Eu sei, já faz mil anos que fiz a última postagem (por isso vou fazer um mega post hoje – Viu Vadico?). Muitos devem estar pensando que é por que aqui começou a nevar, chegou o frio… Bueno… Bueno… foi exatamente o contrário! Fugindo do frio no final do ano, íamos para a Falésia recomendadíssima pelo Raul, La marxuquera, que segundo ele é negativo de agarrão. Havia um feriadão no começo de dezembro e íamos aproveitar para escapar do frio (Porque em Valência é sempre mais quente, e a “escola” é de inverno, bate sol o dia inteiro)… Mas saiu o dente do Ciso da Marmota, e tivemos que adiar a viagem, pois a Marta depois da extração do dente tava inchada que parecia o Rocky Balboa. Creio que a operação NÃO tenha sido um sucesso hahaha Mas uma semana e uma cartela de antibióticos e analgésicos depois, ela já estava respirando sem a ajuda de aparelhos hehe Foram duas semanas entre os primeiros sintomas, a extração e a recuperação… Duas semanas em que tava frio pacarai, e sair pra treinar sozinho tava foda… Aproveitei para fazer meu papel de macho alfa da relação. Enquanto ela enferma ficava na cama, eu lavava a louça e fazia chazinho quentinho pra ela… faz parte!
Mas nos dias que a Marta estava meio doentinha, não fiquei vagal total, pelo contrário, foi o período em que mais trabalhei: dei um puta gás no guia do Cusco! Aproveitando então que estava fazendo tempo ruim no comecinho de dezembro, terminei a parte que estava dando mais trabalho: a parte gráfica que depois de pronta me motivou ainda mais a escrever, escrever e escrever as descrições das vias, no estilo hangon só que um pouco mais atualizado, e claro, adicionando as quase 20 novas vias. Já tem até via que eu nem conquistei ainda hahaha (mas já escalei e só falta equipar). Parte dos desenhos, planta, organização das páginas… tudo pronto. Mais um dia de trabalho e termino a parte do Cuscuzeiro! Aí mesmo sem as fotos vou começar a fazer o de itaqueri e o da invernada.. ah, e do camelo, claro… vai ficar lindo! Falei com a Bia e estamos pensando em colocar as vias de Botucatu e se der tempo e compensar, as vias da região de Ribeirão… o guia vai ficar com umas duzentas páginas, já to vendo! Mas não vou colocar uma descrição tão precisa das vias dos outros lugares como to fazendo com o cuscuzeiro, primeiro porque as vias do cuscuzeiro tem toda essa magia em volta, e é um ambiente mais “hostil” e um pouco de referência ajuda quem estiver indo ali pela primeira vez… E segundo porque Itaqueri a tradição é diferente, pico esportivo, então a localização exata das vias, grau e uma consideração ou outra de uma linha basta, já que as fotos falam por si. Enfim, um guia bem completo está no forno!

Estreando o saco novo fazendo bivaque no inverno... aprovado!

Quando ela já estava recuperada pegamos os planos do feriado de 2 semanas antes e descemos pra Valencia. O que pra eles é cruzar o país, pra gente é descer um fim de semana de São Carlos a São Bento. O fato de ter ficado 2 semanas sem escalar pesou um pouco (ai se eu já tivesse lido o livro que eu vou citar mais pra frente deste relato!). Como saímos meio tarde, paramos para escalar em Valéria (cuenca), onde fizemos um bivaque numa cueva que já haviamos bivacado antes, mas no outono. Íamos comer uma bela pasta feita no nosso fogareiro estreado em Rodellar, mas ele ficou em casa, e jantamos um lanchão mesmo hehehe A marta quase congelou com minha master blusa, duas mantas dentro de seu saco de dormir, e meu saco novo de dormir da Lafuma foi megaMaster aprovado com louvor. Mas tava frio. Muito frio.

Bom dia com muita alegria e sem hipotermia!

No dia seguinte acordamos e tocamos pra mais quase 3h até Gandia, no sul de Valencia, onde fica o pico. Apesar de ter mandado uma ou outra via mais dura, eu fazia força de sétimo nos quintos e sextos.. espanco total! A marta por sua vez, adorou o pico e saiu guiando tudo, e mostrando que está na pegada do kamon do São Carlos Pression Team, o que ela não mandava guiando de primeira, entrava de novo até mandar! Eu sei que teve quinto sup que eu nao mandei… Maldito Sandbagging!! O bom é que dava pra ficar de chinelo e de camiseta, coisa que não fazia há varios meses!

Escalando de bermuda e camiseta!! Ahul!

Martinha dando risada da minha cara: Não mandou esse move? Olha.. com uma mão só eu mando!

Voltamos pra Madrid praticamente na véspera de Natal (noche buena). E começa a maratona de encher a pança à muerte. A programação das tres ocasiões foi praticamente a mesma: Natal, Ano novo e reyes.. (que eles comemoram mais que o natal aqui, no dia 6 de janeiro). Primeiro, na noite véspera (tanto de natal quanto ano novo) a gente começa a “beliscar”… vem vários pratos com pequenas porções.. depois os pratos vão aumentando.. até que você já ta com comida saindo pelo nariz. Aí vem o prato principal. E depois disso ainda tem: Sobremesas (sim, no plural) e o café… que vc claro toma enchendo o cu de doce (mais, e não é a sobremesa). Aí repete-se o processo no almoço do dia seguinte. E repete-se na noite de reveion e no dia primeiro… Na véspera do feriado de Reyes a gente come a mesma quantidade, só que em vez de comida, é o tal do Roscão de reyes com chocolate quente, que você come até sair pela orelha também. E repete-se no dia seguinte. Não a toa engordei 4 kilos do natal até o dia 6!
O detalhe foi que no meio termo, o tempo mudou, e a galera que sobe a serra pra esquiar desde o final de novembro ficou chupando o dedo pois o frio do começo de dezembro deu lugar a um tempo ótimo de primavera! Já é 10 de janeiro e por vários dias estive escalando com uma calça só em vez de duas, e de camiseta curta, que já estavam ficando igual minhas camisas do corinthians: Cheirando a naftalina de tanto tempo guardadas no armário hahahaha

Leitura obrigatória para quem quer melhorar na escalada...

Uma coisa que tem feito muita diferença na minha escalada, sem dúvida, é o livro “9 among 10 climbers do the same mistakes” (9 entre cada 10 escaladores cometem os mesmos erros) do Dave Macleod. O livro é absurdamente bom e melhor que o how to climb 5.12 e training for climbing, ambos do Eric J. Horst. Ele não fica falando que vc tem que treinar ou quais os melhores exercicios para treinar, ele tenta te fazer entender como seu corpo (e sua cabeça) funciona, o que é ótimo, e foca outros pontos que atrapalham mais sua escalada do que simplesmente “força de reglete” por exemplo. Ele põe o dedo na ferida, e já na décima pagina vc já tem umas 4 ou 5 epifanias… e la pela página 60 vc já acha que ele te conhece e se refere a coisas que vc fez, ou amigos seus, pois ele é muito direto e fala tudo que os outros não falam, explicando a raíz do problema… e poe os pingos nos is, separando o maldito magro do maldito Gordo! escalador de ossos largos, o escalador alto do anão com baixa estatura… é uma leitura prática, gostosa e muito direta. Com o livro estou desfrutando muito mais das minhas escaladas, e mesmo em semanas que não da pra apertar muito por causa do tempo ou da marta que estava meio doente, ele ensina que é muito mais facil manter seu nivel que subi-lo, então, basta um pouco de treino sério para não se perder tudo que você havia conseguido semanas antes. Ele coloca que escaladores não diferem dias de escalada de “performace” (o dia de mandar) do dia de treino (em que vc pode nao mandar nada, mas escala muito), o que é um erro. Tira um peso das costas e coloca o treinamento e o pseudo-fracasso como parte normal da escalada. Ah, e claro, tem um capítulo sobre o seu “MEDINHO” de cair, que eu vejo que não só aqui (mas no Brasil também) é muito óbvio ao ver nego que escala faz anos, aperta forte, passeia de top nas vias de sexto grau, mas nao guia nem fudendo ou quando guia são sempre os mesmos quintos que sempre escalam e sabem que vão cair. Se escalada fosse um jogo, eu diria que esses jogam um outro jogo, pois a escalada esportiva não é isso. Enfim, o livro é muito bom e recomendo a todo mundo que eu conheço! Ah, e se vc comprar direto do site/blog do Dave macleod vem autografado hahaha.

6a??? Pensei que fosse um sétimo!

E vamos ao que interessa: Escalada! Martinha Bad-ass mandando tudo! Depois das sessões de treino na Complutense do final de novembro, onde pude passar uns boulders pra Martinha apertar bem nos regletes nas paredes negativas, ela parece que pegou uma resista boa… e por estar guiando quase tudo pra baixo de 6sup, está ficando com uma técnica bem apurada.. as poucas vias que ela não manda é porque ou tem um crux de dificil leitura (que estão em seu limite), ou porque é seu ponto fraco: bem negativo com agarras distantes. Mas mais do que cadenas essa menina tem demonstrado atitude. Sempre procura entrar guiando nas vias, e já não tem aquele “medinho”. Se tem que cair cai. Se ta dificil, tenta mais um pouco. Se a próxima ta longe, procura se posicionar bem porque provavelmente é fácil até lá. Não tem “retesa” a menos que seja uma via bem acima do limite. E outra coisa legal é sempre que estamos escalando encontramos alguem com a cadeirinha vestida ao contrário, ou dando seg com a mao esquerda na alavanca do grigri e a mao direita no ar (sim, isso aqui – esse tipo de erro – é mais normal que futebol na praia ou churrasco de fim de semana no brasil) ela vai lá dar o toque na galera. Quando a Marta ja estava se recuperando da extração do dente, fomos dar uma treinada no Rocódromo da Univ. Complutense. Ali encontramos uma ex-professora da Marta, e descobrimos que ela escala (ainda que no melhor estilo “ta dificil pega na costura e escala quarto e quinto grau pra sempre”). Aqui não dá nada pois tem muita via pra escalar e muita via clássica de 300m de IV grau (por isso tambem tem tanta gente que começa e continua escalando). Entre Natal e ano novo combinamos com ela e demos uma escapadinha até Patones, onde fomos a um setor chamado Parking, que fecha (junto com metade do pico) de janeiro a junho para nidificação do féla do Abutre Leonado. Um setorzinho legal, não tão alto, mas com vias interessantíssimas. Ali a Marta descobriu que os negativos de quinto e sexto grau são “fazíveis” pra ela, e ela começou a ficar mais abusada e perder o medo dos negativos. Deu um pega, tirou os moves de um 6a um pouco exigente para o grau, e depois entrou e mandou, com direito a perder o pé no crux, pagar um montê, voltar, não perder a cadena e mandar a via!! Tirei ótimas fotos esse dia… pena que apesar de eu ser um ótimo fotógrafo, a câmera não ajudou, a luz não estava muito boa, a posição não era a melhor, e eu não tinha chiclete de menta.

