaqueri de sempre. E de lá pra cá muita coisa mudou!

Primeiro que a correria com os trabalhos aqui na Quero Escalar nem me permitiram fazer uma pegadinha esse ano (esse post era pra ter sido no primeiro de Abril, então vai vendo a correria). Segundo que agora temos mais 3 picos novos em andamento. Um deles com potencial para se tornar o maior polo de escalada do interior paulista em poucos anos. As chapas estão indo que nem água. Em virtude das conquistas e das viagens vieram dois apoios importantes: da maior e melhor marca de chumbadores e parabolts da América Latina, que é a Âncora Sistemas de Fixação e de uma das melhores e mais confiáveis marcas de mochilas do mundo, a Osprey, através da representante aqui no Brasil, a Bronet do Brasil.

Boulders Incríveis em Franca!

Boulders Incríveis em Franca!

E de repente, lá em Franca junto com o Xerife local, o Wagner, começamos a abrir as primeiras vias numa parede estranha, um arenito que eu não estava acostumado. Era o começo do Pico do Mané: um fds inteiro pra abrir uma, duas vias (também pudera, parede de 60m, abrindo vias de 30/35m, queria o que? Aqui escacalamos antes pra ver onde ficam as melhores proteções, pra via ficar segura). Mas era  legal, mesmo que o pico ficasse com tipo, 10 vias, tava ótimo! Não tínhamos idéia do potencial do pico no começo. Só íamos lá curtir a parceria, o climb e a abertura de vias. Só que hoje o pico conta com 43 vias e contando. O potencial é absurdo. Com parede de 60m de altura e quase 1km de extensão o potencial é por baixo, para umas 300 vias. Vias esportivas com grampeação segura padrão IFSC (daquela que vc pode entrar mesmo estando acima do seu grau que vc não vai morrer – só isso já é polèmica para um post inteiro tem gente que gosta de correr risco de vida qdo ta escalando: nas minhas vias esportivas não!). Vias móveis com fendas perfeitas no melhor estilo Indian Creek que provavelmente vão chegar no cume. Tetos com agarrão. Um arenito duro, cheio de agarras, coisa que eu, escolado em Cuscuzeiro, Itaqueri e Invernada – expoentes do arenito aqui do interior – ainda não tinha visto igual! Rapidamente a comunidade escaladora de Franca cresceu, o Wagner, o Eliel bactéria “Jah” e a Renata Parreira com o apoio do Everton da academia de escalada Enjoy Climb & Fitness fundaram a AFER – Associação dos Escaladores de Franca e região. Hoje o pico conta com alguns Boulders super legais também, uma cachoeira a 5 minutos, outras paredes com bastante potencial nos arredores e muita, mas muita rocha pra abrir via.

E de repente os amigos de Jaú/Bauru Leo Franceschini e Marco Curi, junto com o Artur Teixeira de Ribeirão Preto (da Moountain) descobriram um lugar de fácil acesso na beira da rodovia que os antigos escaladores de São Carlos sempre conheciam por “não ser bom pra escalada” pela qualidade da rocha. Mas ninguém falou que não era bom pra boulder – e então limparam vários blocos e abriram vários boulders incríveis, deixando em aberto pra gente poder continuar o trabalho. E eu, que nunca fui do Boulder, pirei na modalidade no último OuroBoulder lá em Ouro Preto. E comecei a colar nesse pico pra fazer boulder, que tem como característica uma formação rochosa de formato fálico muito curioso, que rendeu o apelido ao pico: Caralha de Brotas.  E de tanto ir lá, de repente comecei a flagrar que a rocha não parecia tão ruim assim. Aliás, é o arenito mais duro de todas as 5 falésias de arenito que este post comenta. Hoje já são 5 vias na Caralha (5º, 6º, 7a e 7b e a normal em móvel de acesso ao cume, um 4º grau) e mais 4 vias incríveis numa das falésias ao lado. E já achamos mais um monte de blocos de boulder esperando pra serem limpos e escalados, e várias paredes com vias pra serem abertas.

E de repente os locais de Itirapina, através da figura do Murilo e a Vanessa da Academia Atitude, o Eduardo Santini, o Stélio e o Romário (o Bruno tava viajando) deram um puta gás num pico onde eles junto com o Animal daqui de São Carlos haviam aberto algumas vias uns 5 anos atrás. É o pico do Colorido, onde estão saindo bastantes vias fortes, na sombra, abrigadas da chuva, onde a meu ver está o next level da escalada Hard aqui no interior. Tudo oitavo grau até embaixo dos tetos, e as continuações estão lá, esperando pra serem abertas passando pelos tetos. Muita coisa promissora naquela Falésia também!

