CarnavArcos!

Carnaval em ritmo de festa!

Carnaval em ritmo de festa!

O sábio erótico Clóvis Basílio certa vez disse que …”O carnaval da Vivi Fernandes é um dos melhor carnaval”… (sic). Eu vou ter que discordar. Certamente Kid Bengala não conheceu a galerinha do bem que esteve no último carnaval escalando em Arcos, no Rastro de São Pedro. Foram 6 dias de muito climb, festa e  claro, como não pode faltar em todo bom carnaval: furação.

Com a proposta de fazer um Carna diferente, gente de todos os cantos lotaram o pico, que agora conta com 102 vias esportivas praticamente. Mesmo com tanta gente, não houve fila nas vias, pelo contrário, o que rolou foi o comentário de pessoas diferentes em setores diferentes, que aquilo ali tava parecendo um ginásio de escalada: Muitas vias equipadas e muita gente dando A VIBE. E já que era ocasião, teve gente até escalando de fantasia de carnaval. Galerinha do São Carlos Pression Team pode passar o rodo em vários 7a´s e tivemos vários “primeiros 7a´s redpoint, flash e a vista”. Eu mandei meu primeiro 7c em flash (Cafeína) e se eu tivesse visto que a parada da via era pra direita e não pra cima como eu achava, teria mandado outro 7c a vista (A estréia)! Foi loco ver o Ives despertando seu escalador interior que estava dormente, mandando vários 7a´s, e até o Cleber que escala a menos de 8 meses mandou a “entre a sol e a sombra”. Beto pra variar passeando em todas as vias abaixo de nono e o Daniel com a Li curtindo uns quintinhos. Até o Sérgio apareceu com a Rose!! O Gera pôde consolidar sua escalada com vários sétimos também e aprender como NÂO se deixa a corda durante uma escalada dura tipo a cafeína<momento acuzada!>.

Pudemos conhecer os setores novos, muita via nova e todo mundo sem ficar perdido graças a um croqui bem feitinho que pode orientar a todos onde estavam as vias. Sem contar as plaquinhas estratégicas com os nomes das principais vias dos setores. Por muitos anos eu falava que tinha isso na Europa e que era muito massa, que me ajudou muito nas minhas viagens por lá, mas os vovôzinhos do Climb ficaram de putaria falando que isso tiraria o espírito da aventura. Mas aí vc vai no pico, com mais de 100 pessoas, e pergunta se essas pessoas estão reclamando? Ou se estão tendo ótimos momentos escalando com a galera e dando risada? Enfim. Parabéns ao GT Arcos pela proposta, iniciativas como essa só agregam ao esporte, que vem crescendo desenfreadamente, mesmo com tanta gente fazendo tanto pra sugar ao máximo em vez de contribuir de maneira construtiva. Sempre vai ter uma chapa que podia estar mais pra lá ou mais pra cá, é natural. Nem tudo é perfeito e a escalada é feita por seres humanos. Então em vez de reclamar, que tal aprender com os erros alheios (e próprios, claro) pra não acontecer de novo e  mandar um “Muito obrigado” pra essa galera de Arcos que vem botando a mão na massa? Valeu galera. É o Peixe, é o Cintura,  Carlão, Alexsandro, Ricardo Animal, Maurinho e uma galera que eu nem conheço mas sei que dão um trampo pro fico estar filé desse jeito.

