
Naná no crux da V de Vingança no Baúzinho, Beto, Gibara e Daniel na Base. Pedra do Baú ao Fundo.
Quando criei este blog, a intenção era narrar as viagens, aventuras de uma forma que todos pudessem acompanhar por onde eu andava. Depois, voltei á minha vida cotidiana normal, e para nao deixar o blog parado, e para dar vazão à criatividade continuei postando coisas diversas. Depois de quase 3 meses voltei a fazer uma rocktrip. E que rocktrip! Montamos uma barca para São Bento do Sapucaí para escalar no feriado. Uma viagem que arrisco a dizer que não poderia ter sido melhor. Mesmo porque provavelmente sem aquele medinho, aquele perrenguinho, que no fundo a gente tem que saber que é armadilha do nosso ego pra nos botar medo não teria tanta graça, a sensação de superação (e que no fim das contas não é nada demais – ou até seria, não fosse quem sabe uma atitude próativa de nossa parte).
Montanha é assim mesmo, este é o espirito do montanhismo. É o tal do comprometimento. Sempre ouvimos falar, praticamos na “teoria”, mas poucas vezes havia botado em prática. Desta vez era como se tudo que eu havia aprendido estava sendo posto em teste. E sinto que passei com louvor
O Beto comentou que estaria chegando em São Carlos sexta-feira umas 8 da noite, então eu já previ uma saída pra meia noite. Depois, no dia, combinamos certinho e ele estaria CHEGANDO em Araraquara de uma de suas viagens teatrais la pelas 9 da noite. Pronto, minhas previsões estavam se concretizando =D. Saímos de São Carlos Beto, Naná, Marião e eu aproximadamente meia noite, e, por um caminho excuso diverso que parecia ser mais curto, chegamos em São Bento do Sapucaí às 5 da manha. Havia a possibilidade de ficar numa casa com outros escaladores, ou no Abrigo. Como a casa estava lotada, achei melhor irmos para o abrigo, porém, o Beto, rebelde sem causa eterno, decidiu que deveriamos ir primeiramente para a casa, e, caso nao tivesse lugar MESMO iriamos para o abrigo. Chegamos lá: abrigo lotado, todos cansados, o dia raiando. Olhamos dois colchões todos rasgados dos cachorros, e duas redes. o Marião e eu estendemos a minha lona-rope-bag sobre eles, Beto e Naná deitaram-se nas redes e dormimos ali mesmo, na varanda, ficando muito agradecidos por termos um teto e camas confortaveis (de Verdade!) para dormir aquele dia. Quanto às acusações que a gente bicou os cachorros de suas camas, isso é uma Calúnia! Bicar a gente não bicou os coitadinhos, no máximo pegamos de “trivela” rsrsrs. Eles estavam num puff de longe muito mais confortavel que aqueles colchões velhos.
3 horas depois acordamos, tomamos café da manha, preparamos o rango e ficamos naquela, vamo onde, onde vamo. Eu sugeri de irmos fazer um projeto inacabado na Ana Chata, a Lixeiros, a qual nos havia botado pra baixo sob uma forte chuva de granizo um ano antes. Mas entramos num consenso e fomos finalmente conhecer o complexo Baú-Bauzinho. Nos equipamos no estacionamento mesmo para nao levar peso desnecessário nas mochilas (dica do frango), e descemos a trilha. Pelos betas, iriamos fazer a V de vitória e a V de Vingança. Eu fiz questão de entrar na V de Vitória, pois é uma via conquistada pelo meu tão estimado Birão, a Dani e Seu mentor, Mario Arnauld. A via que o Gibara e o Daniel (que também estavam na casa) iam fazer, Galba Athayde (ou algo assim) estava com a saída babada, então eles combinaram de fazer a V de vingança em simultâneo com o Beto, que a essas alturas tinha ficado decidido que iria fazer parzinho com a Naná, e eu com o Marião. E lá fomos nós. Croqui na cabeça: linha óbvia, crux na primeira enfiada, siga as chapas, quando ficar muito foda, la pela quinta enfiada, é o trecho pra fazer em A0, e depois é só tocar pro cume.
Começamos a escalada meio dia. Saída tambem babada, costura mágica em mãos (aquela que da pra costurar bem mais abaixo da costura pois tem um sling rígido), e lá fui em me enfiando na fenda molhada, botei um friend na fendona pra acalmar o psico nesses primeiros metrinhos de pedra molhada. Logo cheguei a segunda chapa e tudo ficou melhor. Uma pena que o crux estava bem molhado, mas não tinha como roubar na costura, tive que invocar as 7 borboletas, a sacanagem e o moonwalk e passar. Foi a melhor coisa que poderia ter acontecido, pois apesar de protegido, tomei umas vaquinhas pra ir soltando o psico travado de tomar quedas, o que foi decisivo no restante da via. Mas daí pra cima foi só curtição até a primeira parada. Costurei a primeira chapa da segunda enfiada, e voltei, para evitar um possível fator 2.

