O papel da escalada na Vanguarda dos movimentos sociais!

Acho que esse desenho combina mais!

Acho que esse desenho combina mais!

Recentemente rolou uma grande polêmica por conta de um post “machista” relacionado com a escalada. Algumas amigas minhas indignadas com uma “charge” que, segundo elas, menosprezava o papel da mulher a um objeto sexual a ser visto e apreciado. Fiquei muito tempo pensando se deveria me abster da polêmica por ser homem e não ter “moral” pra falar. E também por correr um risco muito grande de ter alguma palavra mal interpretada por elas ou equivocadamente ser interpretado mau. Mas decidi escrever pois as minhas amigas merecem o meu apoio e se eu por acaso cometer algum deslize será ótimo ser corrigido para melhorar como homem e como pessoa.

Ultimamente o país está numa dualidade crescente, aguda e intolerante. É coxinha versus petralha, neoliberal versus comunistinha de merda, ciclistas versus motoristas, imigrantes que chegaram um século antes Vs. Imigrantes que estão chegando só agora, evangélicos versus religiões afrodescendentes. Enfim, e tem os machistas versus as feministas.

Deixando as discussões políticas infindáveis de lado, o fato é que por muitos séculos as mulheres tem feito parte de uma minoria oprimida e ultimamente tem se unido e se levantado contra os abusos da classe masculina dominante em busca de condições de equidade e justiça. É um tanto perturbador ver uma menina de 10 anos sendo “proibida” de andar de skate, ou um garoto não poder brincar de boneca ou de “casinha”. Isso vai propagando e perpetuando estereótipos ultrapassados e que, em um mundo paralelo, já é coisa do passado.

E esse “mundo paralelo” é a escalada. Quão felizes somos nós, escalador@s, ao poder dividir nossas atividades com outras pessoas, sejam elas do gênero que forem, nasceram ou escolherem ter! Um leva as costuras, o outro a corda, sem divisão inequívoca de gênero. Ceder o casaco a alguém não pelo gênero, mas porquê a outra pessoa está com frio e eu não. E da mesma forma receber, porque não? Dar a vibe pra pessoa guiar uma via, botar um costurão no crux, não porquê é mais fácil com costurão, mas por saber que é aquela ajudinha psicológica que vai fazer aquela pessoa ter um dia maravilhoso de escalada em vez de um dia frustrante. Quantas vezes EU, homem, hetero, calcasiano (HHC) não fui julgado por estar comendo, ouvindo ou fazendo algo “de menina”? Eu fico é inconformado. Como se fosse pejorativo, depreciativo fazer algo como uma garota. As vezes é por isso mesmo que eu faço. Apesar de estar numa condição “favorável”, todo esse levante feminino em busca de seus direitos, quebrando paradigmas e desconstruindo falsos mitos acerca de sua condição na sociedade me faz sentir orgulho de ter amigas mulheres, tão fodas e mais fodas do que eu. Exemplos de perseverança, luta, trabalho, choro engolido, cabeça erguida e bola pra frente. Coisa que Eu, HHC muitas vezes não consegui ser ou alcançar – na vida e na escalada (e nem tinha porque conseguir tudo, nem de uma só vez: eu sou um ser humano normal creio eu). As vezes eu vejo a Tetê, a Bia, a Bianca, a Janine, ou até recentemente a Anne Elise escalando e penso: CARALHO, eu queria escalar que nem essa mina! E quanto mais a gente viaja, mais a gente conhece gente como a gente e gente como elas. Gente que respeita os outros. Gente que luta pelos seus direitos. Gente que interrompe comportamentos, piadinhas e atitudes misóginas. Que dá uma aula de cidadania, e que mostra que um novo modus operandi é possível e já está em prática em cada microverso que se conecta e vai aumentando.

Lynn Hill - Primeiro ser humano a escalar a

Lynn Hill – Primeiro ser humano a escalar a “THE NOSE” no El Capitain – Yosemite, em livre! E depois voltou lá e repetiu, em um dia!

