IV Encontro de Escalada de Arcos

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Bia na clássica Helicoidal, no terceiro Andar

Ahhh o Festival de Arcos.. Como não amar? Muita via boa junta. Um lugar onde você escala sem parar, toma espanco de uma, passeia na outra via do lado, volta, equipa, limpa. Repete. Tudo acessível. Muita gente boa junta. Ninguém reclamando que a via é protegida demais, nem de menos. Só escalando! Gente feliz? Uai, se não era, lá fica sendo rsrs

Vira e mexe a gente encontra um chato que reclama que o croqui tem “beta demais” ou que a via tem chapa demais. Mas tudo bem, o Rastro é praqueles outros 99,99999% dos escaladores que curtem escalar, e não reclamar (não que eu não reclame, longe de mim rsrs mas costumo reclamar por coisa mau feita, não caprichada demais). E lá essa galera se reúne e escala – e muito! Muitos setores. Vias na Sombra. Vias no sol. Vias com agarrão. Vias negativas. Vias de 30m. Vias seguras. Muitas. Vias. Democrático. Muito 6º grau com agarrão. Muito 7a “na promoção” (ADORO). Outros sétimos que são oitavo kkkk Mas os oitavos são oitavo mesmo! Mas é bom, mantém os máquinas ocupados. Tão ocupados quanto os seres humanos que vão lá pra escalar e se divertir com a galera, e fazem justamente isso!

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O Encontro de Arcos é uma festa da Escalada. Um dos melhores encontros de Escalada Esportiva do Brasil pois é tudo muito  fácil: Você vai lá pra escalar, então você vai lá e escala. Não precisa ficar 2h perdido no mato procurando via. Ta, eu sei, é conforto demais, tira o caráter aventura da escalada. Mas pra quem gosta de ficar perdido, tem pico que é mais aventura que escalada, e na hora de escalar é uma aventura. Em Arcos não: a gente vai pra escalar. Gostoso né? Em ARCO na Itália, o que fez a escalada sair do patamar de atividade marginal para um esporte popular e democrático (e os equipos de escalada se popularizarem e baratearem) foram justamente as falésias dentro da cidade que você vai caminhando, escala, escala, escala, depois desce e vai pro bar. A pé. Já estava mais do que na hora de termos um cantinho assim também!

Bem, não é dentro da cidade, mas de onde vc para o carro é tudo tão pertinho! A única excessão é o melhor setor de todos, o terceiro Andar, que fica na sombra o dia inteiro, tem 20 vias de 5º a 8a, base plana “child-friendly” mas tem que fazer a trilha de 15 minutos para o segundo andar (Ô que ruim), subir a escadinha de acesso e depois mais 5 minutos de caminhada (nossa, já cansei #sqn).

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Mochila Osprey Kestrel 48 incrível, cabendo tudo pra variar, e maguina Desfibrila. Fininho do jeito q eu curto!

E falando sobre o Encontro em si: IN-CRÍ-VEL!! Muita gente no abrigo, fora dele. Todo mundo escalando, organização de primeiro mundo. Comida da fazenda, pão de queijo, açucar com café… Minas né gente, o estado mais acolhedor do Brasil! (se bem que depois que eu conheci o Ceará, eu acho que pode rolar um empate técnico). A organização não deixou faltar nada, acho que não tem o que mudar para o ano que vem. Tipo, melhorar sempre dá, mas ficou evidente que a organização fez o máximo, o possível e o impossível que estava em seu alcance pra que ficasse perfeito. Prometo que ano que vem eu vou estar com voz e o Microfone vai ser meu na apresentação final e sorteio de brindes! hahaha

O foda foi que eu cheguei pro evento na terça com uma P… gripe. Chegava no fim das vias ofegante, fracooo… que tristeza. Até que no sábado comecei a apertar um negocin aqui outro ali  mas não deu pra entrar em nenhum projeto, que triste… Isso me frustrou bastante. Ainda bem que era festival e nem deu tempo de achar ruim, tava com uma galera bacana.  Well… mais ou menos hehehe O pessoal de São Carlos ficou numa casinha entre o abrigo e o pico. Mas eu preferi ficar na Geral com o pessoal de Franca. Aí o pessoal de São Carlos achava que eu tava com o pessoal de Franca. E o pessoal de Franca achava que eu tava com o pessoal de São Carlos kkkkkk E aí no final eu tentava juntar os dois grupos mas acabava indo sozinho pro pico (1h depois que todo mundo ja tinha ido) hehe

