E o primeiro de Abril?

Dessa vez não é pegadinha, esse pico existe, as vias estão abertas e essa foto é só 10% da parede escalável. (e metade das vias abertas)

Dessa vez não é pegadinha, esse pico existe, as vias estão abertas e essa foto é só 10% da parede escalável. (e metade das vias abertas)

Bem, muita gente deve lembrar que ano passado rolou uma comoção geral por conta da minha pegadinha de primeiro de Abril. Muita gente veio tirar satisfação no pico, que não gostou nada da brincadeira. Pra quem não lembra (o post está aqui), fiz um post fake dizendo que haviamos descoberto uma suposta falésia aqui em São Carlos, contei toda a história de como achamos o local e desenvolvido até então as 17 vias negativas do pico. Fiz até um croqui fake sobre uma foto de uma parede podre real que havia tirado numa das nossas buscas por paredes novas na região. Mas era tudo mentira e todo mundo acreditou hahaha Devo confessar que dessa vez eu me superei, pois como vc´s sabem, a zueira não tem limites. Teve nego de fora ja me ligando se programando pra vir conhecer o  pico novo no próximo feriado, gente criticando a grampeação, gente parabenizando enfim, o bagulho deu o que falar. Mas o meu intuito foi alcançado, porém não sabia eu que de maneira tão contundente. Queria eu dar um chacoalho na galera que se ninguém ajudasse a procurar picos de escalada novos, continuaríamos sempre na mesma de ir pros mesmos Cusco e Itaqueri de sempre. E de lá pra cá muita coisa mudou!

Primeiro que a correria com os trabalhos aqui na Quero Escalar nem me permitiram fazer uma pegadinha esse ano (esse post era pra ter sido no primeiro de Abril, então vai vendo a correria). Segundo que agora temos mais 3 picos novos em andamento. Um deles com potencial para se tornar o maior polo de escalada do interior paulista em poucos anos. As chapas estão indo que nem água. Em virtude das conquistas e das viagens vieram dois apoios importantes: da maior e melhor marca de chumbadores e parabolts da América Latina, que é a Âncora Sistemas de Fixação e de uma das melhores e mais confiáveis marcas de mochilas do mundo, a Osprey, através da representante aqui no Brasil, a Bronet do Brasil.

Boulders Incríveis em Franca!

Boulders Incríveis em Franca!

E de repente, lá em Franca junto com o Xerife local, o Wagner, começamos a abrir as primeiras vias numa parede estranha, um arenito que eu não estava acostumado. Era o começo do Pico do Mané: um fds inteiro pra abrir uma, duas vias (também pudera, parede de 60m, abrindo vias de 30/35m, queria o que? Aqui escacalamos antes pra ver onde ficam as melhores proteções, pra via ficar segura). Mas era  legal, mesmo que o pico ficasse com tipo, 10 vias, tava ótimo! Não tínhamos idéia do potencial do pico no começo. Só íamos lá curtir a parceria, o climb e a abertura de vias. Só que hoje o pico conta com 43 vias e contando. O potencial é absurdo. Com parede de 60m de altura e quase 1km de extensão o potencial é por baixo, para umas 300 vias. Vias esportivas com grampeação segura padrão IFSC (daquela que vc pode entrar mesmo estando acima do seu grau que vc não vai morrer – só isso já é polèmica para um post inteiro tem gente que gosta de correr risco de vida qdo ta escalando: nas minhas vias esportivas não!). Vias móveis com fendas perfeitas no melhor estilo Indian Creek que provavelmente vão chegar no cume. Tetos com agarrão. Um arenito duro, cheio de agarras, coisa que eu, escolado em Cuscuzeiro, Itaqueri e Invernada – expoentes do arenito aqui do interior – ainda não tinha visto igual! Rapidamente a comunidade escaladora de Franca cresceu, o Wagner, o Eliel bactéria “Jah” e a Renata Parreira com o apoio do Everton da academia de escalada Enjoy Climb & Fitness fundaram a AFER – Associação dos Escaladores de Franca e região. Hoje o pico conta com alguns Boulders super legais também, uma cachoeira a 5 minutos, outras paredes com bastante potencial nos arredores e muita, mas muita rocha pra abrir via.