E a escalada é um graaande conector desses pequenos multiversos que aos poucos vai se tornando o UNIverso dominante em que você não é desrespeitado pela sua cor, gênero, descendência, ou sotaque – e pasmem – Tampouco pelo grau que você escala! Quanto mais você viaja, mais você expande seu universo, conhece gente maravilhosa de tudo quanto é tipo, outras culturas, e de repente, em tanta diversidade, você encontra a unidade, um fio condutor que é presente em todas as culturas. Do nordeste ao Sul, do Brasil à Espanha, por mais diferenças que existam, existe um minimo multiplo comum. Seja nas casas ocupadas por comunidades inteiras de ciganos e marroquinos unidos em Madrid, seja nas pizzadas da engenharia ambiental em São Carlos, nas festas de HipHop na perifa em São Paulo ou nos encontros de escalada em Quixadá, Bocaina ou em Arcos: Mulheres são tratadas como devem ser. Como seres humanos iguaizinhos. (tem vários outros aspectos em comum em todos esses ambitos, mais pra frente eu comento outro). E é assim com cada outro ser humano nestes recintos. Respeito ta ligado? Não existe uma objetificação. E não precisa dizer que é porque sua mãe, sua irmã são também… Elas merecem respeito porque são seres humanos e para por aí! Já seria o suficiente para que ganhassem igual homens, tivessem jornadas de trabalho igual homens – mas em pleno 2015 temos mulheres ganhando menos que homens assumindo a mesma posição ou cargo. Já seria o suficiente para que fizessem o que bem entenderem com seus corpos, mas essas mulheres ainda tem que aguentar um bando de velhotes xiitas (maucomidos reprimidos arrogantes corruptos) dizendo agir em nome de um livro criado uns 800 anos atrás dizendo que tem um Deus que te proibe de fazer determinadas coisas com seu próprio corpo. Aham, ta bom, senta lá cláudia. ¬¬

Eu venho de um âmbito que num primeiro momento pode parecer machista (e deveria ter sido): um curso de Engenharia na USP. Mas felizmente na Ambiental sempre predominaram esses movimentos coletivos, culturais e ambientais ditos “alternativos”. Foi ali onde aprendi a ver com estranheza os homens dos outros cursos  (e alguns do meu próprio, minoria felizmente) objetificando e contando mulheres como quem conta dinheiro, minimizando, oprimindo e descaracterizando-as. Hoje, depois de mais de 12 anos de ingresso na universidade (e 5 de egresso), vejo que a escalada em nível mundial, assim como o movimento estudantil de outrora até hoje, leva no peito a vanguarda desses movimentos, dessas lutas. Pois o espírito da escalada é ser livre. É não oprimir, é dialogar e compartilhar. Somar e construir juntos.

Enfim, tudo isso é importante primeiro porque é natural – esse patriarcado moderno artificial e capitalista, porque não dizer? tomou lugar do que antes eram as chamadas comunidades matriarcais onde aquelas que pariam os novos rebentos é que tinham direitos e regalias por garantir e suprir a sobrevivência da espécie. Esse encontro com o natural do ser humano traz harmonia para a convivência, onde não há melhores, piores, dominantes nem dominados. E isso se torna ainda mais evidente quando eventualmente saimos do nosso universo de escalada no qual já estamos um pouquinho a frente do nosso tempo nesse sentido de equidade de gênero, mas ainda temos de ouvir que:

  • “Eu não vou escalar de fim de semana, o que o meu namorado iria pensar?”
  • “Ir pro mato com um bando de homem, vou ficar mal-falada!”
  • “Eu não consigo, é coisa de homem né?”
  • “Eu não tenho força na mão pra subir igual vocês”

Pior é ouvir a menina dizendo que quer, que acha que consegue, e a mãe ou a tia (pra não dizer da tristeza que é ouvir de pai, tio, irmão, namorado, etc..) desencorajando a pessoa a fazer algo que a faria muito feliz, e provavelmente se daria muito bem.

