As melhores fendas do Interior Paulista

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Ahhh eu adoro essas fotos de equipos em pé de via!

Não é que escalada móvel seja a minha favorita. Mas eu diria que eu gosto tanto de escalar, que não escalar em móvel seria me privar de muitas vias maravilhosas. E eu não gosto muito dessa história de ficar me privando de alguma coisa. Então a escalada em móvel se tornou algo corriqueiro. Antes uma brincadeira, agora um acessório tão trivial quanto uma costura ou uma corda, são as peças móveis. Mas tem gente que pira nessas pecinhas de proteção móveis mais que na escalada em si (e aí arranja treta pra tudo que é lado kkkkk). Mas enfim, não vou polemizar pq não agrega ao contexto, mas que tal falar sobre escalada?

Manoo! Andei escalando umas vias incríveis em móvel, que você não tem noção. Coisa de filme mesmo. Até o mais apaixonado por chapeletas vai ficar com gana de botar a mão num joguinho de camalots e subir essas vias. A maioria delas fica no Pico do Mané, mas cá entre nós, há fendas incríveis no Cuscuzeiro e na Invernada também (e até na caralha). Até alguns anos atrás, quando se falava em via móvel no interior, só se falava em Irish Jararaca no Cuscuzeiro, que digamos que é a mãe de todas as vias móveis que vou citar. Não incluí ela pois ela já foi repetida trocentas vezes, já tem sua fama, e eu queria falar de coisa nova. Vamos lá? Numa ordem não muito aleatória, cuja sequência respeita um critério subjetivamente intrínseco e desconexo.

1 – Fenda perfeita do nome Perfeito. 5Sup – Pico do Mané, Franca

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Biaoncê divando desfrutando das fendas do Pico do Mané

Uma das menores vias da lista, mas também uma das mais bonitinhas. Uma daquelas vias pra se aprender guiar móvel. Colocações a prova de bomba, num arenito bastante sólido (apesar de fraturado, não esfarela). A fenda transcorre por um diedrinho e permite a colocação de peças praticamente a qualquer momento, quantas quiser. Começa com peças menores tipo um camalot #0.4 depois aumenta, diminui, tem fenda horizontal, vertical, aceita Nuts numa boa em vários momentos, camalots, e ainda tem um lancezinho “maroto” pra chegar na parada pela direita. Incrível, daquelas pra se fazer estreando peças, sapatilha, cadeirinha, fazer no fim de tarde só pra não passar em branco. Uma via feliz, diria eu! Ela tem uns 15m e fica pra direita da “Epopéia” e pra esquerda da PugliRocks, duas clássicas do setor da chegada. A parada são duas correntes discretas pra direita da árvore, não é na árvore! Ah, e o melhor, sombra depois das 15hrs, o que é muito importante lá no Mané!

2 – Abrindo Horizontes, 7a/b – Pico do Mané, Franca.

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hummm fendinha ishpertaaaa…

Essa é massa! (ah vá?!) Entre o setor da chegada e o setor da Tesão. É um diedro fendado com uma saída boulderística alucinante! Depois vai super de boa até o final do diedro, e toca mais uns 10-15m até o top. Tem duas chapas na segunda metade pq os blocos soltos não inspiram confiança, e da pra melhorar o ultimo lance com um camalot #2 ou #3. Tem 25m, sombra no diedro depois das 2 ou 3h dependendo da época do ano. Por representar fazer força de crux de 7b explosiva logo de cara, já é um filézinho. Ah! E foi a primeira via em móvel oficialmente que existiu no mané, daí o nome. Antes só a “Ph na cabeça” que tinha uma passagem em móvel no meio, mas é mista. Lembro que no dia da conquista “debaixo pra cima” eu levei tanta peça, tipo, 3  jogos de nuts, e 2 jogos completos de camalots, que eu pesava vários kilos a mais e achei super hard. Aí quando entrei pra cadena só com as peças que eu sabia que ia usar, tipo umas 8, nossa, foi lindo, vuei no move! kkkkk #fikdik 😉

3 – Sexo, Sangue, Suor Lágrimas e Gritaria, 7b/c – Invernada, São Carlos

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Comecinho delicado, final negativo de agarrão. Fenda no meio! Sensacional!

Ahh, essa é meu xodozinho. E também a vovózinha da lista, com praticamente 6 anos de existência (contra praticamente todas as outras que tem tipo, 1 ano no máximo). Essa é uma das vias que eu mais repeti, e sempre que repito adoro e fico com vontade de fazer de novo. São 25m de pura escalada. Uma via mista aqui no quintal de casa. Começa com um 7b incrível técnico de 3 chapas, depois clipa mais 2 fáceis e entra na fenda. Eu protegia com 2 peças mas agora tá tão decorada que eu ponho só um TCU roxinho equivalente ao camalot #0.4 ou .5 e vou pro descanso, ponho um #0,75 e entro pro lance do crux, que é protegido por 2 chapas, e pra ir pra parada rola proteger com um camalor #3 ou #3,5 ou um camalot #0.4 um pouco mais alto, e já era. Recentemente abri uma variante pra esquerda com chapas que não passa pela fenda e toca pra esquerda, chamada “Foguete cubano”, e já fiz a variante Sexo Cubano, que faz a fenda e do descanso toca pra Foguete cubano. Incrível, técnica, negativa, com agarrões, delícia de via! Tem uma permadraw no meio da via pra vc passar sua corda quando estiver rapelando para conseguir limpar as primeiras chapas, se não fica bem dificil devido à inclinação da via.

4 – Flertando com o Teto, 6sup – Pico do Mané, Franca.

Flertando com o Teto!

Flertando com o Teto!