Martinha em Patones, guiando um 6a no setor Parking

Marta Ojeda.. ;)

Pânico pra costurar? Magina...

Passando o crux, pegando o agarrão da cadena...

E eu? Bem, eu gosto mesmo é de escalada coletiva: acho muito chato entrar num 7c/8a sozinho, tirar os moves e mandar em duas ou tres tentativas, porque isso significa que a corda e as costuras ficam ocupadas e só um escala, já que a marta, apesar de já estar se arriscando em algumas vias mais fortes, ainda não desfruta tanto. Em um lugar em que as vias são mais curtas, eu arrisco… Se não mando, costuras nao fazem falta pra próxima via. Em função disso, tenho dado prioridade a escalar as vias que estão no meu limite à vista, para fortalecer um pouco este estilo de escalada, e para pegar um pouquinho de técnica.

Aproveitando o clima ótimo fomos conhecer o Vellon, uma falésia de inverno que tem no caminho de Patones, mas menorzinha, que as vezes nao da pra escalar pq o nivel da represa sobe até o pé das vias. De fato o primeiro dia que fomos tava uma lameira no chao que só deu pra escalar em metade do pico. Mas o bom é que da sol o dia inteiro. Com vias curtinhas, deu pra animar fazer uma forcinha e forçar meu a vista em alguns 6c’s. Destaque para a via “El escorpion” e “La hora de los fantasmas”.

No primeiro do ano fomos na pedriza, e tava um solzão também! Mandei outro 6c a vista mó da hora chamado “Aquele que ronca paga!” com direito a entalamento de mão no final, no granito negativo de agarrão.

No último fim de semana os amigos da academia da Marta, que eu não via fazia um mes e meio quase, resolveram voltar a escalar. Fomos pra San Martin de valdeiglesias, uma falésia um pouquinho mais longe de madrid (1h e poquinho) de granito com graus bem “soft” hehehe Ali eu tinha um projeto antigo de 7c.. mas não um 7c negativo de agarrão de 30m… um 7c de placa…15m bem verticais com regletes do tamanho de um palito de fósforo… (a Kalya na divisa é praticamente escalada em batentes, comparada com essa). Sapatilha pra que te quero! Depois da marta encadenar guiando 2 vias que eu achei que ela não ia mandar nem de top… (um 6a+ e um 6b no croqui), ela entrou na famosa dedos kamikazes.. um 6a+ de uns 20m. E entrou equipando! Bem regletera, ela aguentou bem e mandou a via, ainda que depois tenha me contado que pensou em desistir, mas sabia que eu ia matar ela se ela parasse na costura!! hahha Já que ela ja tava com seu projeto no bolso, era minha vez, e fui dar um pega no 7a (7c br), que se chama “El secreto esta en la técnica”. Mandei a cadena equipando mas tendo saído a 1m do chao depois de parar para tirar os moves (Buuuuurrrrooo)… restou descer, descansar e mandar de novo. Na verdade eu acho que ta mais pra um 6c+.. mas como eu tomei muito espanco de sexto sup que era pra ser 7b… só por pirraça vou deixar 7c no 8a.nu hahahaha A Marta deu um pega de top e…. tirou todos os moves! Lazarenta a menina.. já tá se familiarizando com os 7c’s! Depois disso ainda entrou de top num 7a ao lado com um crux de tetinho, que depois de algumas quedas conseguiu isolar o lance e mandar a via toda… como eu diria: Abusada! ;)

Martinha entrando no 7a em san martin...

E mais acima, no crux, combinando as roupas e o capacete com o desenho da camiseta!

Os amigos David (que me apresentou à candida palidez) e Iris, com seu inconfundível sotaque galego

No dia seguinte ainda voltamos a Patones com a Marisa, amiga nossa que esta aqui na espanha pelo mesmo projeto entre USP recicla e UAM que levou a Marta para o Brasil. Levamos ela pra escalar e a MALDITA MAGRA menina mandou sua primeira via sem cair, um quintinho de 30m muito legal que a marta ja entrou equipando.

Martinha, Marisa e eu em Patones.. Primeira vez da Marisa foi comigo!

Los derechos de los novatos, em patones... praticamente um quarto grau Brasileiro.. V europeu

Depois, aproveitando que estava ali do lado, entrei numa via que tinha deixado pendente fazia mil anos: Maracaybo, um sexto sup com um lance de bidedo negativo no começo e tetão no final cheio de agarrão, que caí da primeira vez com a base na cara… Burrrroooo! Desta vez fiz serviço completo, mas lembro da sensação de intimidação que o teto me passava, apesar de saber que era um sexto sup. Afinal.. tetos são sempre tetos ahahaha

Como diria a Zuma: Ali tem um 9d de bidedo...

Como sempre... Popóooo.... O bom é que sempre vinha um: "... Mas quem foi que colocou esse agarrão tão bom aqui?!"... à minha cabeça! =D

No fim do dia guiei uma via bem à esquerda da via que a marta tinha mandado outro dia… só que em vez de 6a, era um 6a+. Nossa, li tudo errado a via, e onde era pra esquerda fui pra direita, onde era direita fui pra esquerda! Acabei mandando, e deixei equipada pra marta. Pus um costurão bem depois do crux para o psico dela, mas ela cometeu o mesmo erro que eu no crux e foi pra esquerda em vez de ir pra direita, o que custou a cadena pra ela. Mas com apenas uma queda e não muito descanso ela já voltou pra via e terminou… e eu achando que ela poderia ter dificuldade na via e ter que terminar pela via do outro dia hhaahhaa Ledo engano, a mina ta na pegada!

Fazendo o move do Bidedo tambem..

Com uns dois ou três tentos, ela já tirou sussa o move do Bidedo e com a terceira costurada guiou o resto até a primeira base da via, embaixo do teto.

Maior prova disso e orgulho dos últimos tempos foi no sábado em San Martin, depois de fazer 1 pessoa tirar a cadeirinha já encordado, para vesti-la do lado certo (e logo em seguida outra pessoa escalar com a cadeirinha ao contrario pois nao deu tempo de avisar), e vermos que tinha muita gente fazendo presepada no pico tipo ficando parado e ensolteirado uma costura antes da parada em um quarto grau de 30m, ela me solta a pérola que eu vou levar pra sempre como seu “atestado de integrante do São Carlos pression Team”:
- Você não acha que nessa falésia tem muito tanga hoje?
hahahahaha me mata de orgulho.. nem preciso explicar de onde ela aprendeu a expressão, mas cabia certinho no contexto e em como estava o pico esse dia hahhaa

De tão foda, a Martinha conseguiu até um patrocínio!

Bem, agora é focar em fazer compras pra voltar pro Brasil em algumas semaninhas, visitar os ultimos parentes que falta, terminar o croqui do cusco e escalar no tempo livre!
Buenas chicos! Saludos a todos, e façam suas encomendas!

Aí uma foto do primeiro pega mais de um mes atrás, quando ainda dava pra escalar de calça "curta" e camiseta

Domingo passado eu mandei meu primeiro 7A francês do hemisfério Norte. A via se chama Cândida Palidez e fica no setor púrpura, em Patones, a uns 40minutos de Madrid. É uma Falésia de Calcário no meio de todo o granito da serra madrilenha, que tem como principal atração La Pedriza, que é tipo o Itatiaia, com muita escalada em granito e a terrível aderência. Patones, por ser de calcário, predominam os negativos e buracos (ou, como eu prefiro chamar, negativo de agarrão). A faixa dos graus varia entre os quintos até o 8a brasileiro, sendo quase 80% das vias entre o sexto sup e o 7c. Ou seja: o paraíso para mim, que estou na fase de encadenar 7b em flash ou a vista e oitavos com alguns pegas, pois aqui posso fazer uma boa pirâmide de 7a’s a 7c’s e priorizar a escalada a vista, pelo qual eu tenho sentido já muita diferença por estar escalando sempre nessa modalidade ha mais de 3 meses: você aprende a escalar de uma forma mais inteligente e objetiva. É realmente muito bom poder decifrar sozinho o traçado e a movimentação das vias, explorar os descansos e agir sempre com inteligência durante a escalada. Não dá pra ficar entrando em muitos oitavos pois nunca estou com uma galera, e normalmente priorizo escalar um maior número de vias do que as cadenas extremas, pois assim a Marta, que também tem evoluído bastante, pode escalar e encadenar suas vias na casa do sexto grau Brasileiro.

O caso da Cândida Palidez foi um caso à parte. Dei um pega faz mais ou menos 1 mes e meio, quando o pessoal da academia onde a Marta havia frequentado uns meses no verão, estava reunido neste setor, e um amigo nosso, o David, havia botado a maior pilha pra gente entrar nessa via pois estávamos mais ou menos no mesmo grau e ele sabia do meu particular gosto por negativos de agarrão. Essa via tem quase 30m e quando vc desce de baldinho fica a quase 10m de distância da parede original. Está super bem protegida e deve ter umas 18 chapas, algumas das quais é melhor pular (principalmente no começo abaixo do teto) se não no final dá um arrasto tremendo. Depois do teto tem um bom descanso e antes de entrar no primeiro crux tem um entalamento onde da pra enfiar os dois joelhos dentro de um buraco e descansar sem mãos. O crux, ao contrário do resto da via, vai por um bidedo e um regletinho meio de lado que requer uma certa pressão na pinça, para ir para um batentinho mais ou menos, uma cruzada de mãos para a esquerda e finalmente um agarrão que parece um “telefone” onde vc fecha a mão em volta. O segundo crux, menos de força e mais de jeito, já é pra sair do negativo e entrar no final, positivo de regletes, super técnico, com direito a invertida, pé alto, flag e deadpoint no regletinho… aí quando vc pensa que acabou tem mais 3 costuras até a parada.

Pra fazer essa via eu não tinha todas as costuras necessárias, (no primeiro pega juntamos as costuras da galera), então como eu já havia sentido falta de mais umas costuras pra fazer outras vias de 30m, aproveitei e comprei mais algumas, e domingo passado fui com ela na cabeça (a via, não as costuras… se bem que do jeito que eu sou viciado em equipo, a costura nova tbm nao saía da minha cabeça). O Nacho, amigo da marta que tinha mandado um 6c+ (7b BR) a vista fazia umas duas semanas, duas vias pra direita desta (a pescaíto frito) animou de entrar na cândida pois eu tava pilhando ele que apesar de mandar 7b a vista quase nunca tinha entrado em vias mais dificeis que isso.

