Vídeos e novidade!

Shimoto, em sua homenagem a foto-decorativa de hoje!

Shimoto, em sua homenagem a foto-decorativa de hoje!

Semana passada foi uma correria: entre arrumar malas, aprender a usar um programa novo e com ele fazer uma apresentação para o 15º Encontro de Escalada de Londrina sobre erros comuns e práticas seguras em Escalada Esportiva, não sobrou tempo para post no blog. Mas em compensação o Encontro foi muito legal, fiquei com uma melhor impressão ainda do pico dessa vez, tendo entrado em vias “modernizadas” seguras mas não por isso menos desafiadoras. Viagem tranquila, amigos agradáveis, bom climb, enfim, tudo na paz. Pena que esqueci minha câmera e não tirei nenhuma foto :/ Na verdade não faço idéia de onde ela esteja!

Enquanto isso, não muito longe dali… Acumulei alguns vídeozinhos muito interessantes. Vamos a Eles?

Começando com a super conquista brasileira no Fitz Roy, na Patagônia. Muita sorte com uma ventana de tempo bom incrível, e claro, muita competência por parte dos escaladores incontestáveis Sérgio Tartari, Flávio Daflon e Luciano Fiorenza.

E mais um filminho brazuca bastante simples e aprazível. Tardes de outono em Floripa mostra um lado Catarinense pouco divulgado por aí com uma escalada bonita num vídeo bem instrutivo. Diz a autora do vídeo que vem mais por aí… Estamos no aguardo! =D

E lembra daquela série da Mammut sobre vias velhas escaladas por escaladores novos? Pois é. Aparentemente hoje em dia os escaladores ficam escolhendo as vias mais perfeitinhas e no seu estilo pra evoluir ou pelo menos se divertir. No de hoje o Sean MColl um dos grandes das competições Não-mandando a via Hubble da Lenda dos anos 80 Ben Moon, que abiu e aparentemente foi o primeirio a mandar a via que tem agarra molhada, clipada tensa, crux no começo, passagens esquisitas, em pouco mais de 15m… haha 

E já que já fomos pra gringa, um vídeo que dá água na boca sobre um pico alucinante. Detalhe que é um vídeo comercial feito pelo/para o abrigo local e mesmo assim é de se assistir de novo. Detalhe para a Caroline Ciavaldini de Biquininho. ;P

Se você gostou da Carol, veja esse vídeo que mostra, entre outras coisas, um pouco do início de sua carreira:

Mas falando em garotas gringas... Ô Grória.. Daila Ojeda, Alizee Dufraisse e Olivia Hsu contando sobre suas motivações na escalada e claro, escalando num daqueles vídeos Zen da prana para quem é vegetariano, vai pro trabalho de bike, ajuda no azilo, doa sangue toda semana, não fala palavrão, não bebe alcool, não usa drogas e não fala mal de ninguém. (ou seja, não existe kkkk)

E Aqui a lenda viva Cuscuzeiriana, o cara que abriu as famosas Watch Me, Let´s Go, Mosquitos, Denorex, Fly or Die e Manga com Leite no Cuscuzeiro, o tal do “Alemão”… Carsten, falando sobre as maravilhosas cordas da Edelrid:

No final, mas não por último, uma palestra/vídeo/documentário sobre o famigerado Alex Honnold. Perguntas inusitadas… E confessando sobre sua motivação para solar vias e como ela foi mudando ao longo do tempo. “…No princípio eu comecei a solar pra ver se eu comia alguém..” kkkkkk Hilário…. 

E encerro deixando a foto da capa do Guia do Cuscuzeiro que finalmente está na Gráfica para impressão. Em breve à venda em alguns lugares que eu vou selecionar a dedo kkkkk

Guia Completo de escaladas do Cuscuzeiro - Já na gráfica, em breve, na Quero Escalar!

Guia Completo de escaladas do Cuscuzeiro – Já na gráfica, em breve, na Quero Escalar!

 

 

Eu vim pra São Thomé…

Fotos sequenciais em São Tomé com os Locais!

Fotos sequenciais em São Tomé com os Locais!

E na véspera de Natal casou a viagem com a vontade de escalar. A Júlia me convidou e eu convidei o Cleber. Como já estava todo mundo indo embora eu fui me vendo ficando sem parceria de viagem de climb de fim de ano. Agarrei a oportunidade e fui. 3 dias em São Thomé das letras, cidade que não conhecia. A-hu! Fomos a Ju, o Cléber, o CV, dono da maior Academia de Escalada de Piracicaba , e eu. Desta vez não vou contar milimetricamente todos os detalhes e cadenas, porque tiramos muitas fotos. Vou resumir apenas que choveu só nos fins de tarde e deu pra escalar muito mais do que a previsão do tempo garantia. Até arriscamos fazer boulder no primeiro dia, mas o meu negócio é via mesmo, clipar umas mosquetões – ô que gostoso! – então focamos mais nisso. O Cleber que vem treinando e mostrando boa evolução no Climb, guiou pela primeira vez, e tomou sua primeira voada!

Demos risada demais e o Beto pra variar sempre presente, principalmente quando passamos por 3 corações e ele sempre conta a história do Pelé e do Traveco. Virou até um blues esta história heheheh Visitamos a pirâmide, que fica no final de uma piramba, a pirâmbide (tu-dun-tsss). Comemos a melhor pizza top five entre as 5 mais do Universo segundo o CV. “Muito loco esse lugar hein?” Reiterava o Cléber.  Ah, e antes que eu me esqueça… avisem onde tem poça! hahahaha (tipo, imagina 4 pessoas subindo uma piramba no escuro, breu total, aí uma vira e fala: “Avisa onde tem poça d´água!” Tipo, como vamos avisar se não estamos vendo um palmo diante de nossos narizes? hahaha

A Rocha é muito boa, mas parece que vai quebrar o tempo todo (mas não quebra!), o estilo é o de negativos e tetos com agarrões e patacos. Média de 10 a 15m por via. Muitas vias poderiam ter as paradas melhoradas, mas isso é questão de estilo desta escola. 🙂 Ah, e da pra abrir muuuuita via ainda, especialmente nos setores que já tem vias que eu visitei (os setores 1 e 2 do croqui, se não me engano – aquele que tem o ET). Vale a visita, mas mais que isso, vale vir conversar com os locais pois se for do interesse da comunidade local vira muito trazer a metranca pq tem muitas linhas óbvias ainda não chapeletadas!

