Escalando no Rio de Janeiro

Casal de marmotas escalando pelo Rio

Casal de marmotas escalando pelo Rio

Se vocês estavam ansiosos pra saber como foi a viagem deste coleguinha de vocês aqui durante o feriado, imagina o coleguinha aqui para saber como foram as escaladas de todos vocês! Mas, como nem todos tem blog, depois a gente se atualiza. Vou fazer a minha parte e narrar os acontecimentos no feriado! (Antes uma musiquinha temática para o post hahaha)

Embarcamos pro Rio na quinta a noite, e, após uma longa noite de viagem, chegamos sexta cedo na casa da Naná, que estava trabalhando, mas fomos recebidos pelo Rô, que nos foi super hospitaleiro. Enrolação básica de sempre, e já saímos pra aproveitar o dia. A Marta nem sabia o que a aguardava. Fomos caminhando de Botafogo direto pra Urca, e para o primeiro dia resolvemos fazer a clássica Coringa, que é um 3° grau (3° sim, III só se for na Itália). Terceiro Grau carioca né? Na segunda enfiada passei um veneninho naquele cruxzinho de aderencia pra subir o pé esquerdo, com o pino 1m pra baixo do pé e o próximo 1m pra cima… fui.. voltei…fui… voltei… aí quando eu já tava quase pedindo arrego achei um jeito e acabaram-se os meus problemas. Também estava usando pela segunda vez uma sapatilha nova, uma Anasazi Verde, com solado Onyx, que brilhou muito. Pouco a pouco eu fui abusando cada vez mais e ela foi correspondendo. Fui subindo, ia testando, e a Marta vinha como se estivesse andando na rua. Mas de segundo… ahh como eu queria! Na terceira enfiada, que não tem parada pra nego não fazer rapel (em breve tem parada no cusco que vai estar assim também) eu coloquei os tricams que eu levei mais um Friend do Rô justamente para chamar a segunda, e já era. Aí foi tocar pro cume pelo costão, ser visto como um macaco de circo pelos turistas que nunca tinham visto um mosquetão na vida, e descer de bondinho até a Urca. A Caminhada pra casa foi tensa, estávamos bem cansados pois não tinhamos almoçado, o café da manha tinha sido um salgado e um suco, e durante o dia tinhamos mandado ver uns amendoins e talvez uma banana. Mas ainda tivemos forças pra ir jantar com o Rô e logo depois encontrar a Naná na Pedra do Sal, a pedido da Marta que queria não só escalar mas fazer um turismo geriátrico cultural pelo Rio.

Martinha terminando a terceira enfiada da Coringa no Pão de Açúcar

Martinha terminando a terceira enfiada da Coringa no Pão de Açúcar

Sei que no segundo dia acordamos vagarosamente tarde, fomos almoçar num vegetariano com um casal de amigos muito gente boa do Rô que vieram de Sampa Meoo e logo depois fomos pra Babilônia fazer uma viazinha de algumas enfiadas pra aclimatar ainda mais nas aderências e nos esticões insanos cariocas. Cada vez eu fui ficando mais a vontade com a sapatilha nova que é muito confortável (mas não a ponto de dar seg com ela) e com as aderências. A noite fizemos umas tapiocas caseiras e formos dormir cedo, porque o dia seguinte ia ser cheio.

