Sanca Pression Team na Falésia Paraíso

São Carlos Pression Team representando na Falésia Paraíso

Essa semana a Marta teve um trabalho em Tremembé, e, como já estaríamos por lá, resolvemos conhecer a falésia paraíso, que fica meia hora da cidade. Pegamos todos os Betas e orientações com os escaladores locais e ficamos acampados 3 dias por lá.

As expectativas eram muitas, e, já no primeiro contato fizemos a Cinturão Galático, um clássico, no setor boas vindas. 5°sup de 25m e agarrões, muito bem equipada. As expectativas iam sendo correspondidas! Depois entrei na via mista Marimbondos defumados, 6°sup, tbm de 25m, com um crux bem definido, bem legal! A marta ia me acompanhando. Depois um dos escaladores de Pinda chegou, o Rogério e nos apresentou a “Bat-caverna”.. mas aí eu já fiquei meio decepcionado. Muitas vias, muitos quartos graus de duas chapas e base, positivas e meio musguentas. Ok, ótimo setor campo escola, mas a expectativa era outra, queriamos fazer vias mais longas. Voltamos pro setor seu Renato, onde fizemos a festa na roça e P de purga, 6sup e 6° respectivamente. A “P de purga” eu gostei mais, mas a marta preferiu a Festa na roça.

Marta na Festa na roça, 6°sup

Eu na “P de Purga” 6°

No fim do dia, ainda tinha força, resolvi voltar no setor Boas vindas e entrar a vista na via que na minha opinião é a mais clássica do pico: “Lamúrias de um corinthiano”, 7b. Via linda, perfeita, bem grampeada (como praticamente todas que entramos), com agarrões, 25m e crux bem definido. Não vou dar detalhes, para nao tirar o a vista da galera, mas adorei, e até a Marta entrou e tirou o move do crux.

De noite era carboidrato na veia!

A noite a gente revezou o cardápio e no primeiro dia foi macarrão com salsicha ao molho branco, no segundo arroz com legumes e mussarela, e no terceiro macarrão com salsicha ao molho vermelho. Normalmente comidas que eu gosto de comer mesmo quando eu estou na cidade hehehe

No segundo dia aquecemos na “Agarra no cabelo”, outro 6°sup clássico do setor boas vindas, 25m de agarrão. Depois entrei em outra clássica, dessa vez no setor seu Renato: Cleópatra, um 7c de 25m também muito bem equipado, mas com alguns regletinhos abaolados e pézinhos delicados no meio do caminho que para quem está meio encanado de cair, são um terror hehehehe Mas a via é muito boa e se tivesse com mais gente com certeza teria deixado equipada com um costurão no crux pra dar um pega depois. Mas muito técnica e física ao mesmo tempo! E no final forçuda, realmente, muito boa inclusive a grampeação. Paramos pra almoçar aproveitando o pouco de sombra que restava no setor, e,  depois dessa fiasqueira na cleópatra partimos pro setor canyon, para fugir um pouco do sol. Aí eu fiquei meio chateado: Uma piramba bem incômoda, com dois ou 3 7b’s e vários projetos. Foi meio decepcionante. Acabei entrando na via “Mataburro” que era um dos únicos 7a’s do setor mas acabei me decepcionando ainda mais: Uma super fenda de asa de galinha quase meio corpo, mas muito incômoda e machuquenta, de uns 10m que eu realmente não estava a fim de fazer. Acabamos descendo a piramba de volta e ficamos no setor 90 graus. Aí deu uma animada de novo: fizemos um 6° e um 6sup, de dificil leitura, mas legais.