Depois de quase ter os dedos congelados num sextinho pra aquecer, fui pra Cândida, separei as costuras, confiando que as 3 semanas de treino na Complutense que tem um boulder legal pra treinar ao lado de uma quadra de basquete teriam rendido frutos, bem como a pizza do dia anterior rendido energia para o ato! Entrei equipando, na intenção de tirar os moves, e preparar o terreno, alguns movimentos eu tinha até esquecido, e o crux, que fiz de novo a vista, fiz muito melhor do que os betas que tinham passado outro dia (pq depois descendo eu parei e lembrei). Lembro que depois que fiz o crux e ainda não tinha caído, fui pro “telefone” e fiquei ali, mil anos, pensando: DESSA PORRA EU NÃO CAIO MAIS!!!! Procurei descansar com inteligência, ponderando se o tanto que eu gastava de energia para ir para o próximo descanso e voltar pra via seria menor que a energia que eu ia poupar (ou recarregar) no descanso… até pseudoentalamento de joelho eu fiz de novo. Fiquei ali um tempo, pois ainda tinha o crux no positivo, que pra mim seria mais crítico, apesar de estar bem decorado. Entrei nele, me posicionei, inverti a mão num buraco pra pegar de invertida, e fui pro regletinho da cadena… toquei pra base com todo cuidado pra não cair de jão nos movimentos finais, e finalmente, estava feita a obra! Muito bem! Não esperava manda-la equipando, mas saiu!

Saindo do Telefone e entrando no ultimo lance pra virar o positivo...

O maldito magro do Nacho entrou na sequência, foi na cadena até a metade, mas no crux debaixo deu umas vaciladas e acabou vacando e demorando para tirar os moves, até que conseguiu e mandou o resto. Desceu em êxtase, dizendo que tinha sido a melhor via que ele tinha entrado =D Eu sabia hehehehe Com o tomelirrolímetro lá em cima, já pedi pra ele equipar o 6c+ que eu tinha equipado pra ele mandar a vista outro dia, mas ele se atrapalhou com uma costura, sem falar que já estava esgotado e parou no crux.

Essa é mais pra dar uma analisada na linha da via, Pescaíto Frito 6c+, mais dificil de engolir que a Candida Palidez 7a, do lado esquerdo

Sobrou pra mim entrar equipando… subi, equipei a próxima, pra entrar no crux. Bidedo de esquerda no teto, pé dropado, um cruzado de direita num abaolado que depois melhora, e záz… fui subindo, e quando tinha a chapa na cara, não podia soltar uma das mãos pq também estava esgotado! Procurei subir mais, pra costurar de uma posição mais estável de algum agarrão, com os pés estabilizados… Mas o que aconteceu foi que minhas mãos tavam tão frias, que eu não tava sentindo muito onde eu estava tateando… era mais de olhar do que de sentir que eu usava as agarras… e eis que quando ja tinha a chapa quase na cintura, e sem poder chapar………

Adivinha o que aconteceu?! =)

VOANDOOO! Tomei um mega voaço e fui parar na primeira costura ahahahaha Tudo bem… voltei até o crux, descansei mil anos, esperei a dor passar (sim, o que acontece nesse momento é que o sangue começa a voltar pros dedos… e como  o coração está acelerado, essa volta DÓI… DÓI muito!!!

Desse agarrão vai pro bidedo...

Voltei pra via, consegui costurar a próxima, mas no caminho, umas duas vezes, aconteceu algo que nao me acontecia desde, sei lá… a Vingador ou a especialidade da casa no cipó: Parar pra descansar pq minha mão não ta fechando mais. Não conseguia apertar nem os agarrões de mão cheia!!

Preparando para voar...

Mas por fim consegui terminar a via, mas a cadena fica pra uma próxima… o 7c eu já tinha mandado mesmo heheheh

Bem, para finalizar, depois desse mega relato à lá “Marião” (com muitos detalhes – é marião, é nóis!) e como faz tempo que nao ponho… coloco alguns videos para deleitarem-vos. Belas imagens, e belas cadenas:

Um video do Joe Kinder fazendo nada praticamente, mas boas imagens, e bom pra tirar um pouco o foco de escalada escalada escalada… mentira… bom pra ver os bastidores! =D

Esse é um tiozão (tipo o Russo assim) mandando uma via hard (10c) na Itália. Essa falésia, Sperlonga, saiu na Escalar de setembro, é uma cave com muitas chorreras, e como pode ser visto no vídeo, tetos! Vale pela via, pela filmagem e pelo escalador exemplo. 

Esse é sobre uma escaladora que continua escalando mesmo grávida, provando que, apesar de atrapalhar muito, existe escalada depois da gravidez. Não obrigado!

Este mostra a Daila Ojeda e sua rotina muito chata, escalando e morando ao lado dos melhores picos de escalada esportiva do mundo, ali na Catalúnia.

O La Sportiva Legends, uma competição fechada só para os monstros da escalada atual… adivinha quem ganhou? Destaque para os fanfarrões chegando de limusine e os problemas criativos. Reparem que o Adam ondra é o mais técnico e que passeia nos boulders, escalando “inteligentemente”.

Action Direct! Ainda acho que o video do espanhol Iker Pou mandando a via, com o comecinho vendo uma revista, e dizendo “PAOLA ahahaha PAOLAAA! AHAHAHA” é mais interessante que esse… mas esse tem muito melhor qualidade, foca menos no bidedo e menos na via, e mais no escalador italiano mandando-a. Bom que mostra a via como um todo, fala da história e fala do Gullich, a lenda. Bom pela via e pela qualidade das imagens. Mas o video do Iker Pou ainda é melhor, apesar da baixa resoluçao.

Esse pra acabar é um video brazuca que eu quase nao vi repercussão na internet. Pouca gente falou dele, mas é muito bem feito, e, apesar de não ser de escalada, é sobre  um casal carioca que faz boulder na Urca, dizendo quais as vantagens e desvantagens de se ter namorado escalador. Ótima edição e qualidade das imagens.

E é isso, depois do mega post, parece que a neve finalmente ta chegando por aqui… bora buscar as falesias de inverno!!

Beijos!!

A intenção deste post é desenvolver uma linha de raciocínio sobre porquê alguns equipamentos de escalada são tão caros no Brasil. Espero que através dessas divagações alguém encontre uma justificativa muito boa e encontre a falha na cadeia de acumulo de impostos e preços que são uma piada.

Vou dar de exemplo uma cadeirinha, que, junto com friends, é uma das coisas com preços mais absurdos que eu já vi.

Pegue esta cadeirinha da PETZL, modelo feminino, Selena.

Essa é o objeto de desejo de toda mulher que escala esportiva

Pois é, na europa essa cadeirinha custa 50 euros na loja. O que significa que a loja comprou do fabricante por aproximadamente metade desse valor. Arredondemos para um pouquinho mais, 30 euros. Vamos transportar para o Brasil. Supondo um lote grande, com muitas cadeirinhas, o frete deve ser menor que um único ítem. Mas vamos calcular como se fosse uma única cadeirinha: 15 euros de frete: 45 euros no total. Note que eu estou abusando tudo para mais nos valores. Então digamos que chegou na minha loja no Brasil essa cadeirinha, que na cotação de hoje (1 euro = 2,4 reais), eu estou pagando 108 reais. Coloquemos o imposto de 60%, que nos leva para 172 reais. E ponha o lucro do comerciante em 100% -> R$344.  Agora o preço final aqui no Brasil ficou em quanto? R$490 reais. O QUÊ??? QUATROCENTOS E NOVENTA REAISSS!!!!!??  Ta me zuando?! é Quase TRÊS vezes mais. TRÊS. dá quanto? 200%  de lucro? Ah para meu?! Da licença!! Podia por a culpa no imposto, no que fosse.. mas onde eu realmente quero chegar é que tem um bando de lojista SEM NOÇÃO cagando dinheiro de vender pela internet… e que poe os preços aonde querem.. porque?! Porquê a playboyzada paga? Em parte sim, em parte não. Não é raro vc comprar um mosquetão da petzl com data de fabricação de 10 anos. Tudo bem, ta novinho, mas isso indica que os bagulhos ficam estocados ali mil anos, quem quiser comprar que compre, se não que se foda! Alguém ensina pra esses lojistas que produto parado é prejuízo, porfa? Por isso Lojas como a decathlon ganham rios de dinheiro e bem no meio da maior crise economica da historia da europa a decathlon nao para de abrir mais lojas… porque? Porque ela nao deixa equipamento parado! Passou do tempo! Abaixa o preço! A galera comparece geral pra comprar, mas ninguem compra só um mosquetaozinho, uma coisinha… aproveita e ja compra outra, e uma coisa vai puxando outra, e assim a roda se mantém girando. Ahhhh, mas a decathlon tem seus produtos feitos na china, e por isso é tudo mais barato. Claaaaro, e os anoraks da north face que custam o triplo do preço são feitos em caxambú do norte, no interior do ceará por acaso? Ou são feitos, não raro, nas MESMAS fábricas no vietnam, China, ou outro tigre asiático responsável pela crise mundial (já que ninguem abre uma fábrica na europa ou no Brasil, se pode faze-lo ali por 1/10 do valor). Enfim, lojistas do meu Brasil varonil: por favor, menos abuso na hora de por preços nas coisas ok?

E, ah, antes que eu me esqueça: se alguem tiver precisando dessa cadeirinha aí da um toque que eu mando pela metade do preço ok?!

===========================UPDATE!================================

Como tivemos uma discussão interessante no FB sobre o assunto, resolvi adicioná-la aqui… grato aos amigos que ajudaram na discussão, sempre produtiva!

E aí a discussao que rolou no FB...

A minha opinião é que todo mundo ta interessado em ganhar dinheiro. Muito dinheiro, mas não sabe como. Tanto atravessadores quanto lojistas tinham que analisar aqueles gráficos de preço x quanto alguem esta disposto a pagar por um produto… chega uma hora que vc abaixa um preço de um tanto que o lucro por vender um número alto de  produtos mais baratos vai ser muito superior ao lucro por meia duzia de produtos sendo vendidos muito caros! É uma engrenagem que se autogira: Quanto mais gente tiver acesso ao mercado, mais gente vai entrar no mercado, e a demanda será muito maior do que ela é hoje, afinal, o preço dos equipamentos assusta qualquer um que nunca comprou um tênis de mais de R$100 e ve um pedacinho de pano com borracha colada embaixo (que alguns fabricantes nacionais tem coragem de chamar de sapatilha) sendo vendido a R$300,00. E quanto ao comentário sobre escala: Não tem escala porque ningem tem coragem de comprar por esse preço absurdo! Eu praticamente nunca comprei nada de montanhismo no Brasil, e conheço muuuuuita gente aliás, eu quase nao conheço ninguem que compra coisa de escalada no Brasil, só no exterior (ou quando as lojas do Brasil fazem aqueles mega liquidações por 40% do valor, que aí os produtos quase ficam com preço justo). Mas mercado tem, ele está crescendo horrores e é uma questão de tempo até os lojistas se verem desesperados por nossa* cooperativa de equipamentos de escalada vendendo a preços módicos. O que já acontece no Canadá com a MEC por exemplo.

*A que podíamos criar um dia né?

