Conquistas nas 3 Pedras

Gui e Bia: cansados, sujos e felizes!

Gui e Bia: cansados, sujos e felizes!

Olá meus caros! O Post de hoje será escrito por uma colaboradora muito especial, que está sempre presente nas fotos do Blog, que é a fanfarrona Bia! E o Post de hoje é sobre as conquistas que vêm sendo feitas nas três pedras, em Botucatu. As 3 Pedras formam um conjunto de morros testemunhos de arenito com grande potencial para a escalada esportiva. Localizado em Botucatu/Bofete/Pardinho, no interior de SP, o pico tem sido desenvolvido nos últimos meses pela dupla de atletas Quero Escalar Bia e Gui. Confiram o relato da Bia que conta um pouco das conquistas recentes. Não vou me estender muito, então com vocês, o post:

Enquanto isso, um pouco mais longe dali…

As Três Pedras!

As Três Pedras!

… um pico alucinante de escalada está sendo desenvolvido!

Por muito tempo conheci as 3 Pedras apenas por foto ou bem de longe, pelos mirantes da cuesta de Botucatu. Em 2013 resolvi conferir de perto oque essas pedras místicas tinham pra oferecer (pensamento de escalador: não é possível ter 3 rochas gigantes e não ter um “lugarzim” pra escalar). Chamei o Gui para fazermos uma visita ao pico sem grandes pretensões, sem material de escalada, só pra conhecer mesmo. Ainda bem que foi assim, pois essa primeira visita contou com o carro atolado e uma loooonga caminhada no pasto para chegar na base da pedra.

No inicio do ano a dupla dinâmica de São Manuel, Lucio e Luciano me chamou para conhecer uma via já aberta na primeira pedra, a Via dos Catarinos, aberta pela Andréia e pelo Pedro uns 4 anos atrás. É uma via muito massa, forte, com direito a monodedo e regletinhos deliciosos, cotada na casa da 7b. Em outra ida ao pico encorajados pelo Brasil e suas peças móveis entramos na fenda logo ao lado da Via dos Catarinos. Uma fenda em móvel cheia de morcegos fedidos  linda, apenas com a  parada fixa  que vale muito ralar as pecinhas e fritar a panturrilha! =) 

Na vibe de escalar mais no lugar, Lucio e Luciano abriram a divertida via Maria Diurética (6⁰) nesse mesmo setor, no estilo mais rustico possível, no batedor. Mas toda vez que íamos embora eu olhava pra trás e imaginava “deve ter muita via massa pra abrir por aqui…”.

Bia na Maria Diurética (6º)

Bia na Maria Diurética (6º) Crédito da foto: Luciano

Encafifada com a ideia de ter 3 Cuscuzeiros no quintal de casa e querendo me livrar do sol das vias já abertas (no inverno bate sol 24h por dia, rs), convenci o Gui e o Shimoto a virem pra Botucatu caçar saci dar um passeio pelo pico em busca de um setor com sombra e água fresca. Mandei um e-mail para o patrocinador Quero Escalar encomendando as chapas e parabolts , emprestamos seu kit pessoal de conquista  e partimos.

Ao chegarmos ao pico, ainda do lado do carro, apontei pra eles um lugar na segunda pedra que, por algum motivo, me parecia que podia ser O setor. Não deram muita bola e fomos para um trekinng radical bom role pelo pico, começando por onde estão as vias antigas. Resultado: muita parede fritando no sol, muito “esfarelito”, abelhas, marimbondos, vespas e simpatizantes. Até que enfim chegamos no lugar em que eu acreditava ser nossa menina nos olhos. Dito e feito. Sombra! Arenito sólido! Ahu!

Face Sudeste da segunda pedra, onde estão as novas vias

Face Sudeste da segunda pedra, onde estão as novas vias

Gui fazendo o primeiro furo

Gui , o primeiro furo a gente nunca esquece

Escolhemos o que parecia ser uma linha legal, o Gui fez a parte chata de subir até o cume por uma escalaminhada, armou o rapel e furou duas bases. Armamos o top-rope e dá-lhe escalada!

No dia seguinte escolhemos uma das vias para a conquista e após cinco furos lá estava ela, nossa primeira via conquistada! Nome: Primeira Viagem, por sermos os três escaladores de primeira viagem na arte da conquista de vias! A via é um prato cheio pra quem curte regletes de todos os tipos: grandes, rasos, na horizontal, vertical, e pra quem está com o alongamento em dia!

