Videos do Ano…

Tenho visto poucos videos ultimamente por causa da correria do dia a dia, muito trampo, climb, faxina em casa, etc… 😛

Mas hoje consegui assistir uma meia duzia e fiquei extremamente impressionado. Realmente motivo pra vir fazer um post rapidinho, pq são realmente diferentes e muito melhores.

Começando com esse “Raices” que é Chileno e olha…. quase soltou uma lágrima aqui viu, pq te falá! Coisa linda o que esses Chilenos tem bem pertinho de Santiago. Rocha que é a coisa mais linda, uma natureza incrivel e uma comunidade unida e proativa. Segunda capital na America Latina fora do brasil depois de Montevidéu pra morar um dia q eu pensei foi Santiago!!!!

O segundo, foi vagabundo… não, to zuando.. o segundo foi bem massa também, ainda sob as lagrimas efeito do filme anterior, por isso ainda até que foi bem demais… Mas também foi fácil! Uma rocha LA-RAN-JA MA-RA-VI-LHO-SA parecida com a do Pico do Mané em Franca. Do tipo que da vontade de entrar mesmo que seja um dôzimo grau… Tem vários moves parecidos com a Cave e com o Boulder de Itaqueri (uns regletinhos arredondadinhos, uns pé altos…) Inclusive tem uma hora q parece muito com o final da Cinematográfica e Epopéia lá no Mané em Franca. Chega a ser pornográfico de tão bonita essa rocha, gente… sério mesmo!

Aí depois ja emendei nesse do meu queridinho Edu Marin e seu papi, que escalam juntos décimos e ônzimo graus de parede. Esse último vídeo de uma série de 3 foi muito legal tbm, a série toda parece meio ficção, com algumas zueirinhas e tal, mas bem massa! E o GPS vertical mostrando que altura eles tao do chao, tbm mto bom!! AH! Se liga que tem uma hora que o Edu Marin chega numa parada depois de um crux, aí ele da uma bambeada e pega na costura antes de clipar…. pareceu q ele ia cair, desesperou e pegou na costura e soltou um gritinho de Yeah! ou Ha-ha-ha-UOUUU… e pega na costura tipo pra disfarçar que ja ia pegar na costura mesmo kkkkkk Enfim, mó viagem, mas emocionante o filme também, com as comemorações no final e talz… (Pena q não da pra ver aqui né, mas clica aí pq é massa de-más… e recomendo ver os outros tbm..)

http://www.epictv.com/media/podcast/edu-marins-race-against-time-on-chamonix-8b-king-line-voie-petite/604072

E por fim, eu ja achando que ja tinha visto superproduções demais e que o próximo vinha para cagar a sequência de cadenas de videos bons…. Eis que me muerrdoooo a la lengua e é um puta video da hora do Dani Fuertes dando uma na via Bongada, um 9a francês. O Dani é timido, ngm ouve mto falar dele e talz, mas porra, super da hora o video e a CT deve estar dando pulos de alegria dessa altura por ver um video tao bom com seu atleta. Detalhe para a modernidade dos videos né? Pudemos reparar nos outros filmes também que os equipos ja tao sendo postos em primeiro plano, um zoomzinho aqui, uma macrozinho acolá.. e eu que sou viciado e adoro equipos, vish…. vou à loucura! huahahuauh Filme pornô ñão me empolga tanto quanto videos de escalada que mostra os equipamentos de escalada, novinhos, brilhando na parede.. ô grória… haha.

 

Mano, e olha que incrível essa parede… imagina a pira do maluco que abriu essa via! Que privilegiado deve ser o cara, com uma puta visão né, a linha perfeita de agarras pelas quais passa a via, em dois tetos simplesmente formidáveis, coisa mais incrível!! (Só não é mais bonita que aquela do video de cima “Eye of the tiger”)…

Nuuuuu! Falei demais! Ia só postar os videos na sequencia mas não resisti.. tive que comentar um por um…

Valews falows? 😉

Se você não faz parte da solução…

Para bom entendedor...

Faz parte do precipitado!

Semana passada eu fiquei muito feliz pois teve gente famosa falando de mim. Depois falando de um amigo meu. Dezenas de amigos mandaram mensagens de solidariedade, me dando a maior força, antes mesmo de eu saber de tudo isso. Eu estava num momento tão zen naquele dia, que realmente aquilo não havia me afetado, e com tanta gente me defendendo, foi impossível alterar meu estado de espírito naquele momento. Por isso o post de hoje é em homenagem aos meus amigos que ao longo dos últimos meses/anos têm dado um super apoio e muita força – não só na semana passada, mas em todos os momentos da minha vida – quando estamos dividindo uma caneca de café no pico de escalada, uma seg, dando a vibe pr@s brothers/sisters mandarem aquela cadena de seus mega projetos (independente se é um quinto grau ou nono), numa conversa, durante uma cerveja pós-climb. A vocês, meus caros amigos, meu muito obrigado. Saibam que estamos juntos nessa e podem contar comigo, nós acreditamos num mundo melhor e lutamos por um ideal. E chega desse assunto que deu, né? Mais um pouco vou tirar meu MBA via comentários deste blog 🙂

Ah, e pra reiterar que tamo junto e agradecer a companhia de vocês nesses quase um ano e meio de atividades da Quero Escalar, fica aqui uma retrospectiva com algumas fotinhos, começando com as camisetas dos eventos (MINHAS, por sinal) que a Quero Escalar apoiou com seus pouco mais de 1 ano de fundada e receita de quase 2 salários mínimos por mês em média.