E de repente os amigos de Jaú/Bauru Leo Franceschini e Marco Curi, junto com o Artur Teixeira de Ribeirão Preto (da Moountain) descobriram um lugar de fácil acesso na beira da rodovia que os antigos escaladores de São Carlos sempre conheciam por “não ser bom pra escalada” pela qualidade da rocha. Mas ninguém falou que não era bom pra boulder – e então limparam vários blocos e abriram vários boulders incríveis, deixando em aberto pra gente poder continuar o trabalho. E eu, que nunca fui do Boulder, pirei na modalidade no último OuroBoulder lá em Ouro Preto. E comecei a colar nesse pico pra fazer boulder, que tem como característica uma formação rochosa de formato fálico muito curioso, que rendeu o apelido ao pico: Caralha de Brotas.  E de tanto ir lá, de repente comecei a flagrar que a rocha não parecia tão ruim assim. Aliás, é o arenito mais duro de todas as 5 falésias de arenito que este post comenta. Hoje já são 5 vias na Caralha (5º, 6º, 7a e 7b e a normal em móvel de acesso ao cume, um 4º grau) e mais 4 vias incríveis numa das falésias ao lado. E já achamos mais um monte de blocos de boulder esperando pra serem limpos e escalados, e várias paredes com vias pra serem abertas.

E de repente os locais de Itirapina, através da figura do Murilo e a Vanessa da Academia Atitude, o Eduardo Santini, o Stélio e o Romário (o Bruno tava viajando) deram um puta gás num pico onde eles junto com o Animal daqui de São Carlos haviam aberto algumas vias uns 5 anos atrás. É o pico do Colorido, onde estão saindo bastantes vias fortes, na sombra, abrigadas da chuva, onde a meu ver está o next level da escalada Hard aqui no interior. Tudo oitavo grau até embaixo dos tetos, e as continuações estão lá, esperando pra serem abertas passando pelos tetos. Muita coisa promissora naquela Falésia também!

Claro que enquanto isso teve conquistas no Cuscuzeiro, Itaqueri e na invernada. Mas não é incrível como a união da galera, atacando em várias frentes trouxe um progresso de maneira exponencial para a escalada “local”? Entre aspas porque Franca está a 200km de São Carlos, mas tudo aqui é arenito, e interior. As prospecções não param, estamos de olho em outras falésias. Não pretendo abrir 100 vias em todas, mas abrir algumas vias e catalogar e divulgar, soltar um croquizinho já deixa o gancho aberto para as futuras gerações que vierem na nova leva de escaladores levarem o pico adiante, tal qual foi com a gente outrora! É muito bacana ver essa evolução, a sensação de estar escalando no “quintal de casa” em um pico diferente dos mesmos já batidos Cuscuzeiro, Itaqueri e Invernada é impagavel! Só falta agora aquele campo de Boulder com 400 blocos de 8m de altura com negativo num terreno plano e de fácil acesso hehehe Bem, eu sonhei antes, e to vendo rolar, sigo sonhando! =D

Cipó de Reveion (muitas fotos)

Bia e os contrastes das rochas do Cipó

Bia e os contrastes das rochas do Cipó

Fomos para o Cipó, ficamos 15 dias. Escalamos horrores e tive a oportunidade de escalar muitas vias a vista em setores novos e repetir algumas clássicas. Cheguei a mandar um 7c/8a no segundo pega (Por entre as pernas da perseguida) mas infelizmente não pude mandar todos os projetos que tinha. Tivemos a oportunidade de conhecer todos os setores novos e linkar por dentro o G3 ao G2 ao G1, coisa linda. O PCC é o canal pra dia de muito calor. O Blair pra qualquer dia, e o papagaio é irado! E o setor Janela então?! Puts, pirei!

Eu não pude entrar em tudo que eu gostaria pois no comecinho de dezembro senti um incômodo no ombro, que na segunda metade da trip voltou a incomodar. Eu nunca tinha sentido nada no ombro, mas agora como o elo mais fraco que eram os dedos foram fortalecidos, deve ter aparecido outro elo fraco :/ Foi num move besta e fácil no final da Especialidade da casa indo de um agarrão para outro agarrão q senti o Crec no ombro. <<Burroooooo>>. Aí que que o infeliz aqui faz? Mesmo com o alerta no ombro, depois de 2 dias, entra na Heróis equipando. Very clever! Quando cheguei no chão tiveram que tirar o nó pra mim e fui medicado com 1 dorflex e 2 cataflans pq não aguentava de dor no ombro/braço esquerdo. Ó dó…. Aí até o fim da trip tive que abaixar o nível e fiquei escalando só sétimos a vista com o Ives pra não forçar. Foi bão também! Fiz várias vias novas legais na perseguida, no Blair, no PCC, no Coliseu, no Serra Pelada. Escalada à vista é muito massa, não sei pq não vejo a galera fazendo esse tipo de escalada por lá.

