As melhores fendas do Interior Paulista

img_20160904_121236473

Ahhh eu adoro essas fotos de equipos em pé de via!

Não é que escalada móvel seja a minha favorita. Mas eu diria que eu gosto tanto de escalar, que não escalar em móvel seria me privar de muitas vias maravilhosas. E eu não gosto muito dessa história de ficar me privando de alguma coisa. Então a escalada em móvel se tornou algo corriqueiro. Antes uma brincadeira, agora um acessório tão trivial quanto uma costura ou uma corda, são as peças móveis. Mas tem gente que pira nessas pecinhas de proteção móveis mais que na escalada em si (e aí arranja treta pra tudo que é lado kkkkk). Mas enfim, não vou polemizar pq não agrega ao contexto, mas que tal falar sobre escalada?

Manoo! Andei escalando umas vias incríveis em móvel, que você não tem noção. Coisa de filme mesmo. Até o mais apaixonado por chapeletas vai ficar com gana de botar a mão num joguinho de camalots e subir essas vias. A maioria delas fica no Pico do Mané, mas cá entre nós, há fendas incríveis no Cuscuzeiro e na Invernada também (e até na caralha). Até alguns anos atrás, quando se falava em via móvel no interior, só se falava em Irish Jararaca no Cuscuzeiro, que digamos que é a mãe de todas as vias móveis que vou citar. Não incluí ela pois ela já foi repetida trocentas vezes, já tem sua fama, e eu queria falar de coisa nova. Vamos lá? Numa ordem não muito aleatória, cuja sequência respeita um critério subjetivamente intrínseco e desconexo.

1 – Fenda perfeita do nome Perfeito. 5Sup – Pico do Mané, Franca

img_1203

Biaoncê divando desfrutando das fendas do Pico do Mané

Uma das menores vias da lista, mas também uma das mais bonitinhas. Uma daquelas vias pra se aprender guiar móvel. Colocações a prova de bomba, num arenito bastante sólido (apesar de fraturado, não esfarela). A fenda transcorre por um diedrinho e permite a colocação de peças praticamente a qualquer momento, quantas quiser. Começa com peças menores tipo um camalot #0.4 depois aumenta, diminui, tem fenda horizontal, vertical, aceita Nuts numa boa em vários momentos, camalots, e ainda tem um lancezinho “maroto” pra chegar na parada pela direita. Incrível, daquelas pra se fazer estreando peças, sapatilha, cadeirinha, fazer no fim de tarde só pra não passar em branco. Uma via feliz, diria eu! Ela tem uns 15m e fica pra direita da “Epopéia” e pra esquerda da PugliRocks, duas clássicas do setor da chegada. A parada são duas correntes discretas pra direita da árvore, não é na árvore! Ah, e o melhor, sombra depois das 15hrs, o que é muito importante lá no Mané!

2 – Abrindo Horizontes, 7a/b – Pico do Mané, Franca.

dscn2879

hummm fendinha ishpertaaaa…

Essa é massa! (ah vá?!) Entre o setor da chegada e o setor da Tesão. É um diedro fendado com uma saída boulderística alucinante! Depois vai super de boa até o final do diedro, e toca mais uns 10-15m até o top. Tem duas chapas na segunda metade pq os blocos soltos não inspiram confiança, e da pra melhorar o ultimo lance com um camalot #2 ou #3. Tem 25m, sombra no diedro depois das 2 ou 3h dependendo da época do ano. Por representar fazer força de crux de 7b explosiva logo de cara, já é um filézinho. Ah! E foi a primeira via em móvel oficialmente que existiu no mané, daí o nome. Antes só a “Ph na cabeça” que tinha uma passagem em móvel no meio, mas é mista. Lembro que no dia da conquista “debaixo pra cima” eu levei tanta peça, tipo, 3  jogos de nuts, e 2 jogos completos de camalots, que eu pesava vários kilos a mais e achei super hard. Aí quando entrei pra cadena só com as peças que eu sabia que ia usar, tipo umas 8, nossa, foi lindo, vuei no move! kkkkk #fikdik 😉

3 – Sexo, Sangue, Suor Lágrimas e Gritaria, 7b/c – Invernada, São Carlos

dsc00707

Comecinho delicado, final negativo de agarrão. Fenda no meio! Sensacional!

