Finalmente Notícias de Cadenas Locais!

Hadou-kennnn!!! Rá! Defendí!

O Feriado de finados serviu pra enterrar muitos projetos pendentes. Dei um Jedi na galera (Esses não são os Droids que estamos procurando) e convenci todos a irem pra invernada. A verdade é que não foi nada dificil pois fazia tempo que não íamos lá, todos tinhamos projetos pendentes, tinha chovido de noite e lá não molha E + uma coisa: Prometi equipar a SEXO, SANGUE, SUOR, LÁGRIMAS E GRITARIA pra geral dar um pega pois era meu projeto. É a última via que eu abri na invernada em 2010 com a Júlia Mara e nunca mais tinha voltado lá pra tentar depois que equipei. É uma via mista, de 30m (Isso mesmo, via de 30m!!) negativa de agarrão: um 7c. Ou seja, o Jedi foi só pra fazer piada pq tava todo mundo na pegada, além é claro, de querer variar um pouco o itinerário cusco-itaquerense. Fomos o Cataia e eu, e na sequência chegou o Bonde muito louco Daniel (The Flying DutchMan) e o casal Isabeto. Logo menos chegou o Rafa de descalvado, o mais novo membro do Sanca Pression Team. Depois de (pra variar) aquecer na Caixa de Fósforo  (CdF) me equipei e já cheguei chegando ali na base da “Sexo” (ou SSSLeG). E aí todo mundo tirou a senha e foi aquecendo na CdF também.  Subi pra equipar sem compromisso. Ao mesmo tempo, com a proximidade do RocTrip da PETZL, achei uma decisão salutar estrear as minhas Scarpas Instinct L e Instinct S que estavam na Redoma havia meses pois vai que eu não me habituo, me aperta, me folga, enfim, qualquer besteirinha lá na Patagônia é foda de resolver. Ao mesmo tempo, estreei meu nonagésimo sétimo saquinho de Magnésio. Eu sou meio “FRIKI” (freak) retardado mesmo pra algumas coisas, e acho que depois de 8 anos escalando eu ainda não achei meu saquinho definitivo. Mas essa semana chegou uma leva de SuperBags da 4climb e eu realmente fiquei surpreso com a qualidade dos sacos de Magnésio. Sem sombra de dúvidas é o MELHOR saco de mag do Mercado Brasileiro. Enfim, vou fazer um post-review só dedicado a ele, porque realmente tive que trocar meu importado por ele. O Daniel também estreou sua Feroce nova (Da Scarpa também) que tinha chegado segunda feira.

Nem combina, cê acha?!

Enfim: Outro motivo de eu ter querido estrear a sapata é porque a SSSLeG é uma via de 30m com algumas passagens em positivo entre os negativos, e com um descansão que vc tem que ficar em pé, então uma sapatilha muito apertada (Minha La Sportiva Venom) mói demais o pé da gente. Essa Scarpa eu tinha comprado prum Brother, é um número maior que o que eu uso, mas ele não quis, e eu  me apaixonei por elaestou começando a rever minha política de sapatilhas 18 números menor que meu pé pois depois que vc aprende a usar a sapatilha, ela não precisa estar tão moendo assim (ou pelo menos por enquanto está parecendo). Não na casa dos sétimos e oitavos graus. Bom, no fim das contas fui com a Instinct izliper (é assim né Cataia?) um pouco mais apertada mesmo pois ela eu já conhecia bem la de Rodellar (é praticamente a minha segunda dessas, longa história). Ela é tipo ítem mágico de RPG que quando vc a envoca vc ganha +4 de percepção (para ver mais pézinhos) e +2 de Destreza. Com ela no pé subi equipando a SSSLeG meio que sem compromisso para tirar os moves: passei o primeiro crux de 7b, passei o positivo, e antes da parte em móvel (eu falei que ela tem uma parte em móvel?) achei um descanso de asa de galinha dentro de um buraco bem interessante.

Eu no comecinho da “Sexo, Sangue, Suor, Lágrimas e Gritaria”, 7c

Entrei na parte em móvel e logo já coloquei um TCU 1.25 (equivalente ao Camalot #.5) que ficou supermegabomba e comecei a batalha mental contra a voada. São lances de agarrão, mas é negativo e vc precisa trabalhar bem um pé na direita da fenda e o outro meio de contra diedrando bem alto na esquerda, entao vc acaba ficando meio deitado. Dei meia lua pra frente e soco forte 3x e chamei Exu e Xangô no Grito e consegui chegar no descansão sem mãos do platô, de onde um Camalot #,75 protege a entrada no próximo lance.