Ahhh, essa foi uma das vias que mais deu trabalho pra abrir. Duas caçambas de blocos soltos, de terra, e muita faxina foram necessárias para transformar um aglomerado de pedras soltas em uma via móvel perfeita, de 25m protegivel do chão até o top. Um diedro com aquelas fendas dos filmes americanos, perfeita, em que vc não precisa nem conferir a colocação, enfiou o camalot, clipou a corda e tocou embora (mas confira sempre suas colocações, ok?). Um pouco técnica, requer uma certa logística devido ao grande teto, se não, rola um arrasto na corda monstro. O ideal é ir com uma corda dupla, ou, tal qual como nós fazemos na Lamúrias de um Viciado lá no Cipó: Vai encordado com as duas pontas da corda. Quando chegar no segundo platô antes do Crux e depois da Chaminé clipa umas 2 ou 3 peças redundantes com a corda que não tinha sido clipada em nada e desencorda da corda que vinha sendo clipada nas proteções sob o teto e na chaminé. Ou então abusa dos costurões de 1,20m e aguenta o arrasto da corda. Uma via pra ser fotografada e repetida. Em breve volto lá pra abrir a continuação, é só o Sol baixar! Leve uns camalots #0.4 repetidos para o começo, o #1 repetido para o teto e o crux antes da parada, além do resto do jogo completo que vc vai usando ao longo da via. No meio vai uns nuts, tricam, usei até um X4 amarelinho pra sair do diedro e montar no platô (peça móvel pequena). Ah! Como a maioria das vias no mané, ou chegue cedo (Tipo 6:30/7h) num dia frio, ou espere pra entrar nela depois das 3h da tarde. Destaque para a Rê Leite e a Mel de São Paulo que ajudaram a fazer a funça com a maior paciência do mundo e deram muita seg, escalaram a via varias vezes comigo e limparam impecavelmente a primeira metade dela, de onde sairam várias carriolas de terra e blocos soltos.

5 – Diedro Ainda sem nome, 7a/b – Cuscuzeiro, Analândia.

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A fenda nova no Cusco!

Essa é nova no Cusco. Tal qual na “Flertando com o teto”, o Beto também ficou meses wagnando e faxinando a fenda do diedro do qual rolaram várias caçambas de terra e blocos soltos. E abriu uma das vias mais espetaculares do cuscuzeiro. São 35m de via móvel, interrompidos unicamente por uma parada intermediária pra meiar o rapel de quem vai com corda menor que 70m. Uma escalada alucinante daquelas que você tem que desligar a chavinha do medo e tocar pra cima. Não porquê da medo, mas porque não precisa! As quedas são limpas, as colocações são bomba mas são do tipo “Só pra não morrer, não pra pagar o lance com a peça no peito”. Tem hora que é melhor não proteger mesmo e sair tocando pra cima pra chegar logo no agarrão. Sempre tem encaixes bons pra dar uma respirada, agarras boas, lances de diedro com pé chapado, muita técnica de oposição, incrível – mas o Psico pega!!

Leve um jogo de Camalots, Nuts vão muito bem. Tricams entram onde nada mais entra, e MicroFriends tipo X4 ou Aliens protegem lindamente lances cruciais – Nuts pequenos tbm. (e um rolo de papel higiênico pra por na cabeça)

6 – Vulva Alada, 6sup/7a – Pico do Mané, Franca

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Olhando de longe e de frente: Claramente uma Vulva Gigante!

A história dessa via é uma das que eu mais gosto e também a mais “novinha” da lista. O Wagner tinha acabado de abrir a trilha que liga o setor antigo ao setor novo no pico do Mané lá em Franca (Patrocínio Paulista na verdade). Foi no dia que abri a “Vida Loka” que passei por ali só pra conhecer a trilha do setor antigo para o setor novo. E quem escala sabe. Você não faz uma trilha num pico de escalada olhando pro chão. Eu pelo menos vou brisando: Olhaaaa, da pra abrir via ali, e ali, e ali, acessa por ali, bate um top, humm, ali tem que rolar bloco solto, humm. e vou analisando né? E assim foi com a Vulva: Amor à primeira vista. Lembro que a primeira vez que a descrevi pro Guilherme eu a descrevi como: Um diedro bem aberto com umas pranchas de surf que saiam bem do meio da fenda. Digamos que me apaixonei instantaneamente pela linha da via. Estava ficando um feriado de 4 ou 5 dias lá e como o setor tem de fato sombra até meio dia, cheguei com a Carol de Franca logo cedo (tipo as 7h) no pico, mas ao sinal da primeira chuvinha ela vazou e eu fiquei lá, com o pico inteiro só pra mim hehehe E o mais incrível: a única linha seca era a Vulva. Ahhhh, não tive dúvidas. Comecei a conquistá-la em livre em solitário até aproximadamente 2/3 dela, quando cheguei nuns blocos soltos meio medonhos. Puxei a furadeira pra cima (que estava preparada no chão só esperando pra eu puxar através de uma corda que eu levava retinida (também conhecida como “a outra ponta da mesma corda” kkkkk) e pendulei pra direita numa aresta, e continuei a conquista da “Cavaleiro Solitário” debaixo pra cima em livre. Esse dia ficou nublado o dia todo, então pude trabalhar até o fim da tarde sem tostar no sol, e, ao final, escalei na auto-seg a cavaleiro e marquei todas as proteções, e finalmente furei. No dia seguinte voltamos lá e através da Cavaleiro Solitário o Wagner fez cume, bateu vários Tops e pudemos abrir a “Na natureza Selvagem”, uma via Amaaazing em face que tem praticamente 30m em móvel com apenas uma chapa pra proteger a saída – Via do Wagner e do Eliel “jah”. E eu com o Juliano Engler pudemos abrir a Olho do Tigre e a Terra do Nunca, pra esquerda da Vulva. Ainda nesse dia abrimos (O Juliano, Wagner, Jah e eu) a Independência ou Móvel, uma via mista de 25 ou 30m incrível também.