Quando escalamos pela primeira vez a “Tufantástica” 6º, ficamos de namorico com a paredes que tem pra direita dela. E no “dia de descanso” fui com o Ives pra esse setor. Escalei uma canaleta pra direita do setor laçando árvore, vários bicos de pedra e fiz “cume”. Puxei a furadeira e desde o cume bati na virada o primeiro furo da parada da primeira via que conquistaríamos no feriado. Escalamos um escalador alto e um baixo e marcamos onde seriam as proteções. Fiz quase todos os furos mas no final tive o privilégio de “ensinar” o Ives a fazer o seu primeiro furo. Ele que vem sendo meu fiel escudeiro em várias conquistas, agora está se emancipando e botando mais a mão na massa. No final subi a via fazendo o FA (de um quinto grau, vale isso Arnaldo?), paguei uma travessia pra esquerda com a ultima costura vários metros pra baixo do pé e, completamente torto e ejetando da parede, comecei a fazer o primeiro furo da via da esquerda. Mas a bateria acabou no meio e eu tive que voltar, desescalar e deixar pra outro dia. No último dia escalei o quinto grau de novo, paguei a travessia desajeitada pra esquerda, lacei mais alguns bicos pra proteger a grande queda/pendulo e consegui terminar de bater a parada dessa outra via. Calculei certinho onde a corda iria passar pra não pegar em nenhum bico e como diriam no jargão local, “implantei”. Escalamos, marcamos e furamos. Enquanto isso a Dupla de Betos furava o final de uma via que o Betão de Divinópolis ja vinha namorando a tempos, pra esquerda da macaco não tem culpa. O Betinho subiu a mãe gaia, atravessou pra esquerda e bateu parada e vários furos no final da via. Mas a logística ficou bem comprometida pelas baterias estarem fazendo por volta de 3 furos cada uma, então era o tempo de ir na casinha deixar pra carregar e voltar pra pegar outra. Acabou que a via dos Betos não foi terminada pelo sol intenso e as bateras, mas não tardará muito voltaremos pra terminar o projeto! A outra via terminamos, deixei o Ives começar, e com umas 4 idas e voltas à casinha pra pegar baterias, o Ives furou a via toda. Está graduado na arte de furar. Agora só falta pagar acessos duvidosos com proteções precárias pra bater as paradas rsrsrs

Além de muito climb e furação, rolou muita cachaça festa a noite. Os donos do Camping tão mais pra melhores amigos que outra coisa. Nos sentimos muito a vontade, e ficamos muito gratos por poder vir ficar na casa de amigos quando vamos escalar em Arcos, isso não tem preço! E claro, numa certa altura das festas noturnas diárias rolou o momento Bigodagem: Todos os homens barbudos cortaram a barba deixando só o Bigode à lá Freddie Mercury / Seu madruga e costeletas.  Mas tipo, rolou adesão praticamente completa de todo mundo! Até as meninas fizeram bigode de Carvão. Isa, Ju, Mel, Ives, Cleber, todos que não tem barba aderiram ao movimento. Por isso a via da esquerda que conquistamos ficou em homenagem à essa galera que cortou barbas centenárias: Bigodagem, 6º. A via da direita ficou muito gostosa de escalar e por isso ficou com o nome de: “Delicinha”, 5º.

Apesar das festas noturnas no camping , todos os dias na rocha era dia de festa. Gente escalando de peruca, cartola, fantasia de pirata, máscaras de carnaval, calças com reforço de cordura kkkkkkk Maior vibe MESMO, galera se conhecendo, escalando junto, foi muito massa! Pude conhecer várias celebridades que só conhecia por facebook, se tivesse caneta pediria até autógrafo hehehe

E foi isso galera! Tem muita historia pra contar mas dessa vez resolvi ser mais sucinto no relato e encher de fotos que agradam mais né? Qualquer dia desses eu upo no xvideos os videos que eu fiz com o celular das festas noturnicas!

Valeu demais a todos que conheci no Camping, vocês são demais e espero poder escalar com vocês de novo em breve! Aos parceiros que acompanham sempre _/\_ Gratidão 😉

Novo Pico de Escalada no Interior de SP

Falésia de Tremendal - O pico novo de São Paulo é tão legal que fica em minas!

Falésia de Tremendal – O pico novo de São Paulo é tão legal que fica em minas!

A Headline é meio sensacionalista mas é verdade. Esse fds conheci um pico novo muito legal com conquistas recentes, e muito potencial para mais. Tudo começou quando eu conheci o Everton de Franca, que estava hospedado lá no espaço mandala no Cipó com a Alice no Reveion. Conversamos um pouco e ele me falou desse pico novo do lado de Franca chamado Tremendal, onde eles estavam abrindo algumas vias. Pico com cachoeira, sombra, boulders, num quartzito com muitas agarras, bem propício. Já fiquei animado, e quando ele falou que ia rolar churrasco, consegui angariar 7 pessoas pra irmos em 2 carros passar o finde por lá.

