Por onde andei…

Osprey Aether 70 - Para essa época de Chuva, mochila com capa de chuva é o ouro!

Osprey Aether 70 – Para essa época de Chuva, mochila com capa de chuva é o ouro!

Bem, eu sei. Faz mil anos que não posto nada, talvez um recorde! Mas com a modernidade vem algumas mudanças, e muitas novidades e vídeos tenho postado no facebook da Quero Escalar. É mais ágil, rápido e dinâmico. (e faz um Merchân também né? ;P). Isso somado à correria de fim de ano e aí já viu né? Mas eu ainda sinto falta de escrever aqui os meus devaneios lúcidos e compartilhar experiências e gerar algum conteúdo original, por mais irrelevante que possa ser. É da hora!

Bem, nos últimos meses tem chovido pra K#$% o que tem atrapalhado bastante os planos, então não temos muitas novidades. Depois do golpe e alguns percalços financeiros tenho viajado menos, mas tudo parte de um plano maior (não surtar). Mas podemos começar o post de hoje compartilhando o lindo vídeo do II Festival do Pico do Mané: ❤

E na sequência umas fotinhos com meus queridos!

O pico do mané pra quem não sabe é um pico novo de escalada dos Franquenses, que o “Xerife” local Wagner “Gaúcho” descobriu uns 2 anos atrás em Patrocínio Paulista e junto de quem tive o privilégio de abrir as primeiras vias. De lá pra cá já são praticamente 80 vias, vários setores, boulders, vias móveis e esportivas. Para o festival dei um gás aqui virando noites e fiz um croquizão bem legal padrão Guia do Cusco, só que sem a parte dos betas das vias no final. Então, se você gosta, quer ajudar, prestigiar, ou simplesmente escalar por lá, pode adquirir o Guia impresso na Quero Escalar.  

De lá pra cá não fiz mais nenhuma viagem. Mas pude abrir mais duas vias incríveis na invernada, e um monte na fazenda Rochedo, pico com bastante potencial que estamos desenvolvendo pouco a pouco com muito carinho e cuidado próximo de Itaqueri, e pretendemos liberar pra geral em breve.

Bem, e tem algumas fotinhos da fazenda rochedo, onde pude passar bons momentos com amigos queridos recentemente, onde predominam os negativos e tetos de agarrão. Pico incrível que espero que possa em breve divulgar amplamente.

Bem, por hoje é isso, as conquistas não param mas por enquanto tem sido mais perto de casa. Não acho ruim, ainda mais num setorzinho tão singelo e divertido! Kamon?!

 

 

As melhores fendas do Interior Paulista

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Ahhh eu adoro essas fotos de equipos em pé de via!

Não é que escalada móvel seja a minha favorita. Mas eu diria que eu gosto tanto de escalar, que não escalar em móvel seria me privar de muitas vias maravilhosas. E eu não gosto muito dessa história de ficar me privando de alguma coisa. Então a escalada em móvel se tornou algo corriqueiro. Antes uma brincadeira, agora um acessório tão trivial quanto uma costura ou uma corda, são as peças móveis. Mas tem gente que pira nessas pecinhas de proteção móveis mais que na escalada em si (e aí arranja treta pra tudo que é lado kkkkk). Mas enfim, não vou polemizar pq não agrega ao contexto, mas que tal falar sobre escalada?

Manoo! Andei escalando umas vias incríveis em móvel, que você não tem noção. Coisa de filme mesmo. Até o mais apaixonado por chapeletas vai ficar com gana de botar a mão num joguinho de camalots e subir essas vias. A maioria delas fica no Pico do Mané, mas cá entre nós, há fendas incríveis no Cuscuzeiro e na Invernada também (e até na caralha). Até alguns anos atrás, quando se falava em via móvel no interior, só se falava em Irish Jararaca no Cuscuzeiro, que digamos que é a mãe de todas as vias móveis que vou citar. Não incluí ela pois ela já foi repetida trocentas vezes, já tem sua fama, e eu queria falar de coisa nova. Vamos lá? Numa ordem não muito aleatória, cuja sequência respeita um critério subjetivamente intrínseco e desconexo.

1 – Fenda perfeita do nome Perfeito. 5Sup – Pico do Mané, Franca

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Biaoncê divando desfrutando das fendas do Pico do Mané

Uma das menores vias da lista, mas também uma das mais bonitinhas. Uma daquelas vias pra se aprender guiar móvel. Colocações a prova de bomba, num arenito bastante sólido (apesar de fraturado, não esfarela). A fenda transcorre por um diedrinho e permite a colocação de peças praticamente a qualquer momento, quantas quiser. Começa com peças menores tipo um camalot #0.4 depois aumenta, diminui, tem fenda horizontal, vertical, aceita Nuts numa boa em vários momentos, camalots, e ainda tem um lancezinho “maroto” pra chegar na parada pela direita. Incrível, daquelas pra se fazer estreando peças, sapatilha, cadeirinha, fazer no fim de tarde só pra não passar em branco. Uma via feliz, diria eu! Ela tem uns 15m e fica pra direita da “Epopéia” e pra esquerda da PugliRocks, duas clássicas do setor da chegada. A parada são duas correntes discretas pra direita da árvore, não é na árvore! Ah, e o melhor, sombra depois das 15hrs, o que é muito importante lá no Mané!

2 – Abrindo Horizontes, 7a/b – Pico do Mané, Franca.

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hummm fendinha ishpertaaaa…

Essa é massa! (ah vá?!) Entre o setor da chegada e o setor da Tesão. É um diedro fendado com uma saída boulderística alucinante! Depois vai super de boa até o final do diedro, e toca mais uns 10-15m até o top. Tem duas chapas na segunda metade pq os blocos soltos não inspiram confiança, e da pra melhorar o ultimo lance com um camalot #2 ou #3. Tem 25m, sombra no diedro depois das 2 ou 3h dependendo da época do ano. Por representar fazer força de crux de 7b explosiva logo de cara, já é um filézinho. Ah! E foi a primeira via em móvel oficialmente que existiu no mané, daí o nome. Antes só a “Ph na cabeça” que tinha uma passagem em móvel no meio, mas é mista. Lembro que no dia da conquista “debaixo pra cima” eu levei tanta peça, tipo, 3  jogos de nuts, e 2 jogos completos de camalots, que eu pesava vários kilos a mais e achei super hard. Aí quando entrei pra cadena só com as peças que eu sabia que ia usar, tipo umas 8, nossa, foi lindo, vuei no move! kkkkk #fikdik 😉

3 – Sexo, Sangue, Suor Lágrimas e Gritaria, 7b/c – Invernada, São Carlos

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Comecinho delicado, final negativo de agarrão. Fenda no meio! Sensacional!