Pois bem, voltando a falar da Vulva, uns 15 dias depois  voltei pra Franca e com uma galera massa que escala de meio de semana, pude finalmente bater o Top da Vulva e descer rolando todos os blocos medonhos que tinha no final do diedro antes do tetinho (ainda falta um, bem no final do teto, já pra cima dele: cuidado!). E finalmente, uns 2 dias depois ainda em Franca com essa galera que escala em meio de semana (Santinho, Jayme, Jah, Rê), pude finalmente mandar a Vulva Alada. Foi incrível. Abusei dos costurões, das proteções, em vários momentos você tem que trabalhar na oposição bem no meio, é sensacional, é escalada bonita, bem protegida, incrível! Detalhe para o tricam preto ❤ salvador que protege bem a passagem do Crux onde nenhuma outra peça conseguiu proteger. E aí pra acabar muitos agarrões, virada de teto com agarras, e “easy-terrain” até a parada, sempre com boas opções de proteção. Incrível! E nesse setor pra quem curte, da pra fazer a continuação da “Olho do Tigre, 6º” em móvel até a parada da Vulva, é a variante “Olho do lixão” facinho tipo 4Sup, e a continuação da “Terra do Nunca, 7a/b” em móvel até a mesma parada: Pensamentos Felizes, também sem muitas variações no grau desse finalzinho, não passando de 4sup.

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Depois de alcançar o Top da Cavaleiro solitário, fixei a corda, desci limpando a fenda, subi marcando as proteções da cavaleiro e desci furando. Ao fundo, a Vulva e sua fenda. Na esquerda a aresta da Terra do nunca.

Bem, pra ela você pode levar um jogo de nuts e um de camalots que ta tudo certo, mas não se esqueça de deixar os Camalots #2 e #3 para o final, e algo semelhante ao Tricam preto #0.250 pra proteger o crux bem no bloco que parece solto mas não solta. Escale em 3d e não esqueça de tomar cuidado com o bloco solto que está acima do teto!

7 – Vida Loka, Parte 1 – Pico do Mané, Franca

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Essa Fissura bem no meio da parede é a Vida Loka. Os cactus lá no meio deram trabalho pra desviar: Marimbondo pra esquerda, bloco solto pra direita!

Nossa, essa foi incrível também. Uma fendona de mão perfeita (leve uns 3 camalots #2), negativa, que na hora que eu vi (e o wagner tinha me alertado que quando visse ia querer fazer isso mesmo) já entrei conquistando debaixo pra cima na moralzinha. Mas tive que artificializar uma parte que eu acho que “vai dar crux”, acessei um platôzinho pra direita depois do final da fenda, desviei de Cactus, blocos soltos, estiquei horrores desde a última proteção (ok, horrores não vai, uns 3 ou 4m com direito a pêndulo desagradável), protegi numa fenda perfeita que também é agarra que me possibilitou pagar o lance em face e fugir de outros blocos bem soltos num momento que eu estava começando a ficar desesperado pois não queria subir neles (foi lindoooo aquela colocação do TCU verdinho, lembro como se fosse hj, saí do diedro sujo e cheio de cactus e entrei num lance de escalada em face mais exposto e senti o vento batendo no rosto, foi libertador rsrs). E então toquei mais uns 10 ou 15m através de um diedrinho fácil, acessei um platôzinho, subi numa geladeira que não está mais lá, e armei uma parada em móvel a prova de bomba e puxei a furadeira pra bater o Top. Então desci rolando blocos mil, que levaram consigo Cactus, terra, e aproveitei pra furar pro lado esquerdo o Top de uma clássica do pico, a “O Pianista”, que leva o nome devido ao Piano que o Wagner rolou pra baixo do meio da via.

Infelizmente não tive mais oportunidade de entrar lá e tentar mandar a Vida loka! Chama-se parte 1 porque tem claramente uma continuação fácil, em móvel lá pra cima, que vai se chamar Vida Loka parte 2 😉

Enfim! Essas são as minhas fendas favoritas aqui no Interior. Lá na falésia da Caralha também tem uma, a “Para o Beto com carinho”, um 5sup tranquilinho com cara de campo escola também todo em móvel. Mas quando eu soltar o croqui oficial do Pico com os betas de como chegar no pico e talz, aí eu falo sobre ela.

Ah, lembrando que apesar das fendas perfeitas, o Pico do Mané é um pico esportivo, com aproximadamente 70 vias contando as variações e links entre vias , das quais praticamente umas sei lá, 55 são com chapas. Ah, e pra quem quiser fazer uma via mista pra aprender ou pegar mais confiança nas colocações móveis, a Mosquitos no Cuscuzeiro é uma via esportiva com chapas mas que da pra ser feita em móvel. Assim, você pode clipar as chapas e colocar os móveis pra ir se costumando e aprendendo a escalar em móvel, ou se vc já sabe, só pelo lúdico =).

PS1 – Só pra não virem me xingar, São Bento e arredores não entrou na lista pq não considero ali como sendo “interior” do estado, uma vez que é um dos picos mais pertos da Capital, e eu entendo que ali é o mainstream de escalada no estado, tanto de boulder, quanto trad e esportiva. Logo essa lista é mais pra ser “alternativa” mesmo. Divirta-se =D

PS2 – Ainda que no Mané tenha muitas fendas, é em Mineiros do Tietê onde eu vi o maior potencial para escalada móvel da região com inúmeras fendas por setor. Acesso ao Cume fácil pra rolar os blocos, e sombra ou antes, ou depois das 13hrs dependendo do setor. Em breve voltaremos lá! Lembra quando eu postei essa foto aí embaixo, lá de Mineiros?

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Abrindo a primeira via do pico…

E as conquistas continuam!

Bem, esse é um post rapidinho pra dizer que estou indo pra Arcos hoje abrir vias não num setor novo, mas num pico novo…. se tudo der certo vamos abrir para a galera durante o festival..aguardem novidades… B)

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Vou aproveitar e pegar mais 500 chapas Gariglio pra oferecer pra vocês na Quero Escalar e também pra metralhar a região aqui dos arenitos com vias novas. Há picos novos, e a galera está se mobilizando em achar mais, isso é incrível! Abrir via é fácil, dificil é procurar pedras novas, falar com dono, negociar acesso, abrir trilha… E é nessa parte que a galera tem mandado décimo grau ultimamente e feito a diferença no climb da região. Depois abrir via a gente cola junto e  ensina, aprende, compartilha o conhecimento, equipos, etc… Bem, e agradecemos também a parceria da Âncora Sistemas de Fixação que tem apoiado as nossas conquistas de sobremaneira nos últimos meses! Ontem chegou mais uma remessa de Parabolts PBA, Alfa (especiais para arenitos mais friáveis), da cola AQI 380 (para colar agarras principalmente)  com bicos misturadores e tão importante quanto, uma das melhores, se não “As” melhores Brocas do mercado que eu já usei: A Twister e a Booster. Mói pedra, muito bom. E no pico novo ali em Brotas o arenito é um dos mais duros que eu já vi, tava precisando mesmo! =D

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Bem, agradeço o Apoio, no fim de semana vou tirar umas fotinhos para o Review da Mochila Kestrel 32 da OSPREY (que tem sido super pacientes e tem dado a maior vibe) e  dos chumbadores Âncora em ação!