Genja (vulgo eu) terminando o primeiro cruxzinho da via (SSSLeG) ao fundo. Rafa de laranja entrando na Caixa

Depois desse descanso são mais duas chapas e um camalot #3 ou #3,5 ou Estico até a base. Sem embaçar muito, abusei dos drop-knees que havia ensaiado semana passada com o Shimoto, costurei uma, costurei duas, dei outro gritinho do Chris Sharma desta vez no último Crux da via e peguei no “agarrão da cadena” que nem é tão agarrão assim, nem é da cadena pq ainda tem o estico até a base, que eu acabei protegendo com o Camalot #3,5. Sensacional!!!! Tive a oportunidade de fazer a primeira repetição da via desde que ela foi aberta. O Beto tinha mandado o FA enquanto eu tava na Espanha.

Sim, é tudo agarrão mesmo. Em 30m de via tem 2 regletes importantes apenas!

Acabei mandando a via equipando, nem esperava, já estava com a meta cumprida, mas já que estávamos ali, bora escala mais malucada!! O Cataia acabou entrando depois, e o Daniel também, porém ambos bombados preferiram não arriscar tomar uma voada nos friends por mais que eu tivesse garantido que tavam bomba. O Beto ainda foi lá e fez a segunda repetição (O viado já tinha feito o FA)

Daniel Holandês na Sexo e Cataia na CdF – depois eles trocaram

Beto entrando na parte móvel da SSSLeG

Mas antes o Beto tava com seu projeto de ânus sendo malhado: Colômbia 8b. Via curta: 3 chapas e base, uma das mais clássicas da Invernada. Ele tava sempre pagando o crux, pegando no “copinho”  e perdendo a cadena por ficar mil anos ajeitando pés. Demos o Beta: MANOOOOOOOO prum cara que faz “teraband” e exercicios pros antagonistas com corda dinâmica como se fosse tripa de mico, tá na hora de vc abusar um pouco. Ele ficava com o braço dobrado se fudendo. Simplifique: faça no monté logo com os braços esticados. Dito e feito, foi lá e mandou!!! Ainda tentou tocar na Narcotráfico mas aí já era o 3° ou 4° pega, nem tinha mais braço pra isso… Só sei que eu fiz a alegria do Holandês pois caí no mesmo copinho da colômbia que o Beto vinha caindo, porém não sei que jeito, ninguem soube explicar, vim giroletando de ponta cabeça, que nem uma hélice de helicóptero num plano não paralelo com nenhum outro conhecido. Fiquei a 20cm do chao. O Holandês foi ao delírio com mais um voador além dele! hahahaha Depois entrei e remandei a via pela primeira vez depois que tinha encadenado.

E aí Daniel, gostou da vuada do Genja? ÊÊÊÊÊEEE!!! Da horaaa!!!! \o/

E aí foi hora da sessão Roling Cones: outra que fazia tanto tempo que não entrava que nem ta mais no meu 8a.nu. Acho que o Pilates foi lindo!!! Mandei o crux com uma solidez ímpar! E aí a galera começou a sessão espanco:

Cataia fazendo o crux do jeito dos anões…

E isa fazendo idênticamente ao Cataia o mesmo move…. malditos anões! hehehhe

VOANDOOOOOO!! =)

Ainda tava com o Tomelirrolímetro a milhão, aproveitei que tinha mais quase 2h de sol (Ahhhhh o horário de verão, seu lindo!! s2 ) peguei minhas costuras, friends mais que decorados e fui na Barranco, pois era projeto do Rafa de Descalvado que mora em Sanca (puts, agora precisamos dar um apelido pra ele pra não confundir com Rafana nem ficar falando toda hora que é o de Descalvado). Mas aproveitei o tomelirrolímetro em “MUITO alta” e toquei a segunda parte, que da um 7c. Puts, a saída pra segunda parte tem uns pezinhos delicados que MANO!! A Instinct de cadarço confortável 1 número maior que a outra mandou mooooito bem! Esse Vibran II é realmente OTO PRANETA em termos de aderência!! Sem contar shape e precisão da sapata né… mas enfim. Acabei parando no último move lá em cima e não mandando desta vez, tava moído, mas é uma via muito boa e sempre gosto de entrar nela! O Cataia também mandou a primeira parte da via, no Flash! TA FoÓOORTE hein neném!??! hehehe Ele também já tinha mandado a CdF no segundo pega! Isso pq o viado ta em época de entrega de TCC e não ta treinando. Imagina se estivesse. :/ Aí o Rafa entrou e depois de 3 idas à invernada e malhos constantes mandou!! Muito bem garoto, me mata de orgulho!!

