Falando sobre Proteções Móveis – Parte 1: Nuts, Hexentrics e tricams

Esse aqui é o primeiro Post não escrito por mim! Hoje o post é com um convidado especial do Blog, o Ives, que por causa de uma queda de mau jeito na trilha está tendo que dar um tempo dos treinos e por isso está saciando sua necessidade de escalada com leituras recomendadas….  Mas ele vai explicar melhor pra vocês! Vamos ao post:

Obrigado Genja pelo convite. É um prazer poder estar aqui no seu blog para falar com os amigos fãs da escalada. Como escalador aqui de São Carlos sempre acompanho seu blog para ficar antenado nos acontecimentos dos finais de semana de escaladas da Região, bem como das noticias que permeiam nosso mundo… Fiquem ligados, após o comercial voltamos falando de proteções móveis!

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Inspirado pelo vídeo do Thiaguinho – o Chapaless (recomendo) no ultimo post do Genja – somado ao fato de eu estar podendo escalar muito pouco por causa de uma lesão no dedo – estou fazendo minha tarefa de casa sobre escalada. Assim, fui estudar as diferenças sobre proteções móveis….

Imagem

Brinquedinhos ! 😀

É claro, qualquer um que escala a um tempo sabe a diferença entre um nut e um friend! Mas, qual a diferença entre um camalot e um friend ? Um ball-nut e um nut ? Um C3 de um X4 (lançamento da BD  para 2013 – lindo) ? Além de quê, existem outras opções de proteções móveis: tricams, hexentrics, big bros, ATC’s e por ai vai… Para esclarecer essas dúvidas que eu mesmo tinha e apresentar essa variedade de equipos, vou tentar em algumas linhas explicar as diferenças básicas entre eles 😀 !

Basicamente podemos dividir as proteções móveis em dois grupos (ativos e passivos):

  • Proteções ativas: Não, não são camisinhas São esses, basicamente, o grupo dos camalots e friends. Em inglês são conhecidos por SLCD – Spring loaded Caming Device (algo intraduzível mas meio que traduzindo fica: Dispositivo com castanhas que se ativam mecanicamente por compressão através de molas #sóquenão). Diferenciam-se dos passivos, por possuírem em sua estrutura algum artifício mecânico, como no caso dos camalots, eixos e gatilho, ou seja, mudam de tamanho quando você puxa o gatilho, põe ele na fenda e ao soltar o gatilho ele fica parado no lugar encostando nas paredes da fenda pela ação da mola. Resumindo: O mecanismo do equipamento é responsável por pressionar o equipamento contra a fenda com o intuito da peça ficar bem colocada e firme. No caso de uma queda, o eixo principal faz uma força num sentido que ocasiona a rotação das castanhas de uma maneira que elas tentam “aumentar” a espessura da peça, distribuindo as forças igualmente nas castanhas que é transmitida às paredes da rocha através de atrito, e é isso que faz com que todo mundo veja com bons olhos esse tipo de proteção.
Friends: Os mais populares, mas nem sempre o mais indicado!

Friends: Os mais populares, mas nem sempre o mais indicado!

  • Proteções passivas: Funcionam por simples entalamento, não dependem de regulagens mecânicas. Exemplos:  Nuts, hexentrics, tricams e cordins com nós.
nuts

Nut entalado (bomba) !

Nuts: Bons, bonitos e baratos. Os nuts são a primeira aquisição de quem quer começar a escalar em móvel. Suas colocações são muito comuns, e seu principio de funcionamento é simples: Entale-o! Um jogo comum de nuts possui em torno de 10 peças (em geral do número 4 ao 13). Dica: Sempre é bom ter algumas repetidas, pois são as que mais se usa. Existem vários tipos: simétricos, assimétricos e curvos – a escolha dessa característica vai depender do tipo de fenda que você vai proteger: Há modelos que são melhores para alguns tipos de fendas do que outros. Materiais: ligas de ferro, cobre ou alumínio – o material muda a capacidade do nut em se aderir na rocha, os de cobre por exemplo deformam mais que os outros, assim a chance de sacarem é mais difícil; porém a resistência e durabilidade deles é menor. Em geral, os de ligas de ferro e alumínio são os mais usados. Dentre outros tipos, se destacam os micros, que é pra colocá-los em fendicas de nada, sendo muitas vezes só usado em escalada artificial (números 1-3 da BD), os outros números (4-6) podem ser sujeitados a quedas segundo o manual do fabricante.