Sem contar as oficinas de escalada do CUME onde não ganhamos nada!

Sem contar as oficinas de escalada do CUME onde não ganhamos nada!

Mas é claro, 2 eventos é pouco. Pra 2014 estamos planejando com o Severino de Piracicaba um festivalzinho na ECS (Escolinha de Climb do Sevê), o João Ricardo me procurou e já acenei positivamente quanto a apoiar/patrocinar os 3 eventos de boulder de Campinas, Indaiatuba e Valinhos. E com a reforma completa que fizemos na Caixa d´água da Ufscar, estamos empolgados em fazer mais uma etapa do Campeonato Caipira esse ano aqui.  Estamos negociando com o Águia (Richard) da empresa Pedra Viva em Analândia um encontro de escalada no Cuscuzeiro para lançamento do Guia, que está em sua fase final. Ano passado e retrasado também houveram 2 oficinas de escalada esportiva do CUME por ano, onde também atuamos de maneira voluntária:

Oficina de Escalada Esportiva do CUME, formando novos escaladores e reciclando os antigos

Oficina de Escalada Esportiva do CUME, formando novos escaladores e reciclando os antigos

E como achamos que a escalada é um esporte livre, tal qual é feito na europa, que tal guias de escalada para que não seja necessário contratar nenhum guia?

Produção do Guia do Cuscuzeiro e Colaboração no guia de Arcos (detalhe)

Produção do Guia do Cuscuzeiro (ao fundo), Colaboração no guia de Arcos (detalhe) e patrocínio do Guia do Morro do Canal

E só uma curiosidade. Você sabia que as sapatilhas da 5.10 vendidas no site são de procedência do fornecedor nacional, com nota fiscal e tudo mais? Assim é com os equipamentos da Beal, da USClimb, 4climb, Base Brasil, Hard Adventure, Hipnose e a extinta Conquista, entre outros. O Setor de usados anda meio parado ultimamente, mas é porque temos dado ênfase a trabalhar mais com produtos novos DESDE QUE estejam de acordo com a política da empresa de oferecer preços JUSTOS.

Ocultei os preços pra não ficar chato pras lojas que colocam 240% de lucro em cima dos produtos.

Ocultei os preços pra não ficar chato pras lojas que colocam 240% de lucro em cima dos produtos.

Eu ia por também meu registro no SISCOMEX, mas ah, mudando de assunto: Atletas Quero Escalar!

Atletas que mandam décimo grau na vida, não na escalada.

Atletas que mandam décimo grau na vida, não na escalada.

Os atletas Quero Escalar são escolhidos pelo grau que mandam na vida, não só na escalada. São exemplos para os outros. São pessoas que chegam no pico de escalada e colocam um sorriso no rosto de quem está presente. São pessoas que tornam melhor a vida de quem se aproxima deles. São simpáticos acima de tudo. São eles que fazem mais pela Quero Escalar, do que a QE pode fazer por eles!

– Bruno Alberto “Beto” Severian

– Guilherme Oliveira

– Bia Gabriela Pedroso – Não tem “profile” na QE ainda, mas ela e o Gui são responsáveis pela abertura de um setor inteiro novo nas três pedras em Botucatu. O local antes contava com 3 vias, agora já está com 10. ( E contando…)

Bia na Primeira Viagem

Bia na Primeira Viagem

– Júlia Mara Martins – A Júlia é a maior biblioteca de Betas de vias do Brasil. Ela sabe todos os betas de todas as vias, inclusive as que ela nunca entrou. Com um bom humor inigualável, não tem tempo ruim com ela! É a mãezona do grupo, apesar da pouca idade. Mas experimente ofender o pico de escalada pra você ver o que pode acontecer. Em breve “Profile” na QE também, pois é a última a entrar “pro time”.

Julia estreando seu saquinho da Hipnose novo

Julia também é dona do Abrigo informal de escaladores “só para os chegados”, em São Carlos

– Este que vos fala

Bem, e tem a abertura de vias, mas isso é tipo um grande prazer pra nós, e fazemos com tanta alegria e entusiasmo que nem precisa colocar como atribuições da QE. Só acho que poderiamos estar furando mais, mas nossa região é cheia de picos com placas de Proibido a entrada, acesso complicado (sem trilha, estradas, plantação de urtiga, etc.) ou arenito de baixa qualidade, o que acaba dificultando o trabalho de busca por novos setores.

Conquistas em Botucatu, Arcos, Franca, Arcos, Cuscuzeiro,  Itaqueri da Serra e Invernada.

Conquistas em Botucatu, Arcos, Franca, Cuscuzeiro, Itaqueri da Serra e Invernada.

E muito bem! Chega por hoje. Mais uma vez meu obrigado pelo apoio. Para finalizar eu queria colocar aqui um vídeo que eu vi outro dia, que não é de escalada mas achei engraçado e lembrei dele, não sei porque, mas que fala em nome de uma ELITE que não me representa.