Enfim, com vc´s, fotos de São Tomé das Letras;

Ta, as anteriores não são todas do primeiro dia, mas eu resolvi deixar assim pra facilitar a categorização das categorias categoricamente categorizidas:

E beleza, as fotos do último dia, com uma das clássicas do pico: a “De ré pra trás”  que mesmo chovendo fiz questão de entrar pela indicação do Carelli, da Outra Esquerda.

E foi isso! Se pá no Reveion tem mais em outro pico alucinervous por aí! Boas festas a todos, boa escalada e bom descanso!

Retomando as atividades

O Link para as outras no final...

O Link para as outras no final…

Ninguém gosta de ficar parado né? Tipo, ninguém que escala e tem essa atividade proativa de sempre estar peenchendo seu tempo com atividades sejam elas físicas ou intelectuais que de alguma maneira agreguem algum conteúdo na vida e no desenvolvimento da pessoa não é mesmo? Bem, menos aquele seu primo que não escala e que compra a camisa original do Parmera, só toma cerveja, assiste big brother e vai em micareta não é? Ontem vi um vídeo do Cauê Moura no Desce a Letra que define muito bem algumas sensações que eu tenho cotidianamente. Ele diz que a Ignorância é uma benção. Porque outro motivo tem tanta gente alienada ouvindo musica ruim, estragando sua saúde gratuitamente, assistindo programas sensacionalistas com conteúdo violento fascista e achando tudo aquilo ótimo? Aquela História de que quem gosta de osso é cachorro, é pq nunca deu uma picanha (nem precisa tanto, uma pelinha de frango já funciona) pra ele. Mas enfim… Ficar sem escalar é um martírio, e é até cedo pra usar a palavra “voltando”, mas essa semana comecei um treinamento na Academia onde Isabeto já vem treinando há mais de 6 meses com garantia de sucesso e de cadenas insuperáveis. Nesse tempo o beto mandou a Tomara que seje, 10a, Caixa de Pandora 9b, a Pequena Grande Obsessão 8c e no último fds ele mandou a Xeque-Mate 8c. A Isa também vem mostrando ótima evolução com cadenas de sétimos gordos e no último fds ela mandou a Cactus Now, 7c no cuscuzeiro, via que eu tenho pânico de entrar hehehe

Enfim, comecei a fazer os treinamentos na Academia VIDA aqui em São Carlos de terça e quinta, e na Quarta Pilates na Equilíbrio Corporal  da minha amiga Simoni, que também está começando a escalar e apresentando progresso animador. E pra mim chega de moleza e de mimimi que agora quero voltar a escalar sem medo de ser feliz. Nem é preciso ir tão longe, escalar sem medo aqui no cusco pra mim ja tava de bom tamanho! Chega de ter medo de lesões. Ficar parado é foda pq aí qdo vai voltar, e depois de ter se re-lesionado várias vezes, fica mó cagão achando que um espirro vai inflamar seu tendão de novo. Aí vc fica cada vez mais parado, e atrofia todo o resto e qdo vai escalar tem que compensar, faz mais força no tendão, está mais pesado, enfim.. um circulo vicioso do qual essas duas atividades irão me ajudar a sair

Mas enfim, feriado chegando, muita gente indo escalar… Tive um insight tardio sobre o Croqui de Arcos, comecei Voltei a edita-lo mas não a tempo do pessoal que vai pra Arcos poder leva-lo… mas com certeza a tempo de utiliza-lo no fim do ano 🙂 Eu estava precisando mesmo dar uma desconectada do Croqui do Cusco pq tava meio saturado de só fazer isso a semana inteira, chega uma hora que acaba não rendendo mais!!

Enfim, dei uma adiantada no guia, quem sabe semana que vem não ta pronto? hahaha Não prometo nada, preciso pedir pro Alexsandro de Divinópolis que me passou bastante material, atualizações que to ligado que pipocaram várias vias novas por lá desde agosto.

E deixa eu colocar um vídeo aqui antes que aquele outro Blog Socialista de Esquerda venha furar meu zóio! Este que é um dos destaques da semana: Dani Andrada, sim ele! O Máquina, abridor de vias, inspiração para nomes de via como “Eu não sou Dani Andrada mas quero tentar” (não, ainda nao batizamos uma com esse nome). Tinha rolado um teaser desse curta umas semanas atrás e agora saiu na íntegra! Massa demais, daqui a pouco sai a avaliação no melhor estilo “VEJA O REVIEW DA PROPAGANDA DE CHICLETES QUE O ALEX HONNOLD FEZ PARA UMA EMPRESA DA COSTA RICA INSULAR”  hahahaha “me parto” 😀 Confesso que eu ainda não vi… “Mas a minha mulher viu falou que é muito bom, ma oeeeee

E já que o mote do post de hj é a retomada de atividades, que tal retomar as charadas? SIM!!!

Como assim mano?

Como assim mano?

E sob a temática do feriado, quem não for escalar meu pêsames, desejo um bom almoço com a sogra, os sogros e aquele tiozão cheio de contar história (o meu pelo menos é mto foda, meu herói! hahaha). Mas calma, que nem tudo são flores no reino da dinamarca, então, entre a plantação de uma mudinha de abobrinha na sua hortinha orgânica e o regar de sua plantação de hortelã e agrião para consumo próprio, que tal dar um uso decente praquela sua corda de escalada que está encostada? Hein!? É… assim segunda feira vc nao poderá dizer que seus equipamentos de escalada são seu “Kit-Mentira”  e poderá dizer que usou sua corda no feriado. Olha que legal que você pode fazer com ela!

Bom, essa semana foi fraca de vídeos (ou eu que trabalhei demais e não os vi) então fico por aqui. Quem sabe a partir de agora eu não volto a postar fotos de escalada de verdade? (que tá foda ultimamente!)

Deixo com vc´s algumas fotos que bombaram mais que videos essa semana e umas 5 pessoas lembraram de mim (GRATO, por esse motivo lembrem sempre! B-) ) que são algumas fotos do Dean Fidelman, responsável pelo seu calendário Stone Nudes. Sem mais para o momento… Enjoy.

http://www.supertopo.com/climbing/thread.php?topic_id=2267256

PS – O Gera (de Pira) pediu pra avisar que ficou com ele sem querer um mosquetão da parada de uma via em itaqueri…(nao vou dizer qual). Semana que vem ele jura que devolve!