C´ya!

 

PS – Tem umas 5 vias com top batido esperando pra serem terminadas no cuscuzeiro… em breveeee.. 😉

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Essa mochila é foda demais… Aguardem…

 

Reconhecimento, apoios e parcerias! (E muito trabalho)

Reunião na fábrica/escritório da Âncora Sistemas de Fixação

Reunião na fábrica/escritório da Âncora Sistemas de Fixação

Bem, e depois da última trip relatada, fui um final de semana pra Franca abrir vias no pico do Mané novamente com o Wagner e o São Carlos Pression Team. Depois o pessoal de Bauru através do Léo e do Curi nos apresentaram um pico de boulder muito legal aqui perto de São Carlos, do lado do pedágio de Brotas (em breve post). Na sequência recebi a visita Ilustre da Dani, diretamente da gringa para os corredores da Quero Escalar, e com quem, junto com o Ives e o Cleverson embarcamos para mais uma trip de 10 dias, dos quais 7 foram abrindo vias em Arcos, e 3 no festival de Boulder em OuroPreto.

Depois de tanto trabalho abrindo vias, o reconhecimento por todo esse empenho veio através da parceria e do apoio a mim dado pela maior empresa de chumbadores da América Latina, a Âncora Sistemas de Fixação, que disponibilizou toda a linha de Chumbadores Químicos e os melhores chumbadores mecânicos para abertura de vias nos arenitos do Interior e nos Calcários de Arcos, MG.

Toda a linha de ampolas, barras roscadas, brocas top de linha, cola bicomponente e aplicadores!

Toda a linha de ampolas, barras roscadas, brocas top de linha, cola bicomponente e aplicadores!

É fundamental esse apoio para a escalada como um todo pois a linha de chumbadores químicos através da pistola que mistura os reagentes da cola “bicomponente” exclusiva da Âncora e das Ampolas para utilização com barras roscadas é uma novidade entre os escaladores, uma vez que atualmente é feito o uso “Artesanal” de uma outra cola, a Sikadur em furos com chumbadores de expansão mecânica que acabam funcionando como “químicos”. Essas novas alternativas  aumentam as opções que temos para proteções nas nossas vias de escalada, especialmente nos arenitos, e o melhor, são alternativas “oficiais” homologadas e não soluções de fundo de quintal como as que vinhamos usando até então. Conhecimento técnico será testado na prática em breve, e quem precisar de orientação é só nos procurar através da Quero Escalar!

Separando os materiais para mais uma abertura de via, depois de tanto tempo abrindo via longe, dessa vez no quintal de casa, em Itaqueri!

Separando os materiais para mais uma abertura de via, depois de tanto tempo abrindo via longe, dessa vez no quintal de casa, em Itaqueri!

No último final de semana utilizamos algumas proteções fixas na Abertura de uma via nova em Itaqueri da Serra. O Arenito ali é muito bom, quase um quartzito, e por isso, não foi necessário o uso dos chumbadores químicos. Utilizei os chumbadores PBA tradicionais de 9cm por 3/8″. A via ficou fácil, perto do setor 2,5 que estamos apelidando de setor 2,75 pois é passando uns 20m o setor 2,5. Excelente para quem está começando a guiar. Do lado já flagrei que da pra abrir mais uma, em breve eu volto, faço a limpeza necessária de blocos, musgos e terra para poder abri-la e torná-la segura. Conquistamos a Danizinha, a Bia e eu, e o nome estamos definindo ainda. Houveram muitas piadas internas no mesmo dia para que apenas uma definisse o nome da via rsrs.

Então já que eu gosto de abrir vias, bora abrir vias! \o/

Então já que eu gosto de abrir vias, bora abrir vias! \o/

Ah! E agora também estou em mais um time exclusivo de atletas! Time da Nóis Que Feiz, que através da figura do grande João Ricardo posso dizer que faço parte dessa equipe também, com muita honra e orgulho!

João Ricardo, atleta Quero Escalar e um dos cabeças da Nóis Que Feiz, e eu, Cabeça da QE atleta Nóis que Feiz!

João Ricardo, atleta Quero Escalar e um dos cabeças da Nóis Que Feiz, e eu, Cabeça da QE atleta Nóis que Feiz!

Uma das figuras mais simpáticas de Campinas, e fortíssima escaladora da Nóis Que Feiz Juliana (está desmaiada) Exel num dia de integração Boulderista-Fazendo-Via no Cuscuzeiro.

Uma das figuras mais simpáticas de Campinas, e fortíssima escaladora da Nóis Que Feiz Juliana (está desmaiada) Exel num dia de integração da Equipe Nóis Que feiz (Boulderista-Fazendo-Via) no Cuscuzeiro.

Ah! E no último final de Semana de Agosto tem Curso de Escalada da Quero Escalar! Clique aqui, conheça mais sobre o curso e faça sua inscrição, aprenda com a gente! Nosso método didático tem sua eficácia comprovada por 6 anos de tradição e muitos alunos que nos recomendam até hoje!

Faça já sua inscrição!

Faça já sua inscrição!

E beleza, só que ainda não acabou!! No dia 3 de setembro embarco pra Fortaleza, onde irei abrir vias para o 15º EENE (Encontro de Escaladores do Nordeste) e no dia 6 as 20h darei uma palestra sobre os principais erros que os escaladores cometem na hora de escalar. Estou muito ansioso! Vamos?

