Na estrada parte 2/3

O Parceiro, Fábio!

O Parceiro de trip, Fábio!

E se eu não me apressar com esses posts logo serão mais partes hahaha

Mês passado teve o lançamento do guia de escalada mais esperado da década depois do guia do Cusco, é claro ;). Foi lá na Serra do Cipó que os escaladores locais Barão, Belisário e Wagninho lançaram o Guia de Escalada da Serra do Cipó. (Já disponível na Quero Escalar) 😉 Não poderia deixar de prestigiar este que para mim foi um acontecimento mais importante que qualquer abertura de temporada, campeonato ou festival. Um guia de escalada tão completo da melhor área de escalada do Brasil realmente não poderia passar em branco, ainda mais com o campeonato que marca a abertura de temporada no Cipó?! Vish, fui memo, ta ligado?

Esse Guia é o Bicho! E sabe onde tem? Isso mesmo, na Quero Escalar!

Esse Guia é o Bicho! E sabe onde tem? Isso mesmo, na Quero Escalar!

Combinei com o Fabio de Porto Ferreira, que ao contrário de mim que estava a trabalho, está num período sabático. Ninguém de São Carlos animou ir mas mesmo assim eu me joguei pois sabia (e estava era mesmo precisando) que ir para um lugar incrível e reencontrar os amigos de longe e conhecer um monte de gente boa não me soava nada mal. Saímos de Porto Ferreira numa quinta, chegamos no magrão a noite, armamos barraca e lá ficamos até domingo. Na sexta feira pudemos escalar, já começamos a reencontrar a galera pelo pico e conhecer outros tantos. A noite era o principal motivo de nossa viagem, colamos no Espaço Mandalla para o lançamento do Guia. Nossa, só personalidade… tietei horrores, tive o privilégio de apertar a mão e conhecer o Antonio Paulo Faria, graaaande figura da escalada brasileira que pelas histórias hilárias provou porquê é um figura tão carismático e respeitado por onde passa. Conheci o Sapo, da Sapo Agarras, Reencontrei a Flora e o Tommy da 4 ventos (marca de roupas e mochilas do Paraná). Do Paraná Também estava o Chiquinho da Alto Estilo e o Ed da Conquista, com quem pude conversar pessoalmente pela primeira vez sobre a polêmica entre a Quero Escalar e sua marca. Pessoa humilde, que conversou numa boa sobre o ocorrido. Pude então finalmente conhecer outra figura bastante carismática e conhecida que é a escaladora Nereida, entre outros tantos não tão anônimos quanto este que vos fala. Pela primeira vez pude trocar algumas idéias com o Belisário pessoalmente, gente finíssima também. O lançamento foi uma festa mesmo, a galera toda super alto astral, a viagem estava só começando mas começou muito bem. A qualidade do guia realmente cumpriu o que prometeu e não deixou nada a desejar a nenhum guia gringo.

No segundo dia iria ter o festival, eu com meu mimimi ombro zuado fui só rapidinho pra prestigiar e pegar a camiseta do evento. Tocamos pra pedra escalar mas no fim do dia voltamos para ver as finais do Master. Aí foi um show a parte. Um show da parte da organização, um show por parte d@s atletas que deram um espetáculo ali ao ar livre. Pude ver grandes personalidades como Jean Ouriques, Rafael Passos, Haddad e o máquina Felipe Camargo (entre outros não menos fortes/importantes) flutuarem pelos boulders, este último com brutal vantagem física e técnica sobre os outros. No feminino foi de encher os olhos ver a flora demonstrar uma técnica apuradíssima que só quem escala muito na rocha consegue ter, ou ver a pressão incrível da Maíra Vilas Boas destruir alguns boulders. Tietei mais ainda. Tirei foto com um cara que eu admiro muito e já tinha trocado idéia que é o Fei (tipo o Dani Andrada Brasileiro, um dos caras que mais abre via no Brasil), fiquei admirado com a simpatia e a humildade do Felipe Camargo, que ficou trocando uma idéia de boa um tempão e contou dos planos e de seu rolê pela Europa (por acaso essa semana ele mandou um 9a Francês la em margalef).