O Greg foi o nosso menino de Ouro, mandou a ética e a na Calada da noite, e como diria a Bia, o resto não fez mais que a obrigação. Fiz um sexto grau lindo de morrer, “delício” na perseguida, novo, duas vias pra direta da por entre as pernas, sensacional. Repeti a Gigante pela propria natureza, flashblack, entrei na sheetara de novo, conheci a 11 proteções e 1 segredo, finalmente conheci a Dilúvios na Sancho Pena e a Via de Blair (que vias incríveis!). Incríveis também as duas vias da esquerda do PCC, um 6sup e um 7a, e fiquei morrendo de vontade de entrar na Pablo Escobar e na Zé pequeno, mas fui pela prudência que me faltou antes e me contive entrando em vias mais tranquilas. Ah! E pude mandar finalmente um 7b que tava devendo desde 2010, a “Minha amada imortal” no G1. A primeira vez do Ives no Cipó foi muito bem, fez até um ou outro 7a em flash e pode conhecer a maioria das clássicas.

Confira as fotos que acho que elas falam mais que palavras 🙂

Nossa, e nessa trip aconteceu a situação mais bizarra da minha vida com rapeleiros. Estavamos no setor da Melzinho, o Greg tinha acabado de mandar a Sem compromisso 7a e tinha um brother de Sampa malhando a Jungle Boy. De repente… Senta q lá vem a história:

Quando vejo alguém fazendo presepada no pico de escalada...

Quando vejo rapeleiro chegando no pico de escalada…

Num puta calor de 35º, todos derretendo, chega a gangue do rapel com macacão de piloto da força aérea, de bombeiro, de lixeiro, entre outros. Cheio de brasões, bordados e claro, coturno até o joelho. Garotos de 15, senhoritas de 30, homens nessa faixa também. E o líder de shortinho da copa de 70 e camisetinha (igual do gif acima). Vinham com corda no pescoço, cadeirinha em mãos, nenhuma mochila. Comentando entre si: “…Olha lá, eles já estão descendo aqui, vamos ver como eles tão fazendo…”  Eu cheguei até a pensar que fosse alguma coisa da brigada de resgate local, onde algum escalador foda estivesse ensinando alguma coisa para alguma turma sobre procedimentos de segurança em escalada. Ledo engano. Eles chegaram a perguntar se todos que ali estávamos na base da via (no chão) já tinhamos todos descido. Tive que explicar que nenhum de nós que ali estava havia descido, só subido e que apenas o último fica pra limpar a via e descer (nem me dei ao trabalho de explicar que depois de subir, haviamos descido de baldinho, preferi ser mais incisivo). Aí o Rapeleiro Alfa chega pra mim e pergunta: “É nossa primeira vez por aqui, onde vc recomenda que a gente faça rapel?”

via a vista 8anu

Ao que eu prontamente meio que sem pensar respondi: NÃO RECOMENDO. <<grilos – Cricri-cricri-cricri>>

coice-o

É, não foi um coice assim, mas alguns falaram que soou meio assim hehehe. Alguns segundos de silêncio depois que sucederam a resposta: “Mas não tem um lugar onde as pessoas fazem rapel aqui?” Não. não tem. O pessoal aqui vem pra escalar mesmo. Conheço os escaladores locais e pelo q eu sei essa atividade não é bem vista por aqui. Aì eles agradeceram, viraram as costas e foram “meio que caçar” um lugar pra exercer a deplorável atividade. Sem sucesso pois meia hora depois estavamos mudando de setor e cruzamos com eles passando por nós de novo na trilha, indo embora. Ai ai, até quando né gente? Não vou nem comentar pq se formos analisar as raízes disso passaríamos por parâmetros socio-econômicos, a falta de investimento e de interesse do governo em educação, a alta carga tributária, a safadeza descarada exercida pelo governo todos os dias, o monopólio do futebol em todas as mídias, que anda de mãos dadas com o machismo inerente à nossa sociedade, o desinteresse das pessoas por politica, ou seja: a falta de consciencia das pessoas sobre qualquer assunto e a superficialidade das discussões.

 

Agora fiquem com uma galeria de fotos do reveion…

E voltando ao tema principal do Blog que é fofocas escalada, mais fotos, pois na segunda metade da Trip, eu zuado me pus a tirar mais fotos afinal, era o que me restava fazer.

 

Bem, e essa foi mais uma trip pro Cipó! Agora é focar na recuperação e planejar a próxima! Que venha a rehab né, pq por enquanto é o que ta dando pra almejar! =D

Fazendo jus ao nome do Blog

Primeiro dia passeando pela Pedriza. Isso sim pra mim é boulder...

