As melhores fendas do Interior Paulista

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Ahhh eu adoro essas fotos de equipos em pé de via!

Não é que escalada móvel seja a minha favorita. Mas eu diria que eu gosto tanto de escalar, que não escalar em móvel seria me privar de muitas vias maravilhosas. E eu não gosto muito dessa história de ficar me privando de alguma coisa. Então a escalada em móvel se tornou algo corriqueiro. Antes uma brincadeira, agora um acessório tão trivial quanto uma costura ou uma corda, são as peças móveis. Mas tem gente que pira nessas pecinhas de proteção móveis mais que na escalada em si (e aí arranja treta pra tudo que é lado kkkkk). Mas enfim, não vou polemizar pq não agrega ao contexto, mas que tal falar sobre escalada?

Manoo! Andei escalando umas vias incríveis em móvel, que você não tem noção. Coisa de filme mesmo. Até o mais apaixonado por chapeletas vai ficar com gana de botar a mão num joguinho de camalots e subir essas vias. A maioria delas fica no Pico do Mané, mas cá entre nós, há fendas incríveis no Cuscuzeiro e na Invernada também (e até na caralha). Até alguns anos atrás, quando se falava em via móvel no interior, só se falava em Irish Jararaca no Cuscuzeiro, que digamos que é a mãe de todas as vias móveis que vou citar. Não incluí ela pois ela já foi repetida trocentas vezes, já tem sua fama, e eu queria falar de coisa nova. Vamos lá? Numa ordem não muito aleatória, cuja sequência respeita um critério subjetivamente intrínseco e desconexo.

1 – Fenda perfeita do nome Perfeito. 5Sup – Pico do Mané, Franca

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Biaoncê divando desfrutando das fendas do Pico do Mané

Uma das menores vias da lista, mas também uma das mais bonitinhas. Uma daquelas vias pra se aprender guiar móvel. Colocações a prova de bomba, num arenito bastante sólido (apesar de fraturado, não esfarela). A fenda transcorre por um diedrinho e permite a colocação de peças praticamente a qualquer momento, quantas quiser. Começa com peças menores tipo um camalot #0.4 depois aumenta, diminui, tem fenda horizontal, vertical, aceita Nuts numa boa em vários momentos, camalots, e ainda tem um lancezinho “maroto” pra chegar na parada pela direita. Incrível, daquelas pra se fazer estreando peças, sapatilha, cadeirinha, fazer no fim de tarde só pra não passar em branco. Uma via feliz, diria eu! Ela tem uns 15m e fica pra direita da “Epopéia” e pra esquerda da PugliRocks, duas clássicas do setor da chegada. A parada são duas correntes discretas pra direita da árvore, não é na árvore! Ah, e o melhor, sombra depois das 15hrs, o que é muito importante lá no Mané!

2 – Abrindo Horizontes, 7a/b – Pico do Mané, Franca.

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hummm fendinha ishpertaaaa…

Essa é massa! (ah vá?!) Entre o setor da chegada e o setor da Tesão. É um diedro fendado com uma saída boulderística alucinante! Depois vai super de boa até o final do diedro, e toca mais uns 10-15m até o top. Tem duas chapas na segunda metade pq os blocos soltos não inspiram confiança, e da pra melhorar o ultimo lance com um camalot #2 ou #3. Tem 25m, sombra no diedro depois das 2 ou 3h dependendo da época do ano. Por representar fazer força de crux de 7b explosiva logo de cara, já é um filézinho. Ah! E foi a primeira via em móvel oficialmente que existiu no mané, daí o nome. Antes só a “Ph na cabeça” que tinha uma passagem em móvel no meio, mas é mista. Lembro que no dia da conquista “debaixo pra cima” eu levei tanta peça, tipo, 3  jogos de nuts, e 2 jogos completos de camalots, que eu pesava vários kilos a mais e achei super hard. Aí quando entrei pra cadena só com as peças que eu sabia que ia usar, tipo umas 8, nossa, foi lindo, vuei no move! kkkkk #fikdik 😉

3 – Sexo, Sangue, Suor Lágrimas e Gritaria, 7b/c – Invernada, São Carlos

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Comecinho delicado, final negativo de agarrão. Fenda no meio! Sensacional!

Ahh, essa é meu xodozinho. E também a vovózinha da lista, com praticamente 6 anos de existência (contra praticamente todas as outras que tem tipo, 1 ano no máximo). Essa é uma das vias que eu mais repeti, e sempre que repito adoro e fico com vontade de fazer de novo. São 25m de pura escalada. Uma via mista aqui no quintal de casa. Começa com um 7b incrível técnico de 3 chapas, depois clipa mais 2 fáceis e entra na fenda. Eu protegia com 2 peças mas agora tá tão decorada que eu ponho só um TCU roxinho equivalente ao camalot #0.4 ou .5 e vou pro descanso, ponho um #0,75 e entro pro lance do crux, que é protegido por 2 chapas, e pra ir pra parada rola proteger com um camalor #3 ou #3,5 ou um camalot #0.4 um pouco mais alto, e já era. Recentemente abri uma variante pra esquerda com chapas que não passa pela fenda e toca pra esquerda, chamada “Foguete cubano”, e já fiz a variante Sexo Cubano, que faz a fenda e do descanso toca pra Foguete cubano. Incrível, técnica, negativa, com agarrões, delícia de via! Tem uma permadraw no meio da via pra vc passar sua corda quando estiver rapelando para conseguir limpar as primeiras chapas, se não fica bem dificil devido à inclinação da via.

4 – Flertando com o Teto, 6sup – Pico do Mané, Franca.

Flertando com o Teto!

Flertando com o Teto!

Ahhh, essa foi uma das vias que mais deu trabalho pra abrir. Duas caçambas de blocos soltos, de terra, e muita faxina foram necessárias para transformar um aglomerado de pedras soltas em uma via móvel perfeita, de 25m protegivel do chão até o top. Um diedro com aquelas fendas dos filmes americanos, perfeita, em que vc não precisa nem conferir a colocação, enfiou o camalot, clipou a corda e tocou embora (mas confira sempre suas colocações, ok?). Um pouco técnica, requer uma certa logística devido ao grande teto, se não, rola um arrasto na corda monstro. O ideal é ir com uma corda dupla, ou, tal qual como nós fazemos na Lamúrias de um Viciado lá no Cipó: Vai encordado com as duas pontas da corda. Quando chegar no segundo platô antes do Crux e depois da Chaminé clipa umas 2 ou 3 peças redundantes com a corda que não tinha sido clipada em nada e desencorda da corda que vinha sendo clipada nas proteções sob o teto e na chaminé. Ou então abusa dos costurões de 1,20m e aguenta o arrasto da corda. Uma via pra ser fotografada e repetida. Em breve volto lá pra abrir a continuação, é só o Sol baixar! Leve uns camalots #0.4 repetidos para o começo, o #1 repetido para o teto e o crux antes da parada, além do resto do jogo completo que vc vai usando ao longo da via. No meio vai uns nuts, tricam, usei até um X4 amarelinho pra sair do diedro e montar no platô (peça móvel pequena). Ah! Como a maioria das vias no mané, ou chegue cedo (Tipo 6:30/7h) num dia frio, ou espere pra entrar nela depois das 3h da tarde. Destaque para a Rê Leite e a Mel de São Paulo que ajudaram a fazer a funça com a maior paciência do mundo e deram muita seg, escalaram a via varias vezes comigo e limparam impecavelmente a primeira metade dela, de onde sairam várias carriolas de terra e blocos soltos.

