Em busca da parede perfeita…

Essa foto ficou tão massa que vou até abrir excessão e não por uma mina no post de hoje! Via Manga com leit.. não, pera....

Essa foto ficou tão massa que vou até abrir excessão e não por uma mina no post de hoje! Via Manga com leit.. não, pera….

Pois é, ainda não voltei a tikar meus projetos no cusco ou itaqueri, mas já ta rolando uns treininhos pra espairecer. Enquanto isso, temos procurado paredes novas pela região de São Carlos (Ipeúna/Itirapina). Infelizmente as duas que fomos eram uma obra prima da engenharia: Paredes de arenito perfeitas. Perfeitamente lisas: parece que foram alisadas com colher de pedreiro sem NENHUMA agarra. Esperamos que a chuva de Granizo dessa semana que caiu em São Carlos tenha esculpido algumas agarras nesses arenitos podres e lisos, porquê vô te falá… ta dificil! Incrivelmente minha câmera está de sacanagem comigo, reapareceu depois de ter sumido em Londrina, e depois dos rolês sumiu de novo. Quem sabe o próximo post. Temos feito uma vasta busca via Google Earth e encontrado várias paredes potenciais. Algumas surpreendentemente perto, a maioria surpreendentemente podres ou lisas. Continuamos a busca. A região das cuestas de Arenito tem bastantes feições de rocha e escarpas, e a se julgar pelas já existentes como invernada ou Itaqueri, que não aparecem na foto de satélite, tem muita coisa BOA escondida. Seguimos na busca, tirando um dia do finde pra procurar, averiguar, andar e quem sabe em breve encontrar o pico perfeito com pelo menos o mínimo de agarras pra sair pelo menos algumas vias numa rocha que não fique a marca dos dedos ao tocar. Enquanto isso fazemos passeios belíssimos pela região de cuestas, tão rica em paisagens porém bastante deficiente em trilhas de responsa ao público caminhante/trekker. Pra esse público a região é um prato cheíssimo a se explorar, abrir e elaborar roteiros que até o mais xiita dos escaladores deixaria sua cordinha de lado para percorrer. No sábado pudemos conhecer a gruta do Fazendão e descer seguindo pelo rio até o fundo do vale e encontrar a Boca do Sapo. Tudo com arenito pra lá de podre e/ou sem agarras. Uma caminhada de algumas horinhas num local bastante aprazível.

E onde sabemos que já houve tentativas de abrir vias, ou abrimos algumas de fato, o pico está fechado por irresponsabilidade de um escalador pelo acesso passar por alguma propriedade privada cujo dono é um milionário que não quer saber de ninguém entrar pra perturbar seu “miniclube particular”.  

Mas enfim, quem souber de uma parede genial compartilhe conosco que nós retribuimos compartilhando o knowhow e os apetrechos, como de fato está ocorrendo em cidades próximas. Espero poder compartilhar novidades em breve!

E essa semana saíram alguns videos bem massa, e até lembrei de um de uns anos atrás bem legal também. 

Começando com a 4º parte da série sobre “re-escalando as clássicas”. No post passado eu pus o episodio 6 mas esqueci do 4º, então vai lá… Algumas vias míticas antigas mais famosas pelo conquistador ou primeiroascensionista que pela via em si. Dessa vez, outra lenda, Jerry Mofat em “The face” 8a+ (10aBr) da década de 80. 

E aqui o garoto sensação inimigo número 1 do Adam Ondra Alex Megos em um rolêzinho pelos picos Ingleses. Tempo ruim, frio, chovendo e ventando… Saudades da Espanha hein lemão?! kkkkk

O Ex-atleta Petzl e Atual BD Joe Kinder Ovo em um projeto caracteristicamente espanhol no quintal de casa nos EUA. Será que ele perdeu o patrocínio Petzl depois da polêmica de abrir e arrancar do pé da via para proteger a queda entre a segunda e terceira chapa onde é o Crux, duas árvores centenárias e protegidas pelo Ibama e venerada pelos escaladores locais? 

E falando em Polêmica, o Joe Polêmico Kinder em mais um FA só que dessa vez com algumas agarras bastante suspeitas, tipo uns tridedos de 3/8″… será? kkkk

E acabamos com um vídeo centenário (tá, deve ter uns 4 ou 5 anos apenas) da Petzl com escaladas Vintage.. Alguém anima fazer a versão brazuca? hehe

Bem, acho que por hoje é só… Seguimos na busca por paredes escaláveis, se quiser contribuir com a escalada e compartilhar alguma que você conhece na região, chama nóis! (mas tira foto antes hehe) ;)

Vídeos e novidade!

Shimoto, em sua homenagem a foto-decorativa de hoje!

Shimoto, em sua homenagem a foto-decorativa de hoje!

Semana passada foi uma correria: entre arrumar malas, aprender a usar um programa novo e com ele fazer uma apresentação para o 15º Encontro de Escalada de Londrina sobre erros comuns e práticas seguras em Escalada Esportiva, não sobrou tempo para post no blog. Mas em compensação o Encontro foi muito legal, fiquei com uma melhor impressão ainda do pico dessa vez, tendo entrado em vias “modernizadas” seguras mas não por isso menos desafiadoras. Viagem tranquila, amigos agradáveis, bom climb, enfim, tudo na paz. Pena que esqueci minha câmera e não tirei nenhuma foto :/ Na verdade não faço idéia de onde ela esteja!

Enquanto isso, não muito longe dali… Acumulei alguns vídeozinhos muito interessantes. Vamos a Eles?

Começando com a super conquista brasileira no Fitz Roy, na Patagônia. Muita sorte com uma ventana de tempo bom incrível, e claro, muita competência por parte dos escaladores incontestáveis Sérgio Tartari, Flávio Daflon e Luciano Fiorenza.

E mais um filminho brazuca bastante simples e aprazível. Tardes de outono em Floripa mostra um lado Catarinense pouco divulgado por aí com uma escalada bonita num vídeo bem instrutivo. Diz a autora do vídeo que vem mais por aí… Estamos no aguardo! =D

E lembra daquela série da Mammut sobre vias velhas escaladas por escaladores novos? Pois é. Aparentemente hoje em dia os escaladores ficam escolhendo as vias mais perfeitinhas e no seu estilo pra evoluir ou pelo menos se divertir. No de hoje o Sean MColl um dos grandes das competições Não-mandando a via Hubble da Lenda dos anos 80 Ben Moon, que abiu e aparentemente foi o primeirio a mandar a via que tem agarra molhada, clipada tensa, crux no começo, passagens esquisitas, em pouco mais de 15m… haha 

E já que já fomos pra gringa, um vídeo que dá água na boca sobre um pico alucinante. Detalhe que é um vídeo comercial feito pelo/para o abrigo local e mesmo assim é de se assistir de novo. Detalhe para a Caroline Ciavaldini de Biquininho. ;P

