Um vídeo de cada…

Ciça escalando uma "Barbaridade!" kkkkkk

Ciça escalando uma “Barbaridade!” kkkkkk

As duas últimas semanas, de repente, pipocaram com vídeos iradíssimos pela internet afora. Muitos já foram postados no Face da Quero Escalar, (portanto, se você ainda não curtiu, curta e veja antes). Tem pra todos os gostos (anal, bukake, swing, amadoras) Boulder, esportiva, trad, de várias cordadas, treinos, competições… enfim, vamos logo ao que interessa?

Começando com um vídeo de história. Explicando a história do REDPOINT. Não sabe o que é? Bom, sabe quando você manda uma via? Ou seja, você escalou ela inteira, guiando, sem cair, certo? (CERTO? Não existe mandar com uma queda, nem mandar de top). Pois é. Você pode mandar ela a vista (onsight) que é quando você não sabe absolutamente nada sobre a via, só o grau e olha lá. Não sabe onde é o crux, não sabe a característica da via (se é de reglete, abaolado ou negativa) NADA. Nunca viu ninguém escala-la. Se você tiver qualquer noção de que a via tem reglete, ou que o crux é no começo ou no fim, já é FLASH (e aí não tem tradução, em português é flash mesmo). Agora, se vc “malha” a via N vezes, ou seja, entra nela mais que uma vez, ensaia os movimentos para só então mandá-la, então você mandou ela no chamado “redpoint”, ou seja, quando não é nem flash nem a vista. Mas porque redpoint? Agora chegamos ao ponto que eu queria (o vermelho?). Assista o vídeo e entenda essa história:

E já que estamos em ritmo de chucruts, mais um vídeo, desta vez da Sasha Digiulian dando um treininho “de buenas” em uma das academias conceito na Alemanha, o chamado Cafe Kraft. Várias dicas boas para incorporar em nossos treinos hein magrelas?!

E um que só descobri essa semana. Muito bom, vídeo feito na Itália, de uma via de várias cordadas, tudo na casa do 10b. A via sai de dentro de uma gruta, e vai virando o negativo até ficar vertical. O nome da via? Divina Comédia, epopéia Italiana de Dante Aliguieri, que está para o Italiano assim como os Lusíadas está para o Português. O livro, que é uma espécie de Senhor dos Anéis da idade média, conta a passagem do autor pelo Inferno, purgatório e finalmente céu, e cada etapa é composta por 3 livros (alô hollywood, se 1 hobbit rendeu 3 filmes, esse livro pode render 27! kkkkkk). Enfim, com vocês, o tal vídeo:

Vídeo de Nico Favresse fazendo o FA (First Ascent, primeira ascensão em livre – ou seja, só usando a rocha para subir, tendo a corda somente para sua proteção em caso de queda – e não tendo esta sido necessária em nenhum momento) de uma via na Noruega, toda em móvel. Ficaram mil anos lutando contra o mau tempo, e em algum momento chegaram a achar que não ia rolar. Em outro momento anterior, pensaram que mais um pega sairia (tipo um amigo meu na ética kkkk). Em determinado momento ele rasga o verbo e mete o pau na galera que faz tickMarck (marquinhas de magnésio na parte boa de agarras chave para facilitar a precisão e não errar na hora “H”), usa cordas fixas e outros artificios modernos, chamando-os de preguiçosos e que estão tentando ser uma coisa que não são.  Esqueceu de dizer que cada um escala o que quiser da maneira que se diverte mais né? Basta do Tribunal de pedra por aí. (E não esquecer de apagar os tickmarcks e remover as cordas fixas depois da escalada).

E finalizando. Por increça que parível, deixei o melhor de boulder pro final. Isso mesmo! Um vídeo de Boulder do Atleta Edelrid Espanhol Iris Matamoros (Mas se não tiver ele matamontanhas, matacolinas – Badun-tsssss). Deve ser parceiro do Alberto Rocasolano 😉 . O vídeo é uma compilação de muitos boulders de sua trip para Rocklands, simples porém bastante entretivo:

E pra encerrar um treino de ombro incrível para ficar com as escápulas, manguito rotador e deltóides petrificados igual do Patxi Usobiaga:

como diria um comentário que vi no Facebook: “Matei no peito, um, dois, nem me viu já sumi na neblina” huahuahua

Isso aí personas! Todos treinando forte para o Climb de Carnaval? Qual vai ser? Carnavarcos? Bocairnaval? Carnapó? Cuscuval? São Bentav…. CHEGA.

PS – EXTRA!! EXTRA!! Notícia QUENTINHA de última hora, saiu enquanto eu escrevia o post: A Quero Escalar vai apoiar mais um evento! A Invasão Feminina no Rio que vai acontecer no dia 8 de março na Praia Vermelha! 

Corrida e Escalada: Uma parceria que dá muito certo!

Ao longo dos meus 10 anos de escalador eu pude notar que não adianta querer evoluir na escalada sem comprometimento. Lembrando que eu não preciso explicar porquê a gente aperta tanto a tecla do “evoluir” na escalada, uma vez que é natural que todos buscamos executar da melhor forma possível tudo o que fazemos. Então, já que você também acha que pode melhorar na escalada, a evolução vem através do comprometimento com a escalada de diversas formas. São basicamente 4 maneiras de evoluir significativamente na escalada: Treinar, Escalar mais na rocha, correr e aprender a se alimentar corretamente. Em 10 anos, com certeza correr é uma das atividades em prol da escalada que mais benefícios oferece sob o menor custo, e maior rapidez. Ela ajuda a balancear as substâncias no cérebro responsáveis pela felicidade, depressão, controla niveis de colesterol, pressão…enfim, e é um esporte barato e acessível. Por isso, pedi para um grande amigo meu que começou a correr a um ano, é grande entusiasta da corrida e está me motivando a correr com mais frequência e dedicação, que escrevesse umas linhas para este humilde blog. Confira comigo, no replay…

A Corrida na Escalada, by Cleber Harrison

A escaladora Sasha DiGiulian corre cerca de 4 dias por semana para manter a resistência.

A escaladora Sasha DiGiulian corre cerca de 4 dias por semana para manter a resistência.

Convidado pelo querido amigo (da quinta série do antigo ginásio) Rodrigo Chinaglia a escrever uns quatro parágrafos para o seu blog com o tema “a corrida na escalada”, tenho que admitir que foi muito divertido contribuir com esse pequeno texto formatado ao estilo Genja para um blog que eu curto tanto e que me ensina muito sobre o que é interessante e importante em escalada. Gostaria de mencionar que considero a corrida o meu primeiro esporte, não por ser o meu preferido, amigos escaladores, apenas por ter começado a praticá-lo primeiro. Já fiz provas de 15km como a Corrida de São Silvestre e já corri até 30km em um treino para maratona (cuja distância é 42km), porém sou um entusiasta da corrida e não um expert no assunto e a intenção dessas linhas é apresentar um pouco do esporte mais praticado no mundo e que pode ser um ótimo complemento de treino para qualquer outro esporte que você pratique. A corrida é um esporte completo por si só e o objetivo aqui foi pensa-la um tanto em função da escalada. Assim, tive a idéia de citar alguns benefícios que, não coincidentemente, todo escalador também busca.

 1 – Fortalecer a mente

E é dada a largada! Nos primeiros 100 metros já deu vontade de parar e andar rs. Absolutamente normal! No começo, o seu corpo vai querer parar a cada passo e lutar contra isso faz com que você tenha que vencer mil pensamentos negativos para continuar correndo. Chega um ponto onde você simplesmente aceita que a dor é parte natural desse exercício e que parar não é uma opção. Mesmo depois de aquecido, essa dor pode migrar de um lugar para outro tipo fazer um tour pela canela, panturrilha, joelho, coxa, rim, clavícula, mas vai diminuindo e você aprende a conhecê-la e a dominá-la. Há uns meses atrás ouvi o amigo Beto (Bruno Alberto Severian) dizer que a escalada era “a meditação em movimento”, pensei na hora que a mesma definição se aplicava para a corrida. Correr é um exercício de meditação onde o movimento do corpo, a respiração e o pensamento tornam-se uma coisa só.

