Atitude Positiva!!

Isa na Sonho de ícaro

Isa na Sonho de ícaro

E eis que no feriado, ao contrário dos planos de meses, faltando 5 horas pra sair de casa, mudamos o destino de Arcos pra São Bento. O motivo?! Uma escolha lógica: Em caso de Sol, escala-se em ambos os lugares. Em caso de Chuva, Em Arcos não escala-se nada e ficaríamos acampados no meio da lama, A Marta, o Felipe e eu… Já Em São Bento escala-se um pouquinho (Falésia dos olhos) porém se faz social o tempo todo. Fomos pra SBS. Ficamos na tia cida. Gastamos horrores, foi uma tragédia financeira, mas felizmente pude me permitir uma extravagância dessa vez. E para ficar com a Martinha, escalarmos juntos e se reintegrar ao SCPT foi excelente. Ela escalou, guiou, voou, foi lindo de ver. Já eu por minha vez bem… vamos aos fatos:

Primeiro dia fomos para a Falésia dos Olhos pois a previsão do tempo mandava água. Não veio, mas foi divertido. Depois de muito tempo sem escalar pude entrar na Quebradeira achando que era um quinto e xingando até a quinta geração da pessoa que me fez com tendências a ganhar uns kilos a mais quando fico sem poder escalar. Mas depois descobri que a via não é tão quinto assim quanto eu pensava. Depois, psicologicamente abalado entrei na sonho de ícaro. Sem resistência alguma, fui parando, e achando esquisito que tava quase mais fácil que a quebradeira. A Isa deu uns pegas na sonho de Ícaro, e a Bia na Bulls on Parede. O Beto, Gui e Raul ficaram malhando a “Despertar de Ícaro” um 8b novo que é a continuação pra esquerda da Sonho de Ícaro. Eu não me deixei abalar e para nao ficar parado fui na Rock and Roll na Catedral, que, ainda que a prestação, sabia que chegaria no final, porque o que eu queria era escalar.

Quebradeira. Entrei achando que era 5° e desci achando que eu estava em péssima forma! kkkkk sorte que disseram ser 6sup heheh

Quebradeira. Entrei achando que era 5° e desci achando que eu estava em péssima forma! kkkkk sorte que disseram ser 6sup heheh

E no segundo dia não tem foto nenhuma! Mas fomos pra Divisa, fizemos a rapa no setor tetos. Pude repetir a Pânico, um 7b que eu tinha mandado mil anos atrás e que eu lembro ter ficado com uma dor no pulso por umas semanas depois da cadena hehehe Mas desta vez foi tranquilo. O engraçado é que a galera já me conhece e sabe que eu sou um fanfarrão, parece que eles pedem pra eu fazer Genjices quando to escalando hehehe O foda é que a maioria das genjices (tipo todas) eu faço mais porque eu quero fazer, espontaneamente, do que por pressão popular. Mas o melhor veio depois: Tava na Pânico, me fudendo lá na contra do crux, espumando como diria o Russão, e a galera deu a maior vibe, foi da hora! Aquele momento que vc ta lá sem saber se vai dar pra ficar na próxima agarra pq ta no veneno.. costura no pé… cotovelinho subindo… Aí a galera começa a Gritar, é mto loco, dá +2 de motivação, +1 de força, +1 de resista e +1 de foco!! Aí minhas ganas de escalar foram aumentando e parece até que o que eu precisava era escalar uma via no limite pro corpo acordar… Massa demás!

Essa galerinha é da Vibe positiva!!

Essa galerinha é da Vibe positiva!!

Galerinha do Rio tava lá, dando a vibe, risada, pitaco, foi muito massa esse dia! Aquele clima massa! Sempre tem um rabugento pra conturbar as coisas (que nem tava com a nossa galera), mas nada disso atrapalha os climbs com essa turminha do barulho aprontando altas confusões. A Marta entrou duas vezes mostrando muita atitude, na primeira parte da Psicose, e ainda deu Beta pros outros que entraram depois! Ela também por pouquinho não manda a Hellraiser, na qual ela entrou guiando. _o/\o_  O Felipe e a Bia deram dois pegas na It’s only Rock and Roll e saiu cadena!! Depois o Beto, Gui e Raul foram para o setor comunista enquanto a gente fazia as já equipadas ou equipava as vias por ali mesmo. A Matriarca-Mor do Sanca Pression Team, a Naná (da época que nem tinha esse nome) estava lá com o Rôdela, o Chris, o Rogério (Figuraça)  e as respectivas (foi mau meninas, mandem seus nomes nos coments aí pra eu updatar o post depois!) . É quando vc sai do Climb leve, com a sensação de que está tudo bem e que estão todos felizes (Menos o Raul que não pode esperar a gente limpar a via no escuro, porém cuja felicidade é facilmente compravel com uma cachacinha hahaha)

 

Felipe, Eu e Marta na 3° parada da Elektra, na Ana Chata

Felipe, Eu e Marta na 3° parada da Elektra, na Ana Chata

E no sábado o dia mandava tempo bom. Fomos pra Ana Chata porque eu queria levar a Marta pra fazer sua primeira parede. LEvamos Um saco de cimento, tijolos, areia… kkkk E fizemos uma cordada de 3 com o felipe também, que também estreava em ambiente paredeiro. Tivemos que esperar 1h pra entrar na via, mas o timing foi perfeito pois as nuvens iam alternando entre sol e sombra, foi muito massa. Só no finalzinho eu achei que poderia chover a qualquer momento, mas não choveu! Ahhh, a quinta enfiada. Depois de um apertozinho na quarta enfiada que tem coisa de 30m e 3 proteções, me esbaldei de proteger a enfiada em móvel. Não é nem que tava precisando, mas é que é tão gostoso enfiar os negócio nas fendinha e ver como fica bala! No cruxzinho rolou até entalamento de joelho e semisoltamento de mãos hehehe Nas duas ultimas enfiadinhas, que é uma travessia horizontal pra esquerda de 15m mais uns 20m até o cume, eu emendei pra ganhar tempo, Mas depois paguei o preço por ter deixado os friends pra trás. Nessa última enfiada só tem uma chapa. Ta certo que é facil, mas eu meio que me senti SOLANDOOOO hehehe se eu caísse ali, ia cair MOOOOITO. Mas foi da horinha. O único lancezinho vc faz com a costura no saco. Fizemos sessões de fotos no cume, separamos equipo e descemos, chegando no carro pouco depois de escurecer. E fomos direto pra Truta! E você acredita, que a garçonete admitiu rapidamente ter errado nas contas e devolveu o dinheiro cobrado a mais sem titubear? Ponto para o time dos Trutas honestos. <Tu dun – Tsss>

