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CHARADA

Enquanto não fica pronto o relato da trip do Cipó \o/  nem posto as fotenhas (que provavelmente acompanham o relato), para dar uma movimentada no blog vou postar a primeira de uma série de charadas de escalada. Como o nome diz, é charada, pra ser adivinhado, e sempre será algo relacionado à escalada. Para começar, o primeiro, que deu origem e inspiração à essa coisa toda de charada. O certo seria dar um prêmio para quem acertar, porém, como ainda não tenho minha loja de escalada (ainda! hehehe), fica aí o prêmio: O primeiro que acertar, ou o que acertar mais em cheio ganha uma fotona sua (que deverá me ser enviada) no próximo post com a próxima charada, ao lado da resposta desta charada. É fácil, mas é divertido hehehe

Se em, digamos, 48hrs ninguem acertar, (o que eu acho dificil, pois de bater o olho ja da pra saber o que é gente!), posto uma dicazinha.

Explicando: Vou postar hoje 3 fotos. Cada uma representa uma palavra ou parte da palavra a ser adivinhada. Pronomes de ligação (do, da, dos das, etc…)  caso houverem, serão ignorados pela obviedade, mas devem ser colocados na resposta.

Vamos lá!

CHARADA

O que é o que é?

A sorte está lançada! Lembrando que é uma coisa de escalada!

AH! Os mais chegados que ja souberem, e que ja tem fotos postadas aqui, mande a resposta no email (PVT) pra nao atrapalhar a galera que está na empreita de adivinhar!

Naná no crux da V de Vingança no Baúzinho, Beto, Gibara e Daniel na Base. Pedra do Baú ao Fundo.

Naná no crux da V de Vingança no Baúzinho, Beto, Gibara e Daniel na Base. Pedra do Baú ao Fundo.

Quando criei este blog, a intenção era narrar as viagens, aventuras de uma forma que todos pudessem acompanhar por onde eu andava. Depois, voltei á minha vida cotidiana normal, e para nao deixar o blog parado, e para dar vazão à criatividade continuei postando coisas diversas. Depois de quase 3 meses voltei a fazer uma rocktrip. E que rocktrip! Montamos uma barca para São Bento do Sapucaí para escalar no feriado. Uma viagem que arrisco a dizer que não poderia ter sido melhor. Mesmo porque provavelmente sem aquele medinho, aquele perrenguinho, que no fundo a gente tem que saber que é armadilha do nosso ego pra nos botar medo não teria tanta graça, a sensação de superação (e que no fim das contas não é nada demais – ou até seria, não fosse quem sabe uma atitude próativa de nossa parte).

Montanha é assim mesmo, este é o espirito do montanhismo. É o tal do comprometimento. Sempre ouvimos falar, praticamos na “teoria”, mas poucas vezes havia botado em prática. Desta vez era como se tudo que eu havia aprendido estava sendo posto em teste. E sinto que passei com louvor ;)

O Beto comentou que estaria chegando em São Carlos sexta-feira umas 8 da noite, então eu já previ uma saída pra meia noite. Depois, no dia, combinamos certinho e ele estaria CHEGANDO em Araraquara de uma de suas viagens teatrais la pelas 9 da noite. Pronto, minhas previsões estavam se concretizando =D.  Saímos de São Carlos Beto, Naná, Marião e eu aproximadamente meia noite, e, por um caminho excuso diverso que parecia ser mais curto, chegamos em São Bento do Sapucaí às 5 da manha. Havia a possibilidade de ficar numa casa com outros escaladores, ou no Abrigo. Como a casa estava lotada, achei melhor irmos para o abrigo, porém, o Beto, rebelde sem causa eterno, decidiu que deveriamos ir primeiramente para a casa, e, caso nao tivesse lugar MESMO iriamos para o abrigo. Chegamos lá: abrigo lotado, todos cansados, o dia raiando. Olhamos dois colchões todos rasgados dos cachorros, e duas redes. o Marião e eu estendemos a minha lona-rope-bag sobre eles, Beto e Naná deitaram-se nas redes e dormimos ali mesmo, na varanda, ficando muito agradecidos por termos um teto e camas confortaveis (de Verdade!) para dormir aquele dia. Quanto às acusações que a gente bicou os cachorros de suas camas, isso é uma Calúnia! Bicar a gente não bicou os coitadinhos, no máximo pegamos de “trivela” rsrsrs. Eles estavam num puff de longe muito mais confortavel que aqueles colchões velhos.

3 horas depois acordamos, tomamos café da manha, preparamos o rango e ficamos naquela, vamo onde, onde vamo. Eu sugeri de irmos fazer um projeto inacabado na Ana Chata, a Lixeiros, a qual nos havia botado pra baixo sob uma forte chuva de granizo um ano antes. Mas entramos num consenso e fomos finalmente conhecer o complexo Baú-Bauzinho. Nos equipamos no estacionamento mesmo para nao levar peso desnecessário nas mochilas (dica do frango), e descemos a trilha. Pelos betas, iriamos fazer a V de vitória e a V de Vingança. Eu fiz questão de entrar na V de Vitória, pois é uma via conquistada pelo meu tão estimado Birão, a Dani e Seu mentor, Mario Arnauld. A via que o Gibara e o Daniel (que também estavam na casa) iam fazer, Galba Athayde (ou algo assim) estava com a saída babada, então eles combinaram de fazer a V de vingança em simultâneo com o Beto, que a essas alturas tinha ficado decidido que iria fazer parzinho com a Naná, e eu com o Marião. E lá fomos nós. Croqui na cabeça: linha óbvia, crux na primeira enfiada, siga as chapas, quando ficar muito foda, la pela quinta enfiada, é o trecho pra fazer em A0, e depois é só tocar pro cume.

Começamos a escalada meio dia. Saída tambem babada, costura mágica em mãos (aquela que da pra costurar bem mais abaixo da costura pois tem um sling rígido), e lá fui em me enfiando na fenda molhada, botei um friend na fendona pra acalmar o psico nesses primeiros metrinhos de pedra molhada. Logo cheguei a segunda chapa e tudo ficou melhor. Uma pena que o crux estava bem molhado, mas não tinha como roubar na costura, tive que invocar as 7 borboletas, a sacanagem e o moonwalk e passar. Foi a melhor coisa que poderia ter acontecido, pois apesar de protegido, tomei umas vaquinhas pra ir soltando o psico travado de tomar quedas, o que foi decisivo no restante da via. Mas daí pra cima foi só curtição até a primeira parada. Costurei a primeira chapa da segunda enfiada, e voltei, para evitar um possível fator 2.

Primeira parada da V de vitória

Primeira parada da V de vitória

AChei uma posição confortabilísima para fazer a seg do segundo, e veio o Marião de segundo, que penou um pouco pra fazer a saída babada, e tambem o crux (era sua primeira parede, e ja começava com uma via em seu limite, sexto grau!). Demorou um pouco pra se habituar às aderências mas veio que veio! Disse ele que ainda nao estava preparado pra guiar vias como esta ainda. (pensei eu comigo: O que faz ele pensar que eu estou?! hahah)

Na 1ª base da V de vitória - Bauzinho

Na 1ª base da V de vitória - Bauzinho

Marião na primeira enfiada, logo após o Crux, fazendo a pose "Clássica"

Marião na primeira enfiada, logo após o Crux, fazendo a pose "Clássica"

Logo ele chegou, e eu ja sai para a segunda enfiada. Uma escalada muito gostosa, muitas agarras, alguns lances de aderência, uma diagonal pra esquerda, com direito a desescalada de um trecho de 2m complicadinho que eu vi que não iria levar a lugar nenhum. Quando cheguei na parada, vi que para chegar na proxima chapa (primeira da proxima enfiada) estava molhado de escorrer água. Adotei a mesma tática de antes, fui na “finesse” das aderencias, sem usar as agarras molhadas, ou usando-as meticulosamente, e, com a costura mágica, costurei a primeira e pensei: Ah, ja to aqui mesmo, vamo lá né? Pois ainda havia um pouco de água na fenda (desta vez uma diagonal pra direita, porém, bem mais facil). Uma escalada que com certeza farei novamente, muito boa, fui tocando, com o único revés de nao ter colocado um costurão na base e ter tido um pouco de arrasto no final. Veio o marião, devagar e sempre se “aclimatando” com as aderencias e o granitão, movimentos de pé na mão no positivo e essas coisas muito loucas que só as aderencias nos dão. Me lembro que eu parecia um rádio. Toda hora vinha uma musica diferente na minha cabeça, e eu tinha que ficar cantando. Foram umas 10 musicas diferentes ao longo de toda a via. Até esta terceira parada, O tempo estava bom, misturando nuvens e céu aberto com solzão, e vento fresco.

Depois de ter esticado 2 enfiadas, Marião foi acabou ficando pequeno...

Depois de ter esticado 2 enfiadas, Marião acabou ficando pequeno...