Primeiro dia passeando pela Pedriza. Isso sim pra mim é boulder…

Pois é! Este que vos fala mais uma vez se vai e logo se volta. E não paro, o que é ótimo! Finalmente algumas coisas que eu tinha como meta fazia meses, pra não dizer anos, se desenrolaram, e agora estou super otimista de que tudo vai dar certo (Como sempre!). Eu sei que todo mundo está ansioso pra saber da viagem do Cipó, estava enrolando pq não tinha pego as fotos com a Isa ainda, mas também tive menos de 30horas para arrumar as malas e preparar o terreno para a viagem pra espanha. O Sebá é que está certo! Diz ele que não gosta de ter muito tempo pra fazer as coisas, que é melhor deixar pra ultima hora que você acaba fazendo tudo muito mais eficiente. E é a mais pura verdade. Veja a vida por exemplo. Depois que eu tive um “estalo” e saí da Matrix, parece que tem tanta coisa que eu quero fazer na minha vida que não vai dar tempo de fazer metade!! Essa correria toda também é motivo dos posts rareados, além é claro do meu superpopular post no blog do cume sobre “Ser melhor em vez de ficar mais forte”. Semana passada até cheguei a escrever um post imenso, tipo 3 paginas de word, só sobre filosofia de buteco, relacionamento, comportamento, atitude e a origem do universo. No fim das contas senti que era muita viagem pra pouco foco e acabei deixando de publicar (mas ta ali nos rascunhos, um dia quem sabe!).

Bem, enquanto estava no saguão do aeroporto esperando dar a hora do embarque, e depois de ter trabalhado um pouquinho, escrevi um pouco da viagem do cipó mesmo sem fotos significativas.

Júlia na Lamúrias no primeiro dia, aquecendo/aclimatando

Júlia na Lamúrias no primeiro dia, aquecendo/aclimatando

O Pico está DE-MA-IS. Claro. Arcos é tudibão, e tem potencial, mas o cipó está no epicentro das grampeações e cada vez que eu vou lá, não só o número de vias mas também de setores que duplica ou triplica. Quem diria, me senti quase em Arcos hahaha Você vai passando num setor completamente novo que vc nao fazia idéia que existia, com paredes de 30m cheio de agarras (veja que eu disse agarras, pq os agarrões estão em Arcos). Conheci o Vale Zen… Da última vez tinha sido o da perseguida a novidade (e antes o foda, e antes o cangaço), mas agora tem o coliseu, república dos chilenos, PCC, Vale zen, casinha amarela e G1 (bico do papagaio?). E parece que tem muito mais por ser aberto, Enquanto os generais de 10 estrelas ficam atrás da mesa com o c* na mão deliberando que não se deve mais abrir vias no cipó, as vias antigas, clássicas e já meio alisadas de tanto abuso, vão sendo aliviadas pelos pioneiros locais como Barão, Fei, Waguininho, Magrão entre outros, que dão o gás pro pico continuar 1000 estrelas e dar conta de suportar a tendência internacional de escaladores (e vias) que só aumenta. E cada vez mais rocha aparece, e mais um setor, um vale, uma gruta surge e a gente fica de boca aberta de novo com o potencial e qualidade das vias. Daqui a pouco a gente vai ta indo pro G3 pela zuma pois cada vez os setores estão ficando mais perto entre si, e a sala de justiça desafogada. Mas também grandes poderes vem acompanhados de grandes responsabilidades. No mundo inteiro e aqui não seria diferente. Com o aumento do número de escaladores também aumenta o número deles que não fazem nem idéia o que estão fazendo e não é dificil encontrar gente entrando guiando um oitavo grau sem ter nunca nem ter guiado na academia ou “malemá” sabendo fazer seu próprio nó. E o pior é que as pessoas batem no peito orgulhosas que não tem instrução especializada (como se isso fosse bom) e mau sabem a vergonha alheia que estão passando. Se até a gente acostumados ao partner check nos pegamos encordados só na perneira da cadeirinha, e sabemos que “não pode”, imagina quem não faz idéia e não checa? Bom, nos resta espalhar a palavra com responsabilidade e bancar os chatos que saem corrigindo a galera no pico (É mto mais fácil que carregar o malaco com a perna quebrada ou na maca trilha abaixo, garanto).