Bia na Primeira Viagem

Bia na Primeira Viagem

Lucio no "agarrão" da Primeira Viagem

Lucio no “agarrão” da Primeira Viagem

Seguindo com as conquistas, na segunda investida furamos a base de uma via logo à direita da Primeira Viagem e fomos pra um setorzinho um pouco mais longe abrir uma linda linha entre dois coqueiros que o Gui estava de olho, e quando faltavam 3 furos para acabar a via, acabou a segunda bateria (graças as arenito solido das bases)… e volta o cão arrependido, com suas orelhas tão fartas, com seu olho roído  e com o rabo entre as pernas…

Na terceira investida, rá-tá-tá-tá! Mais duas vias finalizadas! Uma é a Malibu, a que faltavam apenas três chapas, via de fazer força! Depois de sofrer no Yoga na Primeira Viagem, a Malibu veio para o pessoal gastar os bracinhos! Com sete chapas mais a base, ela ficou bem alta e tem recebido elogios de quem já entrou.

Shimoto na Malibu

Shimoto na Malibu

A outra via pronta (só que não), é a direita da Primeira Viagem. Uma linha óbvia e aparentemente fácil, batizada de “O Quinto que Pinga”. Do chão até a base a via tem cerca de vinte metros. Porém, quando o Gui foi furar os três furos logo abaixo da base, acertou o encanamento da fazenda e desde então os furos viraram minas d’agua. Como solução temporária, deixamos uma malha com um elo de corrente no ultimo ponto antes da aguaceira, que já vale muito a diversão da via. Mais uma via “téquinique” que irá colocar os alongamentos a prova! Até a malha rápida + elo de corrente o grau sugerido é 6sup.

Shimoto na Quinto que Pinga, indo para a ultima chapa antes do pinga-pinga

Shimoto na Quinto que Pinga, indo para a ultima chapa antes do pinga-pinga

Gui alongando na Quinto que Pinga

Gui alongando na Quinto que Pinga

No final de 2013, em pleno verão de 40⁰, aproveitar as famosas cachoeiras de Botucatu, pra quê? Vamos abrir via no sol que é muito mais refrescante!rs É galera, é um trabalho árduo mas alguém tem que fazê-lo! E lá fomos nós mais uma vez e mais uma via concluída! Essa foi uma linha com uma das bases que abrimos na primeira investida e foi batizada de “Pulo do Gato”. A conquista dessa foi ficando pra depois porque tínhamos dúvidas quanto à viabilidade da saída. Mas a linha é amazing e mereceu a grampeação. E a saída? Bem, tem aqueles que treinam, os que sobem árvores, os que pulam e tem aqueles que fazem construção civil… Tudo depende do quanto você quer se desafiar!

Nesse final de semana o Shimoto e a Sí vieram visitar o pico e participaram da conquista da quinta via, localizada bem mais longe das demais, no final da segunda pedra. Com o nome de Caminho das Pedras, a via confirmou o estilo técnico da escalada das três pedras, com muitos moves delicados de transferência de peso e posicionamento de corpo, ficando cotada em 7a/b.

Bom galera, por hora é isso! Botucatu e região tem mais um pico para escalar, que além de Saci, tem um visual incrível e vias lindas (mãe coruja) com um conquistador de primeira (namorada coruja)! Vamos acabar com o estoque de chapeletas e parabolts da Quero Escalar esse ano! Falando nisso, Genja muito obrigada pelo espaço cedido, pelas baterias emprestadas e pela vibe! Agradeço a  Quero Escalar pelo material de primeira e sempre pronta-entrega!

Fica o convite para qualquer um que queira conferir o pico, abrir novas vias… (Link com mapa de como chegar: https://mapsengine.google.com/map/edit?mid=zdpLMuw7SSGs.kSzTn3y2ipMg)

Para passar o dia paga-se R$ 3 para o Seu Prado e sua esposa Dona Cida, donos da fazenda onde se localiza o pico. Tem um bom pasto pra acampar por R$5. Lembre-se de fechar as porteiras, respeitar a natureza e a propriedade alheia! Boas escaladas!

