Escalando na Serra da Canastra

Cachoeira na Fazenda Santa Bárbara

Lugar aprazível de se escalar!

É bem na bordinha, mas é canastra. Com os campos rupestres inconfundíveis na chegada do pico, e histórias sobre a nascente do São Francisco, a 80km de Franca, esse lugar que pudemos conhecer no último fds oferece um estilo diferente para os escaladores e conquistadores de plantão. Com uma super infraestrutura de recepção turística já estabelecida com área para camping, chalés e restaurante rural, o grande diferencial do pico é uma grande cachoeira muito bonita com poção e grande volume d´água. E a vontade do dono que escaladores venham aos milhares para escalar as paredes adjacentes à cachoeira, em sua propriedade particular.

O Potencial não é para mil vias, mas a beleza do lugar é encantadora e encontramos potencial para abertura de umas 30 vias, fora o que ouvimos dizer sobre os canyons próximos. Umas 20 vias de uns 20-30m que precisarão de alguma jardinagem e que ficam ao sol, com base boa e na sombra para o seg,  e mais umas 10 mais curtinhas de uns 10 ou 15m na sombra – ah, e com aparente possibilidade para escalada em móvel para uma linha ou outra. E ao lado da cachoeira aparentemente o filé. Com apenas um acesso seco a um platô que dá acesso à única via já conquistada, vai dar pra abrir mais umas 4 ou 5 vias a partir desse platô, mas não vai ser esquema Itaqueri confortável, na base do pico o dia inteiro. Enquanto oferece conforto e comodidade nos 15 mins de trilha em linha reta, no poção da cachoeira e pedras ao redor para deitar preguiçosamente, na hora do climb talvez precise de um poquinho de empenho, mas nada de outro planeta (como ficar em pé num platô ancorado enquando dá seg). Vários diedros negativos prometem escaladas fortes e altamente estéticas a menos de 20m da cachoeira, que forma arco íris praticamente todo o dia e os Urubu-Reis sempre vem dar uma olhada no que está acontecendo.

Acessando o platô de onde sairiam as outras vias

Escovando Acessando o platô de onde sairiam as outras vias

Convidados pelo Wagner de Franca que abriu a primeira e única via do pico (por enquanto), Ives e eu fomos conferir todo o potencial. No início ficamos um pouco decepcionados pelo acesso ao platô e muita parede molhada pelo spray que vem da cachoeira. Mas logo que começamos a escalar já animamos muito pois a rocha é dura pra caramba, com muitas agarras invertidas e muita técnica.

O Wagner pediu pra eu equipar a via, chamada Gritadores (que vocês imaginam porquê ao lado da cachoeira). Fui subindo, mas a via estava bem suja ainda, então dei uma de diarista e limpei todas as agarras. Agarrçoes cheios de terra e pézinhos chave com camadas de areia.  Tirei os moves, testei todos os blocos encaixados que nem respiram nem dão sinal de vida (mas impressionam) e desci. O Ives entrou e mandou seu primeiro FA, provavelmente a via ficou um sexto grau bem técnico. Você escala e o tempo todo ao lado da cachoeira e do poção, é só virar a cabeça que é tudo o que você vê, muito massa!

Escalada bem ao lado da cachoeira. No platô não venta como no começo da escalada, ainda bem!

Escalada bem ao lado da cachoeira. No platô não venta como no começo da escalada, ainda bem!

Depois ainda voltei ao top da via, bati uma chapa pra esquerda e alcancei um platô onde furei uma parada com a intenção de abrir outra via do lado, mas ficamos de saco cheio ficou escuro e tivemos que abandonar a missão. Fiquei com muita vontade de conquistar os diedros e arestas negativos pra esquerda da cachoeira. Mas principalmente de desenvolver os setores menores pra esquerda que aparentemente vai ter vias entre 10 e 20m na sombra com rocha boa. O setor mais alto fica no sol, mas até compensaria pois em alguns lugares até 1/3 da via ficaria na sombra, incluindo o seg. É longe pra caramba, (ok, só 80km) de Franca, uns 280 de São Carlos,  mas é tão bonito que compensaria ir de vez em quando, até com amigos que não escalam pra que eles façam as trilhas do lugar, acampem, deem um rolê no mato enquanto a gente escala =)

Nom fim do dia um selfie com a cara toda suja de poeira (uma camada uniforme) a mão regaçada, com os brinquedos e a metranca a TiraColo

No fim do dia um selfie com a cara toda suja de poeira (uma camada uniforme), a mão regaçada, com os brinquedos e a metranca a TiraColo

E a noite pudemos provar o maravilindo JK, prato típico Franquense que eu nem consegui mandar a cadena, tive que abandonar no meio apesar de ser deliciosissimo. No dia seguinte não tem fotos, mas voltamos pro Tremendal e tivemos a triste noticia que o dono da propriedade tinha pedido que gentilmente os escaladores tirassem as chapas das vias pois não estava morando mais ali por motivos de saúde e os escaladores vinham sendo confundidos com ladrões de gado e de café. É o cu da cobra, de cair o cu da bunda, mas mais um pico muito legal com nem 50% do seu potencial desenvolvido fechado porque está em “propriedade particular”. Escalamos a via que haviamos aberto em fevereiro quando estivemos lá pois era a primeira a entrar na sombra, e tiramos as chapas com a sensação de quem sacrifica um cavalo de que gosta muito. 😦 Escalamos pela última vez no pico e o Ives pode mandar seu primeiro 7b a vista, ah muleque!