Primeira parada da V de vitória
AChei uma posição confortabilísima para fazer a seg do segundo, e veio o Marião de segundo, que penou um pouco pra fazer a saída babada, e tambem o crux (era sua primeira parede, e ja começava com uma via em seu limite, sexto grau!). Demorou um pouco pra se habituar às aderências mas veio que veio! Disse ele que ainda nao estava preparado pra guiar vias como esta ainda. (pensei eu comigo: O que faz ele pensar que eu estou?! hahah)

Na 1ª base da V de vitória - Bauzinho

Marião na primeira enfiada, logo após o Crux, fazendo a pose "Clássica"
Logo ele chegou, e eu ja sai para a segunda enfiada. Uma escalada muito gostosa, muitas agarras, alguns lances de aderência, uma diagonal pra esquerda, com direito a desescalada de um trecho de 2m complicadinho que eu vi que não iria levar a lugar nenhum. Quando cheguei na parada, vi que para chegar na proxima chapa (primeira da proxima enfiada) estava molhado de escorrer água. Adotei a mesma tática de antes, fui na “finesse” das aderencias, sem usar as agarras molhadas, ou usando-as meticulosamente, e, com a costura mágica, costurei a primeira e pensei: Ah, ja to aqui mesmo, vamo lá né? Pois ainda havia um pouco de água na fenda (desta vez uma diagonal pra direita, porém, bem mais facil). Uma escalada que com certeza farei novamente, muito boa, fui tocando, com o único revés de nao ter colocado um costurão na base e ter tido um pouco de arrasto no final. Veio o marião, devagar e sempre se “aclimatando” com as aderencias e o granitão, movimentos de pé na mão no positivo e essas coisas muito loucas que só as aderencias nos dão. Me lembro que eu parecia um rádio. Toda hora vinha uma musica diferente na minha cabeça, e eu tinha que ficar cantando. Foram umas 10 musicas diferentes ao longo de toda a via. Até esta terceira parada, O tempo estava bom, misturando nuvens e céu aberto com solzão, e vento fresco.

Depois de ter esticado 2 enfiadas, Marião acabou ficando pequeno...
Marião até cogitou guiar uma enfiada, e eu havia cogitado que tivesse sido aquela, mas como estava molhada, e eu pilhado, saí tocando. Na 4ª enfiada ele ja estava meio cansado, entao fui eu de novo. Uma enfiada curtinha, com apenas uma chapa, por uns buracões cheios de água (se não tivessemos levado água, teriamos com certeza matado a sede ali mesmo!). Subi um trepa mato molhado, andei um pouco no meio do mato e cheguei na parada. Logo o Marião chegou sem mais problemas e sacamos que haviamos chegado na cordada “crux”, onde haveria o A0. Foi dificil de avistar as chapeletas e a linha da via, porém, é no lugar mais bonito, e na linha mais óbvia, embaixo de um tetinho com um bicão, um pouco pra esquerda da parada. O tempo estava mudando, começava a ventar friozinho e uma neblina nos privou do visual. O mais bonito era nao enxergar nada no horizonte, nem pros lados, mas ver a grama la embaixo iluminada do sol do fim de tarde. Do nosso lado estavam as outras duplas Beto, Naná, Gibara e Daniel, na V de vingança.