Ahh, essa é meu xodozinho. E também a vovózinha da lista, com praticamente 6 anos de existência (contra praticamente todas as outras que tem tipo, 1 ano no máximo). Essa é uma das vias que eu mais repeti, e sempre que repito adoro e fico com vontade de fazer de novo. São 25m de pura escalada. Uma via mista aqui no quintal de casa. Começa com um 7b incrível técnico de 3 chapas, depois clipa mais 2 fáceis e entra na fenda. Eu protegia com 2 peças mas agora tá tão decorada que eu ponho só um TCU roxinho equivalente ao camalot #0.4 ou .5 e vou pro descanso, ponho um #0,75 e entro pro lance do crux, que é protegido por 2 chapas, e pra ir pra parada rola proteger com um camalor #3 ou #3,5 ou um camalot #0.4 um pouco mais alto, e já era. Recentemente abri uma variante pra esquerda com chapas que não passa pela fenda e toca pra esquerda, chamada “Foguete cubano”, e já fiz a variante Sexo Cubano, que faz a fenda e do descanso toca pra Foguete cubano. Incrível, técnica, negativa, com agarrões, delícia de via! Tem uma permadraw no meio da via pra vc passar sua corda quando estiver rapelando para conseguir limpar as primeiras chapas, se não fica bem dificil devido à inclinação da via.

4 – Flertando com o Teto, 6sup – Pico do Mané, Franca.

Flertando com o Teto!

Flertando com o Teto!

Ahhh, essa foi uma das vias que mais deu trabalho pra abrir. Duas caçambas de blocos soltos, de terra, e muita faxina foram necessárias para transformar um aglomerado de pedras soltas em uma via móvel perfeita, de 25m protegivel do chão até o top. Um diedro com aquelas fendas dos filmes americanos, perfeita, em que vc não precisa nem conferir a colocação, enfiou o camalot, clipou a corda e tocou embora (mas confira sempre suas colocações, ok?). Um pouco técnica, requer uma certa logística devido ao grande teto, se não, rola um arrasto na corda monstro. O ideal é ir com uma corda dupla, ou, tal qual como nós fazemos na Lamúrias de um Viciado lá no Cipó: Vai encordado com as duas pontas da corda. Quando chegar no segundo platô antes do Crux e depois da Chaminé clipa umas 2 ou 3 peças redundantes com a corda que não tinha sido clipada em nada e desencorda da corda que vinha sendo clipada nas proteções sob o teto e na chaminé. Ou então abusa dos costurões de 1,20m e aguenta o arrasto da corda. Uma via pra ser fotografada e repetida. Em breve volto lá pra abrir a continuação, é só o Sol baixar! Leve uns camalots #0.4 repetidos para o começo, o #1 repetido para o teto e o crux antes da parada, além do resto do jogo completo que vc vai usando ao longo da via. No meio vai uns nuts, tricam, usei até um X4 amarelinho pra sair do diedro e montar no platô (peça móvel pequena). Ah! Como a maioria das vias no mané, ou chegue cedo (Tipo 6:30/7h) num dia frio, ou espere pra entrar nela depois das 3h da tarde. Destaque para a Rê Leite e a Mel de São Paulo que ajudaram a fazer a funça com a maior paciência do mundo e deram muita seg, escalaram a via varias vezes comigo e limparam impecavelmente a primeira metade dela, de onde sairam várias carriolas de terra e blocos soltos.

5 – Diedro Ainda sem nome, 7a/b – Cuscuzeiro, Analândia.

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A fenda nova no Cusco!

Essa é nova no Cusco. Tal qual na “Flertando com o teto”, o Beto também ficou meses wagnando e faxinando a fenda do diedro do qual rolaram várias caçambas de terra e blocos soltos. E abriu uma das vias mais espetaculares do cuscuzeiro. São 35m de via móvel, interrompidos unicamente por uma parada intermediária pra meiar o rapel de quem vai com corda menor que 70m. Uma escalada alucinante daquelas que você tem que desligar a chavinha do medo e tocar pra cima. Não porquê da medo, mas porque não precisa! As quedas são limpas, as colocações são bomba mas são do tipo “Só pra não morrer, não pra pagar o lance com a peça no peito”. Tem hora que é melhor não proteger mesmo e sair tocando pra cima pra chegar logo no agarrão. Sempre tem encaixes bons pra dar uma respirada, agarras boas, lances de diedro com pé chapado, muita técnica de oposição, incrível – mas o Psico pega!!

Leve um jogo de Camalots, Nuts vão muito bem. Tricams entram onde nada mais entra, e MicroFriends tipo X4 ou Aliens protegem lindamente lances cruciais – Nuts pequenos tbm. (e um rolo de papel higiênico pra por na cabeça)

6 – Vulva Alada, 6sup/7a – Pico do Mané, Franca

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Olhando de longe e de frente: Claramente uma Vulva Gigante!