Não deixe de prestigiar um evento desta magnitude!

Eventos de escalada ultimamente têm se resumido a filmes de escalada, ou a encontros na rocha seguidos de competição. Esse tem tudo para ser um evento diferente, como foram suas duas edições anteriores, que foram um sucesso. Nem é preciso falar da escassez de eventos de qualquer tipo relacionado com ESCALADA em si, e que prestigiar eventos desta magnitude é um dever cívico como escalador, tanto para apoiar a “causa” escalada, quanto para fomentar novos eventos deste tipo, quanto e, para os mais egoístas, para benefício próprio! Confira comigo algumas razões bem claras:

- 1° Vai ter palestras de elevada importância, que você, como escalador não pode perder. Se você escala há algum tempo, pode começar a se preocupar com seus tendões, e a palestra do doutor koberle vai ser mais do que “Doutor, dói quando eu faço assim. Então não faz assim!” que é o que 99% dos médicos vão te dizer quando vc tiver uma lesão por escalada. Melhor que isso, você vai aprender a evitá-las, seguindo a orientação de um profissional (ortopedista) que é escalador de verdade.

- 2° Se você já ouviu falar das federações de Montanhismo, da possibilidade da escalada entrar nas olimpíadas ou como a federação pode ajudar a manter um pico de escalada aberto ou abrir novos(resumindo, pra que serve e “o que eu tenho a ver com isso”), Vai haver uma palestra da FEMESP explicando sua atuação e porque uma associação como o CUME deveria filiar-se, colocando todos os pingos nos i’s. Especial importância principalmente porque a participação da federação ultimamente tem-se concentrado ali ao redor da capital, deixando-nos aqui no interior ilhados e órfãos de uma orientação especial, nos obrigando a atuar de forma sempre autodidata.

- 3° Abertura de vias, com o cara que foi um dos maiores responsáveis por eu, você e muitos dos seus amigos estarem escalando hoje: Mauricio Tonto. Pra não ir muito longe, é o cara que conquistou a visual, no cuscuzeiro, a via mais famosa da região. Isso pra não falar que quase metade das vias do cusco até uns anos atrás eram de sua co-autoria. Vai ser legal ouvir o Tonto falando sobre conquistas, ética, história, proteções e um pouco de sua experiência como conquistador. Com certeza vem preencher uma lacuna ha muito deixada na região que é uma referência na abertura de novas vias.

- 4° Edmilson Padilha. O nome por si só já é uma lenda. Um dos se não o melhor escalador do Brasil, com muitos picos e conquistas nos picos patagônicos, é do tipo de cara que não abre uma via, abre uma falésia inteira pra comunidade escaladora. Sem contar que é o dono da Conquista montanhismo, uma das, se não a, melhor marca de equipamentos de montanhismo genuinamente brasileira. Com a exibição do filme TEPUI, que narra a escalada da lendária via no Salto Angel pela equipe de Brasileiros no verao passado, com certeza esse 4° motivo já seria suficiente e de sobra para você ir ao Emesc.

- 5° OFICINAS – Quando foi seu ultimo curso de escalada? Aliás, vc tem um curso de escalada? Na europa cresce cada vez mais o número de acidentes em falésias esportivas devido ao aparecimento dos escaladores de plástico, que de um dia para o outro passam numa loja, deixam o equivalente a duzentos ou trezentos reais, e levam corda, costura, sapatilha, cadeirinha…. (é, é foda, no brasil tudo isso nao sairia por menos de 1500), e saem para escalar na rocha, sem nem ao menos saber fazer segurança ou desmontar uma parada. CUIDADO! Escalada é coisa séria! Busque conhecimento, busque informação, e busque aprender com quem já passou pelo mesmo que você está passando! A oficina para iniciantes em escalada esportiva visa justamente nivelar o conhecimento de quem esta tendo os primeiros contatos com o mundo vertical, ou que pretende te-los em breve. A de autoresgate é de suma importancia para os escaladores que já estão na estrada ha um tempo e querem agregar conhecimento e segurança às suas práticas, tornando-se apto a poder sair de situações de risco por si sós. A oficina de orientação é de fundamental importancia para todos pois a leitura de mapas e bússolas é um si ne qua non para todo montanhista que deseja algo mais que “um pic nic no parque ecológico” como a aventura mais radical de seu final de semana”.

- 6°  Um dos mais emocionantes motivos para você Participar do EMESC!! TCHAN TCHAN TCHAN TCHAN!!!!!!  A Parede de Escalada da UFSCAR foi totalmente reformulada (OK, a face abaolada), e quase mil reais em agarras foram dispostas de maneira que a parede está de cara nova, com vias novas, e um Festival marcará a inauguração desta face, dando seguimento ao EMESC, fechando-o com chave de ouro no domingo. O Festival nos moldes do que aconteceu ano passado, e que foi o maior sucesso de todos os tempos, vai ter a modalidade de escalada esportiva e boulder, sendo ótima oportunidade de escalar, conhecer, pretigiar e ver que raio de escalada é essa que todo mundo fala. VENHA EXPERIMENTAR!! Venha conhecer as novas agarras, a nova disposição das agarras que o ROUTE SETTER Beto Severian preparou! Novas vias principalmente para os iniciantes e escaladores intermediários, não percam! Tudo isso num ambiente agradável ao ar livre atrás da biblioteca da área Norte da UFSCar, ao lado de um bosque de araucárias, e com lanchonete (que eu não sei se vai estar aberta) há poucos metros!

Caixa d'água onde realizar-se-á o fechamento do evento domingo, e em segundo plano o Boulder (direita).

- 7° se nenhum dos outros motivos te convenceram a comparecer no EMESC, bem, sinto muito, você é uma causa perdida mesmo, melhor vc ir escalar sozinho no final de semana, porque todos os outros escaladores conscientes da região vão estar prestigiando o evento! Agora, quer um ultimo motivo? Sorteio de brindes no final! Ahahaha! Agora você vai né ladrão! kkkkk Bora lá!  Entra no site e faça já sua inscrição:

www.cume.org

 

PS – Ah! Sábado vai rolar uma confraternização… se preparem… pq tem um escalador espanhol vivendo aqui em São Carlos que é bom de copo que eu vo te contar!! Quero ver quem tem as moral de bater esse aí no quesito fígado de aço!!

 

Mosquetões... Junto com as sapatilhas são os ítens que eu gosto mais! (foto: E. Frechou)

Sempre que alguém me pergunta que mosquetão comprar, eu penso em dizer aquela velha história: Primeiro depende de pra quê você vai usá-lo. Mas aí eu penso nos preços absurdos e abusivos praticados no mercado brasileiro, e acabo sempre recomendando o mais barato mesmo. Mas dentre os mais baratos, claro, há diversas categorias. Independentemente do preço, os mosquetões são classificados de acordo com seu formato e trava do gatilho, basicamente. Os mais comuns são mosquetões em formato D, HMS (ou pêra), e oval. O resto pode-se considerar variações desses 3 tipos. Eles são fabricados em 2 tipos de materiais: em Aço e em Alumínio. Os de aço são utilizados por empresas, e são destinados a atividades de trabalho em altura, ou onde possa haver contato com cabos de aço (tirolesas por exemplo) e não são utilizados para escalada devido a seu peso elevado ( 50 ou 100g a mais pode não ser nada para um mosquetão, mas pense em 24 mosquetões em 12 costuras, e estamos falando de carregar pra cima 2,5kg desnecessariamente na pior das hipóteses) , apesar de possuírem resistência maior.  Resta-nos portanto, os mosquetões de Alumínio. Os mosquetões de alumínio podem ser divididos em mais duas categorias, de acordo com a liga com que são fabricados, sendo os mais comuns os de Duralumínio (dural). Esta liga é a mesma utilizada na fuzelagem de aviões. Estes são os mosquetões “normais” que você sempre vê com as pessoas nos picos de escalada. Há outra liga, pouco menos comum, e mais indicada para o uso em espeleologia, que é  conhecida como Zicral, a qual teoricamente apresentaria maior resistência à abrasão, que é um dos imperativos nas práticas espeleológicas. Entre os mosquetões de escalada, ou seja, os de Duralumínio, podemos definir as 3 categorias da seguinte forma:

Formato D

Mosquetão D assimétrico com trava de rosca

Normalmente são os menos caros. Normalmente possuem esse formato para propiciar o melhor assentamento do mosquetão em chapeletas e/ou grampos. O formato D também apresenta uma geometria matematicamente calculada que propicia maior resistência do que os mínimos estabelecidos pelas entidades certificadoras ao mosquetão, o que acarreta em mosquetões menores e consquentemente mais leves, mas com a resistência ainda superior aos padrões internacionais. Há quem os classifique como “D” simétricos e assimétricos, mas ultimamente o importante, a saber, é que eles são os mais indicados para uso em Solteiras e como os mosquetões que vão em contato com a chapeleta em uma parada equalizada. Os mosquetões das costuras também apresentam esse formato, porém, não apresentam trava de segurança no gatilho, para facilitar sua colocação e remoção durante a escalada.

Formato HMS (ou pêra)

Mosquetão Pêra (HMS) com trava de rosca

Esses são os mosquetões utilizados como “mosquetão mestre” em uma parada equalizada, e, por convenção, não são colocados em contato com proteções fixas (chapeletas). Há uma regra que diz que mosquetões que são postos em contato com chapeletas não são colocados em contato com cordas e fitas. Isso porque ao entrar em contato com chapeletas, o mosquetão pode sofrer pequenos desgastes ou ranhuras, e em certos casos, soltar alguma farpa, o que em caso de alguma queda, pode vir a rasgar a capa de sua corda (por isso suas costuras devem sempre ser utilizadas com o mosquetão reto para cima e o curvo para baixo, por onde se vai passar a corda). Este tipo de mosquetão também é o mais indicado para o uso com equipamentos de segurança, como ATC’s, tanto para assegurar um escalador, quanto para rapelar de uma via. O formato Pera assegura que um dos lados (de cima) do mosquetão, seja largo o suficiente para propiciar que nele seja feito um meia volta do fiel duplo adequadamente, o que, em caso de perda do freio durante uma escalada mais longa pode vir muito a calhar. O nome HMS deriva do alemão e quer dizer basicamente Mosquetão para Meia volta do Fiel.

Mosquetão Oval

Mosquetão Oval com trava de Rosca

Os mosquetões ovais não são muito comuns, mas são muito importantes, principalmente nas escaladas clássicas e nos artificiais. Por seu formato simétrico, são excelentes para carregar nuts e outras peças móveis com cabo de aço, pois é possível girar as peças no mosquetão livremente com uma só mão enquanto se busca por uma peça específica. Nos artificiais são especialmente cômodos para manusear Cliffs, estribos, e também para serem colocados em pítons e outros tipos de proteção característica deste tipo de escalada. São muito práticos e em muitas situações substituem tranquilamente qualquer um dos outros dois tipos de mosquetões, sendo considerados muitas vezes, como mosquetões “coringas”.