Mas foi bem massa pq no fim das contas deu pra escalar bastante, a galera aprovou as vias que eu pude abrir com o Ives e o Fabinho ano passado, e eu mesmo que não tinha entrado em várias, entrei, e pirei. É estranho, mas eu adoro as vias que eu abro rsrs  Tipo pai coruja achando que seu filho é sempre o mais bonito kkkkk

Finalmente mandei a Helicoidal, um clássico de Arcos no terceiro andar, e a  famigerada “Meia Seca” (quem me conhece sabe a história do nome da via hehehe 😛 ) um 7b de pés em aderência com agarras todas de lado ou invertidas, equilíbrio pra caralho e muita fé. E claro, entrei na Pilares da terra, um 6º cujo final teve a grampeação   sob a responsabilidade do Ives, e que ficou espetacular. A via é bem protegida pois tem um galho um certo momento da via, que passa bem atrás, e você tem que passar entre o galho e a pedra. 30m de puro regozijo numa escalada de agarras boas e final negativo de patacão com um pouco de técnica. Tem como não amar?

E claro, fiz um voluminho e perdi o medinho de uma via que tinha entrado quando tinham acabado de abrir e estava suja e eu tinha achado um terror. Desta vez, entrei, recuperei minha dignidade e recomendo a todos também a via “Meu amigo Stive” no vale das sombras. Aliás, por falar em vale, ali foi bonito de ver a galera malhando a   “Ho´ponopono” e a “Samsara”. Cadenas espetaculares da galera de Sanca e agregados, kamon! Ah! E a “Toko loco” também, incrível, negativo de batentões bons, só agarrão, um 6sup de teto no começo praticamente (depois fica vertical de agarras boas). Muito amor por esse encontro, esse pico, essas vias, essa galera! Agora passando a temporada de boulder volto pras vias e pros meus projetos que tive que adiar dessa vez.

Kamon!

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Valews, falows! =D (eu na Meia Seca)

Nova via em Itaqueri (não é primeiro de abril)

A foto do post de hoje não é em Itaqueri, mas sim a Marina na Fimose.

A foto do post de hoje não é em Itaqueri, mas sim a Marina na Fimose.

Todo mundo acreditou na lorota de primeiro de abril que eu criei. É simples, contei vários fatos reais como nossa busca incessante por picos novos na região do arenito e linkei-os a uma mentirinha. O problema de não termos ainda um pico novo sempre acaba sendo: As mesmas 3 ou 4 pessoas somente nessa busca para cobrir uma área muito grande, com um carrinho que não é lá muito indicado para andar nessas estradas de terra. Depois, quando finalmente chegamos a algum setor com certo potencial: Ou o dono não deixa entrar, ou é um deserto em face norte com sol das 8 da manhã as 8 da noite, sem nenhuma árvore pra fazer sombra nem para o seg. Mas na maioria das vezes é que realmente a rocha não tem nenhuma agarra mesmo (as que tem o dono não deixa entrar). Por isso ficamos tão maravilhados com o calcário de Arcos, pois onde vc bate o olho sai um 6ºsup. E claro, tivemos também um pico fechado por conta de escalador que não soube respeitar regras (Antes mesmo de sua abertura). No outro pico que fechou, o escalador parou de escalar, falou com o dono que era seu amigo e este pediu para que ninguém mais entrasse na sua propriedade. Muy amigo. Mas enfim, ainda acredito na redenção das pessoas e dos picos de escalada, estamos sempre abertos para trocar idéia na boa e tentar reabrir tais picos. (E no outro pico o dono começou a criar abelha no topo das vias… porquê não gostava de escaladores).

Mas enfim! Com isso, os picos atuais vão ficando cada vez mais saturados de gente, e de vias. O que é uma faca de dois gumes, mais vias atraem mais pessoas, só que mais pessoas pedem mais vias, para distribui-las melhor e desafogar um pouco as vias. Pensando nisso, no dia 27 de março fui pra Itaqueri sozinho estrear alguns brinquedinhos (como a furadeira, que era verdade que tinha comprado uma nova), uma mochila Osprey para avaliar a possibilidade de trabalhar com a marca na Quero Escalar, e a sapatilha Latex, da marca Spyffer que o Snakinho está fazendo artesanalmente. Com isso, escalei em solitário a Sinos do barão, fiz manutenção na parada que havia sido “marretada” 1 ano atrás e teve as chapas roubadas (sim véio, tem gente q faz isso, rouba chapa, mosquetão e martela os bolts das paradas de vias). Depois, coloquei uma chapa que tinha ficado faltando na Motor de Lancha na época da conquista, tipo 4 anos atrás (Esticão no more!). Desci, almocei, e fixei a corda na nova parada da Sinos do Barão (não necessariamente nessa ordem, como vocês podem imaginar kkkkk).