Marião até cogitou guiar uma enfiada, e eu havia cogitado que tivesse sido aquela, mas como estava molhada, e eu pilhado, saí tocando. Na 4ª enfiada ele ja estava meio cansado, entao fui eu de novo. Uma enfiada curtinha, com apenas uma chapa, por uns buracões cheios de água (se não tivessemos levado água, teriamos com certeza matado a sede ali mesmo!). Subi um trepa mato molhado, andei um pouco no meio do mato e cheguei na parada. Logo o Marião chegou sem mais problemas e sacamos que haviamos chegado na cordada “crux”, onde haveria o A0. Foi dificil de avistar as chapeletas e a linha da via, porém, é no lugar mais bonito, e na linha mais óbvia, embaixo de um tetinho com um bicão, um pouco pra esquerda da parada. O tempo estava mudando, começava a ventar friozinho e uma neblina nos privou do visual. O mais bonito era nao enxergar nada no horizonte, nem pros lados, mas ver a grama la embaixo iluminada do sol do fim de tarde. Do nosso lado estavam as outras duplas Beto, Naná, Gibara e Daniel, na V de vingança.

Beto e Gibara guiando e fazendo a pose "Clássica" na V de Vingança - Bauzinho (precisa falar que é em São Bento do Sapucaí?)

Beto e Gibara guiando e fazendo a pose "Clássica" na V de Vingança - Bauzinho (precisa falar que é em São Bento do Sapucaí?)

Mandei a via no A0, e confesso: Foi a primeira vez que fiz uma via em que o A0 é o padrão, nao o roubo (já que não é esportiva) é muito bom poder roubar na costura deliberadamente sem o menor peso na consciência! Na verdade sempre pode, mas a gente poe regras pra gente mesmo quando esta escalando esportiva. De modo que fui lá eu, e todo contente que a via estava acabando, ao fazer a virada do teto e ver que ainda faltava uns 100m fiquei: 1) Desanimado – estava preparado psicologicamente para sair logo dali. 2) Preocupado. Eram 5 da tarde e haviamos feito 100m em 4 horas, faltavam mais 100m, mais 4 horas? Eu definitivamente odeio escalar a noite, e numa via que eu nunca estive, a 200m de altura, com o tempo mudando, não era o que eu mais queria aquela hora. Apressei o Marião, que teve muita dificuldade nos A0´s para se puxar nas costuras, ainda mais que com medo que as costuras nao fossem dar, fui deixando uma sim uma não. Coitado! Logo que ele chegou paramos um pouco. Apressar ali nao adiantaria muita coisa. Comemos alguma coisa rapidinho, tomamos água, eu vesti meu anorak e ja peguei minha headlamp para estar preparado para o que viesse. Nessas horas tudo de ruim passa pela cabeça da gente: resgate com bombeiros, passar a noite na parede (mesmo sabendo que eu estava com abandono, que a via podia ser rapelada até o chão de qualquer base, que estavamos com roupa de frio, headlamps, mais headlamp de emergência, apitos – em suma – preparados para o pior).

O tempo ja tinha mudado da água para o vinho...

O tempo ja tinha mudado da água para o vinho...

Me equipei, me preparei para o pior, e comecei o toca-toca. Estimava que faltavam duas enfiadas para o CUME, mas a cordada ao meu lado, que estava um pouco adiantada (pois o Marião havia demorado um pouco na parte do A0) me informou que faltavam mais 3 enfiadas. Fui embora pra cima. Respirei fundo e pensei que não havia motivo para pânico. Apesar de ainda ter apenas mais uma hora de sol, ainda era dia, entao eu tratei de aproveitar. Liguei o toca-toca e sai espanetando. Emendei mais duas enfiadas em menos de meia horinha. Duas enfiadas MUUUUUITO boas. Uma escalada muito gostosa, só curtição, não tenho comentários sobre essas enfiadas se não parabéns aos conquistadores. Mais uma vez cometi a gafe de não ter protegido com costurão a base intermediária, que era um pouco pra direita da linha da via, o que fez com que desse um arrasto desgraçado!! A cadeirinha quase que descalçava do corpo! Cheguei na parada, armei a base, e ja chamei o segundo. Olhava pra cima e via que parecia faltar pouco! O Marião veio, parou algumas vezes com dificuldade na movimentação, mas nada demais, mas veio logo, e apesar de tudo, chegou na base já com sua headlamp ligada. Agora eu precisaria escalar a ultima enfiada no escuro (esperava que pela angulação da pedra fosse um rampão fácil, apesar da saída bem vertical. Na parada costurei a corda com o meu absorvedor de energia para segurar quedas fator dois (que todo mundo me zoa por levar nas trips) e fui embora. Costurei a primeira, a segunda, venci uma virada e fui esticando por onde nao tinha água. Não via mais chapeletas para me orientar. Vi um bicão pra direita onde poderia proteger com o unico friend que eu havia levado, o 3 da kong. Eu falava pro marião que nao havia visto a proxima chapa, e ia esticando, e ele perguntava: Achou a chapa? E eu respondia: Não! e ia tocando pra cima. Até que vi a base e fui em direção a ela, depois de ter tocado um tantinho bem facil sem proteção. Armei o esquema, fiquei confortavel e fiz a seg pro Marião terminar a via comigo. Eram 7:30 da noite quando chegamos ao cume. O último acesso deixei o marião guiar a pequena rampa de 5m até o cume, onde nao havia parada e o Gibara fez uma pseudo-seg com a corda atrás das costas (á moda antiga) para eu atingir o cume.

Estavamos no CUME do Bauzinho, todos vivos, todos felizes, cansados e, particularmente realizado. Recentemente comentei que quando comecei a escalar, eram escaladas como o dedo de deus ou pão de açucar que me motivavam a treinar. Mas com certeza vias como esta me motivam ainda mais a continuar escalando, treinando, e vivendo neste mundo da escalada. Tendo encarado uma montanha me foi revigorante. Tendo encarado medos, anseios, tendo inteligencia emocional para sair de uma situação a qual nem havia entrado ainda. Silenciado a mente das coisas ruins, e me concentrado naquilo que eu mais gosto de fazer, e estava ali para fazer: ESCALAR. Com certeza um momento muito intenso de meditação. Estive diante daqueles momentos em que pensamos em desistir, nos questionamos porque estamos ali. Mas em nenhum momento dei vazão para estes pensamentos sórdidos, e todo o tempo daquela escalada tinha para mim como certeza que independente do que acontecesse eu sairia dali “por cima”. Quando estamos na frente do computador, em terra firme, é tudo tão mais fácil, mais seguro, somos muito mais corajosos. Mas é na ponta da corda que nos encontramos com Deus e com o Diabo, e fazemos as escolhas de acordo com nosso discernimento. Como diria um grande mestre: Deus fala com a gente o tempo todo. É preciso saber ouvir! (aquilo que ouvimos com alegria e uma onda de calor e um sorriso no rosto nos vem a tona, seria Deus. Aquilo que nos deixa inseguros, temerosos, e não nos traz uma boa expressão á face, não pode vir de Deus, mas de nosso ego nos puxando para baixo). Temos que Ter fé, e confiar. (claro que se começar a chover granizo e ameaçar uma hipotermia no meio  da parede o melhor a fazer é abortar a missão mesmo, mas não foi o caso hehehe).

Mas continuando o relato da trip (essa novela foi só o primeiro dia!)

Falésia Vista Aérea - São Bento do Sapucaí (e afins) - Só escalada Trad!

Falésia Vista Aérea - São Bento do Sapucaí (e afins) - Só escalada Trad!

No segundo dia também houve muita indecisão, mas no fim das contas com a palavra mágica “escalada Trad” fomos para a Falésia Vista aérea, com a promessa de muitas vias em móvel. Fomos os mesmos 4, mais o Daniel, que havia feito a v de vingança com o Gibara no dia anterior. Escalamos tudo que nossos dedinhos permitiram, e logo na primeira via, chegou um pessoal de São Paulo muito gente boa, um casal e mais um rapaz, muito legais. Os nomes agora eu só vou arriscar lembrar o do Daniel (não o que havia ido conosco), para não errar os outros (me desculpem!). Um pessoal muito simpático, comunicativo, como todos deveriam ser na rocha. Gente finissima. Quanto as escaladas, o Beto guiou a Bat-diedro, e depois da base, ha 20m de altura, tocou até o cume mais 15. Um arraaaaassstoooooo enorme. Fui de segundo e limpei, enquanto as crianças (Daniel, naná e marião) se divertiam na Empadinha. Logo depois entrei na “Quinto Apoio”. Puta PSICO!!!! Lance de quinto grau, que todo mundo de top fez passeando, mas que guiando, com um nutinho no pé, deveria subir um pé na mão e ficar em pé meio que sem mãos!!! ARGHH!!!!! Depois de invocar novamente as 7 borboletas, mandei o lance, ufa!! Depois ainda equipei um 7b, a Veneno antimonotonia, pro beto mandar de prima!! Chegou na 4ª chapa e puxou os equipo trad, e novamente tocou pro cume. MAAAIS ARRASTOOO!! Fui eu de segundo e limpei. Escalada sempre muito prazeirosa, muitas fendas, canaletas, mas um granito machuquentoo!! Só curtição, e no final, num dos mais belos cumes bucólicos de falésia esportiva que eu ja vi, ficamos vendo as estrelas, os satelistes do começo da noitinha, os vagalumes, as estrelas cadentes, a constelação de Panela, Homer simpson e oito panela. E na hora de descer, rolou o first indescent da Vista aérea. hahahahahaha

Equipo Trad sobre o nosso lençol (esse que ia sobre a cama dos cachorros)

Equipo Trad sobre o nosso lençol (esse que ia sobre a cama dos cachorros)

Daniel na Empadinha..