A atleta SCPT representando na Falésia Paraíso

No dia seguinte tentamos acordar mais cedo e fomos no setor visual, o qual achamos de muita qualidade. Ótimas vias, bem grampeadas. Entramos na via “Denise em Crise” 5° pra aquecer e na “Chang wei” 6sup. Sensacional, a marta adorou e entrou na Chang duas vezes pra mandar a cadena. Ótima via de 20-25m com boas agarras, passagem em negativo, enfim, muito legal. O único viés é o sol que logo bate ali mas a qualidade das vias e da grampeação compensa. No final da tarde, com muito boas lembranças do setor Boas vindas, entrei na “Bloco suspeito” 7b, do lado da agarra no cabelo e lamúrias de um corinthiano. Via muito legal também, porém com um crux totalmente incoerente com o resto do setor e das vias. Tem que travar de esquerda numa moeda de 1 real, ir para outra agarra que é uma moeda de 50 centavos e travar de direita, cruzar com a esquerda ou retapar para uma agarrinha meio boa um pouco mais alta, trocar de mão e, já no montê, pegar no agarrão da cadena. Minhas tendinites e bom senso (para com as tendinites propriamente ditas) não permitiram fazer o movimento e, se a Lamúrias de um Corinthiano é um 7b, essa via é um 8a/b, tamanha a dificuldade desse crux isolado (mas eu achei que a lamurias é um 7a e essa um 7c/8a). A menos que eu não tenha visto alguma variante la pra esquerda que use outras agarras fora da linha das chapas, é claro. Mas a via é sensacional e quando eu estiver sem tendinites vou voltar pra manda-la com certeza, mesmo porque a grampeação é perfeita. Na descida da via ainda reequipei a Lamúrias de um corinthiano para a Marta, que queria entrar pra cadena, mas acabou trocando um pé bem no crux e caindo no primeiro move do crux. Logo ela voltou e tirou o move de novo, mas como ela literalmente TORROU no sol depois dos 17-20m de via, acabou nem animando de entrar de novo.

Esse aí é o nosso parceiro que nos acompanhou e guardou nosso camping os 3 dias… peidão e dorminhoco, pegou o que temos de melhor cada um de nós!

A moral da história é que a falésia tem vias Geniais. Equipamento perfeito, tudo pino P, bem colocadas, protegendo onde devem proteger (eu consigo me lembrar de apenas uma única proteção que poderia estar um pouco mais pra lá ou pra cá, mas nem merece menção). O Setor Boas vindas é o melhor: Possui grandes árvores que dão sombra nas vias até uns 15-18m e só os finais é que ficam no sol (OU tem sombra até umas 11horas), o que da pra encarar de boa. O setor seu Renato tem vias compridas, fortes como a Cleópatra, a mumificação, hércules que são muito filé e ficam na sombra até umas 2 da tarde, e pra direita há uma sequencia de 10vias uma do lado da outra curtinhas, tudo na faixa do 6°-7a ótimo para quem quer fazer sua pirâmide nesses graus, mas que pegam sol a partir da uma.

O setor 90 graus também tem vias boas e pega sombra na maior parte das vias por causa da vegetação, e por serem vias mais curtas. O setor visual é um dos melhores, não fosse o sol que arde ali desde as 10 da manhã. O setor Batcaverna vale a pena se vc quer fazer duas ou tres vias de graduação forte, curtas e grossas, pois os quintinhos que tem lá de 2 chapas e base realmente não me pareceram muito atraentes. Já o setor canyon com seus milhares de projetos fica na sombra o dia todo, mas realmente é só pra quem quiser ir entrar em graus fortes tipo aquecer em 7b e depois fazer os oitavos ou malhar os projetos; ainda sobre esse setor as linhas das vias são bonitas, interessantes, mas o acesso e os pés-de-via da maioria são meio descaídos e quando eu estive ali até fiquei com vontade de entrar em uma ou outra linha, mas a qualidade do Boas vindas e do visual nesta primeira visita realmente falaram mais alto.

Bloco do Titanic, falésia ao fundo…

E é isso, resumo da ópera: Pico massa, muitas vias legais, muito bem equipadas. Levar protetor solar, muita água pra poder escalar nos melhores setores. Levar móveis pois uma ou outra via precisa. Não levar não faz falta, pois tem muitas vias, mas com certeza eu curti a Marimbondos defumados!

The Sandstone Series

Essa vc não vai ver no Sandstone Series hehehe

Está no ar o primeiro vídeo da Série “The Sandstone Series” que vai retratar a escalada nos arenitos do interior paulista.

Não tem vias de nono grau, não tem grandes atletas de elite (com excessão do Beto), não tem grandes produções cinematográficas… Mas retrata de uma forma simples as escaladas da turminha nos arenitos do interior paulista. Assim! Simples como deve ser! Aguarde o Episódio 2 que está do balacobaco!

A “The Sandstone Series” ainda não tem patrocinador, então se você quiser ver sua marca bem grandona sendo exibida para os milhares de pageviews diários do blog mais os linkados direto do google ou do Facebook, entre em contato que colocarei nos próximos episódios sua marca no começo ou no final (ou nos dois) do vídeo.