Se você gostou da Carol, veja esse vídeo que mostra, entre outras coisas, um pouco do início de sua carreira:

Mas falando em garotas gringas... Ô Grória.. Daila Ojeda, Alizee Dufraisse e Olivia Hsu contando sobre suas motivações na escalada e claro, escalando num daqueles vídeos Zen da prana para quem é vegetariano, vai pro trabalho de bike, ajuda no azilo, doa sangue toda semana, não fala palavrão, não bebe alcool, não usa drogas e não fala mal de ninguém. (ou seja, não existe kkkk)

E Aqui a lenda viva Cuscuzeiriana, o cara que abriu as famosas Watch Me, Let´s Go, Mosquitos, Denorex, Fly or Die e Manga com Leite no Cuscuzeiro, o tal do “Alemão”… Carsten, falando sobre as maravilhosas cordas da Edelrid:

No final, mas não por último, uma palestra/vídeo/documentário sobre o famigerado Alex Honnold. Perguntas inusitadas… E confessando sobre sua motivação para solar vias e como ela foi mudando ao longo do tempo. “…No princípio eu comecei a solar pra ver se eu comia alguém..” kkkkkk Hilário…. 

E encerro deixando a foto da capa do Guia do Cuscuzeiro que finalmente está na Gráfica para impressão. Em breve à venda em alguns lugares que eu vou selecionar a dedo kkkkk

Guia Completo de escaladas do Cuscuzeiro - Já na gráfica, em breve, na Quero Escalar!

Guia Completo de escaladas do Cuscuzeiro – Já na gráfica, em breve, na Quero Escalar!

 

 

Práticas e Ética na Escalada Esportiva (Pode isso Arnaldo?)

Esse é o tipo de movimento dinâmico sem pés que a corda não pode interferir

Esse é o tipo de movimento dinâmico sem pés que a corda não pode interferir

Uma vez eu fui num médico por causa de minhas lesões nos dedos devido à escalada. Quando eu expliquei a ele o que eu fazia, ele me perguntou porque eu não subia pela escada. WTF???!?!!??Pra quem está de fora, nosso universo da escalada é um mundo a parte, e até mesmo quem já está a algum tempo nessa ainda não entende algumas “regrinhas” subliminares (nóias) que temos, e muitas vezes surge alguma cadena polêmica, que fulano diz que mandou a via a vista, o outro diz que não foi a vista, e um terceiro diz que nem cadena foi. Para orientar os escaladores, o site 8a.nu criou uma tabela de “regrinhas” que todo mundo sabe, segue, mas não está escrita em lugar nenhum. É basicamente o bom senso passado pro “papel”. Esse site 8a.nu pra quem não conhece, oferece um perfil para você cadastrar suas cadenas, e pra cada uma ele te da uma pontuação, dependendo do grau, se foi a vista, flash, etc… e com isso vc entra no ranking nacional ou mundial pra saber seu nível. A maioria das pessoas que eu conheço não liga pra isso, mas eu gosto porque fica um registro histórico das vias que eu escalei, os comentários sobre o que eu senti na época e um gráfico da evolução. Da uma olhada no meu por exemplo. Aí como tem um ranking, os playboy termina as vias pegando na costura da parada, sai com a quinta clipada, segura o pêndulo  do bote no meio da via pelo esticar da corda, tem a via inteirinha “beteada”, enfim, aí vai lá e coloca que mandou a vista no 8a.nu pra ganhar mais pontos e ficar na frente dos amiguinhos. Ou como diria o Bruno Marcondes, neguinho já entrou na via n vezes, mas aí vai lá e coloca que foi a vista. E aí os outros playboy fica putinho e eles ficam tretando pela internet dizendo que mandou ou não mandou (acho que até aqui vc não sabe se eu gosto ou não desse site né? kkk) e o bagulho fica engraçado.

Pra você que está começando e não está entendendo nada, a brincadeira é a seguinte: Toda essa galera que você conhece que já escala e faz essa tal de escalada esportiva joga um jogo cujas regras são as seguintes mais ou menos: escalar guiando as vias inteiras sem cair, sem se apoiar em pontos artificiais como as chapeletas, galhos de árvore nem sentar na corda pra descansar nenhuma vez. Só quando isso acontece podemos dizer que “MANDAMOS” uma via. Pra conseguir algumas pessoas escalam a via primeiro de TopRope, mas a maioria entra guiando mesmo e caindo nos pontos mais duros das vias que estão acima de seus limites, ensaia os movimentos até tê-los decorados e então entra pra “Mandar”.  Então, se eu entro guiando numa via, caio 1x no crux mas chego até o final, eu não mandei, a menos que eu entre novamente desde o chão, guiando, e faça sem nenhuma queda, logrando assim a famigerada cadena da via! Encadenei a via, mandei a cadena são sinônimos. Mas como ensaiar uma via ou “Fleshar” – entrar sabendo todos os betas – é mais facil que mandar uma via de primeira sem saber nada sobre ela, a tal da escalada à vista é tida como o estilo mais puro e que mais traduz seu nível atual na escalada, pois mostra realmente qual grau você está mandando por si só. Aí conforme você pode ter lido no post passado, nós alternamos entre mandar vias abaixo do nosso limite para aquecer, nos divertir, aprender um pouco de técnica, os movimentos, e mandar vias no limite e acima dele para nos desafiar e melhorar, ficar mais forte/técnico e consequentemente ter mais vias pra gente escalar abaixo do nosso limite depois que nosso limite é elevado.

Aí, pra não ter dúvida sobre como são essas regrinhas, não do site mas da maioria das pessoas de bom senso sobre o que você “pode” ou “não pode” fazer pra falar que mandou sua via, traduzi e adaptei uns 10% pra realidade brasileira novamente a tabela do 8a.nu sobre as regras de ética na escalada.

 

Eis aí algumas regrinhas que seguimos inconscientemente!

Eis aí algumas regrinhas que seguimos inconscientemente!

Tem algumas tipo desescalar que eu nunca tinha ouvido falar… também pudera né, acho que temos mais bom senso que os gringos hehe nunca vi ninguém guiando até a quinta chapa de uma via, depois desescalando até o chão pra depois entrar pra cadena e falar que valeu. Mas enfim, cada um cada um! E claro, tava incompleto o tópico sobre não chapeletar fendas, então adicionei um pouco do que tenho visto pelo Brasil afora, principalmente Minas e SP nesse quesito.

Tem um ponto que eu adicionei que não tem mto lá fora, (tem também, mas menos) sobre “VALE AQUELA AGARRA” ou não vale. Reza a lenda que quando o Chris Sharma mandou a via La Rambla, 9a+Fr (12aBR), o cara que tinha mandado pela primeira vez, o espanhol Ramonet, falou que o Chris Sharma usou uma agarra que não vale kkkkk Aparentemente não mudou o grau do crux (mas o ramonet falou que fica mais fácil com ela), era uma agarra aparentemente 30cm pra direita, e depois todo mundo que mandou usou também.

