Nova via em Itaqueri (não é primeiro de abril)

A foto do post de hoje não é em Itaqueri, mas sim a Marina na Fimose.

A foto do post de hoje não é em Itaqueri, mas sim a Marina na Fimose.

Todo mundo acreditou na lorota de primeiro de abril que eu criei. É simples, contei vários fatos reais como nossa busca incessante por picos novos na região do arenito e linkei-os a uma mentirinha. O problema de não termos ainda um pico novo sempre acaba sendo: As mesmas 3 ou 4 pessoas somente nessa busca para cobrir uma área muito grande, com um carrinho que não é lá muito indicado para andar nessas estradas de terra. Depois, quando finalmente chegamos a algum setor com certo potencial: Ou o dono não deixa entrar, ou é um deserto em face norte com sol das 8 da manhã as 8 da noite, sem nenhuma árvore pra fazer sombra nem para o seg. Mas na maioria das vezes é que realmente a rocha não tem nenhuma agarra mesmo (as que tem o dono não deixa entrar). Por isso ficamos tão maravilhados com o calcário de Arcos, pois onde vc bate o olho sai um 6ºsup. E claro, tivemos também um pico fechado por conta de escalador que não soube respeitar regras (Antes mesmo de sua abertura). No outro pico que fechou, o escalador parou de escalar, falou com o dono que era seu amigo e este pediu para que ninguém mais entrasse na sua propriedade. Muy amigo. Mas enfim, ainda acredito na redenção das pessoas e dos picos de escalada, estamos sempre abertos para trocar idéia na boa e tentar reabrir tais picos. (E no outro pico o dono começou a criar abelha no topo das vias… porquê não gostava de escaladores).

Mas enfim! Com isso, os picos atuais vão ficando cada vez mais saturados de gente, e de vias. O que é uma faca de dois gumes, mais vias atraem mais pessoas, só que mais pessoas pedem mais vias, para distribui-las melhor e desafogar um pouco as vias. Pensando nisso, no dia 27 de março fui pra Itaqueri sozinho estrear alguns brinquedinhos (como a furadeira, que era verdade que tinha comprado uma nova), uma mochila Osprey para avaliar a possibilidade de trabalhar com a marca na Quero Escalar, e a sapatilha Latex, da marca Spyffer que o Snakinho está fazendo artesanalmente. Com isso, escalei em solitário a Sinos do barão, fiz manutenção na parada que havia sido “marretada” 1 ano atrás e teve as chapas roubadas (sim véio, tem gente q faz isso, rouba chapa, mosquetão e martela os bolts das paradas de vias). Depois, coloquei uma chapa que tinha ficado faltando na Motor de Lancha na época da conquista, tipo 4 anos atrás (Esticão no more!). Desci, almocei, e fixei a corda na nova parada da Sinos do Barão (não necessariamente nessa ordem, como vocês podem imaginar kkkkk).

Com movimentos bastante técnicos e um pouquinho de força

Basta um pouquinho de força e técnica pra superar o tetinho do começo.

Aí subi, puxei a furadeira, paguei uma travessia meio exposta pra esquerda da Sinos e bati uma parada na reta da linha da via que eu tinha em mente fazia anos. Desci com o facão fazendo a jardinagem, tirando alguns cipós, galhinhos e espinhos da linha da via, tirando terra de agarras e rolando pedras soltas. Então pus a sapatilha e subi com uma corda fixa em solitário escalando, marcando onde ficariam melhor as proteções, calculando com a medida do meu cotovelo para os anões poderem equipar a via (viu Si, Fabi, Bia, Beto..). Uma vez la em cima, puxei a furadeira e desci furando. Não gosto muito de conquistar via sozinho pois em Itaqueri fizeram isso (sem contar que rapelaram furando sem escalar antes – lamentável) e a via ficou uma merda, ninguém escala (Caso o referido quiser arrumar a via, me chama que vou junto com a furadeira, chapa, etc.. pra dar o trampo). Por isso é a primeira vez que conquisto assim, mas desta vez confiei na minha experiência e na fórmula de escalar a via antes e avaliar as quedas, bolt por bolt, move por move (se cair agora… e agora… e agora…) e assim a via ficou segura e fácil de equipar, até pelos baixinhos. E a via estava pronta! Ficou uma das vias mais longas de Itaqueri, e a mais longa do setor 2,5, com quase 20m.