Os detalhes de porque a gente combinou de sair as 5 da manhã mas saiu só as 9 vou deixar na imaginação de vocês, mas o fato é que chegamos em Franca as 11 e pudemos conhecer a Academia de Escalada ECOLIFE. Um conceito muito legal com uma pequena parede para vertical, mas uma mega estrutura de Boulder ímpar. Logo partimos pro pico, que fica próximo à cidade de Ibiraci e é preciso enfrentar 15 intermináveis km de terra para chegar no lugar, que é uma propriedade particular. Então, claro, todo respeito é bom e o dono gosta.

Comecinho do setor floresta

Comecinho do setor floresta

Fizemos a caminhada de 10 minutos do carro até o Acampamento Base, que é uma Mega árvore com vários blocos em volta, perfeito pra montar barraca, bivacar, armar rede, enfim, sombra sob o calor de rachar que fazia. Armamos as barracas deixamos tudo pronto e partimos pra mais 2 minutos de trilha conhecer o “pico” propriamente dito. Primeiro o setor “floresta” que é mais fechado e parece ter vias mais altas, termina próximo à cachoeira. Depois voltamos um pouco e já fomos para o segundo andar, onde resolvemos ficar e fazer a rapa no maior numero possível de vias que conseguíssemos. A idéia era abrir via também, mas no primeiro dia resolvemos escalar pra curar a ressaca a escalada estava tão gostosa, o time todo entrosado que resolvemos ficar curtindo o pico e o climb. Nos divertimos horrores, a escalada é muito gostosa, as vias muito bem protegidas, então é pra você curtir a escalada e não passar medo ou passar mal, no melhor estilo esportivo com um visual muito bonito.

Estávamos o Shimoto, a Júlia, o Gregson, a Fabi, o Ives, a convidada especial Mel, que veio de Sampameo, e eu. Foi massa porque todo mundo tava na mesma pegada: Opa, pico novo com várias vias encadenáveis, escalada à vista já! No fim do dia, quase escuro já, chegou o Artur, que é de Ribeirão, mas tem um pézinho em Bauru e agora meio que mora em São Carlos. E assim foi o primeiro dia, todo mundo entrando em tudo, fomos terminar de escalar lá pras 9 da noite. E olha como tava tão calor: Todo mundo caiu pro rio pra tomar banho 10h da noite! Com excessão do Ives que deu um migué monstro, todo mundo entrou na água e tomou o banho completo. Não demorou a água já estava agradável e dava pra ficar inteiro dentro tranquilamente (é que o lugar era meio raso).

O Churrasqueiro Everton que não deixou faltar nada!

O Churrasqueiro Everton que não deixou faltar nada!

E depois do banho, churrasco! Foi mto massa, o nosso anfitrião não deixou faltar Carne nem cerveja, muito menos batatas, cebolas e tomates no papel laminado para as vegetarianas. Teve até o repeteco do show do Rafa que animou a noite no 14º encontro de Londrina ano passado. E apesar de ter dormido pouco de sexta pra sábado e de sábado pra domingo, no domingo acordei cedinho, renovado, super disposto e pronto pra mais. Fomos pra bica do lado do carro pegar água e encontramos uma caranguejeira gigante preta na trilha do tipo que deixaria o Raul com piripaque (se bem que até as pequenas já causam esse efeito nele – essa era do tamanho de uma mão). Em seguida tomamos o café da manhã coletivo. Eu logo já fui pro pico com o Ives, que já tava animado pra furar também. Tinhamos visto vários locais em potencial para abrir via, mas em um dos setores a rocha parecia muito boa, super alta e com saídinha encardida. Fomos direto pra esse setor  e  Jumareei pela corda fixa que os locais tinham deixado no setor, (infelizmente não vou lembrar do nome de todos que conheci!) e no cume joguei a corda na linha que eu tinha flagrado enquanto subia.

Café

Tomando café da manhã, com a falésia ao fundo

Comecei a descer e rapidamente estava no lugar que havia vislumbrado bater uma parada, mas era meio duvidoso. Na verdade eu senti que não conhecia muito a rocha, pois no arenito só de olhar eu já sei se é podre ou um vidro. Mas ali é rocha nova e fui descendo até encontrar rocha suficientemente sólida pra eu bater uma parada. Decidi sacrificar alguns metros de uma escalada com muitos agarrões em prol da segurança, e foi melhor, porque no final das contas a via ficou com quase 30m!!