E aí, quando a gente vê um desenho em que uma mulher é retratada como um objeto, pejorativamente, depreciativamente, realmente, da uma queimada no nosso filme… (d@s escalador@s e dos homens). Mas tudo bem, acredito que todo mundo tem o direito de errar e se corrigir, “quem nunca” não é mesmo? Mas aí, sabe aqueles pontos em comum entre os movimentos sociais/culturais/escalacionais de madrid, de São Carlos, Quixadá, Arcos e Sampa? Pois é, outro muito importante é o Diálogo. É abrir-se para a crítica, é colocar-se no lugar do outro, é ter a humildade de admitir que errou, ou justificar pelo menos o erro – e retratar-se, porque não? E se não errou, justificar seu ponto de vista e defender sua visão. Parece que não teve isso também no caso da polêmica, uma pena. Eu acredito na redenção das pessoas, mas… elas tem que fazer por merecer também né? Três avemarias não garantem seu ingresso no céu, aqui no mundo real!

Pra finalizar, garot@s do meu coração, não se deixem abalar, o que vocês (nós? se vc´s me permitirem) estão construindo é maior, tem base sólida e não se abalará por qualquer murmúrio. Sou mais vocês e vocês me representam ❤

PS – Confiram o discurso do primeiro ministro inglês quando perguntado porquê ele tinha colocado 50% das cadeiras do parlamento de homens e 50% de mulheres:

Vídeos Comentados

Tem uma foto sua escalando, garota? Manda pra eu decorar o próximo post! ;D

Tem uma foto sua escalando, garota? Manda pra eu decorar o próximo post! ;D

Tá, toda semana eu coloco vídeos comentados, principalmente nas semanas que estou escalando menos, mas preciso mudar o título do post cada vez em quando 🙂

Não vou por as fotos de Arcos ainda pois ninguém me passou as respectivas, né Sr. Guilherme e Dona Bia?

Por enquanto vamos conferir os vídeos que foram sucesso semana passada pela net afora.

Semana passada saiu um vídeo da Mayan Smith-Gobath no Brasil. Parece que ela não para quieta e agora foi pra Oceania escalar um dos picos mais famosos do novissimo continente. Localizado na Nova Zelândia, a Totem Pole é uma batata frita gigante em pé de 5×5 e uns 40m de altura no meio de duas paredes a beira mar. Bonito e aventuresco. Vira e mexe aparece propaganda de alguma coisa nesse lugar pois é muito clássico. Mas já virou meio clichê de tanto aparecer, igual fotos do chris sharma fazendo psicobloc em Mallorca ou do Adam ondra sem camisa se camuflando numa rocha calcaria branca como ele em um 9b numa falésia qualquer pelo mundo.

E aqui um vídeozinho curto sobre uma garota americana que sempre foi diferente e quis morar numa van e escalar pra caralho. Atleta patrocinada, ela fila o wifi das cafeterias que frequenta e ferve a água do café em frigideira.

E se tem uma Persona-non-grata nesse país, esse cara é Enzo Oddo. Tomou tanta bordoada pelas cagadas que andou aprontando em sua última passagem por aqui, que sobrou até pro seu companheiro, que em teoria “não tem nada a ver com a paçoca” Gabriele “água de salsicha” Moronni. O Tribunal de Pedra da internet condenou os dois ao exílio sob ameaças e críticas duríssimas sobre suas condutas quando tiraram chapas de uma via do Marechal da Mantiqueira (queria ver se fosse via minha hehe) la de Itatiaia, e furaram um boulder porquê ao que tudo indica não tiveram as moral de escalar outras vias mais comprometidas por esse Brasil afora. Enfim… finalmente saiu o primeiro vídeo da polêmica passagem dos meninos por aqui..