Ueli Steck talvez seja o maior exemplo de corredor/escalador. Ele subiu o Eiger (3.970m) em menos de 3 horas e seus treinos envolvem correr longas distâncias, correr em aclive e muita corrida de trilha.

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Cleber escalando naquele que já se tornou um de seus favoritos picos de escalada: Rastro de São Pedro, em Arcos/MG.

 2 – Controle de peso ou grosseiramente falando, perder barriga

Talvez a melhor forma de convencer aquele seu amigo barrigudo a correr com você né Genja. Além de ser super eficiente para equilibrar (ou mesmo perder) peso, correr trabalha muito a parte abdominal, o que também é ótimo para escalada. Quando você corre, não é só o joelho ou os pés que absorvem impacto, o abdômen também funciona meio como uma mola rígida e é fundamental para impedir o efeito chicote no corpo. Vale lembrar que nada disso é garantia para que você escale melhor, para isso precisamos mesmo é escalar ah sério, não me diga. A questão se correr pode te fazer escalar melhor é sim um tanto subjetiva. O Chris Sharma diz que seu único treino é escalar, no entanto a Lynn Hill é uma corredora devota. Sem dúvida, correr faz com que seu sistema cardiovascular (coração e vasos) se fortaleça e isso vai afetar positivamente a maneira com a qual o seu corpo trabalha. Concluindo, correr pode te ajudar a entrar em forma, perdendo peso, mas ficando forte. Afinal, os escaladores que mais se destacam são atletas relativamente magros.

Eu correndo 8.8km no treino aberto do Maurício Ninomiya no Damha em São Carlos-SP.

Eu correndo 8.8km no treino aberto do Maurício Ninomiya no Damha em São Carlos-SP.

3 – Ser Feliz

Correr é o maior anti-depressivo que existe! Parece meio insano, mas por quê praticar algo que te tira o fôlego, te causa várias dores e te faz querer parar a cada passo? Já ouviu falar da lenda do pote de ouro no fim do arcoíris? Pois é, no final de todo 10km existe uma generosa dose de endorfina e isso não é lenda de duendes. Segundo um estudo realizado na Universidade de Bonn (Alemanha), a liberação de endorfina (ou hormônio da felicidade) ocorre não somente no sangue, mas também em certas partes do cérebro. Muitas evidências mostram que atividades esportivas de longa duração induzem a uma redução de estresse, da depressão e melhora da ansiedade e humor. A corrida é um canal incrível para descobrirmos tal efeito e esse estado de euforia é comumente referido em inglês como “runner’s high”. Já ouvi dizer que o chocolate também faz com que o corpo produza endorfina, mas a vantagem com a corrida é que não engorda! Sem preconceito, galera …é, acho que ficou um pouco tendencioso agora rs

Turma do Chaves na Corrida de São Silvestre (2013) em São Paulo. Vale mencionar que o Batman, o Super-homem e até o Flash participaram, mas todos eles perderam para o Quenyano.

Turma do Chaves na Corrida de São Silvestre (2013) em São Paulo. Vale mencionar que o Batman, o Super- homem e até o Flash participaram, mas todos eles perderam para o Quenyano.

Enfim pessoal, espero ter transmitido um pouco sobre o mundo da corrida para vocês. Ter escrito esses parágrafos me fez pensar qual seria a principal razão de eu correr e isso é bem simples: corro pelo prazer e saúde, pelo estilo de vida que isso envolve, e pelo sentimento intenso de estar vivo. Foram essas mesmas características que me fizeram me apaixonar pela escalada. As vezes vejo algum velhinho correndo e isso me enche de admiração, me faz ter certeza que estou em um caminho legal e que essa riqueza é algo que todos deveriam conhecer. Bora correr, galera!

O lendário Dan Osman fazendo uma via em Speed Climbing – quase que uma escalada “correndo”.

Uma semana típica de treinos de Sasha DiGiulian

“Escalo cerca de 5 dias por semana durante 2-3 horas, variando o treino cerca de 4 dias por semana com uma hora de cardio (corrida). Na cidade, andar de bicicleta é o meu principal meio de transporte quando o clima está bom  – dessa maneira eu posso fazer um treino muito variado! Eu também faço treino de abdominal, cerca de 4-5 dias por semana, e um treinamento complexo com meu treinador, Alexi Thomakos, que envolve exercícios de resistência/peso corporal e pesos leves (incluindo flexões, campus board e atividades com bola).”

Fontes:

http://www2.uol.com.br/vyaestelar/cerebroecorpo_endorfinas.htm

http://www.rockandice.com/lates-news/striking-the-balance

http://www.reddit.com/r/climbing/comments/25yhtz/im_sasha_digiulian_ask_me_anything/

http://cruxcrush.com/2013/05/17/climbing-running/

Cleber Harrison é escalador, corredor e nas horas vagas interpreta John Lennon na mundialmente famosa banda "The Beetles One" (melhor que o original, diga-se de passagem)

Cleber Harrison é escalador, corredor e nas horas vagas interpreta John Lennon na mundialmente famosa banda “The Beetles One” (melhor que o original, diga-se de passagem)

Dicas para escalar melhor adaptadas para a realidade brasileira

Escaladora anônima aleatória da Semana!

Escaladora anônima aleatória da Semana!

Em todos os meios de comunicação pipocam métodos milagrosos para que você da noite para o dia passe do 5sup para o oitavo grau. Artigos normalmente norteamericanos, espanhóis, ingleses ou franceses em sua maioria. Citam planificações de 8 semanas, 10 semanas, descanso, viagem, treino, mais um monte de planilha que só de olhar dá vontade de ir pro bar tomar uma e pedir uma porção de fritas com bacon. Baseadas em uma outra realidade, pra gente aquilo tudo parece meio de outro planeta. Ainda que tenhamos academias modestas em quase todos os grandes centros que possuem escaladores, ainda não há nenhuma daquelas mega academias do tamanho de um campo de futebol, com vias de 20-25m como em Innsbruck ou na California. Beleza, mas considerando que a sua academia é suficiente pra você fazer os treinos. Aí você vai lá fazer o treino de finger e em duas semanas tem que parar de escalar por causa de alguma lesão. Como assim? Nunca tive lesão! Escalo faz 6 meses, já estou forte, mandando 7a, entrando em 8a, como isso é possível? Sabe de nada, inocente. Bom, aí é pq vc não leu os avisos exaustivos nos próprios artigos de que esse tipo de treino é pra quem já escala há mais tempo.  Existem três jeitos de evoluir na escalada: Treinando, Escalando e treinando ou só escalando. Se você não fizer nenhum dos três, (só caminha) vai ficar dificil você sair do quinto grau (a menos que você tenha 16 anos, tenha 1,90 e 60kg e tenha uma certa consciência corporal advinda de outros esportes).

“Ai, mas pra que eu preciso mandar mais que quinto grau? Não sou esses nóia que fica preocupado com grau, eu quero me divertir”.

Acho justo! Mas tem muita gente inconformada por aí, e também pudera. Um dos motivos que levam as pessoas a quererem evoluir (além do próprio ego) é que se você escala quinto grau, você tem pouquissimas vias pra subir quando sai pra escalar. Em praticamente todas as nossas falésias com exceção do Rio que tem suas vias de terceiro e quarto que da pra descer de bicicleta (mas eu demoro uma semana pra guiar uma enfiada), o restante das falésias do Brasil tem poucos quintos graus. Então se você não quer fazer a mesma via todos os fins de semana, ou limitar-se a fazer 3 vias apenas na sua viagem de 1 semana pro cipó – que não necessariamente são as linhas mais estéticas do pico mas também não vai ser ruim – é melhor você começar a treinar. Não precisa mandar décimo grau, mas poxa, guiar com tranquilidade um sextinho e mandar com alguns pegas um sétimo grau já faz você se divertir horrores em qualquer lugar.