Com movimentos bastante técnicos e um pouquinho de força

Basta um pouquinho de força e técnica pra superar o tetinho do começo.

Aí subi, puxei a furadeira, paguei uma travessia meio exposta pra esquerda da Sinos e bati uma parada na reta da linha da via que eu tinha em mente fazia anos. Desci com o facão fazendo a jardinagem, tirando alguns cipós, galhinhos e espinhos da linha da via, tirando terra de agarras e rolando pedras soltas. Então pus a sapatilha e subi com uma corda fixa em solitário escalando, marcando onde ficariam melhor as proteções, calculando com a medida do meu cotovelo para os anões poderem equipar a via (viu Si, Fabi, Bia, Beto..). Uma vez la em cima, puxei a furadeira e desci furando. Não gosto muito de conquistar via sozinho pois em Itaqueri fizeram isso (sem contar que rapelaram furando sem escalar antes – lamentável) e a via ficou uma merda, ninguém escala (Caso o referido quiser arrumar a via, me chama que vou junto com a furadeira, chapa, etc.. pra dar o trampo). Por isso é a primeira vez que conquisto assim, mas desta vez confiei na minha experiência e na fórmula de escalar a via antes e avaliar as quedas, bolt por bolt, move por move (se cair agora… e agora… e agora…) e assim a via ficou segura e fácil de equipar, até pelos baixinhos. E a via estava pronta! Ficou uma das vias mais longas de Itaqueri, e a mais longa do setor 2,5, com quase 20m.

Tem um tetinho fácil no começo - não se deixe intimidar pois é uma via que eu gostei muito!

O tetinho no começo – não se deixe intimidar pois é uma via bastante agradável!

Após pensar muito num nome, resolvi adotar um nome mais politicamente correto e homenagear o parceiro que se foi ano passado, também por sentir estar de alguma forma passando por uma fase similar ao que ele vinha sentindo. E a via ficou uma homenagem pois umas 3 semanas antes do ocorrido, o Shimoto levou uma voadora de uns Perus que ficam na entrada de Itaqueri. E a via ficou sendo a Voadora de Peru. Achei que seria um 6sup, mas esse fds o Ives repetiu a via e deu 6º bola. Ele isolou uns regletões, usou uma aresta meio pra direita, diferente do que eu tinha visualisado, mas estava a vista, então kamon. “Voadora de Peru” 6º/6sup, setor 2,5 em Itaqueri – À esquerda da Sinos do Barão, 7 chapas e base (levar 8 costuras – Sugiro uma costura de 30 ou 40cm para a segunda chapa para a corda não raspar na virada do teto).

Aí domingo a gente tava indo pra invernada, mas o tempo tava ameaçando abrir e tocamos pra Itaqueri, onde pudemos fazer uma sessão de fotos na via antes de começar a chover. Fazia MIL anos que eu não saía em fotos, especialmente tiradas de cima, então obrigado Ives pelo empenho! Bem, em breve farei um review da Sapatilha Spyffer, em principio não estou acreditando no que estou usando. Em breve mais infos!

Dicas para escalar melhor adaptadas para a realidade brasileira

Escaladora anônima aleatória da Semana!

Escaladora anônima aleatória da Semana!

Em todos os meios de comunicação pipocam métodos milagrosos para que você da noite para o dia passe do 5sup para o oitavo grau. Artigos normalmente norteamericanos, espanhóis, ingleses ou franceses em sua maioria. Citam planificações de 8 semanas, 10 semanas, descanso, viagem, treino, mais um monte de planilha que só de olhar dá vontade de ir pro bar tomar uma e pedir uma porção de fritas com bacon. Baseadas em uma outra realidade, pra gente aquilo tudo parece meio de outro planeta. Ainda que tenhamos academias modestas em quase todos os grandes centros que possuem escaladores, ainda não há nenhuma daquelas mega academias do tamanho de um campo de futebol, com vias de 20-25m como em Innsbruck ou na California. Beleza, mas considerando que a sua academia é suficiente pra você fazer os treinos. Aí você vai lá fazer o treino de finger e em duas semanas tem que parar de escalar por causa de alguma lesão. Como assim? Nunca tive lesão! Escalo faz 6 meses, já estou forte, mandando 7a, entrando em 8a, como isso é possível? Sabe de nada, inocente. Bom, aí é pq vc não leu os avisos exaustivos nos próprios artigos de que esse tipo de treino é pra quem já escala há mais tempo.  Existem três jeitos de evoluir na escalada: Treinando, Escalando e treinando ou só escalando. Se você não fizer nenhum dos três, (só caminha) vai ficar dificil você sair do quinto grau (a menos que você tenha 16 anos, tenha 1,90 e 60kg e tenha uma certa consciência corporal advinda de outros esportes).