O Retorno do Rei e a Lenda

Adivinha onde eu tô, quem ta de volta na praça? Chris sharma, ex-quadrilha da fumaça!

Adivinha onde eu tô, quem ta de volta na praça? Chris sharma, ex-quadrilha da fumaça!

Ele está de volta. Quem gostava do Chris Sharma já estava enjoado dos mesmo videozinhos ctrl+c ctrl+v de sempre mostrando a vidinha perfeita dele lá na espanha, com a mulher perfeita, casinha perfeita, com um cachorro perfeito, escalando pefeito. BO-RIIIIING. Entediante. Não aguentava mais e já estava rolando um momento “vergonha alheia” cada vez que saía um video novo “mais do mesmo” do chris sharma. Parece que quando ele queria fazer uma coisa diferente só faltava ir no Parque Ecológico fazer picnic (please kill me now). Fofoquinhas a parte, Chris parece que está numa nova fase de sua vida, muito mais positiva e agitada, e botou o pé na estrada. Primeiro foi pra Austrália, depois foi pra Yosemite tentar livrar a Dawn Wall junto com o Tommy Caldwell que tenta pelo sexto ano consecutivo. Aí o parque fechou e foram pra outros picos. Eis que depois de 5 anos sai um filme realmente cativante do nosso herói pop das falésias esportivas escalando e fazendo boulder no “The Grampians” que é tipo o Cipó Australiano. Nesse tempo que ele ficou hibernando brincando de American way of life (só faltou a cerquinha branca), quem ganhou atenção (muito merecida diga-se de passagem) foi o Tcheco Adam Ondra. Depois de mandar vários dôzimos, o tcheco voltou pra escola e, apesar de mandar um dôzimo ou outro de vez em quando, parece que é só isso que ele faz e não faz mais que a obrigação. Enfim, tudo isso pra apresentar esse vídeo novo que a Prana fez sobre o Chris em sua visita pela Austrália. O mais incrível é que o vídeo é do Simon Carter, o Naoki Arima versão internacional da fotografia, que agora também está fazendo vídeos. Destaque para as vuadas, oferecimento: shimoto airlines.

E agora vamos polemizar. Todo mundo ficou sabendo da treta do Gringo que veio arrancar chapa das chaminés cariocas em itatiaia, e abrir via onde não pode. Aí depois de ter sido queimado vivo em praça (fórum) pública, ele solta um texto que se encaixa na categoria “Errou feio errou rude” ao tentar justificar suas atitudes com argumentos completamente fantasiosos e bem de “forçação de barra”. Do tipo “é… é… Arranquei memo, é… é… se foda.. Ninguém garante que a via era sua! pode ter subido um dinossauro ali antigamente e por isso vc não foi o primeiro, nao tem como saber“. Fala com a minha mão mano. Detalhe que ele trata como fenda uma chaminé de meio corpo (daquelas que você tem que colocar o cotovelo dobrado pra caber o antebraço dentro – Asa de galinha! – mais meio corpo pra conseguir fazer o entalamento). Sua declaração de “mea culpa” cheia de frases de efeito vazias criadas pelo gerador de blablabla foi mais um momento vergonha alheia, e uma excelente oportunidade perdida de ter ficado calado. Enfim.

http://desnivel.com/escalada-roca/enzo-oddo-hay-que-prohibir-los-spits-en-las-fisuras-de-granito

E falando em cagada e apedrejamento em praça pública, o Joe Kinder sofreu o mesmo essa semana, pois abriu uma via num pico, e arrancou uma “arvrinha” na saída da mesma que estava bem na reta de queda do crux, o que evitou possíveis empalamentos por parte dos escaladores. Acontece que a árvore era protegida, meio sagrada entre os locais, centenária. Aí a casa caiu pro Joe Kinder (ovo). Em vez de falar: “Se foda, agora a árvore não volta mais e eu faço o que eu quiser” ele soltou um super pedido de desculpas admitindo o erro e contando a história de como ele pensou pra chegar à conclusão de remoção da árvore e se dizendo super chateado com o ocorrido pois ele não tinha noção de que a árvrinha era tão importante assim. Enfim. Era isso que esperavamos do Muleque que fez cagadas, mas muleque é muleque né. Esperamos que o caso Joe Kinder sirva de exemplo pra galera não sair fazendo merda por aí, e se fizer, como se deve fazer um pedido de desculpas. (Apologies accepted).

http://www.joekindkid.com/2013/10/my-actions-my-responsibility-and-my-mistake/

E para entrete-los, alguns vídeos preparados. Um vídeo muito legal, (mais um) da Prana, com a Heather Robinson, uma veterinária mandando os graus foda em sua falésia quintal de casa. Dica para as meninas que querem ser escaladoras e aproveitar o máximo que a escalada tem a oferecer: Vejam como ela toma voadas tranquilamente nas vias. Que tal começar a perder esse medinho? 😉  (Destaque para a trilha sonora e a fotografia)

E falamos do Chris Sharma, mas por onde anda o mundialmente famoso “Máquina”? Dani Andrada pelo jeito gostou de abrir as vias longas em tetos de cavernas e está se empenhando numa nova via. A espanha que tem todo tipo de Rocha boa, tem também essas grandes “cuevas” altas com arcos em cima, então o lazarento nem tem que viajar muito longe pra poder escalar o que lhe “de na gana”.

E um dos melhores eventos de escalada do Brasil ocorreu no mês passado, o Cocalcinhas. Homens vestidos de mulher foram autorizados a participar também, mas em principio foi um encontro feminino de boulder na rocha.

E esse mês também saiu um vídeo muito legal mostrando as primeiras impressões de uma escaladora recente. Sabe quando a gente fala que não importa quanto você escale, enquanto vc não vai pro Cipó não da pra saber se o “bichinho” da escalada te mordeu ou não? Pois aí a menina aparece sendo devorada por ele. Motivante, inspirador. Bonus para o Barão na Juan Salame 11b. Máquina!