5 – Diedro Ainda sem nome, 7a/b – Cuscuzeiro, Analândia.

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A fenda nova no Cusco!

Essa é nova no Cusco. Tal qual na “Flertando com o teto”, o Beto também ficou meses wagnando e faxinando a fenda do diedro do qual rolaram várias caçambas de terra e blocos soltos. E abriu uma das vias mais espetaculares do cuscuzeiro. São 35m de via móvel, interrompidos unicamente por uma parada intermediária pra meiar o rapel de quem vai com corda menor que 70m. Uma escalada alucinante daquelas que você tem que desligar a chavinha do medo e tocar pra cima. Não porquê da medo, mas porque não precisa! As quedas são limpas, as colocações são bomba mas são do tipo “Só pra não morrer, não pra pagar o lance com a peça no peito”. Tem hora que é melhor não proteger mesmo e sair tocando pra cima pra chegar logo no agarrão. Sempre tem encaixes bons pra dar uma respirada, agarras boas, lances de diedro com pé chapado, muita técnica de oposição, incrível – mas o Psico pega!!

Leve um jogo de Camalots, Nuts vão muito bem. Tricams entram onde nada mais entra, e MicroFriends tipo X4 ou Aliens protegem lindamente lances cruciais – Nuts pequenos tbm. (e um rolo de papel higiênico pra por na cabeça)

6 – Vulva Alada, 6sup/7a – Pico do Mané, Franca

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Olhando de longe e de frente: Claramente uma Vulva Gigante!

A história dessa via é uma das que eu mais gosto e também a mais “novinha” da lista. O Wagner tinha acabado de abrir a trilha que liga o setor antigo ao setor novo no pico do Mané lá em Franca (Patrocínio Paulista na verdade). Foi no dia que abri a “Vida Loka” que passei por ali só pra conhecer a trilha do setor antigo para o setor novo. E quem escala sabe. Você não faz uma trilha num pico de escalada olhando pro chão. Eu pelo menos vou brisando: Olhaaaa, da pra abrir via ali, e ali, e ali, acessa por ali, bate um top, humm, ali tem que rolar bloco solto, humm. e vou analisando né? E assim foi com a Vulva: Amor à primeira vista. Lembro que a primeira vez que a descrevi pro Guilherme eu a descrevi como: Um diedro bem aberto com umas pranchas de surf que saiam bem do meio da fenda. Digamos que me apaixonei instantaneamente pela linha da via. Estava ficando um feriado de 4 ou 5 dias lá e como o setor tem de fato sombra até meio dia, cheguei com a Carol de Franca logo cedo (tipo as 7h) no pico, mas ao sinal da primeira chuvinha ela vazou e eu fiquei lá, com o pico inteiro só pra mim hehehe E o mais incrível: a única linha seca era a Vulva. Ahhhh, não tive dúvidas. Comecei a conquistá-la em livre em solitário até aproximadamente 2/3 dela, quando cheguei nuns blocos soltos meio medonhos. Puxei a furadeira pra cima (que estava preparada no chão só esperando pra eu puxar através de uma corda que eu levava retinida (também conhecida como “a outra ponta da mesma corda” kkkkk) e pendulei pra direita numa aresta, e continuei a conquista da “Cavaleiro Solitário” debaixo pra cima em livre. Esse dia ficou nublado o dia todo, então pude trabalhar até o fim da tarde sem tostar no sol, e, ao final, escalei na auto-seg a cavaleiro e marquei todas as proteções, e finalmente furei. No dia seguinte voltamos lá e através da Cavaleiro Solitário o Wagner fez cume, bateu vários Tops e pudemos abrir a “Na natureza Selvagem”, uma via Amaaazing em face que tem praticamente 30m em móvel com apenas uma chapa pra proteger a saída – Via do Wagner e do Eliel “jah”. E eu com o Juliano Engler pudemos abrir a Olho do Tigre e a Terra do Nunca, pra esquerda da Vulva. Ainda nesse dia abrimos (O Juliano, Wagner, Jah e eu) a Independência ou Móvel, uma via mista de 25 ou 30m incrível também.

Pois bem, voltando a falar da Vulva, uns 15 dias depois  voltei pra Franca e com uma galera massa que escala de meio de semana, pude finalmente bater o Top da Vulva e descer rolando todos os blocos medonhos que tinha no final do diedro antes do tetinho (ainda falta um, bem no final do teto, já pra cima dele: cuidado!). E finalmente, uns 2 dias depois ainda em Franca com essa galera que escala em meio de semana (Santinho, Jayme, Jah, Rê), pude finalmente mandar a Vulva Alada. Foi incrível. Abusei dos costurões, das proteções, em vários momentos você tem que trabalhar na oposição bem no meio, é sensacional, é escalada bonita, bem protegida, incrível! Detalhe para o tricam preto ❤ salvador que protege bem a passagem do Crux onde nenhuma outra peça conseguiu proteger. E aí pra acabar muitos agarrões, virada de teto com agarras, e “easy-terrain” até a parada, sempre com boas opções de proteção. Incrível! E nesse setor pra quem curte, da pra fazer a continuação da “Olho do Tigre, 6º” em móvel até a parada da Vulva, é a variante “Olho do lixão” facinho tipo 4Sup, e a continuação da “Terra do Nunca, 7a/b” em móvel até a mesma parada: Pensamentos Felizes, também sem muitas variações no grau desse finalzinho, não passando de 4sup.

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Depois de alcançar o Top da Cavaleiro solitário, fixei a corda, desci limpando a fenda, subi marcando as proteções da cavaleiro e desci furando. Ao fundo, a Vulva e sua fenda. Na esquerda a aresta da Terra do nunca.

Bem, pra ela você pode levar um jogo de nuts e um de camalots que ta tudo certo, mas não se esqueça de deixar os Camalots #2 e #3 para o final, e algo semelhante ao Tricam preto #0.250 pra proteger o crux bem no bloco que parece solto mas não solta. Escale em 3d e não esqueça de tomar cuidado com o bloco solto que está acima do teto!

7 – Vida Loka, Parte 1 – Pico do Mané, Franca

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Essa Fissura bem no meio da parede é a Vida Loka. Os cactus lá no meio deram trabalho pra desviar: Marimbondo pra esquerda, bloco solto pra direita!

Nossa, essa foi incrível também. Uma fendona de mão perfeita (leve uns 3 camalots #2), negativa, que na hora que eu vi (e o wagner tinha me alertado que quando visse ia querer fazer isso mesmo) já entrei conquistando debaixo pra cima na moralzinha. Mas tive que artificializar uma parte que eu acho que “vai dar crux”, acessei um platôzinho pra direita depois do final da fenda, desviei de Cactus, blocos soltos, estiquei horrores desde a última proteção (ok, horrores não vai, uns 3 ou 4m com direito a pêndulo desagradável), protegi numa fenda perfeita que também é agarra que me possibilitou pagar o lance em face e fugir de outros blocos bem soltos num momento que eu estava começando a ficar desesperado pois não queria subir neles (foi lindoooo aquela colocação do TCU verdinho, lembro como se fosse hj, saí do diedro sujo e cheio de cactus e entrei num lance de escalada em face mais exposto e senti o vento batendo no rosto, foi libertador rsrs). E então toquei mais uns 10 ou 15m através de um diedrinho fácil, acessei um platôzinho, subi numa geladeira que não está mais lá, e armei uma parada em móvel a prova de bomba e puxei a furadeira pra bater o Top. Então desci rolando blocos mil, que levaram consigo Cactus, terra, e aproveitei pra furar pro lado esquerdo o Top de uma clássica do pico, a “O Pianista”, que leva o nome devido ao Piano que o Wagner rolou pra baixo do meio da via.

Infelizmente não tive mais oportunidade de entrar lá e tentar mandar a Vida loka! Chama-se parte 1 porque tem claramente uma continuação fácil, em móvel lá pra cima, que vai se chamar Vida Loka parte 2 😉

Enfim! Essas são as minhas fendas favoritas aqui no Interior. Lá na falésia da Caralha também tem uma, a “Para o Beto com carinho”, um 5sup tranquilinho com cara de campo escola também todo em móvel. Mas quando eu soltar o croqui oficial do Pico com os betas de como chegar no pico e talz, aí eu falo sobre ela.

Ah, lembrando que apesar das fendas perfeitas, o Pico do Mané é um pico esportivo, com aproximadamente 70 vias contando as variações e links entre vias , das quais praticamente umas sei lá, 55 são com chapas. Ah, e pra quem quiser fazer uma via mista pra aprender ou pegar mais confiança nas colocações móveis, a Mosquitos no Cuscuzeiro é uma via esportiva com chapas mas que da pra ser feita em móvel. Assim, você pode clipar as chapas e colocar os móveis pra ir se costumando e aprendendo a escalar em móvel, ou se vc já sabe, só pelo lúdico =).

PS1 – Só pra não virem me xingar, São Bento e arredores não entrou na lista pq não considero ali como sendo “interior” do estado, uma vez que é um dos picos mais pertos da Capital, e eu entendo que ali é o mainstream de escalada no estado, tanto de boulder, quanto trad e esportiva. Logo essa lista é mais pra ser “alternativa” mesmo. Divirta-se =D

PS2 – Ainda que no Mané tenha muitas fendas, é em Mineiros do Tietê onde eu vi o maior potencial para escalada móvel da região com inúmeras fendas por setor. Acesso ao Cume fácil pra rolar os blocos, e sombra ou antes, ou depois das 13hrs dependendo do setor. Em breve voltaremos lá! Lembra quando eu postei essa foto aí embaixo, lá de Mineiros?

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Abrindo a primeira via do pico…

E o primeiro de Abril?

Dessa vez não é pegadinha, esse pico existe, as vias estão abertas e essa foto é só 10% da parede escalável. (e metade das vias abertas)

Dessa vez não é pegadinha, esse pico existe, as vias estão abertas e essa foto é só 10% da parede escalável. (e metade das vias abertas)

Bem, muita gente deve lembrar que ano passado rolou uma comoção geral por conta da minha pegadinha de primeiro de Abril. Muita gente veio tirar satisfação no pico, que não gostou nada da brincadeira. Pra quem não lembra (o post está aqui), fiz um post fake dizendo que haviamos descoberto uma suposta falésia aqui em São Carlos, contei toda a história de como achamos o local e desenvolvido até então as 17 vias negativas do pico. Fiz até um croqui fake sobre uma foto de uma parede podre real que havia tirado numa das nossas buscas por paredes novas na região. Mas era tudo mentira e todo mundo acreditou hahaha Devo confessar que dessa vez eu me superei, pois como vc´s sabem, a zueira não tem limites. Teve nego de fora ja me ligando se programando pra vir conhecer o  pico novo no próximo feriado, gente criticando a grampeação, gente parabenizando enfim, o bagulho deu o que falar. Mas o meu intuito foi alcançado, porém não sabia eu que de maneira tão contundente. Queria eu dar um chacoalho na galera que se ninguém ajudasse a procurar picos de escalada novos, continuaríamos sempre na mesma de ir pros mesmos Cusco e Itaqueri de sempre. E de lá pra cá muita coisa mudou!

Primeiro que a correria com os trabalhos aqui na Quero Escalar nem me permitiram fazer uma pegadinha esse ano (esse post era pra ter sido no primeiro de Abril, então vai vendo a correria). Segundo que agora temos mais 3 picos novos em andamento. Um deles com potencial para se tornar o maior polo de escalada do interior paulista em poucos anos. As chapas estão indo que nem água. Em virtude das conquistas e das viagens vieram dois apoios importantes: da maior e melhor marca de chumbadores e parabolts da América Latina, que é a Âncora Sistemas de Fixação e de uma das melhores e mais confiáveis marcas de mochilas do mundo, a Osprey, através da representante aqui no Brasil, a Bronet do Brasil.

Boulders Incríveis em Franca!

Boulders Incríveis em Franca!

E de repente, lá em Franca junto com o Xerife local, o Wagner, começamos a abrir as primeiras vias numa parede estranha, um arenito que eu não estava acostumado. Era o começo do Pico do Mané: um fds inteiro pra abrir uma, duas vias (também pudera, parede de 60m, abrindo vias de 30/35m, queria o que? Aqui escacalamos antes pra ver onde ficam as melhores proteções, pra via ficar segura). Mas era  legal, mesmo que o pico ficasse com tipo, 10 vias, tava ótimo! Não tínhamos idéia do potencial do pico no começo. Só íamos lá curtir a parceria, o climb e a abertura de vias. Só que hoje o pico conta com 43 vias e contando. O potencial é absurdo. Com parede de 60m de altura e quase 1km de extensão o potencial é por baixo, para umas 300 vias. Vias esportivas com grampeação segura padrão IFSC (daquela que vc pode entrar mesmo estando acima do seu grau que vc não vai morrer – só isso já é polèmica para um post inteiro tem gente que gosta de correr risco de vida qdo ta escalando: nas minhas vias esportivas não!). Vias móveis com fendas perfeitas no melhor estilo Indian Creek que provavelmente vão chegar no cume. Tetos com agarrão. Um arenito duro, cheio de agarras, coisa que eu, escolado em Cuscuzeiro, Itaqueri e Invernada – expoentes do arenito aqui do interior – ainda não tinha visto igual! Rapidamente a comunidade escaladora de Franca cresceu, o Wagner, o Eliel bactéria “Jah” e a Renata Parreira com o apoio do Everton da academia de escalada Enjoy Climb & Fitness fundaram a AFER – Associação dos Escaladores de Franca e região. Hoje o pico conta com alguns Boulders super legais também, uma cachoeira a 5 minutos, outras paredes com bastante potencial nos arredores e muita, mas muita rocha pra abrir via.

E de repente os amigos de Jaú/Bauru Leo Franceschini e Marco Curi, junto com o Artur Teixeira de Ribeirão Preto (da Moountain) descobriram um lugar de fácil acesso na beira da rodovia que os antigos escaladores de São Carlos sempre conheciam por “não ser bom pra escalada” pela qualidade da rocha. Mas ninguém falou que não era bom pra boulder – e então limparam vários blocos e abriram vários boulders incríveis, deixando em aberto pra gente poder continuar o trabalho. E eu, que nunca fui do Boulder, pirei na modalidade no último OuroBoulder lá em Ouro Preto. E comecei a colar nesse pico pra fazer boulder, que tem como característica uma formação rochosa de formato fálico muito curioso, que rendeu o apelido ao pico: Caralha de Brotas.  E de tanto ir lá, de repente comecei a flagrar que a rocha não parecia tão ruim assim. Aliás, é o arenito mais duro de todas as 5 falésias de arenito que este post comenta. Hoje já são 5 vias na Caralha (5º, 6º, 7a e 7b e a normal em móvel de acesso ao cume, um 4º grau) e mais 4 vias incríveis numa das falésias ao lado. E já achamos mais um monte de blocos de boulder esperando pra serem limpos e escalados, e várias paredes com vias pra serem abertas.

E de repente os locais de Itirapina, através da figura do Murilo e a Vanessa da Academia Atitude, o Eduardo Santini, o Stélio e o Romário (o Bruno tava viajando) deram um puta gás num pico onde eles junto com o Animal daqui de São Carlos haviam aberto algumas vias uns 5 anos atrás. É o pico do Colorido, onde estão saindo bastantes vias fortes, na sombra, abrigadas da chuva, onde a meu ver está o next level da escalada Hard aqui no interior. Tudo oitavo grau até embaixo dos tetos, e as continuações estão lá, esperando pra serem abertas passando pelos tetos. Muita coisa promissora naquela Falésia também!

Claro que enquanto isso teve conquistas no Cuscuzeiro, Itaqueri e na invernada. Mas não é incrível como a união da galera, atacando em várias frentes trouxe um progresso de maneira exponencial para a escalada “local”? Entre aspas porque Franca está a 200km de São Carlos, mas tudo aqui é arenito, e interior. As prospecções não param, estamos de olho em outras falésias. Não pretendo abrir 100 vias em todas, mas abrir algumas vias e catalogar e divulgar, soltar um croquizinho já deixa o gancho aberto para as futuras gerações que vierem na nova leva de escaladores levarem o pico adiante, tal qual foi com a gente outrora! É muito bacana ver essa evolução, a sensação de estar escalando no “quintal de casa” em um pico diferente dos mesmos já batidos Cuscuzeiro, Itaqueri e Invernada é impagavel! Só falta agora aquele campo de Boulder com 400 blocos de 8m de altura com negativo num terreno plano e de fácil acesso hehehe Bem, eu sonhei antes, e to vendo rolar, sigo sonhando! =D

Trabalho!

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Semana passada não teve post. Estive ocupadíssimo atualizando a apresentação do Curso que ministramos no CUME e em seguida preparando uma nota gigante que fez eu dormir uma média de 4 horas por noite alguns dias semana passada. Mas tudo bem, trabalho é bom, ocupa a cabeça e faz a gente focar nossa atenção e energia em coisas úteis. Essa semana é pra finalmente chegar a importação da EDELRID aqui na Quero Escalar e aí sim todo mundo vai poder comprar sua corda, sua cadeirinha e muitos outros equipamentos de primeira diretamente do importador, sem intermediários, por preços justos. Essa sempre foi a idéia principal da Quero Escalar, fazer algo diferente, inovar pra crescer e é nesse caminho que queremos continuar batalhando.

Enquanto isso, não muito longe dali… (pausa porquê um sabiá muito simpático ta entrando direto aqui no escritório no quarto em casa na sede da Quero Escalar e fica cantando em cima do suporte da cortina. Outro dia dormi com a janela aberta e ele foi me acordar hehe

Enfim, semana passada e retrasada acumulei milhares de vídeos, vou desovar aqui alguns dos mais sensacionais. Hoje não vou postar as fotos da Marina na Visual nem seu relato, tampouco o texto do Cleber sobre corrida. Fica pra próxima. Esta voltando a idéia de traduzir aquele texto sobre capacetes. Enquanto isso: USE O SEU PORRA!

(Vai direto para o último vídeo se quiser um não-de-escalada mas com mensagem massa no final). E por onde começo? Ah, sim… que tal o Atleta Edelrid Killian Fischubber escalando na índia? Muuito massa o vídeo, o cara escala com uma fluidez daquelas que faz ônzimo parecer quinto grau (sem os gritinhos e chiliques adamondrianos).

E Falando em Edelrid, um comercial nada a ver, da JEEP, com um outro atleta patrocinado EDELRID com as costuras, todos os equipos verdinhos apostando pra ver quem chega primeiro no cume da montanha. Parece que ele escalou sozinho e não tinha seg nenhuma hehe mas é interessante. Se fosse por aqui a competição seria pra ver quem chega primeiro no chão, com o cara rapelando de freio 8 com uma cadeirinha da….. deixa pra lá! hehehe

Eu juro que não estou puxando a sardinha da Edelrid, masss… mais um hahaha dessa vez a N vezes campeã mundial de escalada Angela Eiter fazendo Boulder na África do sul. Provando pra vc´s o motivo de ter salvo o vídeo: O nome do Boulder é “in the middle of the Ass”. Estou perdoado?! hahaha Chek it out:

E como hoje estamos sem preconceitos com boulder, vai um muito legal de uma promessa do esporte, uma italiana de 14 anos com o pai mandando uns boulder sinistros.

Pra compensar a bouldericidade, uma via esportiva móvel no Rio, com o Flavio Daflon. Favor providenciar mais vídeos desses, grato! =)

Continuando no cenário nacional, um pequeno vídeo sobre a falésia que esvaziou o visual das águas de paulistanos, já que agora todos vão pro Paraíso! rsrs

E esse é pra vc que é um cagão que nunca cagou fora de casa e não sabe que sua merda polui, não sabe segurar esse cu e sai cagando em qualquer lugar por aí. Não faça no Pé de via de escalada pública o que você faz na privada! E trata de quando achar um lugar escondido, cavar um buraco de acordo pra encher (dependendo do caso preciso de um buraco de um metro e meio pra não transbordar) e OU enterra o papel bem enterradinho, ou leva embora. Para as meninas, não tem xororô, mijou, leva o papel junto, guarda na mochila. Não sou eu quem está dizendo, mas a associação de escaladores do Cipó. #tamojunto #bandodecagão!

E voltando ao cenário internacional, uma competição de verdade que a Adidas organizou num esquema mó dinâmico e empolgante para o público tanto leigo quanto escalador. (Alô RedBull, #FikDik)

E Aqui um dos picos mais legais da Espanha, na cidade de CUENCA. Daqueles que é mais fácil vc mandar um sétimo grau que um quinto, pq ali é tudo via dura pra caralho, OLD SCHOOL mesmo. Aliás, no Festival de escalada em Kalymnos que rolou no começo do mês, as lendas da escalada ao ser perguntadas como ainda mantém sua performance tão alta, responderam: “Because of the sof grades of the modern routes”. (Por causa dos graus moles das vias modernas – como se um 10b de hoje fosse um 10a de antigamente). Exemplo, em RED RIVER GORGE nos EUA o Adam Ondra decotou todos os 9a Francês pra 8c+ (de 11c pra 11b) que mandou a vista enquanto foi pra CUENCA e não mandou nenhum 9a a vista e capaz de ter precisado de mais de um pega pra mandar 8c+.

E pra finalizar, um video de um cara que eu não gostava mas agora eu adoro! O Edu Marin ensinando a como usar o Grigri. No curso no fds teve gente que me perguntou: “Mas sério que tem gente que não segura a mão na corda ou põe a mão na alavanca? R: É o que mais tem.. é só o que vc vai ver por aí. Show de horrores.” Vc sabe dar seg?

E pra finalizar, mais um do Edu Marin, com a Miss rosa Sasha Digiulian. Depois da treta com a Nina em Orbayu, acho que ela resolveu descer prum pico mais ensolarado e mandou um 11a (ou b?) do Dani Andrada na Sicília. Awesome!

E pra finalizar, um não de escalada! Muito massa, recomendo assistir!

E por hoje é só pessoal! Vamos ver se ainda essa semana posto alguma coisa, mas acho dificil! Tem muito trabalho aqui e muita coisa acumulando, mas ta da hora, enquanto a mente ta ocupada e não para, ta ótimo!

PS – Ah, e to fazendo um treino animal na cda, mandei um 8a que eu nunca tinha entrado, no segundo pega em itaqueri semana passada, depois de ter mandado um 7a, um 8a e um 8b equipando! =D Ahh muleke! Em breve falo mais sobre isso… ;P

Escalando na Serra da Canastra

Cachoeira na Fazenda Santa Bárbara

Lugar aprazível de se escalar!

É bem na bordinha, mas é canastra. Com os campos rupestres inconfundíveis na chegada do pico, e histórias sobre a nascente do São Francisco, a 80km de Franca, esse lugar que pudemos conhecer no último fds oferece um estilo diferente para os escaladores e conquistadores de plantão. Com uma super infraestrutura de recepção turística já estabelecida com área para camping, chalés e restaurante rural, o grande diferencial do pico é uma grande cachoeira muito bonita com poção e grande volume d´água. E a vontade do dono que escaladores venham aos milhares para escalar as paredes adjacentes à cachoeira, em sua propriedade particular.

O Potencial não é para mil vias, mas a beleza do lugar é encantadora e encontramos potencial para abertura de umas 30 vias, fora o que ouvimos dizer sobre os canyons próximos. Umas 20 vias de uns 20-30m que precisarão de alguma jardinagem e que ficam ao sol, com base boa e na sombra para o seg,  e mais umas 10 mais curtinhas de uns 10 ou 15m na sombra – ah, e com aparente possibilidade para escalada em móvel para uma linha ou outra. E ao lado da cachoeira aparentemente o filé. Com apenas um acesso seco a um platô que dá acesso à única via já conquistada, vai dar pra abrir mais umas 4 ou 5 vias a partir desse platô, mas não vai ser esquema Itaqueri confortável, na base do pico o dia inteiro. Enquanto oferece conforto e comodidade nos 15 mins de trilha em linha reta, no poção da cachoeira e pedras ao redor para deitar preguiçosamente, na hora do climb talvez precise de um poquinho de empenho, mas nada de outro planeta (como ficar em pé num platô ancorado enquando dá seg). Vários diedros negativos prometem escaladas fortes e altamente estéticas a menos de 20m da cachoeira, que forma arco íris praticamente todo o dia e os Urubu-Reis sempre vem dar uma olhada no que está acontecendo.

Acessando o platô de onde sairiam as outras vias

Escovando Acessando o platô de onde sairiam as outras vias

Convidados pelo Wagner de Franca que abriu a primeira e única via do pico (por enquanto), Ives e eu fomos conferir todo o potencial. No início ficamos um pouco decepcionados pelo acesso ao platô e muita parede molhada pelo spray que vem da cachoeira. Mas logo que começamos a escalar já animamos muito pois a rocha é dura pra caramba, com muitas agarras invertidas e muita técnica.

O Wagner pediu pra eu equipar a via, chamada Gritadores (que vocês imaginam porquê ao lado da cachoeira). Fui subindo, mas a via estava bem suja ainda, então dei uma de diarista e limpei todas as agarras. Agarrçoes cheios de terra e pézinhos chave com camadas de areia.  Tirei os moves, testei todos os blocos encaixados que nem respiram nem dão sinal de vida (mas impressionam) e desci. O Ives entrou e mandou seu primeiro FA, provavelmente a via ficou um sexto grau bem técnico. Você escala e o tempo todo ao lado da cachoeira e do poção, é só virar a cabeça que é tudo o que você vê, muito massa!

Escalada bem ao lado da cachoeira. No platô não venta como no começo da escalada, ainda bem!

Escalada bem ao lado da cachoeira. No platô não venta como no começo da escalada, ainda bem!

Depois ainda voltei ao top da via, bati uma chapa pra esquerda e alcancei um platô onde furei uma parada com a intenção de abrir outra via do lado, mas ficamos de saco cheio ficou escuro e tivemos que abandonar a missão. Fiquei com muita vontade de conquistar os diedros e arestas negativos pra esquerda da cachoeira. Mas principalmente de desenvolver os setores menores pra esquerda que aparentemente vai ter vias entre 10 e 20m na sombra com rocha boa. O setor mais alto fica no sol, mas até compensaria pois em alguns lugares até 1/3 da via ficaria na sombra, incluindo o seg. É longe pra caramba, (ok, só 80km) de Franca, uns 280 de São Carlos,  mas é tão bonito que compensaria ir de vez em quando, até com amigos que não escalam pra que eles façam as trilhas do lugar, acampem, deem um rolê no mato enquanto a gente escala =)

Nom fim do dia um selfie com a cara toda suja de poeira (uma camada uniforme) a mão regaçada, com os brinquedos e a metranca a TiraColo

No fim do dia um selfie com a cara toda suja de poeira (uma camada uniforme), a mão regaçada, com os brinquedos e a metranca a TiraColo

E a noite pudemos provar o maravilindo JK, prato típico Franquense que eu nem consegui mandar a cadena, tive que abandonar no meio apesar de ser deliciosissimo. No dia seguinte não tem fotos, mas voltamos pro Tremendal e tivemos a triste noticia que o dono da propriedade tinha pedido que gentilmente os escaladores tirassem as chapas das vias pois não estava morando mais ali por motivos de saúde e os escaladores vinham sendo confundidos com ladrões de gado e de café. É o cu da cobra, de cair o cu da bunda, mas mais um pico muito legal com nem 50% do seu potencial desenvolvido fechado porque está em “propriedade particular”. Escalamos a via que haviamos aberto em fevereiro quando estivemos lá pois era a primeira a entrar na sombra, e tiramos as chapas com a sensação de quem sacrifica um cavalo de que gosta muito. 😦 Escalamos pela última vez no pico e o Ives pode mandar seu primeiro 7b a vista, ah muleque!

Espero que os locais tenham a sagacidade e o poder de negociação com os proprietários para reverter a situação.  Ainda não recebi as fotos do domingo, então, finalizo com uma foto das paredes mais altas à direita da Cachoeira de sábado, que tem grande potencial. Valeu Wagner pela hospitalidade e por nos apresentar a este pico tão bacana! Em breve estaremos aí novamente!

Potencial do lado direito da cachoeira. Com a jardinagem certa vai ficar lindo!

Potencial do lado direito da cachoeira. Com a jardinagem certa vai ficar lindo!

Vídeos e a Polêmica da Nina e da Sasha

Os mano trad pira nas fenda chapeletada...

Os mano trad pira nas fenda chapeletada…

O post de hoje vai compensar a ausência com vídeos de encher os olhos. Qualidade gráfica, roteiracional e com direito a polemica!

Começando com esse vídeo em “Câmera Lentcha” de uma das etapas da copa do mundo de boulder, awesome!

O segundo é um spoiler pra quem quer mandar a vista a primeira via de 10c do mundo, Punks in the Gym. O cara vai narrando tin-tin por tin-tin todos os passos e “muves” da via.

Agora a polêmica Nina Caprez, que mandou um email pra Sasha sugerindo que não escalasse uma via de big wall (uma das mais foda do mundo) pois Nina e seu mino (Cedric Lachat) tinham planos de escala-la e iria ter conflito de interesses (e muita gente na parede ao mesmo tempo, o que poderia comprometer a segurança dela e da equipe). A comunidade e a mídia sensacionalista já caiu matando, mas entre as duas o que se notou foi um respeito e uma lógica de: É, se vai ta ocupado pq ela vai chegar primeiro mesmo, então eu vou em busca de outra via. Ponto pra duas, menos pra galera que fica jogando gasolina pra ver se vira treta e pega fogo hahaha. Leia aqui a entrevista da Nina em espanhol para a Desnivel, explicando que não foi nada disso que estão falando por aí de “treta”. Enfim, o vídeo nem tem nada a ver com a treta e sim do primeiro 11b (8c+) da Nina. Via linda, video bonito, com direito a 9a do Mino dela, o careca Cedric.

E quem passou pelas terras brazucas e nem deu um salve pros trutas foi a Mayan Smith Gobath, que por acaso encadenou aquela Punks in the Gym ali em cima, em 2012. Entrou, não falou nada, ninguém ficou sabendo e nem de mim se despediu. Nem arrancou chapas de vias alheias, nem criou polêmica, nem abriu via onde não podia. Deve ter lido esse post sobre “dicas para gringos virem escalar no Brasil” heheheh. No vídeo parece que rolou um certo pânico com os esticões nas croquinhas de nono grau da via Place of Happiness na Pedra Riscada, não conseguiram repeti-la em apenas um dia como era a intenção e no final nem acharam o fim da via pq não existia chapa pra guia-los no final dos rampões até o cume (mostrando que os superatletas patrocinados são gente também). Enfim, bom vídeo:

No final mas não por último, um vídeo da simpaticíssima Ana Stohr escalando uma via clássica que ficou muito famosa nos anos 80 (e aqui nos 90 quando chegaram as fotos) pelo movimento torcido em que se paga o crux. Movimento esse que inspirou e resolveu o final da uma via na lapinha, a Realidade da coisa, se não me engano, no setor da Savassinha.

E pra finalizar, um vídeo de um grande escalador Trad, mandando uma via com móveis colocados. Até aí tudo bem, mas aí um espertalhão veio “questionar” a autenticidade da cadena pq ele estava escalando com as peças postas, e isso “não vale” (hmpf… Juêi…). Aí ele responde (nos comentários do vídeo, confira) algo tipo: Fi, tava dando um relax com os trutas, aquele dia tinha uns manos que tambem queriam entrar na via mas não tavam muito confiantes nas colocação de proteções nesse grau, e mesmo que estivessem ia demorar muito ficar colocando e tirando toda hora, por isso deixei memo, e foi melhor pra todo mundo aquele dia no pico: todo mundo escalou, se divertiu e deu tempo de todo mundo escalar. Aí a discussão acaba tipo: Cri.. Cri… Cri…. Cri…. 🙂 (mas que não vale não vale kkkkkk) 

E por hoje é só! Ainda essa semana vou tentar fazer o post de Arcos, me mandem suas fotos!!

 

Falando sobre Proteções Móveis – Parte 1: Nuts, Hexentrics e tricams

Esse aqui é o primeiro Post não escrito por mim! Hoje o post é com um convidado especial do Blog, o Ives, que por causa de uma queda de mau jeito na trilha está tendo que dar um tempo dos treinos e por isso está saciando sua necessidade de escalada com leituras recomendadas….  Mas ele vai explicar melhor pra vocês! Vamos ao post:

Obrigado Genja pelo convite. É um prazer poder estar aqui no seu blog para falar com os amigos fãs da escalada. Como escalador aqui de São Carlos sempre acompanho seu blog para ficar antenado nos acontecimentos dos finais de semana de escaladas da Região, bem como das noticias que permeiam nosso mundo… Fiquem ligados, após o comercial voltamos falando de proteções móveis!

Esse mês utilizando o código QE#carna as costuras da Edelrid com R$50 de desconto! Mas corra, promoção válida só até o Carnaval!

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Inspirado pelo vídeo do Thiaguinho – o Chapaless (recomendo) no ultimo post do Genja – somado ao fato de eu estar podendo escalar muito pouco por causa de uma lesão no dedo – estou fazendo minha tarefa de casa sobre escalada. Assim, fui estudar as diferenças sobre proteções móveis….

Imagem

Brinquedinhos ! 😀

É claro, qualquer um que escala a um tempo sabe a diferença entre um nut e um friend! Mas, qual a diferença entre um camalot e um friend ? Um ball-nut e um nut ? Um C3 de um X4 (lançamento da BD  para 2013 – lindo) ? Além de quê, existem outras opções de proteções móveis: tricams, hexentrics, big bros, ATC’s e por ai vai… Para esclarecer essas dúvidas que eu mesmo tinha e apresentar essa variedade de equipos, vou tentar em algumas linhas explicar as diferenças básicas entre eles 😀 !

Basicamente podemos dividir as proteções móveis em dois grupos (ativos e passivos):

  • Proteções ativas: Não, não são camisinhas São esses, basicamente, o grupo dos camalots e friends. Em inglês são conhecidos por SLCD – Spring loaded Caming Device (algo intraduzível mas meio que traduzindo fica: Dispositivo com castanhas que se ativam mecanicamente por compressão através de molas #sóquenão). Diferenciam-se dos passivos, por possuírem em sua estrutura algum artifício mecânico, como no caso dos camalots, eixos e gatilho, ou seja, mudam de tamanho quando você puxa o gatilho, põe ele na fenda e ao soltar o gatilho ele fica parado no lugar encostando nas paredes da fenda pela ação da mola. Resumindo: O mecanismo do equipamento é responsável por pressionar o equipamento contra a fenda com o intuito da peça ficar bem colocada e firme. No caso de uma queda, o eixo principal faz uma força num sentido que ocasiona a rotação das castanhas de uma maneira que elas tentam “aumentar” a espessura da peça, distribuindo as forças igualmente nas castanhas que é transmitida às paredes da rocha através de atrito, e é isso que faz com que todo mundo veja com bons olhos esse tipo de proteção.
Friends: Os mais populares, mas nem sempre o mais indicado!

Friends: Os mais populares, mas nem sempre o mais indicado!

  • Proteções passivas: Funcionam por simples entalamento, não dependem de regulagens mecânicas. Exemplos:  Nuts, hexentrics, tricams e cordins com nós.
nuts

Nut entalado (bomba) !

Nuts: Bons, bonitos e baratos. Os nuts são a primeira aquisição de quem quer começar a escalar em móvel. Suas colocações são muito comuns, e seu principio de funcionamento é simples: Entale-o! Um jogo comum de nuts possui em torno de 10 peças (em geral do número 4 ao 13). Dica: Sempre é bom ter algumas repetidas, pois são as que mais se usa. Existem vários tipos: simétricos, assimétricos e curvos – a escolha dessa característica vai depender do tipo de fenda que você vai proteger: Há modelos que são melhores para alguns tipos de fendas do que outros. Materiais: ligas de ferro, cobre ou alumínio – o material muda a capacidade do nut em se aderir na rocha, os de cobre por exemplo deformam mais que os outros, assim a chance de sacarem é mais difícil; porém a resistência e durabilidade deles é menor. Em geral, os de ligas de ferro e alumínio são os mais usados. Dentre outros tipos, se destacam os micros, que é pra colocá-los em fendicas de nada, sendo muitas vezes só usado em escalada artificial (números 1-3 da BD), os outros números (4-6) podem ser sujeitados a quedas segundo o manual do fabricante.

Dr. House também usa Nuts!

Dr. House também usa Nuts!

hexes

Jogo de hexentrics

Hexentrics: Parecidos com os nuts, os hexentrics são uma alternativa muito útil de proteção. Porém, são mais difíceis de serem colocados, já que necessitam ser colocados em fendas paralelas. Entretanto, quando se consegue um bom entalamento, ficam muito estáveis. A característica hexagonal deles fazem com que ao sofrerem a tensão de uma queda, a força que faria eles “girarem” e sacar faz com que na verdade eles se travem ainda mais na fenda. Em geral, eles são colocados em fendas paralelas, e mesmo se eles se movimentarem, eles ainda são seguros devido ao seu formato. Foram muito populares antes da invenção dos friends.

Tricam colocado "dobrado" sobre a fita

Tricam colocado “dobrado” sobre a fita

Tricams: Em alguns lugares você pode encontrar esse tipo de equipamento classificado como proteção semi-passiva, semi-ativa e etc. Para não complicar, eu os coloquei no grupo passivo, pois em algumas definições não ter nenhum gatilho ou parte móvel faz com que eles sejam classificados como passivos. A forma de “meia-lua” dele se assemelha a uma castanha de um camalot e isso faz com que seu princípio de funcionamento seja exatamente o meio termo entre um nut e um camalot. Ele pode ser colocado igual ao nut convencional, simplesmente entalando-o. Mas o modo de colocação que o difere de seus amiguinhos, exige que você “dobre” ele por cima de sua fita. Dessa maneira, quando a fita for tensionada, ele ganha rotação (ou torque mais especificamente), o que faz com que ele sofra uma espécie de “expansão” tal qual a castanha do friend, só que com um mecanismo muito mais simples. Outra vantagem dos tricams é que eles podem ser usados em buracos, fendas horizontais, verticais, irregulares e off-sets além das fendas convencionais.

Entalamento de nó

Entalamento de nó

Entalamento com nó (tópico para mestres trad)É isso mesmo que você leu: Usar cordim com nó também funciona. Quando você está no final de uma escalada guiando uma cordada em móvel, já colocou todas as suas peças móveis e está esticando 10m e não vê a base da via, você vai querer ter esses tipos de truque na manga. Mas, isso entre a galera ficou um pouco mais na moda quando saiu aquele filme : The sharp end (recomendo). O princípio é o mesmo dos nuts, só que ai você tem que ter cordins de vários diâmetros: com 1, 2, 3 e etc nós nele para ficar mais largo e entalar, se necessário. Falando em cordins, existem situações na escalada trad em que pode-se laçar com um cordim (ou fita) uma raiz, galho, tronco, bicos de pedra, ou atém mesmo um buraco  em “U”. É só não cair… rs

Beto na Arena da Morte usando proteções em bicos de pedra. Serra do Cipó, G3

Beto na Arena da Morte usando proteções em bicos de pedra. Serra do Cipó, G3

Para finalizar esse post, algumas imagens mostrando alguns equipamentos citados no texto, ou alguns usos particulares de alguns deles. E na sequência alguns vídeos … 😀

 

 

Um tutorial da climbing sobre como usar nuts, muito legal!

Um vídeo do Cedar Wright e da Katie Brown malhando uma das mais famosas fendas de Utah:  Belly full of Bad Berries.

Vídeo do Timmy O’neil fazendo um Beat Box em Indian Creek, um dos melhores lugares do mundo para se escalar em móvel!

E pra finalizar, um excelente tutorial explicando mais ainda detalhes sobre os nuts!

 

Agradecemos a participação do Ives que hoje termina por aqui. (com meus pitacos, claro hehehe). Não perca o próximo post sobre proteções ativas.

E você? Qual seu tipo de proteção preferida? Ativa ou passiva? Eu Adoro um Threesome Tricam!

 

 

Vídeos com Charada

Alguém tem costuras iguais às dela? ;)

Alguém tem costuras iguais às dela? 😉

Provavelmente você pensou que era um post sobre um vídeo que tem uma charada. Hmmm.. não. Mas vamos lá, uma charada que tava todo mundo com saudades, mais os vídeos que eu achei que valiam a pena aparecer por aqui. Joguei uns 5 de boulder fora porque em uns eu dormi antes do final (mesmo eles tendo menos de 5 minutos) ou porque realmente eram a “pain in the ass” assistir inteiro. Anyway, vai lá:

Esse vídeo é um dos melhores vídeos brasileiros dos últimos tempos. Sem um começo meio e fim, porém com personagens que nos mantém presos ao filme, como é o caso do Tiaguinho de Porto Ferreira, vulgo preto! Ensinando os entalamentos de mão e falando sobre a escalada no Parque Nacional do Itatiaia. Ótimo filme, só achei que a última via ficou muito demorada, mas de resto, Show de buela!

E já que o assunto é granito, esse segundo vídeo é num parque que pra mim é o equivalente ao Itatiaia, só que na Espanha: La Pedriza. Com milhares de vias, tradicionais e esportivas e mais uma caralhada de boulder, o pico é muito frequentado pelos Madrilenhos que não têm uma Rodellar por perto (Coitados, tem que dirigir intermináveis 6 horas pra chegar lá, como o mundo é cruel não é mesmo?) então dirigem 40 minutos até este pico, que aos finais de semana lota (mas lota meeesmo) mas não de farofeiros, mas sim de pessoas que vão caminhar, escalar, fazer trilhas, boulder, passear, sem som ligado no máximo, sem farofada, sem a tigrada fazendo algazarra nem perguntando se os escaladores estão fazendo rapel hehehehe Ah! O vídeo é muito bom apesar de um angulo só de cima deixa-lo um pouco “Chapado”… talvez uma tomada um pouco mais atrás seria excelente pra dar noção da via… mas enfim, bom vídeo!

Esse vídeo é de uma via muito clássica nos EUA, a “Just do It” que foi o primeiro 9a Fr, 5.14d, 11c Br da “América” (só confirmo pq foi mesmo, tanto da do sul qto da central qto da do norte) e que impressionantemente na época, aberta em meados de 90, foi notícia quando um jovem talento a mandou em 97, tornando-se o mais jovem e um dos poucos a encadenar essa via mítica, um tal de Chris Sharma. Mas o mais legal são os franceses de spandex nas imagens da decada de 80 🙂 AH!!! E sabem porque o escalador aparece de toca? O Bruno Xibungo sabe!! Vide a última cena dele SEM toca no último minuto do vídeo hahahaha

E se você gostou do Silbergeier com a Nina Caprez (e não se apaixonou por ela, vai se apaixonar agora) vai adorar este vídeo dela fazendo boulder e algumas vias no meio do deserto Argentino. Sensacional. O detalhe é que ela não aparece escalando com o Cedric, mas com outro francês, o Mike Fuselier. Não que eu esteja insinuando nada, longe de mim. Aliás, legal o motivo pelo qual ela “aceitou” ir nessa trip hehehe Assista e comprove…

E se você acha que escalada é tudo igual e que a comunidade escaladora mundial é toda unida… bem… veja bem, pode até ser, mas com estilos diferentes, beeem diferentes. Eis aqui um vídeo EstadoUnidense de um campeonato de boulder, e podemos observar como eles transformam tudo num grande show, com a multidão indo à loucura com os botes insanos, as travadas de ombro e os movimentos dinâmicos…. Ah! E com o narrador e o comentarista: Mas o escalador pegou na costura no meio da via, pode isso Arnaldo? A regra é clara! Pegar na costura não pode. Então querrrr dizerrr que pegar na costura não pode? Não, não pode. Pegar na costura não pode não? Pode não…. Bom, pelo menos escalada ao contrário do ciclismo (e do futebol ) é um esporte de verdade né?! huahuauhaha

E o que tem rolado essa semana e eu não entendi direito foram duas biografias simultâneas do Tommy Caldwell, que está ha mil anos tentando livrar uma via no yosemite e ta empacado ali no meio. Sorte maluco! O primeiro não consegui embebedar aqui no blog, então foda-se vamos para o segundo:

E pra terminar um vídeo da Brooke Raboutou, que eu acho muito mais simpática que a Ashima. Acho que pq nunca vi a Ashima escalando, só fazendo boulder haahha Ou porque a Ashima parece que ainda tem 3 anos de idade pois nem fala direito ainda (tem 11), enquanto a Brooke já é toda falante e desinibida, (eu ia falar sorridente mas as duas são igual duas crianças hehehe) mas também pudera fazer tanto sucesso: a Brooke é filha da mãe dela, que foi tipo a Angela Eiter da época dela. É aquele negócio, filho de peixe, e eu te direi quem és!

Vídeo pra caralho né? Eu sei, a Marta também reclama que é muita coisa.. mas, ah… melhor sobrar que faltar né? Tem gente que curte! (tipo eu assim quando releio hihihi)

Ah, e vamos para a prometida charada:

E aí, já adivinhou de cara né? Sabia!

E aí, já adivinhou de cara né? Sabia!

Sim, é relacionado TOTALMENTE com escalada a resposta da charada! Vamos ver quem adivinha! Nos vemos no final de semana em:

If <não chover> Then <Itaqueri sábado>, <Cusco domingo> ; Else <#PartiuInvernada!>

kkkkkkk

Falou, é nóis!