E aí, alguma polêmica? Acha que tem que mudar alguma coisa? Agora alguma cadena sua passou para a categoria “Curintcha”? (ou seja, vc colocou que mandou à vista mas tinha tentado a saída 5x e depois que saiu do chão não caiu mais?)

E por falar em Curintcha, vou colocar aqui um vídeo que me deixou meio indignado. O cara malhando um sei lá, nono ou décimo grau em móvel numa fendiquinha lazarenta (se pá até já pus esse vídeo aqui). Aì de repente faltando uns 5m pra fenda acabar ele da um puta dum curintxa e cai pra fenda da esquerda mais fácil que esteve lá o tempo todo e termina por ela, deixando a fendiquinha lazarenta pra direita. Ladrãaaaaaaaooooooooo! Pode isso Arnaldo?

 

E só pra dar uma decorada no post, vejam esse vídeo e entendam porquê morando em São Carlos eu não faço Boulder. Admito, eu gosto de boulder também… Adoraria fazer boulder num pico tipo esse, incrível! Ahhh, a grama do vizinho é sempre mais verde né? kkkkkkkk

Cada um cada um né? Mas esse próximo vídeo me faz lembrar que eu prefiro as vias hehehe

 

Dicas para escalar melhor adaptadas para a realidade brasileira

Escaladora anônima aleatória da Semana!

Escaladora anônima aleatória da Semana!

Em todos os meios de comunicação pipocam métodos milagrosos para que você da noite para o dia passe do 5sup para o oitavo grau. Artigos normalmente norteamericanos, espanhóis, ingleses ou franceses em sua maioria. Citam planificações de 8 semanas, 10 semanas, descanso, viagem, treino, mais um monte de planilha que só de olhar dá vontade de ir pro bar tomar uma e pedir uma porção de fritas com bacon. Baseadas em uma outra realidade, pra gente aquilo tudo parece meio de outro planeta. Ainda que tenhamos academias modestas em quase todos os grandes centros que possuem escaladores, ainda não há nenhuma daquelas mega academias do tamanho de um campo de futebol, com vias de 20-25m como em Innsbruck ou na California. Beleza, mas considerando que a sua academia é suficiente pra você fazer os treinos. Aí você vai lá fazer o treino de finger e em duas semanas tem que parar de escalar por causa de alguma lesão. Como assim? Nunca tive lesão! Escalo faz 6 meses, já estou forte, mandando 7a, entrando em 8a, como isso é possível? Sabe de nada, inocente. Bom, aí é pq vc não leu os avisos exaustivos nos próprios artigos de que esse tipo de treino é pra quem já escala há mais tempo.  Existem três jeitos de evoluir na escalada: Treinando, Escalando e treinando ou só escalando. Se você não fizer nenhum dos três, (só caminha) vai ficar dificil você sair do quinto grau (a menos que você tenha 16 anos, tenha 1,90 e 60kg e tenha uma certa consciência corporal advinda de outros esportes).

“Ai, mas pra que eu preciso mandar mais que quinto grau? Não sou esses nóia que fica preocupado com grau, eu quero me divertir”.

Acho justo! Mas tem muita gente inconformada por aí, e também pudera. Um dos motivos que levam as pessoas a quererem evoluir (além do próprio ego) é que se você escala quinto grau, você tem pouquissimas vias pra subir quando sai pra escalar. Em praticamente todas as nossas falésias com exceção do Rio que tem suas vias de terceiro e quarto que da pra descer de bicicleta (mas eu demoro uma semana pra guiar uma enfiada), o restante das falésias do Brasil tem poucos quintos graus. Então se você não quer fazer a mesma via todos os fins de semana, ou limitar-se a fazer 3 vias apenas na sua viagem de 1 semana pro cipó – que não necessariamente são as linhas mais estéticas do pico mas também não vai ser ruim – é melhor você começar a treinar. Não precisa mandar décimo grau, mas poxa, guiar com tranquilidade um sextinho e mandar com alguns pegas um sétimo grau já faz você se divertir horrores em qualquer lugar.

Uma coisa em comum  entre todos os livros de treinamento para escalada é que até oitavo grau você não precisa de muita disciplina e esforços sobrehumanos e com apenas algumas mudanças de paradigma já da pra se divertir e evoluir bastante!

Depois de ler alguns livros de autores como Eric J. Hörst e Dave MacLeod elaborei algumas dicas para as pessoas poderem escalar melhor baseadas na nossa realidade levemente diferente.

Algumas diferenças básicas principalmente para os Paulistas, mas provavelmente gente de mais estados vai se identificar: Falésias muito longe e Picos com poucas vias: Enquanto lá fora os picos bons tem 3.000 vias e neguinho fala que os pico ruinzinho tem só 300, aqui o melhor pico é capaz de ter essas 300. Muitas vezes os – já poucos – quintos graus são antigos e mau grampeados, aí um iniciante não pode guiar pois corre risco de dar chão antes de costurar a segunda, ou mesmo se cair antes da primeira pode se machucar feio. Aí é foda! Mas tudo bem, é nossa característica nos virarmos com o que temos né?

Carnaval em ritmo de festa!

Escalada de carnaval em ritmo de festa!

Divirta-se, mas saia da sua zona de conforto pelo menos um pouquinho.

Comumente a galera mete uma pressão na gente terrível! Não pode TopRope, não pode entrar em via repetida, não pode gritar retesa. As vezes é importante você só se divertir mesmo, especialmente quando está voltando, quando não treinou muito ou principalmente quando está começando. O importante é você (re)conquistar confiança, o prazer e a motivação que são fatores psicológicos tão fundamentais para sua evolução. Se você está voltando, ou começando, o importante realmente é você fazer um volume de vias abaixo do seu limite para que vá alimentando essa coisa aí dentro que vai fazer você querer treinar e voltar com tudo! Fazendo isso você também acaba (re)adaptando seu corpo para o stress que seus tendões vão receber e também vai descobrindo como sua cabeça funciona numa situação teoricamente controlada. (mas cuidado pra não acomodar!)

Treine. Na academia, na rua, na fazenda, numa casinha de sapé.

