IV Encontro de Escalada de Arcos

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Bia na clássica Helicoidal, no terceiro Andar

Ahhh o Festival de Arcos.. Como não amar? Muita via boa junta. Um lugar onde você escala sem parar, toma espanco de uma, passeia na outra via do lado, volta, equipa, limpa. Repete. Tudo acessível. Muita gente boa junta. Ninguém reclamando que a via é protegida demais, nem de menos. Só escalando! Gente feliz? Uai, se não era, lá fica sendo rsrs

Vira e mexe a gente encontra um chato que reclama que o croqui tem “beta demais” ou que a via tem chapa demais. Mas tudo bem, o Rastro é praqueles outros 99,99999% dos escaladores que curtem escalar, e não reclamar (não que eu não reclame, longe de mim rsrs mas costumo reclamar por coisa mau feita, não caprichada demais). E lá essa galera se reúne e escala – e muito! Muitos setores. Vias na Sombra. Vias no sol. Vias com agarrão. Vias negativas. Vias de 30m. Vias seguras. Muitas. Vias. Democrático. Muito 6º grau com agarrão. Muito 7a “na promoção” (ADORO). Outros sétimos que são oitavo kkkk Mas os oitavos são oitavo mesmo! Mas é bom, mantém os máquinas ocupados. Tão ocupados quanto os seres humanos que vão lá pra escalar e se divertir com a galera, e fazem justamente isso!

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O Encontro de Arcos é uma festa da Escalada. Um dos melhores encontros de Escalada Esportiva do Brasil pois é tudo muito  fácil: Você vai lá pra escalar, então você vai lá e escala. Não precisa ficar 2h perdido no mato procurando via. Ta, eu sei, é conforto demais, tira o caráter aventura da escalada. Mas pra quem gosta de ficar perdido, tem pico que é mais aventura que escalada, e na hora de escalar é uma aventura. Em Arcos não: a gente vai pra escalar. Gostoso né? Em ARCO na Itália, o que fez a escalada sair do patamar de atividade marginal para um esporte popular e democrático (e os equipos de escalada se popularizarem e baratearem) foram justamente as falésias dentro da cidade que você vai caminhando, escala, escala, escala, depois desce e vai pro bar. A pé. Já estava mais do que na hora de termos um cantinho assim também!

Bem, não é dentro da cidade, mas de onde vc para o carro é tudo tão pertinho! A única excessão é o melhor setor de todos, o terceiro Andar, que fica na sombra o dia inteiro, tem 20 vias de 5º a 8a, base plana “child-friendly” mas tem que fazer a trilha de 15 minutos para o segundo andar (Ô que ruim), subir a escadinha de acesso e depois mais 5 minutos de caminhada (nossa, já cansei #sqn).

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Mochila Osprey Kestrel 48 incrível, cabendo tudo pra variar, e maguina Desfibrila. Fininho do jeito q eu curto!

E falando sobre o Encontro em si: IN-CRÍ-VEL!! Muita gente no abrigo, fora dele. Todo mundo escalando, organização de primeiro mundo. Comida da fazenda, pão de queijo, açucar com café… Minas né gente, o estado mais acolhedor do Brasil! (se bem que depois que eu conheci o Ceará, eu acho que pode rolar um empate técnico). A organização não deixou faltar nada, acho que não tem o que mudar para o ano que vem. Tipo, melhorar sempre dá, mas ficou evidente que a organização fez o máximo, o possível e o impossível que estava em seu alcance pra que ficasse perfeito. Prometo que ano que vem eu vou estar com voz e o Microfone vai ser meu na apresentação final e sorteio de brindes! hahaha