Uma coisa em comum  entre todos os livros de treinamento para escalada é que até oitavo grau você não precisa de muita disciplina e esforços sobrehumanos e com apenas algumas mudanças de paradigma já da pra se divertir e evoluir bastante!

Depois de ler alguns livros de autores como Eric J. Hörst e Dave MacLeod elaborei algumas dicas para as pessoas poderem escalar melhor baseadas na nossa realidade levemente diferente.

Algumas diferenças básicas principalmente para os Paulistas, mas provavelmente gente de mais estados vai se identificar: Falésias muito longe e Picos com poucas vias: Enquanto lá fora os picos bons tem 3.000 vias e neguinho fala que os pico ruinzinho tem só 300, aqui o melhor pico é capaz de ter essas 300. Muitas vezes os – já poucos – quintos graus são antigos e mau grampeados, aí um iniciante não pode guiar pois corre risco de dar chão antes de costurar a segunda, ou mesmo se cair antes da primeira pode se machucar feio. Aí é foda! Mas tudo bem, é nossa característica nos virarmos com o que temos né?

Carnaval em ritmo de festa!

Escalada de carnaval em ritmo de festa!

Divirta-se, mas saia da sua zona de conforto pelo menos um pouquinho.

Comumente a galera mete uma pressão na gente terrível! Não pode TopRope, não pode entrar em via repetida, não pode gritar retesa. As vezes é importante você só se divertir mesmo, especialmente quando está voltando, quando não treinou muito ou principalmente quando está começando. O importante é você (re)conquistar confiança, o prazer e a motivação que são fatores psicológicos tão fundamentais para sua evolução. Se você está voltando, ou começando, o importante realmente é você fazer um volume de vias abaixo do seu limite para que vá alimentando essa coisa aí dentro que vai fazer você querer treinar e voltar com tudo! Fazendo isso você também acaba (re)adaptando seu corpo para o stress que seus tendões vão receber e também vai descobrindo como sua cabeça funciona numa situação teoricamente controlada. (mas cuidado pra não acomodar!)

Treine. Na academia, na rua, na fazenda, numa casinha de sapé.

Se você é uma pessoa normal, daquelas que só vão pra rocha aos finais de semana (os chamados “Weekend Warriors”), você precisa fazer alguma coisa com seu tempo livre enquanto espera ansioso 5 dias para escalar novamente. Correr ajuda MUITO. Mas assim, MUITO mesmo. Tipo, PRA CARALHO. Corra. Vai. Tipo, agora! Anda! Ta esperando o quê? Direcione toda sua vontade de escalar pra corridinhas suaves de meia hora/uma hora uma ou duas vezes por semana. Isso faz milagres, pode crer. Hoje em dia está na moda o tal do crossfit ou do treinamento funcional. Realmente é sensacional e pra muitas pessoas que estão já num nível um pouco mais alto na escalada, tem feito uma grande diferença, praticamente eliminando a necessidade (eu disse praticamente mas não exlcuindo totalmente) de treinos de escalada como subir vias ou fazer boulders em ginásios. Você acaba ficando forte por inteiro, fortalece ombros, cotovelos, peitos, costas, joelhos, e fica bem menos suscetível a lesões. E como faz bastante aeróbico, vc acaba mantendo o peso controladamente baixo, o que também é melhor ainda pra evitar lesões. Se você não pode pagar pelo treinamento funcional, faça travessias no boulder cada vez mais difíceis pra ganhar resistência, a ponto de ficar cada vez mais cansado com menos tempo, mesmo você estando mais forte. Agora, se você está voltando de lesão, antes de voltar a se pendurar, FORTALEÇA. Quando você fica muito tempo parado, seus tendões definham e se você voltar querendo alcançar afobadamente seu nível de quando parou, vai ficar tendo lesão atrás de lesão, vai por mim. Por isso, é importante que sare bem e depois faça um fortalecimento por semanas seja com bolinha, com massagem, elástico, aí vai de cada um, antes de voltar. Abdominais suspenso também são sensacionais pra desenvolver sua tensão corporal tão importante. Concilie a corrida e 300 abdominais suspensos e veja os resultados. Sem raízes brancas, ligue já!.  E se você não tem onde treinar, não pode pagar academia, muros com pedras são excelentes alternativas, normalmente são dificeis, com muitos regletes, e é um treino excelente. Quando a polícia chegar é só explicar que você está fazendo boulder e que aquele pó branco não tem nada de suspeito. (sugiro pedir autorização para o porteiro/dono da casa. Se ele não der, aí vc escala mesmo assim e ainda com aquele gostinho da aventura e do proibido kkkkk)

Quem não tem academia...

Quem não tem academia…

Faça a Pirâmide

Apesar de termos poucas vias, no longo prazo com todas as viagens que você vai fazer você conseguirá ir fortalecendo a base da sua pirâmide. Mas o que é isso? É assim, você só tenta um sexto grau, depois de ter mandado 10 quintos. Só entra num sétimo, depois de ter mandado 15 quintos e 10 sextos. Só entra num 7b, depois de ter mandado 5 7a´s e 15 sextos. E por aí vai. Dessa forma você vai adquirindo experiência, solidez e confiança na sua escalada. Se não vc fica sendo aquele cara que manda um 7c decoradinho com maestria, mas escala horrívelmente se atrapalhando todo, bufando como se tivesse num nono, um quinto grau que era pra você estar aquecendo. E isso acontece mesmo viu! também conhecido como Vergonha alheia. Adaptando pra nossa realidade, você só entra em sétimos depois que estiver guiando sextos, porque também não da pra exigir que você entre em 10 sextos que muitas vezes somando quintos e sextos nem tem isso de via na maioria das falésias! No Acre inteiro por exemplo não tem nenhum! Tenha bom senso, Se só tem um sétimo pra escalar, tudo bem, escale o sétimo, mas se você está num pico novo e você não tem tantos quintos ou sextos (ou sétimos, sei lá, a base da sua pirâmide) de preferência para fazer o maior número de vias possível. Isso te garante ampliar seu repertório de movimentos e você precisará de menos força bruta pra conseguir mandar as vias mais duras. 

Piramide com base larga é melhor, o ideal é que com o tempo vá virando um quadrado, montado de baixo pra cima claro

Cada quadrado é uma via que você mandou. Piramide com base larga é melhor, o ideal é que com o tempo vá virando um quadrado, montado de baixo pra cima claro. 

Malhe Vias.

Normalmente os atletas de ponta aquecem num oitavo, nono grau depois vão malhar seus projetos de décimo, ônzimo. E ficam nessa via até mandar. Não raro a gente ouve falar que o cara entrou 27 vezes numa via até mandar. O Chris Sharma tentou 99 vezes aquela via sobre o mar num arco em Mallorca, lembra? A via era a El Pontas e tinha um bote insano. Ele já mandava 12a brasileiro e mesmo assim demorou 99 pegas pra mandar o 12b. O Adam Ondra também deu não sei quantos tentos na “La Dura Dura” ou “The change” e isso pq ele ja mandava 11b a vista na época (hoje ele já mandou 3 11c´s a vista). Isso que é determinação! Isso é importante pois cria objetivos e faz com que você tenha uma meta a ser alcançada. Mantém a motivação em alta e sustenta saudavelmente o músculo mais importante pra escalada: o Cérebro. Se vc não mandar, não tem problema, no fundo no fundo vc sabe que tudo é treino né? É bom também que você se acostuma com o processo, que é a parte mais demorada, e não com a conquista que é instantânea e logo você já está pensando qual será a próxima. É claro que se no seu projeto você não consegue nem sair do chão, é mais prudente que você escolha um projeto mais factível, e faça a tão falada pirâmide. Mas se sua pirâmide tem uma boa base, já deu 27 pegas no seu projeto? 

Dê tudo pra mandar seus projetos!

Dê tudo pra mandar seus projetos!

Repita vias.