No domingo foi Mara pois pude escalar com o Graaaaande Maurinho de Divinópolis na sala da Justiça. Conheci finalmente personalidades do Climb Mineiro como a Renatinha e a própria Maira Vilas Boas que tava no Magrão com a gente. Conheci gente muito animada com o climb, gente normal sabe? Gente que tem vida não-climb além do Climb – Tipo de gente que as vezes falta no meio da escalada pra trazer uma perspectiva diferente pra gente que fica só bitolado no climb. Pessoas tipo a Silvia de Sampa que eu já conhecia, ou a Alaine de BH. O Lucas que fez janta com a gente no magrão, e no outro dia entrou a vista na Inquilinos (9a) do meu lado na sala da Justiça e mandou de segundo pega. A humildade do maluco é maior que a força na escalada, e a simpatia supera tudo! Finalmente conheci o Garrinha, vi ele escalando só um 6 grau, mas ali eu já flagrei que o bicho manja dos paranauê de subir pedra. Menos quando tem queda com pêndulo né Garrinha? rsrs Galerinha de Montes Claros aaaltamente alto astral, nuuu… que foi isso!? Tiago, Fernandinha, Cris, (e o quarto elemento todo quietão que eu esqueci o apelidooo) nuuu… Se a galera de MOC é que nem essa turma, vou pra lá em breve!!  Enfim, foram 3 dias de um intensivão de gente Alto Astral, a Vibe lá na lua, foi coisa fina mesmo, tipo uma lobotomia de boas vibrações. Tipo aquilo que o Chico Xavier usa pra pagar o ônibus… um passe!! 

Ahhhh, o Cipóoo. Mas o domingo chegou e o Fábio e eu vazamos. Fomos para a segunda etapa do nosso rolê, que estava só Começando: Arcos. Mas essa Trip foi tão da hora que não da pra contar tudo num post só, mas se liga que o próximo post eu conto do Setor novo no qual a gente abriu as primeiras vias e do abrigo classe A pra escaladores lá de Arcos. No te lo pierdas!

Calça Bermuda? Conheça a “Cadeirinha Bermuda”!

Não sei se começo a falar do fator “tanga” de quem escala com aquelas calças da by jurássicas com cordura na bunda ou no joelho, ou do fator doug funnie que me acomete. Vamos pelo segundo: É muito difícil encontrar roupa decente para escalar no Brasil. Quando se encontra, e se olha o preço, normalmente o que acontece é pensar que o preço até está bom, um pouco caro, porém, até justo pois existe toda a cadeia de produção de distribuição bla bla bla. Mas o que se passa em seguida é que não tinhamos visto o número 6 do lado, indicando que aquele valor que julgávamos elevado porém justo, é a primeira parcela de outras 5 que se seguem: Tornando a compra de roupas de escalada no Brasil uma verdadeira piada. Só compra roupa de marcas de montanha no Brasil quem tem dinheiro sobrando, pois quem compra com lógica e razão nunca vai comprar uma camiseta por R$120 ou uma calça por R$180. A menos é claro que você esteja acostumado a comprar roupa no shopping e compra suas camisetas Pollo e Raulph Laureen em promoção por R$150. Eu pelo menos não pago nem R$40 numa calça Jeans. NO FUCKING way. Tenho só 2, e uma custou menos que isso (R$39 nessas lojas tipo “Lojão Éd+”, e a outra minha mãe me deu (e foi no mesmo esquema). Minto, agora tenho 3 mas a terceira também foi presente :). Enfim, depois de dissertar mil anos sobre moda, economia e sociedade, vamos ao que interessa: O Fator Doug Funny. Doug Funnie era o cara que tinha sempre a mesma bermuda, a mesma camiseta e o mesmo colete verde em todos os episódios, e, inclusive mostra uma imagem de seu guarda roupa num episódio, onde todas as peças de roupa são iguais. Pois bem, eu, com 1,90m tenho o complexo do shorts da copa de 70, pois qualquer short normal me fica pra cima do joelho, o que, com cadeirinha, faz com que fique ainda mais curto, me deixando parecidamente com um short que a seleção usava na copa de 70 (também conhecido como shortinho da FUNAI). Daí que nos últimos anos encontrei em super promoções umas bermudas longas (que na espanha-italia) são conhecidas por modelo “Pirata”. A coincidência é que parece que não sou só eu que sofre o efeito “short copa de 70” pois essas calças estão cada vez mais na moda (Na moda é o caralho, estão é menos raras de se ver por aí isso sim). Com a escassez desse tipo de roupa a preços justos no Brasil (leia-se: inexistência por completo), sempre que encontro uma, acabo comprando como garantia para caso a minha bermuda atual não esteja mais em condições de uso (visto que uso muitissimo), eu tenha uma reserva. Nesse pensamento acabei percebendo que sofro do efeito doug funnie de estar sempre com o mesmo estilo de roupa hahaha Sempre a mesma bermuda cinza um palmo pra cima da canela.

