Tainha, Vinho… e muito Climb!

Yo Bitchess!! Ok, a frase que entitula o post de hoje é de um video que viralizou em 2014 [clique aqui para ver a referência] mas é mais ou menos assim que tem sido ultimamente. Rolou OuroBoulder, mais uma vez incrível, Fui pra Franca algumas vezes só pra escalar e voltei com sei lá, 5 vias novas kkkkkkkk E finalmente pude abrir a primeira via de um pico novo em Mineiros do Tietê, ali pertinho de Jaú, Bauru, Botucatu. Mas como faria Dexter… vamos por partes! (E tinha esquecido, depois adicionei, dei um curso de abertura de vias e a caralha ja ta com 9 vias na falésia, 14 no total)..

2016-07-09 13.23.50

Crash Borboleta “Quero Escalar” Brilhou muito nas vielas estreitas entre galhos nos boulders de Ouro Preto!

Bem, Tudo começou [há um tempo atrás, na ilha do sooooool…] com a trip para pra OuroPreto com a Rê Leite numa quarta de manhã. Só que de caminho fizemos um PitStop em Arcos por dois dias. Climb Incrível lá, sempre, apesar de ter pego uma infestação de micuins, a maior da minha vida, tipo, centenas, foi Horrível! (Ô dó) Pude mandar o flash da via “Essa via é de todos nós”, um 7b novo no vale das sombras maravilhosa, e depois fiz a Entre o Sol e a Extraordinária, uma variante que faz a saída da Entre o Sol e a Sombra e na quarta chapa cai pra extraordinária. Costurões de 60cm nas 3 primeiras e 120 nas duas seguintes mandatório pra controlar o arrasto!! Foi uma viagem empoderadora, pois a Rê tem se engajado em muita coisa que eu acredito mas nem sabia que tinha gente ativamente lutando pra isso. Realmente um dos pontos mais positivos da viagem foi essa influência positiva. Mas o objetivo era OP então ficamos só dois dias em Arcos e na sexta mesmo já partimos de Arcos. E na sexta feira mesmo já rolou muito Climb. O combinado era escalar com o Bonde de Arcos: Cintura, Tetê, Fabio, Igor, Felipe e Cia. ltda. Mas na sexta quem encontramos foi uma turminha da pesada que sempre apronta altas confusões: O Greg Hidatá de Pira com a Tá e o Sevê e a Ju. Climb Foi Incrível, pude mandar vários Boulders mesmo com joelho fodido e ombro doendo. Os detalhes de todos os boulders, o processo em si e tudo mais vou poupa-los pois se não ficaria longo demais. (mais longo que isso aqui genja?!) O curioso foi que sábado tava com menos dores do que tinha acordado na sexta. Vai entender. Mas no fim do dia não sei se exagerei ou o que, mas acabei q não consegui escalar praticamente nada. Uma dor absurda no braço e nem 6h da tarde e ja era climb pra mim. Ibuprofenos e cornetação. Cê lá Ví! C´est la vie!  Confira a Miucha no minuto 1:00 do vídeo correndo atrás do Drone mais que gato de rua..

Bem, domingo voltei pra casa né, fazer o quê? Braço zuado, azedo né, de não ter podido escalar tudo que gostaria, mas foda-se. Bom que no fds seguinte as dores deram uma amenizada e eu pude escalar com meu brother Wagner de Franca no Cusco, e fizemos nossa primeira via de cordada (duas), a 97 Bons motivos. Via irada no Cuscuzeiro que recomendo fortemente! Nesse mesmo finde chegou ao Brasil o Espanhol mais brasileiro da Índia, o Raul, que morou por aqui uns 5 anos antes de voltar para sua terra natal. O São Carlos Pression Team apareceu uniformizado esse dia hehehe

No finde seguinte rolou climb e abertura de vias em Franca. Pra variar, fui só pra escalar, e voltei de lá com 2 vias abertas kkkkkkkk Bastardos Inglórios e O Exorcista, duas vias de 30m sensacionais no melhor estilo de arenito, com agarras boas porém há que se usar mais a cabeça que o corpo. Mas o melhor mesmo foram as fotos da fotógrafa lacradora Fabiula de Rio Claro. Confira você mesmo:

 

Tem a seção da Biaoncê divando na Bastardos Inglórios e o Gui na “Flertando com o Teto”, entre outras:

Mas não para por aí pois no finde seguinte pude abrir a primeira via da região de Mineiros do Tietê, na região da pedra branca, com visual da represa de Barra Bonita, coisa mais linda! Ainda está bastante inexplorado, nem trilha para a rocha tem, mas a pedra é um arenito de qualidade intermediária. Melhor que a Invernada, mas também não é nenhum Pico do Mané. Diria que ta mais pra Cuscuzeiro. Tem muita fenda, mas muita via em face, com agarras, tetos, contraposições, batentes, enfim… Vai ter pra todos os gostos! Já fazia mais de ano que o Ives achou essa formação no google maps e enrolávamos esperávamos um ensejo pra ir pra lá, já que na ocasião estávamos meio órfãos de picos de Climb por aqui (o colorido tava desativado, a caralha pensávamos ser uma bosta, o mané ganhara suas primeiras vias e ainda não estávamos plenamente convencidos de seu potencial, fora outros 3 ou 4 picos que o dono não deixa entrar aqui em São Carlos, Ibaté e Descalvado). Aì o André fez o curso de escalada com a gente em janeiro, e como ele é de Jaú, ali do lado, botei pilha pra ele ir lá ver “qualéqueera” do lugar. E não é que ele foi mesmo!? Mandou umas fotinhos, e aí eu animei e marquei no calendário com 2 meses de antecedencia pra não marcar nada  por cima. E lá fui eu, 120KM de São Carlos, sozinho, pra matar essa curiosidade e animação de conhecer o pico. Só que não deu muito certo pq agora eu quero é voltar mais vezes, com mais frequência. Quem consegue mandar seus projetos se fica “só abrindo via” desse jeito?!

Nossa, esse dia eu agradeci muito estar com uma mochila Osprey. Estava com jogo completo de móveis, furadeira, quase 30 costuras, sapatilha, mag, água, café, rango, Kit de Primeiros Socorros e mais 50m de corda estática no lombo. Aí na hora de descer, acabamos ficando meio perdidos por umas 2h presos na mata extremamente fechada e densa (reitero: não há trilha ainda). Teria sido “badvibes” estar ali com tudo aquilo de peso nas costas com uma mochila que machuca e incomoda. Ô Grória! Mas no final deu tudo certo e chegamos no carro ainda tinha 2l de água daquela garrafa tudo suja e fudida de água do radiador pra matar a sede! kkkkkkk (mas a sorte é que o Nei, tio do André tinha enchido a garrafa no mesmo dia – disse ele). E domingo ainda fui pro cusco e tirei umas fotos cabulosas da Bia na “Distúrbios do Sono”.

 

BIA_SONO

Fotinho Clichê passando Mag, mas ta massa! As outras tão melhores… em breve no Instagram da QE 😉

Ah! Ja ia esquecendo! Caramba! Teve uma coisa que aconteceu no primeiro fds de Julho que foi IRADISSIMO!! Foi o Primeiro Curso de Abertura de Vias da Quero Escalar. O André lá de Jaú, e mais 3 de Campinas (O Francismar, o Soler e o Rafa) puderam aprender a teoria e botar a mão na massa, resultando em mais duas vias lá na falésia da Caralha, que agora conta com 9 vias, fora as 4 da caralha propriamente dita. (Agora falta arrumar a trilha – voluntários para o dia 15? – abrir mais 2 vias e soltar o croquizão).

Ufa!! Chega!! Fui sucinto (Ah sim, claro, super!) pq era muita informação e muita foto! Sayonará e bora que logo menos tem mais climb, mais abertura de via, mais curso, novidades… nuuu… que bom q não para!

E o primeiro de Abril?

Dessa vez não é pegadinha, esse pico existe, as vias estão abertas e essa foto é só 10% da parede escalável. (e metade das vias abertas)

Dessa vez não é pegadinha, esse pico existe, as vias estão abertas e essa foto é só 10% da parede escalável. (e metade das vias abertas)

Bem, muita gente deve lembrar que ano passado rolou uma comoção geral por conta da minha pegadinha de primeiro de Abril. Muita gente veio tirar satisfação no pico, que não gostou nada da brincadeira. Pra quem não lembra (o post está aqui), fiz um post fake dizendo que haviamos descoberto uma suposta falésia aqui em São Carlos, contei toda a história de como achamos o local e desenvolvido até então as 17 vias negativas do pico. Fiz até um croqui fake sobre uma foto de uma parede podre real que havia tirado numa das nossas buscas por paredes novas na região. Mas era tudo mentira e todo mundo acreditou hahaha Devo confessar que dessa vez eu me superei, pois como vc´s sabem, a zueira não tem limites. Teve nego de fora ja me ligando se programando pra vir conhecer o  pico novo no próximo feriado, gente criticando a grampeação, gente parabenizando enfim, o bagulho deu o que falar. Mas o meu intuito foi alcançado, porém não sabia eu que de maneira tão contundente. Queria eu dar um chacoalho na galera que se ninguém ajudasse a procurar picos de escalada novos, continuaríamos sempre na mesma de ir pros mesmos Cusco e Itaqueri de sempre. E de lá pra cá muita coisa mudou!

Primeiro que a correria com os trabalhos aqui na Quero Escalar nem me permitiram fazer uma pegadinha esse ano (esse post era pra ter sido no primeiro de Abril, então vai vendo a correria). Segundo que agora temos mais 3 picos novos em andamento. Um deles com potencial para se tornar o maior polo de escalada do interior paulista em poucos anos. As chapas estão indo que nem água. Em virtude das conquistas e das viagens vieram dois apoios importantes: da maior e melhor marca de chumbadores e parabolts da América Latina, que é a Âncora Sistemas de Fixação e de uma das melhores e mais confiáveis marcas de mochilas do mundo, a Osprey, através da representante aqui no Brasil, a Bronet do Brasil.

Boulders Incríveis em Franca!

Boulders Incríveis em Franca!

E de repente, lá em Franca junto com o Xerife local, o Wagner, começamos a abrir as primeiras vias numa parede estranha, um arenito que eu não estava acostumado. Era o começo do Pico do Mané: um fds inteiro pra abrir uma, duas vias (também pudera, parede de 60m, abrindo vias de 30/35m, queria o que? Aqui escacalamos antes pra ver onde ficam as melhores proteções, pra via ficar segura). Mas era  legal, mesmo que o pico ficasse com tipo, 10 vias, tava ótimo! Não tínhamos idéia do potencial do pico no começo. Só íamos lá curtir a parceria, o climb e a abertura de vias. Só que hoje o pico conta com 43 vias e contando. O potencial é absurdo. Com parede de 60m de altura e quase 1km de extensão o potencial é por baixo, para umas 300 vias. Vias esportivas com grampeação segura padrão IFSC (daquela que vc pode entrar mesmo estando acima do seu grau que vc não vai morrer – só isso já é polèmica para um post inteiro tem gente que gosta de correr risco de vida qdo ta escalando: nas minhas vias esportivas não!). Vias móveis com fendas perfeitas no melhor estilo Indian Creek que provavelmente vão chegar no cume. Tetos com agarrão. Um arenito duro, cheio de agarras, coisa que eu, escolado em Cuscuzeiro, Itaqueri e Invernada – expoentes do arenito aqui do interior – ainda não tinha visto igual! Rapidamente a comunidade escaladora de Franca cresceu, o Wagner, o Eliel bactéria “Jah” e a Renata Parreira com o apoio do Everton da academia de escalada Enjoy Climb & Fitness fundaram a AFER – Associação dos Escaladores de Franca e região. Hoje o pico conta com alguns Boulders super legais também, uma cachoeira a 5 minutos, outras paredes com bastante potencial nos arredores e muita, mas muita rocha pra abrir via.

E de repente os amigos de Jaú/Bauru Leo Franceschini e Marco Curi, junto com o Artur Teixeira de Ribeirão Preto (da Moountain) descobriram um lugar de fácil acesso na beira da rodovia que os antigos escaladores de São Carlos sempre conheciam por “não ser bom pra escalada” pela qualidade da rocha. Mas ninguém falou que não era bom pra boulder – e então limparam vários blocos e abriram vários boulders incríveis, deixando em aberto pra gente poder continuar o trabalho. E eu, que nunca fui do Boulder, pirei na modalidade no último OuroBoulder lá em Ouro Preto. E comecei a colar nesse pico pra fazer boulder, que tem como característica uma formação rochosa de formato fálico muito curioso, que rendeu o apelido ao pico: Caralha de Brotas.  E de tanto ir lá, de repente comecei a flagrar que a rocha não parecia tão ruim assim. Aliás, é o arenito mais duro de todas as 5 falésias de arenito que este post comenta. Hoje já são 5 vias na Caralha (5º, 6º, 7a e 7b e a normal em móvel de acesso ao cume, um 4º grau) e mais 4 vias incríveis numa das falésias ao lado. E já achamos mais um monte de blocos de boulder esperando pra serem limpos e escalados, e várias paredes com vias pra serem abertas.

E de repente os locais de Itirapina, através da figura do Murilo e a Vanessa da Academia Atitude, o Eduardo Santini, o Stélio e o Romário (o Bruno tava viajando) deram um puta gás num pico onde eles junto com o Animal daqui de São Carlos haviam aberto algumas vias uns 5 anos atrás. É o pico do Colorido, onde estão saindo bastantes vias fortes, na sombra, abrigadas da chuva, onde a meu ver está o next level da escalada Hard aqui no interior. Tudo oitavo grau até embaixo dos tetos, e as continuações estão lá, esperando pra serem abertas passando pelos tetos. Muita coisa promissora naquela Falésia também!

Claro que enquanto isso teve conquistas no Cuscuzeiro, Itaqueri e na invernada. Mas não é incrível como a união da galera, atacando em várias frentes trouxe um progresso de maneira exponencial para a escalada “local”? Entre aspas porque Franca está a 200km de São Carlos, mas tudo aqui é arenito, e interior. As prospecções não param, estamos de olho em outras falésias. Não pretendo abrir 100 vias em todas, mas abrir algumas vias e catalogar e divulgar, soltar um croquizinho já deixa o gancho aberto para as futuras gerações que vierem na nova leva de escaladores levarem o pico adiante, tal qual foi com a gente outrora! É muito bacana ver essa evolução, a sensação de estar escalando no “quintal de casa” em um pico diferente dos mesmos já batidos Cuscuzeiro, Itaqueri e Invernada é impagavel! Só falta agora aquele campo de Boulder com 400 blocos de 8m de altura com negativo num terreno plano e de fácil acesso hehehe Bem, eu sonhei antes, e to vendo rolar, sigo sonhando! =D

Novo Pico de Escalada em São Carlos

Antes de você pegar o ponto do pico no GPS, favor ler o post até o final…

O Pico novo tem 40m, 25 de negativo e 15 de vertical final.

O Pico novo tem 40m, 25 de negativo e 15 de vertical final.

Pois nos últimos meses o motivo de estarmos tão sumidos é apenas um. As conquistas incessantes na nova falésia que descobrimos aqui em São Carlos. O Pico fica próximo da Caverninha, mas do lado contrário da Cuesta, mais para o lado da Invernada, só que com um arenito quase quartzito vítreo. Ano passado o Ives, Guilherme e eu demos várias pernadas em busca de picos novos e meio que sem querer, na volta de mais uma investida frustrada, reparamos que o carro estava esquentando. Por sorte tinha sobrado uma nalgene cheia de água esse dia. Quando paramos pra encher o reservatório de água do carro, eis que o Gui da uma pescoçada entre as árvores e observa uma ponta de rocha quase imperceptível. Como já estavamos ali mesmo, e tinhamos aproximadamente uma hora de sol ainda (abençoado horário de verão) tentamos alcançar a pedra, que parecia próxima. O primeiro acesso demorou: Muito mato, espinhos, arranha gatos e quase 45m depois chegamos à rocha que haviamos julgado que demoraria nem 10mins. Ficamos boquiabertos com o que haviamos descoberto. A Boca de uma E-NOR-ME gruta de arenito/quarzito com aproximadamente 40/50m de altura. Bem na curvinha do morro, virada pra dentro, não visível da estrada, a não ser pela pontinha da direita, por onde se chega.

Gui no ultimo furo da Pulo do Gato, primeira chapa da via.

Gui no meio da conquista da “Aqui é Lebron James”

Claro que alucinamos no pico e desde outubro as conquistas estão fervorosas e rolando em segredo, uma vez que tivemos problemas de acesso em outros 2 picos por causa da minha boca grande e escaladores inconsequentes (e já cheguei a ouvir de gente que nunca tinha aberto via dizendo: “…to indo amanha com fulano lá abrir via, se quiser ir blz, se não que se foda…”). Há hoje 3 picos de escalada com vias abertas com acesso proibido aqui na região de São Carlos. Não queríamos que esse se tornasse mais um, pois é muito clássico. Tão Clássico que começamos a chamá-lo de Eldorado. O suprassumo do que sempre estivemos buscando: Rocha boa, alta, não podre, com agarras, sem abelhas, sem problemas com proprietário e acesso rápido (o acesso, uma vez que a trilha ja está aberta, é em torno de 15 minutos).

Metranca nova e muita chapa..

Metranca nova e muita chapa..

Bem, por essa e por outras razões tocamos o projeto em segredo, só sabendo e tendo ajudado nas conquistas os mais chegados mesmo, como Beto, Ives, Guilherme e nem as respectivas estavam por dentro do que estava se passando. Pra vocês terem noção já tivemos que comprar outra furadeira, e a remessa de 500 chapas Gariglio que o Gui trouxe de BH pra Quero Escalar ano passado já estão acabando!!! O pedido de bolts que eu fiz na âncora ano passado também já está no final.  Ah! E – pasmem – nem sikadur tem sido necessário nas conquistas de tão boa que é a rocha! (com exceção de um furico ou outro numa faixa menos boa no comecinho da parede mas que ficou resolvido com os tais Bolts tipo “Alpha”.

Beto terminando uma das conquistas noturnas

Beto terminando uma das conquistas noturnicamente

Para nooooooossa alegria, (e para dificultar as conquistas) não tem uma fendinha no pico inteiro, então não teve linha desperdiçada com polêmicas sobre ser mista, móvel, solo ou com chapa. Todas as vias estão com corrente e mosquetão na parada, e em algumas inclusive deixamos Perma-draw nos crux que também ajuda pra limpar a via devido à negatividade da parede. Das 17 vias que abrimos desde outubro até agora, 9 terminaram com aproximadamente 28 ou 30m, 6 estão com 40m e possuem uma parada intermediária nos 30m para descer com corda de 30m, e apenas uma está com 18m que é um quintinho bem na direita onde a parede começa. Até agora ficou assim então, da Esquerda pra direita:

1deabril

A trilha de chegada é pela direita. Na rodovia São Carlos – Descalvado, entrar a direita no Km 12, andar 3km na terra e parar 100m depois do portão azul. A trilha vai estar logo a direita do lado de um Eucalipto perdido no meio da vegetação de cerrado.

1 – Tem dia que de noite é assim 7c

2 – A tara de shitara – 8c (7c até a primeira parada)

3 – Nunca mais vamos beber – projeto (deve ser um 9a, mas como só temos ido lá pra conquistar não mandamos ainda).

4 – Inferno astral – Projeto (até a primeira parada talvez 9a, depois, décimo quem sabe)

5 – Inferno de Dante – Variante da  Inferno astral, depois da 4º chapa vai pra direita, provavelmente 8a.

6 – Os gritos do surdo-mudo – 7b

7 – Até uva Passa – 6sup

8 – Quem poderá nos ajudar? 7a

9 – Só não te dou outra porquê… 7c

10 – Paixão Obsessiva Compulsiva – 8b (até primeira parada, depois talvez 8c)

11 – Que Medinho que me dão – 7a

12 – Lição de Casa 7b (Variante da 11, na segunda chapa vai pra direita)

13 – Aqui é Lebron James 8c (Até primeira parada, crux de bote na saídinha, mais 4 chapas até o final, 9b)

14 – Ouro 18 Pilates 8b (até primeira parada, 8b/c até o final)

15 – Errou feio, errou rude, 7b

16 – Singularidade espaço-tempo – 7b

17 – Vem com papai, vem.. 5sup

Conquistadores: Beto e Genja: 1, 2, 3, 7, 8, 9, 14, 16

Genja e Ives: 4, 5, 6, 10, 11, 12, 17

Guilherme e Genja: 13, 15

Conquista debaixo: Furadeira a tiracolo, jogo de camalots, de nuts, de Tricams, martelo, chapas, bolts, chave de boca... Acha! Ta levinho!!

Conquista debaixo: Furadeira a tiracolo, jogo de camalots, de nuts, de Tricams, martelo, chapas, bolts, chave de boca… Acha! Ta levinho!!

Bem, é isso galera, as conquistas não param! Lembrando que para QUALQUER via (menos a 17), corda de 30m obrigatório! Levem repelente pq os mosquitos pegam forte, loninha pra corda pq a poeira é grande, e PELO AMOR, se for CAGAR, enterrem TUDO, inclusive o PAPEL, bem escondidinho como se ninguém pudesse saber que você foi ali! Agradecemos aos chegados que doaram grana para chapas ou chapas propriamente ditas. A Quero Escalar tem apoiado bastante também doando mosquetões e correntes para as paradas as vias, então clipou desceu!

Foi mal galera, primeiro de Abril!

Foi mal galera, primeiro de Abril!

Galera, para não perder o costume, o post de primeiro de Abril deste ano foi hilária. Estava inspirado, por isso uma história tão consistente. NO ENTANTO, esse post poderia ser verdade se mais gente se envolvesse na busca por novas falésias que tenham potencial para se tornarem novos picos de escalada, nas politicagens e negociações com proprietários intransigentes de picos que já tem vias mas estão fechados (nunca chegaram a ser abertos – ou nos novos em potencial) ou ajudando na vibe pra tirar abelhas. Foi mau aí quem se animou com um pico novo, não seria da hora se tivéssemos um pico novo em vez de ficar emendando linhas entre vias nos picos já tradicionais existentes? Nada contra, aliás, adoro… mas ahhh como eu queria encontrar o meu Eldorado… sigo na busca!

Vento e cascavéis

Adoro fotógrafos Tchecos!

Adoro fotógrafos Tchecos!

 

Outro dia, por acaso eu encontrei um filme sobre a escalada no Wyoming. É tipo sobre a escalada no Mato Grosso 0.O haha Fala sobre a história dos escaladores locais, a evolução dos picos, presta uma singela homenagem ao Todd Skinner, famoso escalador pela maneira como morreu: Com uma cadeirinha de 20 anos toda fudida, ralada que estourou o looping durante um rapel em yosemite. No video mesmo um amigo dele conta que uns 20 anos atrás viu a cadeirinha dele, não dava coragem de pendurar nem um sapato nela que ia estourar. Ele pediu pra ver, pegou uma tesoura e picotou a cadeirinha, dizendo: Toma aqui 50 conto, vai comprar outra nova pra vc! E termina dizendo que alguém deveria ter feito isso outra vez.  Bem, entre outras passagens interessantes, mostra porque a cidade de Lander evoluiu tanto, como foi a conexão entre escaladores e comunidade local (não escaladense).

Uma coisa que me chamou a atenção foi que durante e desenvolvimento e abertura das vias em meados dos anos 80, teve a mão feminina no meio, e elas contam que quando abriam as vias, não simplesmente punham bolts na pedra, mas escalavam antes, pra definir os melhores lugares das clipadas pras vias ficarem seguras, limpavam agarras, blocos soltos, escovavam tudo. Vias estas que são clássicas e escaladas até hoje. Hehe tudo isso só pra alfinetar dizendo que a escalada no local evoluiu horrores porque as vias foram conquistadas de maneira segura e consciente, sem aquela coisa desprezível de rapelar do topo de uma parede com uma furadeira na mão (e um beck na boca) metendo furos aleatoriamente achando que vai dar certo. É preciso escalar a via antes pra saber bem onde serão colocadas as proteções para que a via fique segura.

Outra aspecto do filme é que os escaladores locais, depois de terem mandado todos os projetos da cidade, foram em busca de novos picos, e acharam um que fica 1h de carro da cidade, mais 1h de caminhada entre espinhos, sem trilha, com muitas cascavéis no caminho. E abriram um pico alucinante. Acho que as únicas desculpas que temos aqui é rocha podre, paredes com sol o dia inteiro (e no brasil é foda escalar no sol, principalmente no verão) e donos de propriedade ignorantes. Me senti tocado pelo filme e se antes eu já almejava fazer algo nesse sentido por aqui, agora dei uma animada 🙂 Então vejam o filme, que tem por volta de 1 hora.

 

Novo Pico de Escalada no Interior de SP

Falésia de Tremendal - O pico novo de São Paulo é tão legal que fica em minas!

Falésia de Tremendal – O pico novo de São Paulo é tão legal que fica em minas!

A Headline é meio sensacionalista mas é verdade. Esse fds conheci um pico novo muito legal com conquistas recentes, e muito potencial para mais. Tudo começou quando eu conheci o Everton de Franca, que estava hospedado lá no espaço mandala no Cipó com a Alice no Reveion. Conversamos um pouco e ele me falou desse pico novo do lado de Franca chamado Tremendal, onde eles estavam abrindo algumas vias. Pico com cachoeira, sombra, boulders, num quartzito com muitas agarras, bem propício. Já fiquei animado, e quando ele falou que ia rolar churrasco, consegui angariar 7 pessoas pra irmos em 2 carros passar o finde por lá.

Os detalhes de porque a gente combinou de sair as 5 da manhã mas saiu só as 9 vou deixar na imaginação de vocês, mas o fato é que chegamos em Franca as 11 e pudemos conhecer a Academia de Escalada ECOLIFE. Um conceito muito legal com uma pequena parede para vertical, mas uma mega estrutura de Boulder ímpar. Logo partimos pro pico, que fica próximo à cidade de Ibiraci e é preciso enfrentar 15 intermináveis km de terra para chegar no lugar, que é uma propriedade particular. Então, claro, todo respeito é bom e o dono gosta.

Comecinho do setor floresta

Comecinho do setor floresta

Fizemos a caminhada de 10 minutos do carro até o Acampamento Base, que é uma Mega árvore com vários blocos em volta, perfeito pra montar barraca, bivacar, armar rede, enfim, sombra sob o calor de rachar que fazia. Armamos as barracas deixamos tudo pronto e partimos pra mais 2 minutos de trilha conhecer o “pico” propriamente dito. Primeiro o setor “floresta” que é mais fechado e parece ter vias mais altas, termina próximo à cachoeira. Depois voltamos um pouco e já fomos para o segundo andar, onde resolvemos ficar e fazer a rapa no maior numero possível de vias que conseguíssemos. A idéia era abrir via também, mas no primeiro dia resolvemos escalar pra curar a ressaca a escalada estava tão gostosa, o time todo entrosado que resolvemos ficar curtindo o pico e o climb. Nos divertimos horrores, a escalada é muito gostosa, as vias muito bem protegidas, então é pra você curtir a escalada e não passar medo ou passar mal, no melhor estilo esportivo com um visual muito bonito.

Estávamos o Shimoto, a Júlia, o Gregson, a Fabi, o Ives, a convidada especial Mel, que veio de Sampameo, e eu. Foi massa porque todo mundo tava na mesma pegada: Opa, pico novo com várias vias encadenáveis, escalada à vista já! No fim do dia, quase escuro já, chegou o Artur, que é de Ribeirão, mas tem um pézinho em Bauru e agora meio que mora em São Carlos. E assim foi o primeiro dia, todo mundo entrando em tudo, fomos terminar de escalar lá pras 9 da noite. E olha como tava tão calor: Todo mundo caiu pro rio pra tomar banho 10h da noite! Com excessão do Ives que deu um migué monstro, todo mundo entrou na água e tomou o banho completo. Não demorou a água já estava agradável e dava pra ficar inteiro dentro tranquilamente (é que o lugar era meio raso).

O Churrasqueiro Everton que não deixou faltar nada!

O Churrasqueiro Everton que não deixou faltar nada!

E depois do banho, churrasco! Foi mto massa, o nosso anfitrião não deixou faltar Carne nem cerveja, muito menos batatas, cebolas e tomates no papel laminado para as vegetarianas. Teve até o repeteco do show do Rafa que animou a noite no 14º encontro de Londrina ano passado. E apesar de ter dormido pouco de sexta pra sábado e de sábado pra domingo, no domingo acordei cedinho, renovado, super disposto e pronto pra mais. Fomos pra bica do lado do carro pegar água e encontramos uma caranguejeira gigante preta na trilha do tipo que deixaria o Raul com piripaque (se bem que até as pequenas já causam esse efeito nele – essa era do tamanho de uma mão). Em seguida tomamos o café da manhã coletivo. Eu logo já fui pro pico com o Ives, que já tava animado pra furar também. Tinhamos visto vários locais em potencial para abrir via, mas em um dos setores a rocha parecia muito boa, super alta e com saídinha encardida. Fomos direto pra esse setor  e  Jumareei pela corda fixa que os locais tinham deixado no setor, (infelizmente não vou lembrar do nome de todos que conheci!) e no cume joguei a corda na linha que eu tinha flagrado enquanto subia.

Café

Tomando café da manhã, com a falésia ao fundo

Comecei a descer e rapidamente estava no lugar que havia vislumbrado bater uma parada, mas era meio duvidoso. Na verdade eu senti que não conhecia muito a rocha, pois no arenito só de olhar eu já sei se é podre ou um vidro. Mas ali é rocha nova e fui descendo até encontrar rocha suficientemente sólida pra eu bater uma parada. Decidi sacrificar alguns metros de uma escalada com muitos agarrões em prol da segurança, e foi melhor, porque no final das contas a via ficou com quase 30m!!

Parada batida, puxei outra corda e deixei o top armado com uma parada equalizada, backupeado na corda que vinha do cume. Desci e na metade inferior tive que escovar tudo pois tinha muuuito limo e musgo seco nas agarras. E tudo com uma escovinha de dentes kkkkkkk Foi puta trampo, ia magnando os regletes que da parede lisa iam pipocando e tornando a escalada possível. Cheguei no chão depois de quase 1:30h pendurado e dei uma relaxada rápida, bebi muita água e comi alguma coisa. Mesmo tendo ficado quase 1:30 no sol, as vezes vinha uma brisa da cachoeira o que não tornou a tarefa tão árdua. Na sequência entrei escalando de toprope pra definir os melhores lugares pra furar e por as chapas. Saídinha forte e logo um passeio até o final que já estava na sombra quando eu saí da altura da copa das árvores. A Jú entrou na sequência pra ver se a “altura” das chapas estava ok para os anões equiparem a via. A parada ficou poucos metros à direita do final vertical de uma fenda perfeita de uns 30m em z. Só que essa fenda tem vários blocos pra rolar, então já que tinha bastantes agarras pela direita deixei a via mais afastada dela (e pra não causar polêmica com chapa perto de fenda). Quando estava chegando na parada ela puxou um video-cassete que eu já tinha visto e desconfiado que tava solto. Gritou tão alto “PEEEEDRAAAAAA” que ela ficou rouca até chegar em São Carlos. O Everton deu um matrix se escondendo embaixo de um bloco, e a pedra caiu certinho onde ele estava!!

Via1

Tirando os moves pra ver onde é melhor colocar as proteções

Passado o susto concluímos que já estava meio tarde, então já subi pra furar. Foram 12 furos, 2 brocas e tive o cuidado de colocar uma chapa melhorzinha no crux pra economizar o mosquetão da galera. E o mais legal: quando estava na metade da via olhei pra cima e observei que faltavam 6 furos e eu tinha só mais duas baterias, então resolvi deixar um furo intermediário numa das partes mais fáceis da via para o final. Consegui felizmente furar os 5 furos que faltavam, e quando, já descendo, fui aproveitar pra fazer o furo que tinha deixado por último, a bateria acabou bem no comecinho! Fica a pimentinha na via pros amigos, quem já fez um 7c lá embaixo acho que não vai reclamar do esticãozinho de 4m na parte de 4º grau 🙂

Nem sei muito o que os outros tavam fazendo, mas sei que o Ives ficou ali no auxílio mandando as coisas pra mim enquanto furava, a júlia ajudou a definir a altura das chapas e a grampeação, e o shimoto deu aquela seg esperta no top e na cadena da Ju. O Greg subiu com o Ives lá no topo da falésia depois pra desarmar as cordas fixas e demoraram mil anos pra voltar. Ficou mal contada essa história mas tudo bem, eles estão no direito deles. E a Fabi tinha tomado uma picada na testa no dia anterior, acabou ficando mais na dela. A Mel escalou uma via com o Shimoto mais cedo mas depois também não resistiu aos encantos da rede e fez uma ciesta.

Furando a segunda chapa

Furando a segunda chapa

Duas horas depois de ter saído do chão pra começar a furar, estava de volta, exausto, acabado. Fiquei pensando nas escolhas que a gente faz na vida da gente. Estava ali porque eu queria, cansado, todo dolorido, não tinha obrigação nenhuma, mas eu queria tanto estar ali, estava me divertindo tanto, estava muito feliz. A cabeça a mil, o corpo nem tava aguentando tanto “malho” que vinha recebendo nos últimos dias. Tava tão cansado que deixei a via pro Shimoto equipar, depois deixei a Ju entrar pro FA enquanto eu tirava um cochilo, ali, em cima da corda do Shimoto mesmo. E quando ela chegou no chão, o corpo ainda esgotado respondeu quando eu mandei ele levantar e ir lá, que eu queria escalar aquela via tão bonita! Lembro que a hora que levantei a Mel já me olhou e passou a garafa de café, que eu tomei rapidão e já fui pra via. A Ju me proibiu de passar mag no crux, mas achei um entalamento de joelho tão bom que até pude me permitir. Fiz o lance, costurei da melhor posição (e não da agarra ruim que tem próxima à costura) e aí foi só dar uma respirada e tocar mais 25m de curtição. Subi re-limpando e re-assoprando muitas agarras pois não havia sido suficiente da primeira vez e lá no final da via ainda vinha um ar fresco da cachoeira, que maravilha! Acabei mandando a primeira repetição, e foi muito recompensador mandar uma via que acabara de abrir. O Grau sugerido ficou entre 7b duro ou um 7c suave, tem 30m praticamente e o nome é “Intercâmbio Cultural”, devido à essa troca de experiências tão gostosa que foi esse final de semana com o pessoal de Franca, em especial na figura do Everton da Ecolife. Obrigado pelo presente de me permitir fazer uma das coisas que eu mais gosto que é abrir vias, num pico tão incrível, bonito, num ambiente bucólico e escalar com pessoas que tem sido como uma família pra mim. Não vemos a hora de voltar! Tem muita linha pra abrir ainda, espero que ainda sobre alguma quando voltarmos! 🙂 Detalhe que ao sairmos do pico pra ir embora, não vimos um lixinho, nada, o pico ficou do jeito que estava como chegamos e como tem que ser!

E claro, obrigado aos amigos que me acompanharam ao pico novo, mesmo sem saber muito o que esperar, vocês são demais! Shimoto, Ives, Ju, Fabi, Greg e Mel:

Gratidão!

Capacete cheio de Poeira: Missão Cumprida!

Capacete cheio de Poeira: Missão Cumprida!