Rafa parecendo o He-man na Barranco… kkkk Não zoa não pq finalmente ele mandou! 😀

Ói a Forga do Rafa na Caixa enquanto eu to espumando de fazer força ali na SSSLeG! hahaha

Essa foto do Beto ficou bem da hora na Sexo…

Última fotenha das que eu tinha escolhido: Entrando na parde móvel da SSSLeG

E é isso galerinha! O dia na Invernada foi REPETACULÊ com muito Crimb e Cadenas, e estréias também!  Fico aguardando as fotos da txurminha que também fez várias pra decorarmos o Feicibuki e fazer a alegria da blogagem generalizada 🙂

Amanhã não escalaremos pois vamos começar a mexer na Caixa D’água pra montar as vias do Campeonato Caipira! A galerinha daqui tá foóoorte hein neném! Vai treinando daí pra poder concorrer aos melhores prêmios de terceiro lugar! hahahaha

Climbing 101 (Ou: Escalada para iniciantes)

A gente sempre vê a galera da antiga usando técnicas que hoje em dia não se usam mais, não por estarem erradas, mas por existirem melhores na atualidade, que não existiam quando eles começaram. Mas também a gente vê alguns deles fazendo muita coisa que seria considerada errada inclusive em seus dias áureos. A discussão da semana foi sobre a seg no Loop e não na cintura+perneira da cadeirinha. Pergunta clássica:

– Mas se vc se encordar em dois pontos não é melhor?!

É, pode até ser, mas duas coisas anulam essa dualidade: O freio fica de um jeito que vc fica mais suscetivel a fazer cagada, e segundo solicita seu mosquetão de forma errada. Eu poderia escrever uma hora sobre o assunto, mas já fizeram isso por mim =D Então vamos ao tão aclamado ctrl+C ctrl+V do extenso texto que o Davi Marski colocou na Hangon essa semana, e foi reproduzido pela internet afora (Né Neudson? 😉 ):

Nesse último final de semana, enquanto escalava com um grupo de amigos no sul de MG, passei por uma situação bastante inusitada que descrevo a seguir…
 
Logo que cheguei na base das vias do “campo escola” na Pedra do Pantano (Andradas – MG), acabei encontrando-me com um outro grupo, grupo este no qual havia umas 5 ou 6 pessoas, e imediatametne reparei que uma das pessoas desse grupo estava dando segurança de “top-rope” para outro escalador, com o mosquetão (que prendia o freio) passado de forma incorreta na cadeirinha. A pessoa passava o mosquestão do freio tanto na parte inferior da cadeirinha, como na parte superior, como a foto a seguir ilustra:
 
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O escalador que estava “dando segurança” provavelmente era um iniciante – essa foi a minha conclusão – pois seus equipamentos eram todos novos e vistosos. 
 
E enquanto eu “esperava” o melhor momento (ele parar de dar a segurança para o escalador que estava no “top rope”) e finalmente tentar explicar “porque” o mosquetão não deveria estar passado na cadeirinha daquele jeito, me dei conta que as demais pessoas do grupo também usavam o mosquetão dessa forma ! 
 
As pessoas do grupo simplesmente ignoravam a presença do “belay loop” de suas respectivas cadeirinhas !!!  E uma das pessoas inclusive usava uma cadeirinha específica para alta montanha (a Alpine Bod Harness da Black Diamond, que é uma cadeirinha que vem sem “belay loop”, mas isso é outra história pois essa cadeirinha tem uma “outra geometria”…)
 
E confesso que fiquei constrangido em “ir dar lição” para um grupo tão grande (e alguns deles inclusive são escaladores há bastante tempo), e agora, já na minha casa, minha “consciência pesada” me motivou a escrever este texto…
 
Alguns podem estar se perguntando: “pô, mas qual é o problema em passar o mosquetão desse jeito na cadeirinha ? não é mais seguro pois está preso a dois pontos ao invés de estar preso apenas ao “loop” ?
 
A resposta é: “não, não é mais seguro. Pelo contrário, pode até mesmo ser perigoso !”
 