Doug com a única roupa que ele usa, igual a mim hahahaha

Já sobre o fator tanga/calça da by, é que sempre que vemos a galera que está começando a escalar, eles acabam querendo comprar uma calça para escalar, e o mercado acaba impondo a única alternativa, longe de ser a melhor, para vestuário em calças para escalada. As famosas “Calças da By” (finaaaaada By). Com cores que deixam qualquer fã da banda Restart com inveja, essas calças foram a coqueluxe da moda de montanha no final dos anos 90 e começo dos 2000. Normal também porque quem se avautura a escalar ja tem um certo contato com a montanha através das caminhadas, e daí também saem muitos iniciantes da escalada com as coloridas calças. O que passa é que para escalar esportiva, calça comprida não é lá muito cômodo por pelo menos 2 motivos, e logo quem começa a escalar mais/melhor vai se dando conta disso:

– Efeito Jorge Ben Jor: Moro num país tropical abençoado por Deus e Bonito por natureza, mas que beleza. Calça comprida é quente, e com cadeirinha a cordura atrás faz com que o suor da bunda seque mais devagar, causando desconforto, já que quando faz muito calor, como a bunda sua! Logo, não é uma boa pedida.

– Efeito esportivista: Se você vai a uma falésia esportiva, as aproximações não são tão grandes, e não há tantos espinhos, urtigas ou animais peçonhentos para se proteger (sem falar que uma calça comprida não vai te proteger de uma picada de cobra), e logo, não tem porquê se usar uma calça comprida em detrimento do calor que você vai passar. Segundo que é muito importante estar olhando para os pés enquanto se escala, e com uma calça boca de sino que cobre toda a sua sapatilha e quase não te deixa ver a rocha onde está pisando não é muito inteligente, principalmente se você está querendo encadenar algo no seu limite (leia-se: Está praticando escalada esportiva).

A solução seria uma calça bermuda, mas como ela custa os olhos da cara (parece piada o quanto uma merda de calça de marca de escalada custa no Brasil), também está fora de cogitação. Logo nos sobram as bermudas. A não ser que você seja o Gibara que só escala com a mesma calça de sempre ou o Raul, que escala com o mesmo furo (que tem uns panos em volta e quase completam a definição da palavra calça) há 20 anos, que é a calça da cadena, então você pode utilizar uma bermuda confortável, fresca e arejada para sua escalada, de qualquer marca. A menos é claro, que você tenha 1,90m e bermuda de surf seja muito difícil de encontrar no seu tamanho, e que nao lhe pareça o shortinho da copa dee 70. Aí a única solução são as calças de mano, mais longas, porém com materiais um pouco grossos para a prática esportiva, ou as de yoga, que são raras de encontrar e as vezes custam caro (mas sempre tem promoção boa na Decathlon). A menos, também, é claro, que você vá fazer escaladas tradicionais em que é preciso mesmo da proteção extra oferecida por calças compridas e tecidos tecnológicos contra vento, frio, atrito, etc… o que não é o caso da escalada esportiva.

PORRA VELHO?! Mas porque você escreveu tudo isso??? (tudo pra vc entender a seguinte frase) É que agora seus problemas com calças da By acabaram!! Claro, você ainda fica fadado ao efeito doug funny, mas veja só o que a Mammut acaba de lançar:

Em princípio parece uma Bermuda com Rack?

Sensacional a idéia de fazer uma bermudeirinha, ou calça-deirinha ou cadeimuda? (que merda genja). Em carioquês fica ótimo: Bermudriêr! Confira comigo no replay o que é:

Até que não é feia não!

Note que não tem fivela, ela é fechada pelo nó 8 da corda!