Partiu EENE! *poster não oficial do evento ;)

Partiu EENE! *poster não oficial do evento 😉

E em Outubro vai ter o maior encontro de escalada do País!! RockBocaina esse ano cheio de novidades, novo espaço, abrigo renovado, reformado, melhorado, nuuu… vai ser bão dimais da conta sô! A Quero Escalar (pra variar) está patrocinando também e vai ter o sorteio de uma corda no festival!! A Vibe da Bocaina é incrível e se você não conhece, só vá.

Vai ser o evento do Ano! Em Araxá, não perca!

Vai ser o evento do Ano! Em Araxá, não perca!

Ah, e falando em apoios, a Quero Esclar também tem a honra de apoiar mais uma iniciativa: A série “Escalatrizes”, que conta a história de várias escaladoras e suas cadenas épicas. Saiu o primeiro episódio semana passada e amanhã sai o próximo! #ansioso

Está muito legal essa fase de muito trabalho, muita correria, quase tempo pra nada, mas mais legal ainda é que ele tem tido reconhecimento. Por isso agradeço a todos que tem me apoiado como a ÂNCORA sistemas de Fixação, a Nóis Que Feiz, a Edelrid, o pessoal do Abrigo Base de Arcos e toda a galera que por onde passamos dá a vibe!!! Isso tudo só se tornou possível devido à Economia solidária: Você compra na Quero Escalar que é uma loja pequena mas que adota um modelo de negócios bastante simples porém eficiente, justo e honesto. A gente apoia eventos, campeonatos, atletas e vai pessoalmente abrir vias, e tudo isso é revertido diretamente em mais oportunidades pra VOCÊ poder escalar. E o mais legal, cobrando menos por isso que as outras lojas e até mesmo que os muambeiros que, sem ter que pagar impostos, ainda cobram mais caro pelos produtos do que na nossa loja! Muito obrigado a todos! Gratidãooo 😉 _/\_

Caindo na Estrada Parte 2,5/3 (Novo setor em Arcos)

Inaugurando o novo Abrigo Base

Inaugurando o novo Abrigo Base

Tudo muito bom, tudo muito bem, idéia vai idéia vem… aquela coisa, no Cipó tava lindo, mas o plano era tocar pra Arcos domingo a noite e “toquemos”. Fomos direto para estrear o novo “Abrigo Base”, gerenciado em parceria pelo casal Tete/Cintura e Dalva/teco. Da última vez que estivemos lá essa casinha era alugada pelo Cintura e a Tetê pra eles mesmos, de Divinópolis passarem o final de semana em Arcos próximo ao pico, mas agora a casinha tinha virado um abrigo!!

Pudemos estrear a casinha, e na segunda cedo tocamos pra cidade comprar comida pros próximos dias. Fomos chegar na pedra por volta de meio dia. Eu ja conhecia o terceiro Andar, mas o Fábio me mostrou um setor em cima de uns trepa-pedras pelo qual eu desisti de abrir as vias que eu tinha flagrado. Ali era muito sensacional. Base plana, sombrinha o dia todo, muitas agarras e no centro do salão, vias longas de 25m.

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A primeira de muitas

Logo começamos os trabalhos, guiei uma fenda em móvel (Que virou via: A “To vendo mas não ta subindo, 5º <móvel>) e cheguei rapidamente ao cume, mas não o cume do setor todo, pois havia uma “greta” que me impedia de passar pro outro lado e bater um top onde a gente queria. Mas tudo bem porque ali já saiu o Top de duas vias, “A primeira de muitas, 7a” que fica bem na entrada do salão e tem um teto no finalzinho, e a “Volta o cão arrependido 6º/6ºsup” pra direita da primeira (e à esquerda da “To vendo mas nao ta subindo”). Claro que não foi tudo de uma hora pra outra que abrimos essas vias.

Pra aproveitar o finzinho de tarde e aproveitar e gastar umas baterias, subi rapidinho outra fenda meio diagonal em móvel, que ficou a “Quartinho de Ilusão, 4º”<móvel> e bati uma parada. Dali escalamos, marcamos e furamos a “Exame de Próstata 4ºsup/5º”

Fabio vindo de segundo na "Exame de Próstata", detalhe para a torre inacreditável atrás dele..

Fabio vindo de segundo na “Exame de Próstata”, detalhe para a torre inacreditável atrás dele..

No dia seguinte continuamos os trabalhos na “Primeira de muitas” e na “volta o cão arrependido”. Eu furei uma e o Fábio outra. Após estas vias estarem prontas, eu reparei que o problema da “Greta” pra acessar o cume da falésia acabava antes do top da Exame de Próstata, então eu subi até ali, chamei o Fábio de segundo e dali ele me deu seg para eu tocar para o cume. Acabou que era um rampão fácil, não bati chapa nem protegi em nada também porque minha idéia era não voltar por ali, não chamar o fábio, era puxar corda e rapelar pro outro lado. Uma vez no cume bati uma chapa de onde rapelei pra alcançar o lugar onde seria a parada da “Império Galático, 7a”. Foram poucas as vezes na vida que eu fiz um furo sem ter escalado antes, mas nessa foi necessário pois a linha era super negativa. Analisei 1h sobre onde colocar a parada e mais especificamente a chapa que reenviaria a corda no negativo pra poder escalar com mais segurança e marcar o restante dos furos, e acabou que ficou excelente! O Fábio subiu marcando e já desceu furando: a equipe estava entrosada e alinhada!!!

No terceiro dia eu fiz o FA da Império Galático e, por uma árvore que cruzava o salão, guiei uma travessia pra chegar do outro lado e bater a parada de uma via que sobe por uma coluna helicoidal de concreto, coisa mais loca do universo! O nome da via? Helicoidal, 7a/b. O Fábio subiu marcando, pagou uma travessia pela pedra mesmo, pra esquerda, e bateu o top de mais uma, a “Miranoku e vai”: É um negativo, e lá em cima tem um buraco branco com a borda preta, certinho. Quem quiser saber por onde a via passa, Miranoku e vai! hahaha Como ele desceu pela linha da Miranoku, eu tive que subir a Helicoidal pra confirmar os furos, e desci furando.