Lá na gringa, com os picos de 3.000 vias, você mandou um 7a, não tem razao nenhuma pra repetir enquanto você não mandar os outros 250 7a´s, e mesmo depois disso, é pra você começar a mandar os 250 7b´s e por aí vai. Aqui não tem isso, então uma maneira interessante de treinar no quintal de casa é ocasionalmente repetir vias. Mas procure dilapidar a sua escalada na via para que possa executa-la com maestria fazendo o mínimo de esforço e o máximo de técnica possível (ou seja, escale bonito). É bom pra você saber como está o seu nível, é divertido, acaba sendo um bom aquecimento ou mesmo treino, e sabe como é, o importante é estar escalando não é mesmo? Mas também não vá cair no círculo vicioso de ficar repetindo sempre as mesmas vias pra sempre. Quando eu comecei a escalar tinha um escalador “fodão” que SEMPRE mandava as mesmas vias, a gente pagava um pau, mas depois de um tempo começamos a nos perguntar porque nunca tínhamos visto ele entrar nas outras vias no pico no mesmo grau. As vezes ele gostava muito daquela, ou as vezes ele tinha desencanado do processo de descobrir, tomar espanco e evoluir nas outras. Com o tempo aquele cara foi se afastando da escalada. Nunca vou saber se foi por falta de motivação ou porque casou rsrsrs

Viaje.

Com um background arenistico no quintal de casa, lembro como sofri a primeira vez no granito de Andradas. JESUUUUUISSSS!!!! Fazia força de sétimo grau (que eu nem mandava na época) em quartos de aderência. Adquiri tantos “experience points” que ganhei um level up no trabalho de pés. Granito é bom pra isso né?! (e só pra isso). Aí fiz parede e aprendi o foco necessário quando não se vê a última costura e é preciso entrar num lance que você não tem certeza que vai mandar. Quando voltei, guiar as vias esportivas “esticadas” era mamão com açúcar! E percebi que fazia muito menos força nas vias pois movia melhor os pés e me posicionava mais adequadamente economizando energia naturalmente. Quando fui pro Cipó me apaixonei pelo calcário, era essa a resposta que eu procurava ao “porquê eu escalo” e achei meu estilo, o lugar mágico e a rocha com agarras benevolentes porém não menos difícil. Voltei pra casa determiando a treinar, ficar forte, fazer a lição de casa e voltar pro Cipó pra mandar os projetos e pendências e me divertir horrores. É bom também porquê você conhece outras realidades, outras “éticas locais”, gente que manda muito mais que você, gente que manda menos que você e você descobre que tamo todo mundo junto no mesmo barco. Eventualmente seus amigos novos virão escalar contigo no seu quintal e você poderá sempre encontrá-los quando voltar, e até mesmo fazer a maior festa quando ambos estiverem escalando “fora de casa”. As vezes você terá casa cheia, e outras vezes não vai precisar pagar camping, hostel e conhecerá a hospitalidade de cada estado com guias locais que são seus parças.

Beto e Eu Tietando a Melissa Le Neve, super simpática!

Beto e Eu Tietando a Melissa Le Neve, super simpática!

Socialize.

É mais um adendo do tópico anterior, mas quando você chega num pico com seu brother, entra quieto e sai calado, você perde a oportunidade de conhecer técnicas novas, novos equipamentos, detalhes sobre as vias que você nunca imaginaria (que uma via tem uma continuação linda que não aparece no croqui – ainda mais com a maioria dos croquis que tem por aí que venhamos e convenhamos né? – ou que tem marimbondo) e pode trocar muita informação sobre novos lugares pra escalar, novas vias, betas de lugares mais baratos pra ficar. Mas só por isso você não mereceria a socialização. Também tem que ser espontâneo e não por interesse! Oferecer seg é uma ótima maneira de quebrar o gelo. Bolacha com café preto, vish, os nego vem que nem abelha no mel! hahaha Né Mel? haha Os mineiros adoram uma cachaça, Sulistas não largam o Chimarrão, enfim, essa troca de culturas é saudável para sua vida como um todo, não só para a sua escalada!

Escale a vista.

Como temos tããão poucas vias nos picos, é valiosíssima sua primeira entrada! A menos que você tenha em mente REALMENTE e com convicção que quer mandar seu primeiro 7b em flash, dê o primeiro pega a vista. Você aprende as malícias de pensar rápido nos momentos mais tensos, as estratégias para esse tipo de escalada, acaba ficando mais esperto e aprende a escalar a via do melhor jeito para o seu corpo, com o seu background, sem estar sugestionado a fazer de determinada maneira. Você acaba lembrando muito mais a sequência de agarras para um eventual segundo pega e incorpora com muito mais naturalidade a nova gama de movimentos que essa via te ensinou. (é bom também pq ninguém pode falar que você roubou porque usou aquela agarra meio metro pra direita da chapa sem magnésio que facilitou muito sua vida, sendo que a via inteira era pela esquerda). No começo pode parecer meio difícil, mas depois que a mágica acontece… ahhh… aí a mágica acontece 😉 .  Com relação ao tanto que  o a vista te ensina e te faz evoluir, dizem que a escalada a vista está para a escalada com os betas, assim como a escalada guiada está para o top rope. (eu digo isso) Da mesma maneira, NÃO dê betas indesejados se as pessoas não pedirem! Uma vez tinha uma australiana chamada Naomi escalando no cuscuzeiro. Quando passei embaixo dela gritei: É pela esquerda a via viu?! Ela olhou pra baixo com o zoião arregalado e exclamou: EXCUSEME?? Aí eu muito sagaz: Não é com vc não, é com o cara na via da esquerda! kkkkkk Quem preza pela escalada a vista DETESTA beta e uma dica que você der pode transformar uma cadena extrema da pessoa a vista num flash (o quê da muito menos pontos no 8a.nu também). E por falar em 8a.nu, um 7b a vista te da mais pontos que um 8a malhado, pense nisso! Enfim, apesar de ter muita gente por aí beteiro pra caramba, cada vez cresce mais o número de praticantes da escalada a vista, e você poderia ser um deles!

Escale vendado.

É ótimo para você treinar sua concentração, seu trabalho de pés, sua estratégia, enfim, é só vantagem! Experimente um dia e você vai se divertir horrores enquanto treina! Não precisa entrar num oitavo grau exposto, pode ser uma via que você já conhece na academia ou mesmo na rocha. O exercício de não poder ver e ter que ir tateando é ótimo! E as blocadas isométricas (aquelas que você faz quando começa o movimento e trava no meio enquanto com a outra mão vai tateando buscando uma agarra) são um excelente treino!

Depois da escalada Onsight, Escalada OnBlind hehehe

Depois da escalada Onsight, Escalada OnBlind hehehe

Escale com quem escala mais/há mais tempo que você.

Recentemente teve uma puta polêmica na Climbing porque um cara escreveu uma matéria alegando que o problema do lixo, bagunça e consequente fechamento dos picos é porquê os “zé ruela de academia” (SIC) vão pra rocha sem saber como se comportar no ambiente natural. Acho que nesse comentário ele errou feio errou rude, pois no meio da discussão lançaram um contraponto excelente: Se 10% da população é idiota, é natural que 10% dos escaladores também sejam. Então a culpa é da sociedade e não das academias. Nem vou entrar nessa discussão pq acho que não é o foco deste post. O que eu quero ressaltar é que ir pro pico acompanhado de alguém que já tem experiência na rocha te deixa mais seguro e comete menos gafes naturais de primeira vez como em todos os lugares. Ele pode te mostrar onde é o melhor lugar para o número 2, quais são as melhores vias, quais você deve evitar dependendo do seu grau, ou te botar numa bela roubada porque ele confia no seu potencial e que você nunca entraria e acaba adorando. Mas onde eu quero chegar é que você pode aprender muito com esse brother/tutor. Quando eu estive em Arco na Itália, aprendi tanta coisa com meus padrinhos da escalada, o Birão e a Dani, que até hoje propago esses métodos tão eficientes que se tornaram TOC e muita gente já os pegou de mim para seu benefício próprio. Exemplos práticos são: Se encordar ANTES de colocar aquela sapatilha 5 números menor que seu pé que você nem a suporta direito durante a escalada muito menos em pé, no chão, enquanto se encorda. Tirar a poeira da sola da sapatilha com a palma da mão antes de calçá-la pode ser a diferença entre mandar e não mandar uma via com pezinhos delicados. Tirar a LAMA da sapatilha é respeito ao próximo pois as agarras de pé logo serão agarras de mão. Não dar seg de sapatilha pra não fuder a sapata que independente do seu nível financeiro, não foi barata. Respirar no meio do Crux, costurar com o braço esticado em posição relaxada, enfim, tanta coisa que sinceramente dava pra fazer um post só em homenagem a esse casal que hoje mora em Bragança. Mas também tenha parcimônia, não foi meu caso, mas muita gente da “antiga” tem vícios terríveis como dar seg nos dois pontos da cadeirinha e não no looping como manda o manual de qualquer freio ou cadeirinha. Invariavelmente, se as pessoas com quem você escala são mais fortes, vai sobrar pra você limpar vias acima do seu nível garantindo inestimável aprendizado, ou ter várias vias no seu grau equipadas pra você entrar tranquilo que se você não mandar tem alguém que manda, (mas que você vai acabar mandando e se não mandar pelo menos terminar pela dignidade kkkkkkkkkk) garantindo grande evolução. É aqui que você pode praticar exponencialmente aquela parte do “Malhe vias”.