Daniel na Empadinha..

Beto na Bat-diedro

Beto na Bat-diedro

Todos os dias, adotamos os colchões dos dogs pra dormir, mas no segundo dia, depois de ter ganhado um fardinho por causa de uma “aposta” com o Beto, armamos a slackline na casa e fizemos um macarrão com cenoura (especialidade vegetariana do genjão). Ainda vieram nos visitar a Julia, o Animal, o Gaivota, o Elias e sua respectiva, que estavam ficando no abrigo do Eliseu. Demos muitas risadas como sempre e por tudo isso fomos dormir um pouco mais tarde.

Nossos aposentos (note a cama e rede ao fundo)

Nossos aposentos (note a cama e rede ao fundo)

No terceiro dia, não restava dúvidas, fomos pra Pedra da Divisa fazer umas esportivas e bombar o que restava do bracinho. E claro, tentar pela primeira vez ver como era o lugar sem estar molhado ou chovendo.

Beto na rock and Roll

Beto na rock and Roll

Pra variar Fila na Hellraiser, e o marião tomelirrôla pra mandar a via. O Beto equipou a It´s only rock and roll but i LIke it, mandou na cadena, e enquanto ngm escalava só o beto, me equipei com o que restou de costuras e fui entrar na chão de giz. Silenciei a mente, e ao contrario do que sempre faço, de escalar cantando, conversando, escalei mudo. Cheguei no crux, fui pra lá, fui pra cá, li, reli, e mandei do jeito dos grandões num pseudo a vista (pois de tanto falarem, desconfiei que aquele era o tal buraco q tanto se falava). Depois fiquei descansando numa agarra antes do descanso, e dali pra cima foi só pra cumprir tabela. 7a em flash, uhul! Então fui dar seg pro gibara e almoçar, la no pilar central. O beto estava numa via, acho que a Enviadas de satã, ou algo assim, com algumas cantoneiras. Mas claro que o rebelde sem causa pela causa das fendas chapeletadas não as usou! E bem no crux… tomou uma daquelas vacas à lá Dan Osman, em que as costuras vão sacando da parede, q nem ziper. O bom é que foi só a primeira peça, e a debaixo segurou bem!! Mas a pecinha, meu vermelhinho, ficou meio atordoado!

Meu friendão ficou assim!! Mas é só os cabinhos de aço que puxam os cames, nada que um alicatão e uma marreta nao resolvam hahhah

Meu friendão ficou assim!! Mas é só os cabinhos de aço que puxam os cames, nada que um alicatão e uma marreta nao resolvam hahhah

Então o Gibara entrou na Kalymaia equipando. E foi indo foi indo mas acabou fondo. Não mandou, mas com dignidade deixou ela toda equipada para uma posterior entrada. Eu então fui para a Rock and roll, havia chegado o momento da trip que o beto havia falado tanto. E ao chegar lá, com toda razão, haviam colocado uma corda em cima da minha corda, (pois eu a havia deixado la mais de uma hora). Quando a menina chegou na segunda chapa, o tempo virou, ficou escuro, ela desceu e foi embora, fugindo da chuva. Eu mais do que depressa mocozei as coisas num canto que eu ja sabia que nao pega chuva (afinal, so havia estado ali sob condições chuvosas). Restara a mim a dura tarefa de guiar a via molhada na chuva. Ou ao menos em speed climb antes que a chuva começasse de fato. Me encordei, ensapatilhei, costurei a primeira e tomei um banho. Veio uma rajada de vento com água e eu desci. Tirei a sapatilha mas nao desencordei, fiquei esperando passar a chuva. Quando ela praticamente parou, dei um pega. O pega. A via havia ficado seca, devido aos tetos, e deu pra escalar ela inteira. Fui até o Grande platô, de onde nao queria sair mais, e, com um unico beta de que agora era só agarrão, encarei o grande teto/negativo. Fui constatando agarra por agarra que era verdade. Só patacões para minha alegria. O tipo de movimentação e via que eu adoro. Negativo de agarrão. Pus pra trabalhar minha movimentação de pés em teto/negativo treinados por tanto tempo na caverninha, ia dando as “chamadas” nos proximos agarrões, e quando vi, estava costurando a base, ahul!! Havia esperado tanto por aquela via, e agora ela estava completa! Via para divertir-se! Protegida, gostosa de escalar, sem sofrimento, com agarrões bons e descansos onde tem que ter.

A única fotinho que saiu boa no dia.. na it´s only Rock and Roll, and I love it!

A única fotinho que saiu boa no dia.. na it´s only Rock and Roll, and I love it!

Nos empacotamos, descemos a trilha, passamos pelo seu dimas, fizemos a feira (comprem a Geléia de Morango do Seu dimas, é Sensacional!!). Passamos pelo Eliseu, fizemos umas comprinhas e pronto! Ah! Claro, fizemos o Milagre da compactação do porta-malas mais uma vez!

O milagre da compactação do porta malas...(Note as caixas de morango e geléia do seu Dimas)

O milagre da compactação do porta malas...(Note as caixas de morango e geléia do seu Dimas)

Mais uma Trip se foi. Uma daquelas em que não há o que por defeito. Uma viagem pra ficar na história. Na nossa história: Escalada de primeira, Amigos de primeira, aventura de primeira!! (economia de primeira diga-se de passagem hehe).

Que venha a próxima!

Beto e sua Chulé Gold

Beto e sua Chulé Gold

Com o sucesso acerca das sapatilhas boreais no ultimo post… Vou levantar uma incógnita no mundo “escalatício” (ou escaladoristico).

QUEM Aí lava a sapatilha, e com que frequencia? Somente quando está imunda? Carniçando? Eu costumo escalar de meia, então as sapatilhas acabam demorando bastante pra ficar catinguentas. Mas o Beto, que antes tinha uma Ballet gold e uma Urucum, depois de um certo tempo, elas criaram vida, e hoje ele tem uma Chulé Gold (ou ballet chulé), e uma ziriguidum.. (essa que não aguentou aos suores ácidos e se esfacelou). Quando estamos no carro, é comum alguem perguntar o que é aquele cheiro de cachorro molhado ou de gato morto que vem do portamalas. Mas nem por isso elas são maltratadas. Pra ventilar, são colocadas sobre o capô do portamalas (na parte de dentro do carro). Assim elas cheiram menos (seguindo aquela linha de pensamento: Cada um cheira logo a sua parte que o cheiro acaba logo, só pode). Agora ele adquiriu mais sapatilhas (uma pra resina, uma pra boulder, uma pra entrar em graus faceis, outra pra graus mais dificeis, e uma pra deixar na redoma de vidro hahaha) E ultimamente nao temos sofrido tanto com o cheiro. Eu explico: Existe uma coisa que se chama auto-depuração. Assim como um rio que ao longo de seu percurso recebe contribuições de esgoto, e depois de alguns kilometros ele ja esta limpo novamente, (pois as bactérias acabam se alimentando da materia organica e dos outros componentes desse esgoto – e com isso o oxigenio dissolvido na agua – fazendo o rio recuperar suas caracteristicas naturais – o problema é quando a quantidade de esgoto é muito alta, e as bacterias competem com a fauna aquática pelo oxigenio, muitas vezes ganhando, o que causa a mortandade de peixes e outros seres viventes aquáticos). Com a sapatilha é a mesma coisa. A carniça que emana daquele pedaço de couro e borracha provém dos restos de pele morta, sais do suor e umidade, somados ao ambiente com temperatura constante, e sem luz, propiciando a anaerobiose do meio, ocasionando o odor (o que pode acarretar dentro de um carro, a mesma situação de competição por oxigenio como das bacterias e os peixes, entre os passageiros e a sapatilha). Onde eu quero chegar? Que devido ao fato de Betinho estar usando menos sua sapatilha, ela tem mais tempo para que as bactérias “comam” (maior tempo para formação do inóculo) toda a meleca que fica na sapatilha (AKA restos de pele morta, suor, sais, pelos, etc), tornando mais demorado o processo de reinicio de produção de chulé.

As minhas sapatilhas eu acabo lavando mais quando estão sujas externamente mesmo, ja que nao fedem tanto. Mas sinceramente não lembro quando foi a ultima vez que lavei. Também deixo no maximo um dia ela na mochila confinada, para nao criar a atmosfera úmida propícia para propagação de fungos e bactérias (Ae RAUL! Isso vale para roupas também viu ;op ?!). Além disso faço rodizio de sapatilhas (uma para moer no concreto da caixa dagua, outra pra moer os graus, uma para ser moída pelos graus, uma pra ir em casamento, uma pra assistir novela, uma pra ir no shopping, uma pra cozinhar e uma reserva – vai que uma tem que ir pra ressola, como eu faço?!)

E você, lava sua sapatilha de quanto em quanto tempo?