OrangoGenja!

OrangoGenja!

Quando cheguei no chão já tava meio escurinho, tivemos que abandonar a miranoku, que ficou pra próxima viagem. O Terceiro andar ali é in-crí-vel. As linhas vão ficar iradas, compridas, não necessariamente difíceis mas tem algumas ali que vão dar trabalho! Já flagramos um monte de linhas, nomes imaginários, mas claro, que enquanto não batemos o martelo na ultima chapa nao batemos o martelo no nome hehehe O Acesso não é de graça, é preciso escalar o comecinho (3 chapas) do quinto grau que dá acesso à cafeína, acessar o platô e rapelar pro outro lado. Ali já tem umas 5 ou 6 vias muito legais, parece que ali chama “Jardim do Eden”. Uns 40m seguindo pelo corredorzinho tem um trepa pedras por onde rapidamente se acessa o salão do terceiro andar. Depois pra ir embora é só voltar pelo mesmo caminho e rapelar de novo do lado de onde você havia rapelado pra “chegar” no setor. Assim você volta pro pé da via “Stone Fischer”.

E foi isso, relato rápido de 3 dias muito intensos, de muita conquista, parceria forte ali, era nóis dois, O Fabio e eu, nuu! Teve bão! Já estamos com viagem marcada de novo pra Arcos, dessa vez pra ficar uma semana abrindo via ali, que da última vez 3 dias foi é pouco! Setor incrível, vias animais, clima ideal.

Pra encerrar deixo uma compilação de dois videozinhos que fiz durante as conquistas…

A noite fomos comer na cidade mas, antes de pegar a estrada para nosso próximo destino, acabamos dormindo na casa de uma escaladora local de arcos amiga nossa, a Lu (que arranjou uns docinhos sinistros pra gente, valeu!!). Assim, uma vez na cidade, ali ficamos, e saímos em direção ao nosso próximo destino, que era até então desconhecido por nós, com a luz do sol.

BOCAINA! Inacredibiliível! Muita viibeeeee!!! Mas aí essa eu conto na última parte da segunda parte do relato…

Na estrada!! (parte 1/3)

Arcos, segunda casa!!

Arcos, segunda casa!!

E depois que eu assumi de vez (ui) esse estilo de vida de escalador, as coisas tem ficado muito mais corridas aqui na Quero Escalar. Muitos pedidos, reposição de estoque, negociações, importações, uma lou-cu-ra. Adoro hehehe Mas aí aos finais de semana, vish… mais correria ainda. Muitas viagens, aberturas de vias, festivais, nossa. Fazia tempo que eu não postava justamente pq primeiro tenho tentado ocupar o tempo o máximo possível com coisas não computadorianas, segundo não tenho tido tempo por causa das atribuições da Quero Escalar (da loja) e terceiro que tenho viajado pra caralho pra prestigiar eventos, campeonatos, abrir vias, enfim, muito trabalho, sabe como é. 😉

Já nem lembro mais mas acho que foi 1 mês e meio atrás que fui pra Arcos com Ives e Cleberina num feriadinho tipo 1º de maio ou algo assim. Foi risada a dar com pau, mas sinceramente nem lembro mais dos detalhes do nosso itinerário kkkkk Aqui vão algumas fotenhas:

E Arcos sabe como é né, não tem como ir pra lá, não levar a furadeira e não abrir uma viazinha! Num dos dias fui com o Ives no setor novo que o Peixe, Maurinho, Carlão, Cintura e Cia. Ltda tinham descoberto atrás da cafeína e piramos. Eu alucinei no setor. Mas a logística ali ia ser mais pesada, preciso de uma trip só pra isso pois o setor ali cabe o triplo de vias que atualmente já estão abertas no pico inteiro. (!!) Sendo assim abrimos uma linha que há muito namorávamos do lado esquerdo da Minha Criança/Mar de Espinhos. Linha Incrível, e adivinha? Não passa de mais um sexto grau (LINDO). O Nome ficou uma homenagem ao graaaande Cleber Harrison, e nossa piada interna favorita: “CURTE O PLANETA QUE VOCÊ VIVE, 6º”

Ives na conquista da "Curte o Planeta que você vive" no segundo Andar

Ives na conquista da “Curte o Planeta que você vive” no segundo Andar

Mas aí o terceiro andar era muito alucinante… tive que voltar pra Arcos só pra explorar ali aquele setor, mas eu chego lá no próximo post. Enquanto isso pudemos curtir uma trip leve, engraçada e suave, como tem que ser. Apesar da comida apimentadíssima do Ives, não houveram muitos percalços durante nossa estadia. Ah, e nossa ida pra lá ocasionou uma coisa muito legal! Tava muito lotado o camping da Celinha, e logo ali os brothers Cintura e Tetê alugavam uma casa onde a gente brincava que só a Diretoria costumava ficar e ficamos lisonjeadissimos em poder ficar ali também. Aí motivados pela nossa ida,  Teco e a Dalva resolveram transformar a casa em abrigo de escaladores em parceria com o Cintura e a Tetê!!! Uhuuullll!! Fiquei muito feliz e na próxima Trip ja pudemos voltar e literalmente estrear o novo Abrigo Base. AH! E uma parte da diária do abrigo vão pra comprar chapa pro pico, irado, não?! É a transformação começando a aconteceeer….

No próximo post tem mais coisa incrível acontecendo… aguardeee….

Nota mental: Não deixar para entrar nas tretas no último dia de viagem, a menos que seja o projeto de todos os dias da viagem.... kkkkk

Nota mental: Não deixar para entrar nas tretas no último dia de viagem, a menos que seja o projeto de todos os dias da viagem…. kkkkk

 

#EscaladaLifeStyle

Wagner, o pioneiro das conquistas de vias no Arenito em Franca!

Wagner, o pioneiro das conquistas de vias no Arenito em Franca!