A história dessa via é uma das que eu mais gosto e também a mais “novinha” da lista. O Wagner tinha acabado de abrir a trilha que liga o setor antigo ao setor novo no pico do Mané lá em Franca (Patrocínio Paulista na verdade). Foi no dia que abri a “Vida Loka” que passei por ali só pra conhecer a trilha do setor antigo para o setor novo. E quem escala sabe. Você não faz uma trilha num pico de escalada olhando pro chão. Eu pelo menos vou brisando: Olhaaaa, da pra abrir via ali, e ali, e ali, acessa por ali, bate um top, humm, ali tem que rolar bloco solto, humm. e vou analisando né? E assim foi com a Vulva: Amor à primeira vista. Lembro que a primeira vez que a descrevi pro Guilherme eu a descrevi como: Um diedro bem aberto com umas pranchas de surf que saiam bem do meio da fenda. Digamos que me apaixonei instantaneamente pela linha da via. Estava ficando um feriado de 4 ou 5 dias lá e como o setor tem de fato sombra até meio dia, cheguei com a Carol de Franca logo cedo (tipo as 7h) no pico, mas ao sinal da primeira chuvinha ela vazou e eu fiquei lá, com o pico inteiro só pra mim hehehe E o mais incrível: a única linha seca era a Vulva. Ahhhh, não tive dúvidas. Comecei a conquistá-la em livre em solitário até aproximadamente 2/3 dela, quando cheguei nuns blocos soltos meio medonhos. Puxei a furadeira pra cima (que estava preparada no chão só esperando pra eu puxar através de uma corda que eu levava retinida (também conhecida como “a outra ponta da mesma corda” kkkkk) e pendulei pra direita numa aresta, e continuei a conquista da “Cavaleiro Solitário” debaixo pra cima em livre. Esse dia ficou nublado o dia todo, então pude trabalhar até o fim da tarde sem tostar no sol, e, ao final, escalei na auto-seg a cavaleiro e marquei todas as proteções, e finalmente furei. No dia seguinte voltamos lá e através da Cavaleiro Solitário o Wagner fez cume, bateu vários Tops e pudemos abrir a “Na natureza Selvagem”, uma via Amaaazing em face que tem praticamente 30m em móvel com apenas uma chapa pra proteger a saída – Via do Wagner e do Eliel “jah”. E eu com o Juliano Engler pudemos abrir a Olho do Tigre e a Terra do Nunca, pra esquerda da Vulva. Ainda nesse dia abrimos (O Juliano, Wagner, Jah e eu) a Independência ou Móvel, uma via mista de 25 ou 30m incrível também.

Pois bem, voltando a falar da Vulva, uns 15 dias depois  voltei pra Franca e com uma galera massa que escala de meio de semana, pude finalmente bater o Top da Vulva e descer rolando todos os blocos medonhos que tinha no final do diedro antes do tetinho (ainda falta um, bem no final do teto, já pra cima dele: cuidado!). E finalmente, uns 2 dias depois ainda em Franca com essa galera que escala em meio de semana (Santinho, Jayme, Jah, Rê), pude finalmente mandar a Vulva Alada. Foi incrível. Abusei dos costurões, das proteções, em vários momentos você tem que trabalhar na oposição bem no meio, é sensacional, é escalada bonita, bem protegida, incrível! Detalhe para o tricam preto ❤ salvador que protege bem a passagem do Crux onde nenhuma outra peça conseguiu proteger. E aí pra acabar muitos agarrões, virada de teto com agarras, e “easy-terrain” até a parada, sempre com boas opções de proteção. Incrível! E nesse setor pra quem curte, da pra fazer a continuação da “Olho do Tigre, 6º” em móvel até a parada da Vulva, é a variante “Olho do lixão” facinho tipo 4Sup, e a continuação da “Terra do Nunca, 7a/b” em móvel até a mesma parada: Pensamentos Felizes, também sem muitas variações no grau desse finalzinho, não passando de 4sup.

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Depois de alcançar o Top da Cavaleiro solitário, fixei a corda, desci limpando a fenda, subi marcando as proteções da cavaleiro e desci furando. Ao fundo, a Vulva e sua fenda. Na esquerda a aresta da Terra do nunca.

Bem, pra ela você pode levar um jogo de nuts e um de camalots que ta tudo certo, mas não se esqueça de deixar os Camalots #2 e #3 para o final, e algo semelhante ao Tricam preto #0.250 pra proteger o crux bem no bloco que parece solto mas não solta. Escale em 3d e não esqueça de tomar cuidado com o bloco solto que está acima do teto!

7 – Vida Loka, Parte 1 – Pico do Mané, Franca

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Essa Fissura bem no meio da parede é a Vida Loka. Os cactus lá no meio deram trabalho pra desviar: Marimbondo pra esquerda, bloco solto pra direita!

Nossa, essa foi incrível também. Uma fendona de mão perfeita (leve uns 3 camalots #2), negativa, que na hora que eu vi (e o wagner tinha me alertado que quando visse ia querer fazer isso mesmo) já entrei conquistando debaixo pra cima na moralzinha. Mas tive que artificializar uma parte que eu acho que “vai dar crux”, acessei um platôzinho pra direita depois do final da fenda, desviei de Cactus, blocos soltos, estiquei horrores desde a última proteção (ok, horrores não vai, uns 3 ou 4m com direito a pêndulo desagradável), protegi numa fenda perfeita que também é agarra que me possibilitou pagar o lance em face e fugir de outros blocos bem soltos num momento que eu estava começando a ficar desesperado pois não queria subir neles (foi lindoooo aquela colocação do TCU verdinho, lembro como se fosse hj, saí do diedro sujo e cheio de cactus e entrei num lance de escalada em face mais exposto e senti o vento batendo no rosto, foi libertador rsrs). E então toquei mais uns 10 ou 15m através de um diedrinho fácil, acessei um platôzinho, subi numa geladeira que não está mais lá, e armei uma parada em móvel a prova de bomba e puxei a furadeira pra bater o Top. Então desci rolando blocos mil, que levaram consigo Cactus, terra, e aproveitei pra furar pro lado esquerdo o Top de uma clássica do pico, a “O Pianista”, que leva o nome devido ao Piano que o Wagner rolou pra baixo do meio da via.

Infelizmente não tive mais oportunidade de entrar lá e tentar mandar a Vida loka! Chama-se parte 1 porque tem claramente uma continuação fácil, em móvel lá pra cima, que vai se chamar Vida Loka parte 2 😉

Enfim! Essas são as minhas fendas favoritas aqui no Interior. Lá na falésia da Caralha também tem uma, a “Para o Beto com carinho”, um 5sup tranquilinho com cara de campo escola também todo em móvel. Mas quando eu soltar o croqui oficial do Pico com os betas de como chegar no pico e talz, aí eu falo sobre ela.