Tem um tetinho fácil no começo - não se deixe intimidar pois é uma via que eu gostei muito!

O tetinho no começo – não se deixe intimidar pois é uma via bastante agradável!

Após pensar muito num nome, resolvi adotar um nome mais politicamente correto e homenagear o parceiro que se foi ano passado, também por sentir estar de alguma forma passando por uma fase similar ao que ele vinha sentindo. E a via ficou uma homenagem pois umas 3 semanas antes do ocorrido, o Shimoto levou uma voadora de uns Perus que ficam na entrada de Itaqueri. E a via ficou sendo a Voadora de Peru. Achei que seria um 6sup, mas esse fds o Ives repetiu a via e deu 6º bola. Ele isolou uns regletões, usou uma aresta meio pra direita, diferente do que eu tinha visualisado, mas estava a vista, então kamon. “Voadora de Peru” 6º/6sup, setor 2,5 em Itaqueri – À esquerda da Sinos do Barão, 7 chapas e base (levar 8 costuras – Sugiro uma costura de 30 ou 40cm para a segunda chapa para a corda não raspar na virada do teto).

Aí domingo a gente tava indo pra invernada, mas o tempo tava ameaçando abrir e tocamos pra Itaqueri, onde pudemos fazer uma sessão de fotos na via antes de começar a chover. Fazia MIL anos que eu não saía em fotos, especialmente tiradas de cima, então obrigado Ives pelo empenho! Bem, em breve farei um review da Sapatilha Spyffer, em principio não estou acreditando no que estou usando. Em breve mais infos!

Vídeos Comentados

Tem uma foto sua escalando, garota? Manda pra eu decorar o próximo post! ;D

Tem uma foto sua escalando, garota? Manda pra eu decorar o próximo post! ;D

Tá, toda semana eu coloco vídeos comentados, principalmente nas semanas que estou escalando menos, mas preciso mudar o título do post cada vez em quando 🙂

Não vou por as fotos de Arcos ainda pois ninguém me passou as respectivas, né Sr. Guilherme e Dona Bia?

Por enquanto vamos conferir os vídeos que foram sucesso semana passada pela net afora.

Semana passada saiu um vídeo da Mayan Smith-Gobath no Brasil. Parece que ela não para quieta e agora foi pra Oceania escalar um dos picos mais famosos do novissimo continente. Localizado na Nova Zelândia, a Totem Pole é uma batata frita gigante em pé de 5×5 e uns 40m de altura no meio de duas paredes a beira mar. Bonito e aventuresco. Vira e mexe aparece propaganda de alguma coisa nesse lugar pois é muito clássico. Mas já virou meio clichê de tanto aparecer, igual fotos do chris sharma fazendo psicobloc em Mallorca ou do Adam ondra sem camisa se camuflando numa rocha calcaria branca como ele em um 9b numa falésia qualquer pelo mundo.

E aqui um vídeozinho curto sobre uma garota americana que sempre foi diferente e quis morar numa van e escalar pra caralho. Atleta patrocinada, ela fila o wifi das cafeterias que frequenta e ferve a água do café em frigideira.

E se tem uma Persona-non-grata nesse país, esse cara é Enzo Oddo. Tomou tanta bordoada pelas cagadas que andou aprontando em sua última passagem por aqui, que sobrou até pro seu companheiro, que em teoria “não tem nada a ver com a paçoca” Gabriele “água de salsicha” Moronni. O Tribunal de Pedra da internet condenou os dois ao exílio sob ameaças e críticas duríssimas sobre suas condutas quando tiraram chapas de uma via do Marechal da Mantiqueira (queria ver se fosse via minha hehe) la de Itatiaia, e furaram um boulder porquê ao que tudo indica não tiveram as moral de escalar outras vias mais comprometidas por esse Brasil afora. Enfim… finalmente saiu o primeiro vídeo da polêmica passagem dos meninos por aqui..