O cartel do mercado de escalada

Os meus brinquedos que eu gosto tanto! :)

Os meus brinquedos que eu gosto tanto! 🙂

O dia de ontem começou quente. Não tanto pelo calor mas por um email que me deixou puto da vida. Faz dois dias eu comecei a QUEIMA DE ESTOQUE de final de ano na Quero Escalar. São produtos que já estão há alguns meses na loja e que para fazer girar o estoque estou fazendo uma promoção. Bem, acho que não preciso explicar muito essa parte, toda loja faz promoções ocasionais. Aí o motivo da minha revolta foi que eu recebo um email do Gerente comercial da Conquista dizendo que estão reclamando que meus preços estão muito baixos e que se eu não aumentasse o preço eu não mais poderia vender conquista (o que eu não entendi se seria uma coisa boa ou ruim até agora). Entre um palavrão e outro que eu consegui segurar, quis saber quem eram essas empresas e disse que essa solicitação não fazia sentido algum. Primeiro porque faz mais de um ano que trabalho com produtos Conquista e nunca abaixei sequer um centavo do preço que eles “me obrigam”  a praticar. Nesse meio tempo vi vários concorrentes com preços mais baixos, o que eu entendo que é uma maneira saudável de livre concorrência, especialmente com promoções ocasionais. Tentei argumentar, tentei justificar mas no final a palavra foi que se eu não AUMENTASSE os preços, eu não mais poderia revender conquista. Então veja você, caro amigo escalador. Em qualquer lugar que tente comprar conquista, os produtos vão estar com o mesmo preço, o que me lembra uma prática comum dos postos de gasolina daqui da minha cidade, de acordo com a Wikipedia:

Cartel é um acordo explícito ou implícito entre concorrentes para, principalmente, fixação de preços ou cotas de produção, divisão de clientes e de mercados de atuação1 ou, por meio da ação coordenada entre os participantes, eliminar a concorrência e aumentar os preços dos produtos, obtendo maiores lucros, em prejuízo do bem-estar do consumidor.

Com exceção de pouquíssimos casos, todo mundo cobra o mínimo exigido pelo fabricante, pois os preços já vem altos, e se aumentar ainda mais o preço de venda, não tem como concorrer com os produtos importados que acabam saindo mais baratos. E não estou nem entrando no mérito da qualidade.

Que fique claro que eu entendo, aceito (e pratico) que as empresas cobrem o preço mínimo de revenda e nunca desrespeitei esse acordo com nenhum fornecedor. JAMAIS. Nem com a 5.10, nem com a 4climb, nem com a Alpen Pass, nem com a USClimb, nem com a Hard Adventure (que pediu pra eu aumentar o preço pq tinha uma loja no shopping que não queria ficar com fama de careira), entre tantas outras marcas.  Claro, também se não ia virar uma zona, ta certo. O grande problema é que todo mundo faz promoções de natal, e só a Quero Escalar não pode fazer? Que discriminação é essa?

Eu escolhi entrar nesse ramo de atividade (ou fui escolhido por ele) para explorar a escalada, no sentido de dela tirar o meu sustento de maneira justa e honesta através do meu trabalho, agregando valor à minha atividade oferecendo mais que produtos, um serviço aos clientes e amigos por meio do meu conhecimento específico do funcionamento dos equipamentos, das técnicas de escalada e das necessidades dos escaladores para que através da integração desses 3 possa oferecer produtos de qualidade a preços acessíveis a todos (E também poder abrir vias, que é uma coisa que eu adoro). Creio que não tem nada de mais nisso. Em vez disso, vejo que as outras empresas só estão interessadas em explorar o escalador. Em ganhar dinheiro. Afinal, é um negócio. Aí é foda. Se eu fizer isso algum dia eu vou estar sendo contraditório, pois eu sou um escalador, e não faço para os outros o que não quero que façam para mim.

A maioria das lojas vendem equipamentos de escalada não por ideologia, mas porque “agrega valor”. Lojas que vendem tudo quanto é tipo de bugigangas. Tudo a um custo Brasil altíssimo. Praticam os preços que a maioria das pessoas está disposta a pagar, não quanto o produto vale de fato. Por isso um mosquetão de 10~12 euros chega aqui a mais de R$100. “Ai, não, é muito imposto!” Imposto é a cabeça da minha rola. Imposto tem, lógico, mas muita coisa é “mau-caratismo” de importadores e conivência das lojas. “Ah não, mas esse mosquetão é muito melhor”. Então você não entende nada de escalada ô tapado. Existem diferenças, sim, entre marcas e modelos, mas nada que justifique 100 a 120% de diferença no preço. O fato é que todo mundo quer ganhar dinheiro mas ninguém quer trabalhar. Ninguém quer viver o capitalismo de risco. Ninguém quer largar a teta. Ninguém abre o olho pros verdadeiros concorrentes. Ninguém quer inovar. E quem inova, se dá bem. Veja o exemplo da 4climb. Uma empresa feita por escaladores. Maior distribuidora de magnésio e saquinhos de mag do país. Apóia todos os eventos de escalada do país. Está PRESENTE. Manda email sempre. O Tio Dan sempre me liga perguntando se está tudo bem, se estou precisando de alguma coisa. Ele tem um interesse comercial, pode até ter. Mas sempre que ele me liga nós falamos de escalada, damos uma risada, eu lembro da marca, e metade das vezes só porque ele ligou eu lembro que estou precisando de alguma coisa e acabo fechando um pedido com ele. Porque? Porque ele trabalhou para isso.

O mercado mudou, a economia mudou, mas as lojas e os importadores continuam repetindo modelos ineficientes de comércio que não funcionam direito, que deixa muitas brechas. Eu estou lutando pra mudar isso. Não vou mudar as outras lojas, mas pretendo fazer minha parte. E não é fazendo promoções de fim de ano não pois isso são migalhas. Isso é uma maneira de agradar aos consumidores pois sei que nessa época as vendas aumentam, então resolvi ir na contra mão do mercado e abaixar os preços pra que todo mundo compre seus equipamentos e ainda sobre um troquinho pra ir estreá-los. Já dizia o Raul: “Tem gente que passa a vida toda travando uma luta contra os galhos, sem saber que lá no tronco é que está o curinga do baralho”. Estou fazendo algo grande e em breve vocês terão novidades e a prova de que é possível não explorar o escalador de fato.