Veja o que uma marca faz com séries como estas… (mantidas as devidas proporções, é claro).

Detalhe para a mina dele quando ele ta na via Stuntman (5.12) dando seg direitinho com o grigri, coisa dificil de ver por aí! (é, quase direitinho, ainda ta com a mao no Grigri, mas já é 400x melhor do que a gente vê)

Não perca, no episódio 2, Rodrigo e a Geladeira… Aguardem 😉

Vandalismo em Itaqueri

Semana passada fiquei sabendo que uma via que eu abri aproximadamente um mês atrás havia sido “alterada”. A via é a “Sinos do Barão” Vsup no setor 2,5 em Itaqueri da Serra, Itirapina, interior de São Paulo. Sem maiores informações, no sábado fui até lá, e qual não foi minha surpresa ao constatar o que havia se passado. Esperava apenas um mau entendido: Alguem havia tirado uma chapa para usar em outro projeto, ou então a proteção havia entortado pois estaria em algum ângulo diferente… enfim.. não aconteceu nada disso. Ultimamente temos colocado a parada de nossas vias esportivas com uma chapeleta Fixe num parabolt de 10mm e 12cm para dentro da rocha. Esse parabolt/chapa ficava backupeado por uma corrente que está numa anilha em “U” colocada em outro parabolt de 12, porém 8cm para dentro da rocha, configurando praticamente um pino “P” virado pra baixo, que é de conhecimento geral ser melhor que pino P virado pra cima, devido às forças envolvidas no “assentamento” da “cabeça” do pino P na rocha embaixo em caso de muita tensão.. Não é o caso pois a tensão fica toda na chapa Fixe que está um pouco abaixo e a direita. Segundo a revista desnivel (acho que de julho ou agosto do ano passado) essa configuração de um bolt mais alto que o outro backupeando com corrente o debaixo pelo decima é boa para vias esportivas em que a rocha é sólida e você pode confiar nas proteções(que é o caso da rocha ali). Melhor ainda se é uma via de uma enfiada apenas e as forças envolvidas são no máximo descer uma pessoa de baldinho.

Exemplo da configuração de parada tipicamente esportiva, porém com o mosquetão no lugar errado…

Pois bem, explicado como estava a parada, a corrente que vinha da anilha em U estava presa na chapeleta por uma malha rápida, e nesta havia um mosquetão.  O que aconteceu foi que a Chapeleta, a malha rápida e o mosquetão foram roubados, e não tendo bastado apenas o furto, o vândalo simplesmente martelou violentamente a anilha em U com a corrente. Acredito que não deve ter tido a inteligência suficiente para conseguir tirar a porca de dentro da anilha (pois como se pode ver pelas fotos, foi tirada a porca de fora, mas nao a de dentro). Sendo assim martelou até entortar esse parabolt, o qual, com apenas algumas (umas 4 ou 5) marteladas eu terminei de quebrar, uma vez que havia se tornado inválido e oferecia risco para algum desavidado clipar na corrente. Logo abaixo estão algumas fotos que eu tirei. Não tenho foto da Base pronta antes do ocorrido, mas aí em cima aparece uma foto do esquema de configuração parecido que está sendo usado na via ao lado na motor de lancha. Na ocasião eu tirei a foto pois alguem havia movido o mosquetão da malha rápida e colocado no meio da corrente, o que não ficou bom (tensões em angulos ruins) e depois de arrumar não tirei uma foto do jeito correto, mas todo mundo vai entender.
Gostaria que se alguém tivesse alguma informação que levem a os autores do ato ou a entender porque isso aconteceu, por favor me/nos avise pois estamos sempre conquistando vias e se alguém não está contente com isso por favor se manifeste abertamente (ou pelo menos em PVT).
O curioso é que Itaqueri é conhecido por ter somente vias de 7° grau pra cima, com apenas um ou outro sexto grau não muito de graça para iniciantes. No setor 2,5 (local do ocorrido) é bem onde se localizam as vias de quarto e quinto grau “de fato” da falésia, sendo considerado o setor “campo escola”. (Da esquerda pra direita: “O Bom severitano” 4sup/V; Castelo de Cartas 4sup/V; “Sinos do barão” 5sup, Fissura olho no lance (em móvel, um jogo de camalot do .3 ao 3) 5°, Motor de Lancha 5°;  Tarântula Vermelha, 6sup – Conquistada esse final de semana – Base na corrente na furquilha da árvore – O Acesso é por uns degraus de pedra à direita antes de se passar por baixo da árvore caída).
Estamos cogitando que foi algum rapeleiro que fez isso, mas nao entendemos o que ele foi fazer lá, sendo que é um lugar com acesso não corriqueiro por cima, e o que ele fazia com um martelo na ocasião (se já não era premeditado). O restante das chapeletas e a via ao lado, que esta uns 2m para a direita está intacta, logo, acreditamos que possa ter sido alguem que acessou a falésia por cima. Nas fotos fica bem claro as marcas de martelada na anilha em U, a qual, alem disso, ficou virada pra cima, o que nao ocorreria caso tivesse sido um peso muito forte colocado na corrente, tensionando o sistema para baixo).
Obrigado a todos que puderem ajudar no entendimento do que aconteceu!