“Ai, mas pra que eu preciso mandar mais que quinto grau? Não sou esses nóia que fica preocupado com grau, eu quero me divertir”.

Acho justo! Mas tem muita gente inconformada por aí, e também pudera. Um dos motivos que levam as pessoas a quererem evoluir (além do próprio ego) é que se você escala quinto grau, você tem pouquissimas vias pra subir quando sai pra escalar. Em praticamente todas as nossas falésias com exceção do Rio que tem suas vias de terceiro e quarto que da pra descer de bicicleta (mas eu demoro uma semana pra guiar uma enfiada), o restante das falésias do Brasil tem poucos quintos graus. Então se você não quer fazer a mesma via todos os fins de semana, ou limitar-se a fazer 3 vias apenas na sua viagem de 1 semana pro cipó – que não necessariamente são as linhas mais estéticas do pico mas também não vai ser ruim – é melhor você começar a treinar. Não precisa mandar décimo grau, mas poxa, guiar com tranquilidade um sextinho e mandar com alguns pegas um sétimo grau já faz você se divertir horrores em qualquer lugar.

Uma coisa em comum  entre todos os livros de treinamento para escalada é que até oitavo grau você não precisa de muita disciplina e esforços sobrehumanos e com apenas algumas mudanças de paradigma já da pra se divertir e evoluir bastante!

Depois de ler alguns livros de autores como Eric J. Hörst e Dave MacLeod elaborei algumas dicas para as pessoas poderem escalar melhor baseadas na nossa realidade levemente diferente.

Algumas diferenças básicas principalmente para os Paulistas, mas provavelmente gente de mais estados vai se identificar: Falésias muito longe e Picos com poucas vias: Enquanto lá fora os picos bons tem 3.000 vias e neguinho fala que os pico ruinzinho tem só 300, aqui o melhor pico é capaz de ter essas 300. Muitas vezes os – já poucos – quintos graus são antigos e mau grampeados, aí um iniciante não pode guiar pois corre risco de dar chão antes de costurar a segunda, ou mesmo se cair antes da primeira pode se machucar feio. Aí é foda! Mas tudo bem, é nossa característica nos virarmos com o que temos né?

Carnaval em ritmo de festa!

Escalada de carnaval em ritmo de festa!

Divirta-se, mas saia da sua zona de conforto pelo menos um pouquinho.

Comumente a galera mete uma pressão na gente terrível! Não pode TopRope, não pode entrar em via repetida, não pode gritar retesa. As vezes é importante você só se divertir mesmo, especialmente quando está voltando, quando não treinou muito ou principalmente quando está começando. O importante é você (re)conquistar confiança, o prazer e a motivação que são fatores psicológicos tão fundamentais para sua evolução. Se você está voltando, ou começando, o importante realmente é você fazer um volume de vias abaixo do seu limite para que vá alimentando essa coisa aí dentro que vai fazer você querer treinar e voltar com tudo! Fazendo isso você também acaba (re)adaptando seu corpo para o stress que seus tendões vão receber e também vai descobrindo como sua cabeça funciona numa situação teoricamente controlada. (mas cuidado pra não acomodar!)

Treine. Na academia, na rua, na fazenda, numa casinha de sapé.