Se você é uma pessoa normal, daquelas que só vão pra rocha aos finais de semana (os chamados “Weekend Warriors”), você precisa fazer alguma coisa com seu tempo livre enquanto espera ansioso 5 dias para escalar novamente. Correr ajuda MUITO. Mas assim, MUITO mesmo. Tipo, PRA CARALHO. Corra. Vai. Tipo, agora! Anda! Ta esperando o quê? Direcione toda sua vontade de escalar pra corridinhas suaves de meia hora/uma hora uma ou duas vezes por semana. Isso faz milagres, pode crer. Hoje em dia está na moda o tal do crossfit ou do treinamento funcional. Realmente é sensacional e pra muitas pessoas que estão já num nível um pouco mais alto na escalada, tem feito uma grande diferença, praticamente eliminando a necessidade (eu disse praticamente mas não exlcuindo totalmente) de treinos de escalada como subir vias ou fazer boulders em ginásios. Você acaba ficando forte por inteiro, fortalece ombros, cotovelos, peitos, costas, joelhos, e fica bem menos suscetível a lesões. E como faz bastante aeróbico, vc acaba mantendo o peso controladamente baixo, o que também é melhor ainda pra evitar lesões. Se você não pode pagar pelo treinamento funcional, faça travessias no boulder cada vez mais difíceis pra ganhar resistência, a ponto de ficar cada vez mais cansado com menos tempo, mesmo você estando mais forte. Agora, se você está voltando de lesão, antes de voltar a se pendurar, FORTALEÇA. Quando você fica muito tempo parado, seus tendões definham e se você voltar querendo alcançar afobadamente seu nível de quando parou, vai ficar tendo lesão atrás de lesão, vai por mim. Por isso, é importante que sare bem e depois faça um fortalecimento por semanas seja com bolinha, com massagem, elástico, aí vai de cada um, antes de voltar. Abdominais suspenso também são sensacionais pra desenvolver sua tensão corporal tão importante. Concilie a corrida e 300 abdominais suspensos e veja os resultados. Sem raízes brancas, ligue já!.  E se você não tem onde treinar, não pode pagar academia, muros com pedras são excelentes alternativas, normalmente são dificeis, com muitos regletes, e é um treino excelente. Quando a polícia chegar é só explicar que você está fazendo boulder e que aquele pó branco não tem nada de suspeito. (sugiro pedir autorização para o porteiro/dono da casa. Se ele não der, aí vc escala mesmo assim e ainda com aquele gostinho da aventura e do proibido kkkkk)

Quem não tem academia...

Quem não tem academia…

Faça a Pirâmide

Apesar de termos poucas vias, no longo prazo com todas as viagens que você vai fazer você conseguirá ir fortalecendo a base da sua pirâmide. Mas o que é isso? É assim, você só tenta um sexto grau, depois de ter mandado 10 quintos. Só entra num sétimo, depois de ter mandado 15 quintos e 10 sextos. Só entra num 7b, depois de ter mandado 5 7a´s e 15 sextos. E por aí vai. Dessa forma você vai adquirindo experiência, solidez e confiança na sua escalada. Se não vc fica sendo aquele cara que manda um 7c decoradinho com maestria, mas escala horrívelmente se atrapalhando todo, bufando como se tivesse num nono, um quinto grau que era pra você estar aquecendo. E isso acontece mesmo viu! também conhecido como Vergonha alheia. Adaptando pra nossa realidade, você só entra em sétimos depois que estiver guiando sextos, porque também não da pra exigir que você entre em 10 sextos que muitas vezes somando quintos e sextos nem tem isso de via na maioria das falésias! No Acre inteiro por exemplo não tem nenhum! Tenha bom senso, Se só tem um sétimo pra escalar, tudo bem, escale o sétimo, mas se você está num pico novo e você não tem tantos quintos ou sextos (ou sétimos, sei lá, a base da sua pirâmide) de preferência para fazer o maior número de vias possível. Isso te garante ampliar seu repertório de movimentos e você precisará de menos força bruta pra conseguir mandar as vias mais duras. 

Piramide com base larga é melhor, o ideal é que com o tempo vá virando um quadrado, montado de baixo pra cima claro

Cada quadrado é uma via que você mandou. Piramide com base larga é melhor, o ideal é que com o tempo vá virando um quadrado, montado de baixo pra cima claro. 

Malhe Vias.

Normalmente os atletas de ponta aquecem num oitavo, nono grau depois vão malhar seus projetos de décimo, ônzimo. E ficam nessa via até mandar. Não raro a gente ouve falar que o cara entrou 27 vezes numa via até mandar. O Chris Sharma tentou 99 vezes aquela via sobre o mar num arco em Mallorca, lembra? A via era a El Pontas e tinha um bote insano. Ele já mandava 12a brasileiro e mesmo assim demorou 99 pegas pra mandar o 12b. O Adam Ondra também deu não sei quantos tentos na “La Dura Dura” ou “The change” e isso pq ele ja mandava 11b a vista na época (hoje ele já mandou 3 11c´s a vista). Isso que é determinação! Isso é importante pois cria objetivos e faz com que você tenha uma meta a ser alcançada. Mantém a motivação em alta e sustenta saudavelmente o músculo mais importante pra escalada: o Cérebro. Se vc não mandar, não tem problema, no fundo no fundo vc sabe que tudo é treino né? É bom também que você se acostuma com o processo, que é a parte mais demorada, e não com a conquista que é instantânea e logo você já está pensando qual será a próxima. É claro que se no seu projeto você não consegue nem sair do chão, é mais prudente que você escolha um projeto mais factível, e faça a tão falada pirâmide. Mas se sua pirâmide tem uma boa base, já deu 27 pegas no seu projeto? 

Dê tudo pra mandar seus projetos!

Dê tudo pra mandar seus projetos!

Repita vias.

Lá na gringa, com os picos de 3.000 vias, você mandou um 7a, não tem razao nenhuma pra repetir enquanto você não mandar os outros 250 7a´s, e mesmo depois disso, é pra você começar a mandar os 250 7b´s e por aí vai. Aqui não tem isso, então uma maneira interessante de treinar no quintal de casa é ocasionalmente repetir vias. Mas procure dilapidar a sua escalada na via para que possa executa-la com maestria fazendo o mínimo de esforço e o máximo de técnica possível (ou seja, escale bonito). É bom pra você saber como está o seu nível, é divertido, acaba sendo um bom aquecimento ou mesmo treino, e sabe como é, o importante é estar escalando não é mesmo? Mas também não vá cair no círculo vicioso de ficar repetindo sempre as mesmas vias pra sempre. Quando eu comecei a escalar tinha um escalador “fodão” que SEMPRE mandava as mesmas vias, a gente pagava um pau, mas depois de um tempo começamos a nos perguntar porque nunca tínhamos visto ele entrar nas outras vias no pico no mesmo grau. As vezes ele gostava muito daquela, ou as vezes ele tinha desencanado do processo de descobrir, tomar espanco e evoluir nas outras. Com o tempo aquele cara foi se afastando da escalada. Nunca vou saber se foi por falta de motivação ou porque casou rsrsrs

Viaje.