Então vamos por partes:
 
a) Como todos estão cansados de saber, o mosquetão foi projetado para ser submetido a cargas bi-direcionais. Não foi projetado para receber forças multi-axiais (ou em três ou mais direções). Quando o mosquetão é colocado na cadeirinha da forma citada (ou ilustrada na primeira foto), ele pode acabar recebendo forças em três direções (e usando o “belay loop”  isso dificilmente iria acontecer)
 
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ou alguém duvida que essa configuração é exatamente o que está acontecendo na imagem abaixo (que é exatamente a configuração da primeira foto!)  ?
 
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b) O “loop” das cadeirinhas foi projetado justamente para ser o ponto de conexão tanto para o rapel, quanto para “o segue” do escalador que irá guiar. 
E se você não confia mais no seu loop, já seria hora de trocar de cadeirinha, não ?. O nome desse anel não é “belay loop” (anel de segurança) a toa… 
Para quem “duvida” da segurança do seu “belay loop” sugiro a leitura do artigo da Black Diamond:  http://www.blackdiamondequipment.com/en-us/journal/climb/all/qc-lab-strength-of-worn-belay-loops    
 
c) Por último, mas não menos importante, o freio não fica de forma “linear” quando montado nessa posição ! É só comparar a primeira foto com essa (com o mosquestão preso ao “belay loop”):
 
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Por falar em dar segurança ou realizar o rapel (com o mosquetão preso no “belay loop” ou em um anel da “daisy chain” ou no nó do seu “auto-seguro”), a última edição (maio/2012) da revista Climbing Magazine ilustra bem o jeitão “moderno” e recomendado por praticamente todas as escolas de escalada ao redor do mundo:
 
1) freio afastado do corpo do escalador, uns 40 ou 50cm (a imagem ilustra melhor do que eu consigo escrever)
2) fita de auto-seguro (ou daisy-chain, se usada como tal) presa usando um “boca-de-lobo” em ambas as partes da cadeirinha (vide ilustração)
3) nó auto-blocante de backup para o rapel  *abaixo* do freio  (outro assunto largamente discutido e é consenso mundial que é melhor colocar-se o nó auto-blocante de backup abaixo do freio do que acima…)
4) se o freio for um freio linear do tipo “tubo”, e se o freio tiver sulcos para uma maior frenagem da corda, deve-se avaliar se o escalador deseja usar essa configuração (de maior frenagem) para o rapel (com cordas finas ou corda simples isso geralmente é o desejável) ou se “prefere” que a corda tenha um menor atrito (como seria com um “atc” convencional), principalmente no caso de pessoas muito leves, cordas muito grossas, cordas molhadas e pesadas, etc..
 
 
Para saber mais:  
 
 
 
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Claro que esse meu breve email não encerra o assunto, mas o “alerta” está dado 🙂
 
abraços e ótimas escaladas seguras !
 
Davi Augusto Marski Filho

E claro, continuando, vamos acrescentar, de como fazer essa parada aí (essa tal de seg)!

E já que vc gostou do capítulo 2, que tal o capítulo 1, se vc é iniciante-ante mesmo?!

(eu ensino melhor como fazer o oito duplo reverso na cadeirinha hahaha)

Esses dois vídeos são de uma série de videos interessantissimos (ainda que para quem seja mais experiente sejam chover no molhado, para o novato é muito bom revisar conceitos de segurança) sobre conceitos básicos da escalada, e são válidos (muito por sinal) em qualquer lugar do mundo: Desde yosemite a rodellar, itaqueri ou serra do cipó. Portanto, se vc não se encorda nem faz seg assim, revise seus conceitos…

Como este post por si só já ficou extenso, vou colocar apenas dois vídeozinhos para finalizar:

O primeiro é de uma Cave na provincia espanhola de tenerife, que parece muito com a cave aqui de São Carlos, só que a do vídeo fica praticamente no meio da cidade. Muito legal!

Este segundo é do J. Siegrist. É o primeiro capítulo de uma pequena pseudo-novelinha onlina de suas aventuras pelos EUA. As imagens estão alucinantes, e faz suar a mão só de assistir. Nível de “suação” de mão de 0 a 10-> 8 (yéeeahh)

E por hoje é isso pessoal, em breve volto com mais!!

PS – Aguardem, muitas novidades on the way!

PS 2 – A quem precisar, agora estou vendendo magnésio 4climb – Frete grátis para quem mora em São Carlos, frequenta as monitorias de quinta feira e a todos da região que escalam em itaqueri de sábado e cuscuzeiro domingo! =D

Da série: Fotos sequenciais são legais!