Parada batida, puxei outra corda e deixei o top armado com uma parada equalizada, backupeado na corda que vinha do cume. Desci e na metade inferior tive que escovar tudo pois tinha muuuito limo e musgo seco nas agarras. E tudo com uma escovinha de dentes kkkkkkk Foi puta trampo, ia magnando os regletes que da parede lisa iam pipocando e tornando a escalada possível. Cheguei no chão depois de quase 1:30h pendurado e dei uma relaxada rápida, bebi muita água e comi alguma coisa. Mesmo tendo ficado quase 1:30 no sol, as vezes vinha uma brisa da cachoeira o que não tornou a tarefa tão árdua. Na sequência entrei escalando de toprope pra definir os melhores lugares pra furar e por as chapas. Saídinha forte e logo um passeio até o final que já estava na sombra quando eu saí da altura da copa das árvores. A Jú entrou na sequência pra ver se a “altura” das chapas estava ok para os anões equiparem a via. A parada ficou poucos metros à direita do final vertical de uma fenda perfeita de uns 30m em z. Só que essa fenda tem vários blocos pra rolar, então já que tinha bastantes agarras pela direita deixei a via mais afastada dela (e pra não causar polêmica com chapa perto de fenda). Quando estava chegando na parada ela puxou um video-cassete que eu já tinha visto e desconfiado que tava solto. Gritou tão alto “PEEEEDRAAAAAA” que ela ficou rouca até chegar em São Carlos. O Everton deu um matrix se escondendo embaixo de um bloco, e a pedra caiu certinho onde ele estava!!

Via1

Tirando os moves pra ver onde é melhor colocar as proteções

Passado o susto concluímos que já estava meio tarde, então já subi pra furar. Foram 12 furos, 2 brocas e tive o cuidado de colocar uma chapa melhorzinha no crux pra economizar o mosquetão da galera. E o mais legal: quando estava na metade da via olhei pra cima e observei que faltavam 6 furos e eu tinha só mais duas baterias, então resolvi deixar um furo intermediário numa das partes mais fáceis da via para o final. Consegui felizmente furar os 5 furos que faltavam, e quando, já descendo, fui aproveitar pra fazer o furo que tinha deixado por último, a bateria acabou bem no comecinho! Fica a pimentinha na via pros amigos, quem já fez um 7c lá embaixo acho que não vai reclamar do esticãozinho de 4m na parte de 4º grau 🙂

Nem sei muito o que os outros tavam fazendo, mas sei que o Ives ficou ali no auxílio mandando as coisas pra mim enquanto furava, a júlia ajudou a definir a altura das chapas e a grampeação, e o shimoto deu aquela seg esperta no top e na cadena da Ju. O Greg subiu com o Ives lá no topo da falésia depois pra desarmar as cordas fixas e demoraram mil anos pra voltar. Ficou mal contada essa história mas tudo bem, eles estão no direito deles. E a Fabi tinha tomado uma picada na testa no dia anterior, acabou ficando mais na dela. A Mel escalou uma via com o Shimoto mais cedo mas depois também não resistiu aos encantos da rede e fez uma ciesta.