Com um background arenistico no quintal de casa, lembro como sofri a primeira vez no granito de Andradas. JESUUUUUISSSS!!!! Fazia força de sétimo grau (que eu nem mandava na época) em quartos de aderência. Adquiri tantos “experience points” que ganhei um level up no trabalho de pés. Granito é bom pra isso né?! (e só pra isso). Aí fiz parede e aprendi o foco necessário quando não se vê a última costura e é preciso entrar num lance que você não tem certeza que vai mandar. Quando voltei, guiar as vias esportivas “esticadas” era mamão com açúcar! E percebi que fazia muito menos força nas vias pois movia melhor os pés e me posicionava mais adequadamente economizando energia naturalmente. Quando fui pro Cipó me apaixonei pelo calcário, era essa a resposta que eu procurava ao “porquê eu escalo” e achei meu estilo, o lugar mágico e a rocha com agarras benevolentes porém não menos difícil. Voltei pra casa determiando a treinar, ficar forte, fazer a lição de casa e voltar pro Cipó pra mandar os projetos e pendências e me divertir horrores. É bom também porquê você conhece outras realidades, outras “éticas locais”, gente que manda muito mais que você, gente que manda menos que você e você descobre que tamo todo mundo junto no mesmo barco. Eventualmente seus amigos novos virão escalar contigo no seu quintal e você poderá sempre encontrá-los quando voltar, e até mesmo fazer a maior festa quando ambos estiverem escalando “fora de casa”. As vezes você terá casa cheia, e outras vezes não vai precisar pagar camping, hostel e conhecerá a hospitalidade de cada estado com guias locais que são seus parças.

Beto e Eu Tietando a Melissa Le Neve, super simpática!

Beto e Eu Tietando a Melissa Le Neve, super simpática!

Socialize.

É mais um adendo do tópico anterior, mas quando você chega num pico com seu brother, entra quieto e sai calado, você perde a oportunidade de conhecer técnicas novas, novos equipamentos, detalhes sobre as vias que você nunca imaginaria (que uma via tem uma continuação linda que não aparece no croqui – ainda mais com a maioria dos croquis que tem por aí que venhamos e convenhamos né? – ou que tem marimbondo) e pode trocar muita informação sobre novos lugares pra escalar, novas vias, betas de lugares mais baratos pra ficar. Mas só por isso você não mereceria a socialização. Também tem que ser espontâneo e não por interesse! Oferecer seg é uma ótima maneira de quebrar o gelo. Bolacha com café preto, vish, os nego vem que nem abelha no mel! hahaha Né Mel? haha Os mineiros adoram uma cachaça, Sulistas não largam o Chimarrão, enfim, essa troca de culturas é saudável para sua vida como um todo, não só para a sua escalada!

Escale a vista.

Como temos tããão poucas vias nos picos, é valiosíssima sua primeira entrada! A menos que você tenha em mente REALMENTE e com convicção que quer mandar seu primeiro 7b em flash, dê o primeiro pega a vista. Você aprende as malícias de pensar rápido nos momentos mais tensos, as estratégias para esse tipo de escalada, acaba ficando mais esperto e aprende a escalar a via do melhor jeito para o seu corpo, com o seu background, sem estar sugestionado a fazer de determinada maneira. Você acaba lembrando muito mais a sequência de agarras para um eventual segundo pega e incorpora com muito mais naturalidade a nova gama de movimentos que essa via te ensinou. (é bom também pq ninguém pode falar que você roubou porque usou aquela agarra meio metro pra direita da chapa sem magnésio que facilitou muito sua vida, sendo que a via inteira era pela esquerda). No começo pode parecer meio difícil, mas depois que a mágica acontece… ahhh… aí a mágica acontece ;) .  Com relação ao tanto que  o a vista te ensina e te faz evoluir, dizem que a escalada a vista está para a escalada com os betas, assim como a escalada guiada está para o top rope. (eu digo isso) Da mesma maneira, NÃO dê betas indesejados se as pessoas não pedirem! Uma vez tinha uma australiana chamada Naomi escalando no cuscuzeiro. Quando passei embaixo dela gritei: É pela esquerda a via viu?! Ela olhou pra baixo com o zoião arregalado e exclamou: EXCUSEME?? Aí eu muito sagaz: Não é com vc não, é com o cara na via da esquerda! kkkkkk Quem preza pela escalada a vista DETESTA beta e uma dica que você der pode transformar uma cadena extrema da pessoa a vista num flash (o quê da muito menos pontos no 8a.nu também). E por falar em 8a.nu, um 7b a vista te da mais pontos que um 8a malhado, pense nisso! Enfim, apesar de ter muita gente por aí beteiro pra caramba, cada vez cresce mais o número de praticantes da escalada a vista, e você poderia ser um deles!

Escale vendado.

É ótimo para você treinar sua concentração, seu trabalho de pés, sua estratégia, enfim, é só vantagem! Experimente um dia e você vai se divertir horrores enquanto treina! Não precisa entrar num oitavo grau exposto, pode ser uma via que você já conhece na academia ou mesmo na rocha. O exercício de não poder ver e ter que ir tateando é ótimo! E as blocadas isométricas (aquelas que você faz quando começa o movimento e trava no meio enquanto com a outra mão vai tateando buscando uma agarra) são um excelente treino!

Depois da escalada Onsight, Escalada OnBlind hehehe

Depois da escalada Onsight, Escalada OnBlind hehehe

Escale com quem escala mais/há mais tempo que você.

Recentemente teve uma puta polêmica na Climbing porque um cara escreveu uma matéria alegando que o problema do lixo, bagunça e consequente fechamento dos picos é porquê os “zé ruela de academia” (SIC) vão pra rocha sem saber como se comportar no ambiente natural. Acho que nesse comentário ele errou feio errou rude, pois no meio da discussão lançaram um contraponto excelente: Se 10% da população é idiota, é natural que 10% dos escaladores também sejam. Então a culpa é da sociedade e não das academias. Nem vou entrar nessa discussão pq acho que não é o foco deste post. O que eu quero ressaltar é que ir pro pico acompanhado de alguém que já tem experiência na rocha te deixa mais seguro e comete menos gafes naturais de primeira vez como em todos os lugares. Ele pode te mostrar onde é o melhor lugar para o número 2, quais são as melhores vias, quais você deve evitar dependendo do seu grau, ou te botar numa bela roubada porque ele confia no seu potencial e que você nunca entraria e acaba adorando. Mas onde eu quero chegar é que você pode aprender muito com esse brother/tutor. Quando eu estive em Arco na Itália, aprendi tanta coisa com meus padrinhos da escalada, o Birão e a Dani, que até hoje propago esses métodos tão eficientes que se tornaram TOC e muita gente já os pegou de mim para seu benefício próprio. Exemplos práticos são: Se encordar ANTES de colocar aquela sapatilha 5 números menor que seu pé que você nem a suporta direito durante a escalada muito menos em pé, no chão, enquanto se encorda. Tirar a poeira da sola da sapatilha com a palma da mão antes de calçá-la pode ser a diferença entre mandar e não mandar uma via com pezinhos delicados. Tirar a LAMA da sapatilha é respeito ao próximo pois as agarras de pé logo serão agarras de mão. Não dar seg de sapatilha pra não fuder a sapata que independente do seu nível financeiro, não foi barata. Respirar no meio do Crux, costurar com o braço esticado em posição relaxada, enfim, tanta coisa que sinceramente dava pra fazer um post só em homenagem a esse casal que hoje mora em Bragança. Mas também tenha parcimônia, não foi meu caso, mas muita gente da “antiga” tem vícios terríveis como dar seg nos dois pontos da cadeirinha e não no looping como manda o manual de qualquer freio ou cadeirinha. Invariavelmente, se as pessoas com quem você escala são mais fortes, vai sobrar pra você limpar vias acima do seu nível garantindo inestimável aprendizado, ou ter várias vias no seu grau equipadas pra você entrar tranquilo que se você não mandar tem alguém que manda, (mas que você vai acabar mandando e se não mandar pelo menos terminar pela dignidade kkkkkkkkkk) garantindo grande evolução. É aqui que você pode praticar exponencialmente aquela parte do “Malhe vias”.