Escalando com quem tem mais experiência você aprende muito! (Mas cuidado com os vícios errados!)

Escalando com quem tem mais experiência você aprende muito! Mas cuidado com os vícios errados! (Dou seg em troca de comida diz o cartaz em inglês.)

Espalhe a palavra. 

Quando eu comecei a escalar, achava que todo mundo gostaria de escalar também só não o fazia por falta de oportunidade. Qual não foi minha decepção quando descobri que a escalada não é pra todo mundo. Mas quando te procurarem, quando ver gente nova querendo ir pra rocha, leve e faça a funça do tutor. Pra ver se ninguém faz nenhum procedimento errado, não desrespeita a ética local – ou seja, pra ver se ninguém mija fora do pinico – e também para garantir que essas pessoas terão uma experiência agradável e não tomem um grande espanco, traumatizem e parem de escalar. Não é porquê ninguém queria te levar pra rocha no começo que você precisa passar pra frente a gentileza. Mas também não tire a experiência da aventura de ninguém, seja ponderado. Muitas vezes os iniciantes precisam mesmo de um toprope em sua primeira ida à rocha pra aclimatar com a falta de adesivos nas agarras. Mas também não deixe acostumar hehehe Depois, uma via equipada e com a primeira passada é uma ótima motivação pra pessoa começar a guiar (Já era negão, segunda vez na rocha não tem Top mais! Olha o bullying que eu falei la no começo kkkkk). Não esquece de falar sobre o silêncio, comportamento e o respeito em ambientes naturais, mínimo impacto, etiqueta (tipo nunca escalar de sapatilha clara com meia preta – aliás, com meia nenhuma!). Todo mundo vai falar que já sabia, mas você não pode falar que não avisou! Tem gente preocupada que tem muitos escaladores novos pra poucas vias, mas quanto mais pessoas começarem, conhecerem a escalada, maiores as chances de amanhã encontrarmos um pico alucinante e o dono já conhecer a escalada e liberar o acesso numa boa. Sonho meuu… sonho meuu….

Não dê ouvidos ao Tribunal de Pedra. Mas tenha humildade pra ouvir conselhos.

Muita gente vai tentar dizer o que você deve fazer ou deixar de fazer. Cobre-se sempre, esteja sempre em evolução porque isso não é uma imposição, é praticamente a definição do nosso esporte. Mas só você mesmo conhece seus limites, sua velocidade de aprendizado e sua rotina e dedicação. É bom quando as pessoas tiram a gente da zona de conforto, mas também tem os chatos de plantão. Sempre alguém vai decotar a via que você demorou dois meses pra mandar, e sempre vai ter gente achando que sua luxação no tornozelo porque caiu errado antes de costurar a primeira chapa de uma via mau grampeada é puro mimimi. Saiba ouvir pois muitas orientações boas podem vir das pessoas, mas saiba filtrar porquê as vezes aquilo pode não funcionar pra você.

Bem, espero que tenham gostado dessas dicas baseadas na realidade sociológica e geográfica de nossa escalada. Todos os gringos que vem pra ca concordam que somos escaladores muito sociáveis, até demais, e muitas vezes até deixamos de lado a escalada pra fazer social. Faz parte da nossa realidade, é importante que nos adaptemos mas também é importante não esquecer que devemos seguir o caminho do meio: Treinar duro mas não esquecer que existe vida além da escalada. De um outro ponto de vista é importante socializar mas também não vamos esquecer de escalar, treinar, evoluir que esse é o objetivo hehehe Enfim, espero que estas dicas ajudem e se você tem alguma dica útil posta aí que eu adiciono como Update!

Retomando as atividades

O Link para as outras no final...

O Link para as outras no final…

Ninguém gosta de ficar parado né? Tipo, ninguém que escala e tem essa atividade proativa de sempre estar peenchendo seu tempo com atividades sejam elas físicas ou intelectuais que de alguma maneira agreguem algum conteúdo na vida e no desenvolvimento da pessoa não é mesmo? Bem, menos aquele seu primo que não escala e que compra a camisa original do Parmera, só toma cerveja, assiste big brother e vai em micareta não é? Ontem vi um vídeo do Cauê Moura no Desce a Letra que define muito bem algumas sensações que eu tenho cotidianamente. Ele diz que a Ignorância é uma benção. Porque outro motivo tem tanta gente alienada ouvindo musica ruim, estragando sua saúde gratuitamente, assistindo programas sensacionalistas com conteúdo violento fascista e achando tudo aquilo ótimo? Aquela História de que quem gosta de osso é cachorro, é pq nunca deu uma picanha (nem precisa tanto, uma pelinha de frango já funciona) pra ele. Mas enfim… Ficar sem escalar é um martírio, e é até cedo pra usar a palavra “voltando”, mas essa semana comecei um treinamento na Academia onde Isabeto já vem treinando há mais de 6 meses com garantia de sucesso e de cadenas insuperáveis. Nesse tempo o beto mandou a Tomara que seje, 10a, Caixa de Pandora 9b, a Pequena Grande Obsessão 8c e no último fds ele mandou a Xeque-Mate 8c. A Isa também vem mostrando ótima evolução com cadenas de sétimos gordos e no último fds ela mandou a Cactus Now, 7c no cuscuzeiro, via que eu tenho pânico de entrar hehehe

Enfim, comecei a fazer os treinamentos na Academia VIDA aqui em São Carlos de terça e quinta, e na Quarta Pilates na Equilíbrio Corporal  da minha amiga Simoni, que também está começando a escalar e apresentando progresso animador. E pra mim chega de moleza e de mimimi que agora quero voltar a escalar sem medo de ser feliz. Nem é preciso ir tão longe, escalar sem medo aqui no cusco pra mim ja tava de bom tamanho! Chega de ter medo de lesões. Ficar parado é foda pq aí qdo vai voltar, e depois de ter se re-lesionado várias vezes, fica mó cagão achando que um espirro vai inflamar seu tendão de novo. Aí vc fica cada vez mais parado, e atrofia todo o resto e qdo vai escalar tem que compensar, faz mais força no tendão, está mais pesado, enfim.. um circulo vicioso do qual essas duas atividades irão me ajudar a sair

Mas enfim, feriado chegando, muita gente indo escalar… Tive um insight tardio sobre o Croqui de Arcos, comecei Voltei a edita-lo mas não a tempo do pessoal que vai pra Arcos poder leva-lo… mas com certeza a tempo de utiliza-lo no fim do ano 🙂 Eu estava precisando mesmo dar uma desconectada do Croqui do Cusco pq tava meio saturado de só fazer isso a semana inteira, chega uma hora que acaba não rendendo mais!!