No terceiro dia nos levantamos as 7, e as 8:05 estavamos prontos e saindo pra ir pra Pedra da Gávea. Eita caminhadinha!! 1:30 de subida no melhor estilo “Falta muito?” e “Não quero mais brincar disso…” Mas eis que as 10:30 estavamos encordados e prontos pra escalar. O Rô com o Amarelo, e a Naná, a Marta e eu numa cordada de 3. Como a via é super horizontal, a marta vai de segundo com duas cordas, duas segs. A naná guiou tudo menos a primeira, e logo estávamos no olho direito da figura do imperador. Ah é, muito mistério ronda essa formação. Na internet tem muita coisa do tipo: “… DIZEM QUE…” mas nada concreto ou com fontes seguras que não sejam boatos. Ainda que pareçam ser copiadas da mesma fonte, a maioria das informações (aqui, e aqui) remete à inscrições na “orelha direita” do imperador, que seriam fenícias e indicariam que ali é a “Esfinge” e tumba de um grande rei fenício. Depois de assistir dezenas de vezes ao filme “Os Trapalhões na Terra dos Monstros” (cujos dublês eram ninguém menos que Alexandre Portela e Sérgio Tartari, e mais dois que eu não lembro nem conhecia), estava curiosíssimo para passar pelos olhos da figura e ver a entrada da gruta para o mundo dos Barks, dos Grunks e quem sabe até trocar uma idéia com o Sr. Geleca…

A Escalada procedeu bem, sofremos apenas um momento com o bolo que duas cordas simples de 9,8 e 10mm provocam quando emboladas, mas nada que nos fizesse perder mais que 5 ou 10 minutos. A Marta ficou um pouco impressionada com a altura da Passagem dos Olhos, mas era tudo tão bonito que ela nem teve como achar ruim.

Naná numa das mais famosas fotos do Rio

Naná numa das mais famosas fotos do Rio

E ao final da escalada passamos pelo mirante que parece a “bunda” do imperador, e logo descemos. Já era tarde e pretendíamos passar pela carrasqueira (que para quem quer subir a Pedra da Gávea via Trilha e não escalando, é o trecho de uns 25m de trepa pedras de 2° grau obrigatório) ainda com luz do sol. Nossa água havia acabado quando a escalada acabou, mas para as 2h de trilha a gente deu uma xupinzada na água da Naná pois estávamos com muita sede –  nada que nos impedisse de chegar no carro. Como eu estava com o Charuto no beiço desde o meio da escalada, achei prudente não comer meu lanche e apenas comer uma maçã pra não atiçar um intestino que já não estava muito quieto. Mas no meio da descida não teve jeito e a desova foi inevitável. Pazinha da Quero Escalar salvou!! Quando faltavam uns 10 minutos de trilha para chegar no carro, encontramos umas 8 pessoas descendo devagar e sem lanterna. Já fazia aproximadamente meia/uma hora que estávamos só na Headlamp quando os encontramos e uma das meninas nem estava conseguindo andar direito de tão cansada. Fomos com eles, ajudando e iluminando a todos e os 10 minutos viraram 40. Depois descobrimos que um dos caras que ajudava a menina que mal podia caminhar, e estava com uma lanterninha do Sucrilhos, era GUIA, ou melhor, se autoentitulava guia do grupo todo. Guia que não tinha lanterna e não tinha calculado ou observado os sinais de que seus “Clientes” visivelmente não teriam muita condição pra terminar a escalada. Mas tudo bem. Felizmente ficou o aprendizado para o pseudo-guia e mais um do que a Revista Climbing americana adora chamar de “Epic”. Nem citei nessa descida nada sobre os outros 4 que comigo estavam pq realmente foi tudo tranquilo e nada demais aconteceu durante a descida a não ser o grupo alheio sem lanterna. Chegamos no carro, tomamos todas as aguas que o Amarelo tinha ali guardadas, e fomos pra casa. Pus um chinelo que não aguentava mais ficar de tenis (ainda mais EU, que fico de tenis o dia todo ate mesmo em casa e não gosto de ficar descalço). Fomos prum Rodízio de pizza, onde eu tomei 1 suco, 1 coca (a primeira que eu tomo esse ano, a vontade veio no meio da descida, não teve como resistir), 1 cerveja e depois 1 gatorade inteiro. Ah é, e até comi alguma coisa tipo as pizzas e as panquecas que iam vindo.