Visual do fim de tarde (leia-se 7h30 na noite). Sombra da segunda pedra de olho na terceira pedra (Sentinela segundo o Shimoto)

Visual do fim de tarde (leia-se 7h30 na noite). Sombra da segunda pedra de olho na terceira pedra (Sentinela segundo o Shimoto)

Destination: ARCOS – MG

Todo mundo ansioso pelo post sobre a trip pra Arcos?! Eu mesmo morrendo de vontade de contar TUTOOO como foi mas… Estava trabalhando fervorosamente num croquizão bem bonito do 2° andar de lá onde abrimos 3 vias, além é claro de fazendo faxina e esperando o puto do Beto (1x) me passar as melhores fotos que tão tavam na camera dele.

Em Breve... aguardem!

Em Breve… aguardem!

A trip foi alucinante. Escalamos, conquistamos, furamos, nos divertimos horrores, fizemos uns rangos supermassa e amigos que são figurinhas impagáveis. Saímos de Sanca quarta a noite com o carro abarrotado de coisas: Equipo de climb, de camping, de furação (de conquista) e comida principalmente inclusive, que estavamos achando que era muito (Não foi). Chegamos em Arcos lá pra uma da matina, pegamos a chave com a Célinha no pulo do gato e fomos pro pico. Não se esqueçam: Na estrada de terra, Logo depois de se afastar do trilho do trem, primeira bifurcação à direita, depois todas à esquerda. Quando chegar na porteira é porque chegou. Descarregamos o carro e blz, lanchinho ludico e cama.

Setor da frente, cartão postal do pico

Setor da frente, cartão postal do pico

Primeiro dia de Climb fomos pro segundo andar, pois, apesar de a previsão mandar muito frio, estava calor e fomos no setor frio de sombra, deixando pra escalar no sol nos dias de frio que viriam (Não vieram). Escalamos um quintinho e um sextinho simultaneamente, primeiro contato do felipe com o Calcário, e logo o Beto (2x) entrou na Café, Cachaça e tabaco. Descendo já pirou numa linha do lado esquerdo que eu já tinha pirado na outra ocasião quando entrei nela. Só o segundo dia ia ser o de furation, massss…. ah…. já tava ali mesmo né? Desci a trilha toda até a casinha, peguei a metranca enquanto o Felipe escalava (as duas vias – a existente e a futura). Logo entrei, tirei os moves, eles idem e sugerimos os locais dos furos escalando e pensando na segurança de quem iria escalar depois (É ASSIM QUE SE CONQUISTA UMA VIA ESPORTIVA ou debaixo pra cima, com cliffs, estribos, etc.. buscando os melhores locais pras clipadas não rapelando e furando com uma tronca na boca sem nem saber se a linha de agarras chega no chão). Muito bem: Ratá-tá-tá… Fiz todos os furos e pus a parada,  e o Beto (3x) pos o restante dos bolts com as chapas. E mandamos os Firsts Ascents de noite mesmo. A via ficou com 26m, com 13 proteções + parada (portanto leve14 costuras). Estávamos na dúvida entre chamá-la de Muñequito de Barro(bonequinho de barro) , por causa de um ditado espanhol que diz: Café e Cigarro, Muñequito de Barro! (café, cigarro e tabaco é a via do lado). Mas acho que ia ficar piada interna demais mass… o nome acabou ficando mais piada interna que o muñequito de barro, porém tão comprido quanto a via: MONOGAMIA HETERONORMATIVA. Um 6sup/7a lindo de morrer. O nome é uma crítica ao modelo da sociedade moderna que atrapalha/impede  a prática do amor livre, que é a monogamia heteronormativa, pela qual todo mundo que quiser ser considerado normal deve ser monogâmico e heterossexual. Leia aqui o artigo sobre a Prática do Amor livre, pra entender o contexto.