Agarra cavada? Parece mais uma VIA CAVADA! (pelas garras de um urso gigante)

Agarra cavada? Parece mais uma VIA CAVADA! (pelas garras de um urso gigante)

Recentemente andei revendo alguns conceitos, e lembrei que quando eu comecei a escalar, quando nao tinha sido mordido pelo bichinho da escalada, o que me motivava o treinamento, a ficar fazendo força que nem bobo, me matando pra fazer movimentos que todo mundo fazia descalço e sem magnésio, era pensar em escaladas como o Pão de Açúcar e o Dedo de Deus. Aí comecei a escalar mais, comprar equipo, mandar umas viazinhas por aqui, fiquei totalmente imerso no mundo da escalada, e acho que esqueci desses valores. Até armamos uma escalada no dedo de deus numa passagem por nova friburgo e teresopolis, mas São pedro fez com que chovesse daquela semana que estávamos la, em outubro, até abril do ano seguinte sem parar (2007-2008). Seguindo essa linha de raciocínio, acredito que haja outros picos para se escalar tao interessantes quanto estes. Vou fazer uma listinha com os meus favoritos, e falar um pouquinho de cada um. E me motivar a trabalhar duro, ganhar uns troco a mais pra poder ir até lá só pra escalar esses picos! (e justificar essa vida de escalador que nao escala nada rsrs) Vou começar a listinha com um pico muito louco, que ilustra o começo do post. A DEVILS TOWER.

Cuscuzeiro 2.0

Cuscuzeiro 2.0

É isso mesmo, sem apóstrofe no DEVILS. Essa montanha magnífica, paraíso dos escaladores que curtem móvel, chaminés e espacates, entalamentos de mão, de punho, fazer contatos imediatos de 3º grau ou ver a Catherine Destivelle Solando num (outro) filme clássico de escalada, fica nos EUA. Mais precisamente no estado de Wyoming. É uma grande inscrustração de granito no meio de um deserto de arenito (por isso ele ficou de testemunha, e a terra em volta se foi). Dizem os geólogos que quando houve essa intrusão de magma (muitos milhões de anos atrás), a lava não vazou para a superfície, ficou contida dentro  da terra (que sabe-se lá quantos metros devia estar abaixo dela). Isso influencia as características de formação de colunas. Quanto as fendas, a amplitude térmica é que é responsavel por ela. Muito frio, depois muito calor, vai fazeno a dilatacao da pedra ir desprendendo as colunas e formar as fendas (mesmo principio em UTAH, mesma razao de NÃO termos tantas fendas perfeitas no Brasil – o clima tropical funciona como um buffer – amortecedor- , mantendo a amplitude termica baixa). Há alguns CRIACIONISTAS que acham que este é um otimo exemplo de que a terra tem 6000 anos, como diz a Bíblia, pois se não a montanha teria vindo abaixo pela erosao, ou o topo estaria muito mais fino que a base, ja que tem muita pedra no chao. Vai entender. Eu fico com a primeira teoria. Na verdade, tem uma mais legal que as outras duas: Diz a lenda dos índios sioux que seis ìndias estavam sendo perseguidas por ursos enquanto colhiam florzinhas. O Grande espírito, com pena, ergueu a terra em volta delas, protegendo-as dos ursos, que tentaram escalar a nova montanha (elas deviam ser bem gostosas mesmo!), deixando as marcas de suas garras nas paredes.

Devils Tower, vista do disco, momentos antes de pousar...

Devils Tower, vista do disco, momentos antes de pousar...

Esse morrete foi o primeiro Monumento Natural dos EUA, declarado em 1906 pelo presidente americano Robert Planck. Hoje em dia, no mes de junho pede-se encarecidamente, ainda que nao haja proibição, que nao se escale por lá, pois é mês sagrado para os índios (por eles, escalar por lá é sacrilégio) e eles fazem tipo uma festa junina indígena o mês todo. Como é um parque, tem que assinar o livro na entrada, e depois dar baixa a hora que sai, e há algumas vias que ficam “proibidas” de escalar alguns meses do ano pois são nicho de um falcão. Infraestrutura ao redor tem aparentemente fácil, com campings, pousadas, moteis. Livros e guias de lá tambem. Quanto às vias, tem de 4º a nono grau, a maioria em movel, mas nao necessariamente, algumas em artificial, outras nem tanto. O FA do bagulho foi feito em 1893 por William Rogers e Willard Ripley. Os maluco subiram entalando pedaços de madeira nas fendas e criaram uma escada, que ficou lá e muitos usaram até meados de 1915. A primeira escalada de verdade foi em 1937, pelo FRITZ Wiessner, usando “tecnicas modernas” de escalada (naquela epoca ainda não tinham inventado a costura como conhecemos hoje, para se pegar nela hahaha).

Bem, é isso. Quem quiser ver ou ouvir mais, assista contatos imediatos de terceiro Grau, do spielberg, ou assista BALLADE A DEVILS TOWER com a “Lynn Hill Francesa”, Catherine Destivelle. No filme aparece ela solando com uma ballet gold várias vias iradas, primeiro em UTAH, e depois na Devils tower. Destaque para a cena em que ela esta escalando em solitário, e a corda trava no grigri. Mais aflição do que ver nego solar, é ve-la soltando o nó e esta escorrer por entre seus dedos e pelas costuras!! ARGH!! O filme em si ja mereceria um post a parte =D A fotografia do filme é animal e da pra ter uma noção de quão belo é o lugar.

Então por hoje é só pessoal!! Proximo post….Alguma montanha tupiniquim!!

O urso atrás das indiazinha gostosa...

O urso atrás das indiazinha gostosa...

Como o Final de Semana está chegando, a macacada toda fazendo planos de ir escalar, nada mais justo que consultar seu horóscopo pra ver se os astros estão conspirando contra ou se é falta de vergonha na cara mesmo, ainda não ter mandado aquela via que há muito tempo você tem malhado.

Fica a dica! ;)

ARIES: O alinhamento de plutão com marte faz com que as forças astrais deixem o clima propicio para a tentativa da cadena de vias a muito deixadas pra tras. Cuidado especial ao clipar as primeiras costuras e muita atenção na hora de dar seg. A empolgação com a escalada pode por em duvida sua seg. Cuidado na hora de comprar equipos, e deixe seu magnesio sempre cheio!

Cor: Branco magnésio Dia da Semana: Sábado.

Touro: Seu ascendente está passando na casa de Leão, e portanto, muito cuidado ao entrar numa via. Leia bem os lances antes de entrar guiando e não vacile na hora de costurar. Pode ser preciso dar uma entrada de top na via antes. Preste muita atenção na hora de costurar, se precisar, a costura está lá é pra usar mesmo.

Cor; amarelo Ouro, dia da Semana: Segunda feira.

Gêmeos: Com Netuno alinhado com seu signo nas primeiras horas da noite, você deve priorizar escalar nessa hora, pois sua energia estará melhor canalizada. Mas muito cuidado para não exagerar! Alongue bem antes e não se esqueça de descansar depois dos dias de escalada mais forte. Como o gasto extra de energia que esse alinhamento proporciona, tente dormir pelo menos 8 horas por dia. Quando estiver nas vias, aproveite o estimulo extra para mandar aquele boulder ou via de regletes.

Cor: Azul Calcinha Dia da semana: Sábado.

Câncer: Saturno está em sintonia com Seu ascendente, e, por isso, muito cuidado com o que fala. Essa historia de mandar grau pode não ser saudável se é so o que se leva em conta na escalada. Há mais para se aproveitar, como um belo visual ou a companhia dos amigos. Procure não ficar competindo com seus parceiros que isso só leva a um desgaste nas relações e pode criar inimizades. Aprenda a confiar no seu seg por mais que ele tenha falhado algum dia. E não se esqueça que os bolts não vão sacar da parede, por mais que a pedra seja podre!

Cor: Cor de burro quando foge, dia da Semana: Quinta-feira

Leão: O Leonino é guerreiro por natureza, e por isso, está sempre em busca de mandar graus. Com Saturno e Vênus em rota de colisão, é melhor apressar aquelas cadenas há muito tempo deixadas pra trás, pois pode ser que não haja muito tempo para isso. Aproveite os amigos mais desocupados e vá pra rocha escalar tudo o que você puder. Se acabe escalando, até dar tendinite, esfolar a ponta dos dedos e o dedão sair pra fora do bico da sapatilha.

Cor: Laranja Dia da Semana: Sábado.

Virgem: O Virgiano que se presa não pode deixar de aproveitar essa época para tentar mandar aquele boulder que há muito tempo almeja. Os Virginianos estão em alta com as solteiras e as Daisys. Troque seu equipo a cada cinco anos e ferragens a cada dez. Muito cuidado na hora de colocar o peso no rapel, não se esqueça de soltar a solteira por ultimo. Não perca tempo passando magnésio nem descansando nos agarrões, eles podem mais cansar que descansar! Quando for fazer boulder, passe bastante magnésio e de preferência para lances negativos ou que tenha passagens bem protegidas pra não ralar.

Cor: Rosa Dia da semana: Quarta feira.

Libra: O alinhamento de Jupiter com mercurio faz com que o tempo esteja propicio para novas cadenas. Aproveite esse momento para entrar em vias onsight abaixo do seu limite ou malhar aquele projeto antigo. Cuidado com os pés, lembre-se deles ao movimentar-se e muito cuidado ao clipar a primeira. Confie no Seg e va com fé que o lance vai sair.