Ahh, essa é meu xodozinho. E também a vovózinha da lista, com praticamente 6 anos de existência (contra praticamente todas as outras que tem tipo, 1 ano no máximo). Essa é uma das vias que eu mais repeti, e sempre que repito adoro e fico com vontade de fazer de novo. São 25m de pura escalada. Uma via mista aqui no quintal de casa. Começa com um 7b incrível técnico de 3 chapas, depois clipa mais 2 fáceis e entra na fenda. Eu protegia com 2 peças mas agora tá tão decorada que eu ponho só um TCU roxinho equivalente ao camalot #0.4 ou .5 e vou pro descanso, ponho um #0,75 e entro pro lance do crux, que é protegido por 2 chapas, e pra ir pra parada rola proteger com um camalor #3 ou #3,5 ou um camalot #0.4 um pouco mais alto, e já era. Recentemente abri uma variante pra esquerda com chapas que não passa pela fenda e toca pra esquerda, chamada “Foguete cubano”, e já fiz a variante Sexo Cubano, que faz a fenda e do descanso toca pra Foguete cubano. Incrível, técnica, negativa, com agarrões, delícia de via! Tem uma permadraw no meio da via pra vc passar sua corda quando estiver rapelando para conseguir limpar as primeiras chapas, se não fica bem dificil devido à inclinação da via.

4 – Flertando com o Teto, 6sup – Pico do Mané, Franca.

Flertando com o Teto!

Flertando com o Teto!

Ahhh, essa foi uma das vias que mais deu trabalho pra abrir. Duas caçambas de blocos soltos, de terra, e muita faxina foram necessárias para transformar um aglomerado de pedras soltas em uma via móvel perfeita, de 25m protegivel do chão até o top. Um diedro com aquelas fendas dos filmes americanos, perfeita, em que vc não precisa nem conferir a colocação, enfiou o camalot, clipou a corda e tocou embora (mas confira sempre suas colocações, ok?). Um pouco técnica, requer uma certa logística devido ao grande teto, se não, rola um arrasto na corda monstro. O ideal é ir com uma corda dupla, ou, tal qual como nós fazemos na Lamúrias de um Viciado lá no Cipó: Vai encordado com as duas pontas da corda. Quando chegar no segundo platô antes do Crux e depois da Chaminé clipa umas 2 ou 3 peças redundantes com a corda que não tinha sido clipada em nada e desencorda da corda que vinha sendo clipada nas proteções sob o teto e na chaminé. Ou então abusa dos costurões de 1,20m e aguenta o arrasto da corda. Uma via pra ser fotografada e repetida. Em breve volto lá pra abrir a continuação, é só o Sol baixar! Leve uns camalots #0.4 repetidos para o começo, o #1 repetido para o teto e o crux antes da parada, além do resto do jogo completo que vc vai usando ao longo da via. No meio vai uns nuts, tricam, usei até um X4 amarelinho pra sair do diedro e montar no platô (peça móvel pequena). Ah! Como a maioria das vias no mané, ou chegue cedo (Tipo 6:30/7h) num dia frio, ou espere pra entrar nela depois das 3h da tarde. Destaque para a Rê Leite e a Mel de São Paulo que ajudaram a fazer a funça com a maior paciência do mundo e deram muita seg, escalaram a via varias vezes comigo e limparam impecavelmente a primeira metade dela, de onde sairam várias carriolas de terra e blocos soltos.

5 – Diedro Ainda sem nome, 7a/b – Cuscuzeiro, Analândia.

img_20161015_171937472_hdr

A fenda nova no Cusco!

Essa é nova no Cusco. Tal qual na “Flertando com o teto”, o Beto também ficou meses wagnando e faxinando a fenda do diedro do qual rolaram várias caçambas de terra e blocos soltos. E abriu uma das vias mais espetaculares do cuscuzeiro. São 35m de via móvel, interrompidos unicamente por uma parada intermediária pra meiar o rapel de quem vai com corda menor que 70m. Uma escalada alucinante daquelas que você tem que desligar a chavinha do medo e tocar pra cima. Não porquê da medo, mas porque não precisa! As quedas são limpas, as colocações são bomba mas são do tipo “Só pra não morrer, não pra pagar o lance com a peça no peito”. Tem hora que é melhor não proteger mesmo e sair tocando pra cima pra chegar logo no agarrão. Sempre tem encaixes bons pra dar uma respirada, agarras boas, lances de diedro com pé chapado, muita técnica de oposição, incrível – mas o Psico pega!!