A chapa da direita foi roubada, e a manilha com a corrente na esquerda, marretada violentamente.

O Bolt foi entortado na marretada…

A Manilha ficou com as marcas das marretadas…

Detalhe de perto do estrago feito e da fúria do vândalo…

E os vídeos Brasileiros de escalada estão cada vez melhores…

Nas últimas duas semanas parece que houve um número anormal de vídeos bons de escalada pipocando pela internet afora. Muito vídeo gringo da hora, muitos vídeos brazucas que não ficam devendo nada para os gringos. Daí a gente vê que, de um lado a galera aprendeu a fazer vídeos, do outro, aprendeu a colocar neles todo o mistério e a magia daquela escalada, que é fundamental para dar “alma” a um vídeo, que, por melhor que seja, se não tiver alma, parece que fica meio vazio. Vou colocar aqui os melhores vídeos selecionados, começando com a categoria Internacional, e deixando o melhor para o final:

Começando com o lugar de onde saem os agarrões, e de lá se espalham pelas falésias do resto do mundo. (leia-se: a maior concentração de agarrões por metro quadrado de parede da face da terra). Isso mesmo, Kalymnos: O paraíso mor das chorreras e negativos de agarrão. De todos os graus.

Quem lembra daquele cara que tava numa fenda tremelicando, deixando cair várias peças, mosquetões, e cada vez que mudava a câmera ele tava com uma sapatilha diferente? Pois bem, veio esse outro e mostrou como é que se faz:

Já esse aqui é mais uma da linha “novelinha” da Arc’teryx. O cara escalando horrores, mas ao contrario da outra novelinha do J. Siegrist que sai de furgoneta pelos EUA, esse aí é de um Weekend warrior, daqueles que só escalam de finde porque tem que trabalhar. Muito legal também!

E falando em weekend warrior, aí o anti-WW número 1, o cara que mais vive de escalada no mundo, falando sobre treinos, e provavelmente sobre sua recém-inaugurada academia de escalada nos EUA.

E para variar um pouco, dois vídeos de boulder, de um dos caras mais tribol (daquele que tem tres bolas) do mundo. Forte, técnico e feio, poderia tranquilamente ter saído de uma partida de rugby.  Vos apresento aquele não tem medo de morrer por descender do Clã Macleod, com vocês, Dave Macleod (também o escritor de um dos melhores livros sobre treinamento em escalada: 9 entre cada 10 escaladores cometem os mesmos errros, previamente citado aqui no blog).

E só para polemizar: mais um vídeo dele, contradizendo a premissa de que só pode haver um:

Finalizando, um nono grau em móvel muito legal, num pico muito bonito que até então eu não conheço muito:

E chega dessa gringaiada, bora pros filmes brazucas que estão de arrebentar a boca do balão:

Começando com o Brasileiro de boulder no Rio, durante a Semana de Montanhismo, pela produtora “Foca no climb”, versão “Sério”, ou normal:

Não obstante, se vc pensa que outro vídeo cobrindo o mesmo evento seria mais do mesmo, não se engane. Com um outro enfoque, este vídeo é mais no estilo fanfarronices por trás dos bastidores do evento. Daria tudo pra ver um desse na final do Arco Rock master, com o sei lá, Timmy O’neil fazendo trocadilhos com o Ramonet, a Sasha digiulian ou ou Killian fischuber. Eu acho que ia ficar todo mundo com cara de tacho ahahaha

E se você gosta de vídeos comédia, então dá um fraga nesse, com o escalador JASON ANDRADA dando sua opinião sobre o pico..