Espero que os locais tenham a sagacidade e o poder de negociação com os proprietários para reverter a situação.  Ainda não recebi as fotos do domingo, então, finalizo com uma foto das paredes mais altas à direita da Cachoeira de sábado, que tem grande potencial. Valeu Wagner pela hospitalidade e por nos apresentar a este pico tão bacana! Em breve estaremos aí novamente!

Potencial do lado direito da cachoeira. Com a jardinagem certa vai ficar lindo!

Potencial do lado direito da cachoeira. Com a jardinagem certa vai ficar lindo!

Falando sério..

Imagem feminina aleatória que ilustra o post de hoje

Imagem feminina aleatória que ilustra o post de hoje

Primeiro queria me desculpar com os amigos que caíram na pegadinha de primeiro de Abril. Minha criatividade surpreendeu até a mim mesmo! Foi apenas uma brincadeira e quem me conhece de perto sabe que eu as faço o tempo todo. Eu gosto de mesclar momentos de seriedade com os de bom humor, apesar de as vezes parecer que é só bom humor. Mas eu sei que se a gente mentaliza as coisas acontecem, então, porquê não, não é mesmo?

Eu ia divagar sobre as amizades, sobre os demonios interiores e os anjos que nos rodeiam e a gente costuma rotular de “amigos”, mas isso tomaria um certo tempo. Hoje vou compartilhar uns videozinhos interessantes pra sexta a noite e o finde, quem sabe!?

Começando com o que bombou essa semana e a passada talvez, sobre a cadena da via mais foda do mundo, La dura dura, do Chris Sharma e do Adam Ondra. Show de chiliques, gritinhos e mosquetões Petzl nas costuras da BD. Quem tem TOC pira!

Aqui um vídeo sobre a vida do Kevin Jorgenson, que estava tentando livrar a Dawn Wall com o Tommy Caldwell (a via de parede – 20 ou 30 e tantas cordadas com algumas chegando a dôzimo grau).

E aqui um pequeno – porém de encher os olhos – vídeo falando sobre essa região da Itália, a Ligúria. Roteiros novos pra vc que já enjoou de Rodellar, Ceüse ou Kalymnos. Já pensou?

Mas se vc não enjoou ainda das clássicas vias da espanha, aqui o Magnus Midtboe não mandando uma via, que por engano, estavam anunciando que ele tinha mandado. Só que ele mandou uma nota avisando que não, de onde eles tinham tirado aquela informação?? Enfim, o vídeo é massa, apesar dessas vias estarem virando meio que um clichê.

E pra finalizar, Se você gostou do vídeo do Patrick Edlinger semana passada, vai adorar esse, do cara que foi praticamente o Pelé da escalada: Wolfgang Gullich. Pra galera nova aí que tá começando poder conhecer o cara que mandou o primeiro 11a, 11b, 11c e 12a (na verdade acho que foram só 2 ou 3 desses, o 12a certeza).

A qualidade do escalador é inversamente proporcional à qualidade do vídeo, fazer o quê. :/

Bom, por hoje é só, curto e grosso. Espero que semana que vem possa contar do Climb desse finde! (aí já conto do da semana passada tbm!)

De volta com novidades: É 5.10, é Beal, é vídeo… Confira!

Fotinho lúdica para decorar o post cheio de vídeos :)

Fotinho lúdica para decorar o post cheio de vídeos 🙂

Ó, nem vem falar que faz 2 semanas que eu não posto nada no blog pq nesse meio tempo foram 3 posts no blog do CUME. Lá eu pus uns “Vidinhos” pra galera que ta começando, a divulgação da SACU – Leia-se: monitoria todo dia essa semana, que não rolou direito por causa da chuva – e as inscrições para a Oficina de escalada do CUME. Mas isso eu ainda tive que fazer rapidinho porque está sendo um frissom com a nova leva de sapatilhas da 5.1o que chegaram na Quero Escalar!! Não obstante, também recebi uma leva de cordas da beal aqui e tudo tem sido uma correria. Tudo começou quando, depois de uma série de decisões, sentei pra terminar o croqui do cuscuzeiro. Trabalhei intensamente por 2 dias sem comer nem beber água muito menos ir ao banheiro e no terceiro dia tive uma reviravolta (os fatos citados acima) e agora eu não consigo tempo pra sentar e dar continuidade aos trabalhos. Mas eu Não reclamo não, é bom sentir-se produtivo. Fiz até um protótipo de cartão da Quero Escalar que preciso mandar pra gráfica, vai ficar lindo de ver! 🙂

Agora só falta eu poder voltar a escalar de verdade (que não aguento mais quinto grau, as mesmas vias de quinto e sexto grau que se somadas não deve dar umas 10 aqui na região, não sei como tem gente que não enjoa, toma vergonha na cara e vai treinar pra fazer mais vias mais difíceis) e pronto, vai estar faltando só uma coisa – ou melhor, pessoa – pra ficar tudo “ótemo”.