Isa, Genja, Beto, Julia e Seba - Os integrantes do SCPT nessa Trip

Isa, Genja, Beto, Julia e Seba – Os integrantes do SCPT nessa Trip

Para a viagem fomos A Júlia, o Sebá, nosso amigo italiano máquina que esta ficando 2meses em São Carlos, Isabeto e eu. No primeiro dia escalamos no Vale Zen depois de aquecer nas clássicas (Lamúrias, injustiça…). O Beto apresentou o 9c (8aFr) mais famoso do Brasil pro Sebá, a Heróis da Resistência, enquanto eu buscava os locais para mais informações sobre os novos setores. Já no Zen, Fiz a via “Gigante pela própria Natureza”. Maravilhosa, 7a de 35m medida na tinta do meio da corda! Como eu Não estou escalando nada me coloquei pequenos desafios e mandar essa via a vista equipando foi muito bom de ter conseguido! Todo mundo curtiu e meio que passou aquele veneninho no mesmo lugar X da via que eu não vou dizer onde é hehehe. Ainda no final do dia a Isa e eu entramos na via que supostamente é a Estriquinada, via que a Rafa abriu, um quintinho muito bem equipado, curtinho, ideal pra quem está começando a guiar. Só de curiosos ela e eu entramos na via do arco, bem na entrada do vale zen, mas por precaução com relação ao meu dedo (e por incompetência) fui só até a metade. No segundo dia fomos pro Vale da Perseguida, onde pude aquecer equipando a “Vai Mané” 7b, e mandar no segundo pega. Enquanto a Isa e a Jú entravam na Chorrera Musical. Depois ainda fiquei azedo pois entrei numa via sem saber que tinha regletes, e meu dedo ainda não estar 100%. Acho que o nome da lazarenta era “Por entre as pernas da perseguida” 7c/8a (mas é  uma via mto massa e quero entrar de novo qdo tiver bão). Nessa hora chegou o Rio de Janeiro Aderencion team liderados pela Naná, contando com Rogério, Rô e o famigerado Preza, que era figurinha carimbada nos picos mas que eu ainda não conhecia. FIgura! No final do dia ainda ganhei um presentão da Júlia tendo mandado no flash a Olho do Observador, láa no outro setor, o já tradicional Anfiteatro, na verdade pelos nomes das vias acho que é na caverna do dragão hehehe. Não tinha adesivo na via, então fui pro “descanso” na esquerda, o que me fez sugerir 7a pra via, mas deu uma vontadezinha de tentar o 7c reto. Via animal! Recomendo!

Preza, eu, Sebá, Naná, Rô, na frente: ROgério, Beto, Julia e Isa

Preza, eu, Sebá, Naná, Rô, na frente: ROgério, Beto, Julia e Isa

No terceiro dia voltei pro Zen com a Júlia e a Isa por causa do beta do Preza, de um 6° (Avenida Brasil) e um 7b (FlashBlack). O Riodejanereiton Aderetion Team foi pro Antão pra poder ficar mais perto do Aeroporto e pro Preza que está no Lesionados pression team assim como eu poder escalar alguma coisa. Voltando ao caso do Zen, como o Daniel de Joinville estava na Avenida Brasil (teoricamente um sexto), entrei no 7a e mandei meio a vista (meio a vista pq quem tava no chão cantou a agarra do outro lado da aresta – sorry Gui pelo spoiler, fica de troco pelo beta da chapa na direita da canaleta da gigante hahaha). Mais uma clássica do pico das que vale a pena fazer sempre que se vai pro Cipó, junto com a Gigante, a Lamúrias, a Tatara, a Cravo e a Rosa, enfim… Entrei no sexto e passei um sufoco!! PQP! Muito mais foda, com uns abaolados de ombro e em vários momentos eu me vi VOoaaandoooo só não voei pq a cabeça tava boa e apertei mesmo me vendo voando e não ficando nos abaolados, ia pros moves com dedicação e acabei mandando com a vibe da Jú e da Isa. Foi naquele esquema: “…só mais uma agarra vai, não to tão tijolado assim, além do mais se eu cair ótimo que assim já não fico mais com tanto medinho”. E funcionou hehehe. Mais tarde mandei um 7a no strictu sensu da palavra, sem saber nada. o Fei apareceu pouco antes e falou que tinha essa via nova que o Vaguininho tinha aberto, “Avenida das torres” ou algo assim. Láaaaa por entre a 8° e 9° chapa tive que abusar de minha altura, fazer entalamentos de joelho, asa de galinha, passei um sufoco, quase perdi a cadena pois fui muito pra direita, tomei marimbondada na cara (sim, marimbondada, eles trombaram comigo mas nao picaram)… mas no final deu tudo certo e acabei mandando! Ufa! Eu pensava: Tenho que mandar pra nao ter que passar por isso de novo hehehe Depois a Julia entrou e achou um monte de agarra que eu não vi. Provavelmente quando a via estiver mais limpinha vai ficar mais sussa (mas é da hora!).