Furando a segunda chapa

Furando a segunda chapa

Duas horas depois de ter saído do chão pra começar a furar, estava de volta, exausto, acabado. Fiquei pensando nas escolhas que a gente faz na vida da gente. Estava ali porque eu queria, cansado, todo dolorido, não tinha obrigação nenhuma, mas eu queria tanto estar ali, estava me divertindo tanto, estava muito feliz. A cabeça a mil, o corpo nem tava aguentando tanto “malho” que vinha recebendo nos últimos dias. Tava tão cansado que deixei a via pro Shimoto equipar, depois deixei a Ju entrar pro FA enquanto eu tirava um cochilo, ali, em cima da corda do Shimoto mesmo. E quando ela chegou no chão, o corpo ainda esgotado respondeu quando eu mandei ele levantar e ir lá, que eu queria escalar aquela via tão bonita! Lembro que a hora que levantei a Mel já me olhou e passou a garafa de café, que eu tomei rapidão e já fui pra via. A Ju me proibiu de passar mag no crux, mas achei um entalamento de joelho tão bom que até pude me permitir. Fiz o lance, costurei da melhor posição (e não da agarra ruim que tem próxima à costura) e aí foi só dar uma respirada e tocar mais 25m de curtição. Subi re-limpando e re-assoprando muitas agarras pois não havia sido suficiente da primeira vez e lá no final da via ainda vinha um ar fresco da cachoeira, que maravilha! Acabei mandando a primeira repetição, e foi muito recompensador mandar uma via que acabara de abrir. O Grau sugerido ficou entre 7b duro ou um 7c suave, tem 30m praticamente e o nome é “Intercâmbio Cultural”, devido à essa troca de experiências tão gostosa que foi esse final de semana com o pessoal de Franca, em especial na figura do Everton da Ecolife. Obrigado pelo presente de me permitir fazer uma das coisas que eu mais gosto que é abrir vias, num pico tão incrível, bonito, num ambiente bucólico e escalar com pessoas que tem sido como uma família pra mim. Não vemos a hora de voltar! Tem muita linha pra abrir ainda, espero que ainda sobre alguma quando voltarmos! 🙂 Detalhe que ao sairmos do pico pra ir embora, não vimos um lixinho, nada, o pico ficou do jeito que estava como chegamos e como tem que ser!

E claro, obrigado aos amigos que me acompanharam ao pico novo, mesmo sem saber muito o que esperar, vocês são demais! Shimoto, Ives, Ju, Fabi, Greg e Mel:

Gratidão!

Capacete cheio de Poeira: Missão Cumprida!

Capacete cheio de Poeira: Missão Cumprida!

Fazendo jus ao nome do Blog

Primeiro dia passeando pela Pedriza. Isso sim pra mim é boulder...

Primeiro dia passeando pela Pedriza. Isso sim pra mim é boulder…

Pois é! Este que vos fala mais uma vez se vai e logo se volta. E não paro, o que é ótimo! Finalmente algumas coisas que eu tinha como meta fazia meses, pra não dizer anos, se desenrolaram, e agora estou super otimista de que tudo vai dar certo (Como sempre!). Eu sei que todo mundo está ansioso pra saber da viagem do Cipó, estava enrolando pq não tinha pego as fotos com a Isa ainda, mas também tive menos de 30horas para arrumar as malas e preparar o terreno para a viagem pra espanha. O Sebá é que está certo! Diz ele que não gosta de ter muito tempo pra fazer as coisas, que é melhor deixar pra ultima hora que você acaba fazendo tudo muito mais eficiente. E é a mais pura verdade. Veja a vida por exemplo. Depois que eu tive um “estalo” e saí da Matrix, parece que tem tanta coisa que eu quero fazer na minha vida que não vai dar tempo de fazer metade!! Essa correria toda também é motivo dos posts rareados, além é claro do meu superpopular post no blog do cume sobre “Ser melhor em vez de ficar mais forte”. Semana passada até cheguei a escrever um post imenso, tipo 3 paginas de word, só sobre filosofia de buteco, relacionamento, comportamento, atitude e a origem do universo. No fim das contas senti que era muita viagem pra pouco foco e acabei deixando de publicar (mas ta ali nos rascunhos, um dia quem sabe!).

Bem, enquanto estava no saguão do aeroporto esperando dar a hora do embarque, e depois de ter trabalhado um pouquinho, escrevi um pouco da viagem do cipó mesmo sem fotos significativas.