O foda foi que eu cheguei pro evento na terça com uma P… gripe. Chegava no fim das vias ofegante, fracooo… que tristeza. Até que no sábado comecei a apertar um negocin aqui outro ali  mas não deu pra entrar em nenhum projeto, que triste… Isso me frustrou bastante. Ainda bem que era festival e nem deu tempo de achar ruim, tava com uma galera bacana.  Well… mais ou menos hehehe O pessoal de São Carlos ficou numa casinha entre o abrigo e o pico. Mas eu preferi ficar na Geral com o pessoal de Franca. Aí o pessoal de São Carlos achava que eu tava com o pessoal de Franca. E o pessoal de Franca achava que eu tava com o pessoal de São Carlos kkkkkk E aí no final eu tentava juntar os dois grupos mas acabava indo sozinho pro pico (1h depois que todo mundo ja tinha ido) hehe

Mas foi bem massa pq no fim das contas deu pra escalar bastante, a galera aprovou as vias que eu pude abrir com o Ives e o Fabinho ano passado, e eu mesmo que não tinha entrado em várias, entrei, e pirei. É estranho, mas eu adoro as vias que eu abro rsrs  Tipo pai coruja achando que seu filho é sempre o mais bonito kkkkk

Finalmente mandei a Helicoidal, um clássico de Arcos no terceiro andar, e a  famigerada “Meia Seca” (quem me conhece sabe a história do nome da via hehehe 😛 ) um 7b de pés em aderência com agarras todas de lado ou invertidas, equilíbrio pra caralho e muita fé. E claro, entrei na Pilares da terra, um 6º cujo final teve a grampeação   sob a responsabilidade do Ives, e que ficou espetacular. A via é bem protegida pois tem um galho um certo momento da via, que passa bem atrás, e você tem que passar entre o galho e a pedra. 30m de puro regozijo numa escalada de agarras boas e final negativo de patacão com um pouco de técnica. Tem como não amar?

E claro, fiz um voluminho e perdi o medinho de uma via que tinha entrado quando tinham acabado de abrir e estava suja e eu tinha achado um terror. Desta vez, entrei, recuperei minha dignidade e recomendo a todos também a via “Meu amigo Stive” no vale das sombras. Aliás, por falar em vale, ali foi bonito de ver a galera malhando a   “Ho´ponopono” e a “Samsara”. Cadenas espetaculares da galera de Sanca e agregados, kamon! Ah! E a “Toko loco” também, incrível, negativo de batentões bons, só agarrão, um 6sup de teto no começo praticamente (depois fica vertical de agarras boas). Muito amor por esse encontro, esse pico, essas vias, essa galera! Agora passando a temporada de boulder volto pras vias e pros meus projetos que tive que adiar dessa vez.

Kamon!

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Valews, falows! =D (eu na Meia Seca)

Férias no Cipó (Ou: “o post mais aguardado do ano até o momento”)

Começando o Post com o Por do Sol do Mirante

Começando o Post com o Por do Sol do Mirante

Falar o quê de uma das melhores trips de climb EVER? Simpesmente todos os praticamente 30 leitores deste blog estavam lá, então foi praticamente uma reunião nacional da galera mais firmeza do climb do Brasil! Graças à Ju que conseguiu reunir uma galeeera de todos os cantos do Brasil num único espaço, num único pico, que brilhou muito. Muita vibe boa, muita risada e uma galera integrada, confraternizando junto, comemorando juntos essa festa chamada escalada.

(pra você que vai ler tudo, dá o play nessa música que eu escrevi o post ouvindo ela e algumas do gênero)

Não tem muito como descrever, quem esteve lá sentiu que faz parte MESMO dessa tribo do bem que é a galerinha do Climb. O Espaço Mandalla acolheu a todos muito bem. Na outra vez tinhamos ficado no Magrão (Abrigo G3), e outrora no Abrigo Cipó dos amigos Barão e da Rafa, tudo 5 estrelas, e dessa vez pudemos conhecer o Mandalla. Mesmo quem não tava ficando lá “passava de lá” no fim do dia de Climb pra dar um salve pros irmão,(filar) tomar uma cervecita e botar o papo em dia. Através da figura do Ale Imbelloni que tava tomando conta na ausência da Fran, foi tudo muito bem organizado e não pudemos perceber sequer um mínimo de desconforto, muito pelo contrário.