Travas do gatilho

Mosquetão D ligeiramente assimétrico com trava automática (twist lock)

Quando eu comecei a escalar eu tinha um mosquetão antigo com a rosca quebrada. Um belo dia durante uma escalada havia utilizado todos os outros mosquetões, e este sobrara para minha solteira. Eis que no meio daquela teia de aranha que só na minha cabeça e na dos outros dois que escalavam comigo era uma parada equalizada, eu reparo que uma fita (provavelmente a solteira de um dos dois) mantinha meu mosquetão aberto. Como iniciante para mim aquilo foi bem espantoso, e desde esse dia aprendi pra que serve a trava de um mosquetão. E aquele mosquetão em especial virou mosquetão de carregar equipamentos na mochila apenas.

Existem basicamente 2 tipos de trava. A trava com rosca, a mais comum, não tem muito segredo. Você rosqueia a trava e ela impede que o mosquetão se abra. Você desrosqueia, isso permite que o gatilho se abra. O outro tipo é o mosquetão de trava automática. Dependendo da marca podem ser de vários tipos, mas praticamente o que vamos encontrar são os chamados Twist-lock: é necessário girar a trava do mosquetão enquanto se força para abrir o gatilho. Em alguns modelos é necessário apertar algo mais, mas basicamente é isso. E recentemente a Black Diamond inovou lançando no mercado (na verdade ainda não foi lançado no mercado) o chamado Magnetron, que é um mosquetão de trava automática, porém com fecho magnético, como o próprio nome já indica.

A nova trava de gatilho da BD

Tipos de Gatilho

Até 1 ano atrás, as pessoas só conheciam 2 tipos de gatilhos: o Gatilho “normal”, e o gatilho de arame (wiregate). Em 2011 a Petzl inovou colocando à disposição das pessoas um mosquetão de costura novo, com um novo tipo de gatilho, que é mais uma derivação do gatilho de arame tradicional, do que uma inovação propriamente dita. Praticamente todos os mosquetões que não sejam de costura, possuem o gatilho “normal”.

Este é o mosquetão da DMM sem nariz, com gatilho de arame

Os gatilhos de arame são utilizados unicamente em mosquetões de costura “D” ou em mosquetões Ovais. Eles foram introduzidos lentamente e pouco a pouco vem ganhando o mercado por possuir muitas vantagens. Acabam propiciando mosquetões mais leves, são simples, mais “molinhos” para costurar do que gatilhos normais, e por não possuir molas ou engrenagens, não acumulam sujeira que com o tempo pode vir a comprometer o funcionamento do gatilho normal. Também por um gatilho de arame ser muito mais leve que um “normal”, quando um mosquetão de arame sofre um impacto, o arame não sofre aceleração pela inércia do impacto, e não se abre, nem por uma fração de segundo, o que ocorre com o gatilho “normal”. (VER VÍDEO) O lado negativo do mosquetão de arame é que até o ano passado 95% dos modelos encontrados no mercado internacional (e 100% no nacional) apresentavam o chamado “NARIZ”.  Até 2010 os mosquetões de arame sem nariz já existiam: A DMM fabrica um mosquetão com gatilho de arame com um sistema muito curioso mais parecido com os gatilhos de arame, mas que não apresenta Nariz. Só que não houve uma ampla distribuição e divulgação deste sistema. O que a Petzl fez foi criar um terceiro sistema, e divulgá-lo, investindo numa campanha de marketing muito mais intensa que a DMM, cujos mosquetões sem nariz pouca gente ouviu falar.

Mosquetão D, assimétrico, sem trava, com gatilho de arame

Mas o que é esse tal de Nariz?

Mosquetão sem nariz ou sem focinho é uma mão na roda. Bem no lugar onde o gatilho fecha, e encosta no corpo do mosquetão existe uma espécie de trava, para quando o mosquetão sofrer deformação elástica devido a uma carga, essa tensão ser distribuída ao longo de todo o corpo do mosquetão igualitariamente, fazendo-o suportar os tais 22KN quando fechado, e na posição longitudinal (e por isso mesmo quando ABERTO suporta menos de 8kn). Essa trava é normalmente um “dentinho” no corpo do mosquetão que morde o outro “dente” que está no gatilho, fechando o ciclo. Esse dente é o Focinho (ou Nariz) do mosquetão. Quando presente, este focinho enrosca em tudo na hora de tirar o mosquetão de onde ele está e por em outro lugar: Do rack da cadeirinha, do loop, de uma fita porta-materiais… E o mais importante e incômodo: quando se está descendo de uma via tirando as costuras das chapeltas o nariz SEMPRE enrosca na chapeleta, tornando o simples ato de tirar um mosquetão de uma chapeleta uma novela. Principalmente em vias negativas ou com diagonais. Aí é realmente um pé no saco limpar a via com o nariz do mosquetão enroscando nas chapeletas.

Mosquetão HMS com Trava de Rosca, Gatilho Normal.... Com NARIZ "enroscante"

Devido a isso, normalmente os mosquetões de cima das costuras, que são para a chapeleta, possuem gatilho reto e não possuem Nariz. Os mosquetões que não tem nariz possuem um sistema chamado Keylock ou SnagFree (livre de enrosco). A tendência atualmente é que todos os mosquetões já venham com este sistema, principalmente porque com o tempo a patente deste sistema tende a expirar, então a maioria dos fabricantes deve adotar este formato para “o novo nariz” de seus mosquetões. Ainda falando de costuras, os mosquetões debaixo possuem a tendência de ser de arame, pois, mesmo com nariz, este não enrosca tanto na hora de tirar a corda de dentro, não causando tanto estorvo quanto pra ser tirado da chapeleta, e aliviando peso do conjunto.

Mosquetão D assimétrico com gatilho normal, sem trava. Observe que no ponto onde se junta o gatilho com o corpo do mosquetão não há o "Nariz" da figura anterior

Na hora de escolher o mosquetão de suas costuras, portanto, devem-se levar em conta alguns critérios e fatores. Primeiro que o mosquetão de gatilho reto seja sem nariz. Ponto. Para escolher o mosquetão de gatilho curvo (para corda), você deve decidir entre os seguintes parâmetros: Um mosquetão mais leve de arame, com clipada um pouco mais mole, porém com nariz, ou um mosquetão ligeiramente menos leve (nem tenho coragem de dizer “mais pesado” quando estamos falando em 5 ou 6 gramas) porém sem nariz. Leve em conta que alguns mosquetões de gatilho “normal” são tão molinhos para clipar a corda quanto um de arame, ainda que esta não seja a regra.

Costura com o Mosquetão com gatilho reto (de cima) normal e sem nariz, e com o mosquetão de gatilho curvo de arame, e portanto, com nariz (hoje está cada vez mais comum encontrar costuras "mistas" como estas)

Costura tradicional: Gatilhos retos e curvos com gatilho "normal" e sem nariz

Como provavelmente é um amigo seu que vai trazer suas costuras de fora do país e você não vai poder apertar o gatilho pessoalmente pra testar, esse fator fica fora dos critérios de seleção de um mosquetão de costura. A menos que você possa comprar um dos mosquetões mais caros do mercado, é claro, que resolve essa questão: É um dos mais leves da categoria (se não o mais leve), possui clipada molinha, e não tem Nariz. Na hora de decidir qual mosquetão comprar, dê preferencia para os mosquetões sem nariz também, pois é muito mais prático e não enrosca em tudo.

Este é o mosquetão de arame e sem nariz lançado este ano

Quando eu vou ensinar um iniciante sobre mosquetões, a primeira coisa que eu falo normalmente é sobre as resistências, cargas de ruptura e sentidos de utilização e NÃO UTILIZAÇÃO. Considero que quando você entrou no blog já sabia pelo menos que no mosquetão tem coisas escritas, e o que elas significam. Caso não saiba, elas são as certificações internacionais (como UIAA e CE), e as resistências em cada eixo e com gatilho aberto.Você também já deveria saber (ou não né, se for iniciante tudo bem ;D ) que os mosquetões jamais podem sofrer tensões de modo que o torçam, o dobrem e o amassem. E há quem diga que não podem cair de muito alto, mas aí é tema pra outro post do mesmo tamanho desse!

Chegando no Pico pra escalar...

Há muito tempo eu venho colecionando fotos da galera escalando. Mas não simplesmente escalando nem fotos de suas bundas escalando (as famosas “Butt-shots”). Essa mania já atravessou o oceano e tem até uma foto da Danizinha escalando em Margalef fazendo a tal pose. Tudo começou quando eu ainda jogava basquete, quando eu tinha uns 16 ou 17 anos. Tinha um dos caras mais velhos cujo apelido era Botão, e certa vez quando a emissora de TV local (EPTV) foi filmar nossa escola de basquete (Meneguelli), na hora de fazer uma bandeja, ele colocou a mão na nuca… o que aconteceu foi que essa foto saiu no jornal, e aí a mão na nunca virou marca registrada. Não dele, mas de todo mundo pois todo mundo começou a imitar porque era muito engraçado. Só que aí eu comecei a escalar, e o basquete ficou muito chato comparado com o quão legal a escalada é. Mas a fanfarronice continuou a mesma, então nas fotos eu “importei” do basquete essa pose, e aqui está o resultado:

Bia na Rock and Roll

Bia na Hellraiser

E aí o nosso astro Senninha, no Cipó...

Essa daí também é na Vingador..

E o Guilherme também aderiu ao movimento...

Atenção crianças, não façam isso em casa! (nem no pico)

Vai Senna, ta no agarrão?

Beto no vale de Blair, no Cipó

E eu na Lapinha...

Na Clássica Lamúrias, no Cipó

E aí Beto na Ana Chata

E a Isa vem logo atrás, também na Ana Chata!

Panorâmica do Ives no Baú

Aí na Surfista Prateado em SLP 2

E agora as “internacionais”:

Danizinha levando para o além-mar o gesto tão simbólico!

Raul Fazendo parte do movimento, em ubatuba :)

Ana em San Martin de Valdeiglesias

Eu em Rodellar, na Cueva de los Cazadores

Martinha em Rodellar!

E é isso, quase 20 fotos da galera fazendo altas poses e arrumando altas confusões, num esporte que é do barulho! Essa é minha homenagem a vocês, com quem eu tanto gosto de escalar, e que nos últimos meses tem estado tão distantes… Valeu “txurminha”! E ó, o pessoal do Nór-dimin’s pode mandar as suas fotos com a mão na nunca também, a galera do Ceará, do Rio, do Espirito Santo, os campineiros, os bróther trad aí do PR com os frendão na mão (e a outra mão na nuca rsrs)… mandem mais fotos em “pose de agarrão” para juntos fazermos o post “poses de agarrão N° 2″ !!

 

Abraços e até o próximo post!!

 

PS – Parabéns Isabella! Acertou a Charada! Fácil né?!