Cor Azul claro, dia da semana, sexta feira

Escorpião: As energias do dia estão favorecendo a cadena de vias de aderência. Não se preocupe em mandar altos graus, concentre-se em curtir a escalada quando houver estagnação no grau mandado. Muita atenção ao trabalhar pés, de preferência use sua melhor sapatilha e mais apertada. Confira o seg e reconfira seus nós, inclusive a solteira. Procure estimular um clima gostoso e saudável de entusiasmo em seu circulo de relações e os graus começarão a sair pra todos ao seu redor, inclusive pra você.

Cor: Vermelho sangue, dia da semana: terça feira.

Sagitario: Marte e vênus estão em alta. Mas cuidado com a numeração. Dê preferencia à Vulcano da Nomade pois as snake estão com solado de qualidade duvidosa, especialmente a venus. Ao escalar, atenção especial aos pés e não costure se não estiver 100% certo que não vai cair. É hora de tentar a cadena onsight daquela via ha muito deixada pra quando estivesse bem. Na dúvida: Faz força.

Cor: Azul turquesa, dia da semana: Quarta feira.

Capricórnio: O capricorniano está com a criatividade em alta. Bom para abrir novas vias e tentar mandar projetos antigos. Está aberta a temporada de first ascents para você. Mas cuidado pra não se empolgar demais e proteger errado uma via. Na duvida, mete chapa! Mercúrio na atual posição também dificulta as lesões. Então escale a vontade, descanse moderadamente e tenha muita atenção para não perder os pés em lances de reglete.

Cor: Verde limão Dia da semana: terça feira.

Aquário: Você deve se soltar mais nestes dias. Aproveite para viajar e considere a hipótese de fazer Deep Water solo (DWS) com algum amigo Pisciano, que não esta podendo confiar muito nos equipamentos ultimamente. Com a Lua cheia em seu Ápice no céu, aproveite também para fazer escaladas noturnas e levar alguém especial para escalar pela primeira vez. A não ser que vá fazer DWS, mantenha o saquinho sempre cheio de magnésio e não hesite em arriscar tudo nos cruxes mais difíceis. Na dúvida, é pra cima.

Cor: Azul piscina Dia da Semana: Domingo.

PEIXES: Não vacile que Saturno tras maus agouros e uma lesão pode estar próxima, descanse bastante e não hesite em roubar na costura caso não consiga mandar o crux ou ele seja regletero. De preferencia a vias de agarroes, abaolados ou positivas. Muita atenção na movimentação com os pés e confie no calcanhar da sapatilha. Confira a seg do seu parceiro, e não vacile na hora de armar o rapel.

Cor Bege, dia da semana: Domingo.

Cuscuzeiro Acima do Avô Sol - Foto: Chicken

Cuscuzeiro Acima do Avô Sol - Foto: Chicken

A primeira coisa que todo aspirante a escalador compra normalmente é uma sapatilha. E normalmente ela é aposentada depois de uns 6 meses, e nem ressola ela aceita (pois enquanto estão dando os primeiros passos verticais, os iniciantes literalmente moem a sapatilha). Eu diria que a segunda coisa é o saquinho de magnésio, mas normalmente ele vem acompanhado da sapatilha. E em seguida vem a cadeirinha. Porém não muito distante disso, certamente disputando a 3º posição acirrada com a cadeirinha, vem a headlamp. Não sei se é desleixo, relaxo ou simplesmente querer curtir ao máximo o dia de escalada, mas é raríssimo descer a trilha do cuscuzeiro (ou de qualquer outro local que vá escalar) ainda dia. E para isso, tenho comigo uma headlamp. Aliás, todo montanhista que se preze deve ter uma, pois ainda que consideremos descer a trilha ainda com a luz do sol, imprevistos podem ocorrer, e descer a trilha tateando o caminho não é nada agradável. Por outro lado, após o crepúsculo a natureza guarda muitas surpresas belíssimas para nós montanhistas/escaladores. Ontem enquanto arrumávamos os equipos na mochila, tivemos o imenso prazer de presenciar o despertar e a alvorada dos morcegos que moram nas fendas da primeira enfiada da via “Paredão”, no cuscuzeiro. Uma cena digna de filmes como Batman, em que a revoada de morcegos cobre o céu, e só o que se ouve são os seus “grunhidos” passando velozmente acima da gente. Um espetáculo que, somado ao horário que mescla zonas de penumbra, céu ainda avermelhado e por-do-sol-que-quase-ja-se-pos, nos deixa tão felizes por termos o privilégio de poder estar ali, naquele momento.  E não para por aí, pois apesar de não ser natural, também podemos observar a cidade de Analândia iluminada em meio ao vale. Eu acho bonito o visual, olhando de “cima”. Algumas vezes temos lua cheia (1x por mes normalmente rsrsrs) e também fica muito legal descer a trilha a noite, pois em muitos trechos não faz-se necessário o uso das headlamps. Sempre que descendo a trilha chegamos na “goiabeira”, paramos, olhamos para trás tentamos ver figuras no perfil do cuscuzeiro, que contrasta com o céu, normalmente cheio de estrelas. Dá pra ver a via Láctea sob nossas cabeças. E ficamos imaginando o grande gorila, ou um bolo com um pedaço cortado, ou o próprio gorila com moicano, há n figuras que podem ser enxergadas na sombra do morro (até mesmo um morro testemunho de arenito esculpido pelas areias do tempo). Mas uma das coisas mais legais, que realmente brincam com nossa imaginação são os vagalumes. Ausentes em alguns países, e principalmente em nossa percepção sempre corrida e acelerada, os vagalumes são um show a parte da natureza, com suas luzes voando pra cima e pra baixo. Normalmente estamos descendo a trilha cansados, com fome, ou com pressa, e nem paramos pra prestar atenção nessas pequenas luzinhas que nos rodeiam. Ainda mais com o foco potente das headlamps, que apontam para onde olhamos. Mas se paramos pra observar, começamos a vê-los. Se aproximam inocentemente, iluminam, apagam, numa dança binária, enchendo nossos olhos. E se pararmos pra pensar é ainda mais legal, pois eles tem as manhas de “excitar” um elétron nos átomos da substância que carregam consigo, os quais ao voltarem ao seu orbital original emitem  energia em forma de luz referente à diferença de orbital. É muito bom ter vagalumes. Quando estiverem descendo a trilha, parem por alguns minutos, façam um blackout e comecem a reparar. E vocês verão que não são só vagalumes. É o barulho dos grilos, é o cheiro doce das flores (da flor da laranjeira, e outras plantas silvestres que nesta época estão aflorando ao redor das trilhas do cuscuzeiro). Um espetáculo para os cinco sentidos! Aí nos lembraremos ou entenderemos de vez, porque é mesmo que a gente saiu de casa, deixou o conforto, e foi para o mato, para a rocha, a montanha. Pra mandar aquela via, só?

As fadas se disfarçam de vaga-lumes e também saem a noite!

As fadas se disfarçam de vaga-lumes e também saem a noite!

Desde que eu comecei a escalar, tornou-se praticamente um hábito comprar equipo de escalada. Tive a sorte de herdar de meu irmão que “casou e mudou”, deixando-me vários mosquetões, fitas, cadeirinhas e corda estática. Não é bem que eu herdei, mas como ele não estava usando, eu fui pegando emprestado, tava aqui em casa mesmo. Lentamente ia comprando algumas coisinhas pra mim, (sempre com o intuito de ir repondo peças que ja passavam mesmo de seu prazo de validade, como fitas, cadeirinha e até mesmo alguns mosquetões) e cada vez menos usando as coisas dele, até que chegou um ponto em que tenho meu próprio rack de brinquedinhos.

Desse “enxoval” todo de equipos, as únicas coisas que comprei no Brasil mesmo foram alguns slings de costura, uma cadeirinha conquista e duas fitas de 60cm. E porque estavam com preço muito bom. De resto, tudo veio de fora.  Havendo a possibilidade, não há pró que justifique os contras de comprar equipamentos no Brasil. É imposto pra comprar, pra vender, pra importar, pra ir ao banheiro, pra anunciar, pra respirar. E tem o lucro de 100% do lojista também, claro. O lojista nessa história é praticamente mais uma vítima desse governo do imposto, que cobra o que quer, como quer, de quem quiser. Do tipo que se paga o mesmo imposto 3x, quando se poe gasolina, paga-se pedágio e IPVA,  referente à manutenção das rodovias. Sem falar em rodovias privatizadas (ou seja, paga-se uma 4ª tarifa).

E olha o absurdo a que chegam as autoridades (IN)competentes: Cobrar imposto de material esportivo de uso em competição ganhado de patrocinadores! Acompanhem o caso, confiram comigo no replay:

O caso Mello e o massacre aos atletas no Brasil

Por Conrado Nakata*

“Pagar” para ser esportista no Brasil não é nenhuma novidade, mas a situação pela qual o tenista Ricardo Mello passou na sua volta ao Brasil após representar nosso País no US Open é até certo ponto humilhante.

Ao retornar de viagem, já na alfândega no Aeroporto de Cumbica, o tenista brasileiro teve suas bagagens, raquetes, materiais e uniformes apreendidos por agentes da receita federal. Apesar de alegar que ele é um tenista profissional, e que esses objetos foram provenientes dos seus patrocinadores, não convenceu as autoridades. O último ato foi mostrar seus contratos de patrocínio e inscrições no US Open, tentando comprovar o motivo.