E chega de Bla-blá-blá que apesar da semana passada ter sido meio morna de vídeos, essa ta da hora!

Começando com esse, da grande blogueira Marieta Cartró, que manda décimo grau tanto com as palavras num humor afiado e inteligente, quanto na escalada. Aqui ela aparece malhando um 10b (ou c – não lembro que vi o vídeo semana passada) e dando entrevista, falando como começou a escalar, mostrando seu quintal, Montserrat, na Espanha. Depois não sabe pq tem tanto espanhol que escala…

Seguindo a linha de quintal de casa, vamos para o nosso. Ta certo que ta mais para quintal do vizinho (onde a grama é sempre mais verde). Você não pode perder as aventuras dessa galerinha que vai aprontar altas confusões a bordo de uma Kombi do barulho! Mas como não estamos na sessão da tarde, esse é um vídeo de um rolê que uma galera fez pela américa do sul de kombi, mas pra escalar de verdade, nada de ficar fazendo caminhadinha pros topos dos morros… Terminando o rolê no Petzl RocTrip. Vídeo muito bem feito, editado, com belas imagens, de escalada, de lugares, enfim…

E já que o assunto é pedra parada en AR-RENTINA, segue um vídeo do Enzo Oddo àvistando um 10b. Curtinho para os padrões do pico…

Uma pessoa que eu conheci na Piedra Parada Estrela o próximo vídeo. voltando para as terras Tupiniquins, quem gosta da cave de São Carlos, vai adorar essa via, que pra quem for pra Itatim, é um Si-ne-qua-non! Vídeo da Bianca Castro, que apesar de não ser escaladora (ela só faz boulder), resolveu arriscar colocar uma cordinha e fazer os FFA das vias lá pras bandas da Bahia.

Bianca, é brincadeira o negócio de não ser escaladora tá? 😉

E voltando pra espanha, este vídeo ganhou destaque porque o cara (Magnus Mitb0e) desce de um 11c/12a (9a/+) e fala: …”Ói que beleza! 9a+ sem estar tijolado!? Ta bom né?”... PUTO. Mas o que mais chama atenção é o momento TOC (transtorno obsessivo compulsivo) nos minutos 3:10 e 3:30). Eu vou dar uma de Spoiler porque eu sei que muita gente não vai nem se ligar, mas, MEOOOOOO…… Irrita mooooooito quando fulano coloca as costuras de ponta cabeça na chapa!! Que fodaaaaa…… da vontade solar a via e ir lá trocar. Costura só tem dois jeitos de usar: Virada pra direita ou pra esquerda; e mesmo assim depende de pra onde a via vai. O Mosquetão de cima é reto e o debaixo é curvo, e o curvo é preso por uma borrachinha normalmente e o de cima não, e tudo por uma razão: segurança, não é estética não. (se bem que pra mim é uma questão de o mundo poder acabar se ela é colocada assim, igual quando você pisa na divisória das cores da calçada). Enfim, já está na manga um post explicando porquê tudo isso. Sem mais delongas, convosco, o famigerado vídeo;

Só que eu não vou ficar sofrendo de TOC sozinho aqui, agravando meu Bruxismo diurno. Tem um cara mais TOC’eiro que eu, (Mais não, é só mais impulsivo com os poucos TOC’s dele) e eu vou ser bem filhadaputa e colocar esse vídeo pra ele surtar e ter uma taquicardia, quando ele ver o cara do vídeo mandando o “First Ascent” da via, que é em móvel, COM AS PEÇAS POSTAAAASSS…(agora imagina o seu madruga arrancando o chapéu e pisando em cima quando toma bofetada da dona florinda… mais ou menos essa a reação)… E aí Mister Praquê?! Pra quanto foi a pressão agora?! hahahhaa Ah, detalhe que o cara no vídeo também escala em solitário com uma minitraxion..

E agora que a cagada está feita, vai um vídeo para compensar a namorada da pessoa que eu citei no parágrafo anterior que deve estar ali acalmando-o, coloco então um vídeo instrutivo da Steph Davis, ensinando como esparadrapar suas mãos para escalar as fendas perfeitas do deserto de Utah.

E se você achou que no final ia pelo menos aparecer ela escalando de fato… (sim aparece, mas pouquinho), fique com essa via que foi capa da Climbing desse mês, Glad to Be trad, uma fendona incrível de nono grau no mesmo pico.

Bom, e agora deu de vídeos pra mais uma semana né?! Bem, veremos 😉