Cipó de Reveion (muitas fotos)

Bia e os contrastes das rochas do Cipó

Bia e os contrastes das rochas do Cipó

Fomos para o Cipó, ficamos 15 dias. Escalamos horrores e tive a oportunidade de escalar muitas vias a vista em setores novos e repetir algumas clássicas. Cheguei a mandar um 7c/8a no segundo pega (Por entre as pernas da perseguida) mas infelizmente não pude mandar todos os projetos que tinha. Tivemos a oportunidade de conhecer todos os setores novos e linkar por dentro o G3 ao G2 ao G1, coisa linda. O PCC é o canal pra dia de muito calor. O Blair pra qualquer dia, e o papagaio é irado! E o setor Janela então?! Puts, pirei!

Eu não pude entrar em tudo que eu gostaria pois no comecinho de dezembro senti um incômodo no ombro, que na segunda metade da trip voltou a incomodar. Eu nunca tinha sentido nada no ombro, mas agora como o elo mais fraco que eram os dedos foram fortalecidos, deve ter aparecido outro elo fraco :/ Foi num move besta e fácil no final da Especialidade da casa indo de um agarrão para outro agarrão q senti o Crec no ombro. <<Burroooooo>>. Aí que que o infeliz aqui faz? Mesmo com o alerta no ombro, depois de 2 dias, entra na Heróis equipando. Very clever! Quando cheguei no chão tiveram que tirar o nó pra mim e fui medicado com 1 dorflex e 2 cataflans pq não aguentava de dor no ombro/braço esquerdo. Ó dó…. Aí até o fim da trip tive que abaixar o nível e fiquei escalando só sétimos a vista com o Ives pra não forçar. Foi bão também! Fiz várias vias novas legais na perseguida, no Blair, no PCC, no Coliseu, no Serra Pelada. Escalada à vista é muito massa, não sei pq não vejo a galera fazendo esse tipo de escalada por lá.

O Greg foi o nosso menino de Ouro, mandou a ética e a na Calada da noite, e como diria a Bia, o resto não fez mais que a obrigação. Fiz um sexto grau lindo de morrer, “delício” na perseguida, novo, duas vias pra direta da por entre as pernas, sensacional. Repeti a Gigante pela propria natureza, flashblack, entrei na sheetara de novo, conheci a 11 proteções e 1 segredo, finalmente conheci a Dilúvios na Sancho Pena e a Via de Blair (que vias incríveis!). Incríveis também as duas vias da esquerda do PCC, um 6sup e um 7a, e fiquei morrendo de vontade de entrar na Pablo Escobar e na Zé pequeno, mas fui pela prudência que me faltou antes e me contive entrando em vias mais tranquilas. Ah! E pude mandar finalmente um 7b que tava devendo desde 2010, a “Minha amada imortal” no G1. A primeira vez do Ives no Cipó foi muito bem, fez até um ou outro 7a em flash e pode conhecer a maioria das clássicas.

Confira as fotos que acho que elas falam mais que palavras 🙂

Nossa, e nessa trip aconteceu a situação mais bizarra da minha vida com rapeleiros. Estavamos no setor da Melzinho, o Greg tinha acabado de mandar a Sem compromisso 7a e tinha um brother de Sampa malhando a Jungle Boy. De repente… Senta q lá vem a história:

Quando vejo alguém fazendo presepada no pico de escalada...

Quando vejo rapeleiro chegando no pico de escalada…

Num puta calor de 35º, todos derretendo, chega a gangue do rapel com macacão de piloto da força aérea, de bombeiro, de lixeiro, entre outros. Cheio de brasões, bordados e claro, coturno até o joelho. Garotos de 15, senhoritas de 30, homens nessa faixa também. E o líder de shortinho da copa de 70 e camisetinha (igual do gif acima). Vinham com corda no pescoço, cadeirinha em mãos, nenhuma mochila. Comentando entre si: “…Olha lá, eles já estão descendo aqui, vamos ver como eles tão fazendo…”  Eu cheguei até a pensar que fosse alguma coisa da brigada de resgate local, onde algum escalador foda estivesse ensinando alguma coisa para alguma turma sobre procedimentos de segurança em escalada. Ledo engano. Eles chegaram a perguntar se todos que ali estávamos na base da via (no chão) já tinhamos todos descido. Tive que explicar que nenhum de nós que ali estava havia descido, só subido e que apenas o último fica pra limpar a via e descer (nem me dei ao trabalho de explicar que depois de subir, haviamos descido de baldinho, preferi ser mais incisivo). Aí o Rapeleiro Alfa chega pra mim e pergunta: “É nossa primeira vez por aqui, onde vc recomenda que a gente faça rapel?”