Todas tentativas em vão. Sua liberação só ocorreu após ele pagar os impostos e multas cobrados pelo valor excedente em “mercadorias”.

Esse é apenas mais um terrível exemplo de como os esportistas brasileiros sofrem para realizar seu sonho de se tornarem profissionais. Não bastasse a falta de patrocínio e divulgação, os sacrifícios e despesas na fase de formação, agora temos que enfrentar a falta de informação e bom senso de um funcionário do governo.

Com tudo isso, nosso governo continua falando em sediar grandes eventos, formar novos atletas, alegando que o País já está preparado para essas situações.

Deixo uma situação para reflexão:

“Olimpíadas de 2016 no Brasil. O golfe é um dos esportes que entram no quadro de modalidades olímpicas. Os maiores golfistas do mundo estão sendo esperados para as disputas, pois essa é uma grande oportunidade de mostrar e popularizar o esporte. E a manchete dos principais jornais do Brasil: Desvendada no Aeroporto Internacional Tom Jobim quadrilha internacional que contrabandeava tacos de golfe”…

Pronto. O Brasil conseguiu escrever o seu nome na história da organização de grandes eventos.

* Conrado Nakata é ex-atleta, profissional de marketing esportivo e sócio-diretor da Bravo Marketing Esportivo

Fico preocupado pois dessa forma realmente o Brasil fica parado no tempo. Vamos voltar a usar faixas de judô como fitas e cadeado como mosquetão se as coisas continuarem como tão. Para ilustrar o post, deixo uma fotinha de alguns brinquedinhos que trouxe pra uns brothers em minha ultima (e praticamente unica) viagem pra gringolândia. Que outros brothers sejam tão gente boa conosco quando forem pra gringa também!!

Uma mala praticamente só de equipo. Faltam na foto 1 capacete, 1 corda e 2 headlamps!

Uma mala praticamente só de equipo. Faltam na foto 1 capacete, 1 corda e 2 headlamps!

Haverão aqueles que me perguntarão se isso não é sonegar imposto. Se formos entrar no mérito de quem está roubando quem, acho que eu é quem devia receber do governo pra trazer esses equipos! E pra finalizar, tendo em mente a quantidade absurda de imposto que pagamos, se me perguntarem porque eu sonego imposto, eu respondo: PORQUE ELE ESTÀ LÁ!

Neste final de semana vai ter o ARCO ROCK MASTER e o ARCO ROCK LEGENDS na cidade de ARCO, na Italia. Quem quiser participar, já era! Pelo que eu sei, só participam atletas convidados (vulgo: Lendas) neste mega evento, onde rola até um “oscar” da escalada. A cidade de Arco sediou um dos primeiros, se não o primeiro campeonato de escalada em Rocha do mundo, na época, ainda chamado de “Sport Roccia”, lá pelos idos de 1983, numa falésia (rocha) de verdade. Nos anos seguintes, com a necessidade constante de criar toda infraestrutura pra negada que ia assistir (banheiro, estacionamento, arquibancada), apesar da cidade ter falésia a dar com pau, uma das lendas da escalada e idealizadores do evento, o francês Patrick Edlinger (Se lê EDLANJÊR) deu a idéia de fazer num muro artificial. Motivo de chacota no começo, depois que o bagulho ficou sério todo mundo começou a fazer os campeonatos neste formato que é hoje. (Antes precisavam achar uma falésia, abrir as vias, e torcer pra que fossem graus “competiveis”).

Eu fui lá conferir onde vai ser a competição esse ano pra ver se estava tudo certo. Hmmm... OK!

Eu fui lá conferir onde vai ser a competição esse ano pra ver se estava tudo certo. Hmmm... OK!

A cidade de Arco, que fica praticamente as margens do Lago de Garda (praticamente pois na verdade é a cidade de Riva del Garda é que vem primeiro, mas é praticamente tudo uma cidade só) é um dos destinos mais procurados para escalada na Europa, sendo uma de suas principais fontes de renda os turistas Alemães (a maioria é alemão, mas tem muito tcheco também) que aparecem por lá de “caravana da alegria” todo verão. A prefeitura não só incentiva como banca a equipagem e a manutenção de vias na cidade (Todas as paradas das vias da cidade e região tem parada dupla com corrente e mosquetão), que tem mais de 150 falésias esportivas e mais de 100 tradicionais, com uma média de 20 ou 30 vias cada uma (fazendo as contas é mais via pra nego escalar numa cidade só, do que na America latina inteira se bobear!). Apesar de tudo isso, em algumas falésias, inclusive as que aparecem atrás do muro do Rockmaster, ou a que era cenário da capa do guia de escaladas de Arco (com 80 falésias, agora com nova edição, sairá com 100 falésias) não é permitido escalar. A primeira porque tem casas embaixo, então se alguem deixar cair um atc de la de cima, pode virar um meteoro ao cair e incendiar alguma coisa ou matar alguem se for direto na jaca. A outra pois o dono plantou oliveiras (ou construiu uma casa, ou os dois, algo do tipo) até onde não podia, no pé do morro, aí tomou uma big multa, e pediu pra comunidade escaladora pagar. Não pagaram e ele fechou o pico.

Este é o guia, do meu amigo Deivid, que conta com mais de 100 Falésias  e quase 400 páginas na nova edição. (um dia o guia da invernada chega lá!)

Este é o guia, do meu amigo Deivid, que conta com mais de 100 Falésias e quase 400 páginas na nova edição. (um dia o guia da invernada chega lá!)

Um evento grande como este poderia ser feito em qualquer lugar, mas a história, a geografia, a geologia e a economia favoreceram demais essa pequena e singela cidade!

Eu pagando uma de Turista no Centro de Arco, ao fundo, o Castelo que fica em cima da parede do Rock Master

Eu pagando uma de Turista no Centro de Arco, ao fundo, o Castelo que fica em cima da parede do Rock Master

Spiaggia della Lucerna - Escalando as margens do Lago de Garda (depois desse dia descobri que nao queria fazer psicobloc!)

Spiaggia della Lucerna - Escalando as margens do Lago de Garda (depois desse dia descobri que nao queria fazer psicobloc!)

Escalando em arco... Esse dia escolhemos uma falesia com vias faceis e sombra. Podia ter sido agarrao negativo, reglete positivo, vertical de agarrao, sol, com vento, sem vento, tem falésia do jeito que vc imaginar!

Escalando em arco... Esse dia escolhemos uma falesia com vias faceis e sombra. Podia ter sido agarrao negativo, reglete positivo, vertical de agarrao, sol, com vento, sem vento, tem falésia do jeito que vc imaginar!

Betinho e Genjão (Ou Betão e Genjinha) Prontos para mais um dia de conquistas!

Betinho e Genjão (Ou Betão e Genjinha) Prontos para mais um dia de conquistas!

PASSADO

Como falar das nossas conquistas sem mostrar como nossa região chegou aonde está hoje? Vou falar um pouquinho de história. Mas não voltar mais do que 15 ou 20 anos, que é quando as vias esportivas começaram mesmo. Lá pelo final da década de 80 começaram as primeiras vias no cuscuzeiro, que  na época eram somente escaladas de top-rope direto nos pinos chumbados pelo GAE (Grupo Alpino Espeleológico, precursor do CUME, da UFSCar). Estas começaram a ser equipadas para guiar pelo pessoal do grupo chamado “Viagem” (do qual o Tonto fazia parte), que até esteve presente na primeira reunião de fundação do CUME, na UFSCar. Essas vias eram quarto e quinto graus que, na época, eram o supra-sumo do climb na região. Vias como Bundão, Espinhosa e Pervas, todas no platô do bundão. Eram poucas vias, mas que supriam a demanda dos escaladores, que eram muito poucos. Na época, a superação era, com a miséria de equipos que tínhamos, conseguir estar lá, escalando essas poucas vias. Mas depois veio o plano real, a abertura econômica, e com estes vieram os equipos de verdade: Não mais seria preciso usar cadeado fechado como mosquetão ou fita de judô como fita de costura. E aí em 95 chegou um alemão doido, o Karsten, e abriu em 15 dias umas 7 vias no melhor estilo esportivo, protegidas para guiar. Iria direto pro céu junto com São Gullich não fossem os esticões “psiquíssimos” em vias como a Watch me (VIsup) (quase 20m de via e 4 chapas mais base) ou a Fly or Die (VIIa). No fim das contas saiu com o seu Karma no zero a zero. E aí até o final da década de 90, as conquistas no cuscuzeiro ficaram num ritmo constante, já que o Tonto já tinha aberto a Clássica das Clássicas, a Visual, e conquistado outras rotas clássicas, como Paredão e 97 bons motivos. Um pouco depois chegou um mutante no CUME, o Fernandão marmota, e com sua turminha (Alexandre Salsicha, entre outros), abriu as vias mais pancadas como Urubus cadentes, o dia da marmota e caixa de pandora. Enquanto isso o Tonto também conquistava filés como a Distúrbios do sono entre outras. No início da década de 2000, as coisas começaram a rarear. Exceto por poucas conquistas isoladas por parte dos locais Analandenses Marquinhos, Rodrigo, Anita e Flavinho, como Marreta, cactus now e cascavel nos idos de 2003, as conquistas no cuscuzeiro ficaram meio paradas.