A cara do Felipe nessa foto ficou muito massa!!! kkk

A cara do Felipe nessa foto ficou muito massa!!! kkk

E aí no último dia estávamos todos des-tru-í-dos. Estávamos entre ir pra Divisa ou pros Olhos, mas acabamos indo pra vista aérea seduzidos pelas promessas de vias em móvel bem protegíveis uma trilha de 5 min do carro ao pico. Eu comecei fazendo a Mamão com Açúcar, achando que era só em chapa. Na verdade ela é, mas como eu queria ter levado meus friendinhos para um lance ou outro!! (#Fikadika). Depois que a marta fez ela também, fiz com ela uma Oficina de Escalada móvel, que a Isa Chamou de TRAD CLIMBING CLINICS hehehe ela ja tava até querendo subir guiando pondo as peças (mas de top hehe).  E eis que quando a Isa ia equipar a quinto apoio pra nóis, começa a chover! Mas isso já era umas 2 da tarde! Vazamos!

Beto na Batdiedro, Vista Aérea

Beto na Batdiedro, Vista Aérea

Só sei que na viagem, pra variar, começamos a pegar o trânsito na Fernão antes de chegar na Don Pedro, mas graças ao Beta do Koberle, pegamos o desvio em Guapirocada e viemos mais tranquilos. EU só queria comer uma coxinha de posto. Adoro. já era umas 7 da noite quando chegamos na Don Pedro na altura de Itatiba, e eu tava sem comer nada o dia inteiro. Como tava gostoso, nossa!!! Ah, outra coisa a se mencionar: IN-CRÍ-VEL o congestionamento e trânsito parado, deve ter sido algum recorde ou algo do tipo, desde São Carlos até a entrada da Anhanguera pela Washington Luís, coisa de 90km de congestionamento!!!! (só que no sentido interior- capital Xupa Paulistano)

E foi isso galerinha! Muita Vibe positiva na viagem, ver os aspectos positivos de tudo pois o que importa é estar feliz sempre e não mal humorado se cobrando resultados que isso não vira! O Negócio é Cobrar atitudes e mentalidade positiva, aí sim!

Valeu, até a próxima! E pra terminar, uma foto da Seg esperta de corpo de mim para o beto clipando (costura mágica em ação)  a primeira da Veneno Antimonotonia na Vista Aérea:

Se cair cai com a COSTELA no ossinho do cotovelo hein?!

Se cair cai com a COSTELA no ossinho do cotovelo hein?!

Perca o medo de Cair – Parte 5 (aplicando na vida Real)

Vai aprender a bater asas ou ficar aí com medinho?

Vai aprender a bater asas ou ficar aí com medinho?

Provavelmente ao ir progredindo através das etapas, ou pelo menos ao final delas (detalhadas no post anterior), você já vai estar com confiança no sistema e muito mais à vontade para escalar forte com a chapa pra baixo do pé, além de seu medo de cair ter diminuido bastante. Talvez ele nunca desapareça completamente, mas ele pode ser administrado. O próximo passo é escalar uma via esportiva na rocha que te desafie fisicamente.  Escolha uma que tenha boas proteções (bolts/chapas novas) e que não tenha tantos esticões entre elas.  Você pode até fazer o clipa-e-cai numa via na rocha. Novamente, escolha sua via com parcimônia e faça a checagem pré-vôo: Cheque nós, o seg, gatilhos e roscas de mosquetões e até mesmo sente-se ao chegar na primeira chapa se quiser. 

Cuidado: Escalada esportiva é relativamente segura, ainda que o ato de cair não tem uma garantia de 100% de certeza que nada vai acontecer. Siga seus instintos e não despreze o medo racional.” Adrian Berry em Sport Climbing+

Não faça o Clipa-e-cai em vias móveis. É perigoso e além disso vai erodir a rocha no local da colocação da peça móvel. As novas técnicas mentais que você aprendeu com o Clipa e Cai podem lhe ajudar muito quando estiver escalando vias móveis em que você deve colocar suas próprias proteções. Você pode ficar mais confiante e pode relaxar mais, o que fará com que você escale melhor e possa focar em medos racionais – como a colocação da proteção, a qualidade da proteção e o perigo potencial caso você caia. Cair em vias móveis é uma proposta totalmente diferente do que cair em vias esportivas grampeadas. As peças que você coloca podem ser precárias e a linha de queda potencialmente perigosa. Ocasionalmente em vias móveis de uma enfiada, até mesmo na parte mais alta da via pode ser que haja apenas uma peça móvel que esteja bomba o suficiente entre você e o chão, será que ela segura?

Tem gente que abandona camalot por anos na rocha e depois fica: My preciousssss.....

Tem gente que abandona camalot por anos na rocha e depois fica: My preciousssss…..

Treino de quedas na Rocha

Alguns guias e instrutores fazem o treino de quedas com seus clientes. Aqui Alan Carne (www.alanduverdon.com), um guia certificado  (Brevet d’Etat Escalade) que mora num dos picos mais bonitos de escalada do mundo chamado Gorges du Verdon, na França, nos mostra como ele faz esses treinos na rocha.