Leve um jogo de Camalots, Nuts vão muito bem. Tricams entram onde nada mais entra, e MicroFriends tipo X4 ou Aliens protegem lindamente lances cruciais – Nuts pequenos tbm. (e um rolo de papel higiênico pra por na cabeça)

6 – Vulva Alada, 6sup/7a – Pico do Mané, Franca

img-20160906-wa0005

Olhando de longe e de frente: Claramente uma Vulva Gigante!

A história dessa via é uma das que eu mais gosto e também a mais “novinha” da lista. O Wagner tinha acabado de abrir a trilha que liga o setor antigo ao setor novo no pico do Mané lá em Franca (Patrocínio Paulista na verdade). Foi no dia que abri a “Vida Loka” que passei por ali só pra conhecer a trilha do setor antigo para o setor novo. E quem escala sabe. Você não faz uma trilha num pico de escalada olhando pro chão. Eu pelo menos vou brisando: Olhaaaa, da pra abrir via ali, e ali, e ali, acessa por ali, bate um top, humm, ali tem que rolar bloco solto, humm. e vou analisando né? E assim foi com a Vulva: Amor à primeira vista. Lembro que a primeira vez que a descrevi pro Guilherme eu a descrevi como: Um diedro bem aberto com umas pranchas de surf que saiam bem do meio da fenda. Digamos que me apaixonei instantaneamente pela linha da via. Estava ficando um feriado de 4 ou 5 dias lá e como o setor tem de fato sombra até meio dia, cheguei com a Carol de Franca logo cedo (tipo as 7h) no pico, mas ao sinal da primeira chuvinha ela vazou e eu fiquei lá, com o pico inteiro só pra mim hehehe E o mais incrível: a única linha seca era a Vulva. Ahhhh, não tive dúvidas. Comecei a conquistá-la em livre em solitário até aproximadamente 2/3 dela, quando cheguei nuns blocos soltos meio medonhos. Puxei a furadeira pra cima (que estava preparada no chão só esperando pra eu puxar através de uma corda que eu levava retinida (também conhecida como “a outra ponta da mesma corda” kkkkk) e pendulei pra direita numa aresta, e continuei a conquista da “Cavaleiro Solitário” debaixo pra cima em livre. Esse dia ficou nublado o dia todo, então pude trabalhar até o fim da tarde sem tostar no sol, e, ao final, escalei na auto-seg a cavaleiro e marquei todas as proteções, e finalmente furei. No dia seguinte voltamos lá e através da Cavaleiro Solitário o Wagner fez cume, bateu vários Tops e pudemos abrir a “Na natureza Selvagem”, uma via Amaaazing em face que tem praticamente 30m em móvel com apenas uma chapa pra proteger a saída – Via do Wagner e do Eliel “jah”. E eu com o Juliano Engler pudemos abrir a Olho do Tigre e a Terra do Nunca, pra esquerda da Vulva. Ainda nesse dia abrimos (O Juliano, Wagner, Jah e eu) a Independência ou Móvel, uma via mista de 25 ou 30m incrível também.

Pois bem, voltando a falar da Vulva, uns 15 dias depois  voltei pra Franca e com uma galera massa que escala de meio de semana, pude finalmente bater o Top da Vulva e descer rolando todos os blocos medonhos que tinha no final do diedro antes do tetinho (ainda falta um, bem no final do teto, já pra cima dele: cuidado!). E finalmente, uns 2 dias depois ainda em Franca com essa galera que escala em meio de semana (Santinho, Jayme, Jah, Rê), pude finalmente mandar a Vulva Alada. Foi incrível. Abusei dos costurões, das proteções, em vários momentos você tem que trabalhar na oposição bem no meio, é sensacional, é escalada bonita, bem protegida, incrível! Detalhe para o tricam preto ❤ salvador que protege bem a passagem do Crux onde nenhuma outra peça conseguiu proteger. E aí pra acabar muitos agarrões, virada de teto com agarras, e “easy-terrain” até a parada, sempre com boas opções de proteção. Incrível! E nesse setor pra quem curte, da pra fazer a continuação da “Olho do Tigre, 6º” em móvel até a parada da Vulva, é a variante “Olho do lixão” facinho tipo 4Sup, e a continuação da “Terra do Nunca, 7a/b” em móvel até a mesma parada: Pensamentos Felizes, também sem muitas variações no grau desse finalzinho, não passando de 4sup.

img-20160906-wa0012

Depois de alcançar o Top da Cavaleiro solitário, fixei a corda, desci limpando a fenda, subi marcando as proteções da cavaleiro e desci furando. Ao fundo, a Vulva e sua fenda. Na esquerda a aresta da Terra do nunca.