Na mesma época, o pessoal de Itirapina, como Stélio, Murilo e Eduardo Santini, começaram a equipar para guiar algumas vias no Vale do Céu, em Itaqueri da Serra. No começo, eram poucas, a Adesão oposta, variação mental e compartimento secreto apenas, mas já era mais uma alternativa para fugir do sol do cuscuzeiro, e somar mais vias para a galera escalar na região. O número de locais que tínhamos pra escalar praticamente tinha dobrado, já que o camelo nunca foi muito apreciado pelos escaladores, apesar de possuir 3 vias, quase todas (se não todas) conquistadas pelo próprio Tonto.

Em 2006 o Michel “Anjinho conquista a Distúrbios de Jah, e em 2007 o Rodrigo Pierobon termina a segunda enfiada da Cascavel, mais vias são abertas em itaqueri pelos locais, e o pessoal do CUME de São Carlos começa as primeiras investidas na fazenda invernada, com a abertura das vias Barranco noveá e Caixa de fósforo. Porém, apesar do grande potencial, com o retorno das abelhas e a desconfiança na qualidade da rocha, o pico fica meio abandonado por 2 anos.

Michel Batendo na mão uma proteção da Disturbios de Jah!

Michel Batendo na mão uma proteção da Disturbios de Jah!

Em 2007 o Bruno Alberto (Beto) e eu começamos a negociar o acesso em outro local de escalada, e enquanto o acesso definitivo para todos os escaladores não era liberado, nós fizemos de lá nosso campo escola de conquistas. Um lugar mágico, com muita rocha, belezas cênicas indescritíveis, clima agradável, pertinho de São Carlos.

Aqui sim dava pra abrir MUITA via... :(

Aqui sim dava pra abrir MUITA via... :(

As negociações com os donos se complicaram, e, enquanto a liberação não vem, nós não resistimos, e pusemos em prática tudo que havíamos aprendido na conquista de vias em outros locais. Nessa mesma época outro pessoal do CUME, como o Fernando Animal e o José Ricardo abriram mais algumas vias em Itaqueri da Serra, como a Toca da Onça e a Cogeba, e o Murilo, Anselmo, Gabriel e Stélio abrem a “onde a cascavel cochila mas não dorme”, uma das vias mais filés do pico.

No final de 2008, na invernada comecei a bater uma travessia pra direita da Caixa de fósforos, que depois viria a ser a Narcotráfico. Foi quando o CUME comprou a furadeira, e, com ela em mãos, com a ajuda do Beto, terminamos a travessia e furamos a base de um antigo projeto na invernada, a Colômbia. Na mesma época, o Beto e eu namorávamos uma linha no cuscuzeiro, do lado esquerdo da Insaciável, que equipamos, e hoje é a Insociável.

Greg na Insociável. No detalhe, eu fazendo a saída da Via (acima) e Os conquistadores no dia da "inauguração da via" (Beto e Genja)

Greg na Insociável. No detalhe, eu fazendo a saída da Via (acima) e Os conquistadores no dia da "inauguração da via" (Beto e Genja)

E com as conquistas começando a aflorar, o Fernando Animal, junto com o Greg e suas respectivas, abriram uma linha do lado esquerdo da Urubus cadentes, a Sacanagem. E de quebra já limparam um platô mais pra esquerda ainda, numa face bem negativa do cuscuzeiro (sul), e abriram a Seleção Natural (com ajuda do Russo!), que ainda não teve sua primeira ascensão. Enquanto isso, junto com o Funari, equipamos a Colômbia, e conquistamos a Rolling Cones, na invernada. Talvez no mesmo dia, o André baiano (que já tinha ajudado a abrir algumas vias no pico que não está liberado) e eu começamos a conquistar a TPM, também na invernada. Alguns finais de semana depois com o Beto, na invernada, de um lado progredimos mais um pouco na TPM, e do outro batemos a base da Fenda de Éris, que eu acho que tem que ser chapeletada pois não confio na rocha podre, e o Beto acha que tem que ser em móvel, o que talvez dê um E2 ou E3. (Éris é a Deusa da Discórdia, na Mitologia Grega). Com tantas vias, elaborei o guia de escaladas da Invernada, com acesso e betas de todas as vias. E não parou por aí, na mesma época, o Beto e eu conquistamos mais 3 vias no 3º setor em Itaqueri da serra, a refrigerante de musgo, toda equipada, e duas em móvel: Cágados de fogo e Diedro 31 de fevereiro.

Com tantas vias, o pico novo precisou de um croqui!

Com tantas vias, o pico novo precisou de um croqui!

E aí vieram as férias, viagens, tendinites, etc, e as conquistas ficaram meio esquecidas no primeiro semestre, mas no segundo semestre de 2009 elas já retornaram a milhão, mas isto já é presente!

PRESENTE

Estive fazendo uma viagem de 3 meses pela Europa, misturando um pouco de retiro espiritual na casa da minha irmã, com 1 mês de escaladas “A MUERTE” no norte da Itália (Arco, Riva del Garda), e Valência, na Espanha, sempre na companhia de bons amigos. E enquanto estive fora as conquistas rarearam. Quem continuou na pilha das conquistas foi o André Funari, que havia visualizado junto com o Fernando Koberle, uma segunda enfiada da via Denorex, no Cuscuzeiro. Infelizmente o Koberle não pode ir nas próximas investidas, e com a ajuda do Beto e do Ruffino, o Funari terminou o que hoje é a Moonwalk, uma semana antes de eu chegar.

José Ricardo vencendo o Tetinho "alucinante" da Moonwalk

José Ricardo vencendo o Tetinho "alucinante" da Moonwalk

E uma semana depois de eu chegar, o Fernando animal me perguntou se poderia abrir uma linha ao lado da TPM, na invernada. Não só concordei, como no domingo seguinte estávamos lá Animal, José Ricardo, Beto, Marião e eu para abrir a via, que, apesar de uns blocos ainda precisarem ser colados, já ficou pronta no mesmo dia.

Conquista da "Calores da menopausa" na Invernada

Conquista da "Calores da menopausa" na Invernada

Foi aí que comecei a não saber mais onde começava a via de um e começava do outro, pois no final de semana seguinte, o Beto e eu fomos com o Funari para o cuscuzeiro ver como estava uma via na face Leste (entre a manga com leite e a carteirinha) que havíamos batido uma única chapeleta quase um ano antes, e acabamos furando metade dela, 7 chapeletas e limpando alguns blocos soltos (a via ficou apelidada de Nega Maluca, devido aos matos que lembram uma peruca de nega maluca).

Beto fazendo um furo na "Nega Maluca" (note a touceira de mato do lado esquerdo)

Beto fazendo um furo na "Nega Maluca" (note a touceira de mato do lado esquerdo)

No dia seguinte, voltei com o Funari no Cuscuzeiro e entramos conquistando debaixo uma linha que há muito tempo ele namorava, e em menos de 5 horas de trabalho, terminamos a Xeque-mate. Mais uma via!

Eu e o Funari na Abertura da Xeque-Mate

Eu e o Funari na Abertura da Xeque-Mate

No final de semana seguinte, fui com o Beto numa linha que desta vez eu é quem namorava há muito tempo ali no cuscuzeiro, no mesmo setor. E numa sexta feira (sim, sexta feira já é final de semana!) conquistando debaixo pra cima com a ajuda do índio que entre um rola e outro estrategicamente me passava a furadeira para fazer a conquista (é complicado explicar!) livramos um diedro que entra numa fenda maravilhosa que ficou em móvel.

Beto escolhendo onde por um friendão na fenda ainda sem nome...

Beto escolhendo onde por um friendão na fenda ainda sem nome...

Deixamos uma corda fixa, e no dia seguinte começamos guiando a via de 7 chapeletas que havíamos começado na semana anterior. Bati mais 2 chapas artificializando, e com a ajuda do Koberle, descobrimos que era possível fazer uma variante mais fácil pra esquerda, que já ficou batizada de “Aerolitos” pois chega numa parte da rocha muito bonita, amarela, com pequenas nuances de cor e textura, e fica bem aérea. O beto ainda tocou pra cima mais um pouco na Aerolitos e protegendo em bicos de pedra farelentos, conquistou mais alguns metros num diedro e colocou duas proteções fixas. No Domingo, num trabalho de cooperação mútuo da galera que resolveu nos ajudar (Beto e eu), quase terminamos mais duas linhas. Enquanto o José Ricardo tentava livrar a Nega Maluca até onde ela estava pronta, o Funari já fez cume pra armar uma corda fixa na base da Nega que já esta batida há quase um ano. Nisso o Beto já jumareava nas cordas fixas do dia anterior pra continuar a Aerolitos. O Funari já foi furando no negativo como dava, pra ir reenviando a corda e ficar mais próximo da parede, e o José Ricardo já livrou mais uns lances e colocou mais uma ou outra proteção. Com isso a nega ficou praticamente pronta, só necessitando de mais uma proteção.

Beto no Platô do Aerolito, Funari descendo e furando no negativo, e José Ricardo pegando a senha pra usar a furadeira...

Beto no Platô do Aerolito, Funari descendo e furando no negativo, e José Ricardo pegando a senha pra usar a furadeira...