Para o Cipó fomos de São Carlos a Fabi, o Greg (doravante denominados Fagreg) e eu. Fizemos um caminho que economizou praticamente 2h, indo por capitólio e Divinópolis. No começo estava chovendo todo dia as 2 e as 5 da tarde, então ficamos mais concentrados ali na sala de justiça e arredores. Conheci outra blogueira muito famosa, a Alessanda, do Minhas Certezas Incertas. Conheci a Wenia, com quem havia feito negócios via face e que me marcou pela espontaneidade (e é personalidade ali na região de São João del Rey, Arcos…). Esses são os que eu já conhecia de internet. Mas conheci muito mais gente. Conheci a Mel, o Lex, a Joana de SP, o Igor e o Gui do RJ, a Vanessa, a Cláudia e a Carol do Sul (sul de verdade, de POA e “alrededores” né gurias?), a Rê e a Emília com sua turminha de SP, o Everton de Franca, o Ulisses com a namorada Chilena, enfim: muitos desses com uma galeeeera junto (ou pelo menos @ respectiv@). Foi muito massa. Foi tipo o primeiro ano de faculdade quando todo mundo é super amigo! Conheci a família Imbelloni, a Luciana de Franco (que acaba de se tornar a primeira brasileira a mandar um 10b e que é a humildade e a simpatia em forma de gente). Conheci o Maneira de Araxá. A Vevê eu já conhecia, o Raul e o Cleber chegaram depois. Até o féla do Felipe colou na goma com sua familia do barulho aprontando altas confusões (E Não levou nem a sapatilha – imperdoável). Apareceram também o casal Guibia da Quero Escalar/ Sanca Pression Team! Incrivelmente chegou também diretamente da China o Daniel Hirata, (mandei mensagem pra ele qdo eu ainda tava em São Tomé pelo celular) e pudemos reconectar a boa vibe novamente, eita minino bão sô, diretamente de minas pro mundo trazendo na mala bastante saudade e duas toneladas de chá! E também uma Eslovena, a Ursa (se lê Ursha), a qual tinha conhecido em Cuenca na Espanha 1 ano e meio atrás. A galera ia chegando, ia vazando, e a gente foi perseverando. Quando vimos nem sabíamos quanto tempo fazia que estávamos ali, e a contar pelos dias de climb – descanso – climb – descanso – climb tinhamos ficado 3 dias a mais que o plano inicial. Mas também, não fosse isso não teria mandado meu projetinho da viagem!

Greg na Melzinho

Greg na Melzinho

Na verdade o projeto era desconectar do mundo, passar um reveion  diferente fazendo o que eu mais gosto na vida que é (interagindo com gente que pensa como eu) escalar e aproveitar para apresentar o pico pro Cleber e Fagreg que estão começando no mundo da escalada. O Greg(són) mandou a FlashBlack a vista! A Fabi mandou a Popopó equipando à vista também! E o nosso rádio Cléber dormiu na cachoeira e teve uma insolação – Burrrooooo! kkkkkk mandou a Diversão garantida no segundo pega: Ahhhh muleke! Escalaram muito mais que isso claro, mas foi bom ver eles entrando no espírito da coisa. Legal ver a Vevê entrando guiando nas vias. A Rê mandando seu primeiro 7a com a Rei do Torresmo. A Vanessa mandando um 7a/b na lapinha no segundo pega! A Mel dando duplo mortal de cuestas la no pedrão hahaha Pra quem tava parada ta muito bem no climb também! E até o Lex entrou num 8b de top achando que era 7b e foi até a quinta costura! O Raul foi pra dar uma escaladinha de leve e conseguiu… conseguiu matar 2 garrafas de cachaça e dar trabalho – pra variar –  e deixar a todos espantados com seus papos de sexo e cagadas… principalmente quando era ao mesmo tempo hahahaha A Jú conseguiu reunir todo mundo, igual a galinha mãe que abraça todos os pintinhos embaixo da asa. Equipando as vias e “spraying beta” pelos 4 cantos do Cipó. “Serviço de Beta Gratuito 0800-JuliaMara. Seg da cadena firmeza. Escovamos as agarras de seu projeto e damos a vibe-mor!” E eu? Bem, eu fui lá descompromissado, sem ter escalado quase nada em 2013 inteiro, mandando nem 7a praticamente. Fui com a intenção de poder presenciar tudo isso que narrei. De interagir com essa galera massa que ta nessa pegada da hora de curtir o climb. Essa galera sem nóia de grau, mas que também quer evoluir e mandar seus projetos. E acabei voltando pra casa com duas cadenas inesperadíssimas, mas que me custaram alguns intentos.