Ah, lembrando que apesar das fendas perfeitas, o Pico do Mané é um pico esportivo, com aproximadamente 70 vias contando as variações e links entre vias , das quais praticamente umas sei lá, 55 são com chapas. Ah, e pra quem quiser fazer uma via mista pra aprender ou pegar mais confiança nas colocações móveis, a Mosquitos no Cuscuzeiro é uma via esportiva com chapas mas que da pra ser feita em móvel. Assim, você pode clipar as chapas e colocar os móveis pra ir se costumando e aprendendo a escalar em móvel, ou se vc já sabe, só pelo lúdico =).

PS1 – Só pra não virem me xingar, São Bento e arredores não entrou na lista pq não considero ali como sendo “interior” do estado, uma vez que é um dos picos mais pertos da Capital, e eu entendo que ali é o mainstream de escalada no estado, tanto de boulder, quanto trad e esportiva. Logo essa lista é mais pra ser “alternativa” mesmo. Divirta-se =D

PS2 – Ainda que no Mané tenha muitas fendas, é em Mineiros do Tietê onde eu vi o maior potencial para escalada móvel da região com inúmeras fendas por setor. Acesso ao Cume fácil pra rolar os blocos, e sombra ou antes, ou depois das 13hrs dependendo do setor. Em breve voltaremos lá! Lembra quando eu postei essa foto aí embaixo, lá de Mineiros?

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Abrindo a primeira via do pico…

Tainha, Vinho… e muito Climb!

Yo Bitchess!! Ok, a frase que entitula o post de hoje é de um video que viralizou em 2014 [clique aqui para ver a referência] mas é mais ou menos assim que tem sido ultimamente. Rolou OuroBoulder, mais uma vez incrível, Fui pra Franca algumas vezes só pra escalar e voltei com sei lá, 5 vias novas kkkkkkkk E finalmente pude abrir a primeira via de um pico novo em Mineiros do Tietê, ali pertinho de Jaú, Bauru, Botucatu. Mas como faria Dexter… vamos por partes! (E tinha esquecido, depois adicionei, dei um curso de abertura de vias e a caralha ja ta com 9 vias na falésia, 14 no total)..

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Crash Borboleta “Quero Escalar” Brilhou muito nas vielas estreitas entre galhos nos boulders de Ouro Preto!

Bem, Tudo começou [há um tempo atrás, na ilha do sooooool…] com a trip para pra OuroPreto com a Rê Leite numa quarta de manhã. Só que de caminho fizemos um PitStop em Arcos por dois dias. Climb Incrível lá, sempre, apesar de ter pego uma infestação de micuins, a maior da minha vida, tipo, centenas, foi Horrível! (Ô dó) Pude mandar o flash da via “Essa via é de todos nós”, um 7b novo no vale das sombras maravilhosa, e depois fiz a Entre o Sol e a Extraordinária, uma variante que faz a saída da Entre o Sol e a Sombra e na quarta chapa cai pra extraordinária. Costurões de 60cm nas 3 primeiras e 120 nas duas seguintes mandatório pra controlar o arrasto!! Foi uma viagem empoderadora, pois a Rê tem se engajado em muita coisa que eu acredito mas nem sabia que tinha gente ativamente lutando pra isso. Realmente um dos pontos mais positivos da viagem foi essa influência positiva. Mas o objetivo era OP então ficamos só dois dias em Arcos e na sexta mesmo já partimos de Arcos. E na sexta feira mesmo já rolou muito Climb. O combinado era escalar com o Bonde de Arcos: Cintura, Tetê, Fabio, Igor, Felipe e Cia. ltda. Mas na sexta quem encontramos foi uma turminha da pesada que sempre apronta altas confusões: O Greg Hidatá de Pira com a Tá e o Sevê e a Ju. Climb Foi Incrível, pude mandar vários Boulders mesmo com joelho fodido e ombro doendo. Os detalhes de todos os boulders, o processo em si e tudo mais vou poupa-los pois se não ficaria longo demais. (mais longo que isso aqui genja?!) O curioso foi que sábado tava com menos dores do que tinha acordado na sexta. Vai entender. Mas no fim do dia não sei se exagerei ou o que, mas acabei q não consegui escalar praticamente nada. Uma dor absurda no braço e nem 6h da tarde e ja era climb pra mim. Ibuprofenos e cornetação. Cê lá Ví! C´est la vie!  Confira a Miucha no minuto 1:00 do vídeo correndo atrás do Drone mais que gato de rua..

Bem, domingo voltei pra casa né, fazer o quê? Braço zuado, azedo né, de não ter podido escalar tudo que gostaria, mas foda-se. Bom que no fds seguinte as dores deram uma amenizada e eu pude escalar com meu brother Wagner de Franca no Cusco, e fizemos nossa primeira via de cordada (duas), a 97 Bons motivos. Via irada no Cuscuzeiro que recomendo fortemente! Nesse mesmo finde chegou ao Brasil o Espanhol mais brasileiro da Índia, o Raul, que morou por aqui uns 5 anos antes de voltar para sua terra natal. O São Carlos Pression Team apareceu uniformizado esse dia hehehe

No finde seguinte rolou climb e abertura de vias em Franca. Pra variar, fui só pra escalar, e voltei de lá com 2 vias abertas kkkkkkkk Bastardos Inglórios e O Exorcista, duas vias de 30m sensacionais no melhor estilo de arenito, com agarras boas porém há que se usar mais a cabeça que o corpo. Mas o melhor mesmo foram as fotos da fotógrafa lacradora Fabiula de Rio Claro. Confira você mesmo:

 

Tem a seção da Biaoncê divando na Bastardos Inglórios e o Gui na “Flertando com o Teto”, entre outras:

Mas não para por aí pois no finde seguinte pude abrir a primeira via da região de Mineiros do Tietê, na região da pedra branca, com visual da represa de Barra Bonita, coisa mais linda! Ainda está bastante inexplorado, nem trilha para a rocha tem, mas a pedra é um arenito de qualidade intermediária. Melhor que a Invernada, mas também não é nenhum Pico do Mané. Diria que ta mais pra Cuscuzeiro. Tem muita fenda, mas muita via em face, com agarras, tetos, contraposições, batentes, enfim… Vai ter pra todos os gostos! Já fazia mais de ano que o Ives achou essa formação no google maps e enrolávamos esperávamos um ensejo pra ir pra lá, já que na ocasião estávamos meio órfãos de picos de Climb por aqui (o colorido tava desativado, a caralha pensávamos ser uma bosta, o mané ganhara suas primeiras vias e ainda não estávamos plenamente convencidos de seu potencial, fora outros 3 ou 4 picos que o dono não deixa entrar aqui em São Carlos, Ibaté e Descalvado). Aì o André fez o curso de escalada com a gente em janeiro, e como ele é de Jaú, ali do lado, botei pilha pra ele ir lá ver “qualéqueera” do lugar. E não é que ele foi mesmo!? Mandou umas fotinhos, e aí eu animei e marquei no calendário com 2 meses de antecedencia pra não marcar nada  por cima. E lá fui eu, 120KM de São Carlos, sozinho, pra matar essa curiosidade e animação de conhecer o pico. Só que não deu muito certo pq agora eu quero é voltar mais vezes, com mais frequência. Quem consegue mandar seus projetos se fica “só abrindo via” desse jeito?!

Nossa, esse dia eu agradeci muito estar com uma mochila Osprey. Estava com jogo completo de móveis, furadeira, quase 30 costuras, sapatilha, mag, água, café, rango, Kit de Primeiros Socorros e mais 50m de corda estática no lombo. Aí na hora de descer, acabamos ficando meio perdidos por umas 2h presos na mata extremamente fechada e densa (reitero: não há trilha ainda). Teria sido “badvibes” estar ali com tudo aquilo de peso nas costas com uma mochila que machuca e incomoda. Ô Grória! Mas no final deu tudo certo e chegamos no carro ainda tinha 2l de água daquela garrafa tudo suja e fudida de água do radiador pra matar a sede! kkkkkkk (mas a sorte é que o Nei, tio do André tinha enchido a garrafa no mesmo dia – disse ele). E domingo ainda fui pro cusco e tirei umas fotos cabulosas da Bia na “Distúrbios do Sono”.

 

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Fotinho Clichê passando Mag, mas ta massa! As outras tão melhores… em breve no Instagram da QE 😉

Ah! Ja ia esquecendo! Caramba! Teve uma coisa que aconteceu no primeiro fds de Julho que foi IRADISSIMO!! Foi o Primeiro Curso de Abertura de Vias da Quero Escalar. O André lá de Jaú, e mais 3 de Campinas (O Francismar, o Soler e o Rafa) puderam aprender a teoria e botar a mão na massa, resultando em mais duas vias lá na falésia da Caralha, que agora conta com 9 vias, fora as 4 da caralha propriamente dita. (Agora falta arrumar a trilha – voluntários para o dia 15? – abrir mais 2 vias e soltar o croquizão).

Ufa!! Chega!! Fui sucinto (Ah sim, claro, super!) pq era muita informação e muita foto! Sayonará e bora que logo menos tem mais climb, mais abertura de via, mais curso, novidades… nuuu… que bom q não para!

E as conquistas continuam!

Bem, esse é um post rapidinho pra dizer que estou indo pra Arcos hoje abrir vias não num setor novo, mas num pico novo…. se tudo der certo vamos abrir para a galera durante o festival..aguardem novidades… B)

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Vou aproveitar e pegar mais 500 chapas Gariglio pra oferecer pra vocês na Quero Escalar e também pra metralhar a região aqui dos arenitos com vias novas. Há picos novos, e a galera está se mobilizando em achar mais, isso é incrível! Abrir via é fácil, dificil é procurar pedras novas, falar com dono, negociar acesso, abrir trilha… E é nessa parte que a galera tem mandado décimo grau ultimamente e feito a diferença no climb da região. Depois abrir via a gente cola junto e  ensina, aprende, compartilha o conhecimento, equipos, etc… Bem, e agradecemos também a parceria da Âncora Sistemas de Fixação que tem apoiado as nossas conquistas de sobremaneira nos últimos meses! Ontem chegou mais uma remessa de Parabolts PBA, Alfa (especiais para arenitos mais friáveis), da cola AQI 380 (para colar agarras principalmente)  com bicos misturadores e tão importante quanto, uma das melhores, se não “As” melhores Brocas do mercado que eu já usei: A Twister e a Booster. Mói pedra, muito bom. E no pico novo ali em Brotas o arenito é um dos mais duros que eu já vi, tava precisando mesmo! =D

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Bem, agradeço o Apoio, no fim de semana vou tirar umas fotinhos para o Review da Mochila Kestrel 32 da OSPREY (que tem sido super pacientes e tem dado a maior vibe) e  dos chumbadores Âncora em ação!

C´ya!

 

PS – Tem umas 5 vias com top batido esperando pra serem terminadas no cuscuzeiro… em breveeee.. 😉

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Essa mochila é foda demais… Aguardem…

 

E o primeiro de Abril?

Dessa vez não é pegadinha, esse pico existe, as vias estão abertas e essa foto é só 10% da parede escalável. (e metade das vias abertas)

Dessa vez não é pegadinha, esse pico existe, as vias estão abertas e essa foto é só 10% da parede escalável. (e metade das vias abertas)

Bem, muita gente deve lembrar que ano passado rolou uma comoção geral por conta da minha pegadinha de primeiro de Abril. Muita gente veio tirar satisfação no pico, que não gostou nada da brincadeira. Pra quem não lembra (o post está aqui), fiz um post fake dizendo que haviamos descoberto uma suposta falésia aqui em São Carlos, contei toda a história de como achamos o local e desenvolvido até então as 17 vias negativas do pico. Fiz até um croqui fake sobre uma foto de uma parede podre real que havia tirado numa das nossas buscas por paredes novas na região. Mas era tudo mentira e todo mundo acreditou hahaha Devo confessar que dessa vez eu me superei, pois como vc´s sabem, a zueira não tem limites. Teve nego de fora ja me ligando se programando pra vir conhecer o  pico novo no próximo feriado, gente criticando a grampeação, gente parabenizando enfim, o bagulho deu o que falar. Mas o meu intuito foi alcançado, porém não sabia eu que de maneira tão contundente. Queria eu dar um chacoalho na galera que se ninguém ajudasse a procurar picos de escalada novos, continuaríamos sempre na mesma de ir pros mesmos Cusco e Itaqueri de sempre. E de lá pra cá muita coisa mudou!