Eu tenho uns 2 vídeos muito bons pra colocar aqui mas vou deixar pra outro post porque esse assunto me cansou. Nos vemos na rocha?

Este que vos fala em Rodellar, espanha.

Este que vos fala em Rodellar, espanha.

 

======= UPDATE =======

RESPOSTA DO DONO DA CONQUISTA, EDEMILSON PADILHA:

Meu nome é Edemilson Padilha, sou proprietário da Conquista Montanhismo. Iniciei no montanhismo e comecei a produzir equipamentos para montanhismo há 23 anos. Nunca tive o foco de ganhar dinheiro com a montanha, as pessoas que me conhecem sabem que levo uma vida simples e que o dinheiro que ganho gasto escalando pelo mundo. Desde o princípio e até hoje sempre tive uma conduta ética dentro do montanhismo e do mercado de montanha. Temos produtos de ótima qualidade vendidos por preços justos, sempre muito abaixo dos artigos importados. Odeio entrar em discussões pela internet, pois meu lema sempre foi escalar mais e falar menos. Fiquei surpreso em ver neste blog esta matéria, haja vista que a pessoa que escreveu é meu “amigo” no facebook, e que poderíamos ter conversado e nos entendido. Talvez tenha sido num momento de raiva, não importa. De qualquer maneira é óbvio, para quem analisar a fundo o que foi escrito, que não é bem assim. Bom, na internet, quando se analisa algo mais a fundo, percebe-se que sempre não é bem assim… É bem simples de entender: temos um produto. Temos 300 lojas que compram regularmente nossos produtos. Temos uma tabela de sugestão de preços. Ou seja, as lojas vendem por um preço mais ou menos parecido. Por que? Porque se a loja A dá um desconto de 10%, a loja B irá dar um desconto de 20% e a loja C de 30%. De maneira que as outras 297 lojas, que não podem chegar a este desconto, vão parar de comprar nossos produtos. E a marca acaba. Se não vendemos, fechamos. Isso não significa que as lojas não possam fazer descontos. Elas fazem, de artigos de coleções passadas. Isso é a norma comum do mercado mundial, não só do brasileiro. Nós somos uma empresa de pequeno porte, não conseguiríamos interferir nas regras estabelecidas. Bom, é isso que eu tenho para dizer. Além disso, faço um convite para qualquer pessoa que queira conhecer a fábrica da Conquista e a maneira como trabalhamos, que venha nos visitar. Assim poderá nos conhecer melhor e falar com mais propriedade.

RESPOSTA DO GENJA:

Oi Ed, tudo bem? Eu conheço, admiro e respeito sua pessoa como escalador e empresário. A Conquista foi a primeira marca com a que me dispus a trabalhar e que faço questão de ter na minha loja por vários motivos (1 deles é porque você é escalador). Minha crítica foi à postura do seu Gerente comercial que não foi nem um pouco compreensivo comigo. Simplesmente me obrigou a aumentar o preço e pronto. Mesmo eu justificando que eu estou fazendo uma promoção de natal com os produtos que tenho aqui em estoque ha mais de um ano. Meu desabafo no blog foi por me importar com esta marca e não entender essa postura que não condiz com o que vinha sendo exposto a mim até agora. Me senti “com tratamento diferenciado” pois as outras lojas sempre fazem promoções e eu, que nunca tinha feito, quando resolvo fazer fui ameaçado, mesmo nunca tendo abaixado nem um real o preço dos produtos. Este atrito foi apenas um estopim para, como vc mesmo disse, gerar meu desabafo de várias outras situações que vinha acumulando.
Espero que possamos continuar trabalhando juntos após esta lamentável confusão.
Um abraço.

Atenciosamente;
Rodrigo Genja

 

Encontrei um Equipo abandonado numa via… E agora?

Tinha que ter posto uma foto do stone nudes já que o assunto é polêmica né? ;)

Tinha que ter posto uma foto do stone nudes já que o assunto é polêmica né? 😉

Recentemente rolou uma treta entre um escalador polêmico que era daqui de São Carlos, e outro, que é de ficar mais na dele. O Polêmico pela segunda vez não conseguiu tirar um friend de uma fenda, que em teoria seria a conquista de uma nova via, que acabou não se concretizando e o friend ficou lá. Todo mundo passava por lá e via aquele frendão “xuxado” na fenda mais ou menos a 2,5m de altura, ao alcance de qualquer um que conseguisse removê-lo. Eis que mais de um ano depois, chega o rei Arthur e consegue tirar a excalibur, que de tantas tentativas fracassadas de remoção, estava um farrapo, com os cabos de aço destruídos e as molinhas empenadas.

Algumas semanas depois o polêmico solta pelas listas de discussão que estava emputecido porque tinham “roubado” seu friend – também conhecido como peça móvel, daquelas que se coloca e tira da rocha, não gerando poluição visual. Bom, passada a treta, caso encerrado, ambas as partes chegando num acordo. E eis que na revista NorteAmericana Climbing de Maio sai uma pequena matéria sobre como proceder em casos como este.