Ah! E pra finalizar, todo mundo sabe que estou terminando os ultimos ajustes no GUIA COMPLETO DE ESCALADAS DO CUSCUZEIRO. Pois pedi apoio a algumas empresas pra fazer propagando no livro (que será colorido, em formato A5, com  muitas fotos com aproximadamente 70 páginas) pra ajudar na impressão, e até então tenho ouvido muita desculpa de que as vendas cairam esse ano e por isso Não podem ajudar. Ah, claro, aí sua marca tem uma queda nas vendas: em vez de vc investir em divulgação e publicidade para que as pessoas voltem a comprar, você guarda o dinheiro embaixo do colchão. Sobre esse assunto preparei um artigo daqueles de 5 folhas de word explicando o porque da crise, mesmo nunca tendo se comprado tanto equipo de escalada no Brasil, talvez solte aqui no blog nos próximos posts. Bom, tudo isso pra dizer que por coincidência numa visita técnica na Alemanha pela Quero Escalar (aguardem, em breve novidades) me aconteceu algo inusitadíssimo, confira comigo no Replay:

Estou eu na Alemanha conhecendo os funcionários da empresa durante uma visita técnica na Fábrica/Escritório da Edelrid quando entra na sala um senhor Alemão muito simpático e pergunta se eu conheço o Cuscuzeiro. Aí eu digo todo surpreso: Claro! Estou fazendo o guia de lá! Aí ele: E vc sabe como é a historia de como começou a escalada lá? Aí eu: Sim, foi um alemão, que abriu as primeiras vias e aí não pararam mais…o nome dele era Karst… aí ele responde todo fanfarrão: Muito prazer, Karst!

Fiquei muito feliz de ter podido conhecer uma lenda viva! O cara que abriu as primeiras vias no cuscuzeiro como Manga com Leite, Watch me, Let’sgo, mosquitos go Home e Denorex por exemplo, lógico que pedi pra tirar uma foto com ele!

Carsten (o cara que junto com o Tonto abriu as primeiras vias no Cuscuzeiro!) e eu, na fábrica da Edelrid.

Carsten (o cara que junto com o Tonto abriu as primeiras vias no Cuscuzeiro!) e eu, na fábrica da Edelrid.

E foi isso, a fábrica é Sensacional, o departamento de criação, deu pra ver como as cordas são feitas e como são projetados os equipamentos e as novas tecnologias. Simplesmente demais!

Ah! Se alguém quiser ver sua marca no guia do pico mais importante do interior do estado, entre em contato!

Fazendo jus ao nome do Blog

Primeiro dia passeando pela Pedriza. Isso sim pra mim é boulder...

Primeiro dia passeando pela Pedriza. Isso sim pra mim é boulder…

Pois é! Este que vos fala mais uma vez se vai e logo se volta. E não paro, o que é ótimo! Finalmente algumas coisas que eu tinha como meta fazia meses, pra não dizer anos, se desenrolaram, e agora estou super otimista de que tudo vai dar certo (Como sempre!). Eu sei que todo mundo está ansioso pra saber da viagem do Cipó, estava enrolando pq não tinha pego as fotos com a Isa ainda, mas também tive menos de 30horas para arrumar as malas e preparar o terreno para a viagem pra espanha. O Sebá é que está certo! Diz ele que não gosta de ter muito tempo pra fazer as coisas, que é melhor deixar pra ultima hora que você acaba fazendo tudo muito mais eficiente. E é a mais pura verdade. Veja a vida por exemplo. Depois que eu tive um “estalo” e saí da Matrix, parece que tem tanta coisa que eu quero fazer na minha vida que não vai dar tempo de fazer metade!! Essa correria toda também é motivo dos posts rareados, além é claro do meu superpopular post no blog do cume sobre “Ser melhor em vez de ficar mais forte”. Semana passada até cheguei a escrever um post imenso, tipo 3 paginas de word, só sobre filosofia de buteco, relacionamento, comportamento, atitude e a origem do universo. No fim das contas senti que era muita viagem pra pouco foco e acabei deixando de publicar (mas ta ali nos rascunhos, um dia quem sabe!).

Bem, enquanto estava no saguão do aeroporto esperando dar a hora do embarque, e depois de ter trabalhado um pouquinho, escrevi um pouco da viagem do cipó mesmo sem fotos significativas.

Júlia na Lamúrias no primeiro dia, aquecendo/aclimatando

Júlia na Lamúrias no primeiro dia, aquecendo/aclimatando

O Pico está DE-MA-IS. Claro. Arcos é tudibão, e tem potencial, mas o cipó está no epicentro das grampeações e cada vez que eu vou lá, não só o número de vias mas também de setores que duplica ou triplica. Quem diria, me senti quase em Arcos hahaha Você vai passando num setor completamente novo que vc nao fazia idéia que existia, com paredes de 30m cheio de agarras (veja que eu disse agarras, pq os agarrões estão em Arcos). Conheci o Vale Zen… Da última vez tinha sido o da perseguida a novidade (e antes o foda, e antes o cangaço), mas agora tem o coliseu, república dos chilenos, PCC, Vale zen, casinha amarela e G1 (bico do papagaio?). E parece que tem muito mais por ser aberto, Enquanto os generais de 10 estrelas ficam atrás da mesa com o c* na mão deliberando que não se deve mais abrir vias no cipó, as vias antigas, clássicas e já meio alisadas de tanto abuso, vão sendo aliviadas pelos pioneiros locais como Barão, Fei, Waguininho, Magrão entre outros, que dão o gás pro pico continuar 1000 estrelas e dar conta de suportar a tendência internacional de escaladores (e vias) que só aumenta. E cada vez mais rocha aparece, e mais um setor, um vale, uma gruta surge e a gente fica de boca aberta de novo com o potencial e qualidade das vias. Daqui a pouco a gente vai ta indo pro G3 pela zuma pois cada vez os setores estão ficando mais perto entre si, e a sala de justiça desafogada. Mas também grandes poderes vem acompanhados de grandes responsabilidades. No mundo inteiro e aqui não seria diferente. Com o aumento do número de escaladores também aumenta o número deles que não fazem nem idéia o que estão fazendo e não é dificil encontrar gente entrando guiando um oitavo grau sem ter nunca nem ter guiado na academia ou “malemá” sabendo fazer seu próprio nó. E o pior é que as pessoas batem no peito orgulhosas que não tem instrução especializada (como se isso fosse bom) e mau sabem a vergonha alheia que estão passando. Se até a gente acostumados ao partner check nos pegamos encordados só na perneira da cadeirinha, e sabemos que “não pode”, imagina quem não faz idéia e não checa? Bom, nos resta espalhar a palavra com responsabilidade e bancar os chatos que saem corrigindo a galera no pico (É mto mais fácil que carregar o malaco com a perna quebrada ou na maca trilha abaixo, garanto).