Um dos protagonistas dessa confusão toda mas que depois “meio que se” provou que era inocente, o Moroni, lançou um vídeo de 45min dele escalando na espanha. Com aparições de Joe Kinder Ovo e Lucas “Braço Preto” Jáh Marques dando depoimentos calorosíssimos sobre o ruivo, o filme é legal pelas aparições de seu BFF (best friends forever), o também italiano Silvio Reffo. (aviso de mais do mesmo daquela receita de video de escalada 2012-2013: Ir num pico foda, encontrar os fodões, mandar várias vias foda, projetar uma mais foda ainda, mandar no último dia de trip e furar uma via nova, que na verdade são só meia dúzia de chapas a mais pra esquerda de outra via já com top e tudo mais, que acaba precisando de um costurão de 60cm pq a chapa nao ficou num lugar bom pra equipar nem pra clipar com costura curta – Genja, como vc tá chato!)

E falando em crítica, acho que apesar de falar muito disso e daquilo, a única coisa que eu pego no pé MEEESMO é sobre segurança. E isso inclui sobre abrir vias direito sem colocar as pessoas em risco, inutilizando trechos preciosos de rocha que ninguém vai escalar porque a via ficou “perigosa”. De nada adianta abrir um setor inteiro se as vias precisam de costuras de 60cm para ficar minimamente escaláveis. Via boa tem que ser segura mesmo equipando. Se não fica um monte de chapa na parede, praticamente desperdiçada pois ninguém vai querer entrar na via pra correr um risco gratuito. Quer correr risco vai fazer parede, big wall, guiar esticões de 20m entre paradas. Quando for abrir uma via, escale antes. Pense nos melhores lugares para EQUIPAR (colocar as costuras nas chapas), de maneira que se você cair puxando corda costurando não bata no chão, não bata em platôs. Role blocos soltos ao longo da via, agarras duvidosas voce pode reforçar com sika (mas seja discreto, por favor!) e faça uma parada amigável. Dê uma olhada nesse vídeo de como abrir uma via clássica:

Outra coisa que inclui a segurança é fazer segurança pra quem está escalando de maneira correta. Os equipamentos que usamos são testados incessantemente pelos fabricantes e fica comprovado por eles que de algumas maneiras seus produtos não funcionam, de outras funcionam com excelência. Mesmo assim as pessoas insistem em usar freios como o Grigri por exemplo, à seu bel-prazer sem se dar conta de que estão colocando a vida de seus companheiros de escalada em risco. Só existe uma maneira correta de dar segurança, e não é a que você sabe “melhor”, é a que o fabricante indica e sugere. Mas tem gente que continua achando “muito difícil” e prefere fazer de uma maneira em que o freio não evite que o escalador caia em queda livre até se esborrachar no chão. “Perca” (na verdade, ganhe) um tempinho, aprenda a fazer direitinho de seg numa via (ou duas) para um chegado, somente do jeito certo, por mais que você tenha dificuldade. Eu prometo que no final das 2 vias você vai estar conseguindo! Leia na internet, no manual do seu brinquadinho novo, veja videos na internet como fazê-lo pois um acidente por sua causa além de causar uma morte, pode fechar um pico inteiro de escalada para toda a comunidade, e olha que já não temos muitos! Enfim!! Vocês lembram daquele escalador que já mandava décimo grau antes de você nascer, o Novato, pai do Edu Marin, que com 60 anos está malhando uma via de 11b e recentemente mandou seu primeiro 11a? Pois é, ele é um que aparece dando seg de maneira completamente equivocada nesse vídeo que dá até desgosto 😦 Mas o vídeo em si é legal, e aparece ele malhando seu projeto, falando sobre motivações, sobre seus processos e que a via está próxima de sair. Isso se ninguém se matar com a sua seg hahaha

E vamos aliviar um pouco esse clima tenso que se instaurou. Curta esse vídeo de uma escalada no Marrocos. Curto, com belas imagens e um pouco de escalada. Legal a narração com sotaque 🙂

E no final, um vídeo de dois Brazucas em Bishop, provando que não é necessário muitos recursos para fazer um vídeo bem legal. Com uma Câmera, um tripé, registraram sua trip para os EUA e fizeram um vídeo muito leve e cativante até para o escalador como eu que não gosta de boulder. Detalhe para o minuto 3:30 o cara dando uma de Robert estragando o take dando A-QUE-LA coçada no saco cabulosa enquanto pensa em descer do boulder.