Revista Climbing - Maio 2013

Revista Climbing – Maio 2013

E a matéria é curtinha, mas vai mais ou menos assim:

O Tesouro dos Escaladores

Um Brilho no meio de uma via chama sua atenção. Seu coração bate mais forte. Suas mãos começam a suar. Será que é? O Santo graal de todo “Escalador Micróbio” e entusiastas? Sim, é isso mesmo! Uma prêmio!! E agora, o que eu faço com isso?

Metade da graça em encontrar esses “prêmios” – Equipamentos abandonados – é que eles são de graça. A outra metade é que você conseguiu tirar um equipamento entalado que ninguém mais conseguiu. Mas o que você deve fazer com ele? Fica pra você ou tenta devolver pro EX-dono? E mais importante: Você deveria tê-lo tirado de lá, pra começar? Aqui estão algumas regrinhas de etiqueta desses tesouros brilhantes que vão ajudar-lhe a tomar decisões responsáveis sobre qual equipamento você pode chamar de seu.

  • Mosquetão sozinho numa chapa no meio de uma via.
    • Provavelmente um mosquetão de abandono. Pegue-o e use-o quando tiver que abandonar uma via.
  • Uma costura perdida no meio da via.
    • Depende se a costura foi deixada como abandono ou num lugar de difícil remoção (tipo no começo de um teto). Na dúvida, deixe-a. *Nota do tradutor: Costura presa na chapa com malha rápida é parte da via, deixada pelos conquistadores ou pela comunidade local normalmente no crux. Se a fita (sling) está muito acabada e você tem uma sobressalente, não hesite em trocar, a galera agradece!
  • Uma via inteira equipada com costuras:
    • É o projeto de alguém e ele ou ela deixou as costuras na parede porque está trabalhando os movimentos da via e vai voltar pra mandá-la (ainda que no dia seguinte). Alguns picos esportivos possuem “perma-draws” (algo na tradução literal como perma-costuras – ou costuras permanentes) em vias muito negativas (onde limpar a via é muito difícil e trabalhoso) ou nas que têm muito “tráfico” (pra agilizar o processo).
  • Uma peça móvel numa via trad: Se ela estiver bem entalada lá, praticamente cimentada, é provável que seja uma proteção fixa, o que significa que todo mundo a usa (mas que você deveria usar com backup!). Veja se na descrição da via no croqui não fala nada a respeito pra ter certeza. Se alguém simplesmente não conseguiu tirar e você conseguiu, é seu. Contudo, se você viu ficar presa, ou se tem gente escalando as enfiadas acima de você, devolva.
  • Devolva equipo encontrado:
    • O esforço para devolver um equipo normalmente é proporcional ao valor. Quanto mais caro, mais vc tenta. Se é um pedaço de sucata, nevermind. Deixe pendurado pra fora da mochila as peças pra todo mundo ver; Deixe uma nota no abrigo ou com a galera, ou coloque na lista da hangon, femerj, cume, femesp, etc.. Depois disso colha a recompensa Kármica de devolver o tesouro encontrado! (e não vale devolver só com 8 o jogo de 10 costuras que vc achou dentro da sua mochila, que isso lá no Cipó tem outro nome!)

(Acaba aqui a tradução)

Sempre que nós achamos equipos abandonados no cuscuzeiro colocamos nas bases das vias: Algumas já tem mosquetão com rosca, principalmente em locais sem acesso a rapeleiros, então vc termina seu 8a, coloca uma COSTURA SUA e desce. Se ninguém mais for entrar na via AÍ SIM você pode usar o mosquetão pra limpar a via de baldinho. Não fazemos isso em itaqueri pois um FÉLA roubou todos os mosquetões das paradas das vias e já estava começando a roubar as primeiras chapas das vias (PRA QUÊÊÊÊ???).

Bem, então é isso, se encontrar um brinquedinho novo e ele estiver em condições tente devolver, se não parabéns, no jogo de sorte ou revés hoje você tirou Sorte! O dia que tiver que abandonar uma via na metade, terá sido revés (incompetência mesmo! kkkk) Mas lembre-se que mosquetão em base de via é pra LIMPAR a via (NÃO pra armar top rope) e que malha rápida no crux é pra galera que não manda o lance poder abandonar (porque aqui no brasil é foda abandonar uma costura no crux! Na verdade o mais comum é abandonar um cordim né, pq uma malha rápida em certos lugares ta mais caro que um mosquetão, ta loco! (Não na Quero Escalar 😉 )

É isso, e não percam o próximo post-homenagem com uma notícia bombástica… (velha, mas que ninguem ficou sabendo).. Aguardem..

Escale Magro

E já que o assunto de hoje é polêmico, nada melhor…

Muita gente pensa que escalada é um esporte que ou você faz bem já no começo, ou nem precisa começar. Este tipo de pensamento na verdade faz parte da seleção natural tanto pra pessoa “entrar” no grupinho da galera que escala, quanto em outros campos da vida, extrapolando tanto para os campos da sedução quanto profissional. A verdade é que depois que você começa a escalar você começa a sair menos com aquela galerinha “Luzer”* e sedentária da faculdade que adora ficar reclamando e colocando a culpa em fatores externos em qualquer assunto que surja.