Claro que enquanto isso teve conquistas no Cuscuzeiro, Itaqueri e na invernada. Mas não é incrível como a união da galera, atacando em várias frentes trouxe um progresso de maneira exponencial para a escalada “local”? Entre aspas porque Franca está a 200km de São Carlos, mas tudo aqui é arenito, e interior. As prospecções não param, estamos de olho em outras falésias. Não pretendo abrir 100 vias em todas, mas abrir algumas vias e catalogar e divulgar, soltar um croquizinho já deixa o gancho aberto para as futuras gerações que vierem na nova leva de escaladores levarem o pico adiante, tal qual foi com a gente outrora! É muito bacana ver essa evolução, a sensação de estar escalando no “quintal de casa” em um pico diferente dos mesmos já batidos Cuscuzeiro, Itaqueri e Invernada é impagavel! Só falta agora aquele campo de Boulder com 400 blocos de 8m de altura com negativo num terreno plano e de fácil acesso hehehe Bem, eu sonhei antes, e to vendo rolar, sigo sonhando! =D

Videos do Ano…

Tenho visto poucos videos ultimamente por causa da correria do dia a dia, muito trampo, climb, faxina em casa, etc…😛

Mas hoje consegui assistir uma meia duzia e fiquei extremamente impressionado. Realmente motivo pra vir fazer um post rapidinho, pq são realmente diferentes e muito melhores.

Começando com esse “Raices” que é Chileno e olha…. quase soltou uma lágrima aqui viu, pq te falá! Coisa linda o que esses Chilenos tem bem pertinho de Santiago. Rocha que é a coisa mais linda, uma natureza incrivel e uma comunidade unida e proativa. Segunda capital na America Latina fora do brasil depois de Montevidéu pra morar um dia q eu pensei foi Santiago!!!!

O segundo, foi vagabundo… não, to zuando.. o segundo foi bem massa também, ainda sob as lagrimas efeito do filme anterior, por isso ainda até que foi bem demais… Mas também foi fácil! Uma rocha LA-RAN-JA MA-RA-VI-LHO-SA parecida com a do Pico do Mané em Franca. Do tipo que da vontade de entrar mesmo que seja um dôzimo grau… Tem vários moves parecidos com a Cave e com o Boulder de Itaqueri (uns regletinhos arredondadinhos, uns pé altos…) Inclusive tem uma hora q parece muito com o final da Cinematográfica e Epopéia lá no Mané em Franca. Chega a ser pornográfico de tão bonita essa rocha, gente… sério mesmo!

Aí depois ja emendei nesse do meu queridinho Edu Marin e seu papi, que escalam juntos décimos e ônzimo graus de parede. Esse último vídeo de uma série de 3 foi muito legal tbm, a série toda parece meio ficção, com algumas zueirinhas e tal, mas bem massa! E o GPS vertical mostrando que altura eles tao do chao, tbm mto bom!! AH! Se liga que tem uma hora que o Edu Marin chega numa parada depois de um crux, aí ele da uma bambeada e pega na costura antes de clipar…. pareceu q ele ia cair, desesperou e pegou na costura e soltou um gritinho de Yeah! ou Ha-ha-ha-UOUUU… e pega na costura tipo pra disfarçar que ja ia pegar na costura mesmo kkkkkk Enfim, mó viagem, mas emocionante o filme também, com as comemorações no final e talz… (Pena q não da pra ver aqui né, mas clica aí pq é massa de-más… e recomendo ver os outros tbm..)

http://www.epictv.com/media/podcast/edu-marins-race-against-time-on-chamonix-8b-king-line-voie-petite/604072

E por fim, eu ja achando que ja tinha visto superproduções demais e que o próximo vinha para cagar a sequência de cadenas de videos bons…. Eis que me muerrdoooo a la lengua e é um puta video da hora do Dani Fuertes dando uma na via Bongada, um 9a francês. O Dani é timido, ngm ouve mto falar dele e talz, mas porra, super da hora o video e a CT deve estar dando pulos de alegria dessa altura por ver um video tao bom com seu atleta. Detalhe para a modernidade dos videos né? Pudemos reparar nos outros filmes também que os equipos ja tao sendo postos em primeiro plano, um zoomzinho aqui, uma macrozinho acolá.. e eu que sou viciado e adoro equipos, vish…. vou à loucura! huahahuauh Filme pornô ñão me empolga tanto quanto videos de escalada que mostra os equipamentos de escalada, novinhos, brilhando na parede.. ô grória… haha.

 

Mano, e olha que incrível essa parede… imagina a pira do maluco que abriu essa via! Que privilegiado deve ser o cara, com uma puta visão né, a linha perfeita de agarras pelas quais passa a via, em dois tetos simplesmente formidáveis, coisa mais incrível!! (Só não é mais bonita que aquela do video de cima “Eye of the tiger”)…

Nuuuuu! Falei demais! Ia só postar os videos na sequencia mas não resisti.. tive que comentar um por um…

Valews falows?😉

Anunciando Novo Apoio!

