Cipó de Reveion (muitas fotos)

Bia e os contrastes das rochas do Cipó

Bia e os contrastes das rochas do Cipó

Fomos para o Cipó, ficamos 15 dias. Escalamos horrores e tive a oportunidade de escalar muitas vias a vista em setores novos e repetir algumas clássicas. Cheguei a mandar um 7c/8a no segundo pega (Por entre as pernas da perseguida) mas infelizmente não pude mandar todos os projetos que tinha. Tivemos a oportunidade de conhecer todos os setores novos e linkar por dentro o G3 ao G2 ao G1, coisa linda. O PCC é o canal pra dia de muito calor. O Blair pra qualquer dia, e o papagaio é irado! E o setor Janela então?! Puts, pirei!

Eu não pude entrar em tudo que eu gostaria pois no comecinho de dezembro senti um incômodo no ombro, que na segunda metade da trip voltou a incomodar. Eu nunca tinha sentido nada no ombro, mas agora como o elo mais fraco que eram os dedos foram fortalecidos, deve ter aparecido outro elo fraco :/ Foi num move besta e fácil no final da Especialidade da casa indo de um agarrão para outro agarrão q senti o Crec no ombro. <<Burroooooo>>. Aí que que o infeliz aqui faz? Mesmo com o alerta no ombro, depois de 2 dias, entra na Heróis equipando. Very clever! Quando cheguei no chão tiveram que tirar o nó pra mim e fui medicado com 1 dorflex e 2 cataflans pq não aguentava de dor no ombro/braço esquerdo. Ó dó…. Aí até o fim da trip tive que abaixar o nível e fiquei escalando só sétimos a vista com o Ives pra não forçar. Foi bão também! Fiz várias vias novas legais na perseguida, no Blair, no PCC, no Coliseu, no Serra Pelada. Escalada à vista é muito massa, não sei pq não vejo a galera fazendo esse tipo de escalada por lá.

O Greg foi o nosso menino de Ouro, mandou a ética e a na Calada da noite, e como diria a Bia, o resto não fez mais que a obrigação. Fiz um sexto grau lindo de morrer, “delício” na perseguida, novo, duas vias pra direta da por entre as pernas, sensacional. Repeti a Gigante pela propria natureza, flashblack, entrei na sheetara de novo, conheci a 11 proteções e 1 segredo, finalmente conheci a Dilúvios na Sancho Pena e a Via de Blair (que vias incríveis!). Incríveis também as duas vias da esquerda do PCC, um 6sup e um 7a, e fiquei morrendo de vontade de entrar na Pablo Escobar e na Zé pequeno, mas fui pela prudência que me faltou antes e me contive entrando em vias mais tranquilas. Ah! E pude mandar finalmente um 7b que tava devendo desde 2010, a “Minha amada imortal” no G1. A primeira vez do Ives no Cipó foi muito bem, fez até um ou outro 7a em flash e pode conhecer a maioria das clássicas.

Confira as fotos que acho que elas falam mais que palavras 🙂

Nossa, e nessa trip aconteceu a situação mais bizarra da minha vida com rapeleiros. Estavamos no setor da Melzinho, o Greg tinha acabado de mandar a Sem compromisso 7a e tinha um brother de Sampa malhando a Jungle Boy. De repente… Senta q lá vem a história:

Quando vejo alguém fazendo presepada no pico de escalada...