Aulas de vôo – ou treino de quedas no Gorges du Verdon

Antes de começar qualquer prática de quedas na rocha, é vital que se faça um aquecimento. Isso já lhe prepara para o dia e começa com a caminhada de aproximação no frescor da manhã ou no começo da tarde. Concentrar-se em respirar bem ajuda a manter-se calmo no preparo para o que muitos podem sentir como se fosse o mesmo que “Andar na Prancha”.

Quando eu estou tentando ajudar um escalador a ficar mais a vontade com a sensanção de cair e superar seu medo de perder o controle, eu escolho falésias pequenas e calmas com a opção de vias limpas e bem protegidas.

Nós começamos com um aquecimento sutil, guiando ou de Top Rope, só para melhorar a cordenação, a respiração e para preparar emocionalmente através do estreitamento dos laços de confiança no equipamento e no Seg. As escaladas não devem ser muito difíceis, não extremas e a cabeça do escalador deve estar quieta e focada.

Com um Top Rope armado podemos começar com algumas quedinhas de Top. No começo só com o esticar da corda e depois gradativamente ir adicionando Seg dinâmica e a sensação de queda livre. Como estamos tentando aumentar a confiança no Seg, é muito importante resistir e não dizer: RETESA!

Durante uma sessão de treino de quedas eu gosto de testar a ligação entre o escalador e o seg.

Ambos devem sentir-se ligados pela corda e o escalador deve sentir-se encorajado e seguido pelo seg. Essa é obviamente a essência da Segurança Dinâmica – O seg literalmente segue o escalador durante a queda e o assegura.

A comunicação é importante mas não é simplesmente uma questão de gritar “Kamon”, “Venga” ou “Tô contigo!” toda hora. Isso só serve pra atrapalhar o foco e a concentração do escalador. O Seg deve tentar sentir e acompanhar a escalada e encorajar o escalador naqueles momentos de hesitação ou maior intensidade durante a escalada.

O Seg não é simplesmente um Gri-Gri móvel passivo, mas uma parte ativa e essencial no empenho de perder o medo de cair.”

Uma vez confiante em tomar quedas dinâmicas de Top Rope, mudamos para pequenas quedas guiando em vias levemente negativas com a chapa na altura da cintura, indo trabalhando gradualmente até conseguir pular com a chapa na altura dos pés.

As quedas devem ser dinâmicas e feitas com no mínimo 10m de corda entre o escalador e o seg, com várias costuras clipadas.

Treinos para quedas maiores ou onde a chapa está pra baixo do pé deve ser feito em rocha ainda mais negativa, mas só quando o seg estiver mestre na seg dinâmica.

Com rocha mais negativa vem uma sensação maior de exposição então pode ser uma boa idéia começar o treino de quedas com a costura na altura do peito e ir trabalhando até as quedas com a chapa pra baixo do pé.

O verdon... É LINDXU!

O verdon… É LINDXU!

Uma vez acostumado com pequenas quedas, eu tento escolher vias mais exigentes ou movimentos delicados perto da próxima chapa com uma grande chance do escalador cair. Quando eu faço isso eu encorajo o escalador a se concentrar e a continuar escalando, deixando claro que eu estou com ele prestando atenção em cada move, sempre pronto para dar uma seg dinâmica caso eles caiam.

Ainda que eu tenha destacado tanto a importância da Seg dinâmica, nem sempre é uma boa atitude quando estamos escalando na rocha. Cair durante uma escalada na rocha é coisa séria e requer concentração e dedicação tanto do escalador quanto do seg e não é apenas um treininho de “pular na corda”.

As consequências de uma queda podem ser sérias.

Os parceiros de escalada devem usar seu julgamento e estar cientes de vias com “zonas de pouso” perigosas ou quedas perigosas em que é mais negócio desescalar que tomar uma queda. O Seg deve estar a par de tudo isso e agir conforme a situação. As vezes é melhor dar um passo para trás ou retesar uma barriga de corda se o escalador corre o risco de bater no chão (ou em um platô no meio da via).

Uma vez que o escalador estiver acostumado a tomar voadas seguras em pequenas falésias esportivas o próximo passo é aumentar ainda mais essa recém-aumentada Zona de conforto para o Gorges du Verdon (famosa por suas vias míticas porém com chapas beeem longes entre si)  propriamente dito. Não é pra qualquer um e pode demorar um pouco e requerer muita experiência para superar o medo irracional de cair na “grande arena”, cheia de exposição.  Transformar os treinos de queda em parte de sua rotina de aquecimento no entanto, vai ajuda-lo a escalar mais relaxado e você irá ficar mais expert na arte de cair e de dar seg quando estiver na rocha de verdade.

Mas tem que tar com a cabeça em dia pra guiar lá!

Mas tem que tar com a cabeça em dia pra guiar lá!

É bom estar ciente dos seguintes aspectos quando faz um treino de quedas na rocha:

  • Tente manter os olhos abertos;
  • Fique mestre na Seg Dinâmica;
  • Não segure a respiração, tente respirar normalmente;
  • Deixe-se cair, não pule para trás, você pode bater contra a rocha.
  • Escolha vias com muitas chapas.
  • Muito cuidado para não fazer o “BackClip” nas costuras (costurar errado no sentido inverso: da corda passando de você para a rocha – errado!)

E é isso! Acaba aqui a Série “Perdendo o Medo de Cair”. Espero que tenha sido proveitoso e que todo mundo de agora em diante largue mão do Top Rope e comece a escalar na ponta da corda – que parafraseando o Beto – é onde a escalada de verdade acontece!

Ta vendo? Escalada de verdade é Guiando! Ou você quer ser um iniciante pra sempre?

Ta vendo? Escalada de verdade é Guiando! Ou você quer ser um iniciante pra sempre?