Se você é uma pessoa normal, daquelas que só vão pra rocha aos finais de semana (os chamados “Weekend Warriors”), você precisa fazer alguma coisa com seu tempo livre enquanto espera ansioso 5 dias para escalar novamente. Correr ajuda MUITO. Mas assim, MUITO mesmo. Tipo, PRA CARALHO. Corra. Vai. Tipo, agora! Anda! Ta esperando o quê? Direcione toda sua vontade de escalar pra corridinhas suaves de meia hora/uma hora uma ou duas vezes por semana. Isso faz milagres, pode crer. Hoje em dia está na moda o tal do crossfit ou do treinamento funcional. Realmente é sensacional e pra muitas pessoas que estão já num nível um pouco mais alto na escalada, tem feito uma grande diferença, praticamente eliminando a necessidade (eu disse praticamente mas não exlcuindo totalmente) de treinos de escalada como subir vias ou fazer boulders em ginásios. Você acaba ficando forte por inteiro, fortalece ombros, cotovelos, peitos, costas, joelhos, e fica bem menos suscetível a lesões. E como faz bastante aeróbico, vc acaba mantendo o peso controladamente baixo, o que também é melhor ainda pra evitar lesões. Se você não pode pagar pelo treinamento funcional, faça travessias no boulder cada vez mais difíceis pra ganhar resistência, a ponto de ficar cada vez mais cansado com menos tempo, mesmo você estando mais forte. Agora, se você está voltando de lesão, antes de voltar a se pendurar, FORTALEÇA. Quando você fica muito tempo parado, seus tendões definham e se você voltar querendo alcançar afobadamente seu nível de quando parou, vai ficar tendo lesão atrás de lesão, vai por mim. Por isso, é importante que sare bem e depois faça um fortalecimento por semanas seja com bolinha, com massagem, elástico, aí vai de cada um, antes de voltar. Abdominais suspenso também são sensacionais pra desenvolver sua tensão corporal tão importante. Concilie a corrida e 300 abdominais suspensos e veja os resultados. Sem raízes brancas, ligue já!.  E se você não tem onde treinar, não pode pagar academia, muros com pedras são excelentes alternativas, normalmente são dificeis, com muitos regletes, e é um treino excelente. Quando a polícia chegar é só explicar que você está fazendo boulder e que aquele pó branco não tem nada de suspeito. (sugiro pedir autorização para o porteiro/dono da casa. Se ele não der, aí vc escala mesmo assim e ainda com aquele gostinho da aventura e do proibido kkkkk)

Quem não tem academia...

Quem não tem academia…

Faça a Pirâmide

Apesar de termos poucas vias, no longo prazo com todas as viagens que você vai fazer você conseguirá ir fortalecendo a base da sua pirâmide. Mas o que é isso? É assim, você só tenta um sexto grau, depois de ter mandado 10 quintos. Só entra num sétimo, depois de ter mandado 15 quintos e 10 sextos. Só entra num 7b, depois de ter mandado 5 7a´s e 15 sextos. E por aí vai. Dessa forma você vai adquirindo experiência, solidez e confiança na sua escalada. Se não vc fica sendo aquele cara que manda um 7c decoradinho com maestria, mas escala horrívelmente se atrapalhando todo, bufando como se tivesse num nono, um quinto grau que era pra você estar aquecendo. E isso acontece mesmo viu! também conhecido como Vergonha alheia. Adaptando pra nossa realidade, você só entra em sétimos depois que estiver guiando sextos, porque também não da pra exigir que você entre em 10 sextos que muitas vezes somando quintos e sextos nem tem isso de via na maioria das falésias! No Acre inteiro por exemplo não tem nenhum! Tenha bom senso, Se só tem um sétimo pra escalar, tudo bem, escale o sétimo, mas se você está num pico novo e você não tem tantos quintos ou sextos (ou sétimos, sei lá, a base da sua pirâmide) de preferência para fazer o maior número de vias possível. Isso te garante ampliar seu repertório de movimentos e você precisará de menos força bruta pra conseguir mandar as vias mais duras. 

Piramide com base larga é melhor, o ideal é que com o tempo vá virando um quadrado, montado de baixo pra cima claro

Cada quadrado é uma via que você mandou. Piramide com base larga é melhor, o ideal é que com o tempo vá virando um quadrado, montado de baixo pra cima claro. 

Malhe Vias.

Normalmente os atletas de ponta aquecem num oitavo, nono grau depois vão malhar seus projetos de décimo, ônzimo. E ficam nessa via até mandar. Não raro a gente ouve falar que o cara entrou 27 vezes numa via até mandar. O Chris Sharma tentou 99 vezes aquela via sobre o mar num arco em Mallorca, lembra? A via era a El Pontas e tinha um bote insano. Ele já mandava 12a brasileiro e mesmo assim demorou 99 pegas pra mandar o 12b. O Adam Ondra também deu não sei quantos tentos na “La Dura Dura” ou “The change” e isso pq ele ja mandava 11b a vista na época (hoje ele já mandou 3 11c´s a vista). Isso que é determinação! Isso é importante pois cria objetivos e faz com que você tenha uma meta a ser alcançada. Mantém a motivação em alta e sustenta saudavelmente o músculo mais importante pra escalada: o Cérebro. Se vc não mandar, não tem problema, no fundo no fundo vc sabe que tudo é treino né? É bom também que você se acostuma com o processo, que é a parte mais demorada, e não com a conquista que é instantânea e logo você já está pensando qual será a próxima. É claro que se no seu projeto você não consegue nem sair do chão, é mais prudente que você escolha um projeto mais factível, e faça a tão falada pirâmide. Mas se sua pirâmide tem uma boa base, já deu 27 pegas no seu projeto? 