Quando vejo rapeleiro chegando no pico de escalada…

Num puta calor de 35º, todos derretendo, chega a gangue do rapel com macacão de piloto da força aérea, de bombeiro, de lixeiro, entre outros. Cheio de brasões, bordados e claro, coturno até o joelho. Garotos de 15, senhoritas de 30, homens nessa faixa também. E o líder de shortinho da copa de 70 e camisetinha (igual do gif acima). Vinham com corda no pescoço, cadeirinha em mãos, nenhuma mochila. Comentando entre si: “…Olha lá, eles já estão descendo aqui, vamos ver como eles tão fazendo…”  Eu cheguei até a pensar que fosse alguma coisa da brigada de resgate local, onde algum escalador foda estivesse ensinando alguma coisa para alguma turma sobre procedimentos de segurança em escalada. Ledo engano. Eles chegaram a perguntar se todos que ali estávamos na base da via (no chão) já tinhamos todos descido. Tive que explicar que nenhum de nós que ali estava havia descido, só subido e que apenas o último fica pra limpar a via e descer (nem me dei ao trabalho de explicar que depois de subir, haviamos descido de baldinho, preferi ser mais incisivo). Aí o Rapeleiro Alfa chega pra mim e pergunta: “É nossa primeira vez por aqui, onde vc recomenda que a gente faça rapel?”

via a vista 8anu

Ao que eu prontamente meio que sem pensar respondi: NÃO RECOMENDO. <<grilos – Cricri-cricri-cricri>>

coice-o

É, não foi um coice assim, mas alguns falaram que soou meio assim hehehe. Alguns segundos de silêncio depois que sucederam a resposta: “Mas não tem um lugar onde as pessoas fazem rapel aqui?” Não. não tem. O pessoal aqui vem pra escalar mesmo. Conheço os escaladores locais e pelo q eu sei essa atividade não é bem vista por aqui. Aì eles agradeceram, viraram as costas e foram “meio que caçar” um lugar pra exercer a deplorável atividade. Sem sucesso pois meia hora depois estavamos mudando de setor e cruzamos com eles passando por nós de novo na trilha, indo embora. Ai ai, até quando né gente? Não vou nem comentar pq se formos analisar as raízes disso passaríamos por parâmetros socio-econômicos, a falta de investimento e de interesse do governo em educação, a alta carga tributária, a safadeza descarada exercida pelo governo todos os dias, o monopólio do futebol em todas as mídias, que anda de mãos dadas com o machismo inerente à nossa sociedade, o desinteresse das pessoas por politica, ou seja: a falta de consciencia das pessoas sobre qualquer assunto e a superficialidade das discussões.

 

Agora fiquem com uma galeria de fotos do reveion…

E voltando ao tema principal do Blog que é fofocas escalada, mais fotos, pois na segunda metade da Trip, eu zuado me pus a tirar mais fotos afinal, era o que me restava fazer.

 

Bem, e essa foi mais uma trip pro Cipó! Agora é focar na recuperação e planejar a próxima! Que venha a rehab né, pq por enquanto é o que ta dando pra almejar! =D

O Cipó já não é mais o mesmo… É muito melhor!

Gui na famigerada "Atretas do Craimbe" no Rod

Gui na famigerada “Atretas do Craimbe” no Rod

Primeira trip do ano não poderia ter sido pra lugar melhor! Pra começar bem 2013, peregrinação até a MECA da escalada esportiva no Brasil!!! Fomos a Isa e eu de bumba no dia primeiro de manhã, chegando lá a noite e na manhã seguinte chegou a Bia. Nosso anfitrião é na verdade o Gui, que apesar de ser Beaguense (aquele que nasce em BH), se radicou aqui no São Carlos Pression Team. Primeiro dia, para ganhar tempo, fomos num sítio ainda inexplorado: o Rod! A Bia e eu não conhecíamos e nos divertimos horrores no setorzinho “boas vindas” (G2) aquecendo em clássicas como “Atretas do Craimbe” 6sup e “Tapa na Aranha”  7a. Tive a felicidade de mandar um dos 7c’s mais famosos do Brasil no segundo pega: a “Sedativa”. Uma via curta, com saída de teto e um move de boulder ligeiramente explosivo logo na sequência. Ainda tivemos a oportunidade de fazer em flash outra famosa: Gables in the lables (se pronuncia GAIBOUS IN THE LEIBOUS, mas suponho eu que a escrita seja em inglês). Ainda depois fizemos mais uma que eu não faço a menor idéia do nome, talvez um 6° ali atrás. E firmeza, primeiro dia tudo lindo, tudo azul, janta na tia Preta (#FIKADIKA!!!!!) e bora pro nosso esquema, no meio do caminho entre cipó e lagoa santa.