Isa, Genja, Beto, Julia e Seba - Os integrantes do SCPT nessa Trip

Isa, Genja, Beto, Julia e Seba – Os integrantes do SCPT nessa Trip

Para a viagem fomos A Júlia, o Sebá, nosso amigo italiano máquina que esta ficando 2meses em São Carlos, Isabeto e eu. No primeiro dia escalamos no Vale Zen depois de aquecer nas clássicas (Lamúrias, injustiça…). O Beto apresentou o 9c (8aFr) mais famoso do Brasil pro Sebá, a Heróis da Resistência, enquanto eu buscava os locais para mais informações sobre os novos setores. Já no Zen, Fiz a via “Gigante pela própria Natureza”. Maravilhosa, 7a de 35m medida na tinta do meio da corda! Como eu Não estou escalando nada me coloquei pequenos desafios e mandar essa via a vista equipando foi muito bom de ter conseguido! Todo mundo curtiu e meio que passou aquele veneninho no mesmo lugar X da via que eu não vou dizer onde é hehehe. Ainda no final do dia a Isa e eu entramos na via que supostamente é a Estriquinada, via que a Rafa abriu, um quintinho muito bem equipado, curtinho, ideal pra quem está começando a guiar. Só de curiosos ela e eu entramos na via do arco, bem na entrada do vale zen, mas por precaução com relação ao meu dedo (e por incompetência) fui só até a metade. No segundo dia fomos pro Vale da Perseguida, onde pude aquecer equipando a “Vai Mané” 7b, e mandar no segundo pega. Enquanto a Isa e a Jú entravam na Chorrera Musical. Depois ainda fiquei azedo pois entrei numa via sem saber que tinha regletes, e meu dedo ainda não estar 100%. Acho que o nome da lazarenta era “Por entre as pernas da perseguida” 7c/8a (mas é  uma via mto massa e quero entrar de novo qdo tiver bão). Nessa hora chegou o Rio de Janeiro Aderencion team liderados pela Naná, contando com Rogério, Rô e o famigerado Preza, que era figurinha carimbada nos picos mas que eu ainda não conhecia. FIgura! No final do dia ainda ganhei um presentão da Júlia tendo mandado no flash a Olho do Observador, láa no outro setor, o já tradicional Anfiteatro, na verdade pelos nomes das vias acho que é na caverna do dragão hehehe. Não tinha adesivo na via, então fui pro “descanso” na esquerda, o que me fez sugerir 7a pra via, mas deu uma vontadezinha de tentar o 7c reto. Via animal! Recomendo!

Preza, eu, Sebá, Naná, Rô, na frente: ROgério, Beto, Julia e Isa

Preza, eu, Sebá, Naná, Rô, na frente: ROgério, Beto, Julia e Isa

No terceiro dia voltei pro Zen com a Júlia e a Isa por causa do beta do Preza, de um 6° (Avenida Brasil) e um 7b (FlashBlack). O Riodejanereiton Aderetion Team foi pro Antão pra poder ficar mais perto do Aeroporto e pro Preza que está no Lesionados pression team assim como eu poder escalar alguma coisa. Voltando ao caso do Zen, como o Daniel de Joinville estava na Avenida Brasil (teoricamente um sexto), entrei no 7a e mandei meio a vista (meio a vista pq quem tava no chão cantou a agarra do outro lado da aresta – sorry Gui pelo spoiler, fica de troco pelo beta da chapa na direita da canaleta da gigante hahaha). Mais uma clássica do pico das que vale a pena fazer sempre que se vai pro Cipó, junto com a Gigante, a Lamúrias, a Tatara, a Cravo e a Rosa, enfim… Entrei no sexto e passei um sufoco!! PQP! Muito mais foda, com uns abaolados de ombro e em vários momentos eu me vi VOoaaandoooo só não voei pq a cabeça tava boa e apertei mesmo me vendo voando e não ficando nos abaolados, ia pros moves com dedicação e acabei mandando com a vibe da Jú e da Isa. Foi naquele esquema: “…só mais uma agarra vai, não to tão tijolado assim, além do mais se eu cair ótimo que assim já não fico mais com tanto medinho”. E funcionou hehehe. Mais tarde mandei um 7a no strictu sensu da palavra, sem saber nada. o Fei apareceu pouco antes e falou que tinha essa via nova que o Vaguininho tinha aberto, “Avenida das torres” ou algo assim. Láaaaa por entre a 8° e 9° chapa tive que abusar de minha altura, fazer entalamentos de joelho, asa de galinha, passei um sufoco, quase perdi a cadena pois fui muito pra direita, tomei marimbondada na cara (sim, marimbondada, eles trombaram comigo mas nao picaram)… mas no final deu tudo certo e acabei mandando! Ufa! Eu pensava: Tenho que mandar pra nao ter que passar por isso de novo hehehe Depois a Julia entrou e achou um monte de agarra que eu não vi. Provavelmente quando a via estiver mais limpinha vai ficar mais sussa (mas é da hora!).

Puts… e no ultimo dia… mano… Último dia fomos num lugar Magnifíc! O Magrão passou todos os betas de como chegar, fez um mapinha ishperrrto de um setor novo que tinham acabado de abrir algumas vias (tinha pó dos furos na parede ainda). São aqueles bicos que dá pra ver ali do abrigo do magrão, no G1 ainda.. à esquerda da “assombrolhos bicolhos”. Tipo meia hora de caminhada, passa por um vale muuuito lindo, cheio de umas flores vermelhas grandes, um microclima umido e frio, no meio do “agreste seco” pelo qual passamos antes pra chegar la. Passamos por dentro de uma Cave cheia de espeleotemas muito bonita, e depois demos a volta pra acessar o platô onde começam as vias. Fiz um 7c do magrão chamado “Vô coruja” A-NI-MAL. via também de 35m ou mais, com começo de 6°grau, depois um negativo de agarrões, e depois um lance vertical meio “tricky” e no final pra variar, canaleta. Fui só até o lance vertical e desci pois dali pra cima não estava equipada e eu não tinha levado costuras (e fiquei com uma puta preguiça tbm, último dia de climb sabe como é né?). Enquanto eu entrava nessa com a Isa, o Sebá, nosso Italian very relaxed man entrava com o beto na do lado, que é um 7a até a metade e depois vira um 9c. Eu já estava na capa da gaita mas ainda dei um peguinha sem compromisso na parte de 7a do 9c. E aí fomos pra casa, comemos o resto da lentilha que a Ju tinha feito pra 18 pessoas na noite anterior (mas eramos em 5), e vortemos. Na volta ainda pegamos um congestionamento de 1h em Rio Claro onde ficavamos nos estapeando Julia e eu para ficarmos acordados.