Eu comecei a pesquisar sobre esse tópico de superar o medo de cair porque vinha mandando alguns projetos, porém, ainda havia alguns em que o que estava me impedindo de mandá-los era o medinho de cair – e esse treino realmente me ajudou. Comecei com as voadas de Top na caixa dágua da Ufscar até que já estava pulando de top com a corda fazendo barriga no meu pé. Aí comecei a tomar umas quedinhas guiando mas com a costura na altura do ombro, e fui subindo, subindo, até que praticamente pulei com a costura na canela. No Clipa-e-Cai consegui fazer em quase todos os gomos da Caixa dágua e muito me surpreendeu gente com mais medo que eu conseguindo fazer em TODOS! Aí na rocha fiz um treino de quedas no final de ano num dia de chuva na Sunday, no Cuscuzeiro, já que eramos os unicos no pico e só tinha essa via seca. Consegui dar “UM DOIS TRÊS SALVE EU!” na chapa de cima e pular com a costura no pé! \o/  E aí fui evoluindo: Entrei pra guiar a WATCH ME que é um 6sup (pra quem não sabe meus projetos giram em torno de 7c-8b) e por SORTE a agarra do crux estava com uma casinha de vespa daquelas que é uma bolinha de barro, ou seja, estava bem menor, e eu tomei uma beeela voada, caindo quase que a via inteira. Ta bom né?! 😛 E fui ficando mais confiante até que no último sábado tirei meu diploma de graduação na arte de domínio mental: Mandei meu famigerado projeto que originou toda esta saga: A extensão da Manga com Leite no Cuscuzeiro: a Leite com Pera!  Entrei equipando, tirei os moves, dei um tempo e no segundo pega já saiu, com a seg do Grigri de ouro do Guilherme! A-hul! A “coisa” dessa via é que ela é muito bem protegida, fui eu mesmo junto com o Beto que equipei ela em 2010 (ou foi 11?), mas na hora de pagar o move e pegar no agarrão pra costurar a próxima, a costura ta no pé e é um move que não da pra desescalar… mas foi legal o processo todo de trabalho mental pra poder mandar essa única via! E fiquei mais feliz ainda que no mesmo dia mandei equipando outra via considerada o terror das cercanias onde morava, a Fly Or Die, via do Alemão que abriu várias ali no cusco como a Manga com leite, a Watch me, let’s go, Denorex, ou seja, proteções no Estilo do Verdon: poucas e espaçadas. Você paga o crux com a chapa bem pra baixo do pé e a próxima ainda demora pra chegar. E mandei essa via muito sólido, tranquilo e focado. Isso sim foi praticamente meu Tcc na graduação do mental game! hahahaha

"Grilherme":  GriGri de Ouro!

“Grilherme”: GriGri de Ouro!

Preparando pra entra no move... Leite com Pera, 7c - Cuscuzeiro

Preparando pra entrar no move… Leite com Pera, 7c – Cuscuzeiro

No meeeio do move...

No meeeio do move…

Pegou no agarrão, costurou, e agora faz o que? PRA CIMA!

Pegou no agarrão, costurou, e agora faz o que? PRA CIMA!

Ah, e antes tarde do que nunca, parabéns para o Ives que cumpriu a promessa e mandou a Sunday Bloody Sunday de primeiro pega sábado! Seu terceiro 7a , segundo do ano… keep up the good work viado!

Bom. Mas tava devendo? kkkkkkk

Bom. Mas tava devendo? kkkkkkk

Valeu galera, amanhã ou depois voltamos com nossa programação normal, tenho milhoes de videos acumulados pra compartilhar!

Ah, e para os curiosos de plantão vou ver se eu coloco em breve os videozinhos da Caixa dágua do Ives voando 4 gomos, do Daniel voando uns 5 ou 6 e da Marina pizzaiola fazendo o Clipa-e-Cai (na cda tbm)..Teria o Ives voando uns 6 ou 7 gomos, mas teve gente que filmou o saco e na hora da voada apertou o botao e parou de filmar  7:/

Perca o medo de Cair – Parte 4 (Praticando)

E vamos continuar com a série Perdendo o medinho de cair. No capítulo de hoje vamos aprender detalhes sórdidos sobre as técnicas do Clipa e Cai e como ficar mestre na arte de cair através da prática: Menos Bla bla blá e mais Bater Asinhas. 🙂

Vamos à prática!

Vamos à prática!

A via

Para começar escolha uma via que você já tenha feito e que é vertical ou negativa. Certifique-se que não há protuberâncias como arestas, quinas ou grandes saliências contra as quais você possa se chocar caso seu Seg exagere para mais ou para menos na Seg dinâmica. É bom também que você escolha uma via que não tenha agarras protuberantes contra as quais você pode vir a bater o pé. Escolha a parte mais alta da sua academia (caixa d’água) e não comece a fazer o clipa e cai até que você esteja na terceira ou quarta chapa. Você não vai querer cair e acertar a cabeça de alguém que estiver no chão quando você cair – muito menos chegar no chão!

Se você conseguir progredir até quedas para cima da costura, seria melhor que a via fosse levemente inclinada ou até mesmo bem negativa.

Quando

É melhor fazer o Clipa e Cai num momento calmo na sua academia (caixa d’água), ou numa via sem muita gente nas vias adjacentes.

Quando você está pronto

Há um outro aspecto no “Quando” que é quando você está preparado. Para alguns, fazer o Clipa-e-Cai pode ser meio assustador, mas é normal e é de se esperar um pouco de trepidação ou hesitação antes de você conseguir. Mas ao mesmo tempo estar descansado e com um pensamento positivo sobre o Clipa e Cai torna mais provável que você tenha um aprendizado eficiente mais positivo.

Todos os treinos?

Pode ser uma boa idéia incorporar o Clipa e Cai em todas as suas sessões de treino. Depois de fazer um aquecimento, encare o clipa e cai como um aquecimento para a cabeça ficar pronta para guiar.

Apertem os cintos...