Agora dois vídeos de Araxá, muito bem editados, o de escalada simples porém suficiente para mostrar a rocha, o pico e dar água na boca de ir lá tentar as vias.

E para mostrar que não devem nada pra ninguém, este segundo de boulder, também muito bem feito, até quem não gosta de boulder se sente fisgado pelo escalador malhando a via… muito bom!

Eu não lembro onde eu li ou ouvi em alguma entrevista, que o escalador tem que ter seus equipamentos como meros meios para atingir seus objetivos, e não objetivos em si (tipo aquele cara que começa a escalar, começa a mandar bem, aí compra cadeirinha e sapatilha, passa a se achar e escalador e para de escalar, pois na sua cabecinha ter equipo o define como escalador – e não o ato de escalar em si – e aí ele se acomoda e para. Troféu jóinha pra ele! Eu confesso que gosto tanto de escalar quanto dos meus equipos, todo mundo sabe que mesmo que estejamos com 40 costuras indo escalar, eu ainda assim levarei as minhas 12, fazendo 52, porque eu adoro escalar com elas. Sem contar as sapatilhas, cadeirinha… enfim, um verdadeiro caso de transtorno obsessivo compulsivo  amor e devoção. Por isso, me enchem os olhos os vídeos que falam sobre essas pequenas peças de nosso dia-a-dia escaladorístico. Confira este vídeo da DMM, explicando fatores importantes a se considerar na hora de comprar seus mosquetões.

*Não perca em breve, a série “Sandstone Series”…  AGUARDE

Climbing 101 (Ou: Escalada para iniciantes)

A gente sempre vê a galera da antiga usando técnicas que hoje em dia não se usam mais, não por estarem erradas, mas por existirem melhores na atualidade, que não existiam quando eles começaram. Mas também a gente vê alguns deles fazendo muita coisa que seria considerada errada inclusive em seus dias áureos. A discussão da semana foi sobre a seg no Loop e não na cintura+perneira da cadeirinha. Pergunta clássica:

– Mas se vc se encordar em dois pontos não é melhor?!

É, pode até ser, mas duas coisas anulam essa dualidade: O freio fica de um jeito que vc fica mais suscetivel a fazer cagada, e segundo solicita seu mosquetão de forma errada. Eu poderia escrever uma hora sobre o assunto, mas já fizeram isso por mim =D Então vamos ao tão aclamado ctrl+C ctrl+V do extenso texto que o Davi Marski colocou na Hangon essa semana, e foi reproduzido pela internet afora (Né Neudson? 😉 ):

Nesse último final de semana, enquanto escalava com um grupo de amigos no sul de MG, passei por uma situação bastante inusitada que descrevo a seguir…
 
Logo que cheguei na base das vias do “campo escola” na Pedra do Pantano (Andradas – MG), acabei encontrando-me com um outro grupo, grupo este no qual havia umas 5 ou 6 pessoas, e imediatametne reparei que uma das pessoas desse grupo estava dando segurança de “top-rope” para outro escalador, com o mosquetão (que prendia o freio) passado de forma incorreta na cadeirinha. A pessoa passava o mosquestão do freio tanto na parte inferior da cadeirinha, como na parte superior, como a foto a seguir ilustra:
 
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O escalador que estava “dando segurança” provavelmente era um iniciante – essa foi a minha conclusão – pois seus equipamentos eram todos novos e vistosos. 
 
E enquanto eu “esperava” o melhor momento (ele parar de dar a segurança para o escalador que estava no “top rope”) e finalmente tentar explicar “porque” o mosquetão não deveria estar passado na cadeirinha daquele jeito, me dei conta que as demais pessoas do grupo também usavam o mosquetão dessa forma ! 
 
As pessoas do grupo simplesmente ignoravam a presença do “belay loop” de suas respectivas cadeirinhas !!!  E uma das pessoas inclusive usava uma cadeirinha específica para alta montanha (a Alpine Bod Harness da Black Diamond, que é uma cadeirinha que vem sem “belay loop”, mas isso é outra história pois essa cadeirinha tem uma “outra geometria”…)
 
E confesso que fiquei constrangido em “ir dar lição” para um grupo tão grande (e alguns deles inclusive são escaladores há bastante tempo), e agora, já na minha casa, minha “consciência pesada” me motivou a escrever este texto…
 
Alguns podem estar se perguntando: “pô, mas qual é o problema em passar o mosquetão desse jeito na cadeirinha ? não é mais seguro pois está preso a dois pontos ao invés de estar preso apenas ao “loop” ?
 