Quando você escala (e talvez até por isso que você escale) você não vê as metas como simplesmente intangíveis. A gente apenas as vê, levanta e caminha em direção a elas. Por isso existe a seleção natural. Quando começamos a escalar, chegar ao topo de uma parede de escalada pode até parecer intangível, mas tendo como meta, nos colocamos aquilo como objetivo e trabalhamos nesse sentido até que o alcancemos. Assim como muitas vezes um muleque magrelo e forte sobe a parede rapidinho, manda bem no primeiro dia da escalada mas quando as vias começam a ficar mais desafiadoras ele para de escalar, também acontece o oposto: Aquela menina baixinha e gordinha, que teve dificuldade pra escalar desde o primeiro dia se acostuma com o desafio: trabalha para supera-lo e quando o faz, já procura outra escalada mais difícil tornando-se assim uma excelente escaladora.

É tudo uma questão de atitude, de encarar os desafios, de pegar para si a responsabilidade que é só sua mesmo, e, uma vez admitido que você quer aquilo para si, ir até o fim e conseguir. Aí você começa a entender que em outros campos da vida é assim também: Basta levantar e caminhar em uma direção, tomar uma atitude, que os problemas muitas vezes vão se resolvendo sozinhos (assim como na escalada, só de escalar vc ja vai ficando mais forte ou aprendendo algo) e muitas vezes o mais dificil terá sido tomar a decisão e tirar a bunda da cadeira com a intenção de buscar uma solução para aquele problema.

Digo isso pois andei lendo muitos artigos essa semana sobre o tema Escalada X Peso. Qual o pesso ideal pra você escalar bem? Quão importante é estar magro pra poder escalar? Depende: Se você acha que escalar é fazer os mesmos quartos graus continuamente semana após semana sem nenhum comprometimento com o que você está fazendo, apenas pra “curtir” com os amigos que também vão escalar quartos graus pra sempre, então você pode ter um IMC de mais de 30 que tá de boa. Mas sinceramente, isso pra MIM não é escalada. Escalada é superação, é evolução. Ainda mais no Brasil: se você escala faz 2 anos e não guia um sexto grau, você vai viajar pra onde pra escalar? Nossos picos não são tão recheados de quintos graus assim. Os poucos que existem possuem fila. Ou você pode se esconder atrás de uma atitude de escalador “Trad” que faz parede. Aí vc não precisa treinar nunca, e ficar a vida inteira fazendo os segundos graus do setor colorido na Urca. Mas vc nunca pensou em fazer uma das vias mais bonitas do Brasil, “As Lacas Também Amam” 7c, no Pão de Açúcar? Nem precisa fazer a Migalhas indecentes (nono grau no CE2000), mas aumentar seu espectro de vias escaláveis pode ser muito saudável para sua escalada. Ir pro cipó fazer a Ninhos e a Melzinho na sua SEGUNDA ida pro cipó é osso hein? (porque na primeira tudo bem!;) (considerando que você NÃO mora a 1h do G3 né?) E a ética? A lamúrias? Eu quero mandar a especialidade da casa (Sem curintxa)! E tem a Tatara no setor foda que é coisa linda de Deus! Sem falar que to devendo a ética, ô que da hora, um monte de via por mandar! Me falaram de uma via nova sensacional chamada “chorrera musical”… nessa eu quero muito entrar! Acho que o segredo do Cipó não é que a gente manda todas as vias por lá, mas acho que é porque a gente NÃO manda hehehe Aí quando volta pra casa fica mais motivado a treinar pra quando for viajar outros 900km  pra escalar tem que estar com a lição de casa em dia…

Enfim, o importante não é ter cadenas de décimos graus no currículo, mas sim ter a liberdade de poder viajar, escalar com os amigos em qualquer pico, e, no Brasil, infelizmente, você precisa ter feito a liçãozinha de casa para estar guiando pelo menos um sextinho grau a vista. É claro que você não deve se prender e deixar de ir porque ainda não está “forte o suficiente”, também faz parte da seleção natural da escalada ser ousado e arriscar… Mas também faz parte fechar um pouco a boca e treinar mais para que essas viagens se tornem mais prazeirosas. Se você escala, as chances de que vc esteja magro são altas, porém, como vc é brasileiro, se excluíssemos a variável escalada, vc teria 48% de chances de estar GORDO.

Você escala?

Atividade física até ajuda a perder uns quilos, mas quem está acima do peso – 48,5% da população brasileira, segundo o Ministério da Saúde– precisa fechar a boca para ter resultado, de acordo com pesquisas recentes.

Essa pesquisa é muito interessante, dizendo que não adianta apenas fazer exercícios (treinar, escalar por exemplo), é preciso fechar a boca também. Leia na íntegra aqui.

É impressionante como eu desfruto mais da minha escalada quando estou mais leve. É mais prazeroso fazer os movimentos estando levinho, por mais foda e no meu limite que seja e as vezes quando eu estou meio desmotivado pois não consigo mandar aquele projeto, só de estar escalando leve isso já me motiva pelo simples fato de estar escalando, o que me faz escalar mais. Se você é muito gordo, e está envolvido numa esfera de churrascos intermináveis, pessoas sedentárias e acha difícil se livrar das amarras da gordice, o Dave Macleod, autor do livro “9 entre cada 10 escaladores cometem os mesmos erros” dá uma dica: você pode treinar gordo, malhar seus projetos gordo, aí quando for pra mandar a via, você faz uma dieta nazista, perde 10kilos em duas semanas, manda, e volta a engordar. É engraçado diz ele, que ninguém vai acreditar que “aquele gordinho” mandou aquele nono. É claro que o Macleod fala que não basta emagrecer. Ter a técnica, a força entre outros fatores são fundamentais, mas perder peso quando já não tem o que melhorar nos outros critérios pode fazer a diferença.