Enfim, dei uma adiantada no guia, quem sabe semana que vem não ta pronto? hahaha Não prometo nada, preciso pedir pro Alexsandro de Divinópolis que me passou bastante material, atualizações que to ligado que pipocaram várias vias novas por lá desde agosto.

E deixa eu colocar um vídeo aqui antes que aquele outro Blog Socialista de Esquerda venha furar meu zóio! Este que é um dos destaques da semana: Dani Andrada, sim ele! O Máquina, abridor de vias, inspiração para nomes de via como “Eu não sou Dani Andrada mas quero tentar” (não, ainda nao batizamos uma com esse nome). Tinha rolado um teaser desse curta umas semanas atrás e agora saiu na íntegra! Massa demais, daqui a pouco sai a avaliação no melhor estilo “VEJA O REVIEW DA PROPAGANDA DE CHICLETES QUE O ALEX HONNOLD FEZ PARA UMA EMPRESA DA COSTA RICA INSULAR”  hahahaha “me parto” 😀 Confesso que eu ainda não vi… “Mas a minha mulher viu falou que é muito bom, ma oeeeee

E já que o mote do post de hj é a retomada de atividades, que tal retomar as charadas? SIM!!!

Como assim mano?

Como assim mano?

E sob a temática do feriado, quem não for escalar meu pêsames, desejo um bom almoço com a sogra, os sogros e aquele tiozão cheio de contar história (o meu pelo menos é mto foda, meu herói! hahaha). Mas calma, que nem tudo são flores no reino da dinamarca, então, entre a plantação de uma mudinha de abobrinha na sua hortinha orgânica e o regar de sua plantação de hortelã e agrião para consumo próprio, que tal dar um uso decente praquela sua corda de escalada que está encostada? Hein!? É… assim segunda feira vc nao poderá dizer que seus equipamentos de escalada são seu “Kit-Mentira”  e poderá dizer que usou sua corda no feriado. Olha que legal que você pode fazer com ela!

Bom, essa semana foi fraca de vídeos (ou eu que trabalhei demais e não os vi) então fico por aqui. Quem sabe a partir de agora eu não volto a postar fotos de escalada de verdade? (que tá foda ultimamente!)

Deixo com vc´s algumas fotos que bombaram mais que videos essa semana e umas 5 pessoas lembraram de mim (GRATO, por esse motivo lembrem sempre! B-) ) que são algumas fotos do Dean Fidelman, responsável pelo seu calendário Stone Nudes. Sem mais para o momento… Enjoy.

http://www.supertopo.com/climbing/thread.php?topic_id=2267256

PS – O Gera (de Pira) pediu pra avisar que ficou com ele sem querer um mosquetão da parada de uma via em itaqueri…(nao vou dizer qual). Semana que vem ele jura que devolve!

Videos de Criança

Essa é a Mãe da Brooke Raboutou!

Essa é a Mãe da Brooke Raboutou!

Eu preciso começar agradecendo aos coleguinhas que comentam no blog. É tão legal! 8-P Valeu galera, comentem sempre que é mó da hora ver a repercussão do que eu escrevo! Tipo, eu vou escrever sempre, mas com o feedback da galera, da mais vontade de postar com mais frequência. 🙂

Bom e agora vamos ao que viemos!

Motivado pela criançada que veio escalar com a gente na cda semana passada, vou colocar vídeos dos pequenos pimpolhos fazendo aquele seu projeto de 8b parecer brincadeira de criança. Literalmente.

E já que os pequenos são a bola da vez, confira o filho do Escritor do famoso livro de auto-ajuda de treinamento: How to climb 5.12, o Eric J. Hörst. O muleque manda um 10c, desce e ao ser perguntado: E aí mano? Que tal ter mandado 10c? E ele: ah, sei lá. Não tenho nada pra falar. Bem antipático na real, quase que nao coloco, mas, ok, taí..

Continuando os pequenos rebentos destituídos de peso e limitações, Ashima Shiraishi mandando dois onzimos no mesmo pico do muleque aí de cima.

E a principal concorrente da Ashima é a Brooke Raboutou, que tem quase a mesma idade, talvez um pouco mais. A miss simpatia em pessoa, das tres é a que parece mais uma criança “normal”. Mostremos então o treino dela, a pequena de o que? 10 ou 12 anos que já mandou mais do que vc terá mandando em toda sua vida hehehe

E já que o assunto é treino, vamos para essa série de 2 vídeos do treinamento do James Pearson que vem ganhando minha simpatia ultimamente. Muito interessantes os vídeos, pois ele mostra como treinar resista e força. Quem sabe assim vc treinando não chega no nível dessa criançada? É só deixar o controle remoto e a nutella de lado e ir treinar que maravilhas podem acontecer!

E essa semana também rolou um PUUUUTA treino daqueles que se qqer um tentar fazer de primeira vai ter tendinites múltiplas pro resto da vida (e algum espanhol vai cagar na porta da sua casa). Mas é legal a título de curiosidade hehehe O cara começa o video bem humilde mas fala umas contradições que podem gerar polemica, como quando ele fala que nao se da muito bem com trabalho de pés, e por isso ficar forte pra ele resolveu. Ou então quando fala das coisas hard que ele fez e cita um boulder na academia. WHAT? Ele faz o 9×1 que é pular 9 barras no campus board. IN-SA-NO. É tipo o Tony Hawk fazer o 900… ta ok, com muito menos glamour, mas ainda assim, foda pra caralhO!

E deu por hoje… Fui!

A Ashima e a Brooke juntas lendo o blog do Genja no celular... ;)

A Ashima e a Brooke juntas lendo o blog do Genja no celular… 😉

 

Vídeos de escalada para todos os gostos

Andrea Cartas é tipo a Janine Cardoso na espanha ;)

Andrea Cartas é tipo a Janine Cardoso na espanha 😉

Bom, vou colocar rapidinho uns vídeos que eu estou acumulando aqui ha alguns dias, todo mundo gosta dos videos, das fotos, então ninguém vai sentir falta do gerador aleatório de blá-blá-blá do Genja hehehe  E preciso por estes vídeos porque ja estamos todos comentando sobre eles, e se vc não os viu, e provavelmente não os viu porque foi escalar no carnaval e não ficou no computador Twitando ou foi pq Bebeste. Anyway, se vc nao viu vai ficar boiando…

E já que viemos em ritmo de (festa, ma oee) carnaval, um vídeo bem fanfarroneado de um polonês escalando na Espanha e mandando tutooo um 8c+ em Oliana, a nova falésia da moda esportiva mundial.  LE PONN PUCHEEEEEEEE

E só porque eu sou fã dos italianos, vai esse de boulder: Christian Core, um dos escaladores boulderistas mais fortes do mundo malhando o que pode vir a ser o primeiro V17 do mundo, um 9A de boulder. Patrocinado pela melhor marca de sapatilhas da face da terra: SCARPA! A-d-o-r-o! (Né Ives?)

E falando em Scarpa, vai aí um videozinho curto de uma dessas feiras de artigos outdoor que tem realmente artigos outdoor e não bolsas Louis Vutton camufladas para o público “madame-paulistana-que-vai-ao-sítio-em-Atibaia-na-semana-santa”. Mas O Foco do vídeo é o cara da Scarpa falando sobre a a linha Instinct, que eu tanto adoro, e sobre o novo lançamento da nova Instinct de Velcro. (SHUT UP AND TAKE MY MONEY)

Bom, e se você voltou do carnaval animado pra treinar,(se não procure um psicólogo) vai aí um vídeo de treino bem legal do Sean MColl mostrando como esmirilhar seus tendões em apenas uma sessão de treino 😉

[update] Tava esquecendo do vídeo da Andrea Cartas, que mandou seu segundo 8c (11a Br) na espanha recentemente. Neste vídeo aparece ela mandando o primeiro, White Zombie, na gruta de Baltzola, no país Basco. Tem o da segunda cadena tbm por aí, mas nao ta la grandes coisas entao nem salvei.