Júlia na Lamúrias no primeiro dia, aquecendo/aclimatando

Júlia na Lamúrias no primeiro dia, aquecendo/aclimatando

O Pico está DE-MA-IS. Claro. Arcos é tudibão, e tem potencial, mas o cipó está no epicentro das grampeações e cada vez que eu vou lá, não só o número de vias mas também de setores que duplica ou triplica. Quem diria, me senti quase em Arcos hahaha Você vai passando num setor completamente novo que vc nao fazia idéia que existia, com paredes de 30m cheio de agarras (veja que eu disse agarras, pq os agarrões estão em Arcos). Conheci o Vale Zen… Da última vez tinha sido o da perseguida a novidade (e antes o foda, e antes o cangaço), mas agora tem o coliseu, república dos chilenos, PCC, Vale zen, casinha amarela e G1 (bico do papagaio?). E parece que tem muito mais por ser aberto, Enquanto os generais de 10 estrelas ficam atrás da mesa com o c* na mão deliberando que não se deve mais abrir vias no cipó, as vias antigas, clássicas e já meio alisadas de tanto abuso, vão sendo aliviadas pelos pioneiros locais como Barão, Fei, Waguininho, Magrão entre outros, que dão o gás pro pico continuar 1000 estrelas e dar conta de suportar a tendência internacional de escaladores (e vias) que só aumenta. E cada vez mais rocha aparece, e mais um setor, um vale, uma gruta surge e a gente fica de boca aberta de novo com o potencial e qualidade das vias. Daqui a pouco a gente vai ta indo pro G3 pela zuma pois cada vez os setores estão ficando mais perto entre si, e a sala de justiça desafogada. Mas também grandes poderes vem acompanhados de grandes responsabilidades. No mundo inteiro e aqui não seria diferente. Com o aumento do número de escaladores também aumenta o número deles que não fazem nem idéia o que estão fazendo e não é dificil encontrar gente entrando guiando um oitavo grau sem ter nunca nem ter guiado na academia ou “malemá” sabendo fazer seu próprio nó. E o pior é que as pessoas batem no peito orgulhosas que não tem instrução especializada (como se isso fosse bom) e mau sabem a vergonha alheia que estão passando. Se até a gente acostumados ao partner check nos pegamos encordados só na perneira da cadeirinha, e sabemos que “não pode”, imagina quem não faz idéia e não checa? Bom, nos resta espalhar a palavra com responsabilidade e bancar os chatos que saem corrigindo a galera no pico (É mto mais fácil que carregar o malaco com a perna quebrada ou na maca trilha abaixo, garanto).

Isa, Genja, Beto, Julia e Seba - Os integrantes do SCPT nessa Trip

Isa, Genja, Beto, Julia e Seba – Os integrantes do SCPT nessa Trip

Para a viagem fomos A Júlia, o Sebá, nosso amigo italiano máquina que esta ficando 2meses em São Carlos, Isabeto e eu. No primeiro dia escalamos no Vale Zen depois de aquecer nas clássicas (Lamúrias, injustiça…). O Beto apresentou o 9c (8aFr) mais famoso do Brasil pro Sebá, a Heróis da Resistência, enquanto eu buscava os locais para mais informações sobre os novos setores. Já no Zen, Fiz a via “Gigante pela própria Natureza”. Maravilhosa, 7a de 35m medida na tinta do meio da corda! Como eu Não estou escalando nada me coloquei pequenos desafios e mandar essa via a vista equipando foi muito bom de ter conseguido! Todo mundo curtiu e meio que passou aquele veneninho no mesmo lugar X da via que eu não vou dizer onde é hehehe. Ainda no final do dia a Isa e eu entramos na via que supostamente é a Estriquinada, via que a Rafa abriu, um quintinho muito bem equipado, curtinho, ideal pra quem está começando a guiar. Só de curiosos ela e eu entramos na via do arco, bem na entrada do vale zen, mas por precaução com relação ao meu dedo (e por incompetência) fui só até a metade. No segundo dia fomos pro Vale da Perseguida, onde pude aquecer equipando a “Vai Mané” 7b, e mandar no segundo pega. Enquanto a Isa e a Jú entravam na Chorrera Musical. Depois ainda fiquei azedo pois entrei numa via sem saber que tinha regletes, e meu dedo ainda não estar 100%. Acho que o nome da lazarenta era “Por entre as pernas da perseguida” 7c/8a (mas é  uma via mto massa e quero entrar de novo qdo tiver bão). Nessa hora chegou o Rio de Janeiro Aderencion team liderados pela Naná, contando com Rogério, Rô e o famigerado Preza, que era figurinha carimbada nos picos mas que eu ainda não conhecia. FIgura! No final do dia ainda ganhei um presentão da Júlia tendo mandado no flash a Olho do Observador, láa no outro setor, o já tradicional Anfiteatro, na verdade pelos nomes das vias acho que é na caverna do dragão hehehe. Não tinha adesivo na via, então fui pro “descanso” na esquerda, o que me fez sugerir 7a pra via, mas deu uma vontadezinha de tentar o 7c reto. Via animal! Recomendo!