Bem, pra ela você pode levar um jogo de nuts e um de camalots que ta tudo certo, mas não se esqueça de deixar os Camalots #2 e #3 para o final, e algo semelhante ao Tricam preto #0.250 pra proteger o crux bem no bloco que parece solto mas não solta. Escale em 3d e não esqueça de tomar cuidado com o bloco solto que está acima do teto!

7 – Vida Loka, Parte 1 – Pico do Mané, Franca

img-20160903-wa0013

Essa Fissura bem no meio da parede é a Vida Loka. Os cactus lá no meio deram trabalho pra desviar: Marimbondo pra esquerda, bloco solto pra direita!

Nossa, essa foi incrível também. Uma fendona de mão perfeita (leve uns 3 camalots #2), negativa, que na hora que eu vi (e o wagner tinha me alertado que quando visse ia querer fazer isso mesmo) já entrei conquistando debaixo pra cima na moralzinha. Mas tive que artificializar uma parte que eu acho que “vai dar crux”, acessei um platôzinho pra direita depois do final da fenda, desviei de Cactus, blocos soltos, estiquei horrores desde a última proteção (ok, horrores não vai, uns 3 ou 4m com direito a pêndulo desagradável), protegi numa fenda perfeita que também é agarra que me possibilitou pagar o lance em face e fugir de outros blocos bem soltos num momento que eu estava começando a ficar desesperado pois não queria subir neles (foi lindoooo aquela colocação do TCU verdinho, lembro como se fosse hj, saí do diedro sujo e cheio de cactus e entrei num lance de escalada em face mais exposto e senti o vento batendo no rosto, foi libertador rsrs). E então toquei mais uns 10 ou 15m através de um diedrinho fácil, acessei um platôzinho, subi numa geladeira que não está mais lá, e armei uma parada em móvel a prova de bomba e puxei a furadeira pra bater o Top. Então desci rolando blocos mil, que levaram consigo Cactus, terra, e aproveitei pra furar pro lado esquerdo o Top de uma clássica do pico, a “O Pianista”, que leva o nome devido ao Piano que o Wagner rolou pra baixo do meio da via.

Infelizmente não tive mais oportunidade de entrar lá e tentar mandar a Vida loka! Chama-se parte 1 porque tem claramente uma continuação fácil, em móvel lá pra cima, que vai se chamar Vida Loka parte 2 😉

Enfim! Essas são as minhas fendas favoritas aqui no Interior. Lá na falésia da Caralha também tem uma, a “Para o Beto com carinho”, um 5sup tranquilinho com cara de campo escola também todo em móvel. Mas quando eu soltar o croqui oficial do Pico com os betas de como chegar no pico e talz, aí eu falo sobre ela.

Ah, lembrando que apesar das fendas perfeitas, o Pico do Mané é um pico esportivo, com aproximadamente 70 vias contando as variações e links entre vias , das quais praticamente umas sei lá, 55 são com chapas. Ah, e pra quem quiser fazer uma via mista pra aprender ou pegar mais confiança nas colocações móveis, a Mosquitos no Cuscuzeiro é uma via esportiva com chapas mas que da pra ser feita em móvel. Assim, você pode clipar as chapas e colocar os móveis pra ir se costumando e aprendendo a escalar em móvel, ou se vc já sabe, só pelo lúdico =).

PS1 – Só pra não virem me xingar, São Bento e arredores não entrou na lista pq não considero ali como sendo “interior” do estado, uma vez que é um dos picos mais pertos da Capital, e eu entendo que ali é o mainstream de escalada no estado, tanto de boulder, quanto trad e esportiva. Logo essa lista é mais pra ser “alternativa” mesmo. Divirta-se =D

PS2 – Ainda que no Mané tenha muitas fendas, é em Mineiros do Tietê onde eu vi o maior potencial para escalada móvel da região com inúmeras fendas por setor. Acesso ao Cume fácil pra rolar os blocos, e sombra ou antes, ou depois das 13hrs dependendo do setor. Em breve voltaremos lá! Lembra quando eu postei essa foto aí embaixo, lá de Mineiros?

