Caindo na Estrada Parte 2,5/3 (Novo setor em Arcos)

Inaugurando o novo Abrigo Base

Inaugurando o novo Abrigo Base

Tudo muito bom, tudo muito bem, idéia vai idéia vem… aquela coisa, no Cipó tava lindo, mas o plano era tocar pra Arcos domingo a noite e “toquemos”. Fomos direto para estrear o novo “Abrigo Base”, gerenciado em parceria pelo casal Tete/Cintura e Dalva/teco. Da última vez que estivemos lá essa casinha era alugada pelo Cintura e a Tetê pra eles mesmos, de Divinópolis passarem o final de semana em Arcos próximo ao pico, mas agora a casinha tinha virado um abrigo!!

Pudemos estrear a casinha, e na segunda cedo tocamos pra cidade comprar comida pros próximos dias. Fomos chegar na pedra por volta de meio dia. Eu ja conhecia o terceiro Andar, mas o Fábio me mostrou um setor em cima de uns trepa-pedras pelo qual eu desisti de abrir as vias que eu tinha flagrado. Ali era muito sensacional. Base plana, sombrinha o dia todo, muitas agarras e no centro do salão, vias longas de 25m.

Jpeg

A primeira de muitas

Logo começamos os trabalhos, guiei uma fenda em móvel (Que virou via: A “To vendo mas não ta subindo, 5º <móvel>) e cheguei rapidamente ao cume, mas não o cume do setor todo, pois havia uma “greta” que me impedia de passar pro outro lado e bater um top onde a gente queria. Mas tudo bem porque ali já saiu o Top de duas vias, “A primeira de muitas, 7a” que fica bem na entrada do salão e tem um teto no finalzinho, e a “Volta o cão arrependido 6º/6ºsup” pra direita da primeira (e à esquerda da “To vendo mas nao ta subindo”). Claro que não foi tudo de uma hora pra outra que abrimos essas vias.

Pra aproveitar o finzinho de tarde e aproveitar e gastar umas baterias, subi rapidinho outra fenda meio diagonal em móvel, que ficou a “Quartinho de Ilusão, 4º”<móvel> e bati uma parada. Dali escalamos, marcamos e furamos a “Exame de Próstata 4ºsup/5º”

Fabio vindo de segundo na "Exame de Próstata", detalhe para a torre inacreditável atrás dele..

Fabio vindo de segundo na “Exame de Próstata”, detalhe para a torre inacreditável atrás dele..

No dia seguinte continuamos os trabalhos na “Primeira de muitas” e na “volta o cão arrependido”. Eu furei uma e o Fábio outra. Após estas vias estarem prontas, eu reparei que o problema da “Greta” pra acessar o cume da falésia acabava antes do top da Exame de Próstata, então eu subi até ali, chamei o Fábio de segundo e dali ele me deu seg para eu tocar para o cume. Acabou que era um rampão fácil, não bati chapa nem protegi em nada também porque minha idéia era não voltar por ali, não chamar o fábio, era puxar corda e rapelar pro outro lado. Uma vez no cume bati uma chapa de onde rapelei pra alcançar o lugar onde seria a parada da “Império Galático, 7a”. Foram poucas as vezes na vida que eu fiz um furo sem ter escalado antes, mas nessa foi necessário pois a linha era super negativa. Analisei 1h sobre onde colocar a parada e mais especificamente a chapa que reenviaria a corda no negativo pra poder escalar com mais segurança e marcar o restante dos furos, e acabou que ficou excelente! O Fábio subiu marcando e já desceu furando: a equipe estava entrosada e alinhada!!!

No terceiro dia eu fiz o FA da Império Galático e, por uma árvore que cruzava o salão, guiei uma travessia pra chegar do outro lado e bater a parada de uma via que sobe por uma coluna helicoidal de concreto, coisa mais loca do universo! O nome da via? Helicoidal, 7a/b. O Fábio subiu marcando, pagou uma travessia pela pedra mesmo, pra esquerda, e bateu o top de mais uma, a “Miranoku e vai”: É um negativo, e lá em cima tem um buraco branco com a borda preta, certinho. Quem quiser saber por onde a via passa, Miranoku e vai! hahaha Como ele desceu pela linha da Miranoku, eu tive que subir a Helicoidal pra confirmar os furos, e desci furando.