Martinha e eu no JB

Martinha e eu no JB

Chegando em casa (mais água) a Naná, que já tinha tomado banho, foi dormir cedo porque iria começar no emprego novo segunda e nós não demoramos muito também fomos. Aí na segunda foi dia de turismo geriátrico cultural. Moídos que estávamos, nem pude corresponder ao Rô que estava disponível para uma escalada (mas também provavelmente não estava muito em condições, como nós). Passeamos pelo Jardim Botânico, almoçamos, e fomos dar um rolê em Copacabana tomar um açaí antes de voltar pra casa, pegar as malas e ir pra rodô. Só que o lazarento do ônibus 173 não passou nos quase 40 minutos que estivemos esperando, e as 6:15 mais ou menos tivemos que ir de taxi pra rodoviária pra não perder o onibus pra Sanca.

E foi esse o rolê. Simples porém épico hehehe fazia mto tempo que não ficava tão cansado com uma escalada tão completa: A aproximação, a escalada em si, a logística, o retorno, tudo preparado. Cansei de andar viu?! Saudades dos negativos de agarrão! Eu não sentia vontade de por um chinelo no pé desde mooito tempo, mas nessa viagem meus pés não tiveram trégua da caminhada e das escaladas em aderência! Bom para os dedinhos da mão, injuriados de tanto apertar e escrever. Fica o salve pra Naná e pro Rô, que nos receberam tão bem, e que ficaram sem seu philadelphia porque realmente esse não é o tipo de coisa que costumamos negar!! Vocês ja sabem: mi casa, su casa!

Não, Não é o que aconteceu descendo a trilha... É o ente milenar que mora dentro da Rocha!

Não, Não é o que aconteceu descendo a trilha… É o ente milenar que mora dentro da Rocha!

Bom feriado a todos!

Boas escaladas no feriado pra nós!!

Boas escaladas no feriado pra nós!!

Pois é, esse ano tem poucos feriados, e os poucos que tem cai no domingo!! Por sorte teremos este na terça então os paulishtashxxx invadirão terras mineiras para a anual peregrinação até a meca da escalada, o cipó. Outros por sua vez irão para o Rio dar um relax, passar nervoso na grande urbe (principalmente pra quem vem de uma cidade de 200mil habitantes e que vai de bicicleta pra todo lado) e nos esticões das aderências sem agarras da babilônia e da urca. Quem sabe algo mais desafiador? Hmm.. veremos 🙂

Pra quem é casado ou namora e obviamente não vai viajar no feriado, deixo aqui um comentário meu que fez o maior sucesso essa semana no face:

“…Sou super a favor do casamento gay. Eu sou é contra o casamento hetero, isso sim! Quantos amigos da escalada eu perdi por conta disso! Enquanto isso os viados dos meus amigos continuam todos escalando!…”

E vamos de vídeos pq eu tenho mais de 100 aqui acumulando!

Esse é pra quem tiver passando calor aí suar a mão… e quem tiver sofrendo no inverno saber que não está só! A via Speed, na Áustria, ou Suíça, um daqueles 11c’s que são tipo 30m de palitos de fósforos….

Pra vc que tem medinho de viver Guiar e de se aventurar sempre um pouco mais… fica a lição da Steph Davis sobre MEDO

Já que o assunto é vídeo-aula de autoajuda escalada, segue o ex mino da mina sobre o FOCO na escalada:

E se vc acha que isso é bobeira, veja o que logrou a escaladora com seu ímpeto e audácia…

E chega de lições e vamos ver um pouco de climb… Vídeo do Petzl ROctrip só que da North Face. É mais em formato de festival, todo mundo escala, tem pontuação, legal!!

E pra alguns que estão cansados dos mesmos picos… que tal variar um pouco? Diz que o pico agora tem setores na sombra e os escaladores locais não cobram mais pra vc escalar as vias deles! Como vc’s, Bocaina!

Paramos um pouco de postar vídeos de escalada pq agora eu vou postar um de boulder!! Na Pedriza, em Madrid… AProveitem pois estão regulamentando tudo por lá, e tão desequipando muitas vias, parece que tá uma zona de guerra o pico! Mas pros boulderistas tanto faz né, eles não clipam nada mesmo! hahaha

E agora um vídeo que fez meu mundo desabar. O grande mestre das escaladas em solo das grandes paredes… fazendo uma via de uma enfiada…. e SE FUDENDOOO PRA CLIPAR A PRIMEIRA COM CLIPSTICK!!!? Como assim José?! Até Tú HONNOLD Golias? Mas é um fanfarrão mesmo!