Como estávamos todos ali no platô entre a Manga e a trilha sul, os Fernandos Animal e Koberle resolveram entrar na Manga e já emendar na Biotônico. Ao descer no rapel, com o clima de conquistas no ar, o Animal já se empolgou numa linha que sai reto até a base da biotônico, bem ali onde o vento faz a curva, e armou o top-rope.

Duas cenas raras: Conquista na face virgem do Cuscuzeiro, e gente na Biotônico com Lerin. Escalador que entrou nesta via é como cabeça de bacalhau: Ninguem nunca viu, mas todo mundo sabe que existe!!

Duas cenas raras: Conquista na face virgem do Cuscuzeiro, e gente na Biotônico com Lerin. Escalador que entrou nesta via é como cabeça de bacalhau: Ninguem nunca viu, mas todo mundo sabe que existe!!

A Julia e o Koberle escalaram, ajudaram a marcar onde iriam as chapas, e ele escalou e desceu fazendo alguns furos que o resto de bateria permitiram. Foi uma coisa realmente impressionante a cooperação que rolou este final de semana entre a galera do CUME. Depois de tudo isso, já não sei mais qual via é de quem, quem é autor, quem é ajudante, quem é protagonista, quem é coadjuvante, pois todos tiveram papéis fundamentais nesse trabalho de abertura de vias. Alguns foram visionários, como o Beto, que alucinou na linha da via, eu comprei a idéia, o Funari que era meio desconfiado se saia alguma coisa ali já pegou pra ele o projeto lá em cima (da 11ª à 16ª chapa) e a robada de furar no negativo, o José Ricardo que havia praticamente caído de pára-quedas já abraçou a causa e o que era pra ser só uma escaladinha acabou virando compromisso, nos ajudando ao entrar na roubada, ficando horas pendurado na cadeirinha, tudo por uma linha inédita numa face inédita no cuscuzeiro.

Zé ricardo tentando Livrar o recém conquistado projeto (Nega Maluca?) e Animal em seu projeto novo que termina na base da Biotônico. Ahul!

Zé ricardo tentando Livrar o recém conquistado projeto (Nega Maluca?) e Animal em seu projeto novo que termina na base da Biotônico. Ahul!

O Animal e a Júlia já se empolgaram, armaram o top e já começaram a abrir uma via logo ali do lado, e o Koberle bem quetinho foi conferir um projetinho do lado esquerdo do diedro/fenda da sexta feira, que eu e o Beto tínhamos até marcado onde iriam ser os furos, e ajudou dando sua opinião sobre onde não por uma chapeleta (mais do que justo!). E em praticamente 3 dias um setor que não tinha via nenhuma agora conta com praticamente 6 vias. Não estão terminadas, é verdade, mas o trabalho mais difícil, de empolgar a galera a ir conquistar vias foi feito, e agora é só ir lá e se divertir. Escalar um pouco o que já tem e tocar pra cima até onde der, como der!

Uma Fotinho diferente do nosso "Trono de Pedra", com alguns pontinhos ali na face leste (sombra)...

Uma Fotinho diferente do nosso "Trono de Pedra", com alguns pontinhos ali na face leste (sombra)...

FUTURO

Falar do futuro das conquistas na região é como falar o que queremos ser quando crescer. É preciso conciliar os sonhos e projetos, as linhas que vemos do chão, com o que realmente tem lá. Falando em termos práticos, ao contrário do que muitos dizem, que o cuscuzeiro está saturado de vias, eu diria que não, que está saturado de rapeleiros, que não vão lá pra escalar, que deixam lixo, fazem bagunça e escrevem o nome na parede. Vejo um aumento no numero de vias do pico não um impacto, mas sim um alívio nas vias que já existem, pois o que temos visto recentemente não é o aumento do número de escaladores no cuscuzeiro, e sim uma maior distribuição dos mesmos por mais vias, com menos filas e menos desgaste das agarras com um fluxo menor de escaladores utilizando as mesmas!

Com relação às novas vias, precisamos terminar estas vias começadas, suas variantes e começar a pensar também em dar uma olhada em outros picos em potencial. O ato de abrir uma via, por incrível que pareça, é a parte mais fácil da conquista. Pegar a base pronta de uma via, chegar ao cume de uma falésia por uma trilha que já existe, isso qualquer um pode fazer. É claro que não tira o mérito do conquistador, porém, o que a região precisa é de falésias novas, de picos novos, e conseqüentemente, de vias novas. Nossa região tem muito potencial, porém, não é toda e qualquer falésia que se tornará um novo point de escalada. Algumas terão problemas de acesso com donos elitistas e arrogantes, outros com senhores simples que não querem perder o sossego em suas terras nas quais viveram a vida toda. Há também as falésias cuja rocha é podre, ou simplesmente a natureza não favoreceu a escalada, criando grandes paredes lisas como uma parede de concreto alisada com colher de pedreiro, ou encheu seus tetos com enormes e voluptuosos cachos de abelhas européias. E isso já exclui muitas de nossas falésias em potencial. Porém, nosso potencial é realmente muito grande. Basta andar de carro pela estrada que liga São Pedro a Itaqueri da Serra, ou pelas estradas de Descalvado ou entre Analândia e Pirassununga.

Num primeiro momento, o que seria mais importante e fomentaria ainda mais as conquistas, num cenário em longo prazo, seria criar um mapa de falésias em potencial. E em vez de ir numa falésia abrir uma via num final de semana, gastar o que se gastaria com bolts e chapas, e gastar em gasolina: rodar toda essa região com um mapa em mãos, e catalogar os possíveis locais em que se poderiam abrir vias. Um trabalho que demoraria meses, mas que faria-nos avançar anos, décadas. Ver pela estrada entre São Pedro e Itaqueri as pedras mais exuberantes, fazer a relação com um mapa e ir pessoalmente até o local, dar uma nota, para vários requisitos: Facilidade de acesso, potencial de vias, conforto (sol o dia todo, base plana, etc), presença de abelhas, dono tranqüilo ou encrenqueiro, enfim, preencher uma planilha para cada falésia. Fazer o mesmo nas falésias de Descalvado, Dourado, Itirapina, Analândia.

Para isso seria legal criar um GT para fazer essas incursões. O que não agradaria muitos escaladores, pois isso significaria perder um final de semana (ou até um dia do final de semana) de escalada. Fechar um carro com 4 escaladores (talvez quanto mais escaladores, menor a subjetividade da qualificação da falésia). Uma vez terminado esse processo de levantamento e catalogação dos picos potenciais, aí sim, seria hora de começar a botar a mão na massa. Cruzando os dados de distancia x potencial, escolher quais seriam os mais indicados para se começar a abrir as vias.

Pequeno exemplo do nosso potencial em Descalvado, mas nem pense em chegar perto destas paredes! O Dono da 51 ameaça por pra fora quem se aproximar com bala!

Pequeno exemplo do nosso potencial em Descalvado, mas nem pense em chegar perto destas paredes! O Dono da 51 ameaça por pra fora quem se aproximar com bala!

Outra coisa que a região precisa é de um grande encontro regional para discutir as normas das conquistas. Nossa região é muito particular, e há algumas questões que precisam ser discutidas, como por exemplo: a conquista de um artificial num arenito: Furar buracos de cliff? Conheço arenitos em que isso não seria uma boa idéia. Bater pitons em fendas? Ha lugares em que seria perfeito, e outros, uma perda de tempo. Escalada em móvel em fendas podres, graus de exposição. GT para remoção de abelhas. É certo que cada um deve ter seu próprio estilo de conquista, porém, como é feito em vários parques como no Parque Estadual dos Tres Picos no RJ, há normas e diretrizes para conquista de novas vias. Buscando ouvir a voz dos escaladores que já conquistaram varias vias na região, e visando fomentar a conquista de novas, seria bom reunir todos estes escaladores num congresso, simpósio, para discutirmos as características da NOSSA região entre nós. Conversar e trocar experiências nunca é demais. Para aprendermos com as experiências de todos. Seria um grande passo para o montanhismo de São Carlos e região.

Palestra com Rodrigo Raineri no II Encontro de Montanhismo e Excursionismo de Sâo Carlos

Palestra com Rodrigo Raineri no II Encontro de Montanhismo e Excursionismo de Sâo Carlos

Esse post vai praquelas pessoas que me falam que escalar é muito difícil e que elas jamais conseguiriam. E tambem pros que estao começando e querem chegar “lá” um dia. (acho que a definição desse “lá” por si só já seria um post imenso, uma grande discussão na hangon). Mas vamos ao que interessa: Neste vídeo impressionível, o rapaz manda nada mais nada menos que um 7c+ francês, ou um NOVE BÊ brasileiro, isso mesmo, 9b, com apenas uma perna! Que mancada! E eu aqui com as duas pernas lutando contra as tendinites (acho que se eu ficasse menos neste computador postando coisas como essas ja seria um começo hehehe). Eu devia aproveitar que tenho as duas pernas e dar uma voadora nas tendinites isso sim! (tu dun tsssss) hahahaha Mas vamos ao video que é muito legal mesmo:

PS – O homem gentilmente procura outro escalador que calce o mesmo que ele e tenha a outra perna pra rachar a compra de uma sapata!

PS 2 – Esse cara agora é meu novo herói!

PS 3 – Depois da moda de mandar as vias descalço, que tal mandar as vias numa perna só? Vou mandar o FPA das vias! O FIRST PERNETA ASCENT hahahahahah

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