2012 Escalando a Top! (E não de top…)

Eu sei, já faz mil anos que fiz a última postagem (por isso vou fazer um mega post hoje – Viu Vadico?). Muitos devem estar pensando que é por que aqui começou a nevar, chegou o frio… Bueno… Bueno… foi exatamente o contrário! Fugindo do frio no final do ano, íamos para a Falésia recomendadíssima pelo Raul, La marxuquera, que segundo ele é negativo de agarrão. Havia um feriadão no começo de dezembro e íamos aproveitar para escapar do frio (Porque em Valência é sempre mais quente, e a “escola” é de inverno, bate sol o dia inteiro)… Mas saiu o dente do Ciso da Marmota, e tivemos que adiar a viagem, pois a Marta depois da extração do dente tava inchada que parecia o Rocky Balboa. Creio que a operação NÃO tenha sido um sucesso hahaha Mas uma semana e uma cartela de antibióticos e analgésicos depois, ela já estava respirando sem a ajuda de aparelhos hehe Foram duas semanas entre os primeiros sintomas, a extração e a recuperação… Duas semanas em que tava frio pacarai, e sair pra treinar sozinho tava foda… Aproveitei para fazer meu papel de macho alfa da relação. Enquanto ela enferma ficava na cama, eu lavava a louça e fazia chazinho quentinho pra ela… faz parte!
Mas nos dias que a Marta estava meio doentinha, não fiquei vagal total, pelo contrário, foi o período em que mais trabalhei: dei um puta gás no guia do Cusco! Aproveitando então que estava fazendo tempo ruim no comecinho de dezembro, terminei a parte que estava dando mais trabalho: a parte gráfica que depois de pronta me motivou ainda mais a escrever, escrever e escrever as descrições das vias, no estilo hangon só que um pouco mais atualizado, e claro, adicionando as quase 20 novas vias. Já tem até via que eu nem conquistei ainda hahaha (mas já escalei e só falta equipar). Parte dos desenhos, planta, organização das páginas… tudo pronto. Mais um dia de trabalho e termino a parte do Cuscuzeiro! Aí mesmo sem as fotos vou começar a fazer o de itaqueri e o da invernada.. ah, e do camelo, claro… vai ficar lindo! Falei com a Bia e estamos pensando em colocar as vias de Botucatu e se der tempo e compensar, as vias da região de Ribeirão… o guia vai ficar com umas duzentas páginas, já to vendo! Mas não vou colocar uma descrição tão precisa das vias dos outros lugares como to fazendo com o cuscuzeiro, primeiro porque as vias do cuscuzeiro tem toda essa magia em volta, e é um ambiente mais “hostil” e um pouco de referência ajuda quem estiver indo ali pela primeira vez… E segundo porque Itaqueri a tradição é diferente, pico esportivo, então a localização exata das vias, grau e uma consideração ou outra de uma linha basta, já que as fotos falam por si. Enfim, um guia bem completo está no forno!

Estreando o saco novo fazendo bivaque no inverno... aprovado!

Quando ela já estava recuperada pegamos os planos do feriado de 2 semanas antes e descemos pra Valencia. O que pra eles é cruzar o país, pra gente é descer um fim de semana de São Carlos a São Bento. O fato de ter ficado 2 semanas sem escalar pesou um pouco (ai se eu já tivesse lido o livro que eu vou citar mais pra frente deste relato!). Como saímos meio tarde, paramos para escalar em Valéria (cuenca), onde fizemos um bivaque numa cueva que já haviamos bivacado antes, mas no outono. Íamos comer uma bela pasta feita no nosso fogareiro estreado em Rodellar, mas ele ficou em casa, e jantamos um lanchão mesmo hehehe A marta quase congelou com minha master blusa, duas mantas dentro de seu saco de dormir, e meu saco novo de dormir da Lafuma foi megaMaster aprovado com louvor. Mas tava frio. Muito frio.

Bom dia com muita alegria e sem hipotermia!

No dia seguinte acordamos e tocamos pra mais quase 3h até Gandia, no sul de Valencia, onde fica o pico. Apesar de ter mandado uma ou outra via mais dura, eu fazia força de sétimo nos quintos e sextos.. espanco total! A marta por sua vez, adorou o pico e saiu guiando tudo, e mostrando que está na pegada do kamon do São Carlos Pression Team, o que ela não mandava guiando de primeira, entrava de novo até mandar! Eu sei que teve quinto sup que eu nao mandei… Maldito Sandbagging!! O bom é que dava pra ficar de chinelo e de camiseta, coisa que não fazia há varios meses!

Escalando de bermuda e camiseta!! Ahul!

Martinha dando risada da minha cara: Não mandou esse move? Olha.. com uma mão só eu mando!