Puts… e no ultimo dia… mano… Último dia fomos num lugar Magnifíc! O Magrão passou todos os betas de como chegar, fez um mapinha ishperrrto de um setor novo que tinham acabado de abrir algumas vias (tinha pó dos furos na parede ainda). São aqueles bicos que dá pra ver ali do abrigo do magrão, no G1 ainda.. à esquerda da “assombrolhos bicolhos”. Tipo meia hora de caminhada, passa por um vale muuuito lindo, cheio de umas flores vermelhas grandes, um microclima umido e frio, no meio do “agreste seco” pelo qual passamos antes pra chegar la. Passamos por dentro de uma Cave cheia de espeleotemas muito bonita, e depois demos a volta pra acessar o platô onde começam as vias. Fiz um 7c do magrão chamado “Vô coruja” A-NI-MAL. via também de 35m ou mais, com começo de 6°grau, depois um negativo de agarrões, e depois um lance vertical meio “tricky” e no final pra variar, canaleta. Fui só até o lance vertical e desci pois dali pra cima não estava equipada e eu não tinha levado costuras (e fiquei com uma puta preguiça tbm, último dia de climb sabe como é né?). Enquanto eu entrava nessa com a Isa, o Sebá, nosso Italian very relaxed man entrava com o beto na do lado, que é um 7a até a metade e depois vira um 9c. Eu já estava na capa da gaita mas ainda dei um peguinha sem compromisso na parte de 7a do 9c. E aí fomos pra casa, comemos o resto da lentilha que a Ju tinha feito pra 18 pessoas na noite anterior (mas eramos em 5), e vortemos. Na volta ainda pegamos um congestionamento de 1h em Rio Claro onde ficavamos nos estapeando Julia e eu para ficarmos acordados.

Beto, na Tecnicamente apelidada de "Falsa Lamúrias" no G1

Beto, na Tecnicamente apelidada de “Falsa Lamúrias” no G1

Destination: ARCOS – MG

Todo mundo ansioso pelo post sobre a trip pra Arcos?! Eu mesmo morrendo de vontade de contar TUTOOO como foi mas… Estava trabalhando fervorosamente num croquizão bem bonito do 2° andar de lá onde abrimos 3 vias, além é claro de fazendo faxina e esperando o puto do Beto (1x) me passar as melhores fotos que tão tavam na camera dele.

Em Breve... aguardem!

Em Breve… aguardem!

A trip foi alucinante. Escalamos, conquistamos, furamos, nos divertimos horrores, fizemos uns rangos supermassa e amigos que são figurinhas impagáveis. Saímos de Sanca quarta a noite com o carro abarrotado de coisas: Equipo de climb, de camping, de furação (de conquista) e comida principalmente inclusive, que estavamos achando que era muito (Não foi). Chegamos em Arcos lá pra uma da matina, pegamos a chave com a Célinha no pulo do gato e fomos pro pico. Não se esqueçam: Na estrada de terra, Logo depois de se afastar do trilho do trem, primeira bifurcação à direita, depois todas à esquerda. Quando chegar na porteira é porque chegou. Descarregamos o carro e blz, lanchinho ludico e cama.

Setor da frente, cartão postal do pico

Setor da frente, cartão postal do pico

Primeiro dia de Climb fomos pro segundo andar, pois, apesar de a previsão mandar muito frio, estava calor e fomos no setor frio de sombra, deixando pra escalar no sol nos dias de frio que viriam (Não vieram). Escalamos um quintinho e um sextinho simultaneamente, primeiro contato do felipe com o Calcário, e logo o Beto (2x) entrou na Café, Cachaça e tabaco. Descendo já pirou numa linha do lado esquerdo que eu já tinha pirado na outra ocasião quando entrei nela. Só o segundo dia ia ser o de furation, massss…. ah…. já tava ali mesmo né? Desci a trilha toda até a casinha, peguei a metranca enquanto o Felipe escalava (as duas vias – a existente e a futura). Logo entrei, tirei os moves, eles idem e sugerimos os locais dos furos escalando e pensando na segurança de quem iria escalar depois (É ASSIM QUE SE CONQUISTA UMA VIA ESPORTIVA ou debaixo pra cima, com cliffs, estribos, etc.. buscando os melhores locais pras clipadas não rapelando e furando com uma tronca na boca sem nem saber se a linha de agarras chega no chão). Muito bem: Ratá-tá-tá… Fiz todos os furos e pus a parada,  e o Beto (3x) pos o restante dos bolts com as chapas. E mandamos os Firsts Ascents de noite mesmo. A via ficou com 26m, com 13 proteções + parada (portanto leve14 costuras). Estávamos na dúvida entre chamá-la de Muñequito de Barro(bonequinho de barro) , por causa de um ditado espanhol que diz: Café e Cigarro, Muñequito de Barro! (café, cigarro e tabaco é a via do lado). Mas acho que ia ficar piada interna demais mass… o nome acabou ficando mais piada interna que o muñequito de barro, porém tão comprido quanto a via: MONOGAMIA HETERONORMATIVA. Um 6sup/7a lindo de morrer. O nome é uma crítica ao modelo da sociedade moderna que atrapalha/impede  a prática do amor livre, que é a monogamia heteronormativa, pela qual todo mundo que quiser ser considerado normal deve ser monogâmico e heterossexual. Leia aqui o artigo sobre a Prática do Amor livre, pra entender o contexto.