Escalando com quem tem mais experiência você aprende muito! (Mas cuidado com os vícios errados!)

Escalando com quem tem mais experiência você aprende muito! Mas cuidado com os vícios errados! (Dou seg em troca de comida diz o cartaz em inglês.)

Espalhe a palavra. 

Quando eu comecei a escalar, achava que todo mundo gostaria de escalar também só não o fazia por falta de oportunidade. Qual não foi minha decepção quando descobri que a escalada não é pra todo mundo. Mas quando te procurarem, quando ver gente nova querendo ir pra rocha, leve e faça a funça do tutor. Pra ver se ninguém faz nenhum procedimento errado, não desrespeita a ética local – ou seja, pra ver se ninguém mija fora do pinico – e também para garantir que essas pessoas terão uma experiência agradável e não tomem um grande espanco, traumatizem e parem de escalar. Não é porquê ninguém queria te levar pra rocha no começo que você precisa passar pra frente a gentileza. Mas também não tire a experiência da aventura de ninguém, seja ponderado. Muitas vezes os iniciantes precisam mesmo de um toprope em sua primeira ida à rocha pra aclimatar com a falta de adesivos nas agarras. Mas também não deixe acostumar hehehe Depois, uma via equipada e com a primeira passada é uma ótima motivação pra pessoa começar a guiar (Já era negão, segunda vez na rocha não tem Top mais! Olha o bullying que eu falei la no começo kkkkk). Não esquece de falar sobre o silêncio, comportamento e o respeito em ambientes naturais, mínimo impacto, etiqueta (tipo nunca escalar de sapatilha clara com meia preta – aliás, com meia nenhuma!). Todo mundo vai falar que já sabia, mas você não pode falar que não avisou! Tem gente preocupada que tem muitos escaladores novos pra poucas vias, mas quanto mais pessoas começarem, conhecerem a escalada, maiores as chances de amanhã encontrarmos um pico alucinante e o dono já conhecer a escalada e liberar o acesso numa boa. Sonho meuu… sonho meuu….

Não dê ouvidos ao Tribunal de Pedra. Mas tenha humildade pra ouvir conselhos.

Muita gente vai tentar dizer o que você deve fazer ou deixar de fazer. Cobre-se sempre, esteja sempre em evolução porque isso não é uma imposição, é praticamente a definição do nosso esporte. Mas só você mesmo conhece seus limites, sua velocidade de aprendizado e sua rotina e dedicação. É bom quando as pessoas tiram a gente da zona de conforto, mas também tem os chatos de plantão. Sempre alguém vai decotar a via que você demorou dois meses pra mandar, e sempre vai ter gente achando que sua luxação no tornozelo porque caiu errado antes de costurar a primeira chapa de uma via mau grampeada é puro mimimi. Saiba ouvir pois muitas orientações boas podem vir das pessoas, mas saiba filtrar porquê as vezes aquilo pode não funcionar pra você.

Bem, espero que tenham gostado dessas dicas baseadas na realidade sociológica e geográfica de nossa escalada. Todos os gringos que vem pra ca concordam que somos escaladores muito sociáveis, até demais, e muitas vezes até deixamos de lado a escalada pra fazer social. Faz parte da nossa realidade, é importante que nos adaptemos mas também é importante não esquecer que devemos seguir o caminho do meio: Treinar duro mas não esquecer que existe vida além da escalada. De um outro ponto de vista é importante socializar mas também não vamos esquecer de escalar, treinar, evoluir que esse é o objetivo hehehe Enfim, espero que estas dicas ajudem e se você tem alguma dica útil posta aí que eu adiciono como Update!

Escalando na Serra da Canastra

Cachoeira na Fazenda Santa Bárbara

Lugar aprazível de se escalar!

É bem na bordinha, mas é canastra. Com os campos rupestres inconfundíveis na chegada do pico, e histórias sobre a nascente do São Francisco, a 80km de Franca, esse lugar que pudemos conhecer no último fds oferece um estilo diferente para os escaladores e conquistadores de plantão. Com uma super infraestrutura de recepção turística já estabelecida com área para camping, chalés e restaurante rural, o grande diferencial do pico é uma grande cachoeira muito bonita com poção e grande volume d´água. E a vontade do dono que escaladores venham aos milhares para escalar as paredes adjacentes à cachoeira, em sua propriedade particular.

O Potencial não é para mil vias, mas a beleza do lugar é encantadora e encontramos potencial para abertura de umas 30 vias, fora o que ouvimos dizer sobre os canyons próximos. Umas 20 vias de uns 20-30m que precisarão de alguma jardinagem e que ficam ao sol, com base boa e na sombra para o seg,  e mais umas 10 mais curtinhas de uns 10 ou 15m na sombra – ah, e com aparente possibilidade para escalada em móvel para uma linha ou outra. E ao lado da cachoeira aparentemente o filé. Com apenas um acesso seco a um platô que dá acesso à única via já conquistada, vai dar pra abrir mais umas 4 ou 5 vias a partir desse platô, mas não vai ser esquema Itaqueri confortável, na base do pico o dia inteiro. Enquanto oferece conforto e comodidade nos 15 mins de trilha em linha reta, no poção da cachoeira e pedras ao redor para deitar preguiçosamente, na hora do climb talvez precise de um poquinho de empenho, mas nada de outro planeta (como ficar em pé num platô ancorado enquando dá seg). Vários diedros negativos prometem escaladas fortes e altamente estéticas a menos de 20m da cachoeira, que forma arco íris praticamente todo o dia e os Urubu-Reis sempre vem dar uma olhada no que está acontecendo.