Apertem os cintos…

OK Vamos começar

A Checagem Pré-Vôo pode parecer meio entediante para alguns. Mas seu propósito é certificar o escalador que vai guiar que está tudo certo com o sistema todo antes de tirar o pé do chão. Faça sua “Avaliação do Risco” no chão e não na metade da via. Assim quando estiver no meio da via o escalador não vai precisar checar seu nó ou se preocupar se o mosquetão do Seg está fechado. Se todos os ítens da “tick list” de segurança tiverem sido verificados o escalador pode se concentrar unica e exlusivamente na via e executar o Clipa e Cai.

Alguns podem achar bom verbalizar essa checagem inicial pré-vôo para ganhar ainda mais confiança. Na verdade essa prática é ótima para seu psico antes de qualquer escalada!

Checagem Pré-Vôo

    • Certifique-se que a corda está em boas condições e passada numa posição próxima ao Seg (Pense no quanto o Seg vai se movimentar quando fizer a seg dinâmica)
    • Quem guia se encorda e o Seg passa a corda pelo freio.  Agora cada um checa o outro.
      – O Seg checa a cadeirinha do escalador, se as fivelas estão fechadas e se o nó está bem feito.
      – O escalador checa a cedeirinha do Seg, se as fivelas estão fechadas, se a corda está passada corretamente pelo freio e se o mosquetão está com o gatilho fechado.
    • Olhe para as costuras na parede e veja se todas estão colocadas corretamente e parecem em boas condições. Você perguntou para o pessoal responsável pela manutenção da parede como elas estão? (Faça isso se você tiver qualquer sombra de dúvida quando você pensar em cair nelas)

Antes de começar

    • Combine com o Seg sobre em qual costura ele deverá retesar bem a corda e o escalador sentar-se-á nela para a partir de então dar início ao treino de quedas.

Comece a escalar

  • O escalador escala clipando as duas ou três primeiras costuras normalmente.
  • Quando chegar na chapa combinada, o seg retesa a corda e o escalador se senta. Isso dá mais confiança de que o sistema está funcionando. O Escalador então avisa o Seg que ele vai começar o Clipa e Cai na próxima costura.
  • O escalador vai até a próxima costura, clipa com a costura mais ou menos na altura do ombro e cai. O Seg deve assegurar-se de que o escalador tem uma queda confortável.
  • O Seg pergunta ao escalador se estava bom de corda ou se foi muito e se a queda foi confortável. O Escalador responde e o seg reage conforme as considerações do escalador. Não deixe o escalador cair mais do que eles está esperando nos primeiros estágios do treino.
  • O Escalador continua no Clipa e Cai até a parada da via e aí desce.
  • Descanse sua corda antes de fazer outra sessão de Clipa e Cai ou troque as pontas.
Se você não está caindo, Não está se esforçando o suficiente...

Se você não está caindo, Não está se esforçando o suficiente…

O Progresso

 Se você estiver muito nervoso com essa coisa de clipar e cair, um bom aquecimento é escalar uma via bem abaixo do seu limite guiando como você faria normalmente. Certifique-se que você fez todas as checagens no seg e sente numa costura no começo da via para sentir confiança no sistema. Quando você chegar na parada da via clipe a última costura e imediatamente se jogue, abrindo as duas mãos.

Então você pode progredir para os próximos estágios, movendo-se de um estágio a outro somente quando você estiver bem à vontade com o atual. Você pode sentir certa dificuldade quando avançar de estágio mas isso é muito normal. Alguns podem ficar tentados de logo no primeiro treino de Clipa e Cai a tentar já progredir de clipada na altura do ombro para clipar estando um pouco acima do bolt e tomar umas boas quedas. Mas você corre o risco de progredir muito rápido e comprometer o treino

O Objetivo é tornar-se confortável e relaxado com a queda em cada estágio. Se você se cobrar muito e avançar muito rápido (talvez por causa da pressão da galera ou para provar algo pra alguém) e começar a tomar quedas maiores mas sentir muita tensão e medo quando estiver fazendo isso, isso quer dizer que você não está evoluindo.

A técnica do Clipa e Cai também pode ser útil como um método para auxilia-lo a guiar vias mais difíceis se você está lutando para mandar vias no seu limite mas tem falhado por medo de cair. Escolhe uma via acima do limite que você acha que pode mandar a vista então vá lá e clipe e caia! Depois você pode até malhar a via pra poder encadenar. E quem sabe até você pode pensar em mandar a vista esse grau da próxima vez, porque não?

Primeiro Passo:
Quedas de Top Rope. Suba uma via qualquer de Top rope. Tome quedas de Top apenas pelo elongamento da corda em cada bolt. Estilo da Seg: De cômoda (retesada) a dinâmica. É bom também para o seg ir se acostumando com segurança dinâmica.

Segundo Passo:
Clipa-e-Cai. Clipe na altura do ombro e se jogue. O Seg faz uma Seg confortável bem justa. Essencialmente o que “amortece” a queda é o elongamento da corda.

Terceiro Passo:
Clipa-e-Cai. Clipe na altura do ombro e se jogue. O Seg faz a segurança normalmente. As quedas são um pouco maiores que no segundo passo. As quedas são amortecidas pelo elongamento da corda mais uma leve barriga de corda que o Seg deu. O Escalador não bate contra a parede pois ainda está abaixo do bolt. Esta fase é boa para o Seg treinar e evoluir na seg dinâmica.

Quarto Passo:
Clipa-e-Voa. Clipe na altura do ombro e faça mais um movimento depois da chapa costurada ou clipe da cintura ou estando numa “posição estranha” (tipo pegando uma agarra invertida ou fazendo um Flag) e aí pule. Seg dinâmica é essencial nessa hora. Pense bem na posição dos pés e aprenda como não dar pé na corda para não virar de ponta cabeça ou não queimar a perna antes do próximo passo.

Quinto Passo:
Clipa-escala-voa. Clipe na altura da cintura e escale até a próxima costura e se jogue. Atenção que é para o Seg fazer a seg dinâmica!