OrangoGenja!

OrangoGenja!

Quando cheguei no chão já tava meio escurinho, tivemos que abandonar a miranoku, que ficou pra próxima viagem. O Terceiro andar ali é in-crí-vel. As linhas vão ficar iradas, compridas, não necessariamente difíceis mas tem algumas ali que vão dar trabalho! Já flagramos um monte de linhas, nomes imaginários, mas claro, que enquanto não batemos o martelo na ultima chapa nao batemos o martelo no nome hehehe O Acesso não é de graça, é preciso escalar o comecinho (3 chapas) do quinto grau que dá acesso à cafeína, acessar o platô e rapelar pro outro lado. Ali já tem umas 5 ou 6 vias muito legais, parece que ali chama “Jardim do Eden”. Uns 40m seguindo pelo corredorzinho tem um trepa pedras por onde rapidamente se acessa o salão do terceiro andar. Depois pra ir embora é só voltar pelo mesmo caminho e rapelar de novo do lado de onde você havia rapelado pra “chegar” no setor. Assim você volta pro pé da via “Stone Fischer”.

E foi isso, relato rápido de 3 dias muito intensos, de muita conquista, parceria forte ali, era nóis dois, O Fabio e eu, nuu! Teve bão! Já estamos com viagem marcada de novo pra Arcos, dessa vez pra ficar uma semana abrindo via ali, que da última vez 3 dias foi é pouco! Setor incrível, vias animais, clima ideal.

Pra encerrar deixo uma compilação de dois videozinhos que fiz durante as conquistas…

A noite fomos comer na cidade mas, antes de pegar a estrada para nosso próximo destino, acabamos dormindo na casa de uma escaladora local de arcos amiga nossa, a Lu (que arranjou uns docinhos sinistros pra gente, valeu!!). Assim, uma vez na cidade, ali ficamos, e saímos em direção ao nosso próximo destino, que era até então desconhecido por nós, com a luz do sol.

BOCAINA! Inacredibiliível! Muita viibeeeee!!! Mas aí essa eu conto na última parte da segunda parte do relato…

Nova via em Itaqueri (não é primeiro de abril)

A foto do post de hoje não é em Itaqueri, mas sim a Marina na Fimose.

A foto do post de hoje não é em Itaqueri, mas sim a Marina na Fimose.

Todo mundo acreditou na lorota de primeiro de abril que eu criei. É simples, contei vários fatos reais como nossa busca incessante por picos novos na região do arenito e linkei-os a uma mentirinha. O problema de não termos ainda um pico novo sempre acaba sendo: As mesmas 3 ou 4 pessoas somente nessa busca para cobrir uma área muito grande, com um carrinho que não é lá muito indicado para andar nessas estradas de terra. Depois, quando finalmente chegamos a algum setor com certo potencial: Ou o dono não deixa entrar, ou é um deserto em face norte com sol das 8 da manhã as 8 da noite, sem nenhuma árvore pra fazer sombra nem para o seg. Mas na maioria das vezes é que realmente a rocha não tem nenhuma agarra mesmo (as que tem o dono não deixa entrar). Por isso ficamos tão maravilhados com o calcário de Arcos, pois onde vc bate o olho sai um 6ºsup. E claro, tivemos também um pico fechado por conta de escalador que não soube respeitar regras (Antes mesmo de sua abertura). No outro pico que fechou, o escalador parou de escalar, falou com o dono que era seu amigo e este pediu para que ninguém mais entrasse na sua propriedade. Muy amigo. Mas enfim, ainda acredito na redenção das pessoas e dos picos de escalada, estamos sempre abertos para trocar idéia na boa e tentar reabrir tais picos. (E no outro pico o dono começou a criar abelha no topo das vias… porquê não gostava de escaladores).