Primeiro que a correria com os trabalhos aqui na Quero Escalar nem me permitiram fazer uma pegadinha esse ano (esse post era pra ter sido no primeiro de Abril, então vai vendo a correria). Segundo que agora temos mais 3 picos novos em andamento. Um deles com potencial para se tornar o maior polo de escalada do interior paulista em poucos anos. As chapas estão indo que nem água. Em virtude das conquistas e das viagens vieram dois apoios importantes: da maior e melhor marca de chumbadores e parabolts da América Latina, que é a Âncora Sistemas de Fixação e de uma das melhores e mais confiáveis marcas de mochilas do mundo, a Osprey, através da representante aqui no Brasil, a Bronet do Brasil.

Boulders Incríveis em Franca!

Boulders Incríveis em Franca!

E de repente, lá em Franca junto com o Xerife local, o Wagner, começamos a abrir as primeiras vias numa parede estranha, um arenito que eu não estava acostumado. Era o começo do Pico do Mané: um fds inteiro pra abrir uma, duas vias (também pudera, parede de 60m, abrindo vias de 30/35m, queria o que? Aqui escacalamos antes pra ver onde ficam as melhores proteções, pra via ficar segura). Mas era  legal, mesmo que o pico ficasse com tipo, 10 vias, tava ótimo! Não tínhamos idéia do potencial do pico no começo. Só íamos lá curtir a parceria, o climb e a abertura de vias. Só que hoje o pico conta com 43 vias e contando. O potencial é absurdo. Com parede de 60m de altura e quase 1km de extensão o potencial é por baixo, para umas 300 vias. Vias esportivas com grampeação segura padrão IFSC (daquela que vc pode entrar mesmo estando acima do seu grau que vc não vai morrer – só isso já é polèmica para um post inteiro tem gente que gosta de correr risco de vida qdo ta escalando: nas minhas vias esportivas não!). Vias móveis com fendas perfeitas no melhor estilo Indian Creek que provavelmente vão chegar no cume. Tetos com agarrão. Um arenito duro, cheio de agarras, coisa que eu, escolado em Cuscuzeiro, Itaqueri e Invernada – expoentes do arenito aqui do interior – ainda não tinha visto igual! Rapidamente a comunidade escaladora de Franca cresceu, o Wagner, o Eliel bactéria “Jah” e a Renata Parreira com o apoio do Everton da academia de escalada Enjoy Climb & Fitness fundaram a AFER – Associação dos Escaladores de Franca e região. Hoje o pico conta com alguns Boulders super legais também, uma cachoeira a 5 minutos, outras paredes com bastante potencial nos arredores e muita, mas muita rocha pra abrir via.

E de repente os amigos de Jaú/Bauru Leo Franceschini e Marco Curi, junto com o Artur Teixeira de Ribeirão Preto (da Moountain) descobriram um lugar de fácil acesso na beira da rodovia que os antigos escaladores de São Carlos sempre conheciam por “não ser bom pra escalada” pela qualidade da rocha. Mas ninguém falou que não era bom pra boulder – e então limparam vários blocos e abriram vários boulders incríveis, deixando em aberto pra gente poder continuar o trabalho. E eu, que nunca fui do Boulder, pirei na modalidade no último OuroBoulder lá em Ouro Preto. E comecei a colar nesse pico pra fazer boulder, que tem como característica uma formação rochosa de formato fálico muito curioso, que rendeu o apelido ao pico: Caralha de Brotas.  E de tanto ir lá, de repente comecei a flagrar que a rocha não parecia tão ruim assim. Aliás, é o arenito mais duro de todas as 5 falésias de arenito que este post comenta. Hoje já são 5 vias na Caralha (5º, 6º, 7a e 7b e a normal em móvel de acesso ao cume, um 4º grau) e mais 4 vias incríveis numa das falésias ao lado. E já achamos mais um monte de blocos de boulder esperando pra serem limpos e escalados, e várias paredes com vias pra serem abertas.

E de repente os locais de Itirapina, através da figura do Murilo e a Vanessa da Academia Atitude, o Eduardo Santini, o Stélio e o Romário (o Bruno tava viajando) deram um puta gás num pico onde eles junto com o Animal daqui de São Carlos haviam aberto algumas vias uns 5 anos atrás. É o pico do Colorido, onde estão saindo bastantes vias fortes, na sombra, abrigadas da chuva, onde a meu ver está o next level da escalada Hard aqui no interior. Tudo oitavo grau até embaixo dos tetos, e as continuações estão lá, esperando pra serem abertas passando pelos tetos. Muita coisa promissora naquela Falésia também!

Claro que enquanto isso teve conquistas no Cuscuzeiro, Itaqueri e na invernada. Mas não é incrível como a união da galera, atacando em várias frentes trouxe um progresso de maneira exponencial para a escalada “local”? Entre aspas porque Franca está a 200km de São Carlos, mas tudo aqui é arenito, e interior. As prospecções não param, estamos de olho em outras falésias. Não pretendo abrir 100 vias em todas, mas abrir algumas vias e catalogar e divulgar, soltar um croquizinho já deixa o gancho aberto para as futuras gerações que vierem na nova leva de escaladores levarem o pico adiante, tal qual foi com a gente outrora! É muito bacana ver essa evolução, a sensação de estar escalando no “quintal de casa” em um pico diferente dos mesmos já batidos Cuscuzeiro, Itaqueri e Invernada é impagavel! Só falta agora aquele campo de Boulder com 400 blocos de 8m de altura com negativo num terreno plano e de fácil acesso hehehe Bem, eu sonhei antes, e to vendo rolar, sigo sonhando! =D

Anunciando Novo Apoio!