2016 tem sido um ano muito bom. As aberturas de vias estão a todo vapor, mudamos o logo para um muito mais moderno e visual, já tivemos um Curso Básico de Escalada semana passada, há novos produtos no site (mas  estamos providenciando mais, calma!) e já fechamos o Patrocínio do Campeonato Brasileiro para a etapa de Boulder na Campo Base em Curitiba. E agora eu gostaria de anunciar que fechei uma parceria e estarei recebendo apoio como atleta e difusor do esporte, das Mochilas OSPREY, através da empresa que faz sua distribuição no Brasil, a Bronet do Brasil.

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Apoiadores: OspreyPacks e Âncora Sistemas de Fixação

Foi tanta coisa que aconteceu no final do ano que realmente as postagens ficaram bem escassas, acho que em praticamente 7 anos de blog,  foram poucas as vezes que isso aqui ficou tanto tempo sem uma postagem. Mas também pudera: Estivemos nos empenhando a todo vapor nas conquistas no nosso novo queridinho aqui do interior, o Pico do Mané em Franca. O Post do Encontro de Escaladores do Nordeste era o próximo, com 6 meses de atraso hahaha Ah! E tem também um post com  algumas fotos das vias e Boulders que a gente abriu na Caralha de Brotas.  Em breve vamos focar mais ali naquele pico que tem um bom potencial para mais vias e boulders.

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Eu ostentando o novo Crash da Quero Escalar, que ainda nem deu tempo de por no site..

Mas Enquanto isso, não muito longe dali… Eu quero agradecer a parceria  com a Bronet do Brasil e da Osprey e a confiança em mim depositadas. Sempre achei as mochilas Osprey as melhores do mercado, e todo mundo sabe disso pq afinal, todo mundo que me perguntava qual mochila comprar, sempre recomendei Osprey, tanto que vários amigos tem Osprey ha varios anos por recomendação! Assim como foi com a Edelrid, é muito bom poder usar e trabalhar com um equipamento que você  gosta, confia e depois de um tempo não sabe como podia ter vivido sem!

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A Miuxa e eu temos aprovado a Osprey Aether 70, essa daí é na Bocaina, no setor dos paulistas

Eu já tinha uma mochila que eu tava usando pra cacete, brilhando muito nas conquistas lá em Franca pois mesmo com corda, costuras, cadeirinha, sapatilha, Furadeira  e equipamentos de conquista (como chapeletas, bolts, martelo, correntes, entre outras coisas bem pesadas) eu dizia que a mochila ficava tão confortável nas costas que depois de um tempo você acabava ficando com dor na perna na subida, pois vc não se lembrava que estava carregando tanto peso e queria continuar andando na subida na mesma velocidade que estava no plano hahahaha Enfim, em breve farei as avaliações das mochilas, o que não vai ser muito dificil pois eu já sei do seu potencial. O melhor é que a Osprey oferece garantia vitalícia para suas mochilas, para qualquer eventualidade: Se seu cachorro comer sua mochila, ou se cair uma pedra nela escalando, ou se o ziper emperrou, eles irão arrumar pra você, se se não der pra arrumar, rola uma mochila nova, é incrível!

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Aonde temos ido tem uma Mochila Osprey por perto, essa vermelha foi uma recomendação minha pra Dani em 2012.

 

Descobertas, Reencontros, Imagens e Montanhas

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Fotógrafos de escalada normalmente são mais badalados que celebridade. Afinal, quem é que não quer ser fotografado numa daquelas fotos de capa de revista? Não é um trampo fácil, e além de talento, é preciso muito trabalho e experiência! Tanto trabalho por trás das câmeras que normalmente os fotógrafos nunca aparecem.

Só que tem um fotógrafo Brasileiro que vem ganhando muito destaque ultimamente pois além de ser um daqueles fotógrafos cujas fotos são capa de revista, Poster de grandes marcas, faz vários vídeos de climb massa, ele vive a vida da mesma maneira que as celebridades do Climb. Numa Van, com sua mulher e os dois filhos, sempre pegando a estrada e escalando.

Estou falando de Francisco Taranto Jr., que apesar de ficar a maior parte do ano viajando, pode-se dizer que mora na França. Atualmente eles estão na estrada, mas a história começou alguns anos atrás, confira:

Um dia antes do nascimento de seu filho em 2010, Francisco comprou uma Van antiga com sua esposa Sandra. Depois de várias viagens junto de atletas profissionais, Francisco, Sandra e as crianças sonhavam em viajar pelas montanhas, com novas descobertas, conhecer pessoas e documentar tudo isso. Esse era o sonho deles, e por isso, chamaram-no de “DRIM” project (Descobertas, reencontros, imagens e montanhas).

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A Aventura deles começou no último outono (pra nós aqui do hemisfério Sul Primavera) na Grécia. Siga-os nesta aventura através dos seus diários de viagem:

http://experience.vaude.com/s/categories/87/stories/1359

Os episódios são curtinhos mas muito legais, vale muito ver os lugares por onde eles estão passando e as escaladas que as crianças já com essa idade tem feito e o amor que demonstram pela escalada e pela natureza. Da até uma invejinha branca hehehehe Mas eu chego lá! =D

(Já está no capítulo 5, entre no site pra ver todos os episódios!)