A resposta é: “não, não é mais seguro. Pelo contrário, pode até mesmo ser perigoso !”
 
Então vamos por partes:
 
a) Como todos estão cansados de saber, o mosquetão foi projetado para ser submetido a cargas bi-direcionais. Não foi projetado para receber forças multi-axiais (ou em três ou mais direções). Quando o mosquetão é colocado na cadeirinha da forma citada (ou ilustrada na primeira foto), ele pode acabar recebendo forças em três direções (e usando o “belay loop”  isso dificilmente iria acontecer)
 
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ou alguém duvida que essa configuração é exatamente o que está acontecendo na imagem abaixo (que é exatamente a configuração da primeira foto!)  ?
 
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b) O “loop” das cadeirinhas foi projetado justamente para ser o ponto de conexão tanto para o rapel, quanto para “o segue” do escalador que irá guiar. 
E se você não confia mais no seu loop, já seria hora de trocar de cadeirinha, não ?. O nome desse anel não é “belay loop” (anel de segurança) a toa… 
Para quem “duvida” da segurança do seu “belay loop” sugiro a leitura do artigo da Black Diamond:  http://www.blackdiamondequipment.com/en-us/journal/climb/all/qc-lab-strength-of-worn-belay-loops    
 
c) Por último, mas não menos importante, o freio não fica de forma “linear” quando montado nessa posição ! É só comparar a primeira foto com essa (com o mosquestão preso ao “belay loop”):
 
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Por falar em dar segurança ou realizar o rapel (com o mosquetão preso no “belay loop” ou em um anel da “daisy chain” ou no nó do seu “auto-seguro”), a última edição (maio/2012) da revista Climbing Magazine ilustra bem o jeitão “moderno” e recomendado por praticamente todas as escolas de escalada ao redor do mundo:
 
1) freio afastado do corpo do escalador, uns 40 ou 50cm (a imagem ilustra melhor do que eu consigo escrever)
2) fita de auto-seguro (ou daisy-chain, se usada como tal) presa usando um “boca-de-lobo” em ambas as partes da cadeirinha (vide ilustração)
3) nó auto-blocante de backup para o rapel  *abaixo* do freio  (outro assunto largamente discutido e é consenso mundial que é melhor colocar-se o nó auto-blocante de backup abaixo do freio do que acima…)
4) se o freio for um freio linear do tipo “tubo”, e se o freio tiver sulcos para uma maior frenagem da corda, deve-se avaliar se o escalador deseja usar essa configuração (de maior frenagem) para o rapel (com cordas finas ou corda simples isso geralmente é o desejável) ou se “prefere” que a corda tenha um menor atrito (como seria com um “atc” convencional), principalmente no caso de pessoas muito leves, cordas muito grossas, cordas molhadas e pesadas, etc..
 
 
Para saber mais:  
 
 
 
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Claro que esse meu breve email não encerra o assunto, mas o “alerta” está dado 🙂
 
abraços e ótimas escaladas seguras !
 
Davi Augusto Marski Filho

E claro, continuando, vamos acrescentar, de como fazer essa parada aí (essa tal de seg)!

E já que vc gostou do capítulo 2, que tal o capítulo 1, se vc é iniciante-ante mesmo?!

(eu ensino melhor como fazer o oito duplo reverso na cadeirinha hahaha)

Esses dois vídeos são de uma série de videos interessantissimos (ainda que para quem seja mais experiente sejam chover no molhado, para o novato é muito bom revisar conceitos de segurança) sobre conceitos básicos da escalada, e são válidos (muito por sinal) em qualquer lugar do mundo: Desde yosemite a rodellar, itaqueri ou serra do cipó. Portanto, se vc não se encorda nem faz seg assim, revise seus conceitos…

Como este post por si só já ficou extenso, vou colocar apenas dois vídeozinhos para finalizar:

O primeiro é de uma Cave na provincia espanhola de tenerife, que parece muito com a cave aqui de São Carlos, só que a do vídeo fica praticamente no meio da cidade. Muito legal!

Este segundo é do J. Siegrist. É o primeiro capítulo de uma pequena pseudo-novelinha onlina de suas aventuras pelos EUA. As imagens estão alucinantes, e faz suar a mão só de assistir. Nível de “suação” de mão de 0 a 10-> 8 (yéeeahh)

E por hoje é isso pessoal, em breve volto com mais!!