Um dos protagonistas dessa confusão toda mas que depois “meio que se” provou que era inocente, o Moroni, lançou um vídeo de 45min dele escalando na espanha. Com aparições de Joe Kinder Ovo e Lucas “Braço Preto” Jáh Marques dando depoimentos calorosíssimos sobre o ruivo, o filme é legal pelas aparições de seu BFF (best friends forever), o também italiano Silvio Reffo. (aviso de mais do mesmo daquela receita de video de escalada 2012-2013: Ir num pico foda, encontrar os fodões, mandar várias vias foda, projetar uma mais foda ainda, mandar no último dia de trip e furar uma via nova, que na verdade são só meia dúzia de chapas a mais pra esquerda de outra via já com top e tudo mais, que acaba precisando de um costurão de 60cm pq a chapa nao ficou num lugar bom pra equipar nem pra clipar com costura curta – Genja, como vc tá chato!)

E falando em crítica, acho que apesar de falar muito disso e daquilo, a única coisa que eu pego no pé MEEESMO é sobre segurança. E isso inclui sobre abrir vias direito sem colocar as pessoas em risco, inutilizando trechos preciosos de rocha que ninguém vai escalar porque a via ficou “perigosa”. De nada adianta abrir um setor inteiro se as vias precisam de costuras de 60cm para ficar minimamente escaláveis. Via boa tem que ser segura mesmo equipando. Se não fica um monte de chapa na parede, praticamente desperdiçada pois ninguém vai querer entrar na via pra correr um risco gratuito. Quer correr risco vai fazer parede, big wall, guiar esticões de 20m entre paradas. Quando for abrir uma via, escale antes. Pense nos melhores lugares para EQUIPAR (colocar as costuras nas chapas), de maneira que se você cair puxando corda costurando não bata no chão, não bata em platôs. Role blocos soltos ao longo da via, agarras duvidosas voce pode reforçar com sika (mas seja discreto, por favor!) e faça uma parada amigável. Dê uma olhada nesse vídeo de como abrir uma via clássica:

Outra coisa que inclui a segurança é fazer segurança pra quem está escalando de maneira correta. Os equipamentos que usamos são testados incessantemente pelos fabricantes e fica comprovado por eles que de algumas maneiras seus produtos não funcionam, de outras funcionam com excelência. Mesmo assim as pessoas insistem em usar freios como o Grigri por exemplo, à seu bel-prazer sem se dar conta de que estão colocando a vida de seus companheiros de escalada em risco. Só existe uma maneira correta de dar segurança, e não é a que você sabe “melhor”, é a que o fabricante indica e sugere. Mas tem gente que continua achando “muito difícil” e prefere fazer de uma maneira em que o freio não evite que o escalador caia em queda livre até se esborrachar no chão. “Perca” (na verdade, ganhe) um tempinho, aprenda a fazer direitinho de seg numa via (ou duas) para um chegado, somente do jeito certo, por mais que você tenha dificuldade. Eu prometo que no final das 2 vias você vai estar conseguindo! Leia na internet, no manual do seu brinquadinho novo, veja videos na internet como fazê-lo pois um acidente por sua causa além de causar uma morte, pode fechar um pico inteiro de escalada para toda a comunidade, e olha que já não temos muitos! Enfim!! Vocês lembram daquele escalador que já mandava décimo grau antes de você nascer, o Novato, pai do Edu Marin, que com 60 anos está malhando uma via de 11b e recentemente mandou seu primeiro 11a? Pois é, ele é um que aparece dando seg de maneira completamente equivocada nesse vídeo que dá até desgosto 😦 Mas o vídeo em si é legal, e aparece ele malhando seu projeto, falando sobre motivações, sobre seus processos e que a via está próxima de sair. Isso se ninguém se matar com a sua seg hahaha

E vamos aliviar um pouco esse clima tenso que se instaurou. Curta esse vídeo de uma escalada no Marrocos. Curto, com belas imagens e um pouco de escalada. Legal a narração com sotaque 🙂

E no final, um vídeo de dois Brazucas em Bishop, provando que não é necessário muitos recursos para fazer um vídeo bem legal. Com uma Câmera, um tripé, registraram sua trip para os EUA e fizeram um vídeo muito leve e cativante até para o escalador como eu que não gosta de boulder. Detalhe para o minuto 3:30 o cara dando uma de Robert estragando o take dando A-QUE-LA coçada no saco cabulosa enquanto pensa em descer do boulder.

Bom, e já deu né? Tem mais uma série de vídeos da Paige Claassen, quem sabe no próximo post. Qual a boa do finde?