Todo mundo sabe que eu pago maior pau pro Cedar Wright. E nem é porque ele escala tudo isso não, é mais porque ele faz as coisas muito bem feitas (música, vídeos, edições, e até mesmo algumas escaladas). É um cara bem “multifacetado” do tipo que lava, passa, cozinha, lava louça e ainda põe o lixo na rua hehehehe Vídeos dele são na maioria das vezes sinônimo de coisa nova. Destaque para o cachorro giroletando no ar em Slowmotion (acho que a melhor parte do video hehe)

E se você vai fazer um vídeo de boulder, que já é chato, que tal usar a criatividade pra fazer uma coisa grandiosa? Mano, olha que legal o que esse casal conseguiu fazer com poucos minutos de cenas de boulder (também, qualquer vídeo de boulder com mais que isso é bom pra por as crianças na cama). Destaque para o casal Instinct, ela de Sliper e ele de Laces. Please Scarpa, send me the new Instinct VS to try and say good things about it! Grazzie! Detalhe também para o momento igual daquela via de itaqueri entre a motor de lancha e a sinos do barão. (Só os fortes entenderão)

Na sequência, um excelente vídeo Brasileiro que superou minhas expectativas: NO ROPES NO BOLTS. Do Felipe Dallorto e da Flavia dos Anjos. Muito legal a produção, peca um pouco pela falta de FullHD (só esta em 460 no youtoba). Mas o vídeo é legal e prende bem a atenção, os 40 minutos passam rapidão. Fizeram um video muito legal com não tanta escalada assim, aproveitaram do lugar, da historia, das vias, dos locais, ou seja, tudo muito bem encaixado. Legal! Só a parte que eles vão para o GRIT-ISHHTONE no meio que ficou estranho, pois eu esperava que ia ser metade metade, mas quando o filme volta a mostrar Mallorca eles entretêm tanto que nem dá nada!

E no final mas não por último: este vídeo sobre uns russos que vão fazer um bigwall pela primeira vez em yosemite. É interessante de ver os perestroikas treinando com shortinho da copa de 70 em Utah e depois fazendo dedicatoria pra namorada… é outro jeito de ver nossa mesma escalada 🙂

Agora sim, pra finalizar, não podia faltar a alfinetada do dia. O vídeo que TODO BRASILEIRO DEVE VER: Muito Além do peso. Mostrando o lado GORDO da moeda dos alimentos gordurosos e cheios de açucar. Mostra a determinação das crianças em querer emagrecer – em alguns casos – ou de fazer birra e os tontos dos pais darem tudo que ela quer até ela explodir de gorda. É o que eu sempre falo, o problema não é a pessoa ser gorda, o problema é ela comer que nem uma filha da puta pra curar a ansiedade, e depois não fazer exercicio, nem um esporte, e reclamar que a vida é injusta. Um atenuante é que ninguém é obrigado a saber que essas merdas tão gostosas que a gente come fazem tão mal, faz parte da cultura de um povo a questão da cultura alimentar, e no nosso país estamos perdendo isso: Tanto por pais que dão tudo o que os filhos querem e tem preguiça de cozinhar e fazer comida de verdade, quanto da propaganda que vende essas porcarias como se fossem obrigatórias para vc ser uma pessoa normal, iludindo quem não tem senso crítico suficiente para poder discernir entre o que é bom realmente e o que é veneno que ela está ingerindo. Lamentável! Depois vai escalar não sai do chão não sabe porquê?!

É um documentário de mais de 1h, então põe aí nos favoritos e assista amanhã a noite quando você chegar em casa E come um miojo com nuggets

Bom, e chega por hoje pois apesar de eu ter sido sucinto, tem video pacarai. Bom finde, e até a semana com a segunda parte do Artigo sobre móveis! Dessa vez falando sobre cadeiras de balanço e criados mudos. kkkkkkk

Perca o medo de Cair – Parte 5 (aplicando na vida Real)

Vai aprender a bater asas ou ficar aí com medinho?

Vai aprender a bater asas ou ficar aí com medinho?

Provavelmente ao ir progredindo através das etapas, ou pelo menos ao final delas (detalhadas no post anterior), você já vai estar com confiança no sistema e muito mais à vontade para escalar forte com a chapa pra baixo do pé, além de seu medo de cair ter diminuido bastante. Talvez ele nunca desapareça completamente, mas ele pode ser administrado. O próximo passo é escalar uma via esportiva na rocha que te desafie fisicamente.  Escolha uma que tenha boas proteções (bolts/chapas novas) e que não tenha tantos esticões entre elas.  Você pode até fazer o clipa-e-cai numa via na rocha. Novamente, escolha sua via com parcimônia e faça a checagem pré-vôo: Cheque nós, o seg, gatilhos e roscas de mosquetões e até mesmo sente-se ao chegar na primeira chapa se quiser. 

Cuidado: Escalada esportiva é relativamente segura, ainda que o ato de cair não tem uma garantia de 100% de certeza que nada vai acontecer. Siga seus instintos e não despreze o medo racional.” Adrian Berry em Sport Climbing+

Não faça o Clipa-e-cai em vias móveis. É perigoso e além disso vai erodir a rocha no local da colocação da peça móvel. As novas técnicas mentais que você aprendeu com o Clipa e Cai podem lhe ajudar muito quando estiver escalando vias móveis em que você deve colocar suas próprias proteções. Você pode ficar mais confiante e pode relaxar mais, o que fará com que você escale melhor e possa focar em medos racionais – como a colocação da proteção, a qualidade da proteção e o perigo potencial caso você caia. Cair em vias móveis é uma proposta totalmente diferente do que cair em vias esportivas grampeadas. As peças que você coloca podem ser precárias e a linha de queda potencialmente perigosa. Ocasionalmente em vias móveis de uma enfiada, até mesmo na parte mais alta da via pode ser que haja apenas uma peça móvel que esteja bomba o suficiente entre você e o chão, será que ela segura?

Tem gente que abandona camalot por anos na rocha e depois fica: My preciousssss.....

Tem gente que abandona camalot por anos na rocha e depois fica: My preciousssss…..

Treino de quedas na Rocha

Alguns guias e instrutores fazem o treino de quedas com seus clientes. Aqui Alan Carne (www.alanduverdon.com), um guia certificado  (Brevet d’Etat Escalade) que mora num dos picos mais bonitos de escalada do mundo chamado Gorges du Verdon, na França, nos mostra como ele faz esses treinos na rocha.

Aulas de vôo – ou treino de quedas no Gorges du Verdon

Antes de começar qualquer prática de quedas na rocha, é vital que se faça um aquecimento. Isso já lhe prepara para o dia e começa com a caminhada de aproximação no frescor da manhã ou no começo da tarde. Concentrar-se em respirar bem ajuda a manter-se calmo no preparo para o que muitos podem sentir como se fosse o mesmo que “Andar na Prancha”.

Quando eu estou tentando ajudar um escalador a ficar mais a vontade com a sensanção de cair e superar seu medo de perder o controle, eu escolho falésias pequenas e calmas com a opção de vias limpas e bem protegidas.

Nós começamos com um aquecimento sutil, guiando ou de Top Rope, só para melhorar a cordenação, a respiração e para preparar emocionalmente através do estreitamento dos laços de confiança no equipamento e no Seg. As escaladas não devem ser muito difíceis, não extremas e a cabeça do escalador deve estar quieta e focada.

Com um Top Rope armado podemos começar com algumas quedinhas de Top. No começo só com o esticar da corda e depois gradativamente ir adicionando Seg dinâmica e a sensação de queda livre. Como estamos tentando aumentar a confiança no Seg, é muito importante resistir e não dizer: RETESA!

Durante uma sessão de treino de quedas eu gosto de testar a ligação entre o escalador e o seg.

Ambos devem sentir-se ligados pela corda e o escalador deve sentir-se encorajado e seguido pelo seg. Essa é obviamente a essência da Segurança Dinâmica – O seg literalmente segue o escalador durante a queda e o assegura.