Beto e Gibara guiando e fazendo a pose "Clássica" na V de Vingança - Bauzinho (precisa falar que é em São Bento do Sapucaí?)
Mandei a via no A0, e confesso: Foi a primeira vez que fiz uma via em que o A0 é o padrão, nao o roubo (já que não é esportiva) é muito bom poder roubar na costura deliberadamente sem o menor peso na consciência! Na verdade sempre pode, mas a gente poe regras pra gente mesmo quando esta escalando esportiva. De modo que fui lá eu, e todo contente que a via estava acabando, ao fazer a virada do teto e ver que ainda faltava uns 100m fiquei: 1) Desanimado – estava preparado psicologicamente para sair logo dali. 2) Preocupado. Eram 5 da tarde e haviamos feito 100m em 4 horas, faltavam mais 100m, mais 4 horas? Eu definitivamente odeio escalar a noite, e numa via que eu nunca estive, a 200m de altura, com o tempo mudando, não era o que eu mais queria aquela hora. Apressei o Marião, que teve muita dificuldade nos A0´s para se puxar nas costuras, ainda mais que com medo que as costuras nao fossem dar, fui deixando uma sim uma não. Coitado! Logo que ele chegou paramos um pouco. Apressar ali nao adiantaria muita coisa. Comemos alguma coisa rapidinho, tomamos água, eu vesti meu anorak e ja peguei minha headlamp para estar preparado para o que viesse. Nessas horas tudo de ruim passa pela cabeça da gente: resgate com bombeiros, passar a noite na parede (mesmo sabendo que eu estava com abandono, que a via podia ser rapelada até o chão de qualquer base, que estavamos com roupa de frio, headlamps, mais headlamp de emergência, apitos – em suma – preparados para o pior).

O tempo ja tinha mudado da água para o vinho...
Me equipei, me preparei para o pior, e comecei o toca-toca. Estimava que faltavam duas enfiadas para o CUME, mas a cordada ao meu lado, que estava um pouco adiantada (pois o Marião havia demorado um pouco na parte do A0) me informou que faltavam mais 3 enfiadas. Fui embora pra cima. Respirei fundo e pensei que não havia motivo para pânico. Apesar de ainda ter apenas mais uma hora de sol, ainda era dia, entao eu tratei de aproveitar. Liguei o toca-toca e sai espanetando. Emendei mais duas enfiadas em menos de meia horinha. Duas enfiadas MUUUUUITO boas. Uma escalada muito gostosa, só curtição, não tenho comentários sobre essas enfiadas se não parabéns aos conquistadores. Mais uma vez cometi a gafe de não ter protegido com costurão a base intermediária, que era um pouco pra direita da linha da via, o que fez com que desse um arrasto desgraçado!! A cadeirinha quase que descalçava do corpo! Cheguei na parada, armei a base, e ja chamei o segundo. Olhava pra cima e via que parecia faltar pouco! O Marião veio, parou algumas vezes com dificuldade na movimentação, mas nada demais, mas veio logo, e apesar de tudo, chegou na base já com sua headlamp ligada. Agora eu precisaria escalar a ultima enfiada no escuro (esperava que pela angulação da pedra fosse um rampão fácil, apesar da saída bem vertical. Na parada costurei a corda com o meu absorvedor de energia para segurar quedas fator dois (que todo mundo me zoa por levar nas trips) e fui embora. Costurei a primeira, a segunda, venci uma virada e fui esticando por onde nao tinha água. Não via mais chapeletas para me orientar. Vi um bicão pra direita onde poderia proteger com o unico friend que eu havia levado, o 3 da kong. Eu falava pro marião que nao havia visto a proxima chapa, e ia esticando, e ele perguntava: Achou a chapa? E eu respondia: Não! e ia tocando pra cima. Até que vi a base e fui em direção a ela, depois de ter tocado um tantinho bem facil sem proteção. Armei o esquema, fiquei confortavel e fiz a seg pro Marião terminar a via comigo. Eram 7:30 da noite quando chegamos ao cume. O último acesso deixei o marião guiar a pequena rampa de 5m até o cume, onde nao havia parada e o Gibara fez uma pseudo-seg com a corda atrás das costas (á moda antiga) para eu atingir o cume.
Estavamos no CUME do Bauzinho, todos vivos, todos felizes, cansados e, particularmente realizado. Recentemente comentei que quando comecei a escalar, eram escaladas como o dedo de deus ou pão de açucar que me motivavam a treinar. Mas com certeza vias como esta me motivam ainda mais a continuar escalando, treinando, e vivendo neste mundo da escalada. Tendo encarado uma montanha me foi revigorante. Tendo encarado medos, anseios, tendo inteligencia emocional para sair de uma situação a qual nem havia entrado ainda. Silenciado a mente das coisas ruins, e me concentrado naquilo que eu mais gosto de fazer, e estava ali para fazer: ESCALAR. Com certeza um momento muito intenso de meditação. Estive diante daqueles momentos em que pensamos em desistir, nos questionamos porque estamos ali. Mas em nenhum momento dei vazão para estes pensamentos sórdidos, e todo o tempo daquela escalada tinha para mim como certeza que independente do que acontecesse eu sairia dali “por cima”. Quando estamos na frente do computador, em terra firme, é tudo tão mais fácil, mais seguro, somos muito mais corajosos. Mas é na ponta da corda que nos encontramos com Deus e com o Diabo, e fazemos as escolhas de acordo com nosso discernimento. Como diria um grande mestre: Deus fala com a gente o tempo todo. É preciso saber ouvir! (aquilo que ouvimos com alegria e uma onda de calor e um sorriso no rosto nos vem a tona, seria Deus. Aquilo que nos deixa inseguros, temerosos, e não nos traz uma boa expressão á face, não pode vir de Deus, mas de nosso ego nos puxando para baixo). Temos que Ter fé, e confiar. (claro que se começar a chover granizo e ameaçar uma hipotermia no meio da parede o melhor a fazer é abortar a missão mesmo, mas não foi o caso hehehe).
Mas continuando o relato da trip (essa novela foi só o primeiro dia!)