Acessando o platô de onde sairiam as outras vias

Escovando Acessando o platô de onde sairiam as outras vias

Convidados pelo Wagner de Franca que abriu a primeira e única via do pico (por enquanto), Ives e eu fomos conferir todo o potencial. No início ficamos um pouco decepcionados pelo acesso ao platô e muita parede molhada pelo spray que vem da cachoeira. Mas logo que começamos a escalar já animamos muito pois a rocha é dura pra caramba, com muitas agarras invertidas e muita técnica.

O Wagner pediu pra eu equipar a via, chamada Gritadores (que vocês imaginam porquê ao lado da cachoeira). Fui subindo, mas a via estava bem suja ainda, então dei uma de diarista e limpei todas as agarras. Agarrçoes cheios de terra e pézinhos chave com camadas de areia.  Tirei os moves, testei todos os blocos encaixados que nem respiram nem dão sinal de vida (mas impressionam) e desci. O Ives entrou e mandou seu primeiro FA, provavelmente a via ficou um sexto grau bem técnico. Você escala e o tempo todo ao lado da cachoeira e do poção, é só virar a cabeça que é tudo o que você vê, muito massa!

Escalada bem ao lado da cachoeira. No platô não venta como no começo da escalada, ainda bem!

Escalada bem ao lado da cachoeira. No platô não venta como no começo da escalada, ainda bem!

Depois ainda voltei ao top da via, bati uma chapa pra esquerda e alcancei um platô onde furei uma parada com a intenção de abrir outra via do lado, mas ficamos de saco cheio ficou escuro e tivemos que abandonar a missão. Fiquei com muita vontade de conquistar os diedros e arestas negativos pra esquerda da cachoeira. Mas principalmente de desenvolver os setores menores pra esquerda que aparentemente vai ter vias entre 10 e 20m na sombra com rocha boa. O setor mais alto fica no sol, mas até compensaria pois em alguns lugares até 1/3 da via ficaria na sombra, incluindo o seg. É longe pra caramba, (ok, só 80km) de Franca, uns 280 de São Carlos,  mas é tão bonito que compensaria ir de vez em quando, até com amigos que não escalam pra que eles façam as trilhas do lugar, acampem, deem um rolê no mato enquanto a gente escala =)

Nom fim do dia um selfie com a cara toda suja de poeira (uma camada uniforme) a mão regaçada, com os brinquedos e a metranca a TiraColo

No fim do dia um selfie com a cara toda suja de poeira (uma camada uniforme), a mão regaçada, com os brinquedos e a metranca a TiraColo

E a noite pudemos provar o maravilindo JK, prato típico Franquense que eu nem consegui mandar a cadena, tive que abandonar no meio apesar de ser deliciosissimo. No dia seguinte não tem fotos, mas voltamos pro Tremendal e tivemos a triste noticia que o dono da propriedade tinha pedido que gentilmente os escaladores tirassem as chapas das vias pois não estava morando mais ali por motivos de saúde e os escaladores vinham sendo confundidos com ladrões de gado e de café. É o cu da cobra, de cair o cu da bunda, mas mais um pico muito legal com nem 50% do seu potencial desenvolvido fechado porque está em “propriedade particular”. Escalamos a via que haviamos aberto em fevereiro quando estivemos lá pois era a primeira a entrar na sombra, e tiramos as chapas com a sensação de quem sacrifica um cavalo de que gosta muito. :( Escalamos pela última vez no pico e o Ives pode mandar seu primeiro 7b a vista, ah muleque!

Espero que os locais tenham a sagacidade e o poder de negociação com os proprietários para reverter a situação.  Ainda não recebi as fotos do domingo, então, finalizo com uma foto das paredes mais altas à direita da Cachoeira de sábado, que tem grande potencial. Valeu Wagner pela hospitalidade e por nos apresentar a este pico tão bacana! Em breve estaremos aí novamente!

Potencial do lado direito da cachoeira. Com a jardinagem certa vai ficar lindo!

Potencial do lado direito da cachoeira. Com a jardinagem certa vai ficar lindo!

Lançamentos de equipamentos 2015!!

Post mais agradável de escrever do ano talvez hehe

Post mais agradável de escrever do ano talvez hehe

Todo ano na Alemanha tem uma feira onde as marcas de escalada do mundo inteiro lançam as novidades para o ano seguinte. É a OutDoor Friedrichshafen e um dia quem sabe aquela feirinha de carro de Madame, Rapel e tirolesa que tem em São Paulo todo ano consiga se aproximar dessa. Bem, e voltando à feira original alemã, quais às novidades? O Que mais me chamou a atenção foram os Aliens, menores e mais leves, e o novo freio da DMM e o novo megajul, o Jul, para cordas simples. A Desnível espanhola tem feito uma cobertura bem completa do evento, mas vou simplesmente ignorar as novidades de roupas que pra nossa realidade não interessam e focar só nos nossos sonhos de consumo que são os equipamentos de escalada mesmo.  Então, xupizando as fotos deles, vamos lá:

Aleatoriamente, vamos começar pelas cadeirinhas. Nenhuma novidade estonteante, mais do mesmo com algumas marcas simplesmente entrando para a categoria de minimamente aceitáveis como é o caso da Beal e da Camp que não despontaram ainda com cadeirinhas tão sensacionais quanto as da Edelrid ou Arc´teryx, que por terem as melhores cadeirinhas do mercado ha mais de 2 anos, nem colocaram como “novidades” suas cadeirinhas esse ano.

No campo mosquetões, nada muito inovador, a Beal “comprou” a idéia daqueles mosquetões esquisitos que precisa de 32h de treinamento pra poder abrir e fechar da Grivel, e lançou sob seu nome. A Camp reinventa o Nano 23 que vira 22 e fica mais achatadinho. A DMM oferece uma costura de arame (wiregate) extraleve, sem nariz e que custa um rim cada uma (como tudo da DMM né?). Mas quem não quer vender um rim pra ter essas costuras? Tem 2 mesmo!