Voltamos pra Madrid praticamente na véspera de Natal (noche buena). E começa a maratona de encher a pança à muerte. A programação das tres ocasiões foi praticamente a mesma: Natal, Ano novo e reyes.. (que eles comemoram mais que o natal aqui, no dia 6 de janeiro). Primeiro, na noite véspera (tanto de natal quanto ano novo) a gente começa a “beliscar”… vem vários pratos com pequenas porções.. depois os pratos vão aumentando.. até que você já ta com comida saindo pelo nariz. Aí vem o prato principal. E depois disso ainda tem: Sobremesas (sim, no plural) e o café… que vc claro toma enchendo o cu de doce (mais, e não é a sobremesa). Aí repete-se o processo no almoço do dia seguinte. E repete-se na noite de reveion e no dia primeiro… Na véspera do feriado de Reyes a gente come a mesma quantidade, só que em vez de comida, é o tal do Roscão de reyes com chocolate quente, que você come até sair pela orelha também. E repete-se no dia seguinte. Não a toa engordei 4 kilos do natal até o dia 6!
O detalhe foi que no meio termo, o tempo mudou, e a galera que sobe a serra pra esquiar desde o final de novembro ficou chupando o dedo pois o frio do começo de dezembro deu lugar a um tempo ótimo de primavera! Já é 10 de janeiro e por vários dias estive escalando com uma calça só em vez de duas, e de camiseta curta, que já estavam ficando igual minhas camisas do corinthians: Cheirando a naftalina de tanto tempo guardadas no armário hahahaha

Leitura obrigatória para quem quer melhorar na escalada...

Uma coisa que tem feito muita diferença na minha escalada, sem dúvida, é o livro “9 among 10 climbers do the same mistakes” (9 entre cada 10 escaladores cometem os mesmos erros) do Dave Macleod. O livro é absurdamente bom e melhor que o how to climb 5.12 e training for climbing, ambos do Eric J. Horst. Ele não fica falando que vc tem que treinar ou quais os melhores exercicios para treinar, ele tenta te fazer entender como seu corpo (e sua cabeça) funciona, o que é ótimo, e foca outros pontos que atrapalham mais sua escalada do que simplesmente “força de reglete” por exemplo. Ele põe o dedo na ferida, e já na décima pagina vc já tem umas 4 ou 5 epifanias… e la pela página 60 vc já acha que ele te conhece e se refere a coisas que vc fez, ou amigos seus, pois ele é muito direto e fala tudo que os outros não falam, explicando a raíz do problema… e poe os pingos nos is, separando o maldito magro do maldito Gordo! escalador de ossos largos, o escalador alto do anão com baixa estatura… é uma leitura prática, gostosa e muito direta. Com o livro estou desfrutando muito mais das minhas escaladas, e mesmo em semanas que não da pra apertar muito por causa do tempo ou da marta que estava meio doente, ele ensina que é muito mais facil manter seu nivel que subi-lo, então, basta um pouco de treino sério para não se perder tudo que você havia conseguido semanas antes. Ele coloca que escaladores não diferem dias de escalada de “performace” (o dia de mandar) do dia de treino (em que vc pode nao mandar nada, mas escala muito), o que é um erro. Tira um peso das costas e coloca o treinamento e o pseudo-fracasso como parte normal da escalada. Ah, e claro, tem um capítulo sobre o seu “MEDINHO” de cair, que eu vejo que não só aqui (mas no Brasil também) é muito óbvio ao ver nego que escala faz anos, aperta forte, passeia de top nas vias de sexto grau, mas nao guia nem fudendo ou quando guia são sempre os mesmos quintos que sempre escalam e sabem que vão cair. Se escalada fosse um jogo, eu diria que esses jogam um outro jogo, pois a escalada esportiva não é isso. Enfim, o livro é muito bom e recomendo a todo mundo que eu conheço! Ah, e se vc comprar direto do site/blog do Dave macleod vem autografado hahaha.

6a??? Pensei que fosse um sétimo!