Nos últimos meses tenho tentado viver tudo o que a vida tem me oferecido. Tipo um Yes Man. Trip pra São Bento? Vamo. Abrir via num pico novo? Kamon. Feriado em Arcos? partiu. Nem tem dado tempo de ficar postando muita coisa aqui. Ainda mais que durante a semana tenho me organizado bem e tickado várias metas e melhorias na Quero Escalar. Faz um mês mais ou menos eu estive em Franca num pico que meu brother Wagner descobriu, e eu já tinha visitado no final do ano passado. Agora eles abriram mais um setor mais alto, que tem sombra depois das 2 da tarde no verão, e lá fomos nós novamente. Eu fiquei muito empolgado com o pico. Como todo arenito, tem lugares com arenito duvidoso mas eu diria que 80% do pico é arenito do bom, do tipo que nem precisa de cola para o Bolt. E o melhor, com agarras! Claro que a definição de arenito é: Aquele pico que vai precisar rolar muuuuito bloco antes de abrir para o publico. É um mau necessário, que chega até a ser divertido ver as geladeiras, os microondas e os Jet-skis rolando barranco abaixo. Vou abrir uma via chamada “Giovana e o forninho” hahahaha

Eduardo escalando a via mais clássica do pico futuro cartão de visitas: Papel Higiênico na cabeça

Eduardo escalando a via mais clássica do pico futuro cartão de visitas: Papel Higiênico na cabeça

A parte Gourmet dos mimos e da lasanha vou deixar pra lá, vou falar direto das vias. Bem, o pico fica uns 20mins da porta da casa do Wagner em Franca, com direito a uma parada de 5mins pra abastecer. A trilha ainda não é lá grandes coisas mas com o tempo ela vai se acertando e eles vão fazendo manutenções. O Maior entusiasta da cidade é o Wagner mesmo e seu fiel escudeiro Eduardo. O restante da galera vai de vez em quando, e precisa de muita negociação pro Wagner conseguir mais parceria, oferecendo escalada em troca de mão de obra pra arrumar trilha e abrir vias. Aos poucos a galera está ficando mais assídua. Todos os 8 escaladores da cidade. hahaha

Enfim, o Wagner e o Eduardo tinham aberto duas vias no setor. Uma facinha que chamaram de “La mole mole” e uma outra que ainda tava sem nome, que ia até a metade da parede. Mas parecia que tinha mais que o dobro de pedra pra cima! Entrei na via, nossa, um primor. Como eu sempre digo, essa via ficou o suprassumo da expressão: Vai entrar nessa via? Põe um papel higiênico na cabeça do pau. Porque? Pq vc vai gozar na cueca de tão boa. A via é incrível, com umas fendas abertas, um tetinho, oposições, nossa, sucesso. Quando cheguei na parada, primeiro eu desci pra descansar, tomar água por causa do sol, mas logo subi meio em “Azero” de novo até a parada rapidinho, peguei todo o equipo de conquista e toquei pra cima. logo ela chega em uma fendona perfeita, tipo uma laca, e no final, uma virada de teto, com agarras. a via ficou com 30m certinho, as duas pontas da corda ficam um pouco mais altas que o chão (coisa de 20cm). E o nome ficou Papel Higiênico na cabeça pq cada move que vc faz, vc tem um espasmo orgasmático de prazer enquanto se está escalando. Enquanto isso o Wagner limpava um enorme platô de onde saia uns arranha-gatos/cipós que escondiam o jogo das agarras na parede. Foi aí que foquei meus esforços no segundo dia.

Durante a conquista de baixo pra cima da PH na cabeça

No segundo dia fiquei uma meia hora limpando uma fenda linda, meio canaleta, de uns 20m. Mas rolei tanta pedra, mas tanta pedra. Dava pra encher uma caçamba dessas de lixo de construção civil (entulho). Faltando uns 10m pra chegar no chão desisti. Tinha muita pedra pra rolar ainda. Resolvi ganhar tempo e abrir uma via na face mais limpa e sem tanta pedra solta. O bom é que o que sobrou ficou beeeeemmm sólido mesmo! A dureza do arenito é boa, o ruim é que tem pedras soltas pra rolar. Fazer o quê? Com o Sol a pino, abri a “Erupções Solares”, e o Wagner ao lado abriu a Sahara. A apenas alguns metros dali o Wagner mais cedo escalou a Papel Higiênico e pagou uma travessia pra direita pra bater a parada de outra via, que pude escalar de Top no fim da tarde.

 

Na conquista da Erupções Solares

Na conquista da Erupções Solares

Via de 30m e que ficou faltando uns 15-20m para o final da parede, com certeza sairá uma segunda cordada em móvel nesse local, pois há uma fenda bem óbvia e aparentemente fácil até o cume da falésia. Mas o começo vai ser treta! Há duas opções: Agarras de face, totalizando talvez um 8b-c de regletes que passa por uns blocos encaixados que vão ter que ser removidos no pé de cabra, OU um começo em fenda bem treta, coisa de nono grau em fenda offwidth que não tenho certeza se é protegível em móvel no crux e que emenda na parte dos blocos encaixados.

Escalando, travando no regletinho e tirando a terra do abaolado horrível na via nova ainda sem nome...

Escalando, travando na aderência (mão esquerda) e tirando a terra do abaolado horrível na via nova ainda sem nome…

No fim das contas, praticamente 4 vias no setor e um top batido para se terminar de conquistar essa via treta. Muito animado com o pico, tem muita rocha, muita rocha BOA, com agarras, e muito potencial para muitas vias altas, e muitas uma do lado da outra por várias centenas de metros de largura. O único viés é que dependendo do  horário bate sol, mas há vegetação no pé das vias para pelo menos o seg ficar na sombra!

Não vejo a hora de voltar! A vibe dos parça franquenses é demais, é só risada no pico, comida boa e vias novas com mto climb. Just the way it should be! Oh, life is good!

PS – O pico ainda não está liberado pois as trilhas estão deploráveis para receber visitantes, algumas vias ainda tem blocos soltos, mas principalmente as trilhas estão no estado [No-Ecziste]. Mas com o tempo os meninos vão providenciando isso! Já to ligado que fds passado rolou uma manutenção na trilha lá. Veremos! SoPsyched!