Falésia Vista Aérea - São Bento do Sapucaí (e afins) - Só escalada Trad!
No segundo dia também houve muita indecisão, mas no fim das contas com a palavra mágica “escalada Trad” fomos para a Falésia Vista aérea, com a promessa de muitas vias em móvel. Fomos os mesmos 4, mais o Daniel, que havia feito a v de vingança com o Gibara no dia anterior. Escalamos tudo que nossos dedinhos permitiram, e logo na primeira via, chegou um pessoal de São Paulo muito gente boa, um casal e mais um rapaz, muito legais. Os nomes agora eu só vou arriscar lembrar o do Daniel (não o que havia ido conosco), para não errar os outros (me desculpem!). Um pessoal muito simpático, comunicativo, como todos deveriam ser na rocha. Gente finissima. Quanto as escaladas, o Beto guiou a Bat-diedro, e depois da base, ha 20m de altura, tocou até o cume mais 15. Um arraaaaassstoooooo enorme. Fui de segundo e limpei, enquanto as crianças (Daniel, naná e marião) se divertiam na Empadinha. Logo depois entrei na “Quinto Apoio”. Puta PSICO!!!! Lance de quinto grau, que todo mundo de top fez passeando, mas que guiando, com um nutinho no pé, deveria subir um pé na mão e ficar em pé meio que sem mãos!!! ARGHH!!!!! Depois de invocar novamente as 7 borboletas, mandei o lance, ufa!! Depois ainda equipei um 7b, a Veneno antimonotonia, pro beto mandar de prima!! Chegou na 4ª chapa e puxou os equipo trad, e novamente tocou pro cume. MAAAIS ARRASTOOO!! Fui eu de segundo e limpei. Escalada sempre muito prazeirosa, muitas fendas, canaletas, mas um granito machuquentoo!! Só curtição, e no final, num dos mais belos cumes bucólicos de falésia esportiva que eu ja vi, ficamos vendo as estrelas, os satelistes do começo da noitinha, os vagalumes, as estrelas cadentes, a constelação de Panela, Homer simpson e oito panela. E na hora de descer, rolou o first indescent da Vista aérea. hahahahahaha

Equipo Trad sobre o nosso lençol (esse que ia sobre a cama dos cachorros)

Daniel na Empadinha..

Beto na Bat-diedro
Todos os dias, adotamos os colchões dos dogs pra dormir, mas no segundo dia, depois de ter ganhado um fardinho por causa de uma “aposta” com o Beto, armamos a slackline na casa e fizemos um macarrão com cenoura (especialidade vegetariana do genjão). Ainda vieram nos visitar a Julia, o Animal, o Gaivota, o Elias e sua respectiva, que estavam ficando no abrigo do Eliseu. Demos muitas risadas como sempre e por tudo isso fomos dormir um pouco mais tarde.