2016 tem sido um ano muito bom. As aberturas de vias estão a todo vapor, mudamos o logo para um muito mais moderno e visual, já tivemos um Curso Básico de Escalada semana passada, há novos produtos no site (mas  estamos providenciando mais, calma!) e já fechamos o Patrocínio do Campeonato Brasileiro para a etapa de Boulder na Campo Base em Curitiba. E agora eu gostaria de anunciar que fechei uma parceria e estarei recebendo apoio como atleta e difusor do esporte, das Mochilas OSPREY, através da empresa que faz sua distribuição no Brasil, a Bronet do Brasil.

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Apoiadores: OspreyPacks e Âncora Sistemas de Fixação

Foi tanta coisa que aconteceu no final do ano que realmente as postagens ficaram bem escassas, acho que em praticamente 7 anos de blog,  foram poucas as vezes que isso aqui ficou tanto tempo sem uma postagem. Mas também pudera: Estivemos nos empenhando a todo vapor nas conquistas no nosso novo queridinho aqui do interior, o Pico do Mané em Franca. O Post do Encontro de Escaladores do Nordeste era o próximo, com 6 meses de atraso hahaha Ah! E tem também um post com  algumas fotos das vias e Boulders que a gente abriu na Caralha de Brotas.  Em breve vamos focar mais ali naquele pico que tem um bom potencial para mais vias e boulders.

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Eu ostentando o novo Crash da Quero Escalar, que ainda nem deu tempo de por no site..

Mas Enquanto isso, não muito longe dali… Eu quero agradecer a parceria  com a Bronet do Brasil e da Osprey e a confiança em mim depositadas. Sempre achei as mochilas Osprey as melhores do mercado, e todo mundo sabe disso pq afinal, todo mundo que me perguntava qual mochila comprar, sempre recomendei Osprey, tanto que vários amigos tem Osprey ha varios anos por recomendação! Assim como foi com a Edelrid, é muito bom poder usar e trabalhar com um equipamento que você  gosta, confia e depois de um tempo não sabe como podia ter vivido sem!

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A Miuxa e eu temos aprovado a Osprey Aether 70, essa daí é na Bocaina, no setor dos paulistas

Eu já tinha uma mochila que eu tava usando pra cacete, brilhando muito nas conquistas lá em Franca pois mesmo com corda, costuras, cadeirinha, sapatilha, Furadeira  e equipamentos de conquista (como chapeletas, bolts, martelo, correntes, entre outras coisas bem pesadas) eu dizia que a mochila ficava tão confortável nas costas que depois de um tempo você acabava ficando com dor na perna na subida, pois vc não se lembrava que estava carregando tanto peso e queria continuar andando na subida na mesma velocidade que estava no plano hahahaha Enfim, em breve farei as avaliações das mochilas, o que não vai ser muito dificil pois eu já sei do seu potencial. O melhor é que a Osprey oferece garantia vitalícia para suas mochilas, para qualquer eventualidade: Se seu cachorro comer sua mochila, ou se cair uma pedra nela escalando, ou se o ziper emperrou, eles irão arrumar pra você, se se não der pra arrumar, rola uma mochila nova, é incrível!

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Aonde temos ido tem uma Mochila Osprey por perto, essa vermelha foi uma recomendação minha pra Dani em 2012.

 

O papel da escalada na Vanguarda dos movimentos sociais!

Acho que esse desenho combina mais!

Acho que esse desenho combina mais!

Recentemente rolou uma grande polêmica por conta de um post “machista” relacionado com a escalada. Algumas amigas minhas indignadas com uma “charge” que, segundo elas, menosprezava o papel da mulher a um objeto sexual a ser visto e apreciado. Fiquei muito tempo pensando se deveria me abster da polêmica por ser homem e não ter “moral” pra falar. E também por correr um risco muito grande de ter alguma palavra mal interpretada por elas ou equivocadamente ser interpretado mau. Mas decidi escrever pois as minhas amigas merecem o meu apoio e se eu por acaso cometer algum deslize será ótimo ser corrigido para melhorar como homem e como pessoa.

Ultimamente o país está numa dualidade crescente, aguda e intolerante. É coxinha versus petralha, neoliberal versus comunistinha de merda, ciclistas versus motoristas, imigrantes que chegaram um século antes Vs. Imigrantes que estão chegando só agora, evangélicos versus religiões afrodescendentes. Enfim, e tem os machistas versus as feministas.

Deixando as discussões políticas infindáveis de lado, o fato é que por muitos séculos as mulheres tem feito parte de uma minoria oprimida e ultimamente tem se unido e se levantado contra os abusos da classe masculina dominante em busca de condições de equidade e justiça. É um tanto perturbador ver uma menina de 10 anos sendo “proibida” de andar de skate, ou um garoto não poder brincar de boneca ou de “casinha”. Isso vai propagando e perpetuando estereótipos ultrapassados e que, em um mundo paralelo, já é coisa do passado.

E esse “mundo paralelo” é a escalada. Quão felizes somos nós, escalador@s, ao poder dividir nossas atividades com outras pessoas, sejam elas do gênero que forem, nasceram ou escolherem ter! Um leva as costuras, o outro a corda, sem divisão inequívoca de gênero. Ceder o casaco a alguém não pelo gênero, mas porquê a outra pessoa está com frio e eu não. E da mesma forma receber, porque não? Dar a vibe pra pessoa guiar uma via, botar um costurão no crux, não porquê é mais fácil com costurão, mas por saber que é aquela ajudinha psicológica que vai fazer aquela pessoa ter um dia maravilhoso de escalada em vez de um dia frustrante. Quantas vezes EU, homem, hetero, calcasiano (HHC) não fui julgado por estar comendo, ouvindo ou fazendo algo “de menina”? Eu fico é inconformado. Como se fosse pejorativo, depreciativo fazer algo como uma garota. As vezes é por isso mesmo que eu faço. Apesar de estar numa condição “favorável”, todo esse levante feminino em busca de seus direitos, quebrando paradigmas e desconstruindo falsos mitos acerca de sua condição na sociedade me faz sentir orgulho de ter amigas mulheres, tão fodas e mais fodas do que eu. Exemplos de perseverança, luta, trabalho, choro engolido, cabeça erguida e bola pra frente. Coisa que Eu, HHC muitas vezes não consegui ser ou alcançar – na vida e na escalada (e nem tinha porque conseguir tudo, nem de uma só vez: eu sou um ser humano normal creio eu). As vezes eu vejo a Tetê, a Bia, a Bianca, a Janine, ou até recentemente a Anne Elise escalando e penso: CARALHO, eu queria escalar que nem essa mina! E quanto mais a gente viaja, mais a gente conhece gente como a gente e gente como elas. Gente que respeita os outros. Gente que luta pelos seus direitos. Gente que interrompe comportamentos, piadinhas e atitudes misóginas. Que dá uma aula de cidadania, e que mostra que um novo modus operandi é possível e já está em prática em cada microverso que se conecta e vai aumentando.