Dê tudo pra mandar seus projetos!

Dê tudo pra mandar seus projetos!

Repita vias.

Lá na gringa, com os picos de 3.000 vias, você mandou um 7a, não tem razao nenhuma pra repetir enquanto você não mandar os outros 250 7a´s, e mesmo depois disso, é pra você começar a mandar os 250 7b´s e por aí vai. Aqui não tem isso, então uma maneira interessante de treinar no quintal de casa é ocasionalmente repetir vias. Mas procure dilapidar a sua escalada na via para que possa executa-la com maestria fazendo o mínimo de esforço e o máximo de técnica possível (ou seja, escale bonito). É bom pra você saber como está o seu nível, é divertido, acaba sendo um bom aquecimento ou mesmo treino, e sabe como é, o importante é estar escalando não é mesmo? Mas também não vá cair no círculo vicioso de ficar repetindo sempre as mesmas vias pra sempre. Quando eu comecei a escalar tinha um escalador “fodão” que SEMPRE mandava as mesmas vias, a gente pagava um pau, mas depois de um tempo começamos a nos perguntar porque nunca tínhamos visto ele entrar nas outras vias no pico no mesmo grau. As vezes ele gostava muito daquela, ou as vezes ele tinha desencanado do processo de descobrir, tomar espanco e evoluir nas outras. Com o tempo aquele cara foi se afastando da escalada. Nunca vou saber se foi por falta de motivação ou porque casou rsrsrs

Viaje.

Com um background arenistico no quintal de casa, lembro como sofri a primeira vez no granito de Andradas. JESUUUUUISSSS!!!! Fazia força de sétimo grau (que eu nem mandava na época) em quartos de aderência. Adquiri tantos “experience points” que ganhei um level up no trabalho de pés. Granito é bom pra isso né?! (e só pra isso). Aí fiz parede e aprendi o foco necessário quando não se vê a última costura e é preciso entrar num lance que você não tem certeza que vai mandar. Quando voltei, guiar as vias esportivas “esticadas” era mamão com açúcar! E percebi que fazia muito menos força nas vias pois movia melhor os pés e me posicionava mais adequadamente economizando energia naturalmente. Quando fui pro Cipó me apaixonei pelo calcário, era essa a resposta que eu procurava ao “porquê eu escalo” e achei meu estilo, o lugar mágico e a rocha com agarras benevolentes porém não menos difícil. Voltei pra casa determiando a treinar, ficar forte, fazer a lição de casa e voltar pro Cipó pra mandar os projetos e pendências e me divertir horrores. É bom também porquê você conhece outras realidades, outras “éticas locais”, gente que manda muito mais que você, gente que manda menos que você e você descobre que tamo todo mundo junto no mesmo barco. Eventualmente seus amigos novos virão escalar contigo no seu quintal e você poderá sempre encontrá-los quando voltar, e até mesmo fazer a maior festa quando ambos estiverem escalando “fora de casa”. As vezes você terá casa cheia, e outras vezes não vai precisar pagar camping, hostel e conhecerá a hospitalidade de cada estado com guias locais que são seus parças.

Beto e Eu Tietando a Melissa Le Neve, super simpática!

Beto e Eu Tietando a Melissa Le Neve, super simpática!

Socialize.

É mais um adendo do tópico anterior, mas quando você chega num pico com seu brother, entra quieto e sai calado, você perde a oportunidade de conhecer técnicas novas, novos equipamentos, detalhes sobre as vias que você nunca imaginaria (que uma via tem uma continuação linda que não aparece no croqui – ainda mais com a maioria dos croquis que tem por aí que venhamos e convenhamos né? – ou que tem marimbondo) e pode trocar muita informação sobre novos lugares pra escalar, novas vias, betas de lugares mais baratos pra ficar. Mas só por isso você não mereceria a socialização. Também tem que ser espontâneo e não por interesse! Oferecer seg é uma ótima maneira de quebrar o gelo. Bolacha com café preto, vish, os nego vem que nem abelha no mel! hahaha Né Mel? haha Os mineiros adoram uma cachaça, Sulistas não largam o Chimarrão, enfim, essa troca de culturas é saudável para sua vida como um todo, não só para a sua escalada!

Escale a vista.