A comunicação é importante mas não é simplesmente uma questão de gritar “Kamon”, “Venga” ou “Tô contigo!” toda hora. Isso só serve pra atrapalhar o foco e a concentração do escalador. O Seg deve tentar sentir e acompanhar a escalada e encorajar o escalador naqueles momentos de hesitação ou maior intensidade durante a escalada.

O Seg não é simplesmente um Gri-Gri móvel passivo, mas uma parte ativa e essencial no empenho de perder o medo de cair.”

Uma vez confiante em tomar quedas dinâmicas de Top Rope, mudamos para pequenas quedas guiando em vias levemente negativas com a chapa na altura da cintura, indo trabalhando gradualmente até conseguir pular com a chapa na altura dos pés.

As quedas devem ser dinâmicas e feitas com no mínimo 10m de corda entre o escalador e o seg, com várias costuras clipadas.

Treinos para quedas maiores ou onde a chapa está pra baixo do pé deve ser feito em rocha ainda mais negativa, mas só quando o seg estiver mestre na seg dinâmica.

Com rocha mais negativa vem uma sensação maior de exposição então pode ser uma boa idéia começar o treino de quedas com a costura na altura do peito e ir trabalhando até as quedas com a chapa pra baixo do pé.

O verdon... É LINDXU!

O verdon… É LINDXU!

Uma vez acostumado com pequenas quedas, eu tento escolher vias mais exigentes ou movimentos delicados perto da próxima chapa com uma grande chance do escalador cair. Quando eu faço isso eu encorajo o escalador a se concentrar e a continuar escalando, deixando claro que eu estou com ele prestando atenção em cada move, sempre pronto para dar uma seg dinâmica caso eles caiam.

Ainda que eu tenha destacado tanto a importância da Seg dinâmica, nem sempre é uma boa atitude quando estamos escalando na rocha. Cair durante uma escalada na rocha é coisa séria e requer concentração e dedicação tanto do escalador quanto do seg e não é apenas um treininho de “pular na corda”.

As consequências de uma queda podem ser sérias.

Os parceiros de escalada devem usar seu julgamento e estar cientes de vias com “zonas de pouso” perigosas ou quedas perigosas em que é mais negócio desescalar que tomar uma queda. O Seg deve estar a par de tudo isso e agir conforme a situação. As vezes é melhor dar um passo para trás ou retesar uma barriga de corda se o escalador corre o risco de bater no chão (ou em um platô no meio da via).

Uma vez que o escalador estiver acostumado a tomar voadas seguras em pequenas falésias esportivas o próximo passo é aumentar ainda mais essa recém-aumentada Zona de conforto para o Gorges du Verdon (famosa por suas vias míticas porém com chapas beeem longes entre si)  propriamente dito. Não é pra qualquer um e pode demorar um pouco e requerer muita experiência para superar o medo irracional de cair na “grande arena”, cheia de exposição.  Transformar os treinos de queda em parte de sua rotina de aquecimento no entanto, vai ajuda-lo a escalar mais relaxado e você irá ficar mais expert na arte de cair e de dar seg quando estiver na rocha de verdade.

Mas tem que tar com a cabeça em dia pra guiar lá!

Mas tem que tar com a cabeça em dia pra guiar lá!

É bom estar ciente dos seguintes aspectos quando faz um treino de quedas na rocha:

  • Tente manter os olhos abertos;
  • Fique mestre na Seg Dinâmica;
  • Não segure a respiração, tente respirar normalmente;
  • Deixe-se cair, não pule para trás, você pode bater contra a rocha.
  • Escolha vias com muitas chapas.
  • Muito cuidado para não fazer o “BackClip” nas costuras (costurar errado no sentido inverso: da corda passando de você para a rocha – errado!)

E é isso! Acaba aqui a Série “Perdendo o Medo de Cair”. Espero que tenha sido proveitoso e que todo mundo de agora em diante largue mão do Top Rope e comece a escalar na ponta da corda – que parafraseando o Beto – é onde a escalada de verdade acontece!

Ta vendo? Escalada de verdade é Guiando! Ou você quer ser um iniciante pra sempre?

Ta vendo? Escalada de verdade é Guiando! Ou você quer ser um iniciante pra sempre?

Eu comecei a pesquisar sobre esse tópico de superar o medo de cair porque vinha mandando alguns projetos, porém, ainda havia alguns em que o que estava me impedindo de mandá-los era o medinho de cair – e esse treino realmente me ajudou. Comecei com as voadas de Top na caixa dágua da Ufscar até que já estava pulando de top com a corda fazendo barriga no meu pé. Aí comecei a tomar umas quedinhas guiando mas com a costura na altura do ombro, e fui subindo, subindo, até que praticamente pulei com a costura na canela. No Clipa-e-Cai consegui fazer em quase todos os gomos da Caixa dágua e muito me surpreendeu gente com mais medo que eu conseguindo fazer em TODOS! Aí na rocha fiz um treino de quedas no final de ano num dia de chuva na Sunday, no Cuscuzeiro, já que eramos os unicos no pico e só tinha essa via seca. Consegui dar “UM DOIS TRÊS SALVE EU!” na chapa de cima e pular com a costura no pé! \o/  E aí fui evoluindo: Entrei pra guiar a WATCH ME que é um 6sup (pra quem não sabe meus projetos giram em torno de 7c-8b) e por SORTE a agarra do crux estava com uma casinha de vespa daquelas que é uma bolinha de barro, ou seja, estava bem menor, e eu tomei uma beeela voada, caindo quase que a via inteira. Ta bom né?! 😛 E fui ficando mais confiante até que no último sábado tirei meu diploma de graduação na arte de domínio mental: Mandei meu famigerado projeto que originou toda esta saga: A extensão da Manga com Leite no Cuscuzeiro: a Leite com Pera!  Entrei equipando, tirei os moves, dei um tempo e no segundo pega já saiu, com a seg do Grigri de ouro do Guilherme! A-hul! A “coisa” dessa via é que ela é muito bem protegida, fui eu mesmo junto com o Beto que equipei ela em 2010 (ou foi 11?), mas na hora de pagar o move e pegar no agarrão pra costurar a próxima, a costura ta no pé e é um move que não da pra desescalar… mas foi legal o processo todo de trabalho mental pra poder mandar essa única via! E fiquei mais feliz ainda que no mesmo dia mandei equipando outra via considerada o terror das cercanias onde morava, a Fly Or Die, via do Alemão que abriu várias ali no cusco como a Manga com leite, a Watch me, let’s go, Denorex, ou seja, proteções no Estilo do Verdon: poucas e espaçadas. Você paga o crux com a chapa bem pra baixo do pé e a próxima ainda demora pra chegar. E mandei essa via muito sólido, tranquilo e focado. Isso sim foi praticamente meu Tcc na graduação do mental game! hahahaha

"Grilherme":  GriGri de Ouro!

“Grilherme”: GriGri de Ouro!

Preparando pra entra no move... Leite com Pera, 7c - Cuscuzeiro

Preparando pra entrar no move… Leite com Pera, 7c – Cuscuzeiro

No meeeio do move...

No meeeio do move…

Pegou no agarrão, costurou, e agora faz o que? PRA CIMA!

Pegou no agarrão, costurou, e agora faz o que? PRA CIMA!

Ah, e antes tarde do que nunca, parabéns para o Ives que cumpriu a promessa e mandou a Sunday Bloody Sunday de primeiro pega sábado! Seu terceiro 7a , segundo do ano… keep up the good work viado!

Bom. Mas tava devendo? kkkkkkk

Bom. Mas tava devendo? kkkkkkk

Valeu galera, amanhã ou depois voltamos com nossa programação normal, tenho milhoes de videos acumulados pra compartilhar!

Ah, e para os curiosos de plantão vou ver se eu coloco em breve os videozinhos da Caixa dágua do Ives voando 4 gomos, do Daniel voando uns 5 ou 6 e da Marina pizzaiola fazendo o Clipa-e-Cai (na cda tbm)..Teria o Ives voando uns 6 ou 7 gomos, mas teve gente que filmou o saco e na hora da voada apertou o botao e parou de filmar  7:/