Sexto passo:
Clipa-Escala-Pula-Voa? Clipe na altura da cintura e escale até a próxima costura, dê um tapa na próxima agarra e se jogue tentando fazer o próximo move. Seg Dinâmica sempre. Ah, e não tente fazer isso antes de clipar a sexta costura!

O treino mental é tão importante quanto o físico!

O treino mental é tão importante quanto o físico!

Dicas adicionais para aprender a Cair, do livro: Aprendendo a aprender… a cair (Learning How to Learn…. to Fall) por Arno Ilgner.

O que fazer quando estiver caindo.

Nós temos a mania de treinar quedas, ou qualquer coisa estressante, para acabar logo com isso. Isso não só irá atrasar o nosso aprendizado, mas também vai fazer com que aprendamos errado. Nosso corpo irá aprender a ficar tenso. Aprender a cair significa aprender a relaxar enquanto estamos caindo. Aqui está uma técnica de práticas de quedas baseada no aprendizado.

1. Pequenos incrementos: Comece no toprope
Primeiro, simplesmente segure na corda e fique se balançando.
Em segundo, tome umas quedas de TopRope.
Terceiro: Tome quedas guiando.

2. Medida do aprendizado: Conforto
Para começar, fique no mesmo estágio até você estar confortável com ele.
Segundo: Você sabe que está confortável quando…
B: Você está respirando durante a queda
E: Você está olhando pra baixo durante a queda
R: Você está relaxado durante a queda
P: Seus braços estão abertos durante a queda, não pegando na corda.

3. Segurança: Dando uma seg macia

Primeiro: Não passe para quedas guiando até que seu Seg saiba te dar uma seg dinâmica e amortecida durante quedas de Toprope.

Segundo: Uma seg amortecida é quando o seg se deixar puxar pela corda quando você cai. Ele deve terminar aproximadamente 1,5m acima do chão quando você acaba de cair.  Se ele não estiver, então ele vai ter que pular conforme a corda estica. Esse é um processo de aprendizado para o Seg, tão importante quando o processo de aprender a cair para o escalador.

Clique aqui para ler o original: Learning How to Learn…. to Fall by Arno Ilgner no UKClimbing.com.

E a quarta parte é essa! Ela detalha muito bem o método do Clipa e Cai com técnicas avançadas pra você que quer perder o medinho de voar e começar a mandar cadenas extremas por aí! Mas espere! Cadenas extremas são na rocha e até agora tudo foi baseado em paredes “Indoor”. Não se preocupe: A quinta parte é exclusivamente sobre como aplicar essas técnicas que você aprendeu até aqui, durante uma escalada de verdade (leia-se: Na rocha).  Aguardem!

Perca o medo de Cair – Parte 2

Natalija Gros em alguma competição

Maja Vidmar em alguma competição

E continuando a saga sobre quem tem medinho de cair, vou colocar agora o artigo traduzido que eu havia mencionado, que ensina a técnica do “Clip-and-Drop” para ir se acostumando com voadas. Vocês estão preparados? Então vamos lá:

Existe uma maravilhosa sensação de liberdade quando você consegue esticar pra cima da última costura, escalando no seu limite, totalmente consumido pelos movimentos.  Se você não tem medo de cair, você pode aproveitar a sua posição, chacoalhar os braços e relaxar em agarras boas, clipar a próxima costura sem tremelicar e deleitar-se com a sensação de conquista quando você chega na parada da via. Acredito que podemos concordar que todos gostaríamos de guiar próximo ou no nosso limite físico tanto vias esportivas quanto trad’s bem protegidas.

Alguns de nós conseguem fazer isso, mas muitos de nós não. A maioria das pessoas funciona bem dentro da zoninha de conforto, guardando (ou economizando) muito do nosso potencial. Podemos ser capazes de escalar próximo do limite quando a costura está pertinho e escalar pra cima dela se os movimentos são fáceis, mas uma vez que temos que dar o máximo que temos, desescalamos e voltamos como um navio afundando.  Guardar um pouco da nossa energia é uma tática essencial obviamente, especialmente se a proteção é precária e uma queda poderia acarretar em consequências desastrosas, mas normalmente os escaladores falham em vias bem protegidas por pura falta de força mental para escalar acima da proteção. Muita gente desescala, pega na costura ou pede pro seg retesar e senta na cadeirinha (ou as 3 coisas de uma vez) quando se vê tendo que encarar movimentos desafiadores ou esticões.

Muitas vezes, não é porque não conseguimos fazer os movimentos, mas porque estamos com medo de cair. Isto não se aplica a todos nós, mas é comum.

Se você está escalando tranquilamente com a costura pra baixo do pé, inclusive perto de seu limite físico, este artigo e o vídeo não são para você.

Se você tem medo de cair, medo do que vai acontecer se sua mão abrir e você cair rumo ao vazio, este artigo pode te ajudar. Talvez você esteja sempre olhando na sua cadeirinha pra ver se o nó está bem feito ou se a fivela está com a terceira passada. Você pode não confiar no seu seg para te segurar, ou você pode ter um medo irracional de que a corda vai estourar. Tudo isso pode ser superado.

Podemos treinar nossos dedos, força, flexibilidade e resistência. Nós podemos aprender como colocar as proteções na rocha, mas você consegue treinar sua cabeça? Você consegue se tornar um escalador mais ousado?

Alguns dizem que ou você tem “aquela coisa” ou não. Outros dizem que basta apenas sair para escalar, um pouco por vez e você vai ganhar confiança e ficar mais à vontade.

Sair pra rocha e escalar regularmente é muito importante para confiança mas também tem uma técnica que você pode usar pra ficar mais corajoso. É a técnica do “Clip-Drop” ou Clipa e Cai que pode ser praticada na sua academia local. Você pode não acabar como o Dave Macleod, Chris Sharma ou o Adam Ondra, mas você certamente vai conseguir desfrutar mais da sua escalada se você conseguir ficar mais à vontade com a idéia de cair quando estiver pra cima da costura.