Beto, na Tecnicamente apelidada de "Falsa Lamúrias" no G1

Beto, na Tecnicamente apelidada de “Falsa Lamúrias” no G1

Destination: ARCOS – MG

Todo mundo ansioso pelo post sobre a trip pra Arcos?! Eu mesmo morrendo de vontade de contar TUTOOO como foi mas… Estava trabalhando fervorosamente num croquizão bem bonito do 2° andar de lá onde abrimos 3 vias, além é claro de fazendo faxina e esperando o puto do Beto (1x) me passar as melhores fotos que tão tavam na camera dele.

Em Breve... aguardem!

Em Breve… aguardem!

A trip foi alucinante. Escalamos, conquistamos, furamos, nos divertimos horrores, fizemos uns rangos supermassa e amigos que são figurinhas impagáveis. Saímos de Sanca quarta a noite com o carro abarrotado de coisas: Equipo de climb, de camping, de furação (de conquista) e comida principalmente inclusive, que estavamos achando que era muito (Não foi). Chegamos em Arcos lá pra uma da matina, pegamos a chave com a Célinha no pulo do gato e fomos pro pico. Não se esqueçam: Na estrada de terra, Logo depois de se afastar do trilho do trem, primeira bifurcação à direita, depois todas à esquerda. Quando chegar na porteira é porque chegou. Descarregamos o carro e blz, lanchinho ludico e cama.

Setor da frente, cartão postal do pico

Setor da frente, cartão postal do pico

Primeiro dia de Climb fomos pro segundo andar, pois, apesar de a previsão mandar muito frio, estava calor e fomos no setor frio de sombra, deixando pra escalar no sol nos dias de frio que viriam (Não vieram). Escalamos um quintinho e um sextinho simultaneamente, primeiro contato do felipe com o Calcário, e logo o Beto (2x) entrou na Café, Cachaça e tabaco. Descendo já pirou numa linha do lado esquerdo que eu já tinha pirado na outra ocasião quando entrei nela. Só o segundo dia ia ser o de furation, massss…. ah…. já tava ali mesmo né? Desci a trilha toda até a casinha, peguei a metranca enquanto o Felipe escalava (as duas vias – a existente e a futura). Logo entrei, tirei os moves, eles idem e sugerimos os locais dos furos escalando e pensando na segurança de quem iria escalar depois (É ASSIM QUE SE CONQUISTA UMA VIA ESPORTIVA ou debaixo pra cima, com cliffs, estribos, etc.. buscando os melhores locais pras clipadas não rapelando e furando com uma tronca na boca sem nem saber se a linha de agarras chega no chão). Muito bem: Ratá-tá-tá… Fiz todos os furos e pus a parada,  e o Beto (3x) pos o restante dos bolts com as chapas. E mandamos os Firsts Ascents de noite mesmo. A via ficou com 26m, com 13 proteções + parada (portanto leve14 costuras). Estávamos na dúvida entre chamá-la de Muñequito de Barro(bonequinho de barro) , por causa de um ditado espanhol que diz: Café e Cigarro, Muñequito de Barro! (café, cigarro e tabaco é a via do lado). Mas acho que ia ficar piada interna demais mass… o nome acabou ficando mais piada interna que o muñequito de barro, porém tão comprido quanto a via: MONOGAMIA HETERONORMATIVA. Um 6sup/7a lindo de morrer. O nome é uma crítica ao modelo da sociedade moderna que atrapalha/impede  a prática do amor livre, que é a monogamia heteronormativa, pela qual todo mundo que quiser ser considerado normal deve ser monogâmico e heterossexual. Leia aqui o artigo sobre a Prática do Amor livre, pra entender o contexto.

Enfim, a noite fiz um rangão da hora, tomamos uns gorozinhos que tinhamos levado, mas o charuto cubano que eu tava guardando pra uma ocasião especial como a conquista de uma via em Arcos sumiu!! Ficamos achando que tinha sido o Gato na noite anterior, certeza! No segundo dia voltamos pro Segundo andar, e o Beto (4x) e o Felipe entraram em 2 viazinhas muito legais ali no “Portal” de chegada. Muito boas as vias (Ah vá?! Via em Arcos que não é legal? Hmmmm Não tem!). Enfim, dois sextinhos meio curtos para os padrões Arquenses (só 15 ou 20m) . E depois desses o Beto entrou numa super fenda gigante do lado oposto do valezinho ali, em frente à cafe, cachaça e tabaco. Tudo em móvel, crux é desviar da árvore. Enquanto isso eu fui tentar chegar na base de uma grande proa protuberante visível da trilha, pra direita, alucinante. Tinhamos visto essa linha na outra viagem e dessa vez consegui abrir uma trilha e chegar embaixo dela. Pensamos se tratar de uma linha futurista, mas acabou que, como tudo em arcos, é um teto com uns 4m de comprimento de 7b kkkkkkk Chegamos lá e deixei o beto (5x) começar (Ô caraaa) . O Setor é alucinante e por si só já dá pra abrir várias vias… A via começa em cima de uma espécie de Totem de pedra e pra chegar na base da via tem que dar uma soladinha num segundo grau até uma pedra, onde, estando-se em pé, alcança-se o teto. Cheio de agarras. PORQUE SENHOR?! PorQUE?! Porque não temos tetos com agarras aqui no arenito senhor?! Pus a primeira chapa do chão, bem alta, para podermos utiliza-la como proteção caso ele caísse antes de furar a segunda, e sair rolando. Depois de 3 proteções virou o teto e tocou em móvel laçando bicos de pedra até o final da parede. Furou a parada, deixou uma corda fixa e marcou onde poderiam ser os outros furos. Como uma das 3 baterias (a que teoricamente aguenta mais carga) morreu no dia anterior, só deu pra fazer 5 furos, uma vez que os 2 primeiros fizemos de 12cm de profundidade por segurança. A noite o Felipe fez a comida. Achamos o charuto, matamos o segundo e último fardinho de breja e finalmente pudemos acender o cubano, que afinal não tinha sido o gato que tinha pego.