Lynn Hill - Primeiro ser humano a escalar a

Lynn Hill – Primeiro ser humano a escalar a “THE NOSE” no El Capitain – Yosemite, em livre! E depois voltou lá e repetiu, em um dia!

E a escalada é um graaande conector desses pequenos multiversos que aos poucos vai se tornando o UNIverso dominante em que você não é desrespeitado pela sua cor, gênero, descendência, ou sotaque – e pasmem – Tampouco pelo grau que você escala! Quanto mais você viaja, mais você expande seu universo, conhece gente maravilhosa de tudo quanto é tipo, outras culturas, e de repente, em tanta diversidade, você encontra a unidade, um fio condutor que é presente em todas as culturas. Do nordeste ao Sul, do Brasil à Espanha, por mais diferenças que existam, existe um minimo multiplo comum. Seja nas casas ocupadas por comunidades inteiras de ciganos e marroquinos unidos em Madrid, seja nas pizzadas da engenharia ambiental em São Carlos, nas festas de HipHop na perifa em São Paulo ou nos encontros de escalada em Quixadá, Bocaina ou em Arcos: Mulheres são tratadas como devem ser. Como seres humanos iguaizinhos. (tem vários outros aspectos em comum em todos esses ambitos, mais pra frente eu comento outro). E é assim com cada outro ser humano nestes recintos. Respeito ta ligado? Não existe uma objetificação. E não precisa dizer que é porque sua mãe, sua irmã são também… Elas merecem respeito porque são seres humanos e para por aí! Já seria o suficiente para que ganhassem igual homens, tivessem jornadas de trabalho igual homens – mas em pleno 2015 temos mulheres ganhando menos que homens assumindo a mesma posição ou cargo. Já seria o suficiente para que fizessem o que bem entenderem com seus corpos, mas essas mulheres ainda tem que aguentar um bando de velhotes xiitas (maucomidos reprimidos arrogantes corruptos) dizendo agir em nome de um livro criado uns 800 anos atrás dizendo que tem um Deus que te proibe de fazer determinadas coisas com seu próprio corpo. Aham, ta bom, senta lá cláudia. ¬¬

Eu venho de um âmbito que num primeiro momento pode parecer machista (e deveria ter sido): um curso de Engenharia na USP. Mas felizmente na Ambiental sempre predominaram esses movimentos coletivos, culturais e ambientais ditos “alternativos”. Foi ali onde aprendi a ver com estranheza os homens dos outros cursos  (e alguns do meu próprio, minoria felizmente) objetificando e contando mulheres como quem conta dinheiro, minimizando, oprimindo e descaracterizando-as. Hoje, depois de mais de 12 anos de ingresso na universidade (e 5 de egresso), vejo que a escalada em nível mundial, assim como o movimento estudantil de outrora até hoje, leva no peito a vanguarda desses movimentos, dessas lutas. Pois o espírito da escalada é ser livre. É não oprimir, é dialogar e compartilhar. Somar e construir juntos.

Enfim, tudo isso é importante primeiro porque é natural – esse patriarcado moderno artificial e capitalista, porque não dizer? tomou lugar do que antes eram as chamadas comunidades matriarcais onde aquelas que pariam os novos rebentos é que tinham direitos e regalias por garantir e suprir a sobrevivência da espécie. Esse encontro com o natural do ser humano traz harmonia para a convivência, onde não há melhores, piores, dominantes nem dominados. E isso se torna ainda mais evidente quando eventualmente saimos do nosso universo de escalada no qual já estamos um pouquinho a frente do nosso tempo nesse sentido de equidade de gênero, mas ainda temos de ouvir que:

  • “Eu não vou escalar de fim de semana, o que o meu namorado iria pensar?”
  • “Ir pro mato com um bando de homem, vou ficar mal-falada!”
  • “Eu não consigo, é coisa de homem né?”
  • “Eu não tenho força na mão pra subir igual vocês”

Pior é ouvir a menina dizendo que quer, que acha que consegue, e a mãe ou a tia (pra não dizer da tristeza que é ouvir de pai, tio, irmão, namorado, etc..) desencorajando a pessoa a fazer algo que a faria muito feliz, e provavelmente se daria muito bem.

E aí, quando a gente vê um desenho em que uma mulher é retratada como um objeto, pejorativamente, depreciativamente, realmente, da uma queimada no nosso filme… (d@s escalador@s e dos homens). Mas tudo bem, acredito que todo mundo tem o direito de errar e se corrigir, “quem nunca” não é mesmo? Mas aí, sabe aqueles pontos em comum entre os movimentos sociais/culturais/escalacionais de madrid, de São Carlos, Quixadá, Arcos e Sampa? Pois é, outro muito importante é o Diálogo. É abrir-se para a crítica, é colocar-se no lugar do outro, é ter a humildade de admitir que errou, ou justificar pelo menos o erro – e retratar-se, porque não? E se não errou, justificar seu ponto de vista e defender sua visão. Parece que não teve isso também no caso da polêmica, uma pena. Eu acredito na redenção das pessoas, mas… elas tem que fazer por merecer também né? Três avemarias não garantem seu ingresso no céu, aqui no mundo real!

Pra finalizar, garot@s do meu coração, não se deixem abalar, o que vocês (nós? se vc´s me permitirem) estão construindo é maior, tem base sólida e não se abalará por qualquer murmúrio. Sou mais vocês e vocês me representam ❤

PS – Confiram o discurso do primeiro ministro inglês quando perguntado porquê ele tinha colocado 50% das cadeiras do parlamento de homens e 50% de mulheres: