As melhores fendas do Interior Paulista

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Ahhh eu adoro essas fotos de equipos em pé de via!

Não é que escalada móvel seja a minha favorita. Mas eu diria que eu gosto tanto de escalar, que não escalar em móvel seria me privar de muitas vias maravilhosas. E eu não gosto muito dessa história de ficar me privando de alguma coisa. Então a escalada em móvel se tornou algo corriqueiro. Antes uma brincadeira, agora um acessório tão trivial quanto uma costura ou uma corda, são as peças móveis. Mas tem gente que pira nessas pecinhas de proteção móveis mais que na escalada em si (e aí arranja treta pra tudo que é lado kkkkk). Mas enfim, não vou polemizar pq não agrega ao contexto, mas que tal falar sobre escalada?

Manoo! Andei escalando umas vias incríveis em móvel, que você não tem noção. Coisa de filme mesmo. Até o mais apaixonado por chapeletas vai ficar com gana de botar a mão num joguinho de camalots e subir essas vias. A maioria delas fica no Pico do Mané, mas cá entre nós, há fendas incríveis no Cuscuzeiro e na Invernada também (e até na caralha). Até alguns anos atrás, quando se falava em via móvel no interior, só se falava em Irish Jararaca no Cuscuzeiro, que digamos que é a mãe de todas as vias móveis que vou citar. Não incluí ela pois ela já foi repetida trocentas vezes, já tem sua fama, e eu queria falar de coisa nova. Vamos lá? Numa ordem não muito aleatória, cuja sequência respeita um critério subjetivamente intrínseco e desconexo.

1 – Fenda perfeita do nome Perfeito. 5Sup – Pico do Mané, Franca

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Biaoncê divando desfrutando das fendas do Pico do Mané

Uma das menores vias da lista, mas também uma das mais bonitinhas. Uma daquelas vias pra se aprender guiar móvel. Colocações a prova de bomba, num arenito bastante sólido (apesar de fraturado, não esfarela). A fenda transcorre por um diedrinho e permite a colocação de peças praticamente a qualquer momento, quantas quiser. Começa com peças menores tipo um camalot #0.4 depois aumenta, diminui, tem fenda horizontal, vertical, aceita Nuts numa boa em vários momentos, camalots, e ainda tem um lancezinho “maroto” pra chegar na parada pela direita. Incrível, daquelas pra se fazer estreando peças, sapatilha, cadeirinha, fazer no fim de tarde só pra não passar em branco. Uma via feliz, diria eu! Ela tem uns 15m e fica pra direita da “Epopéia” e pra esquerda da PugliRocks, duas clássicas do setor da chegada. A parada são duas correntes discretas pra direita da árvore, não é na árvore! Ah, e o melhor, sombra depois das 15hrs, o que é muito importante lá no Mané!

2 – Abrindo Horizontes, 7a/b – Pico do Mané, Franca.

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hummm fendinha ishpertaaaa…

Essa é massa! (ah vá?!) Entre o setor da chegada e o setor da Tesão. É um diedro fendado com uma saída boulderística alucinante! Depois vai super de boa até o final do diedro, e toca mais uns 10-15m até o top. Tem duas chapas na segunda metade pq os blocos soltos não inspiram confiança, e da pra melhorar o ultimo lance com um camalot #2 ou #3. Tem 25m, sombra no diedro depois das 2 ou 3h dependendo da época do ano. Por representar fazer força de crux de 7b explosiva logo de cara, já é um filézinho. Ah! E foi a primeira via em móvel oficialmente que existiu no mané, daí o nome. Antes só a “Ph na cabeça” que tinha uma passagem em móvel no meio, mas é mista. Lembro que no dia da conquista “debaixo pra cima” eu levei tanta peça, tipo, 3  jogos de nuts, e 2 jogos completos de camalots, que eu pesava vários kilos a mais e achei super hard. Aí quando entrei pra cadena só com as peças que eu sabia que ia usar, tipo umas 8, nossa, foi lindo, vuei no move! kkkkk #fikdik 😉

3 – Sexo, Sangue, Suor Lágrimas e Gritaria, 7b/c – Invernada, São Carlos

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Comecinho delicado, final negativo de agarrão. Fenda no meio! Sensacional!

Ahh, essa é meu xodozinho. E também a vovózinha da lista, com praticamente 6 anos de existência (contra praticamente todas as outras que tem tipo, 1 ano no máximo). Essa é uma das vias que eu mais repeti, e sempre que repito adoro e fico com vontade de fazer de novo. São 25m de pura escalada. Uma via mista aqui no quintal de casa. Começa com um 7b incrível técnico de 3 chapas, depois clipa mais 2 fáceis e entra na fenda. Eu protegia com 2 peças mas agora tá tão decorada que eu ponho só um TCU roxinho equivalente ao camalot #0.4 ou .5 e vou pro descanso, ponho um #0,75 e entro pro lance do crux, que é protegido por 2 chapas, e pra ir pra parada rola proteger com um camalor #3 ou #3,5 ou um camalot #0.4 um pouco mais alto, e já era. Recentemente abri uma variante pra esquerda com chapas que não passa pela fenda e toca pra esquerda, chamada “Foguete cubano”, e já fiz a variante Sexo Cubano, que faz a fenda e do descanso toca pra Foguete cubano. Incrível, técnica, negativa, com agarrões, delícia de via! Tem uma permadraw no meio da via pra vc passar sua corda quando estiver rapelando para conseguir limpar as primeiras chapas, se não fica bem dificil devido à inclinação da via.

4 – Flertando com o Teto, 6sup – Pico do Mané, Franca.

Flertando com o Teto!

Flertando com o Teto!

Ahhh, essa foi uma das vias que mais deu trabalho pra abrir. Duas caçambas de blocos soltos, de terra, e muita faxina foram necessárias para transformar um aglomerado de pedras soltas em uma via móvel perfeita, de 25m protegivel do chão até o top. Um diedro com aquelas fendas dos filmes americanos, perfeita, em que vc não precisa nem conferir a colocação, enfiou o camalot, clipou a corda e tocou embora (mas confira sempre suas colocações, ok?). Um pouco técnica, requer uma certa logística devido ao grande teto, se não, rola um arrasto na corda monstro. O ideal é ir com uma corda dupla, ou, tal qual como nós fazemos na Lamúrias de um Viciado lá no Cipó: Vai encordado com as duas pontas da corda. Quando chegar no segundo platô antes do Crux e depois da Chaminé clipa umas 2 ou 3 peças redundantes com a corda que não tinha sido clipada em nada e desencorda da corda que vinha sendo clipada nas proteções sob o teto e na chaminé. Ou então abusa dos costurões de 1,20m e aguenta o arrasto da corda. Uma via pra ser fotografada e repetida. Em breve volto lá pra abrir a continuação, é só o Sol baixar! Leve uns camalots #0.4 repetidos para o começo, o #1 repetido para o teto e o crux antes da parada, além do resto do jogo completo que vc vai usando ao longo da via. No meio vai uns nuts, tricam, usei até um X4 amarelinho pra sair do diedro e montar no platô (peça móvel pequena). Ah! Como a maioria das vias no mané, ou chegue cedo (Tipo 6:30/7h) num dia frio, ou espere pra entrar nela depois das 3h da tarde. Destaque para a Rê Leite e a Mel de São Paulo que ajudaram a fazer a funça com a maior paciência do mundo e deram muita seg, escalaram a via varias vezes comigo e limparam impecavelmente a primeira metade dela, de onde sairam várias carriolas de terra e blocos soltos.

5 – Diedro Ainda sem nome, 7a/b – Cuscuzeiro, Analândia.

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A fenda nova no Cusco!

Essa é nova no Cusco. Tal qual na “Flertando com o teto”, o Beto também ficou meses wagnando e faxinando a fenda do diedro do qual rolaram várias caçambas de terra e blocos soltos. E abriu uma das vias mais espetaculares do cuscuzeiro. São 35m de via móvel, interrompidos unicamente por uma parada intermediária pra meiar o rapel de quem vai com corda menor que 70m. Uma escalada alucinante daquelas que você tem que desligar a chavinha do medo e tocar pra cima. Não porquê da medo, mas porque não precisa! As quedas são limpas, as colocações são bomba mas são do tipo “Só pra não morrer, não pra pagar o lance com a peça no peito”. Tem hora que é melhor não proteger mesmo e sair tocando pra cima pra chegar logo no agarrão. Sempre tem encaixes bons pra dar uma respirada, agarras boas, lances de diedro com pé chapado, muita técnica de oposição, incrível – mas o Psico pega!!

Leve um jogo de Camalots, Nuts vão muito bem. Tricams entram onde nada mais entra, e MicroFriends tipo X4 ou Aliens protegem lindamente lances cruciais – Nuts pequenos tbm. (e um rolo de papel higiênico pra por na cabeça)

6 – Vulva Alada, 6sup/7a – Pico do Mané, Franca

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Olhando de longe e de frente: Claramente uma Vulva Gigante!

A história dessa via é uma das que eu mais gosto e também a mais “novinha” da lista. O Wagner tinha acabado de abrir a trilha que liga o setor antigo ao setor novo no pico do Mané lá em Franca (Patrocínio Paulista na verdade). Foi no dia que abri a “Vida Loka” que passei por ali só pra conhecer a trilha do setor antigo para o setor novo. E quem escala sabe. Você não faz uma trilha num pico de escalada olhando pro chão. Eu pelo menos vou brisando: Olhaaaa, da pra abrir via ali, e ali, e ali, acessa por ali, bate um top, humm, ali tem que rolar bloco solto, humm. e vou analisando né? E assim foi com a Vulva: Amor à primeira vista. Lembro que a primeira vez que a descrevi pro Guilherme eu a descrevi como: Um diedro bem aberto com umas pranchas de surf que saiam bem do meio da fenda. Digamos que me apaixonei instantaneamente pela linha da via. Estava ficando um feriado de 4 ou 5 dias lá e como o setor tem de fato sombra até meio dia, cheguei com a Carol de Franca logo cedo (tipo as 7h) no pico, mas ao sinal da primeira chuvinha ela vazou e eu fiquei lá, com o pico inteiro só pra mim hehehe E o mais incrível: a única linha seca era a Vulva. Ahhhh, não tive dúvidas. Comecei a conquistá-la em livre em solitário até aproximadamente 2/3 dela, quando cheguei nuns blocos soltos meio medonhos. Puxei a furadeira pra cima (que estava preparada no chão só esperando pra eu puxar através de uma corda que eu levava retinida (também conhecida como “a outra ponta da mesma corda” kkkkk) e pendulei pra direita numa aresta, e continuei a conquista da “Cavaleiro Solitário” debaixo pra cima em livre. Esse dia ficou nublado o dia todo, então pude trabalhar até o fim da tarde sem tostar no sol, e, ao final, escalei na auto-seg a cavaleiro e marquei todas as proteções, e finalmente furei. No dia seguinte voltamos lá e através da Cavaleiro Solitário o Wagner fez cume, bateu vários Tops e pudemos abrir a “Na natureza Selvagem”, uma via Amaaazing em face que tem praticamente 30m em móvel com apenas uma chapa pra proteger a saída – Via do Wagner e do Eliel “jah”. E eu com o Juliano Engler pudemos abrir a Olho do Tigre e a Terra do Nunca, pra esquerda da Vulva. Ainda nesse dia abrimos (O Juliano, Wagner, Jah e eu) a Independência ou Móvel, uma via mista de 25 ou 30m incrível também.

Pois bem, voltando a falar da Vulva, uns 15 dias depois  voltei pra Franca e com uma galera massa que escala de meio de semana, pude finalmente bater o Top da Vulva e descer rolando todos os blocos medonhos que tinha no final do diedro antes do tetinho (ainda falta um, bem no final do teto, já pra cima dele: cuidado!). E finalmente, uns 2 dias depois ainda em Franca com essa galera que escala em meio de semana (Santinho, Jayme, Jah, Rê), pude finalmente mandar a Vulva Alada. Foi incrível. Abusei dos costurões, das proteções, em vários momentos você tem que trabalhar na oposição bem no meio, é sensacional, é escalada bonita, bem protegida, incrível! Detalhe para o tricam preto ❤ salvador que protege bem a passagem do Crux onde nenhuma outra peça conseguiu proteger. E aí pra acabar muitos agarrões, virada de teto com agarras, e “easy-terrain” até a parada, sempre com boas opções de proteção. Incrível! E nesse setor pra quem curte, da pra fazer a continuação da “Olho do Tigre, 6º” em móvel até a parada da Vulva, é a variante “Olho do lixão” facinho tipo 4Sup, e a continuação da “Terra do Nunca, 7a/b” em móvel até a mesma parada: Pensamentos Felizes, também sem muitas variações no grau desse finalzinho, não passando de 4sup.

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Depois de alcançar o Top da Cavaleiro solitário, fixei a corda, desci limpando a fenda, subi marcando as proteções da cavaleiro e desci furando. Ao fundo, a Vulva e sua fenda. Na esquerda a aresta da Terra do nunca.

Bem, pra ela você pode levar um jogo de nuts e um de camalots que ta tudo certo, mas não se esqueça de deixar os Camalots #2 e #3 para o final, e algo semelhante ao Tricam preto #0.250 pra proteger o crux bem no bloco que parece solto mas não solta. Escale em 3d e não esqueça de tomar cuidado com o bloco solto que está acima do teto!

7 – Vida Loka, Parte 1 – Pico do Mané, Franca

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Essa Fissura bem no meio da parede é a Vida Loka. Os cactus lá no meio deram trabalho pra desviar: Marimbondo pra esquerda, bloco solto pra direita!

Nossa, essa foi incrível também. Uma fendona de mão perfeita (leve uns 3 camalots #2), negativa, que na hora que eu vi (e o wagner tinha me alertado que quando visse ia querer fazer isso mesmo) já entrei conquistando debaixo pra cima na moralzinha. Mas tive que artificializar uma parte que eu acho que “vai dar crux”, acessei um platôzinho pra direita depois do final da fenda, desviei de Cactus, blocos soltos, estiquei horrores desde a última proteção (ok, horrores não vai, uns 3 ou 4m com direito a pêndulo desagradável), protegi numa fenda perfeita que também é agarra que me possibilitou pagar o lance em face e fugir de outros blocos bem soltos num momento que eu estava começando a ficar desesperado pois não queria subir neles (foi lindoooo aquela colocação do TCU verdinho, lembro como se fosse hj, saí do diedro sujo e cheio de cactus e entrei num lance de escalada em face mais exposto e senti o vento batendo no rosto, foi libertador rsrs). E então toquei mais uns 10 ou 15m através de um diedrinho fácil, acessei um platôzinho, subi numa geladeira que não está mais lá, e armei uma parada em móvel a prova de bomba e puxei a furadeira pra bater o Top. Então desci rolando blocos mil, que levaram consigo Cactus, terra, e aproveitei pra furar pro lado esquerdo o Top de uma clássica do pico, a “O Pianista”, que leva o nome devido ao Piano que o Wagner rolou pra baixo do meio da via.

Infelizmente não tive mais oportunidade de entrar lá e tentar mandar a Vida loka! Chama-se parte 1 porque tem claramente uma continuação fácil, em móvel lá pra cima, que vai se chamar Vida Loka parte 2 😉

Enfim! Essas são as minhas fendas favoritas aqui no Interior. Lá na falésia da Caralha também tem uma, a “Para o Beto com carinho”, um 5sup tranquilinho com cara de campo escola também todo em móvel. Mas quando eu soltar o croqui oficial do Pico com os betas de como chegar no pico e talz, aí eu falo sobre ela.

Ah, lembrando que apesar das fendas perfeitas, o Pico do Mané é um pico esportivo, com aproximadamente 70 vias contando as variações e links entre vias , das quais praticamente umas sei lá, 55 são com chapas. Ah, e pra quem quiser fazer uma via mista pra aprender ou pegar mais confiança nas colocações móveis, a Mosquitos no Cuscuzeiro é uma via esportiva com chapas mas que da pra ser feita em móvel. Assim, você pode clipar as chapas e colocar os móveis pra ir se costumando e aprendendo a escalar em móvel, ou se vc já sabe, só pelo lúdico =).

PS1 – Só pra não virem me xingar, São Bento e arredores não entrou na lista pq não considero ali como sendo “interior” do estado, uma vez que é um dos picos mais pertos da Capital, e eu entendo que ali é o mainstream de escalada no estado, tanto de boulder, quanto trad e esportiva. Logo essa lista é mais pra ser “alternativa” mesmo. Divirta-se =D

PS2 – Ainda que no Mané tenha muitas fendas, é em Mineiros do Tietê onde eu vi o maior potencial para escalada móvel da região com inúmeras fendas por setor. Acesso ao Cume fácil pra rolar os blocos, e sombra ou antes, ou depois das 13hrs dependendo do setor. Em breve voltaremos lá! Lembra quando eu postei essa foto aí embaixo, lá de Mineiros?

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Abrindo a primeira via do pico…

E as conquistas continuam!

Bem, esse é um post rapidinho pra dizer que estou indo pra Arcos hoje abrir vias não num setor novo, mas num pico novo…. se tudo der certo vamos abrir para a galera durante o festival..aguardem novidades… B)

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Vou aproveitar e pegar mais 500 chapas Gariglio pra oferecer pra vocês na Quero Escalar e também pra metralhar a região aqui dos arenitos com vias novas. Há picos novos, e a galera está se mobilizando em achar mais, isso é incrível! Abrir via é fácil, dificil é procurar pedras novas, falar com dono, negociar acesso, abrir trilha… E é nessa parte que a galera tem mandado décimo grau ultimamente e feito a diferença no climb da região. Depois abrir via a gente cola junto e  ensina, aprende, compartilha o conhecimento, equipos, etc… Bem, e agradecemos também a parceria da Âncora Sistemas de Fixação que tem apoiado as nossas conquistas de sobremaneira nos últimos meses! Ontem chegou mais uma remessa de Parabolts PBA, Alfa (especiais para arenitos mais friáveis), da cola AQI 380 (para colar agarras principalmente)  com bicos misturadores e tão importante quanto, uma das melhores, se não “As” melhores Brocas do mercado que eu já usei: A Twister e a Booster. Mói pedra, muito bom. E no pico novo ali em Brotas o arenito é um dos mais duros que eu já vi, tava precisando mesmo! =D

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Bem, agradeço o Apoio, no fim de semana vou tirar umas fotinhos para o Review da Mochila Kestrel 32 da OSPREY (que tem sido super pacientes e tem dado a maior vibe) e  dos chumbadores Âncora em ação!

C´ya!

 

PS – Tem umas 5 vias com top batido esperando pra serem terminadas no cuscuzeiro… em breveeee.. 😉

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Essa mochila é foda demais… Aguardem…

 

Curso de Escalada, pra quê?

Pra você não morrer antes da hora, simples assim. Existe uma premissa básica que eu acho muito válida que é: Quanto mais ignorante a pessoa é sobre um determinado assunto, mais expert ela se considera. Por isso é extremamente importante que as pessoas invistam em sua capacitação pessoal e segurança naquele que provavelmente é o esporte mais importante de suas vidas: A escalada. Existem muitas nuances sutis para se aprender neste universo vertical, e nem tudo são flores no maravilhoso mundo da escalada. Existem peculiaridades sobre fitas, mosquetões, freios, cadeirinhas, cordas e até mesmo sobre as técnicas e nós que muita gente nem sonha que exista. Muitas coisas são divisores de águas entre ter um trabalho danado para realizar procedimentos de segurança simples ou realizá-los com maestria e rapidez (rapidez essa que pode ser crucial para sua segurança em determinadas situações). As vezes o que garante que você volte com vida para o chão depois de uma escalada é saber que uma fita não pode atritar com corda pois o ponto de fusão dos dois quando atritados submetidos a uma carga é facilmente alcançado. Saber que existem mosquetões e mosquetões. Que aquele mosquetão que você comprou mais barato na verdade vai ficar encostado pois para sua necessidade ele não é adequado. E aquela cadeirinha de rapel que você comprou achando que era a maior pechincha do século para só então descobrir que não serve pra escalada guiada (e que além de tudo é desconfortável pra cacete?!)? Um acidente não acontece, é construído. E é para evitar a sucessão de pequenos erros que podem levar a uma fatalidade que serve a capacitação. Para identificar riscos, saber as limitações dos equipamentos e as técnias para as quais eles foram desenvolvidos  – e tão importante quanto: para as quais eles NÃO foram desenvolvidos.

O Curso de Escalada da Quero Escalar aborda todos esses detalhes técnicos de equipamentos e vai além, passando aos participantes de maneira didática, prática e dinâmica todos os procedimentos para se assegurar um escalador, para preparar os procedimentos para montar uma parada equalizada e limpa-la depois. Quem faz este curso sai sabendo conferir os equipamentos próprios e os demais, e se torna um ponto de referência entre seu grupo pois saberá avaliar a maior parte das situações de risco a que estão submetidos os escaladores esportivos típicos.

Enfim, faça um curso, se especialize, escale com segurança e ganhe confiança para se aventurar cada vez mais alto nesse tão fascinante universo vertical.

O próximo curso será neste fim de semana! Clique aqui e faça já sua inscrição, Em caso de chuva já temos um local preparado para as práticas acontecerem normalmente.

Não perca tempo, inscreva-se já! Pagamentos facilitados =)

Não perca tempo, inscreva-se já! Pagamentos facilitados =)

Oficina do CUME

Aula teórica na sexta a noite..

Aula teórica na sexta a noite..

É já, foi.. e foi muito boa! Já faz vários anos que temos oferecido essa oficina de escalada para o pessoal que está começando a escalar. Nossa intenção não é formar logo de cara grandes montanhistas com mais conhecimento que o Rambo e um escoteiro juntos. Queremos que as pessoas que fazem essa oficina saiam daqui sabendo dar seg DIREITO, limpar vias COM TOTAL SEGURANÇA e sabendo usar e a verificar os equipamentos utilizados corriqueiramente na modalidade que mais cresce atualmente aqui na região (e provavelmente no Brasil todo) que é a escalada esportiva. Temos consciência que um final de semana pode ser pouco tempo, então trabalhamos esse pouco tempo e focamos no que realmente pode fazer a diferença. Muita gente começa a escalar e bate no peito dizendo que nunca fez curso, que aprendeu com um cara que fazia rapel na ponte em 1984. Nós respeitamos esse tipo de pessoa, mas oferecemos conhecimento e segurança para outro tipo de pessoa, aquela que começa a escalar e quer saber como fazer da maneira mais segura, e principalmente, PORQUÊ é mais seguro. Tanto as técnicas quanto os equipamentos estão em constante evolução (praticamente entrelaçados) e é importante estar sempre atualizado quanto ao uso e relação entre esses equipamentos e as técnicas verticais empregadas adequadas para cada atividade específica dentro do universo da escalada.

Eu como membro do CUME, com 10 anos de experiência em escalada, junto com outros membros do CUME com tanto conhecimento ou até mais, voluntariamente oferecemos essa oficina sem nenhum interesse lucrativo pessoal, apenas queremos que as pessoas escalem com segurança lado a lado conosco, uma vez que não tardará essas pessoas (muito antes do que se imagina) se tornam amigos e passamos a escalar juntos. O valor simbólico das inscrições é todo voltado para o CUME, o que é revertido em manutenção do espaço como na compra de agarras, chumbadores, equipamentos, estruturas para treinamento, colagem de agarras, etc… (manutenção essa que também é feita por nós mesmos).

A oficina, com 20 horas de duração sendo 4h de teórica e 16 de prática, frisa muito na repetição dos conceitos mais importantes para que as pessoas aprendam e saiam sabendo, inclusive identificar e corrigir outras pessoas que estiverem inadvertidamente cometendo algum deslize que possa vir a comprometer a segurança dela ou da pessoa que estiver escalando no pico.

Veja algumas fotos de como foi a oficina, onde 12 pessoas saíram sabendo realmente como fazer segurança pra quem está escalando, fazer o Partner Check e limpar vias com segurança:

Acima as fotos do sábado, onde eles aprenderam a fazer os nós, o Partner Check, a clipada e a dar seg guiada e de Top Rope de ATC e Grigri. Abaixo, as fotos de domingo quando puderam aprender a armar uma parada equalizada, dar seg para um segundo e limpar a via por rapel.

É isso galera! Não tenham dúvidas! Treinem, façam tudo sempre com muita segurança e não tenham medo ou vergonha de dar o toque se virem alguém dando seg errado ou com uma fivela aberta da cadeirinha, espalhem a palavra! =) E na dúvida, perguntem, estamos aqui pra isso!

Alguns ja tinham ido, mas aí estão os que restaram!

Alguns ja tinham ido, mas aí estão os que restaram!

Continuando eu me sinto como…

Como eu me sinto quando...

Como eu me sinto quando… Episódio 2

Todo mundo adorou os Gifs, então, vamos aos que faltavam.

Como eu me sinto Quando:

Alguém acaba de trocar as pilhas da Headlamp e vem falar alguma coisa na roda antes de começar a descer a trilha do Cuscuzeiro a noite:

headlamp no fim do dia de climb

Quando eu descubro que esqueci a Headlamp e vou ter que descer a trilha no escuro:

saquinho de mag em casa

Quando alguém pergunta se quero equipar a Watch me no Cuscuzeiro (uma via com crux depois da última chapa,  no final de um belo esticão):

quero entrar numa via mau equipada

Quando alguém insiste pra eu entrar numa via que eu não to afim:

convencer entrar numa via nao quero

Quando eu chego na rocha pra escalar depois de ter feito treino de quedas:

faço treino de quedas

Quando uma pessoa sedentária (e provavelmente, mas não necessariamente, muito acima do peso) pergunta como que ela faz pra começar a escalar:

gordinho pergunta se tem jeito pra escalarQuando eu levo uma pessoa pra escalar pela primeira vez e ela fala que o rapel ou o baldinho foi a parte mais legal:

mandou a via. uma quedaQuando me perguntam qual a diferença entre escalada e rapel: (Ou quando vejo gente dando seg errada)

conhecido cagada no picoA cara que as pessoas fazem quando eu aviso que elas têm escalado o dia inteiro com a fivela da cadeirinha  aberta:

fivela da cadeirinha

Quando eu chego no setor e todo mundo ta dando seg errada:

giphy

Quando alguém fala que uma agarra numa via “não vale”:uma agarra nao valeQuando alguém me pergunta o nome certo da via e o grau francês pra por no 8a.nu

via a vista 8anuQuando eu vejo gente dizendo que preço alto no Brasil é culpa só de imposto:

preconceito na escaladaE pra encerrar com chave de ouro: Quando me perguntam quando é que chegam as coisas da Edelrid…

perguntam quando chegam as coisas edelridÉ isso aí pessoas! Talvez faça mais um post essa semana porque tem uns vídeos legais saindo esses dias! Até lá, abs!

 

Já que vai fazer, faça direito!

A Daila Faz direitinho!

A Daila Faz direitinho!

Não, Não é propaganda de uma faculdade de advocacia. É sobre coisas que as pessoas fazem na escalada e que algumas delas acabam fazendo de qualquer jeito. Todo mundo sabe que eu tenho um monte de TOC’s (transtorno obsessivo compulsivo) na escalada. Na verdade eu sei que o mundo não vai acabar quando alguem coloca as costuras fora de ordem na mochila, ou quando não põe no elastiquinho a sobra de fita da cadeirinha quando passa pela fivela. Mas a maioria dos meus TOC’s sao bem justificáveis e a sua não observância pode sim levar ao fim do mundo… pelo menos pra quem não se atenta a elas. São fatos que eu presenciei muito na espanha, e na época ficava assustado pois no Brasil aquilo não acontecia (muito), mas hoje está se tornando perigosamente corriqueiro. Eu estou falando de gente com a cadeirinha vestida ao contrário, costuras com o gatilho curvo pra cima, dois “strings” no sling, solteira passada somente na cintura ou na perneira da cadeirinha, rapel de chapeleta de canto vivo, barriga de corda arrastando no chão antes do escalador clipar a segunda chapa, nó faltando uma passada ou com 7 arremates pela sobra de corda, e claro, o campeão dos campeões (Não é dar curintxa na via, que isso pode!): fazer seg ERRADO.

Assim você MATA o escalador

ERRADO

Assim como o Schumacher (desculpe o paralelo antigo, desde quando ele era o N°1 que não acompanho fórmula 1) não pode andar acima do limite de velocidade na cidade, nem estacionar em local proibido, você também que manda décimo grau não pode fazer a seg ERRADO dos seus coleguinhas. Você sabia que em uma queda de 10m, você tem apenas 0.98s ou 98centésimos de segundo para que seus olhos mandem a informação para o cérebro, ele interprete a situação e mande o comando para que sua mão saia de onde estiver e segure a corda? Dessa nenhum bolt te salva, nem Usain Bolt! (tu-dun-tsss). Foi pensando nisso que os fabricantes de freios para escalada (ATC, GRIGRI, CINCH) mandam junto com o seu freio, um EXTENSO manual explicando como usá-lo e principalmente, COMO NÃO USÁ-LO. Assim como não passa de um mito (machista, diga-se de passagem) de que toda loira é burra, também existe um mito de que o GriGri trava sozinho. GriGri NÃO TRAVA SOZINHO. Mas o buraco é mais embaixo pois tem gente que solta a mão inclusive dando seg de ATC!!!!

Nunca solte a mão na corda. NUNCA.

Nunca solte a mão na corda. NUNCA.

Desculpas baratas como “Ah não, de boa, ele não vai cair agora” ou “Ele conhece muito bem essa via” não colam, principalmente quando você está escalando uma via, a 20m de altura, na parte facil dela e olha pra baixo e o seu seg de braço cruzado sem a mão na corda, te dando seg de ATC. É nessa hora que você PODE MORRER. (Afinal, pedras quebram, sapatilhas escorregam, abelhas e vespas picam, aranhas assustam – inclusive se ele estiver de Grigri). Partindo-se do pressuposto da reciprocidade, se você não quer que façam isso pra você, você também não faz isso pra ninguém. E se você se acha muito experiente porque a vida inteira sem a mão na corda e com a mão direita na alavanca seu Grigri travou sozinho (o que dá umas 500 ou 1000 vezes talvez), que tal ouvir a opinião de quem fez 1.000.000 de testes e somou a experiência de escaladores profissionais do mundo inteiro, que caem sem avisar o seg “Vou cair, retesa” e tiraram dados estatisticos que colocam que SE NÃO SEGURAR A CORDA, NÃO VAI TRAVAR. Pelo menos não um em cem? Em mil? cinco mil? Eu é que não quero deixar a VIDA do meu melhor amigo, da minha namorada, daquele cara que me deve uma grana, nas mãos do acaso. Tá aqui comigo, não abro a mão, pode voar a vontade sem avisar que to esperto na seg deve ser a sua “Frase de exibição” enquanto estiver na funça de segurar alguém escalando. E de fato fazê-lo. As vezes não é morte, é pé torcido, é uma perna quebrada, é um traumatismo, uma hemorragia interna, um hematoma… enfim. CULPA SUA. Ahhh, mas escalada é um esporte de risco, o escalador tem que saber que está suscetivel a isso… Ah tá… então o que você fez é propaganda enganosa, porque entrar numa via esportiva com chapa de metro em metro e ainda correr o risco de se matar por vacilo do seg é muita “Falta de sacanagem” do seg. Quem nunca solou um quinto grau cuja seg era dada pelo seu amigo que nunca tinha vestido uma cadeirinha na vida, que se atire da primeira pedra. Mas lá naquele oitavo vc pediu a seg do seu truta experiente né? Então, porque será? Bom, se você leu até aqui é porque você concorda que existe o jeito certo de usar seu freio (freio não né Mário Alberto, estamos falando é do GriGri né), e que ele inclui em não soltar a mão da corda nunca para qualquer tipo de freio, e de não bloquear o mecanismo de travamento (caso ele tenha um).

Movimento APENAS para a hora que o escalador precisa de corda rápido (vai costurar por ex.)

Movimento APENAS para a hora que o escalador precisa de corda rápido (vai costurar por ex.)

E falando em GriGri, tem mais uma coisa:

Além de não soltar a mão direita da corda do momento que o cara tira o primeiro pé do chão até o momento que ele coloca os dois de volta, também você deve saber que Grigri tem um lado certo pra cima e outro pra baixo. E que ele DEVE ser colocado no Loop da cadeirinha. Principalmente a galera das antigas, da época do Guaraná de rolha, cordas de sisal e que as cadeirinhas não tinham loop, ou da galera mais nova que aprendeu no boca boca com essa galera da antiga e nunca se reciclou ou sequer leu uma linha do manual daquela super cadeirinha nova e moderna de 200g que o amigo trouxe na mala da gringa. Esses ainda dão segurança com o mosquetão na perneira e cintura da cadeirinha, torcendo o GriGri erroneamente para o lado, e solicitando o mosquetão em direções as quais ele não foi designado para. (sem contar que é uma bosta, apertado e esquisito passar nos dois pontos). Bem, se você não usa o Loop pois não confia “num ponto só”, não arme top ropes com parada equalizada. Afinal, é uma fita só que une as 2 chapas né Capiroto? O que te faz pensar que o seu loop não é mais seguro pois aquela sua cadeirinha da conquista feita com estofado de sofá e cinto de segurança ja tem 10 anos, mas a cintura e a perneira dão conta de segurar uma bela voada? Seu loop é a parte mais forte da sua cadeirinha!   (precisando de uma cadeirinha nova? Clica aqui hehehe)

Então leia o manual de tudo que você comprar até a dessossar todas as informações! E Não tenha vergonha de admitir que tem dificuldade em vestir uma cadeirinha direito nas primeiras vezes. É normal, depois vc pega a manha! Mas Porfa! Veste ela direitinho, nem que lhe custe 3 ou 4 (ou quantas forem necessárias) colocadas e tiradas até que a perna esquerda esteja na esquerda, a direita na direita, e ambas orientadas na direção certa. E que a fivela esteja fechada, o loop não torcido. O mesmo vale pra quem já faz seg errado, ou ta aprendendo: Desbique, trave, puxe a corda do seu amigo que está escalando (de preferencia uma via abaixo do limite dele) enquanto você aprende a fazer seg direito, mas insista em fazer corretamente a segurança e não se deixe levar para o lado negro da Seg!!! Você vai ver que custa muito pouco! Fazer seg em duas ou tres vias do jeito certo já terá sido suficiente pra vc dominar a técnica. Tem muita gente descordenada que faz direitinho, não é possível que você não consiga! Lembre-se: A sua humildade pode salvar uma vida!

Ademais, recomendo a extensa leitura do artigo em ingreis (veja as figuras pelo menos, Anarfa) sobre o uso do GriGri que tira TODAS as suas dúvidas sobre seu uso.