IMG_2282

Abrindo a primeira via do pico…

Falando sobre Proteções Móveis – Parte 1: Nuts, Hexentrics e tricams

Esse aqui é o primeiro Post não escrito por mim! Hoje o post é com um convidado especial do Blog, o Ives, que por causa de uma queda de mau jeito na trilha está tendo que dar um tempo dos treinos e por isso está saciando sua necessidade de escalada com leituras recomendadas….  Mas ele vai explicar melhor pra vocês! Vamos ao post:

Obrigado Genja pelo convite. É um prazer poder estar aqui no seu blog para falar com os amigos fãs da escalada. Como escalador aqui de São Carlos sempre acompanho seu blog para ficar antenado nos acontecimentos dos finais de semana de escaladas da Região, bem como das noticias que permeiam nosso mundo… Fiquem ligados, após o comercial voltamos falando de proteções móveis!

Esse mês utilizando o código QE#carna as costuras da Edelrid com R$50 de desconto! Mas corra, promoção válida só até o Carnaval!

Esse mês utilizando o código QE#carna as costuras da Edelrid ficam com R$50 de desconto! Mas corra, promoção válida só até o Carnaval!

Inspirado pelo vídeo do Thiaguinho – o Chapaless (recomendo) no ultimo post do Genja – somado ao fato de eu estar podendo escalar muito pouco por causa de uma lesão no dedo – estou fazendo minha tarefa de casa sobre escalada. Assim, fui estudar as diferenças sobre proteções móveis….

Imagem

Brinquedinhos ! 😀

É claro, qualquer um que escala a um tempo sabe a diferença entre um nut e um friend! Mas, qual a diferença entre um camalot e um friend ? Um ball-nut e um nut ? Um C3 de um X4 (lançamento da BD  para 2013 – lindo) ? Além de quê, existem outras opções de proteções móveis: tricams, hexentrics, big bros, ATC’s e por ai vai… Para esclarecer essas dúvidas que eu mesmo tinha e apresentar essa variedade de equipos, vou tentar em algumas linhas explicar as diferenças básicas entre eles 😀 !

Basicamente podemos dividir as proteções móveis em dois grupos (ativos e passivos):

  • Proteções ativas: Não, não são camisinhas São esses, basicamente, o grupo dos camalots e friends. Em inglês são conhecidos por SLCD – Spring loaded Caming Device (algo intraduzível mas meio que traduzindo fica: Dispositivo com castanhas que se ativam mecanicamente por compressão através de molas #sóquenão). Diferenciam-se dos passivos, por possuírem em sua estrutura algum artifício mecânico, como no caso dos camalots, eixos e gatilho, ou seja, mudam de tamanho quando você puxa o gatilho, põe ele na fenda e ao soltar o gatilho ele fica parado no lugar encostando nas paredes da fenda pela ação da mola. Resumindo: O mecanismo do equipamento é responsável por pressionar o equipamento contra a fenda com o intuito da peça ficar bem colocada e firme. No caso de uma queda, o eixo principal faz uma força num sentido que ocasiona a rotação das castanhas de uma maneira que elas tentam “aumentar” a espessura da peça, distribuindo as forças igualmente nas castanhas que é transmitida às paredes da rocha através de atrito, e é isso que faz com que todo mundo veja com bons olhos esse tipo de proteção.
Friends: Os mais populares, mas nem sempre o mais indicado!

Friends: Os mais populares, mas nem sempre o mais indicado!

  • Proteções passivas: Funcionam por simples entalamento, não dependem de regulagens mecânicas. Exemplos:  Nuts, hexentrics, tricams e cordins com nós.
nuts

Nut entalado (bomba) !

Nuts: Bons, bonitos e baratos. Os nuts são a primeira aquisição de quem quer começar a escalar em móvel. Suas colocações são muito comuns, e seu principio de funcionamento é simples: Entale-o! Um jogo comum de nuts possui em torno de 10 peças (em geral do número 4 ao 13). Dica: Sempre é bom ter algumas repetidas, pois são as que mais se usa. Existem vários tipos: simétricos, assimétricos e curvos – a escolha dessa característica vai depender do tipo de fenda que você vai proteger: Há modelos que são melhores para alguns tipos de fendas do que outros. Materiais: ligas de ferro, cobre ou alumínio – o material muda a capacidade do nut em se aderir na rocha, os de cobre por exemplo deformam mais que os outros, assim a chance de sacarem é mais difícil; porém a resistência e durabilidade deles é menor. Em geral, os de ligas de ferro e alumínio são os mais usados. Dentre outros tipos, se destacam os micros, que é pra colocá-los em fendicas de nada, sendo muitas vezes só usado em escalada artificial (números 1-3 da BD), os outros números (4-6) podem ser sujeitados a quedas segundo o manual do fabricante.