Mel na Mister X

Melzinha na Mister X olhando a Fabi na Melzinho (puts Mel, não tinha como não fazer esse trocadilho!)

Dois métodos de treino. Lembrava da Academia Vida e dos treinos funcionais do Juliano quando fazia os movimentos das vias e me sentia leve. Lembrava da Equilíbrio Corporal e dos treinos de Pilates com a Sí quando blocava no core nos moves nos negativos pra dar aquela chamada com o corpo colado na rocha e pés longe ou botar pé na mão. 2 meses de treino, ta bão né? Comecei a entrar na Ética por causa da Chuva. Estávamos ali, chovia muito no fim do ano, então tínhamos que acordar cedo tipo 6 da manhã pro Cagão do Greg poder fazer o seu ritual matinal de 1h cagando – em 10 dias foram lidos 2 enciclopédias Barsa, O Senhor dos Anéis (os 3 volumes), o Hobbit, o sumarilion, e o catálogo da revista hermes. Tudo isso somente enquanto ele fazia seu “muñequito” de barro matinal. Chegando na rocha umas 10 da manhã, dava pra escalar uma coisinha ou outra e logo tinhamos que correr pra sala pq chovia as 2 e as 5. Benzadeus que a Júlia escovou as agarras da ética, pq tava foda! E aí foi só tirar a senha ao longo de vários dias. No terceiro pega eu errei um monte de coisa, gastei pra caramba e ainda assim caí indo pra última agarra. E aí no próximo dia (2 dias depois pq fomos pra Lapinha e teve um de descanso) saiu de primeira. A Mônica, namorada do Doc tinha acabado de descer da via e perguntou: Vai mandar? E eu, na maior naturalidade: Vou sim. (pensando, vou… vou mandar uma fiasqueira que vou ter que sair da sala de justiça pela porta dos fundos hehehe) Mas aí rolou! um 7c no meio da viagem eu nem esperava! Só que aí eu me apaixonei perdidamente…