Mas enfim! Com isso, os picos atuais vão ficando cada vez mais saturados de gente, e de vias. O que é uma faca de dois gumes, mais vias atraem mais pessoas, só que mais pessoas pedem mais vias, para distribui-las melhor e desafogar um pouco as vias. Pensando nisso, no dia 27 de março fui pra Itaqueri sozinho estrear alguns brinquedinhos (como a furadeira, que era verdade que tinha comprado uma nova), uma mochila Osprey para avaliar a possibilidade de trabalhar com a marca na Quero Escalar, e a sapatilha Latex, da marca Spyffer que o Snakinho está fazendo artesanalmente. Com isso, escalei em solitário a Sinos do barão, fiz manutenção na parada que havia sido “marretada” 1 ano atrás e teve as chapas roubadas (sim véio, tem gente q faz isso, rouba chapa, mosquetão e martela os bolts das paradas de vias). Depois, coloquei uma chapa que tinha ficado faltando na Motor de Lancha na época da conquista, tipo 4 anos atrás (Esticão no more!). Desci, almocei, e fixei a corda na nova parada da Sinos do Barão (não necessariamente nessa ordem, como vocês podem imaginar kkkkk).

Com movimentos bastante técnicos e um pouquinho de força

Basta um pouquinho de força e técnica pra superar o tetinho do começo.

Aí subi, puxei a furadeira, paguei uma travessia meio exposta pra esquerda da Sinos e bati uma parada na reta da linha da via que eu tinha em mente fazia anos. Desci com o facão fazendo a jardinagem, tirando alguns cipós, galhinhos e espinhos da linha da via, tirando terra de agarras e rolando pedras soltas. Então pus a sapatilha e subi com uma corda fixa em solitário escalando, marcando onde ficariam melhor as proteções, calculando com a medida do meu cotovelo para os anões poderem equipar a via (viu Si, Fabi, Bia, Beto..). Uma vez la em cima, puxei a furadeira e desci furando. Não gosto muito de conquistar via sozinho pois em Itaqueri fizeram isso (sem contar que rapelaram furando sem escalar antes – lamentável) e a via ficou uma merda, ninguém escala (Caso o referido quiser arrumar a via, me chama que vou junto com a furadeira, chapa, etc.. pra dar o trampo). Por isso é a primeira vez que conquisto assim, mas desta vez confiei na minha experiência e na fórmula de escalar a via antes e avaliar as quedas, bolt por bolt, move por move (se cair agora… e agora… e agora…) e assim a via ficou segura e fácil de equipar, até pelos baixinhos. E a via estava pronta! Ficou uma das vias mais longas de Itaqueri, e a mais longa do setor 2,5, com quase 20m.

Tem um tetinho fácil no começo - não se deixe intimidar pois é uma via que eu gostei muito!

O tetinho no começo – não se deixe intimidar pois é uma via bastante agradável!

Após pensar muito num nome, resolvi adotar um nome mais politicamente correto e homenagear o parceiro que se foi ano passado, também por sentir estar de alguma forma passando por uma fase similar ao que ele vinha sentindo. E a via ficou uma homenagem pois umas 3 semanas antes do ocorrido, o Shimoto levou uma voadora de uns Perus que ficam na entrada de Itaqueri. E a via ficou sendo a Voadora de Peru. Achei que seria um 6sup, mas esse fds o Ives repetiu a via e deu 6º bola. Ele isolou uns regletões, usou uma aresta meio pra direita, diferente do que eu tinha visualisado, mas estava a vista, então kamon. “Voadora de Peru” 6º/6sup, setor 2,5 em Itaqueri – À esquerda da Sinos do Barão, 7 chapas e base (levar 8 costuras – Sugiro uma costura de 30 ou 40cm para a segunda chapa para a corda não raspar na virada do teto).

Aí domingo a gente tava indo pra invernada, mas o tempo tava ameaçando abrir e tocamos pra Itaqueri, onde pudemos fazer uma sessão de fotos na via antes de começar a chover. Fazia MIL anos que eu não saía em fotos, especialmente tiradas de cima, então obrigado Ives pelo empenho! Bem, em breve farei um review da Sapatilha Spyffer, em principio não estou acreditando no que estou usando. Em breve mais infos!