Dr. House também usa Nuts!

Dr. House também usa Nuts!

hexes

Jogo de hexentrics

Hexentrics: Parecidos com os nuts, os hexentrics são uma alternativa muito útil de proteção. Porém, são mais difíceis de serem colocados, já que necessitam ser colocados em fendas paralelas. Entretanto, quando se consegue um bom entalamento, ficam muito estáveis. A característica hexagonal deles fazem com que ao sofrerem a tensão de uma queda, a força que faria eles “girarem” e sacar faz com que na verdade eles se travem ainda mais na fenda. Em geral, eles são colocados em fendas paralelas, e mesmo se eles se movimentarem, eles ainda são seguros devido ao seu formato. Foram muito populares antes da invenção dos friends.

Tricam colocado "dobrado" sobre a fita

Tricam colocado “dobrado” sobre a fita

Tricams: Em alguns lugares você pode encontrar esse tipo de equipamento classificado como proteção semi-passiva, semi-ativa e etc. Para não complicar, eu os coloquei no grupo passivo, pois em algumas definições não ter nenhum gatilho ou parte móvel faz com que eles sejam classificados como passivos. A forma de “meia-lua” dele se assemelha a uma castanha de um camalot e isso faz com que seu princípio de funcionamento seja exatamente o meio termo entre um nut e um camalot. Ele pode ser colocado igual ao nut convencional, simplesmente entalando-o. Mas o modo de colocação que o difere de seus amiguinhos, exige que você “dobre” ele por cima de sua fita. Dessa maneira, quando a fita for tensionada, ele ganha rotação (ou torque mais especificamente), o que faz com que ele sofra uma espécie de “expansão” tal qual a castanha do friend, só que com um mecanismo muito mais simples. Outra vantagem dos tricams é que eles podem ser usados em buracos, fendas horizontais, verticais, irregulares e off-sets além das fendas convencionais.

Entalamento de nó

Entalamento de nó

Entalamento com nó (tópico para mestres trad)É isso mesmo que você leu: Usar cordim com nó também funciona. Quando você está no final de uma escalada guiando uma cordada em móvel, já colocou todas as suas peças móveis e está esticando 10m e não vê a base da via, você vai querer ter esses tipos de truque na manga. Mas, isso entre a galera ficou um pouco mais na moda quando saiu aquele filme : The sharp end (recomendo). O princípio é o mesmo dos nuts, só que ai você tem que ter cordins de vários diâmetros: com 1, 2, 3 e etc nós nele para ficar mais largo e entalar, se necessário. Falando em cordins, existem situações na escalada trad em que pode-se laçar com um cordim (ou fita) uma raiz, galho, tronco, bicos de pedra, ou atém mesmo um buraco  em “U”. É só não cair… rs

Beto na Arena da Morte usando proteções em bicos de pedra. Serra do Cipó, G3

Beto na Arena da Morte usando proteções em bicos de pedra. Serra do Cipó, G3

Para finalizar esse post, algumas imagens mostrando alguns equipamentos citados no texto, ou alguns usos particulares de alguns deles. E na sequência alguns vídeos … 😀

 

 

Um tutorial da climbing sobre como usar nuts, muito legal!

Um vídeo do Cedar Wright e da Katie Brown malhando uma das mais famosas fendas de Utah:  Belly full of Bad Berries.

Vídeo do Timmy O’neil fazendo um Beat Box em Indian Creek, um dos melhores lugares do mundo para se escalar em móvel!

E pra finalizar, um excelente tutorial explicando mais ainda detalhes sobre os nuts!

 

Agradecemos a participação do Ives que hoje termina por aqui. (com meus pitacos, claro hehehe). Não perca o próximo post sobre proteções ativas.

E você? Qual seu tipo de proteção preferida? Ativa ou passiva? Eu Adoro um Threesome Tricam!