Segundo dia foi G3. Todo mundo animado, fomos sedentos por novas vias no setor da “Perseguida”. Simplesmente SEN-SA-CIO-NAL . Só que antes a gente deu uma aquecidinha ali no Anfiteatro: todo mundo aqueceu na Jhonny Quest (6sup) e só o belezão aqui que foi já sedento na Dr. Jack (7b)… Claro que desmandei a via! hahaha mas foi da hora relembrar os movimentos dessa via. Caí em partes onde antes nunca tinha titubeado, e passei tranquilo em trechos que antes apanhava… vai entender! Já na Perseguida, a Isa falou de uma tal de “quinto aventura” (que não tem esse nome, mas na falta dele, vai esse apelido), que deve ser um 5sup ou sextinho com crux na saída, depois uns “400 metros” de escalada de todos os tipos: Aresta, face, fenda, aderencia, sombra, sol… dá uma má impressão vc olhar para o lado, ver a chapa e NENHUUUUMA saliência…. mas a via segue pela aresta e é agarrão e surpresa boa o tempo todo, dilícia! Ao todo uns 30m de via, umas 12 costuras ou mais… Depois fizemos a “Beco diagonal” que deve dar um 7a, e na sequência… Tchan tchan tchan tchannnnnnnn….. A mais nova “melhor 7a do Cipó”: Chorrera Musical. Uns 5 posts atrás eu devo ter comentado algo sobre querer muito fazer essa via… não sei onde eu li que era um 7c… depois falaram 7b, aí no dia eu ouvi “7a parabéns” e tenho que concordar. Quem ja foi pra Rodellar deve ter ouvido falar do 6sup mais tradicional de lá: Roxy La Palmera… pois bem, esqueçam tudo… Chorrera Musical é a nova Chorrera sensação do momento. São 30m de puro prazer! Ainda no fim do dia a gente tava naquela vou-não-vou na lamúrias, aí a Júlia falou que tinha um 7c equipado ali no cangaço que eu ia adorar e que ela ia betear pra mim… Bom… a Isa não ficou muito contente que a Lamúrias não se equiparia sozinha aquele dia, mas também ja estava faltando pouco pra escurecer, e faltando umas 3 chapas pro final da “Cangaceiro” já estava de noite e eu nem tive tesão pra continuar baixei. Hmmm…. Via OK, mas não muito meu estilo, sei lá, vai ver que por estar aquela penumbra escurecendo eu não tenha curtido tanto, já que não gosto de escalar a noite.

Me esbaldando na "Chorrera Musical" Melhor 7a do Cipó!

Me esbaldando na “Chorrera Musical” Melhor 7a do Cipó!

No terceiro dia de Climb eu acordei meio zuado. Cagando mole, aquele negócio. E pra piorar fui ficando enjoado no carro, e não consegui escalar o dia inteiro. A Isa entrou na lamúrias que o Gui equipou e depois eles foram para o cangaço, onde a Isa queria tentar a “O cravo e a rosa”. Dei seg pra ela e numa voada, em vez de fazer a seg dinâmica, recolhi corda pois era a segunda costura e não queria que ela caísse muito, sei lá, vai que dá chão… mas infelizmente ela bateu a ponta do pé numa saliência e deu game over aquele dia. MY BAD! (poderia tranquilamente – e deveria – te-la deixado cair, voar tranquilamente mais uns 2m que tava sussa, mas não… enfim… na próxima ja to ligado! O Puto do gui ainda me manda a Cangaceiro em flash!!! Putaquipariu, eu ali, deitado no chao, um puta calor e eu com frio, coberto com meu anoraque, levemente febril, tive a oportunidade de ver o viado fazendo praticamente a vista a travessia do crux… que luta!!! \o/ Parabéns, “Equipe Quero Escalar” representando bem o time! hehehe