Eu, Beto e Felipe fazendo a janta

Eu, Beto e Felipe fazendo a janta

No dia seguinte fomos escalar um pouco no setor da frente, e pensei em ir terminar a via com bateras novinhas depois do almoço, quando o sol estivesse mais ameno. Entramos na Leão de Judá, um 7b que eu diria que é a “Lamúrias de um viciado” de Arcos (a lamúrias é o carimbo no passaporte de quem vai pra Serra do Cipó). E o Beto (6x) quis porque quis entrar na “Michael Jordan”, uma via que pra quem é anão, vulgo Short-leg (Aí Bianca, vai adorar) é bem mais dura. Eu não tava na pegada de apertar por causa da lesão, mas como era um bote dinâmico de um agarrão invertido para um buraco igual uma cesta de basquete muito alto, resolvi tentar “pelo folclore”. O Beto (7x) apertou um reglete lixo intermediário e isolou. O felipe entrou mas seu ombrinho não o deixou ir mto longe. Eu desencanei do reglete e já na segunda tentativa consegui isolar o bote. IN-SA-NO. O resto da via é muito legal, vai por uns patacos, única coisa é costurar a segunda que ainda tem um lancinho fortinho, e eu achei até um descanso sem mãos com entalamento de joelho da segunda pra terceira. Mais do que depressa Beto (8x) e eu já entramos e mandamos cadena. Ahul!

O Beto (9x) ainda levou o Felipe pra fazer a famigerada “Extraordinária” 7b (pra variar) e enquanto isso eu, que já tinha feito ela, fui lá terminar a via. Chegando lá, subi pela corda fixa ate a 4° proteção mas comecei a ser rodeado por umas abelhas européias que logo descobri estavam a uns 10m pra esquerda. Fiquei imóvel uns 20 mins mas sempre que voltava pra via (sem barulho de furadeira) elas voltavam, então resolvi voltar mais tarde. Enquanto esperava a poeira abelha baixar fui fazer um social com uma galera muito gente boa que tava ali na “salinha” do segundo andar. Eles já tinham entrado na Monogamia Heteronormativa e elogiaram bastante (valeu rapeize!). Quando a noite estava por cair, voltei pro tetão, subi e finalmente consegui terminar a via. Como foram poucos furos, ainda restava praticamente uma batera inteira, bati a parada de outra via, à esquerda. Nessas alturas o Beto e o Felipe já estavam ali e, com a parada pronta, armei um top e o Beto (10x) subiu a noite de tenis marcando onde seriam as chapas e aproveitou e já furou. Ficou faltando só a primeira, mas nem faz muita falta, da pra escalar sem, talvez na próxima trip coloquemo-na. E Já é! O nome do grande teto ficou “O Universo em desencanto”, nome que já saímos de São Carlos com ele na cabeça, por que estávamos ouvindo muito o cd do Tim Maia Racional (Na verdade ficamos a trip inteira com as musicas na cabeça). E guardamos ele pra esse teto. Já a via da esquerda ficou “Na caralha da noite”, em partes por ter sido aberta a noite, em partes pela zueira com a quase homônima via no cipó e em partes porque a palavra “Caralha” era utilizada para se referir a tudo pelo Felipe, praticamente um sinônimo de “coisa”. Tiramos as duas primeiras chapas da Universo em Desencanto pras pessoas não entrarem enquanto as abelhas estiverem ali perto pois está perigoso (e Na caralha da noite nem tem a primeira entao sussa!). O Peixe falou que vai com a galera lá essa semana tirar as abelhas, e deixei as chapas com o Vitor do Camping. Quem quiser mandar os FA’s é só ir lá tirar as abelhas e por as duas chapas (colocáveis do chão a primeira, e a segunda pendurado da primeira). Enquanto furávamos, tava rolando maior lual no camping, que esse dia tava cheio de gente, com a Célinha e o Vitor tendo preparado uma mega fogueira. Do alto da via ouvíamos (e viamos) a galera em volta da fogueira gritando pra gente descer e ir lá com eles. Fomos quando os trabalhos estavam terminados, e quase esquecemos de jantar! Um whiskão JB e o outro charuto cubano (e não é um eufemismo pra cigarro de outra coisa!) na beira da fogueira, papo bom com os mineiros e ninguém queria mais nada!! Tonhão, figuraça, Vitor de Arcos, pessoal de Berlândia e toda a rapeize que não vou lembrar o nome agora, foi mto da hora! Lá pelas tantas eu lembrei do rango (claro, ele é gordo, ele gosta de comeeer!) , e quando vi tinha sobrado comida pra caralho da galera, que NÃO iam mais comer e iam embora no dia seguinte. Pois joguei um pozinho de pirlimpimpim, duas baratas, pernas de rã e 3 cabelos do saco do feijão mais o frango e arroz que tinha já feito a mais no primeiro dia para esse dia e Voilá! Estava pronto o rango mais gostoso do universo! E quase os putos esquecem de jantar, quanta loucura.

Mas whisky bom não dá ressaca, e no dia seguinte estavamos lá, firmes e fortes pro ultimo dia de climb. Fomos conhecer o novo setor entre o setor da onça e o da frente, o “Vale das Sombras”. Se as vias que abrimos não tivessem ficado tão legais teria batido um leve arrependimentinho, pois o setor é muito insano, e com muita sombra! Ficamos mil anos namorando um grande teto ali logo na entrada que inexplicavelmente ainda não tinha sido conquistado. Entramos numa via que é dentro de um BURACO. É isso mesmo, vc sobe uma via em 3D. Tem que usar 360° de apoios como se estivesse escalando aquelas chaminés antigas de fábrica, um túnel na vertical, de 2,5m de diâmetro por 25 de altura. E na sequência entramos num 6sup à direita da primeira, que a Nati (que é praticamente local do pico) deixara equipada pra gente. Saindo de lá, estávamos curiosos pra saber o que era o barulho de furadeira que ouvíamos, e quando chegamos na entrada do setor, o grande Teto tinha acabado de ser conquistado debaixo pelo conquistador local, Peixe. Santa eficiência hein Batman?