Bom, e já deu né? Tem mais uma série de vídeos da Paige Claassen, quem sabe no próximo post. Qual a boa do finde?

Encontrei um Equipo abandonado numa via… E agora?

Tinha que ter posto uma foto do stone nudes já que o assunto é polêmica né? ;)

Tinha que ter posto uma foto do stone nudes já que o assunto é polêmica né? 😉

Recentemente rolou uma treta entre um escalador polêmico que era daqui de São Carlos, e outro, que é de ficar mais na dele. O Polêmico pela segunda vez não conseguiu tirar um friend de uma fenda, que em teoria seria a conquista de uma nova via, que acabou não se concretizando e o friend ficou lá. Todo mundo passava por lá e via aquele frendão “xuxado” na fenda mais ou menos a 2,5m de altura, ao alcance de qualquer um que conseguisse removê-lo. Eis que mais de um ano depois, chega o rei Arthur e consegue tirar a excalibur, que de tantas tentativas fracassadas de remoção, estava um farrapo, com os cabos de aço destruídos e as molinhas empenadas.

Algumas semanas depois o polêmico solta pelas listas de discussão que estava emputecido porque tinham “roubado” seu friend – também conhecido como peça móvel, daquelas que se coloca e tira da rocha, não gerando poluição visual. Bom, passada a treta, caso encerrado, ambas as partes chegando num acordo. E eis que na revista NorteAmericana Climbing de Maio sai uma pequena matéria sobre como proceder em casos como este.

Revista Climbing - Maio 2013

Revista Climbing – Maio 2013

E a matéria é curtinha, mas vai mais ou menos assim:

O Tesouro dos Escaladores

Um Brilho no meio de uma via chama sua atenção. Seu coração bate mais forte. Suas mãos começam a suar. Será que é? O Santo graal de todo “Escalador Micróbio” e entusiastas? Sim, é isso mesmo! Uma prêmio!! E agora, o que eu faço com isso?

Metade da graça em encontrar esses “prêmios” – Equipamentos abandonados – é que eles são de graça. A outra metade é que você conseguiu tirar um equipamento entalado que ninguém mais conseguiu. Mas o que você deve fazer com ele? Fica pra você ou tenta devolver pro EX-dono? E mais importante: Você deveria tê-lo tirado de lá, pra começar? Aqui estão algumas regrinhas de etiqueta desses tesouros brilhantes que vão ajudar-lhe a tomar decisões responsáveis sobre qual equipamento você pode chamar de seu.

  • Mosquetão sozinho numa chapa no meio de uma via.
    • Provavelmente um mosquetão de abandono. Pegue-o e use-o quando tiver que abandonar uma via.
  • Uma costura perdida no meio da via.
    • Depende se a costura foi deixada como abandono ou num lugar de difícil remoção (tipo no começo de um teto). Na dúvida, deixe-a. *Nota do tradutor: Costura presa na chapa com malha rápida é parte da via, deixada pelos conquistadores ou pela comunidade local normalmente no crux. Se a fita (sling) está muito acabada e você tem uma sobressalente, não hesite em trocar, a galera agradece!
  • Uma via inteira equipada com costuras:
    • É o projeto de alguém e ele ou ela deixou as costuras na parede porque está trabalhando os movimentos da via e vai voltar pra mandá-la (ainda que no dia seguinte). Alguns picos esportivos possuem “perma-draws” (algo na tradução literal como perma-costuras – ou costuras permanentes) em vias muito negativas (onde limpar a via é muito difícil e trabalhoso) ou nas que têm muito “tráfico” (pra agilizar o processo).
  • Uma peça móvel numa via trad: Se ela estiver bem entalada lá, praticamente cimentada, é provável que seja uma proteção fixa, o que significa que todo mundo a usa (mas que você deveria usar com backup!). Veja se na descrição da via no croqui não fala nada a respeito pra ter certeza. Se alguém simplesmente não conseguiu tirar e você conseguiu, é seu. Contudo, se você viu ficar presa, ou se tem gente escalando as enfiadas acima de você, devolva.
  • Devolva equipo encontrado:
    • O esforço para devolver um equipo normalmente é proporcional ao valor. Quanto mais caro, mais vc tenta. Se é um pedaço de sucata, nevermind. Deixe pendurado pra fora da mochila as peças pra todo mundo ver; Deixe uma nota no abrigo ou com a galera, ou coloque na lista da hangon, femerj, cume, femesp, etc.. Depois disso colha a recompensa Kármica de devolver o tesouro encontrado! (e não vale devolver só com 8 o jogo de 10 costuras que vc achou dentro da sua mochila, que isso lá no Cipó tem outro nome!)