Voando!

Voando!

A Mente, por Adrian Berry

Medo Irracional

O medo irracional número um é simplesmente o medo de cair. Nosso instinto primitivo de que cair é ruim é muito forte. O pensamento racional de que você está relativamente seguro não é pário para milhões de anos de evolução instintiva. Mas uma coisa é chave: se você quer alcançar todo seu potencial na escalada, quedas devem ser aceitas como uma parte inerente do esporte. Cair é uma coisa muito estressante porque você pode escalar a vida inteira e nunca tomar uma vaca. Essa falta de costume faz com que o medo de cair cresça e quanto mais tempo sem cair, mais dificil vai ser para superar esse medo.

Aqui estão cinco coisas que você deve fazer para se livrar do irracional medo de cair:

1. Nunca pegue nas costuras.

2. Não segure na corda quando estiver descendo de baldinho.

3. Entre numa via e faça a técnica do Clipa-e-cai

4. Tome vacas.

5. Incorpore quedas na sua escalada.

O que é a técnica do Clipa-e-Cai?

Você escala uma via numa parede de escalada e quando você chega numa altura segura você clipa sua corda na costura e simplesmente solta e cai. Aí você escala até a próxima costura clipa e cai, e vai fazendo isso até você chegar na parada da via (e claro, clipar e cair).

Há variações sobre este tema, mas essencialmente é isso.

Dicas para o Clipa-e-Cai por Kate Phillips

A técnica do Clipa-e-Cai é algo que você deve incorporar em cada treino. O objetivo é ficar confortável com as quedas com pequenos estágios sucessivos e lentamente condicionar-se para apreciar a sensação de estar caindo. Forçar-se a tomar uma grande voada – “Você só precisa pular estando pra cima de uma costura várias vezes e você acostuma com a queda” – para muitas pessoas simplesmente reforça a idéia de que cair é assustador porque você encarou uma grande quantidade de medo antes de pular e tudo o que você acaba conseguindo é provar que você tem uma grande força de vontade para perder o medo. Como isso ajuda você a não pensar em cair quando estiver guiando uma via no limite?

É preciso colocar-se ligeiramente fora da zona de conforto e experimentar um nível de “stress” baixo repetidamente até você ficar confortável com a prática e aí sim ir para o próximo nível. Isso então irá expandir sua zona de conforto. O medo de cair em paredes artificiais ou em vias esportivas bem protegidas é um medo irracional. Elimine esse medo irracional e sua cabeça estará limpa para você aproveitar sua escalada e ter um desempenho melhor. Abaixo estão algumas dicas para ajuda-lo(a) com a técnica do Clipa-e-Cai. 

Seu parceiro

Você precisa de um seg que você confie. É essencial que ele tenha boas habilidades para assegurar. Ele precisa saber dar a seg “dinâmica” mas não te deixar cair um quilômetro. Vocês devem se comunicar bem. Ajuda se ambos forem conscientes das fraquezas um do outro e apoiarem-se mutuamente.

“Durante uma sessão de treino de quedas eu gosto de testar a ligação entre o escalador e o seg.

Ambos devem sentir-se ligados pela corda e o escalador deve sentir-se encorajado e seguido pelo seg. Essa é obviamente a essência da Segurança Dinâmica – O seg literalmente segue o escalador durante a queda e o assegura.

O Seg não é simplesmente um Gri-Gri móvel passivo, mas uma parte ativa e essencial no empenho de perder o medo de cair.”

Alan Carne, Guia Certificado (Brevet d’Etat Escalade)

Que tal incorporar treino de quedas em todos os treinos?

Que tal incorporar treino de quedas em todos os treinos?

Seu Equipamento

Se você está escalando e pensando que a cadeirinha que você está usando já viu dias melhores, e pensamentos como “quando foi que eu comprei ela mesmo?” ou “Será que tá muito gasta?” vêm constantemente à sua cabeça fica difícil relaxar e seguir com sua escalada. Sua cadeirinha e corda devem estar em boas condições. Você deve ter plena confiança em todo seu equipamento (e o que está na parede – pergunte para quem dá manutenção na parede sobre como as coisas estão só pra ter certeza e você ficar mais tranquilo).

Seu freio

Seu freio deve ser aquele que o seu Seg está habituado a usar e ser apropriado para o diâmetro da sua corda. Mas se você estiver usando uma corda simples de 9,1mm num ATC um monte de corda irá correr e o escalador vai ter uma seg bem dinâmica – talvez até demais resultando numa inesperada queda até o chão dependendo do lugar! Um Gri-Gri é ótimo para o clipa-e-cai, isso se você (e seu Seg principalmente) souber usa-lo.

I BELIEVE I CAN FLY.....

I BELIEVE I CAN FLY…..

E por hoje vou parar por aqui. Mas não acabou!!! A próxima parte é sobre a segurança dinâmica, que merce um post inteiro só sobre ela (Nada de retesar corda quando seu coleguinha estiver tomando aquela voada hein pessoal! Quanto mais cair, melhor!) Ficou intrigado com essa história de deixar o parceiro cair mais? Calma, não perca o próximo episódio de: Perdendo o Medinho de cair!

Perca o medo de Cair – Parte I

Veja uma das melhores escaladoras do mundo voando: Alguma careta?

Veja uma das melhores escaladoras do mundo voando: Alguma careta?

À medida que eu fui evoluindo na escalada, fui tratando de melhorar cada vez mais cada aspecto da minha escalada a conforme eu ia sentindo o que faltava para fazer as vias que eu queria encadenar(e acho que nunca vai parar):

– Trabalho de pés: Fui pro granito aprender a usá-los melhor uma vez que não tem onde segurar ou apertar mesmo.

-Pressão: Treino na garagem de casa no murinho negativo com diversas pegadas desde abaolados a regletes e pincinhas.