Fabi na Popopó

Fabi na Popopó

Lembro da primeira vez que a vi. Ali. Despretensiosa. Dando mole. Olhando pra mim. Toda de branco. Alguém estava tentando levar ela pra casa. Mas naquele momento eu senti que eu poderia ter sorte nesse jogo. Era do jeito que eu gosto, “Totally my style”. O nome dela é Cheetara. Vi a via equipada ali no setor da escamoso com uns costurões de 80cm nas 4 primeiras. Um negativão que parecia ter agarras. Ah.. ja tinha mandado muito mais que o que eu poderia esperar da viagem, porquê não entrar “For fun”? E aí fodeu. Me apaixonei pela via. Não conseguia pensar em outra coisa. Fui pra casa pensando nos movimentos e nos dias seguintes dei mais pegas despretensiosos e cada vez via a remota possibilidade se aproximar. Eu nem imaginava que poderia conseguir. Mas sabia que tudo é treino, e que o “jogo da conquista” muitas vezes é mais legal que a conquista em si. Quando eu consegui mandar com apenas uma queda, e ainda por cima num sol de lascar, percebi que algo poderia sair daquela brincadeira. Mas precisaria descansar um dia, o que implicaria em estender a trip. Implicaria descansar no teoricamente último dia, e entrar nela na segunda feira. Mexemos uns pauzinhos e fiz acontecer de ficarmos mais 3 dias. No domingo fiquei de Chico-GriGri só dando seg, desci a trilha do G3 pro mandalla correndo. Comemos pizza e a Vanessa pagou a cerveja que ela tava devendo pelas cadenas na Lapinha e no G3. Na segunda feira foram embora a Vanessa, a Ju e o Cléber e ficamos Fagreg, Raul e Daniel (a Ursa tirou dia de descanso). Aqueci na Via nova do Antonio Paulo Faria, a BR-040 que fica do lado esquerdo (Ou EM CIMA, mais precisamente) da Diversão garantida, talvez seja um sextinho interessante. E não esperei muito pois apesar de chegarmos cedo no setor, o sol em menos de 1h estaria FRITAAAANDO na via. Pedi pro Raul alongar estrategicamente 2 costuras pra mim quando ele fez a Popopó. Entrei enquanto havia sombra. Descansei nos descansos. Usei o Beta da Ursa, da Júlia e do Daniel (que eu não tinha usado nos outros tentos). Executei a sequência com maestria sem errar. A sequência está na cabeça até agora. Uma via linda! Gostosa, benevolente, bem equipada, longa, negativa, com apenas um reglete opcional. Nossa, nem acreditei que saiu! Foda foi controlar a cabeça no descanso depois de mandar o crux. “Será que vou mandar mesmo?” Será que vou cair no próximo movimento?” “Se eu cair costurando a base, terá sido Cadena técnica?” Mas aí você entra num estado de concentração meditativo tão intenso que sua cabeça se limpa dos pensamentos e só o movimento que você está fazendo naquele momento passa a existir no universo. É um momento mágico que poderia durar pra sempre. Que é o que buscamos quando estamos escalando. É a meditação em movimento.

Depois disso ainda dei dois pegas na Especialidade da casa mas aí já não tinha braço pra nada. E no último dia entrei a vista na virgulino, no setor cangaço, mas tomei um espanco daquele cruxzinho lazarento, até que eu descobri como faz. O Efetivo estava cada vez menor, e o Raul também tinha vazado, tendo ficado apenas Fagreg, Ursa e Daniel. Eles ficaram malhando a O Cravo e a Rosa e a Virgulino enquanto eu fui dar uma seg pra Ursa (se lê URSHA) na Ética, também porque tínhamos que desequipar pois estava com as costuras da Ju. Voltamos no cangaço e mandei (já no doping na base do ibuprofeno) a Virgulino. O betinha do crux faz ela virar praticamente um 7a pra quem é alto! E no fim do dia apresentei o grupo Foda pra turminha e fizemos a Pra elas, Voce decide (o sextinho do lado esquerdo da pra elas né?) e mandei equipando a qual é a nota, que pra mim é a Ninhos versão 7b. Ah! Detalhe para o ataque das aranhas gigantes que a fabi sofreu na segunda! Uma caranguejeira daquelas bundudonas do tamanho da minha mão pulou de uma agarra da Diversão Garantida na Fabi!!!!!! A fabi gritou Pro Raul que tava na Seg: “Ahhhh Raul, uma aranha! Desce!” O raul ficou tipo o Chaves quando tem um piripaque e não desceu a menina. (Detalhe, eu vendo tudo de camarote ao lado). Aí a Aranha PU-LOU na Fabi ARACNOFOBIA STYLE!! Se fosse o Raul no lugar dela tinha tido no mínimo uma Síncope, mas mais provável um ataque cardíaco fulminante seguido de evacuação completa e imediata dos intestinos grosso e delgado. Mas a Fabi em seu lugar só deu um Matrix na Aranha, que caiu direto no chão. Vc bota uma fé? Depois descobrimos que a aranha fugia de uma vespa do tamanho de um pardal que põe seus ovos na aranha ainda viva, tipo Alien, o 8º passageiro. Esse dia ainda vimos lacraias, besouros, sapos gigantes e escorpiões. Segundo o Raul, tinha um Nazgul por perto, certeza.