Detalhe para o encordamento…

Parece que o cara ta solando ou escalando com a corda amarrada na cintura..

Das últimas 8 provas da copa do mundo, 7 foram vencidas por gente usando essa calça (no caso, o mesmo Jackob Shubert hehe)

A Mammut fala que é um conceito novo, com material elástico, stretch, bla blá… Bom, também não vou fazer MAIS propaganda gratuita do que já estou fazendo, mas acontece que é uma novidade bem inédita, forte candidata ao troféu “Enquanto isso não muito longe dali” 2012 na categoria lançamentos.

O impressionante é que como tudo, nada se cria tudo se copia, e essa calça já era um conceito utilizado aqui no interior, e quem lançou a moda foi o escalador faiado Tiago, de São João, amigo do Vadico, que usava a bermudeirinha porém ainda dependente da perneira da cadeirinha… e a Mammut descaradamente copiou, e aperfeiçoou, confira:

Tiago e sua adaptação técnica não padronizada*

Detalhe para o encordamento impecável

Bom, o que vai acontecer é que essa calça vai ficar igual a minha calça de escalada (fato que acontece com o Rafa da Ana também, que só tem UMA calça pra escalar): Depois de uns 3 meses ela vai começar a ficar em pé sozinha, vai começar a apresentar furos, pequenos rasguinhos, e depois de um ano vc vai ter que aposentá-la. Imagina-se então que uma calça/cadeirinha que tenha que ser aposentada em um ano, deva custar mais barato que uma que pode ser usada mais tempo (e revesada né?). Acredito que essa va custar o dobro, mas também deverá ter em seus materiais mais tecnologia para que dure mais. O Foda é ter só uma bermuda pra escalar, e nas trips ter que ficar lavando a noite hahahaha Até parece… Acho que essa calça já entra no mercado com um apelido: Não é calça bermuda, nem cadeirinha bermuda, nem bermudriêr (na verdade ela chama realization shorts). Vai ser a calça-gambá (e não, não vem com o símbolo do corinthians na barra pra vc não pensar em dar um curintxa nas vias). Na verdade essa calça ta mais pra cadenas extremas e campeonatos/competições mesmo, não creio que vá ser muito corriqueira em falésia. Bom, eu não animei em comprar uma: A Mammut não deixou muito claro esse negócio de lavagens  e talz, e sabemos como fica a roupa depois de muito lavar. Pro Raul vai ser perfeita, ele lava as roupas de escalada dele tanto quanto a cadeirinha!  E para as “gagotas”, também vem novidade por aí, da um “fraga”:

Para o público feminino, saídeirinha (saia+cadeirinha) ou saidinha 😉 se vc toma uma vaca ela abre igual paraquedas! kkkkk (brincadeirinha)

Enfim, serafim… Eis a novidade!

Em tempo: PORRA TIAGO… DE CROKS?????

=============UPDATE=============

Em tempo: nos EUA essas calças são chamadas Manpris e tem fama de ser “Aquelas calças horríveis dos europeus, o masculino das calças femininas Capri”, e é sinônimo de boiolice. Até num festival de escalada com formato inusitado ali, quem chegava usando essas calças perdia pontos…

Licença poética: Se você escala mais que oitavo grau a vista pode vestir ou deixar de usar o que você quiser. A seguir ponho umas fotos que comprovam o que eu quero dizer com licença poética.

Wolfgang Gullich: Esse aí podia usar o que ele quisesse quando quisesse, onde quisesse!

Vira e mexe aparece o Chris sharma escalando com suas Bermudinhas da Prana à lá copa de 70…

Oba, o Spandex está voltando?!

E abaixo dois exemplos que não se encaixam na licença poética…

Bem, venhamos e convenhamos….esse não manda mais que quinto grau, alguém tem dúvida?

Aí as calças da By na moda teen em seus modelos sem cordura nas cores vermelho desgraça, verde limão, olho roxo e azul calcinha… Nenhum deles é escalador pois “…essa coisa de sofrer pra mandar uma via é muito triste!”

O Beto por sua vez escala oitavo grau quase à vista, (segundo pega conta?) e por isso tem licença poética para vestir o que ele quiser! (na foto ele aparece limpando pichação de gente que curte a banda da foto anterior)