Tinhamos que pegar a estrada e pra agilizar, do moídos que estávamos (com uma puta ressaca) de 4 dias intensos , entramos num quintinho do lado esquerdo da Michael Jordan. no setor da Frente. Nem preciso dizer que a via é muito boa né? E depois dessa já fomos pro carro, arrumamos tudo, nos despedimos da galera e pé na estrada! Ah! Conhecemos o Sérgio, o cara que está produzindo os “P-Bolts” que é tipo um chumbador CBA com anilha na ponta, tal qual já vinhamos utilizando em algumas paradas, porém, melhorado. Digamos que é uma chapeleta com formato de pino P. E finalmente, tocamos direto pra São Carlos. O Beto dirigiu 5hrs seguidas direto pro recanto empório, onde a moça já nos viu e trouxe o Litrão e os Baurús de contra.

O lado ruim da viagem veio segunda feira: Ressaca ou depressão pós-Arcos. Poxa, em arcos a vida é linda, a escalada é magnífica. Todas as vias são num calcário perfeito, cheio de negativos de agarrão de 30m <hmpff….>. Mas é isso aí: Bolting Trip pra Arcos: Animal! Só tenho uma coisa a dizer:

So Pyched! Life is good!!

Cuscuzeiro: +1 de Healing! (1 Up!)

Dia de Apertar o Cabo da Enxada!

Na última quarta feira foi um dia que será lembrado por muitos anos. Cada vez que algum escalador subir a trilha do cuscuzeiro, lembrará deste primeiro de maio. Cada degrau pisado, cada plaquinha lida o remeterá a um dia que fez juz ao nome: “Dia do Trabalho”. Foi um dia de muito trabalho. Após a convocação em massa dos escaladores da região pra fazer manutenção num dos morros mais visitados do interior paulista (se não “o mais”), tivemos a massiva presença da comunidade escaladora. Foram 11 pessoas (das quais mais da metade nem escala ou começou a escalar esse ano) pra arrumar a trilha para centenas de outros poderem usufruir no longo prazo. E antes que alguém aponte o dedo dizendo de quem é a responsabilidade de manter as trilhas arrumadas, já adianto: Cachorro de muito dono morre de fome. O morro estava carente, as trilhas indo de mau a pior, e foi muito prazeiroso passar o dia ajeitando degraus, deixando cada trecho da trilha do jeito que gostaríamos, uma vez que a entropia da trilha só vinha aumentando, como era de se esperar. Foi um trabalho muito coordenado: Os meninos faziam força carregando blocos de até uma tonelada no braço para os degraus, e as meninas com as pazinhas N°2 fazendo o ajuste fino dos detalhes dos degraus, completando com terra e firmando estaquinhas. Foram comidos dois sacos de 10kg de laranja e cinco pencas de banana. Várias plaquinhas colocadas e muita risada, lógico.

As meninas do trabalho de formiguinha!

As meninas do trabalho de formiguinha! (não, eu Não né, só elas! Eu no trabalho de rinoceronte)

Começamos debaixo pra cima: logo no começo da trilha já fizemos alguns degraus, desvios para a água se dissipar e colocamos algumas plaquinhas. E fomos subindo em direção à Sunday pela face Norte. Tinha lugar que era fácil, outros extenuante. Tinha lugar que as estaquinhas não fincavam e tivemos que ser criativos. Em outros elas entraram que foi uma beleza. Principalmente as estacas élficas que eu levei de casa produzidas em Valfenda por Elrond, com +2 de penetrabilidade e +2 de agilidade. Improvisamos algumas na hora também, e no final das contas deu certinho! No trecho de sol sabíamos que seria o crux: a parte com pedras expostas é uma das mais degradadas, mas o Timing foi perfeito pois quando chegamos nela o sol já estava mais baixo e não torramos como imagináramos. E fizemos o melhor que podíamos, tiramos o mato onde tava precisando, pusemos degraus de pedra nas partes íngremes, pusemos toquinhos para conter a terra nas partes mais arenosas e muitas placas indicando por onde NÃO se deve passar. No fim das contas ainda ficaram alguns trechos que podiam ser melhorados, lógico, mas o contingente humano disponível nào foi suficiente para dar conta do morro todo, apesar de termos todos trabalhado com overclock em quase 200% o dia todo. É interessante reparar o quanto os escaladores estão preocupados de verdade com a questão ambiental antes que seus umbigos, e não se importaram de deixar de ir repetir as vias que eles já fizeram mais de 100x no mesmo pico de escalada só pra ir cuidar de uma trilha com claros sinais de desgaste (Aviso de ironia). E foi muito bom ver que de última hora apareceram alguns ANJOS pra nos ajudar com sua mão de obra imprescindível e energia contagiante, já que sem a ajuda deles e seus sacos de laranja e pencas de banana, nem metade do trabalho teria sido concluído. Valeu galera, vocês são demais!

Com o montante de gente que deveria ter aparecido, esperávamos acabar os trabalhos por volta de uma ou duas da tarde, e logo escalar, mas com o que apareceu fizemos um milagre e fomos terminar às 5 e meia da tarde. E aí vc pensa que o povo tava cansado de dar duro e pegar no pesado 😉 o dia inteiro? Nada! Ainda rolou Ânimo pra descer a trilha pela enésima vez naquele dia, pegar as mochilas com equipos e subir a trilha de noooovo para fazer um NightClimb. Prêmio mais que merecido para a maioria que estava indo pra rocha pela primeira vez e até mesmo ESCALANDO pela primeira vez! Todo mundo muito animado, nem parecia que era de noite tamanha era a vibe da galera! Até eu que não gosto de escalar a noite (porque vocês sabem né, eu sou um cara muito visual kkkk) equipei a fimose pra galera 🙂

Cabe destacar o Águia, novo operador turístico no cuscuzeiro que se mostrou super prestativo e, com meia dúzia de degraus feitos por ele, também já fez mais pelo morro que seus concorrentes fizeram EVER! E ainda se prontificou a dar uma ajeitada na trilha sul, que é a mais frequentada pelas agências de rapel que acessam a carteirinha através da face sul. Nos doou vários toquinhos para as contenções e está animado a manter o diálogo com os escaladores para fazer as alterações necessárias nas trilhas. Força cara, fazendo tudo certinho e com diálogo você irá longe!

E aqui os agradecimentos finais aos anjos que nos ajudaram o cuscuzeiro! Valeu a vibe Felipe, Mari, Dionísio, Marinaão, Thierry, Pedro, Marcinho, Larissa e Rafael. E claro o parcerão Beto! É nóis Galera, valeu!!

Ah, e foi mal não ter mais fotos, mas o trampo foi hard mesmo, foi dar tempo de almoçar 5:30 da tarde pra vc’s verem!