Enfim, a noite fiz um rangão da hora, tomamos uns gorozinhos que tinhamos levado, mas o charuto cubano que eu tava guardando pra uma ocasião especial como a conquista de uma via em Arcos sumiu!! Ficamos achando que tinha sido o Gato na noite anterior, certeza! No segundo dia voltamos pro Segundo andar, e o Beto (4x) e o Felipe entraram em 2 viazinhas muito legais ali no “Portal” de chegada. Muito boas as vias (Ah vá?! Via em Arcos que não é legal? Hmmmm Não tem!). Enfim, dois sextinhos meio curtos para os padrões Arquenses (só 15 ou 20m) . E depois desses o Beto entrou numa super fenda gigante do lado oposto do valezinho ali, em frente à cafe, cachaça e tabaco. Tudo em móvel, crux é desviar da árvore. Enquanto isso eu fui tentar chegar na base de uma grande proa protuberante visível da trilha, pra direita, alucinante. Tinhamos visto essa linha na outra viagem e dessa vez consegui abrir uma trilha e chegar embaixo dela. Pensamos se tratar de uma linha futurista, mas acabou que, como tudo em arcos, é um teto com uns 4m de comprimento de 7b kkkkkkk Chegamos lá e deixei o beto (5x) começar (Ô caraaa) . O Setor é alucinante e por si só já dá pra abrir várias vias… A via começa em cima de uma espécie de Totem de pedra e pra chegar na base da via tem que dar uma soladinha num segundo grau até uma pedra, onde, estando-se em pé, alcança-se o teto. Cheio de agarras. PORQUE SENHOR?! PorQUE?! Porque não temos tetos com agarras aqui no arenito senhor?! Pus a primeira chapa do chão, bem alta, para podermos utiliza-la como proteção caso ele caísse antes de furar a segunda, e sair rolando. Depois de 3 proteções virou o teto e tocou em móvel laçando bicos de pedra até o final da parede. Furou a parada, deixou uma corda fixa e marcou onde poderiam ser os outros furos. Como uma das 3 baterias (a que teoricamente aguenta mais carga) morreu no dia anterior, só deu pra fazer 5 furos, uma vez que os 2 primeiros fizemos de 12cm de profundidade por segurança. A noite o Felipe fez a comida. Achamos o charuto, matamos o segundo e último fardinho de breja e finalmente pudemos acender o cubano, que afinal não tinha sido o gato que tinha pego.

Eu, Beto e Felipe fazendo a janta

Eu, Beto e Felipe fazendo a janta

No dia seguinte fomos escalar um pouco no setor da frente, e pensei em ir terminar a via com bateras novinhas depois do almoço, quando o sol estivesse mais ameno. Entramos na Leão de Judá, um 7b que eu diria que é a “Lamúrias de um viciado” de Arcos (a lamúrias é o carimbo no passaporte de quem vai pra Serra do Cipó). E o Beto (6x) quis porque quis entrar na “Michael Jordan”, uma via que pra quem é anão, vulgo Short-leg (Aí Bianca, vai adorar) é bem mais dura. Eu não tava na pegada de apertar por causa da lesão, mas como era um bote dinâmico de um agarrão invertido para um buraco igual uma cesta de basquete muito alto, resolvi tentar “pelo folclore”. O Beto (7x) apertou um reglete lixo intermediário e isolou. O felipe entrou mas seu ombrinho não o deixou ir mto longe. Eu desencanei do reglete e já na segunda tentativa consegui isolar o bote. IN-SA-NO. O resto da via é muito legal, vai por uns patacos, única coisa é costurar a segunda que ainda tem um lancinho fortinho, e eu achei até um descanso sem mãos com entalamento de joelho da segunda pra terceira. Mais do que depressa Beto (8x) e eu já entramos e mandamos cadena. Ahul!