E vamos ao que interessa: Escalada! Martinha Bad-ass mandando tudo! Depois das sessões de treino na Complutense do final de novembro, onde pude passar uns boulders pra Martinha apertar bem nos regletes nas paredes negativas, ela parece que pegou uma resista boa… e por estar guiando quase tudo pra baixo de 6sup, está ficando com uma técnica bem apurada.. as poucas vias que ela não manda é porque ou tem um crux de dificil leitura (que estão em seu limite), ou porque é seu ponto fraco: bem negativo com agarras distantes. Mas mais do que cadenas essa menina tem demonstrado atitude. Sempre procura entrar guiando nas vias, e já não tem aquele “medinho”. Se tem que cair cai. Se ta dificil, tenta mais um pouco. Se a próxima ta longe, procura se posicionar bem porque provavelmente é fácil até lá. Não tem “retesa” a menos que seja uma via bem acima do limite. E outra coisa legal é sempre que estamos escalando encontramos alguem com a cadeirinha vestida ao contrário, ou dando seg com a mao esquerda na alavanca do grigri e a mao direita no ar (sim, isso aqui – esse tipo de erro – é mais normal que futebol na praia ou churrasco de fim de semana no brasil) ela vai lá dar o toque na galera. Quando a Marta ja estava se recuperando da extração do dente, fomos dar uma treinada no Rocódromo da Univ. Complutense. Ali encontramos uma ex-professora da Marta, e descobrimos que ela escala (ainda que no melhor estilo “ta dificil pega na costura e escala quarto e quinto grau pra sempre”). Aqui não dá nada pois tem muita via pra escalar e muita via clássica de 300m de IV grau (por isso tambem tem tanta gente que começa e continua escalando). Entre Natal e ano novo combinamos com ela e demos uma escapadinha até Patones, onde fomos a um setor chamado Parking, que fecha (junto com metade do pico) de janeiro a junho para nidificação do féla do Abutre Leonado. Um setorzinho legal, não tão alto, mas com vias interessantíssimas. Ali a Marta descobriu que os negativos de quinto e sexto grau são “fazíveis” pra ela, e ela começou a ficar mais abusada e perder o medo dos negativos. Deu um pega, tirou os moves de um 6a um pouco exigente para o grau, e depois entrou e mandou, com direito a perder o pé no crux, pagar um montê, voltar, não perder a cadena e mandar a via!! Tirei ótimas fotos esse dia… pena que apesar de eu ser um ótimo fotógrafo, a câmera não ajudou, a luz não estava muito boa, a posição não era a melhor, e eu não tinha chiclete de menta.

Martinha em Patones, guiando um 6a no setor Parking

Marta Ojeda.. 😉

Pânico pra costurar? Magina...

Passando o crux, pegando o agarrão da cadena...

E eu? Bem, eu gosto mesmo é de escalada coletiva: acho muito chato entrar num 7c/8a sozinho, tirar os moves e mandar em duas ou tres tentativas, porque isso significa que a corda e as costuras ficam ocupadas e só um escala, já que a marta, apesar de já estar se arriscando em algumas vias mais fortes, ainda não desfruta tanto. Em um lugar em que as vias são mais curtas, eu arrisco… Se não mando, costuras nao fazem falta pra próxima via. Em função disso, tenho dado prioridade a escalar as vias que estão no meu limite à vista, para fortalecer um pouco este estilo de escalada, e para pegar um pouquinho de técnica.

Aproveitando o clima ótimo fomos conhecer o Vellon, uma falésia de inverno que tem no caminho de Patones, mas menorzinha, que as vezes nao da pra escalar pq o nivel da represa sobe até o pé das vias. De fato o primeiro dia que fomos tava uma lameira no chao que só deu pra escalar em metade do pico. Mas o bom é que da sol o dia inteiro. Com vias curtinhas, deu pra animar fazer uma forcinha e forçar meu a vista em alguns 6c’s. Destaque para a via “El escorpion” e “La hora de los fantasmas”.

No primeiro do ano fomos na pedriza, e tava um solzão também! Mandei outro 6c a vista mó da hora chamado “Aquele que ronca paga!” com direito a entalamento de mão no final, no granito negativo de agarrão.