Aranhas "RIGANTES" né Raul?

Aranhas “RIGANTES” né Raul?

No meio desses relatos todos teve um reveion, muita comida, “biritis”, confraternização no Mandalla, música, piadas, gargalhadas e mais gargalhadas. Mas também prefiro nem detalhar muito, prefiro lembrar do que eu senti, não do que eu escrevi. Vocês idem.

Que mais eu podia pedir? Que 2014 continue assim? Ta bom né?

Valeu demais galera, só tenho a agradecer a vibe, o final de ano maraviwonderful, incredilivable, alucinante! Estão todos no meu coração! Qual a próxima trip?

Bjos e até a próxima!

Fazendo jus ao nome do Blog

Primeiro dia passeando pela Pedriza. Isso sim pra mim é boulder...

Primeiro dia passeando pela Pedriza. Isso sim pra mim é boulder…

Pois é! Este que vos fala mais uma vez se vai e logo se volta. E não paro, o que é ótimo! Finalmente algumas coisas que eu tinha como meta fazia meses, pra não dizer anos, se desenrolaram, e agora estou super otimista de que tudo vai dar certo (Como sempre!). Eu sei que todo mundo está ansioso pra saber da viagem do Cipó, estava enrolando pq não tinha pego as fotos com a Isa ainda, mas também tive menos de 30horas para arrumar as malas e preparar o terreno para a viagem pra espanha. O Sebá é que está certo! Diz ele que não gosta de ter muito tempo pra fazer as coisas, que é melhor deixar pra ultima hora que você acaba fazendo tudo muito mais eficiente. E é a mais pura verdade. Veja a vida por exemplo. Depois que eu tive um “estalo” e saí da Matrix, parece que tem tanta coisa que eu quero fazer na minha vida que não vai dar tempo de fazer metade!! Essa correria toda também é motivo dos posts rareados, além é claro do meu superpopular post no blog do cume sobre “Ser melhor em vez de ficar mais forte”. Semana passada até cheguei a escrever um post imenso, tipo 3 paginas de word, só sobre filosofia de buteco, relacionamento, comportamento, atitude e a origem do universo. No fim das contas senti que era muita viagem pra pouco foco e acabei deixando de publicar (mas ta ali nos rascunhos, um dia quem sabe!).

Bem, enquanto estava no saguão do aeroporto esperando dar a hora do embarque, e depois de ter trabalhado um pouquinho, escrevi um pouco da viagem do cipó mesmo sem fotos significativas.

Júlia na Lamúrias no primeiro dia, aquecendo/aclimatando

Júlia na Lamúrias no primeiro dia, aquecendo/aclimatando

O Pico está DE-MA-IS. Claro. Arcos é tudibão, e tem potencial, mas o cipó está no epicentro das grampeações e cada vez que eu vou lá, não só o número de vias mas também de setores que duplica ou triplica. Quem diria, me senti quase em Arcos hahaha Você vai passando num setor completamente novo que vc nao fazia idéia que existia, com paredes de 30m cheio de agarras (veja que eu disse agarras, pq os agarrões estão em Arcos). Conheci o Vale Zen… Da última vez tinha sido o da perseguida a novidade (e antes o foda, e antes o cangaço), mas agora tem o coliseu, república dos chilenos, PCC, Vale zen, casinha amarela e G1 (bico do papagaio?). E parece que tem muito mais por ser aberto, Enquanto os generais de 10 estrelas ficam atrás da mesa com o c* na mão deliberando que não se deve mais abrir vias no cipó, as vias antigas, clássicas e já meio alisadas de tanto abuso, vão sendo aliviadas pelos pioneiros locais como Barão, Fei, Waguininho, Magrão entre outros, que dão o gás pro pico continuar 1000 estrelas e dar conta de suportar a tendência internacional de escaladores (e vias) que só aumenta. E cada vez mais rocha aparece, e mais um setor, um vale, uma gruta surge e a gente fica de boca aberta de novo com o potencial e qualidade das vias. Daqui a pouco a gente vai ta indo pro G3 pela zuma pois cada vez os setores estão ficando mais perto entre si, e a sala de justiça desafogada. Mas também grandes poderes vem acompanhados de grandes responsabilidades. No mundo inteiro e aqui não seria diferente. Com o aumento do número de escaladores também aumenta o número deles que não fazem nem idéia o que estão fazendo e não é dificil encontrar gente entrando guiando um oitavo grau sem ter nunca nem ter guiado na academia ou “malemá” sabendo fazer seu próprio nó. E o pior é que as pessoas batem no peito orgulhosas que não tem instrução especializada (como se isso fosse bom) e mau sabem a vergonha alheia que estão passando. Se até a gente acostumados ao partner check nos pegamos encordados só na perneira da cadeirinha, e sabemos que “não pode”, imagina quem não faz idéia e não checa? Bom, nos resta espalhar a palavra com responsabilidade e bancar os chatos que saem corrigindo a galera no pico (É mto mais fácil que carregar o malaco com a perna quebrada ou na maca trilha abaixo, garanto).