Dr. House também usa Nuts!

Dr. House também usa Nuts!

hexes

Jogo de hexentrics

Hexentrics: Parecidos com os nuts, os hexentrics são uma alternativa muito útil de proteção. Porém, são mais difíceis de serem colocados, já que necessitam ser colocados em fendas paralelas. Entretanto, quando se consegue um bom entalamento, ficam muito estáveis. A característica hexagonal deles fazem com que ao sofrerem a tensão de uma queda, a força que faria eles “girarem” e sacar faz com que na verdade eles se travem ainda mais na fenda. Em geral, eles são colocados em fendas paralelas, e mesmo se eles se movimentarem, eles ainda são seguros devido ao seu formato. Foram muito populares antes da invenção dos friends.

Tricam colocado "dobrado" sobre a fita

Tricam colocado “dobrado” sobre a fita

Tricams: Em alguns lugares você pode encontrar esse tipo de equipamento classificado como proteção semi-passiva, semi-ativa e etc. Para não complicar, eu os coloquei no grupo passivo, pois em algumas definições não ter nenhum gatilho ou parte móvel faz com que eles sejam classificados como passivos. A forma de “meia-lua” dele se assemelha a uma castanha de um camalot e isso faz com que seu princípio de funcionamento seja exatamente o meio termo entre um nut e um camalot. Ele pode ser colocado igual ao nut convencional, simplesmente entalando-o. Mas o modo de colocação que o difere de seus amiguinhos, exige que você “dobre” ele por cima de sua fita. Dessa maneira, quando a fita for tensionada, ele ganha rotação (ou torque mais especificamente), o que faz com que ele sofra uma espécie de “expansão” tal qual a castanha do friend, só que com um mecanismo muito mais simples. Outra vantagem dos tricams é que eles podem ser usados em buracos, fendas horizontais, verticais, irregulares e off-sets além das fendas convencionais.

Entalamento de nó

Entalamento de nó

Entalamento com nó (tópico para mestres trad)É isso mesmo que você leu: Usar cordim com nó também funciona. Quando você está no final de uma escalada guiando uma cordada em móvel, já colocou todas as suas peças móveis e está esticando 10m e não vê a base da via, você vai querer ter esses tipos de truque na manga. Mas, isso entre a galera ficou um pouco mais na moda quando saiu aquele filme : The sharp end (recomendo). O princípio é o mesmo dos nuts, só que ai você tem que ter cordins de vários diâmetros: com 1, 2, 3 e etc nós nele para ficar mais largo e entalar, se necessário. Falando em cordins, existem situações na escalada trad em que pode-se laçar com um cordim (ou fita) uma raiz, galho, tronco, bicos de pedra, ou atém mesmo um buraco  em “U”. É só não cair… rs

Beto na Arena da Morte usando proteções em bicos de pedra. Serra do Cipó, G3

Beto na Arena da Morte usando proteções em bicos de pedra. Serra do Cipó, G3

Para finalizar esse post, algumas imagens mostrando alguns equipamentos citados no texto, ou alguns usos particulares de alguns deles. E na sequência alguns vídeos … 😀

 

 

Um tutorial da climbing sobre como usar nuts, muito legal!

Um vídeo do Cedar Wright e da Katie Brown malhando uma das mais famosas fendas de Utah:  Belly full of Bad Berries.

Vídeo do Timmy O’neil fazendo um Beat Box em Indian Creek, um dos melhores lugares do mundo para se escalar em móvel!

E pra finalizar, um excelente tutorial explicando mais ainda detalhes sobre os nuts!

 

Agradecemos a participação do Ives que hoje termina por aqui. (com meus pitacos, claro hehehe). Não perca o próximo post sobre proteções ativas.

E você? Qual seu tipo de proteção preferida? Ativa ou passiva? Eu Adoro um Threesome Tricam!