Como temos tããão poucas vias nos picos, é valiosíssima sua primeira entrada! A menos que você tenha em mente REALMENTE e com convicção que quer mandar seu primeiro 7b em flash, dê o primeiro pega a vista. Você aprende as malícias de pensar rápido nos momentos mais tensos, as estratégias para esse tipo de escalada, acaba ficando mais esperto e aprende a escalar a via do melhor jeito para o seu corpo, com o seu background, sem estar sugestionado a fazer de determinada maneira. Você acaba lembrando muito mais a sequência de agarras para um eventual segundo pega e incorpora com muito mais naturalidade a nova gama de movimentos que essa via te ensinou. (é bom também pq ninguém pode falar que você roubou porque usou aquela agarra meio metro pra direita da chapa sem magnésio que facilitou muito sua vida, sendo que a via inteira era pela esquerda). No começo pode parecer meio difícil, mas depois que a mágica acontece… ahhh… aí a mágica acontece 😉 .  Com relação ao tanto que  o a vista te ensina e te faz evoluir, dizem que a escalada a vista está para a escalada com os betas, assim como a escalada guiada está para o top rope. (eu digo isso) Da mesma maneira, NÃO dê betas indesejados se as pessoas não pedirem! Uma vez tinha uma australiana chamada Naomi escalando no cuscuzeiro. Quando passei embaixo dela gritei: É pela esquerda a via viu?! Ela olhou pra baixo com o zoião arregalado e exclamou: EXCUSEME?? Aí eu muito sagaz: Não é com vc não, é com o cara na via da esquerda! kkkkkk Quem preza pela escalada a vista DETESTA beta e uma dica que você der pode transformar uma cadena extrema da pessoa a vista num flash (o quê da muito menos pontos no 8a.nu também). E por falar em 8a.nu, um 7b a vista te da mais pontos que um 8a malhado, pense nisso! Enfim, apesar de ter muita gente por aí beteiro pra caramba, cada vez cresce mais o número de praticantes da escalada a vista, e você poderia ser um deles!

Escale vendado.

É ótimo para você treinar sua concentração, seu trabalho de pés, sua estratégia, enfim, é só vantagem! Experimente um dia e você vai se divertir horrores enquanto treina! Não precisa entrar num oitavo grau exposto, pode ser uma via que você já conhece na academia ou mesmo na rocha. O exercício de não poder ver e ter que ir tateando é ótimo! E as blocadas isométricas (aquelas que você faz quando começa o movimento e trava no meio enquanto com a outra mão vai tateando buscando uma agarra) são um excelente treino!

Depois da escalada Onsight, Escalada OnBlind hehehe

Depois da escalada Onsight, Escalada OnBlind hehehe

Escale com quem escala mais/há mais tempo que você.

Recentemente teve uma puta polêmica na Climbing porque um cara escreveu uma matéria alegando que o problema do lixo, bagunça e consequente fechamento dos picos é porquê os “zé ruela de academia” (SIC) vão pra rocha sem saber como se comportar no ambiente natural. Acho que nesse comentário ele errou feio errou rude, pois no meio da discussão lançaram um contraponto excelente: Se 10% da população é idiota, é natural que 10% dos escaladores também sejam. Então a culpa é da sociedade e não das academias. Nem vou entrar nessa discussão pq acho que não é o foco deste post. O que eu quero ressaltar é que ir pro pico acompanhado de alguém que já tem experiência na rocha te deixa mais seguro e comete menos gafes naturais de primeira vez como em todos os lugares. Ele pode te mostrar onde é o melhor lugar para o número 2, quais são as melhores vias, quais você deve evitar dependendo do seu grau, ou te botar numa bela roubada porque ele confia no seu potencial e que você nunca entraria e acaba adorando. Mas onde eu quero chegar é que você pode aprender muito com esse brother/tutor. Quando eu estive em Arco na Itália, aprendi tanta coisa com meus padrinhos da escalada, o Birão e a Dani, que até hoje propago esses métodos tão eficientes que se tornaram TOC e muita gente já os pegou de mim para seu benefício próprio. Exemplos práticos são: Se encordar ANTES de colocar aquela sapatilha 5 números menor que seu pé que você nem a suporta direito durante a escalada muito menos em pé, no chão, enquanto se encorda. Tirar a poeira da sola da sapatilha com a palma da mão antes de calçá-la pode ser a diferença entre mandar e não mandar uma via com pezinhos delicados. Tirar a LAMA da sapatilha é respeito ao próximo pois as agarras de pé logo serão agarras de mão. Não dar seg de sapatilha pra não fuder a sapata que independente do seu nível financeiro, não foi barata. Respirar no meio do Crux, costurar com o braço esticado em posição relaxada, enfim, tanta coisa que sinceramente dava pra fazer um post só em homenagem a esse casal que hoje mora em Bragança. Mas também tenha parcimônia, não foi meu caso, mas muita gente da “antiga” tem vícios terríveis como dar seg nos dois pontos da cadeirinha e não no looping como manda o manual de qualquer freio ou cadeirinha. Invariavelmente, se as pessoas com quem você escala são mais fortes, vai sobrar pra você limpar vias acima do seu nível garantindo inestimável aprendizado, ou ter várias vias no seu grau equipadas pra você entrar tranquilo que se você não mandar tem alguém que manda, (mas que você vai acabar mandando e se não mandar pelo menos terminar pela dignidade kkkkkkkkkk) garantindo grande evolução. É aqui que você pode praticar exponencialmente aquela parte do “Malhe vias”.