Enfim, a noite fiz um rangão da hora, tomamos uns gorozinhos que tinhamos levado, mas o charuto cubano que eu tava guardando pra uma ocasião especial como a conquista de uma via em Arcos sumiu!! Ficamos achando que tinha sido o Gato na noite anterior, certeza! No segundo dia voltamos pro Segundo andar, e o Beto (4x) e o Felipe entraram em 2 viazinhas muito legais ali no “Portal” de chegada. Muito boas as vias (Ah vá?! Via em Arcos que não é legal? Hmmmm Não tem!). Enfim, dois sextinhos meio curtos para os padrões Arquenses (só 15 ou 20m) . E depois desses o Beto entrou numa super fenda gigante do lado oposto do valezinho ali, em frente à cafe, cachaça e tabaco. Tudo em móvel, crux é desviar da árvore. Enquanto isso eu fui tentar chegar na base de uma grande proa protuberante visível da trilha, pra direita, alucinante. Tinhamos visto essa linha na outra viagem e dessa vez consegui abrir uma trilha e chegar embaixo dela. Pensamos se tratar de uma linha futurista, mas acabou que, como tudo em arcos, é um teto com uns 4m de comprimento de 7b kkkkkkk Chegamos lá e deixei o beto (5x) começar (Ô caraaa) . O Setor é alucinante e por si só já dá pra abrir várias vias… A via começa em cima de uma espécie de Totem de pedra e pra chegar na base da via tem que dar uma soladinha num segundo grau até uma pedra, onde, estando-se em pé, alcança-se o teto. Cheio de agarras. PORQUE SENHOR?! PorQUE?! Porque não temos tetos com agarras aqui no arenito senhor?! Pus a primeira chapa do chão, bem alta, para podermos utiliza-la como proteção caso ele caísse antes de furar a segunda, e sair rolando. Depois de 3 proteções virou o teto e tocou em móvel laçando bicos de pedra até o final da parede. Furou a parada, deixou uma corda fixa e marcou onde poderiam ser os outros furos. Como uma das 3 baterias (a que teoricamente aguenta mais carga) morreu no dia anterior, só deu pra fazer 5 furos, uma vez que os 2 primeiros fizemos de 12cm de profundidade por segurança. A noite o Felipe fez a comida. Achamos o charuto, matamos o segundo e último fardinho de breja e finalmente pudemos acender o cubano, que afinal não tinha sido o gato que tinha pego.

Eu, Beto e Felipe fazendo a janta

Eu, Beto e Felipe fazendo a janta

No dia seguinte fomos escalar um pouco no setor da frente, e pensei em ir terminar a via com bateras novinhas depois do almoço, quando o sol estivesse mais ameno. Entramos na Leão de Judá, um 7b que eu diria que é a “Lamúrias de um viciado” de Arcos (a lamúrias é o carimbo no passaporte de quem vai pra Serra do Cipó). E o Beto (6x) quis porque quis entrar na “Michael Jordan”, uma via que pra quem é anão, vulgo Short-leg (Aí Bianca, vai adorar) é bem mais dura. Eu não tava na pegada de apertar por causa da lesão, mas como era um bote dinâmico de um agarrão invertido para um buraco igual uma cesta de basquete muito alto, resolvi tentar “pelo folclore”. O Beto (7x) apertou um reglete lixo intermediário e isolou. O felipe entrou mas seu ombrinho não o deixou ir mto longe. Eu desencanei do reglete e já na segunda tentativa consegui isolar o bote. IN-SA-NO. O resto da via é muito legal, vai por uns patacos, única coisa é costurar a segunda que ainda tem um lancinho fortinho, e eu achei até um descanso sem mãos com entalamento de joelho da segunda pra terceira. Mais do que depressa Beto (8x) e eu já entramos e mandamos cadena. Ahul!