Isa, Genja, Beto, Julia e Seba - Os integrantes do SCPT nessa Trip

Isa, Genja, Beto, Julia e Seba – Os integrantes do SCPT nessa Trip

Para a viagem fomos A Júlia, o Sebá, nosso amigo italiano máquina que esta ficando 2meses em São Carlos, Isabeto e eu. No primeiro dia escalamos no Vale Zen depois de aquecer nas clássicas (Lamúrias, injustiça…). O Beto apresentou o 9c (8aFr) mais famoso do Brasil pro Sebá, a Heróis da Resistência, enquanto eu buscava os locais para mais informações sobre os novos setores. Já no Zen, Fiz a via “Gigante pela própria Natureza”. Maravilhosa, 7a de 35m medida na tinta do meio da corda! Como eu Não estou escalando nada me coloquei pequenos desafios e mandar essa via a vista equipando foi muito bom de ter conseguido! Todo mundo curtiu e meio que passou aquele veneninho no mesmo lugar X da via que eu não vou dizer onde é hehehe. Ainda no final do dia a Isa e eu entramos na via que supostamente é a Estriquinada, via que a Rafa abriu, um quintinho muito bem equipado, curtinho, ideal pra quem está começando a guiar. Só de curiosos ela e eu entramos na via do arco, bem na entrada do vale zen, mas por precaução com relação ao meu dedo (e por incompetência) fui só até a metade. No segundo dia fomos pro Vale da Perseguida, onde pude aquecer equipando a “Vai Mané” 7b, e mandar no segundo pega. Enquanto a Isa e a Jú entravam na Chorrera Musical. Depois ainda fiquei azedo pois entrei numa via sem saber que tinha regletes, e meu dedo ainda não estar 100%. Acho que o nome da lazarenta era “Por entre as pernas da perseguida” 7c/8a (mas é  uma via mto massa e quero entrar de novo qdo tiver bão). Nessa hora chegou o Rio de Janeiro Aderencion team liderados pela Naná, contando com Rogério, Rô e o famigerado Preza, que era figurinha carimbada nos picos mas que eu ainda não conhecia. FIgura! No final do dia ainda ganhei um presentão da Júlia tendo mandado no flash a Olho do Observador, láa no outro setor, o já tradicional Anfiteatro, na verdade pelos nomes das vias acho que é na caverna do dragão hehehe. Não tinha adesivo na via, então fui pro “descanso” na esquerda, o que me fez sugerir 7a pra via, mas deu uma vontadezinha de tentar o 7c reto. Via animal! Recomendo!