 

 

Que escalar no frio é melhor todo mundo sabe. Melhora o grip da sapatilha, vc não sente a ponta dos dedos e aperta melhor os regletes, tudo é lindo. Mas quando vc começa a não sentir a mão inteira, nem o que está tocando é sinal que tem alguma coisa errada! Agora que o frio ta chegando realmente ta dando pra ver o quanto eles sofrem com o inverno. Pra começar ta escurecendo seis da tarde já, e pra piorar eles ainda me inventam o horário de inverno, que adiantamos o relógio uma hora, ou seja, era pra ter sol até as 7. E sem contar que agora no outon ta frio, tempinho chuvoso, ta foda. Ficamos vendo a meteorologia todos os dias, que, como todos sabem, muda a cada meia hora a previsão para os próximos dias. sábado dia 5 fomos pra Patones (que é um afloramento de calcário predominantemente negativo de agarrão, onde predominam os sextos franceses (de quinto sup a 7c BR) ou seja, não poderia ser melhor, no meio de todo o granito da serra madrileña). Estava um vento e um frio que nem o mais viciado poderia ter aguentado tanto.

Nachete tentando aquecer...

Nacho bailando con la roca!

Martuky já se vendo livre do mal do top rope...

Se o objetivo era aquecer nesta via... ele não foi alcançado, tamanho o frio que estava!!

E aí eu tentando aquecer, segunda via e ultima do dia...

Ai como eu adoro os negativos de agarrão...

Sorte ou revés: Você não sente as pontas dos dedos, como vc sabe que o que vc está segurando é uma agarra boa? Resposta: Porque eu não caí ainda!

Quando desci dessa via, senti uma dor tão forte, que eu nunca tinha sentido na vida. Como se milhares de agulhas estivessem furando minhas mãos de dentro para fora, foi horrível! E a dor não parava!  Escalamos duas vias e fomos por umas cañas. Quando chegamos em madrid o clima tava mais ameno (maomeno kkkk) e fizemos um pouco de força nos boulders da complutense por uma horinha, até que começou a chover }:(

No dia seguinte resolvemos voltar ao melhor granito dos arredores de madrid: SEM ADERÊNCIA, com agarrência em alguns casos, mas com a predominância de agarras, San Martin de Valdeiglesias cada vez me encanta mais!

Predominância de vias com agarras em granito, muitos pés, regletes bons... adoro!

No domingo a gente foi pra lá, e deu pra escalar horrores. É uma escola em que as vias possuem sempre muitos pés bons, inclinação moderada a vertical, visual bacana… depois de aquecer desci equipando uma via ao lado, um 6c+ fr (7b br) que era daquelas tipo eliminatórias (coisa que eu sou totalmente contra): NÃO VALE usar a parede da direita ou NÃO VALE a aresta… Não vale é coisa de academia, na rocha se vc costura todas as chapas e não sai da linha da via, vale tudo! Na primeira vez eu fiz sem saber disso, e usei um pé e algumas mãos na aresta da direta. A via ficou tipo um sexto grau. Aí refiz reto pelos regletinhos, aí sim poooode ser que fosse um 7b br mesmo, anyway, muito legal. Depois fiz uma fenda de 6c (7aBR) bem fortinha mas muito legal, ótima! Se chama La serpiente =) A marta guiou um 6a+ que terminava na mesma parada e deu um pega na fenda… sofreu um pouco mas chegou no final =)  Desceu e por coincidencia o top ficou armado na via entre as duas, um 7a plaquero de matar… Como as mãos ainda estavam fechando, resolvi dar um pega. Isolando agarras ela é um 8b, se não, um 7c… tentei o 8b e ficou BEEEM HARD.. mas o 7c deu pra tirar bem os moves! Com isso fico com um projeto em cada falésia pra poder estar voltando com ganas de subir o grau e fazer uma forcinha! =)

Na terça fomos na complutense pela manhã fazer força nos boulders, e a Marta fez um treino de vacas, tomando milhoes delas, muitas das quais eu nunca tive coragem de tomar na Caixa d’água, com a costura embaixo do pé! Lugar perfeito para treinar quedas pq a parede era levemente inclinada.

Na quarta foi feriado, voltamos pra San Martin, mas foi foda pq depois de aquecer em dois sextinhos começou a chover e miou o climb…

E no sábado… tcharaaannn…. Fomos pra Patones de novo. Aqueci num diedrinho de 6a tipo a Irish, só que mais fácil, e inteira chapeletada… eu não ia perder a oportunidade =) A marta com o tomelirrolímetro la em cima já entrou guiando e só não mandou pq o pé resvalou num lance de diedro e ela caiu um pouco… várias vezes.. tudo bem, as vezes os diedros podem ser bem complicados =)

Na sequencia tinha uns amigos nossos ali ao lado, e entramos em um 6b e um 6c (7a Br) que mandei a vista. Lindas vias, como quase todas de patones: Negativas de agarrão com crux na saída. Adoro! Deixei a segunda costurada pra marta e ela já atrevida entrou guiando e se tivesse visto um agarrão invertido super camuflado no teto teria passado o crux de primeira! Guiou a via toda, tomou outra vaca, sofreu em alguns momentos, mas o que importa é que ela tava guiando um 6b, enfrentando seu medinho e escalando como se tem que escalar de verdade: Na ponta da corda =)

O dia já teria sido perfeito por essas vias, e pela atitude da marta frente as duas vias, mas ainda tava com o romelirrolímetro a milhão pra ir no setor púrpura tentar a cândida palidez, aquele 7c (7aFr) de 30m que eu tinha entrado outro dia. Pelo adiantado da hora achei mais prudente entrar no 7a (6c Fr) ao lado só pra cumprir tabela, fazer força num tetinho, já que a via era mais curta, e eu não tinha as 15 costuras que a via ao lado exigia… O foda foi que eu entrei na via errada, e acabei guiando um 6c+ (7b Br) e caí no “a vista” indo prum regletinho que não existia! Perdi a cadena mas ganhei mais um projeto muito bom no setor, negativo com teto, de agarrão mas com bidedo no crux =D Na sequência o Nacho, aniversariante do dia, entrou e mandou seu primeiro 6c+ a vista! AAAA MULEKEEEE!! Ele só não escala mais pq não cola com a galera da pressão, ta sempre com os nego newba ou que estão começando agora a mandar 6sup/7a. Maldito magro. |:/ (ENHORABUENA!)

Observe a inclinação da via.. a camisa até sobra.. tetos de agarrão... ÔÔÔÔ LÁ EM CASA HEIN?!

Me divertindo horrores nas vias de Patones...

Essa eu vou imprimir e fazer um quadro!

De um bidedo fundo no teto para um abaolado com agarrão no fundo... que buena!

Um pouco repetitivas as fotos? Eu não me canso!

Pescaíto frito 6c+

Patones ao Entardecer, numa tarde de Outono.

No domingo não rolou climb pq era aniversário do Nacho, então fizemos uma caminhadinha geriátrica pela serra, mas tudo bem pq rolou muita comida e o visual até que não era ruim não ;)

E para finalizar, vou colocar uma charada super fácil, e semana que vem vou tentar ter resolvida a charada megalomaníaca do Gui…

Se eu respirar em pensar uma dica alguém acerta!

Esta vai ser para ver quem entra no blog primeiro, não para quem acerta, pois é muito fácil. Sorte!

Salve coleguinhas! Bem aventurados sois vós, que estão a escalar pelas bandas dos Cipós! Me matam de Orgulho (e um pouquinho de inveja)… Mas não se preocupem pois eu sei que é recíproco! =D Galera, só tomem cuidado com os queijos mineiros ok? Manerem!

Este post é mais para atualiza-los, depois de vosso retorno deste Climb à muerte que vocês se mandaram… Com certeza voltando com vários projetos no bolso, Né Sr. Beto e Sr. Raul? A lista era Grande! hahhaa

Pedindo permissão a Oxossi e Xangô para subir a pedra...

Mas vamos ao que interessa… Depois de voltar de Rodellar, rolou um climb no fds aqui em Patones… (isso já faz quase 2 semanas ;P) Vieram de Huesca o Daniel, o melhor fotógrafo Brasileiro na Espanha da atualidade (mas ele fica só até dia 7, depois vai pro Nepal fazer peregrinação pelos picos altos), o Roger e a respectiva, Olga. E em nossa casa estava hospedado o David, de São Carlos, que está em munich mas é de Belém do Pará.. Patones é a melhor Falésia ao redor de Madrid, tirando as vias super mega master hiper lavadas (que na verdade não são muitas). Estavam também os espanhóis da Urban Monkey David, Andréa, Gonzalo, Kike, entre muitos outros.

Aí toda a galera Brazuca reunida..

Aí o David espanhol guiando a Autopista hasta el infierno 6b+ (6sup)

David No crux...

Agora o Homônimo brasileiro na mesma via..

Enquanto a Marta guiava uns quintos e malhava alguns sextinhos, eu entrei num 6sup clássico chamado Autovia para lo Infierno, muito legal! Depois ainda entrei equipando um 7c de 30m de quase 18 costuras (na verdade não me lembro quantas, eram muitas!). No segunda pega saiu com uma queda! Com um pouco de treino durante a semana e uma corridinha acho que sai certeza! =D

Linda via! 30m de via uma chapa atrás da outra! A-d-o-r-o!

Com tanta chapa, e tanto teto, fica dificil controlar o arrasto se não pular alguma(s)... ;)

O nome dela é Cândida Palidez (7a Fr)

A via tinha até entalamento de joelho para soltar as mãos...

But-shot's imperando!

No final do dia o Roger com o Daniel e a Holga foram para um setor com quintos e quartos, e o Roger demonstrou grande progresso desde sua iniciação 1 semana antes em rodellar. Junto com a Alicia que chegara Mais tarde, a marta guiou outro quinto, mas as agarras estavam tão lavadas (polidas), que parecia um sexto.. O David também aproveitou estas vias, já que ele não estava em sua melhor forma. Mas para ele o aprendizado foi o que mais valeu: Daqui pra frente, só Guiando, nada de Top Tanga né David?! Ainda sobre Patones, o que compensa são os sextos pra cima… pois normalmente são negativos de agarrão bem protegidos, e a negada tanga arrega e fica nos quintos e quartos mesmo, sempre, então as mais legais ficam sussa (a menos que seja uma via como a Yuppies in the Gym, um 6sup de quase 30 anos super clássica, que hoje já ta mais pra 8a pois não tem aderência nenhuma de tão polida).

Davi escalando e Alicia na Seg... setor Cielo Líquido (evite este setor pois as vias tão o puro sabão..)

O domingo amanheceu chuvoso, então fomos com o David fazer turismo geriátrico por Madrid, para que ele conhecesse o Rastro (grande feira de rua com artigos chineses e de toda sorte), a Plaza del Sol, tapas e cañas.. enfim.