Nem é tanto uma questão de estética, mas totalmente de saúde

Mas o importante mesmo é sempre estar evoluindo, ampliando a base da sua pirâmide (sua escalada deve ser como uma pirâmide: Base larga de sextos graus, e ir “afunilando” tendo em seu cúspide aquela via super hard naquele grau que vc mandou só uma –> Entenda mais sobre a pirâmide) mas também aos poucos ir elevando esse ponto alto. Sempre vai ter aquela via controversa que o povo de campinas fala que é 9a, e o pessoal de São Carlos diz que é 8c (aí vem um gringo e dá 8b hehehe) mas isso faz parte do climb. O que vale é a atitude de estar sempre escalando. Aqui no São Carlos Pression Team por exemplo a gente não se liga perguntando se vamos ou não escalar no finde. Simplesmente nos ligamos no sábado de manhã pra saber PRA ONDE. E você e seus amigos, são assim também?

Quando estava procurando sobre a função do peso na escalada li muita coisa sobre pessoas “normais” que praticam “escalagem” uma temporada de suas vidas só porque é legal, mas sinceramente, é a mesma coisa que vc ir andar de kart ou jogar boliche um fim de semana ou dois, e se considerar “O Schumacher” das pistas, se considerar escalador. Para entrar nessa categoria é necessário muito mais do que ter os equipamentos do ano super leves e falar pra todo mundo que você escala. É legal pois a escalada é um esporte que não te deixa mentir, ao contrário de outros esportes coletivos que dá pra mascarar resultados através do desempenho de outros (adversário muito bom, cara do seu time que jogou mal, etc…). Na escalada ou vc escala, OU NÃO. Quantas vezes vimos gente que chega com teninho da North Face, mochila da Deuter, pagando de “climber” contando altos causos de “escaladas que ele fez por aí”, batendo no peito méritos… Aí chega na parede (artificial, vertical, só com agarras de teto) e escala que nem um preá cego com dengue hemorrágica. Ahhh, mas não seja tão preconceituoso! Deixa o cara! Pra você que não escala é facil falar, mas pra gente que escala, que se dedica, que gosta, que investe tempo e muito mais nessa arte que é a escalada, não da pra não reparar ou se incomodar com isso. É a mesma coisa que um cara falar: EU TRABALHO COM TI (tecnologia da informação). Aí seu cunhado responde: AHHH PODE CRER, EU INSTALEI O AVAST NO PC DA MINHA SOGRA ONTEM!

Eu falando de escalada e vc vem me falar que fez rapel em Brotas?

Para ler mais sobre perda de Peso Vs. Escalada  acesse:

http://climbstrong.wordpress.com/2012/03/07/fat-loss-and-weight-management-for-climbing-part-one/

E só uma última dica para os pais:

Olha que menino Saudável!

Se seu filho está desse tamanho ele está doente. E você também: da visão. Como não viu e deixou seu filho chegar nesse tamanho? Por favor pare de entupir ele de porcarias e eduque-o de forma correta, ensinando-o a comer e a ter hábitos saudáveis. Ele vai te agradecer muito quando tiver consciência do bem que vocês terão propiciado a ele! Além dele, tanto seu corpo quanto sua auto-estima agradecem! Só quem não agradece são os outros meninos do colégio que praticam bullying nele.

 

Climbing 101 (Ou: Escalada para iniciantes)

A gente sempre vê a galera da antiga usando técnicas que hoje em dia não se usam mais, não por estarem erradas, mas por existirem melhores na atualidade, que não existiam quando eles começaram. Mas também a gente vê alguns deles fazendo muita coisa que seria considerada errada inclusive em seus dias áureos. A discussão da semana foi sobre a seg no Loop e não na cintura+perneira da cadeirinha. Pergunta clássica:

– Mas se vc se encordar em dois pontos não é melhor?!

É, pode até ser, mas duas coisas anulam essa dualidade: O freio fica de um jeito que vc fica mais suscetivel a fazer cagada, e segundo solicita seu mosquetão de forma errada. Eu poderia escrever uma hora sobre o assunto, mas já fizeram isso por mim =D Então vamos ao tão aclamado ctrl+C ctrl+V do extenso texto que o Davi Marski colocou na Hangon essa semana, e foi reproduzido pela internet afora (Né Neudson? 😉 ):

Nesse último final de semana, enquanto escalava com um grupo de amigos no sul de MG, passei por uma situação bastante inusitada que descrevo a seguir…
 
Logo que cheguei na base das vias do “campo escola” na Pedra do Pantano (Andradas – MG), acabei encontrando-me com um outro grupo, grupo este no qual havia umas 5 ou 6 pessoas, e imediatametne reparei que uma das pessoas desse grupo estava dando segurança de “top-rope” para outro escalador, com o mosquetão (que prendia o freio) passado de forma incorreta na cadeirinha. A pessoa passava o mosquestão do freio tanto na parte inferior da cadeirinha, como na parte superior, como a foto a seguir ilustra:
 
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O escalador que estava “dando segurança” provavelmente era um iniciante – essa foi a minha conclusão – pois seus equipamentos eram todos novos e vistosos. 
 
E enquanto eu “esperava” o melhor momento (ele parar de dar a segurança para o escalador que estava no “top rope”) e finalmente tentar explicar “porque” o mosquetão não deveria estar passado na cadeirinha daquele jeito, me dei conta que as demais pessoas do grupo também usavam o mosquetão dessa forma ! 
 