-Resistência: Treino na Caixa d’água da Ufscar subindo várias vezes sequenciais sem desencordar, cada vez vias mais no meu limite, o qual ia aumentando. Basquete às segundas pra correr e suar, uma vez que não suporto correr.

-Técnica: Muitas viagens para escalar, por vários lugares, dando especial atenção à escalada à vista, sem betas, em vias abaixo do limite ou no limiar. Lembrando que escalada de verdade acontece na rocha, e que resina é apenas punheta treino.

-Foco: essa veio da motivação em querer muito encadenar uma via, decorar cada pedacinho dela e executar os movimentos de maneira centrada com precisão cirúrgica. Você ganha alguns pontinhos no quesito foco cada vez que encadena uma via acima do seu limite, em que você não pode errar, ou está escalando uma via no seu limite a vista. É mais facil se é numa via que você gosta, que te motiva e te da prazer.

E lembrando também que depois que você começa a guiar sextos graus, não tem mais Top Rope, que é um artifício utilizado basicamente para aquele seu amigo iniciante que está indo as primeiras vezes na rocha e não sabe guiar ou não tem ainda força suficiente para se sustentar nem nos quintos graus. Insistir no Top Rope é deixar de lado uma das coisas mais gostosas da escalada que é a “Aventura”, ou seja, aquela sensação, ainda que leve, de incerteza, de que o inesperado e o incontrolável podem acontecer tirando seu controle da situação. Update: “Escalar de Top Rope é como nunca tirar as rodinhas laterais da sua bicicleta”. Sem contar que guiando seu nível de atenção aumenta exponencialmente e seu comprometimento acaba sendo muito maior, o que aumenta seu nivel de aprendizado de maneira concreta. Uma queda na escalada, esportiva principalmente, é a coisa mais normal do mundo, e se você tem medo de se machucar, ou já se machucou, é porque você e seu parceiro de seg precisam praticar mais as quedas.

Ótima Sapatilha!

Ótima Sapatilha!

Aí chegou um dia que eu estava forte, fazendo movimentos técnicos, com a pressão em dia, com um ótimo trabalho de pés e…. desescalando e pegando na costura porque estava com medinho de ir para a próxima agarra, que, diga-se de passagem, era um agarrão. Me aterrorizava o fato de que entre soltar uma agarra de mão direita enquanto estivesse apertando um reglete bom de mão esquerda eu pudesse vir a cair. Sabia que a corda era nova, o bolt tava colado, a chapa era importada, a costura confiável, o nó bem feito e o seg firmeza. Mas nada disso me convencia. Tentei evitar. Tentei adiar. Tentei negar. Tentei fazer vista grossa. Mas não deu. Simplesmente o que estava fazendo com que eu não pudesse praticar o que eu mais gosto de fazer que é escalar, era o medinho de cair. Não era em todas as vias. Só nas que estivessem acima do meu limite, e que tivessem movimentos delicados com a costura pra baixo do joelho. E conforme eu fui mandando as que eram melhor protegidas, foi sobrando só essas. Até que um dia eu me cansei. Quebrei minha rotina de treinos que estavam sendo inúteis: Pra quê treinar no abaolado, fazer finger, perder peso, se na hora “H” eu ia falar “Retéeeeeesa” e descer? Peguei um seg firmeza que eu confio que não ia me dar uma barriga de corda sem eu ver pra eu cair mais porque ele acha que se eu tomar uma queda simplesmente eu vou perder o medo de cair e fui pra Ufscar treinar quedas. E descobri que o medo de cair não vai embora. Então não adianta você cair pra perder o medo. Conheço várias pessoas que pararam de escalar depois de sua primeira vaca. E outras que diminuiram muuuito o ritmo de escalada depois dela por terem ficado “traumatizados” por ela, por mais limpa que tenha sido. Eu descobri que para enfrentar o medo de cair e fazer movimentos com a costura pra baixo do pé, o que vc precisa é de uma predisposição cerebral, uma estratégia, um mentalgame, tipo quando a Sininho lhe joga pózinho de pirlimpimpim e você deve ter pensamentos felizes pra poder voar. Na verdade é exatamente isso. Mas você só vai aprender como funcionam os mecanismos dentro da sua cabeça pra fazer isso, fazendo. Pulando. Se jogando, fazendo um treino de quedas. O Dave Macleod dedicou um capítulo inteiro do livro dele “9 entre cada 10 escaladores cometem os mesmos erros” para falar só sobre o medo de cair. É ele quem esta segurando a evolução da maioria dos escaladores.

Medo todo mundo tem, como você lida com o seu?

Medo todo mundo tem, como você lida com o seu?

Por isso eu pesquisei na internet alguns artigos sobre o medo de cair, porque como eu sofri desse mal alguns meses (é como alcoolismo, é preciso estar atento e tomar vuadas constantes para o medo nao voltar) comecei a perceber e me incomodar que muitos amigos meus tem esse medo mas não admitem. Então percebi que muito se fala mas nada se faz nesse sentido. Cada vez mais vejo costurões de 1,5m nas vias bem protegidas, onde as pessoas escalam de “Autotop-rope” (lembro de um artigo que o Ale Silva escreveu uma vez – talvez na Headwall? – sobre isso). O medo de cair é uma realidade para todos, e a maneira de como encarar uma queda deve ser treinada constantemente. Achei um artigo muito bom na UKClimbing.com e vou postar aqui algumas destas técnicas. Como só até aqui o post já está imenso, vou dividir por partes para os coleguinhas que tem medo de ler e de cair possam agregar esse conhecimento e sair dessa Dark Zone do climb em que nos coloca o medinho de cair.

Sim, é normal!

Sim, é normal!

E você? Tem medo de cair? Já tomou uma bela voada com a costura pra baixo do pé? SABE cair? Não perca o próximo post com informações valiosíssimas sobre como negociar com o medo nosso de cada dia de decolar das vias…