Isa na Lamúrias

Isa na Lamúrias

No quarto dia eu já estava respirando sem ajuda de aparelhos, consegui comer normalmente de manha e o que saia de mim era mais denso que água mineral, com uma frequência superior a meia hora. Senti-me um pouco mais motivado e fomos pro Foda, pois o Gui e Eu queríamos porque queríamos entrar na Tatara, 8a. A gente aqueceu na “Pra elas” 5°, e as meninas aqueceram na “Você decide” 6sup. Aí enquanto elas lutavam, se degladeavam na “Caximbo da Paz” 7a, os meninos tiravam os moves da Tatara. Eu lembro que apesar de ter chegado cedo no pico, e não ter ficado muito tempo enrolando, o segundo pega que eu dei na Tatara, e terceira escalada do dia, foi tipo umas 5:30 da tarde. Ainda tinha brincado com a Bia que ia esperar meia hora pra meu “Tomelirrolímetro” chegar a 100% (que normalmente é depois das 6, mesmo eu não gostando de escalar a noite – pergunta se eu Não gosto do horário de verão hehehe). Entrei na via bem animado, cantarolando menina veneno e tudo… e passei rapidamente pela primeira parte da via que é negativa com regletes bons e agarrões, e quando faltava 4 minutos pras 6 estava no descansão antes do último move e CRUX da via. Ali da pra deitar, rolar, sentar, fazer o que quiser.. Aproveitei e tirei a sapata, relaxei, e quando já era umas 6:03 continuei a escalar. Bem no meio do Crux, fiz um movimento diferente do que eu tinha “ensaiado”, pus um pé esquerdo na mão no último agarrão (que é num teto praticamente) quase apoiei em “Figura4“, travei de direita num reglete bom, subi a esquerda numa controna meio boa meio abaolada e, travando com o calcanhar esquerdo na aresta e o direito apoiando num biquinho mais abaixo, consegui pegar a “baguete” (nome popular da última agarra da via devido a seu formato peculiar) e costurar a base tranquilamente. Fiquei muito feliz em ter mandado essa via que eu tinha malhado na última viagem com a Martinha na Seg… Gosto muito deste estilo de escalada bem esportivo, bem protegida, com movimentos atléticos e técnicos… que alegria!! A meta da Viagem estava alcançada!! A caganeira na verdade ajudou a ficar levinho e descansar pra encadenar essa via hahahaha Meu antidoping mostraria substância ilícita: Streptococus Cipózensis hahahaha

E no último dia quem amanheceu com falência múltipla do Sfincter anal foi o Gui, que deu W.O. no climb na Lapinha e apareceu só pra pegar carona pra vir embora. O São Carlos Pression Sfincter ainda teria mais uma combalida (Béééééé) no meio da Viagem que foi a Isa, que segurou bem as pontas pra não sujar o carro do Gui. Ah é, esse dia de manha antes de partir pra SanCharles nós fomos para a Lapinha, que agora está reaberta e as escaladas lá são sensacionais. Lá o Climb rolou bem, fizemos a Gigante de Bronze ou algo assim, e depois dois 7a’s (que ME PARECE que chamam-se: O perigo que veio do Céu e Arranca couro, essa última achei mais um 6sup na verdade). A Isa já tava só na Capa da gaita de tanto escalar todos os dias e acabou nem entrando nas duas últimas, e como iamos sair as 12:30, acabou que foi só isso mesmo que deu pra fazer. A escalada na Lapinha merece ser conhecida, é um pico muito clássico, tipicamente negativo de agarrão, com vias bem protegidas, sombra, muias vias, ah, é sensacional e da vontade de ir entrando em uma atrás da outra mesmo sem saber o grau porque é muito agradável. E parabéns à toda a galera envolvida na liberação da escalada por lá, o Museu está de primeiro mundo, assim como o atendimento e o trato para conosco escaladores. Valeu!

Bia na Lapinha... só escalada de "Qualitê"!!!

Bia na Lapinha… só escalada de “Qualitê”!!!

E é isso galerinha! Escaladinha no Cipó pra começar o ano bem, muitas vias, muitas cadenas, muitas risadas, musiquinhas, piadas à la genja, diarréia coletiva (menos a bia, que tava no canadá?) e tudo o que temos direito! Algo mais? Quem vai na próxima?!