As pessoas do grupo simplesmente ignoravam a presença do “belay loop” de suas respectivas cadeirinhas !!!  E uma das pessoas inclusive usava uma cadeirinha específica para alta montanha (a Alpine Bod Harness da Black Diamond, que é uma cadeirinha que vem sem “belay loop”, mas isso é outra história pois essa cadeirinha tem uma “outra geometria”…)
 
E confesso que fiquei constrangido em “ir dar lição” para um grupo tão grande (e alguns deles inclusive são escaladores há bastante tempo), e agora, já na minha casa, minha “consciência pesada” me motivou a escrever este texto…
 
Alguns podem estar se perguntando: “pô, mas qual é o problema em passar o mosquetão desse jeito na cadeirinha ? não é mais seguro pois está preso a dois pontos ao invés de estar preso apenas ao “loop” ?
 
A resposta é: “não, não é mais seguro. Pelo contrário, pode até mesmo ser perigoso !”
 
Então vamos por partes:
 
a) Como todos estão cansados de saber, o mosquetão foi projetado para ser submetido a cargas bi-direcionais. Não foi projetado para receber forças multi-axiais (ou em três ou mais direções). Quando o mosquetão é colocado na cadeirinha da forma citada (ou ilustrada na primeira foto), ele pode acabar recebendo forças em três direções (e usando o “belay loop”  isso dificilmente iria acontecer)
 
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ou alguém duvida que essa configuração é exatamente o que está acontecendo na imagem abaixo (que é exatamente a configuração da primeira foto!)  ?
 
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b) O “loop” das cadeirinhas foi projetado justamente para ser o ponto de conexão tanto para o rapel, quanto para “o segue” do escalador que irá guiar. 
E se você não confia mais no seu loop, já seria hora de trocar de cadeirinha, não ?. O nome desse anel não é “belay loop” (anel de segurança) a toa… 
Para quem “duvida” da segurança do seu “belay loop” sugiro a leitura do artigo da Black Diamond:  http://www.blackdiamondequipment.com/en-us/journal/climb/all/qc-lab-strength-of-worn-belay-loops    
 
c) Por último, mas não menos importante, o freio não fica de forma “linear” quando montado nessa posição ! É só comparar a primeira foto com essa (com o mosquestão preso ao “belay loop”):
 
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Por falar em dar segurança ou realizar o rapel (com o mosquetão preso no “belay loop” ou em um anel da “daisy chain” ou no nó do seu “auto-seguro”), a última edição (maio/2012) da revista Climbing Magazine ilustra bem o jeitão “moderno” e recomendado por praticamente todas as escolas de escalada ao redor do mundo:
 
1) freio afastado do corpo do escalador, uns 40 ou 50cm (a imagem ilustra melhor do que eu consigo escrever)
2) fita de auto-seguro (ou daisy-chain, se usada como tal) presa usando um “boca-de-lobo” em ambas as partes da cadeirinha (vide ilustração)
3) nó auto-blocante de backup para o rapel  *abaixo* do freio  (outro assunto largamente discutido e é consenso mundial que é melhor colocar-se o nó auto-blocante de backup abaixo do freio do que acima…)
4) se o freio for um freio linear do tipo “tubo”, e se o freio tiver sulcos para uma maior frenagem da corda, deve-se avaliar se o escalador deseja usar essa configuração (de maior frenagem) para o rapel (com cordas finas ou corda simples isso geralmente é o desejável) ou se “prefere” que a corda tenha um menor atrito (como seria com um “atc” convencional), principalmente no caso de pessoas muito leves, cordas muito grossas, cordas molhadas e pesadas, etc..
 
 
Para saber mais:  
 
 
 
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Claro que esse meu breve email não encerra o assunto, mas o “alerta” está dado 🙂
 
abraços e ótimas escaladas seguras !
 
Davi Augusto Marski Filho

E claro, continuando, vamos acrescentar, de como fazer essa parada aí (essa tal de seg)!

E já que vc gostou do capítulo 2, que tal o capítulo 1, se vc é iniciante-ante mesmo?!

(eu ensino melhor como fazer o oito duplo reverso na cadeirinha hahaha)

Esses dois vídeos são de uma série de videos interessantissimos (ainda que para quem seja mais experiente sejam chover no molhado, para o novato é muito bom revisar conceitos de segurança) sobre conceitos básicos da escalada, e são válidos (muito por sinal) em qualquer lugar do mundo: Desde yosemite a rodellar, itaqueri ou serra do cipó. Portanto, se vc não se encorda nem faz seg assim, revise seus conceitos…

Como este post por si só já ficou extenso, vou colocar apenas dois vídeozinhos para finalizar:

O primeiro é de uma Cave na provincia espanhola de tenerife, que parece muito com a cave aqui de São Carlos, só que a do vídeo fica praticamente no meio da cidade. Muito legal!

Este segundo é do J. Siegrist. É o primeiro capítulo de uma pequena pseudo-novelinha onlina de suas aventuras pelos EUA. As imagens estão alucinantes, e faz suar a mão só de assistir. Nível de “suação” de mão de 0 a 10-> 8 (yéeeahh)

E por hoje é isso pessoal, em breve volto com mais!!

PS – Aguardem, muitas novidades on the way!

PS 2 – A quem precisar, agora estou vendendo magnésio 4climb – Frete grátis para quem mora em São Carlos, frequenta as monitorias de quinta feira e a todos da região que escalam em itaqueri de sábado e cuscuzeiro domingo! =D

Da série: Fotos sequenciais são legais!