PS2 – Obrigado Leo vc manda oitavo grau nas fotos, valeu demais!

2015-04-26 19.52.33

É porque minha camiseta é escura, pq tava igual a do Wagner. E minha cara tava mais suja!

Nova via em Itaqueri (não é primeiro de abril)

A foto do post de hoje não é em Itaqueri, mas sim a Marina na Fimose.

A foto do post de hoje não é em Itaqueri, mas sim a Marina na Fimose.

Todo mundo acreditou na lorota de primeiro de abril que eu criei. É simples, contei vários fatos reais como nossa busca incessante por picos novos na região do arenito e linkei-os a uma mentirinha. O problema de não termos ainda um pico novo sempre acaba sendo: As mesmas 3 ou 4 pessoas somente nessa busca para cobrir uma área muito grande, com um carrinho que não é lá muito indicado para andar nessas estradas de terra. Depois, quando finalmente chegamos a algum setor com certo potencial: Ou o dono não deixa entrar, ou é um deserto em face norte com sol das 8 da manhã as 8 da noite, sem nenhuma árvore pra fazer sombra nem para o seg. Mas na maioria das vezes é que realmente a rocha não tem nenhuma agarra mesmo (as que tem o dono não deixa entrar). Por isso ficamos tão maravilhados com o calcário de Arcos, pois onde vc bate o olho sai um 6ºsup. E claro, tivemos também um pico fechado por conta de escalador que não soube respeitar regras (Antes mesmo de sua abertura). No outro pico que fechou, o escalador parou de escalar, falou com o dono que era seu amigo e este pediu para que ninguém mais entrasse na sua propriedade. Muy amigo. Mas enfim, ainda acredito na redenção das pessoas e dos picos de escalada, estamos sempre abertos para trocar idéia na boa e tentar reabrir tais picos. (E no outro pico o dono começou a criar abelha no topo das vias… porquê não gostava de escaladores).

Mas enfim! Com isso, os picos atuais vão ficando cada vez mais saturados de gente, e de vias. O que é uma faca de dois gumes, mais vias atraem mais pessoas, só que mais pessoas pedem mais vias, para distribui-las melhor e desafogar um pouco as vias. Pensando nisso, no dia 27 de março fui pra Itaqueri sozinho estrear alguns brinquedinhos (como a furadeira, que era verdade que tinha comprado uma nova), uma mochila Osprey para avaliar a possibilidade de trabalhar com a marca na Quero Escalar, e a sapatilha Latex, da marca Spyffer que o Snakinho está fazendo artesanalmente. Com isso, escalei em solitário a Sinos do barão, fiz manutenção na parada que havia sido “marretada” 1 ano atrás e teve as chapas roubadas (sim véio, tem gente q faz isso, rouba chapa, mosquetão e martela os bolts das paradas de vias). Depois, coloquei uma chapa que tinha ficado faltando na Motor de Lancha na época da conquista, tipo 4 anos atrás (Esticão no more!). Desci, almocei, e fixei a corda na nova parada da Sinos do Barão (não necessariamente nessa ordem, como vocês podem imaginar kkkkk).

Com movimentos bastante técnicos e um pouquinho de força

Basta um pouquinho de força e técnica pra superar o tetinho do começo.

Aí subi, puxei a furadeira, paguei uma travessia meio exposta pra esquerda da Sinos e bati uma parada na reta da linha da via que eu tinha em mente fazia anos. Desci com o facão fazendo a jardinagem, tirando alguns cipós, galhinhos e espinhos da linha da via, tirando terra de agarras e rolando pedras soltas. Então pus a sapatilha e subi com uma corda fixa em solitário escalando, marcando onde ficariam melhor as proteções, calculando com a medida do meu cotovelo para os anões poderem equipar a via (viu Si, Fabi, Bia, Beto..). Uma vez la em cima, puxei a furadeira e desci furando. Não gosto muito de conquistar via sozinho pois em Itaqueri fizeram isso (sem contar que rapelaram furando sem escalar antes – lamentável) e a via ficou uma merda, ninguém escala (Caso o referido quiser arrumar a via, me chama que vou junto com a furadeira, chapa, etc.. pra dar o trampo). Por isso é a primeira vez que conquisto assim, mas desta vez confiei na minha experiência e na fórmula de escalar a via antes e avaliar as quedas, bolt por bolt, move por move (se cair agora… e agora… e agora…) e assim a via ficou segura e fácil de equipar, até pelos baixinhos. E a via estava pronta! Ficou uma das vias mais longas de Itaqueri, e a mais longa do setor 2,5, com quase 20m.

Tem um tetinho fácil no começo - não se deixe intimidar pois é uma via que eu gostei muito!

O tetinho no começo – não se deixe intimidar pois é uma via bastante agradável!

Após pensar muito num nome, resolvi adotar um nome mais politicamente correto e homenagear o parceiro que se foi ano passado, também por sentir estar de alguma forma passando por uma fase similar ao que ele vinha sentindo. E a via ficou uma homenagem pois umas 3 semanas antes do ocorrido, o Shimoto levou uma voadora de uns Perus que ficam na entrada de Itaqueri. E a via ficou sendo a Voadora de Peru. Achei que seria um 6sup, mas esse fds o Ives repetiu a via e deu 6º bola. Ele isolou uns regletões, usou uma aresta meio pra direita, diferente do que eu tinha visualisado, mas estava a vista, então kamon. “Voadora de Peru” 6º/6sup, setor 2,5 em Itaqueri – À esquerda da Sinos do Barão, 7 chapas e base (levar 8 costuras – Sugiro uma costura de 30 ou 40cm para a segunda chapa para a corda não raspar na virada do teto).

Aí domingo a gente tava indo pra invernada, mas o tempo tava ameaçando abrir e tocamos pra Itaqueri, onde pudemos fazer uma sessão de fotos na via antes de começar a chover. Fazia MIL anos que eu não saía em fotos, especialmente tiradas de cima, então obrigado Ives pelo empenho! Bem, em breve farei um review da Sapatilha Spyffer, em principio não estou acreditando no que estou usando. Em breve mais infos!