No ramo das sapatilhas, nenhuma grande sensação como foi a futura e o sistema no Edge. A Five ten lança mais do mesmo com uma nova sapatilha. A La Sportiva lança uma versão de cadarço de suas sapatilhas com sistema no Edge (com as já conhecidas Speedster e Futura) que chama-se Genius. A Scarpa lança mais um sonho de consumo chamada Furia. E deixa todo mundo na fúria pra comprar mais uma Scarpa. Além da Boostix, da Instinct de velcro, da Feroce, da nova Stix… Assim fica dificil né Scarpa!? E eu aqui só com a Instinct de Cadarço e Slipper :/. Teve também algumas novidades pela five ten na parte dos tenis de aproximação com novas cores para o Guide tennie e pro Camp4, e um tenis novo só pra isso. E o Babado do momento é que a Rock Pillars, uma das melhores marcas de Sapatilha da Europa Junto com Laspo e Scarpa deixou de existir! Mas calma, eles não faliram porque são ruins, são tão bons que foram comprados pela já famigerada OCUN da República Tcheca e agora operam sob seu nome, com algumas mudanças em cor de alguns modelos mas nada estrutural; Ufa, você ainda pode ter a sua Ozone ou a Pearl. ;)

E pra encerrar, o hardware que faltava: Freios e agregados. A Edelrid revoluciona mais uma vez melhorando o que já era bom e cria um MegaJul para os esportivistas de plantão, o JUL2 para corda simples. A Camp lança um freiozinho parecido com um Grigrizinho, e a DMM lança novos atc´s e um deles com partes móveis muito esquisitos parecendo uma arma alienígena, mas interessante. Ainda não entendi como funciona apesar de ter no site e no manual 2014 da DMM. Os Friends para colocações pequenas Aliens são reinventados, modernizados e minimizados. Lançam fitas para os ladrões como eu que colocam costurinha e costurão em uma chapa pra duplicar a proteção em crux de vias (confesso que ja tinha pensado porque ninguém tinha pensado nisso antes rsrs). A Evolv lança um esparadrapo sem cola, e a Edelrid mais uma vez inova com uma cordinha de 6mm (da grossura de um cordim) ideal pra quem faz parede e quer rapelar o comprimento total da corda sem ter que levar duas cordas. Também para pequenos acessos, içar pequenas cargas, enfim.

Nossa, fiquei com a mão coçando! Pena que nem metade dessas belezinhas vão chegar por aqui, e quando chegarem vão ser uma piada pronta né? Bem, tomara que role trazer uns Jul2 desses no próximo conteiner da Edelrid pra vocês a preços acessíveis!(tomara que chegue o primeiro conteiner kkkkk)  E a Scarpa hein… <3 <3

Finalmente escalada!

 

Hoje a mina que decora o post é a Matriarca Mór, membra fundadora, do São Carlos Pression Team, Naná!

Hoje a mina que decora o post é a Matriarca Mór, membra fundadora, do São Carlos Pression Team, Naná!

Pois é! Esse fim de semana recebemos a presença ilustre da Naná e do Rô diretamente do Rio de Janeiro! E no sábado rolou cuscuzeiro, blocos e festa junina geriátrica com direito a bingo e Raul cortando os pulsos. Domingo foi dia de Itaqueri com cadena tripla da Porra Julinho no segundo setor por Isabeto e Bia, e no primeiro setor da Via expressa pela minha pessoa, ambas 8a.

Ives prestes a alçar vôo

Ives prestes a alçar vôo

No Sábado ainda rolou o pega do Ives na Watch Me no cusco, um 6sup encardido que lhe rendeu tantas horas de vôo que ele acumulou milhas pra ir pra Europa já! E o Viado do Greg, com a ajuda da avó aqui que colocou um costurão na parada, mandou a via em flash! E o evento curioso foi a Naná ter rolado aquele grande boulder/bloco do tamanho de um fogão que tinha no pé antes da saída da Manga Com Leite. Foi bem foda, mas ela, mestre nas artes circenses, saiu andando em cima do bloco tal qual se anda em cima de uma bola! E no fim do dia ainda entrei num projeto de via nova que estou para abrir com o Beto e o Ives e que vai ficar muito legal, comprida, cheia de agarrões, fácil, e o melhor de tudo: Bem equipada! E o croqui, que já foi pra gráfica, já ficou desatualizado! hahaha

Shortinho da copa de 70, para a agonia deste que vos fala hahaha

Shortinho da copa de 70, para a agonia deste que vos fala hahaha

Ainda tivemos primeira vez do Caio na rocha, tendo feito a Mosquitos e a Visual e exibindo seu modelito (TOC ALERT) shortinho da copa de 70, que ouriçou os TOC´s não só meus, mas de outras pessoas! hahaha No mesmo dia ainda tivemos a fortíssima cordada feminina ISABIA fazendo as duas cordadas da 97 bons motivos, um dos meus sétimos favoritos no cuscuzeiro.

Cordada feminina na 97! Isa na seg e Bia vindo de segundo!

Cordada feminina na 97! Isa na seg e Bia vindo de segundo!

E tivemos o Whiper of the week no domingo, uma pena que ninguém filmou. O Ives destemido, pulou não clipou não conseguiu clipar  a última chapa da Intrusos a vista, tentou tocar pra cima e tomou uma bela voada, tendo rolado um momento “A cuzada” em uma raíz que tem perto do começo da via. Coitado foi quase empalado mas passa bem, ainda me deu a seg da cadena na Via expressa =D. O Rô fez a rapa em várias vias no arenito pra ampliar seu repertório e a Naná mostrou que apesar dos 850g em seu prato no Mamãe Natureza, ainda ta mandando muito com um pega super forte na Por via das Dúvidas, tendo mandado de primeira o primeiro crux e conseguido isolar o resto da via até o final!

E foi isso! Final de semana de escalada finalmente! Meu dedo ainda ta ruim, mas fodido por fodido truco e fui escalar esse fds e ainda mandei um oitavinho, ta bão né? hehe

Valeu Naná e Rô pela visita, vc´s são demais!

Ah! E praqueles que tão pedindo uma mochila igual a minha faz tempo, chegou na Quero Escalar! A mochila é feita pela Flora e pelo Tommy, que moram no pé do Anhangava em Quatro Barras e inteiramente artesanais com qualidade excepcional. Confiram aqui a mochila e se quiserem mais fotos é só pedir! Aliás, está cheio de novidades por lá! Além da mochila, as novidades incluem:

fita fininha de dyneema

- um monte de sapatilhas e cadeirinhas novas! (Se depender da gente ninguém nunca mais vai escalar com Cadeirinha e sapatilha nacional ruim de novo! =)

- Tem também a Revista Montanhas! pra quem quiser adquirir a segunda edição.

- Chegou o R-Point, também conhecido como Grigri só que com preço mais acessível que o outro.

- O novo Lançamento da 4Climb, uma das melhores marcas do mercado Brasileiro de escalada, que reinventa seu melhor Magnésio SuperChalk através do novo Chalk Case com um recipiente para melhor transportar o velho e bom Superchalk na mochila, ótimo pras trips e pra não fazer muita sujeira.

- Chegou também a linha completa de calças da Hard Adventure, confira!

Sempre tem coisa chegando e tem coisa que nem chega e já acaba rsrsrs Mas o melhor vocês já sabem que sempre coloco preços justos pra vocês poderem escalarem mais e gastarem menos com equipos! Aproveitem! =)

Bem, é isso, tem um monte de vídeos que pretendo colocar até o fim da semana! Good crimb to you all!