A semana foi chuvosa, fria, e não rolou treino, o que se pôde notar no final de semana, no qual escalamos sábado num setor Maldito da Pedriza Chamado Miguel Angel Blanco.. com quintos e sextos de fé e determinação, mas agarra que é bom mesmo… pfff….. dexa pra lá, acho que ficaram todas em rodellar. Placa é uma coisa: Positivo ou extremamente vertical, com alguns regletinhos e talz, tem que apertar, massa. Aderência é o inferno! kkkkk Ah, blz, vc aprende, é uma grande escola blá blá blá… Aderência eu posso escalar no Baú, em Andradas…ali.. “pertin de casa”…  Agora, Negativo de agarrão de 30m… bem… tem que viajar 12hrs até o cipó para isso! E já que estamos por aqui…en el país de la roca, vamos priorizar hehehehe

Tardou uns 3 dias de sofrimento e dor, porém laceou e agora ela não consegue mais escalar sem...

No domingo fomos para Patones a Marta e eu, pois a galera não animou muito, o David já tinha vazado, foi um dia pra Marta apertar a muerte: Entrou guiando quase tudo, menos um sextinho encardido no fim do dia… Mas foram alguns quintos e e sextos.. alguns mais de uma vez, me matou de orgulho! Foi nesse dia que fiquei azedo com a via yuppies in the gym, que é o 6sup clássico de 30 anos que eu comentei antes: Todas as agarras parecem um sabonete molhado… nem tatu de chuteira poderia subi-la sem pagar pelo menos dois montês até a segunda costura… Ah não.. Num pico com mais de 800 vias, acho que eu posso me dar o direito de escolher ehehehe e Que bom! Entrei numa via chamada ejaculação precoce: Delícia! Adoro!!  Negativa quase teto, com agarrões, entalamentos de calcanhar no teto.. me esbaldei! =)

Mas como sentia que estava meio fora de forma, na segunda fomos dar um treino na Complutense (tipo a Ufscar daqui): Um boulder + uma paredinha vertical. Deu pra apertar uns regletes no negativo, fazer um pouco de força gratuita. E o melhor que deu pra correr até ficar com dor “aqui” (ta ligado?) jogando um basquetinho!! Confesso que me diverti mais jogando e correndo que nem um condenado 20minutos de basquete (trinca) do que punhetando algumas agarras, apertando uns regletes e uns abaolados gratuitamente. Não que eu Não tenha gostado, mas é que fazia mil anos que não jogava… é divertido hehehe E as firulas que eu gosto de fazer no basquete por pior que eu jogue, parecem que eu sei alguma coisa hahahaha..

Enfim, o treino parece que deu resultado pois na terça fomos conhecer um pico novo (pois aqui era feriado) chamado San Martin de Valdeiglesias. O lugar é um conhaço pra achar (principalmente com as indicações de alguém que nao sabe ir kkkk), mas acabei curtindo muito o estilo de escalada. Um granito de agarras, algumas fendas, e zero de lances de aderência. Depois de tirar fotos da galera nos terceiros e quartos graus, fomos prum setorzinho mais legal e guiei dois quintinhos. No fim do dia ainda aproveitei uma via equipada por uns espanhois muito gente boa, e mandei em flash um 6c (7aBr) de placa… Aí sim! kkkkk =) A marta também me matou de orgulho esse dia e não fez nenhum top, só no 7a, o qual ela conseguiu fazer todos os movimentos! Guiou um 6a e um quinto (fora os terceiros e quartos). Aproveitei e tirei várias fotos pois a ocasião estava propícia.

"No-top-rope-day" para Marta!

Ok, mais umas 100 sessões de fotos eu aprendo...

Vem marta para a reta final... a cadena está em suas mãos!

Ok, essa não precisa pular... hehehe

 

Aí o Visual do Pico... esse setor é o próximo para onde fomos... legal!

 

Esse aí é o Guilhe, que para o primeiro dia, demonstrou extrema desenvoltura e interesse... Keep up the good work!

Luz Abriendo un V+

 

E agora Martinha no Only leading day! s2

 

Bem, por enquanto esta é a atualização das ultimas escaladas e acontecimentos! No fim de semana se não chover, fizer frio, nevar, haver um cataclisma e um caos climático por aqui, pretendemos ir a Gredos fazer uma via Trad. 3 horas caminhando e uma via de 160m… vamos ver o que acontece!! E de vocês daí espero atualizações sobre as trips do cipó, Ubatuba, Itaqueri, cusco, etc… Pelo menos um pouquinho de atenção vai gente?! kkkkkkk

 

Abraço a todos, e continuem “apretando à muerte”!

Deixo vocês com algumas fotenhas de Rodellar “boas”, Tiradas pelo Daniel Hirata!

http://www.facebook.com/media/set/?set=a.2590255193326.2146226.1163003681&type=1&l=e7629cd680

6c em Rodellar (7a Br)- Setor El Camino

Díos!!! POR FAVOR?! ME DÊ UMA LUZ!? - Valeu B)

 

 

 

 

Saindo de férias das férias... mais férias?

(antes de iniciar a leitura, no final tem o link para os croquis de rodellar, caso esteja procurando ok?)

Olá a todos! Quanto tempo não é mesmo? Vocês devem estar se perguntando por onde anda o genja que não escreve mais… de duas uma: ou arranjou um emprego e ta se matando de trabalhar… ou ta escalando pra caramba. Mas claaaaro que é a segunda opção! =D

Depois que a marta terminou finalmente e defendeu seu DEA (leia-se: mestrado), resolvemos tirar uma semaninha de férias, já que ela não tinha tirado nenhum dia de férias esse ano. O máximo foi nossa viagem pra Margalef em maio, mas o auge do verão e das férias ela passou em frente do computador enrolando escrevendo. No dia de sua defesa a gente já começou, mas fazendo turismo geriátrico por uma cidade chamada Segóvia, que tem uns arcos Romanos milenares e talz… boniiiito…

Posando na frente dos Aquedutos Romanos

Visitamos um castelo nos arredores com um mega power Jardim com várias fontes sob temática mitológica grega. Ok, turismo geriátrico 1x por semestre até que é legal ;P

Essa aí é a casa que estamos morando... Foda é limpar todo domingo!

Destaque para o Cordeiro que comemos na cidade…

Ok, o lado bom do turismo geriátrico... =)

Mas como estávamos livres podendo tirar umas férias de verdade, e como ela havia percebido que eu já tinha saudades de escalar em Itaqueri, então resolveu me levar no mais próximo que tem por aqui de itaqueri: Um singelo lugar chamado Rodellar. O lugar é muito massa, a graduação é meio dura (tipo, parece que de quinto a sexto é tudo 6sup; 6sup é 7b, 7b é 8b e daí pra cima sei lá hehehe).

Chegando em Rodellar...

O lugar é muito foda. Se vai a pé a todos os setores. Tipo a vila de Itaqueri e os setores (só que é um mega vale com mega setores dos dois lados). Só que rola aquele incentivo né, ao contrário do Brasil, em que a escalada é marginalizada. Aqui é visto como uma fonte de renda, PORÉM, não se paga para escalar em uma área natural pois isso não é justo. Há muitas outras formas de se ganhar muito mais dinheiro de forma muito mais eficiente que cobrando pela entrada nos locais de escalada. Há bares, há restaurantes, campings, pousadas, refúgios. Você é atraído pela escalada, e claro, acaba deixando dinheiro na cidade, pois vc paga por todo o resto (camping, comida, etc..) que são coisas que vc estaria consumindo em qualquer lugar mesmo, porém feliz da vida pq escalou o dia inteiro num lugar muito massa.

Marta num quintinho em Rodellar.. Já viu né... ;P

No primeiro dia a marta já estava mordendo pedra. Com sua sapatilha nova, queria sair desossando as vias. Entrou guiando num 6a Fr (5° Br) mas não rolou, eu entrei, e achei o quinto grau mais dificil da minha vida, junto com a Nini van Prehn em Andradas. Podemos dizer que os quintos daqui são “quintos de Andradas”. Isso pq a via tinha tipo 5 costuras e a base. Tudo bem, era a primeira via e estávamos aclimatando. Depois encontramos um casal canadense na casa do seus 50 anos que enquanto encarávamos umas vias e decidíamos se íamos entrar ou não, eles sugeriram que entrássemos pois as vias eram muito boas. A marta entrou equipando nas duas e resgatou sua dignidade. Eram dois 6a Fr (5°) do setor Bikini de quase 30m. Eu sei que a minha (dignidade) ficou num setor chamado Desplombe de los desesperados. Entrei num 6c+ (7b Br) com uma saída super boulderística, nem cheguei na segunda chapa, aí entrei na via ao lado, um 6b+ (6sup) que eu fiz força como se fosse um 6c+ (7b Br). Mas esses foram os equívocos iniciais, acho que pela aclimatação ao local, pois o resto dos dias rolou curtir mais o climb, as vias e todo o resto.

Encadeirando-se... ao fundo a Gran Boveda, né não? (note à direita a pequena sombra: é o diedro inicial da via de 40m)

Para fugir do sol, outro dia, fomos para o setor “Furia Latina” e “Sorgente”, mas o psico da marta não tava muito legal pra guiar esse dia. No fim do dia entrei num 6c (7a BR) de 4 chapas e base. Explosão total num mega negativo com chorreira, mini teto no final, com direito a pinça no teto…. animal a via.. é a segunda via do setor Furia Latina. A via é legal, acabei não mandando pois o ultimo move da virada do teto para o vertical, apesar de alucinante, era bem forte, mas deu pra isolar bem os moves. Não voltei na via pois daí pra frente percebi que as vias curtas tem a dificuldade espremida, então resolvi dar prioridade a vias mais longas, já que via curta eu posso escalar em casa hehehe.

De olho na galera escalando de verdade.. Parte de trás do "Delfin", setor Sorgente..

Querendo vias mais altas e de beleza cênica impressionante, escalamos obviamente o cartão postal de Rodellar: As vias do Delfin (golfinho). O impressionante arco tem um 5sup (6a+ FR) que beira o arco muito legal. Super aérea e pouco polida. Recomendo!

Essa via não é muito longa, mas é alta, puta visuuu meooo!!

E a via vai beirando "o abismo", super aérea, legal! Termina subindo reto depois da metade...