E falando em fanfarrão, e já que já foi um de boulder… vai outro: esse cara tentou fazer um vídeo diferente em Fountainebleau… terá ele conseguido ou terá sido mais um momento “Errou feio, errou rude”?

Tá, e pra acabar, como agora a moda é levar a meninona e a pitoca pra escalar, fica a dica!

Capacete sempre!

Capacete sempre!

Isso aí Galera, bom feriado a todos e Bora pra pedra escalar!!

AH! E pra quem Não for escalar e for pra Ubatuba só fazer Boulder, boas apertadas também!

Vídeos não, agora são FILMES de escalada

Nina Caprez em seu novo filme, Silbergeier

Nina Caprez em seu novo filme, Silbergeier

Esse final de ano foi repleto de filmes de escalada. Primeiro foi o ReelRock tour, depois o Brasil Vertical do Felipe Camargo, e logo o Silbergeier. Puts! Esse filme é insano e vou começar com ele! (mesmo porque o Reelrock tour nao tem na internet então só na base do torrent/truta que me passou)

Para o filme da Nina eu só tenho elogios: Uma ótima continuidade, ótimo “roteiro”, ótimo desenrolar da história, ótimas filmagens, ótimo tudo! E principalmente, ótima atuação do Casal Nina-Cedric que são dois palhações mesmo e o filme só fica sério a hora que ela ta apertando um regletinho no meio da via que é tudo ou nada para a cadena, pq o resto do filme é só zueira, muito legal. Inclusive a FANFARRONA da Nina chega num ponto famoso da via (Silbergeier, daí o nome do filme) em que tem uma foto famosa da década de 80 do conquistador da via descansando sem as mãos. Pois ela quando está ali ainda vira de costas e cruz os braços!! Sensacional esse filme, nós vimos quando estávamos no Roctrip na Argentina e no dia seguinte todo mundo quando chegava num descanso da via tentava virar de costas e cruzar os braços hahaha Essa Nina lançando moda mesmo viu! hahaha

Nina lançando moda hahaha Mão na nuca? já era...

Nina lançando moda hahaha Mão na nuca? já era…

E tivemos também o lançamento do Brasil vertical, que mostra o Felipe Camargo escalando os primeiros ônzimos do Brasil pelo Cipó e Rio afora. Tem também uma parte ele subindo um rodapé…

Já esse filme eu achei que faltou um final. O filme ia bem, com a narrativa, com a sucessão de cadenas, vai te prendendo ao “enredo”, até com a parte do boulder tudo certo, mas de repente: Ué? Acabou? Mas assim, já? Nem vai fazer uma conclusãozinha? Uma sequencia de imagens? Cenas de projetos nao mandados ou panoramicas do cipó? Entrevistas com os caras das antigas falando o que representam essas vias, sei lá… o filme meio que faz vc morrer (de pau duro) com um zap na mão… Mas as imagens são legais e o filme é muito bom, bem filmado, boa qualidade, só o final que ficou devendo, e muito. Poderia ter tipo um mapinha do Brasil antes de cada escalada com o aviãozinho indo de onde ele estava para onde ele vai, no estilo Street Fighter, pra mostrar ONDE de fato são as escaladas que ele ta fazendo, pra deixar claro que não é tudo num lugar só, muito menos na AMAZONIA como muito gringo vai pensar, certeza…

E já que dois filmes longos de tanta qualidade tomar-lhes-á a tarde toda para ver, hoje o post é curto, mas de Calidad!

Hoje as fotos do post são em homenagem a Nina. Não, não vou por foto do Felipe aqui hahahaha

Hoje as fotos do post são em homenagem a Nina. Não, não vou por foto do Felipe Camargo hahahaha

Inté!