No último fim de semana os amigos da academia da Marta, que eu não via fazia um mes e meio quase, resolveram voltar a escalar. Fomos pra San Martin de valdeiglesias, uma falésia um pouquinho mais longe de madrid (1h e poquinho) de granito com graus bem “soft” hehehe Ali eu tinha um projeto antigo de 7c.. mas não um 7c negativo de agarrão de 30m… um 7c de placa…15m bem verticais com regletes do tamanho de um palito de fósforo… (a Kalya na divisa é praticamente escalada em batentes, comparada com essa). Sapatilha pra que te quero! Depois da marta encadenar guiando 2 vias que eu achei que ela não ia mandar nem de top… (um 6a+ e um 6b no croqui), ela entrou na famosa dedos kamikazes.. um 6a+ de uns 20m. E entrou equipando! Bem regletera, ela aguentou bem e mandou a via, ainda que depois tenha me contado que pensou em desistir, mas sabia que eu ia matar ela se ela parasse na costura!! hahha Já que ela ja tava com seu projeto no bolso, era minha vez, e fui dar um pega no 7a (7c br), que se chama “El secreto esta en la técnica”. Mandei a cadena equipando mas tendo saído a 1m do chao depois de parar para tirar os moves (Buuuuurrrrooo)… restou descer, descansar e mandar de novo. Na verdade eu acho que ta mais pra um 6c+.. mas como eu tomei muito espanco de sexto sup que era pra ser 7b… só por pirraça vou deixar 7c no 8a.nu hahahaha A Marta deu um pega de top e…. tirou todos os moves! Lazarenta a menina.. já tá se familiarizando com os 7c’s! Depois disso ainda entrou de top num 7a ao lado com um crux de tetinho, que depois de algumas quedas conseguiu isolar o lance e mandar a via toda… como eu diria: Abusada! 😉

Martinha entrando no 7a em san martin...

E mais acima, no crux, combinando as roupas e o capacete com o desenho da camiseta!

Os amigos David (que me apresentou à candida palidez) e Iris, com seu inconfundível sotaque galego

No dia seguinte ainda voltamos a Patones com a Marisa, amiga nossa que esta aqui na espanha pelo mesmo projeto entre USP recicla e UAM que levou a Marta para o Brasil. Levamos ela pra escalar e a MALDITA MAGRA menina mandou sua primeira via sem cair, um quintinho de 30m muito legal que a marta ja entrou equipando.

Martinha, Marisa e eu em Patones.. Primeira vez da Marisa foi comigo!

Los derechos de los novatos, em patones... praticamente um quarto grau Brasileiro.. V europeu

Depois, aproveitando que estava ali do lado, entrei numa via que tinha deixado pendente fazia mil anos: Maracaybo, um sexto sup com um lance de bidedo negativo no começo e tetão no final cheio de agarrão, que caí da primeira vez com a base na cara… Burrrroooo! Desta vez fiz serviço completo, mas lembro da sensação de intimidação que o teto me passava, apesar de saber que era um sexto sup. Afinal.. tetos são sempre tetos ahahaha

Como diria a Zuma: Ali tem um 9d de bidedo...

Como sempre... Popóooo.... O bom é que sempre vinha um: "... Mas quem foi que colocou esse agarrão tão bom aqui?!"... à minha cabeça! =D

No fim do dia guiei uma via bem à esquerda da via que a marta tinha mandado outro dia… só que em vez de 6a, era um 6a+. Nossa, li tudo errado a via, e onde era pra esquerda fui pra direita, onde era direita fui pra esquerda! Acabei mandando, e deixei equipada pra marta. Pus um costurão bem depois do crux para o psico dela, mas ela cometeu o mesmo erro que eu no crux e foi pra esquerda em vez de ir pra direita, o que custou a cadena pra ela. Mas com apenas uma queda e não muito descanso ela já voltou pra via e terminou… e eu achando que ela poderia ter dificuldade na via e ter que terminar pela via do outro dia hhaahhaa Ledo engano, a mina ta na pegada!

Fazendo o move do Bidedo tambem..

Com uns dois ou três tentos, ela já tirou sussa o move do Bidedo e com a terceira costurada guiou o resto até a primeira base da via, embaixo do teto.

Maior prova disso e orgulho dos últimos tempos foi no sábado em San Martin, depois de fazer 1 pessoa tirar a cadeirinha já encordado, para vesti-la do lado certo (e logo em seguida outra pessoa escalar com a cadeirinha ao contrario pois nao deu tempo de avisar), e vermos que tinha muita gente fazendo presepada no pico tipo ficando parado e ensolteirado uma costura antes da parada em um quarto grau de 30m, ela me solta a pérola que eu vou levar pra sempre como seu “atestado de integrante do São Carlos pression Team”:
– Você não acha que nessa falésia tem muito tanga hoje?
hahahahaha me mata de orgulho.. nem preciso explicar de onde ela aprendeu a expressão, mas cabia certinho no contexto e em como estava o pico esse dia hahhaa

De tão foda, a Martinha conseguiu até um patrocínio!

Bem, agora é focar em fazer compras pra voltar pro Brasil em algumas semaninhas, visitar os ultimos parentes que falta, terminar o croqui do cusco e escalar no tempo livre!
Buenas chicos! Saludos a todos, e façam suas encomendas!