No fim do dia ainda fomos correndo no setor El callejon, onde nos tinha sido indicado pelo David e pela Iris, que haviam nos emprestado o guia, um 7a Fr (7c Br) muito massa de chorrera. A via realmente é animal, recomendo, se chama “Passaba por aqui”. Ele só não tinha me avisado do lance de placa lazarento que tinha nos 15m finais da via! A via tem uma saída negativa em chorreras (leia-se agarrões), um cruxzinho de sair da chorrera e entrar na parte levemente positiva. Todo mundo sabe que eu odeio as placas (positivo de aderência e regletinhos), mas o lance inicial na chorrera foi tão, mas tão massa, que eu subi o lance de placa (que não era muito menos que sexto, mas plaquero!!) dando risada… Eu lembro que eu subia pensando “ahahahah, que da hora, a próxima chapa está a uns 4m de distância, vou tomar a maior vaca da minha vida.. ahahaha vamo lá, que da hora ahahah” Acho que em parte também por culpa da nova sapatilha que eu tava estreando. É uma Scarpa Instinct S, (que eu tive que rodar meio mundo pra encontrar, pois não tinha na Italia, nao tinha na espanha, nao tinha nos EUA, achei numa lojinha na Inglaterra) com o novo solado Vibram XSGrip 2.0 que realmente está ducaralho. Eu achava que era a sapatilha que por si só era muito boa, mas descobri o que é o vibram 2 (e o que se supõe que ele faz) depois de voltar pra Madrid, num artigo da revista da barrabés. Mas como confiar na sapata influencia no psico!!

De brinquedo novo, ô que beleza!

De sapata nova, COM BICO (que a que eu tava já não tinha) tudo fica mais fácil!

O casal de sapa nova... escalando um grau a mais... kkkk

Mas voltando a falar de climb, um setor que eu recomendo para quem está procurando vias longas negativas de agarrão (e não muito aérea, o que é bom para o psico hehe), é um setor muito legal que de longe impressiona: Pince sans rire. Um mega teto de uns 50m de altura com uma outra parede dentro dela. Dificil explicar, mas muito legal de escalar! (Vide foto)

Ao fundo o Setor.. note que dentro da Cueva a esquerda tem meio que outro setor...

Na direita as vias de décimo grau de 50m (onde a Daila Ojeda sem o seu namorado estava malhando um 10b BR – 8b Fr). Na esquerda vias mais baixas, de 25m, de 6° (6b Fr) a 7c (7a Fr). Entrei num 6° muito loco, e, apesar de ter ficado um pouco intimidado pela extensão e dificuldade, como uma criança num parque de diversões, resolvi entrar num 6sup super negativo que parecia ter muitos agarrões. E qual não foi minha surpresa quando realmente era um 6sup (de rodellar – forte!) de agarrão de 25m!! Descendo da via de baldinho fiquei quase uns 8m da parede… me esbaldei! A via se chama “Los Hermanos Peruanos”, uma das melhores que eu fiz na trip! Saindo do setor a marta ainda deu um puta migué… estávamos com vergonha de tirar uma foto com a Daila, e meio que sem querer acabamos tirando uma foto com o cachorro do Chris Sharma kkkkk De todas as escaladoras que eu conheci na Espanha, dá pra dizer que a Daila é a Rafa Discaciati espanhola, por ser muito simpática! Aí Barão, sobrou pra ti o cargo de Chris sharma Brasileiro! Kkkk

Marta e o Cachorro celebridade...

Na sexta  noite chegou o Daniel Hirata de campinas, que também está em ano sabático e começou sua jornada aqui pela Espanha escalando em rodellar (depois de ter ficado 1semana em Barcelona só curtindo a night – e os afters). Com ele veio seu amigo de infância, o Roger, com quem ele fazia troca-troca quando era pequeno (aí Roger, zuêra!)… Apesar da sapatilha dele ser pior que um kichute, ele demonstrou grande evolução e perseverança em apenas dois dias de escalada, o que renderia bons frutos na semana seguinte já aqui em Madrid, escalando em Patones. Pela primeira vez fomos no Setor “El Camino” e na minha humilde opinião foi um dos melhores que escalei aqui, pois ele possui muitas vias, negativas, com comprimento entre 15 e 25m, todas uma do lado da outra, base plana, acesso mais sussa… e as que eu escalei muito boas com agarrões. Aquecemos num 6°, fizemos um quintinho, e não poderia sair dali sem aproveitar para entrar num 6c FR (7a Br), aproveitando que tava o Daniel ali mordendo preda e disposto a subir a via também. Subi equipando e caí indo para o agarrão da cadena sem dar curintcha na costura.. que via massa! Muita pinça, invertidas, chorrera, negativa, e com agarrões intermediários! Adoro! O Daniel subiu mas também achou um 7a meio fortinho, e acabou ficando lá em cima, sentado num bloco, ao lado da base, tirando umas fotos com sua mega câmera máster plus xxx de cima. Entrei de novo “apretando à muerte” e mandei rapidinho! (incrível a diferença entre entrar a vista sacando os moves e depois entrar pra cadena rapidão!). Agora eu espero ele mandar as fotos um dia quem sabe! (junto com as fotos que ele me prometeu da Vagabundos nutridos ao por do sol!).

Daniel com toquinha no melhor estilo Gibara de ser...

E ainda na pilha das vias longas, fomos no setor Nuit de Temps fazer uma via de mais de 40m. Um 6sup Impressionante de quase 18 costuras e dois rapéis. A primeira enfiada é um diedrinho de quinto grau de 17m chamado “Tam-tam”, cheio de fendas. Chega num platô e a coisa começa a ficar séria, mais 26m de escalada de comprometimento, onde vc não pode nem pensar em caiirrrrr qualidade, negativa, com vários crux, mas na real, uma via de resista. A segunda parte se chama “Objetivo M” e eu diria que seria a Lamúrias de Rodellar (só que mais fácil). Eu só sei que é escalada que não acabava mais!! Cheguei na base com UMA costura no Rack!! (tinha pegado um monte do Daniel, devo ter subido com umas 18). A via é muito boa, só fico com vergonha porque já faltando uma ou duas costuras pra base, fui ficando cansado aí começou aquela putaria de gemer cada vez que pegava um agarrão, comemorando – Uiiii!! ADORO UM AGARRÃOOO. Mas deu tudo certo e não caí =).

Essa foto só mostra metade da via, mas aquela foto ali em cima que tem eu me encadeirando, aparece esse "espigão" aí inteiro, visto do outro lado do vale...

Casal na área de lazer central do pico entre os sectores...

No último dia andamos MIL ANOS procurando um quinto grau pro Roger, e aproveitamos para conhecer um setor muito bonito, a “Cueva de los cazadores”… Lugar com um teto do caralho, impressionante mesmo, mas o quinto grau sem nome podia chamar quebradeira… Escalamos todos, muito legal, mas depois desse quinto tinha só 7b (6c+ fr) pra cima, que por sinal, fiquei muito na instiga de entrar, “La niña de mis ojos”, pois parecia que a dificuldade consistia na negatividade da via com final no teto (tipo o começo da TPM, na invernada), mas com uma chapa atrás da outra, e agarrões.

Muita pedra solta e cocô de pomba... mas um visu mto massa!

Por fim não entrei e acabamos voltando pro “setor principal” e demos mais uma escaladinha nas vias do Delfin pro Roger e o Daniel provarem. Entrei no outro 6a+ Fr (5sup BR) da esquerda já que já tinha feito a via da direita, e achei muito mais legal a da esquerda mesmo! Aí aproveitei o Daniel e entrei num 7a Fr (7cBR) que passava bem pelo teto no meio do Delfin. Só que me deixei seduzir pelas costuras abandonadas e acabei não indo pelo 7a FR e sim por um 7c (9aBr). Não cheguei no final, mas costurei 3 das 4 costuras eternas (permadraws) do teto, feliz da vida pq era tudo agarrão gigante animal…Só o crux tinha um move mais forte com abaoladinho no final do teto… mas aí minha mão já não fechava mais pra costurar nem a próxima permadraw. Mas que satisfação! Hahahaha Entrei num 9a em Rodellar! Kkkkk E que satisfação que fomos para outro setor, recomendados por uma outra escaladora Canária muito simpática que havíamos conhecido outro dia: A melhor via abaixo de 7a de rodellar! Roxy La palmera, um 6sup na chorreira meio bombante super divertido!!! Adorei! A marta também adorou e falou que foi a melhor via que ela entrou na viagem! E o final ainda tem um presente muito legal pra chegar na base (só entrando pra ver!)! E  1m pra esquerda tem um 7a br que a Canária também recomendara, que pareceu ser muito massa, de chorrera e teto, mas já tava escuro, tivemos que limpar outra via (a massive atack) que o Daniel tinha entrado com o Roger ali do lado).

Marta guiando uma via de quase 30m no setor L'ecole

Esqueci de mencionar a inundação que tivemos durante uma noite onde estavamos acampando e sem ter chovido! Por conta de um cano quebrado ou algo assim, e logo pela manhã fomos acordados por uns gringos e tivemos que escolher outro lugar para a barraca. Por sorte a água só subiu uns 10cm e não molhou nada dentro da barraca =)

Nossa casa por quase 10 dias...

Medidas emergenciais! Corre pra salvar o fogão, geladeira, que inundou o barraco!

Saímos de Rodellar e seguimos para o Parque Nacional de Ordesa y Monte Perdido que a Marta queria muito conhecer, pois segundo ela era muito legal, muito bonito, e estávamos só a duas horas do Parque. Enfim fomos, ficamos num camping de luxo, mas super barato. E a trilha… bem, vou poupar palavras e assistam ao vídeo que eu fiz do rolê.

E foi esse o resumão da nossa trip de 10 dias por Rodellar (serra de Guara) e Pirineus. Agora de volta a Madrid, o frio está chegando, vamos dar seguimento às nossas vidas e ao climb, mas ainda com muita saudade dos trutas e de casa! Trutas: Mandem as noticias dos Climbs! Já to sabendo que o VIADO do Gui mandou a Cactus com o Bruno! (me matam de orgulho!)… Que mais rola por aí, São Carlos (Itirapina, BH, Botucatu, RP) Pression Team?

Martinha no Delphin..

Aí no Setor Desplome de los desesperados... Pince Sans Rire ao fundo. (eu sei, branco estourado)

Já fora de Rodellar.. Aí eles aproveitaram a curva da estrada e fizeram um belo mirante, com passarela para a paisagem... No brasil teriam tampado o buraco com lixo de construção civil se pudessem..

E aí a Marta com um gato de rua... Super dócil, quase dormiu na barraca com a gente.... pena que ele não faz o gato de fole quando apertado...

E como prometido no início, esse link tem os croquis de quase todas as vias de rodellar, mas é um site genérico e provavelmente terá de outros picos classe A também…

http://27crags.com/crags/rodellar/topos/nuit-des-temps

Não durou muito o post sério do blog que eu postei não faz nem 24horas. Somente uma coisa muito especial, original e diferente pra fazer eu postar tão rápido, mas é que, sabe como é… esse merece um share, um like, um comment! Melhor vídeo de escalada do ano… prepare-se… novas idéias estão surgindo (se bem que esse seria um plágio nosso se tivessemos(São Carlos Pression Team)  levado a cabo nossa idéia que tivemos no cipó em novembro do ano passado, lembra Gaivota? É… vai ficar pra quando eu voltar… (ou não! kkk) Sem mais delongas…

 

Ah! Já viu? Agora leia o post anterior sobre a relação políticos e escaladores..

 

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