Escalando com quem tem mais experiência você aprende muito! (Mas cuidado com os vícios errados!)

Escalando com quem tem mais experiência você aprende muito! Mas cuidado com os vícios errados! (Dou seg em troca de comida diz o cartaz em inglês.)

Espalhe a palavra. 

Quando eu comecei a escalar, achava que todo mundo gostaria de escalar também só não o fazia por falta de oportunidade. Qual não foi minha decepção quando descobri que a escalada não é pra todo mundo. Mas quando te procurarem, quando ver gente nova querendo ir pra rocha, leve e faça a funça do tutor. Pra ver se ninguém faz nenhum procedimento errado, não desrespeita a ética local – ou seja, pra ver se ninguém mija fora do pinico – e também para garantir que essas pessoas terão uma experiência agradável e não tomem um grande espanco, traumatizem e parem de escalar. Não é porquê ninguém queria te levar pra rocha no começo que você precisa passar pra frente a gentileza. Mas também não tire a experiência da aventura de ninguém, seja ponderado. Muitas vezes os iniciantes precisam mesmo de um toprope em sua primeira ida à rocha pra aclimatar com a falta de adesivos nas agarras. Mas também não deixe acostumar hehehe Depois, uma via equipada e com a primeira passada é uma ótima motivação pra pessoa começar a guiar (Já era negão, segunda vez na rocha não tem Top mais! Olha o bullying que eu falei la no começo kkkkk). Não esquece de falar sobre o silêncio, comportamento e o respeito em ambientes naturais, mínimo impacto, etiqueta (tipo nunca escalar de sapatilha clara com meia preta – aliás, com meia nenhuma!). Todo mundo vai falar que já sabia, mas você não pode falar que não avisou! Tem gente preocupada que tem muitos escaladores novos pra poucas vias, mas quanto mais pessoas começarem, conhecerem a escalada, maiores as chances de amanhã encontrarmos um pico alucinante e o dono já conhecer a escalada e liberar o acesso numa boa. Sonho meuu… sonho meuu….

Não dê ouvidos ao Tribunal de Pedra. Mas tenha humildade pra ouvir conselhos.

Muita gente vai tentar dizer o que você deve fazer ou deixar de fazer. Cobre-se sempre, esteja sempre em evolução porque isso não é uma imposição, é praticamente a definição do nosso esporte. Mas só você mesmo conhece seus limites, sua velocidade de aprendizado e sua rotina e dedicação. É bom quando as pessoas tiram a gente da zona de conforto, mas também tem os chatos de plantão. Sempre alguém vai decotar a via que você demorou dois meses pra mandar, e sempre vai ter gente achando que sua luxação no tornozelo porque caiu errado antes de costurar a primeira chapa de uma via mau grampeada é puro mimimi. Saiba ouvir pois muitas orientações boas podem vir das pessoas, mas saiba filtrar porquê as vezes aquilo pode não funcionar pra você.

Bem, espero que tenham gostado dessas dicas baseadas na realidade sociológica e geográfica de nossa escalada. Todos os gringos que vem pra ca concordam que somos escaladores muito sociáveis, até demais, e muitas vezes até deixamos de lado a escalada pra fazer social. Faz parte da nossa realidade, é importante que nos adaptemos mas também é importante não esquecer que devemos seguir o caminho do meio: Treinar duro mas não esquecer que existe vida além da escalada. De um outro ponto de vista é importante socializar mas também não vamos esquecer de escalar, treinar, evoluir que esse é o objetivo hehehe Enfim, espero que estas dicas ajudem e se você tem alguma dica útil posta aí que eu adiciono como Update!