Preza, eu, Sebá, Naná, Rô, na frente: ROgério, Beto, Julia e Isa

Preza, eu, Sebá, Naná, Rô, na frente: ROgério, Beto, Julia e Isa

No terceiro dia voltei pro Zen com a Júlia e a Isa por causa do beta do Preza, de um 6° (Avenida Brasil) e um 7b (FlashBlack). O Riodejanereiton Aderetion Team foi pro Antão pra poder ficar mais perto do Aeroporto e pro Preza que está no Lesionados pression team assim como eu poder escalar alguma coisa. Voltando ao caso do Zen, como o Daniel de Joinville estava na Avenida Brasil (teoricamente um sexto), entrei no 7a e mandei meio a vista (meio a vista pq quem tava no chão cantou a agarra do outro lado da aresta – sorry Gui pelo spoiler, fica de troco pelo beta da chapa na direita da canaleta da gigante hahaha). Mais uma clássica do pico das que vale a pena fazer sempre que se vai pro Cipó, junto com a Gigante, a Lamúrias, a Tatara, a Cravo e a Rosa, enfim… Entrei no sexto e passei um sufoco!! PQP! Muito mais foda, com uns abaolados de ombro e em vários momentos eu me vi VOoaaandoooo só não voei pq a cabeça tava boa e apertei mesmo me vendo voando e não ficando nos abaolados, ia pros moves com dedicação e acabei mandando com a vibe da Jú e da Isa. Foi naquele esquema: “…só mais uma agarra vai, não to tão tijolado assim, além do mais se eu cair ótimo que assim já não fico mais com tanto medinho”. E funcionou hehehe. Mais tarde mandei um 7a no strictu sensu da palavra, sem saber nada. o Fei apareceu pouco antes e falou que tinha essa via nova que o Vaguininho tinha aberto, “Avenida das torres” ou algo assim. Láaaaa por entre a 8° e 9° chapa tive que abusar de minha altura, fazer entalamentos de joelho, asa de galinha, passei um sufoco, quase perdi a cadena pois fui muito pra direita, tomei marimbondada na cara (sim, marimbondada, eles trombaram comigo mas nao picaram)… mas no final deu tudo certo e acabei mandando! Ufa! Eu pensava: Tenho que mandar pra nao ter que passar por isso de novo hehehe Depois a Julia entrou e achou um monte de agarra que eu não vi. Provavelmente quando a via estiver mais limpinha vai ficar mais sussa (mas é da hora!).

Puts… e no ultimo dia… mano… Último dia fomos num lugar Magnifíc! O Magrão passou todos os betas de como chegar, fez um mapinha ishperrrto de um setor novo que tinham acabado de abrir algumas vias (tinha pó dos furos na parede ainda). São aqueles bicos que dá pra ver ali do abrigo do magrão, no G1 ainda.. à esquerda da “assombrolhos bicolhos”. Tipo meia hora de caminhada, passa por um vale muuuito lindo, cheio de umas flores vermelhas grandes, um microclima umido e frio, no meio do “agreste seco” pelo qual passamos antes pra chegar la. Passamos por dentro de uma Cave cheia de espeleotemas muito bonita, e depois demos a volta pra acessar o platô onde começam as vias. Fiz um 7c do magrão chamado “Vô coruja” A-NI-MAL. via também de 35m ou mais, com começo de 6°grau, depois um negativo de agarrões, e depois um lance vertical meio “tricky” e no final pra variar, canaleta. Fui só até o lance vertical e desci pois dali pra cima não estava equipada e eu não tinha levado costuras (e fiquei com uma puta preguiça tbm, último dia de climb sabe como é né?). Enquanto eu entrava nessa com a Isa, o Sebá, nosso Italian very relaxed man entrava com o beto na do lado, que é um 7a até a metade e depois vira um 9c. Eu já estava na capa da gaita mas ainda dei um peguinha sem compromisso na parte de 7a do 9c. E aí fomos pra casa, comemos o resto da lentilha que a Ju tinha feito pra 18 pessoas na noite anterior (mas eramos em 5), e vortemos. Na volta ainda pegamos um congestionamento de 1h em Rio Claro onde ficavamos nos estapeando Julia e eu para ficarmos acordados.

Beto, na Tecnicamente apelidada de "Falsa Lamúrias" no G1

Beto, na Tecnicamente apelidada de “Falsa Lamúrias” no G1