(Acaba aqui a tradução)

Sempre que nós achamos equipos abandonados no cuscuzeiro colocamos nas bases das vias: Algumas já tem mosquetão com rosca, principalmente em locais sem acesso a rapeleiros, então vc termina seu 8a, coloca uma COSTURA SUA e desce. Se ninguém mais for entrar na via AÍ SIM você pode usar o mosquetão pra limpar a via de baldinho. Não fazemos isso em itaqueri pois um FÉLA roubou todos os mosquetões das paradas das vias e já estava começando a roubar as primeiras chapas das vias (PRA QUÊÊÊÊ???).

Bem, então é isso, se encontrar um brinquedinho novo e ele estiver em condições tente devolver, se não parabéns, no jogo de sorte ou revés hoje você tirou Sorte! O dia que tiver que abandonar uma via na metade, terá sido revés (incompetência mesmo! kkkk) Mas lembre-se que mosquetão em base de via é pra LIMPAR a via (NÃO pra armar top rope) e que malha rápida no crux é pra galera que não manda o lance poder abandonar (porque aqui no brasil é foda abandonar uma costura no crux! Na verdade o mais comum é abandonar um cordim né, pq uma malha rápida em certos lugares ta mais caro que um mosquetão, ta loco! (Não na Quero Escalar 😉 )

É isso, e não percam o próximo post-homenagem com uma notícia bombástica… (velha, mas que ninguem ficou sabendo).. Aguardem..

Mais uma chapa roubada em Itaqueri e Polêmica nos EUA

Hoje escalei em Itaqueri e percebi que roubaram (mais uma) chapa do primeiro setor, mais precisamente, a primeira da via “A cuzada”. E não foi a primeira vez. No pico a galera do CUME e os locais do CMSI (Clube de Montanha da Serra de Itaqueri) vinham reforçando as paradas com correntes e mosquetões para tornar mais segura e ágil a descida de quase todas as vias (que já são mais de 50). É uma atitude insana de um ladrão que supostamente é algum rapeleiro ali da região de Brotas que vem roubando todos os mosquetões das paradas das vias, por rapel “de cima” e as primeiras chapas de MUITAS vias. (Além de MARRETAR um dos parabolts da parada de uma das vias do setor 2,5). Ainda não temos muitas pistas que possam levar ao gatuno. (só que seria um tiozão cabeludo). Escalpelamento nele?

Foto: Desnivel (Aparentemente uma parada em Cliffs - Depois nego reclama do vídeo do Mr. Trad Guy fazendo uma parada móvel! hahaha)

Foto: Desnivel (Aparentemente uma parada em Cliffs – Depois nego reclama do vídeo do Mr. Trad Guy fazendo uma parada móvel! hahaha)

E falando em polêmica, nos EUA um zé mané qualquer já famoso desde os anos 80 por “Alterar” vias já estabelecidas adicionando paradas e chapas no meio das cordadas (segundo a Desnivel, ele já quase apanhou várias vezes em yosemite) transformou um A6+ (eu achava que só ia até A5! rsrs) em um A3 alegando que de outra maneira a mesma seria “inescalável”.  A notícia completa no site da Desnivel clicando <aqui>

 Uma pena. O tratamento para ambos poderia ser o mesmo e  acho mais do que justo: Porrada.

Enquanto uns tiram, outros adicionam, vai entender!?