Preza, eu, Sebá, Naná, Rô, na frente: ROgério, Beto, Julia e Isa

Preza, eu, Sebá, Naná, Rô, na frente: ROgério, Beto, Julia e Isa

No terceiro dia voltei pro Zen com a Júlia e a Isa por causa do beta do Preza, de um 6° (Avenida Brasil) e um 7b (FlashBlack). O Riodejanereiton Aderetion Team foi pro Antão pra poder ficar mais perto do Aeroporto e pro Preza que está no Lesionados pression team assim como eu poder escalar alguma coisa. Voltando ao caso do Zen, como o Daniel de Joinville estava na Avenida Brasil (teoricamente um sexto), entrei no 7a e mandei meio a vista (meio a vista pq quem tava no chão cantou a agarra do outro lado da aresta – sorry Gui pelo spoiler, fica de troco pelo beta da chapa na direita da canaleta da gigante hahaha). Mais uma clássica do pico das que vale a pena fazer sempre que se vai pro Cipó, junto com a Gigante, a Lamúrias, a Tatara, a Cravo e a Rosa, enfim… Entrei no sexto e passei um sufoco!! PQP! Muito mais foda, com uns abaolados de ombro e em vários momentos eu me vi VOoaaandoooo só não voei pq a cabeça tava boa e apertei mesmo me vendo voando e não ficando nos abaolados, ia pros moves com dedicação e acabei mandando com a vibe da Jú e da Isa. Foi naquele esquema: “…só mais uma agarra vai, não to tão tijolado assim, além do mais se eu cair ótimo que assim já não fico mais com tanto medinho”. E funcionou hehehe. Mais tarde mandei um 7a no strictu sensu da palavra, sem saber nada. o Fei apareceu pouco antes e falou que tinha essa via nova que o Vaguininho tinha aberto, “Avenida das torres” ou algo assim. Láaaaa por entre a 8° e 9° chapa tive que abusar de minha altura, fazer entalamentos de joelho, asa de galinha, passei um sufoco, quase perdi a cadena pois fui muito pra direita, tomei marimbondada na cara (sim, marimbondada, eles trombaram comigo mas nao picaram)… mas no final deu tudo certo e acabei mandando! Ufa! Eu pensava: Tenho que mandar pra nao ter que passar por isso de novo hehehe Depois a Julia entrou e achou um monte de agarra que eu não vi. Provavelmente quando a via estiver mais limpinha vai ficar mais sussa (mas é da hora!).

Puts… e no ultimo dia… mano… Último dia fomos num lugar Magnifíc! O Magrão passou todos os betas de como chegar, fez um mapinha ishperrrto de um setor novo que tinham acabado de abrir algumas vias (tinha pó dos furos na parede ainda). São aqueles bicos que dá pra ver ali do abrigo do magrão, no G1 ainda.. à esquerda da “assombrolhos bicolhos”. Tipo meia hora de caminhada, passa por um vale muuuito lindo, cheio de umas flores vermelhas grandes, um microclima umido e frio, no meio do “agreste seco” pelo qual passamos antes pra chegar la. Passamos por dentro de uma Cave cheia de espeleotemas muito bonita, e depois demos a volta pra acessar o platô onde começam as vias. Fiz um 7c do magrão chamado “Vô coruja” A-NI-MAL. via também de 35m ou mais, com começo de 6°grau, depois um negativo de agarrões, e depois um lance vertical meio “tricky” e no final pra variar, canaleta. Fui só até o lance vertical e desci pois dali pra cima não estava equipada e eu não tinha levado costuras (e fiquei com uma puta preguiça tbm, último dia de climb sabe como é né?). Enquanto eu entrava nessa com a Isa, o Sebá, nosso Italian very relaxed man entrava com o beto na do lado, que é um 7a até a metade e depois vira um 9c. Eu já estava na capa da gaita mas ainda dei um peguinha sem compromisso na parte de 7a do 9c. E aí fomos pra casa, comemos o resto da lentilha que a Ju tinha feito pra 18 pessoas na noite anterior (mas eramos em 5), e vortemos. Na volta ainda pegamos um congestionamento de 1h em Rio Claro onde ficavamos nos estapeando Julia e eu para ficarmos acordados.

Beto, na Tecnicamente apelidada de "Falsa Lamúrias" no G1

Beto, na Tecnicamente apelidada de “Falsa Lamúrias” no G1