Nossos aposentos (note a cama e rede ao fundo)
No terceiro dia, não restava dúvidas, fomos pra Pedra da Divisa fazer umas esportivas e bombar o que restava do bracinho. E claro, tentar pela primeira vez ver como era o lugar sem estar molhado ou chovendo.

Beto na rock and Roll
Pra variar Fila na Hellraiser, e o marião tomelirrôla pra mandar a via. O Beto equipou a It´s only rock and roll but i LIke it, mandou na cadena, e enquanto ngm escalava só o beto, me equipei com o que restou de costuras e fui entrar na chão de giz. Silenciei a mente, e ao contrario do que sempre faço, de escalar cantando, conversando, escalei mudo. Cheguei no crux, fui pra lá, fui pra cá, li, reli, e mandei do jeito dos grandões num pseudo a vista (pois de tanto falarem, desconfiei que aquele era o tal buraco q tanto se falava). Depois fiquei descansando numa agarra antes do descanso, e dali pra cima foi só pra cumprir tabela. 7a em flash, uhul! Então fui dar seg pro gibara e almoçar, la no pilar central. O beto estava numa via, acho que a Enviadas de satã, ou algo assim, com algumas cantoneiras. Mas claro que o rebelde sem causa pela causa das fendas chapeletadas não as usou! E bem no crux… tomou uma daquelas vacas à lá Dan Osman, em que as costuras vão sacando da parede, q nem ziper. O bom é que foi só a primeira peça, e a debaixo segurou bem!! Mas a pecinha, meu vermelhinho, ficou meio atordoado!

Meu friendão ficou assim!! Mas é só os cabinhos de aço que puxam os cames, nada que um alicatão e uma marreta nao resolvam hahhah
Então o Gibara entrou na Kalymaia equipando. E foi indo foi indo mas acabou fondo. Não mandou, mas com dignidade deixou ela toda equipada para uma posterior entrada. Eu então fui para a Rock and roll, havia chegado o momento da trip que o beto havia falado tanto. E ao chegar lá, com toda razão, haviam colocado uma corda em cima da minha corda, (pois eu a havia deixado la mais de uma hora). Quando a menina chegou na segunda chapa, o tempo virou, ficou escuro, ela desceu e foi embora, fugindo da chuva. Eu mais do que depressa mocozei as coisas num canto que eu ja sabia que nao pega chuva (afinal, so havia estado ali sob condições chuvosas). Restara a mim a dura tarefa de guiar a via molhada na chuva. Ou ao menos em speed climb antes que a chuva começasse de fato. Me encordei, ensapatilhei, costurei a primeira e tomei um banho. Veio uma rajada de vento com água e eu desci. Tirei a sapatilha mas nao desencordei, fiquei esperando passar a chuva. Quando ela praticamente parou, dei um pega. O pega. A via havia ficado seca, devido aos tetos, e deu pra escalar ela inteira. Fui até o Grande platô, de onde nao queria sair mais, e, com um unico beta de que agora era só agarrão, encarei o grande teto/negativo. Fui constatando agarra por agarra que era verdade. Só patacões para minha alegria. O tipo de movimentação e via que eu adoro. Negativo de agarrão. Pus pra trabalhar minha movimentação de pés em teto/negativo treinados por tanto tempo na caverninha, ia dando as “chamadas” nos proximos agarrões, e quando vi, estava costurando a base, ahul!! Havia esperado tanto por aquela via, e agora ela estava completa! Via para divertir-se! Protegida, gostosa de escalar, sem sofrimento, com agarrões bons e descansos onde tem que ter.

A única fotinho que saiu boa no dia.. na it´s only Rock and Roll, and I love it!
Nos empacotamos, descemos a trilha, passamos pelo seu dimas, fizemos a feira (comprem a Geléia de Morango do Seu dimas, é Sensacional!!). Passamos pelo Eliseu, fizemos umas comprinhas e pronto! Ah! Claro, fizemos o Milagre da compactação do porta-malas mais uma vez!

O milagre da compactação do porta malas...(Note as caixas de morango e geléia do seu Dimas)
Mais uma Trip se foi. Uma daquelas em que não há o que por defeito. Uma viagem pra ficar na história. Na nossa história: Escalada de primeira, Amigos de primeira, aventura de primeira!! (economia de primeira diga-se de passagem hehe).
Que venha a próxima!