PS – Aguardem, muitas novidades on the way!

PS 2 – A quem precisar, agora estou vendendo magnésio 4climb – Frete grátis para quem mora em São Carlos, frequenta as monitorias de quinta feira e a todos da região que escalam em itaqueri de sábado e cuscuzeiro domingo! =D

Da série: Fotos sequenciais são legais!

Oficina de Escalada do CUME + Destination NE

Essa pessoa fez a última oficina do CUME, e olha onde ela foi parar!

Buenas a tod@s! Vem por meio deste dizer que não estou mais na sodomia, na descaração na senvergonice e na sacanagem divulgar a Oficina de Escalada Esportiva do CUME! Vai ser dias 13, 14 e 15 de abril! Sexta a noite (13): Parte teórica, 4 horas. Sábado e domingo (14 e 15) das 9 às 13 e das 14 às 18: Parte prática. Será dado o enfoque para aqueles que estão começando, frequentando as monitorias há algum tempo e querem aprimorar as técnicas, reciclar-se e/ou ter os contatos iniciais. Noções básicas sobre equipamentos, diferenças, finalidades, uso. Nós, encordamento, dar segurança para quem esta escalando, armando uma parada Maradona equalizada, escalada em top rope e guiada, e limpando uma via através do rapel e do baldinho, entre outros tópicos pertinentes. O valor da Oficina é R$80,00!! Uma pechincha! Restam poucas vagas! Envie um email para a Isabella, tesoureira do CUME: bdenzin arroba gmail ponto com e faça já sua inscrição!

Aproveitem que agora tem o Blog do CUME! www.blogdocume.wordpress.com  Entrem lá e favoritem-se nos feeds para saber quando tem atualizations!

E vou aproveitar a fazer um merchan gratuito de um point Brasileiro que ta BOM-BAN-DO! Nordeste galera! (ok, o Nordeste é maior que a europa) mas vou dar destaque para a galera do Ceará e da Bahia. Começando pelo portal http://www.descedaidoido.com.br que é um dos sites brasileiros de escalada (e não montanhismo, né Alê Silva?) com muitos vídeos, noticias e muito ativo, incluindo a sua vertente no FEICE. Daí que a gente fica sabendo de muito pico A-NI-MAL que tem nessas bandas do Além-Sudeste… ta certo que a galerinha de minas tem feito muita coisa, pessoal ali do Rio na região de Macaé, Rio das ostras ta abrindo bastante coisa também, mas isso era o mínimo que poderíamos esperar, por serem locais com muita tradição na escalada. Agora, o trampo que a galera tem dado, em picos como Itatim ou Tejuçuoca, entre muitos outros, é coisa gringa!! Confira o que eu estou falando, e vejam se essa borboleta no rego não é coisa de OTO praneta! Ah, Pra você Raul, olho no lance no minuto 7:48s

E depois tem esse aí que também é bem da hora:

Fala que a próxima RockTrip não é pra esses picos?

E tem essa fendona que já ta ficando famosa, mas não estou certo onde é:

E sem contar esse, que apesar de muito difundido, não sinto que é tão praticado assim (ainda) o psicobloc… mas vale a pena assistir!

É isso! Galerinha do Nordeste equipando forte as vias, no estilo Dani Andrada de ser: Não abrindo uma via nova sempre, mas um pico novo sempre! (Ah, merece menção honrosa a txurminha do Naoki que também ta com a metranca a milhão ali no Espírito Santo, o último reduto Sudestino hehehehe)

E para finalizar o post, coloco um videozinho do Master TNF no Chile, com o show Brazuca nas finais, junto com o Senhor Simpatia, Yuji Hirayama, que agora tem uma corda da BEAL com seu nome, assim como a Edlinger.

(UPDATE) => E tem mais esse que saiu agora do forno, fresquinho!!

E falando em Yuji, um video dele escalando no quintal de casa. Não estranha não que a primeira escalada é de um deficiente visual (porque teve gente que veio me perguntar porque ele escalava tão estranho)..

E ta bom por hoje né! Não esqueça! Faça sua Inscrição na Oficina de Escalada do CUME que as vagas são limitadas!!

cume@yahoogrupos.com.br

blogdocume.wordpress.com

Juízo!