O Beto (9x) ainda levou o Felipe pra fazer a famigerada “Extraordinária” 7b (pra variar) e enquanto isso eu, que já tinha feito ela, fui lá terminar a via. Chegando lá, subi pela corda fixa ate a 4° proteção mas comecei a ser rodeado por umas abelhas européias que logo descobri estavam a uns 10m pra esquerda. Fiquei imóvel uns 20 mins mas sempre que voltava pra via (sem barulho de furadeira) elas voltavam, então resolvi voltar mais tarde. Enquanto esperava a poeira abelha baixar fui fazer um social com uma galera muito gente boa que tava ali na “salinha” do segundo andar. Eles já tinham entrado na Monogamia Heteronormativa e elogiaram bastante (valeu rapeize!). Quando a noite estava por cair, voltei pro tetão, subi e finalmente consegui terminar a via. Como foram poucos furos, ainda restava praticamente uma batera inteira, bati a parada de outra via, à esquerda. Nessas alturas o Beto e o Felipe já estavam ali e, com a parada pronta, armei um top e o Beto (10x) subiu a noite de tenis marcando onde seriam as chapas e aproveitou e já furou. Ficou faltando só a primeira, mas nem faz muita falta, da pra escalar sem, talvez na próxima trip coloquemo-na. E Já é! O nome do grande teto ficou “O Universo em desencanto”, nome que já saímos de São Carlos com ele na cabeça, por que estávamos ouvindo muito o cd do Tim Maia Racional (Na verdade ficamos a trip inteira com as musicas na cabeça). E guardamos ele pra esse teto. Já a via da esquerda ficou “Na caralha da noite”, em partes por ter sido aberta a noite, em partes pela zueira com a quase homônima via no cipó e em partes porque a palavra “Caralha” era utilizada para se referir a tudo pelo Felipe, praticamente um sinônimo de “coisa”. Tiramos as duas primeiras chapas da Universo em Desencanto pras pessoas não entrarem enquanto as abelhas estiverem ali perto pois está perigoso (e Na caralha da noite nem tem a primeira entao sussa!). O Peixe falou que vai com a galera lá essa semana tirar as abelhas, e deixei as chapas com o Vitor do Camping. Quem quiser mandar os FA’s é só ir lá tirar as abelhas e por as duas chapas (colocáveis do chão a primeira, e a segunda pendurado da primeira). Enquanto furávamos, tava rolando maior lual no camping, que esse dia tava cheio de gente, com a Célinha e o Vitor tendo preparado uma mega fogueira. Do alto da via ouvíamos (e viamos) a galera em volta da fogueira gritando pra gente descer e ir lá com eles. Fomos quando os trabalhos estavam terminados, e quase esquecemos de jantar! Um whiskão JB e o outro charuto cubano (e não é um eufemismo pra cigarro de outra coisa!) na beira da fogueira, papo bom com os mineiros e ninguém queria mais nada!! Tonhão, figuraça, Vitor de Arcos, pessoal de Berlândia e toda a rapeize que não vou lembrar o nome agora, foi mto da hora! Lá pelas tantas eu lembrei do rango (claro, ele é gordo, ele gosta de comeeer!) , e quando vi tinha sobrado comida pra caralho da galera, que NÃO iam mais comer e iam embora no dia seguinte. Pois joguei um pozinho de pirlimpimpim, duas baratas, pernas de rã e 3 cabelos do saco do feijão mais o frango e arroz que tinha já feito a mais no primeiro dia para esse dia e Voilá! Estava pronto o rango mais gostoso do universo! E quase os putos esquecem de jantar, quanta loucura.

Mas whisky bom não dá ressaca, e no dia seguinte estavamos lá, firmes e fortes pro ultimo dia de climb. Fomos conhecer o novo setor entre o setor da onça e o da frente, o “Vale das Sombras”. Se as vias que abrimos não tivessem ficado tão legais teria batido um leve arrependimentinho, pois o setor é muito insano, e com muita sombra! Ficamos mil anos namorando um grande teto ali logo na entrada que inexplicavelmente ainda não tinha sido conquistado. Entramos numa via que é dentro de um BURACO. É isso mesmo, vc sobe uma via em 3D. Tem que usar 360° de apoios como se estivesse escalando aquelas chaminés antigas de fábrica, um túnel na vertical, de 2,5m de diâmetro por 25 de altura. E na sequência entramos num 6sup à direita da primeira, que a Nati (que é praticamente local do pico) deixara equipada pra gente. Saindo de lá, estávamos curiosos pra saber o que era o barulho de furadeira que ouvíamos, e quando chegamos na entrada do setor, o grande Teto tinha acabado de ser conquistado debaixo pelo conquistador local, Peixe. Santa eficiência hein Batman?

Tinhamos que pegar a estrada e pra agilizar, do moídos que estávamos (com uma puta ressaca) de 4 dias intensos , entramos num quintinho do lado esquerdo da Michael Jordan. no setor da Frente. Nem preciso dizer que a via é muito boa né? E depois dessa já fomos pro carro, arrumamos tudo, nos despedimos da galera e pé na estrada! Ah! Conhecemos o Sérgio, o cara que está produzindo os “P-Bolts” que é tipo um chumbador CBA com anilha na ponta, tal qual já vinhamos utilizando em algumas paradas, porém, melhorado. Digamos que é uma chapeleta com formato de pino P. E finalmente, tocamos direto pra São Carlos. O Beto dirigiu 5hrs seguidas direto pro recanto empório, onde a moça já nos viu e trouxe o Litrão e os Baurús de contra.

O lado ruim da viagem veio segunda feira: Ressaca ou depressão pós-Arcos. Poxa, em arcos a vida é linda, a escalada é magnífica. Todas as vias são num calcário perfeito, cheio de negativos de agarrão de 30m <hmpff….>. Mas é isso aí: Bolting Trip pra Arcos: Animal! Só tenho uma coisa a dizer:

So Pyched! Life is good!!