O Beto (9x) ainda levou o Felipe pra fazer a famigerada “Extraordinária” 7b (pra variar) e enquanto isso eu, que já tinha feito ela, fui lá terminar a via. Chegando lá, subi pela corda fixa ate a 4° proteção mas comecei a ser rodeado por umas abelhas européias que logo descobri estavam a uns 10m pra esquerda. Fiquei imóvel uns 20 mins mas sempre que voltava pra via (sem barulho de furadeira) elas voltavam, então resolvi voltar mais tarde. Enquanto esperava a poeira abelha baixar fui fazer um social com uma galera muito gente boa que tava ali na “salinha” do segundo andar. Eles já tinham entrado na Monogamia Heteronormativa e elogiaram bastante (valeu rapeize!). Quando a noite estava por cair, voltei pro tetão, subi e finalmente consegui terminar a via. Como foram poucos furos, ainda restava praticamente uma batera inteira, bati a parada de outra via, à esquerda. Nessas alturas o Beto e o Felipe já estavam ali e, com a parada pronta, armei um top e o Beto (10x) subiu a noite de tenis marcando onde seriam as chapas e aproveitou e já furou. Ficou faltando só a primeira, mas nem faz muita falta, da pra escalar sem, talvez na próxima trip coloquemo-na. E Já é! O nome do grande teto ficou “O Universo em desencanto”, nome que já saímos de São Carlos com ele na cabeça, por que estávamos ouvindo muito o cd do Tim Maia Racional (Na verdade ficamos a trip inteira com as musicas na cabeça). E guardamos ele pra esse teto. Já a via da esquerda ficou “Na caralha da noite”, em partes por ter sido aberta a noite, em partes pela zueira com a quase homônima via no cipó e em partes porque a palavra “Caralha” era utilizada para se referir a tudo pelo Felipe, praticamente um sinônimo de “coisa”. Tiramos as duas primeiras chapas da Universo em Desencanto pras pessoas não entrarem enquanto as abelhas estiverem ali perto pois está perigoso (e Na caralha da noite nem tem a primeira entao sussa!). O Peixe falou que vai com a galera lá essa semana tirar as abelhas, e deixei as chapas com o Vitor do Camping. Quem quiser mandar os FA’s é só ir lá tirar as abelhas e por as duas chapas (colocáveis do chão a primeira, e a segunda pendurado da primeira). Enquanto furávamos, tava rolando maior lual no camping, que esse dia tava cheio de gente, com a Célinha e o Vitor tendo preparado uma mega fogueira. Do alto da via ouvíamos (e viamos) a galera em volta da fogueira gritando pra gente descer e ir lá com eles. Fomos quando os trabalhos estavam terminados, e quase esquecemos de jantar! Um whiskão JB e o outro charuto cubano (e não é um eufemismo pra cigarro de outra coisa!) na beira da fogueira, papo bom com os mineiros e ninguém queria mais nada!! Tonhão, figuraça, Vitor de Arcos, pessoal de Berlândia e toda a rapeize que não vou lembrar o nome agora, foi mto da hora! Lá pelas tantas eu lembrei do rango (claro, ele é gordo, ele gosta de comeeer!) , e quando vi tinha sobrado comida pra caralho da galera, que NÃO iam mais comer e iam embora no dia seguinte. Pois joguei um pozinho de pirlimpimpim, duas baratas, pernas de rã e 3 cabelos do saco do feijão mais o frango e arroz que tinha já feito a mais no primeiro dia para esse dia e Voilá! Estava pronto o rango mais gostoso do universo! E quase os putos esquecem de jantar, quanta loucura.

Mas whisky bom não dá ressaca, e no dia seguinte estavamos lá, firmes e fortes pro ultimo dia de climb. Fomos conhecer o novo setor entre o setor da onça e o da frente, o “Vale das Sombras”. Se as vias que abrimos não tivessem ficado tão legais teria batido um leve arrependimentinho, pois o setor é muito insano, e com muita sombra! Ficamos mil anos namorando um grande teto ali logo na entrada que inexplicavelmente ainda não tinha sido conquistado. Entramos numa via que é dentro de um BURACO. É isso mesmo, vc sobe uma via em 3D. Tem que usar 360° de apoios como se estivesse escalando aquelas chaminés antigas de fábrica, um túnel na vertical, de 2,5m de diâmetro por 25 de altura. E na sequência entramos num 6sup à direita da primeira, que a Nati (que é praticamente local do pico) deixara equipada pra gente. Saindo de lá, estávamos curiosos pra saber o que era o barulho de furadeira que ouvíamos, e quando chegamos na entrada do setor, o grande Teto tinha acabado de ser conquistado debaixo pelo conquistador local, Peixe. Santa eficiência hein Batman?

Tinhamos que pegar a estrada e pra agilizar, do moídos que estávamos (com uma puta ressaca) de 4 dias intensos , entramos num quintinho do lado esquerdo da Michael Jordan. no setor da Frente. Nem preciso dizer que a via é muito boa né? E depois dessa já fomos pro carro, arrumamos tudo, nos despedimos da galera e pé na estrada! Ah! Conhecemos o Sérgio, o cara que está produzindo os “P-Bolts” que é tipo um chumbador CBA com anilha na ponta, tal qual já vinhamos utilizando em algumas paradas, porém, melhorado. Digamos que é uma chapeleta com formato de pino P. E finalmente, tocamos direto pra São Carlos. O Beto dirigiu 5hrs seguidas direto pro recanto empório, onde a moça já nos viu e trouxe o Litrão e os Baurús de contra.

O lado ruim da viagem veio segunda feira: Ressaca ou depressão pós-Arcos. Poxa, em arcos a vida é linda, a escalada é magnífica. Todas as vias são num calcário perfeito, cheio de negativos de agarrão de 30m <hmpff….>. Mas é isso aí: Bolting Trip pra Arcos: Animal! Só tenho uma coisa a dizer:

So Pyched! Life is good!!