via a vista 8anu

Ao que eu prontamente meio que sem pensar respondi: NÃO RECOMENDO. <<grilos – Cricri-cricri-cricri>>

coice-o

É, não foi um coice assim, mas alguns falaram que soou meio assim hehehe. Alguns segundos de silêncio depois que sucederam a resposta: “Mas não tem um lugar onde as pessoas fazem rapel aqui?” Não. não tem. O pessoal aqui vem pra escalar mesmo. Conheço os escaladores locais e pelo q eu sei essa atividade não é bem vista por aqui. Aì eles agradeceram, viraram as costas e foram “meio que caçar” um lugar pra exercer a deplorável atividade. Sem sucesso pois meia hora depois estavamos mudando de setor e cruzamos com eles passando por nós de novo na trilha, indo embora. Ai ai, até quando né gente? Não vou nem comentar pq se formos analisar as raízes disso passaríamos por parâmetros socio-econômicos, a falta de investimento e de interesse do governo em educação, a alta carga tributária, a safadeza descarada exercida pelo governo todos os dias, o monopólio do futebol em todas as mídias, que anda de mãos dadas com o machismo inerente à nossa sociedade, o desinteresse das pessoas por politica, ou seja: a falta de consciencia das pessoas sobre qualquer assunto e a superficialidade das discussões.

 

Agora fiquem com uma galeria de fotos do reveion…

E voltando ao tema principal do Blog que é fofocas escalada, mais fotos, pois na segunda metade da Trip, eu zuado me pus a tirar mais fotos afinal, era o que me restava fazer.

 

Bem, e essa foi mais uma trip pro Cipó! Agora é focar na recuperação e planejar a próxima! Que venha a rehab né, pq por enquanto é o que ta dando pra almejar! =D

Yin – Yang

O Equilíbrio das coisas

O Equilíbrio das coisas

Muitas vezes eu fico na dúvida se existe isso mesmo de Yin-Yang. É tanta coisa boa que acontece que parece que o balanço geralmente acaba sendo positivo. Mas de vez em quando acontecem umas e outras que nos fazem lembrar do equilíbrio das coisas. O Feriado em São Bento foi atípico. Muitas cadenas, muitas risadas, projetos concluídos e metas alcançadas, outras nem tanto. Mas qual o preço a se pagar por uma cadena? Uma lesão? Será que vale a pena?

Meus projetos para essa viagem eram a Psicose, 8a na pedra da Divisa, e Rock and Roll na Catedral, na Falésia dos Olhos. Nem curto muito os olhos (muita regletera), mas como fomos pra SBS só pra Ju entrar no seu projeto de longa data, arranjei um projeto lá também. No primeiro dia tava sol, fomos pro Tetos. O Ives caiu de “jão” no primeiro pega na Hellraiser e na It´s only rock and roll but I like it. Uma saiu de segundo pega mas a outra precisou de mais empenho (ou seria descanso?). Eu entrei me batendo todo na Psicose logo depois de aquecer na Tufão. Fritei a Bia mil anos na seg e depois de um tempo resolvi inventar um jeito inovador pra minha altura no crux, pelo qual através de alguns entalamentos, já alcanço a agarra que todo mundo da um bote e evito ter que apertar um regletinho ignorante. Daí pra cima é só gritaria porque é negativo de agarrão mas vc já vem torado do Crux e cada agarra e cada pé movimentado é uma luta. No segundo pega não estava muito confiante mas depois que fiz com maestria a primeira parte que havia me batido no primeiro pega, senti uma torrente de glória. Executei com precisão o crux, peguei a estrelinha do Mário Bros. e saí apertando rápido como se não houvesse amanha. Ô Grória! Primeiro dia, primeiro projeto caído! Enquanto isso ouvia rumores de que no Pilar central a Taís do Greg mandara a Kaliya, seu primeiro 7c, o qual, momentos antes, a Bia havia mandado à Vista! A menina estava com tudo e o feriado prometia.

No segundo dia todos mais ansiosos que a própria Jú, já fomos direto pros Olhos sem nem olhar a previsão do tempo, que mandou um sol lascado de trincar a parede. Aì o Yin Yang da Bia Aflorou. Chegando no pico, um cavalo aparece estribuchando perto da cerca já próxima da torre de alta tensão, provavelmente mordido por uma cobra. Aí a Bia prontamente se voluntariou a voltar pra casa do dono e avisar (detalhe, o cavalo estava do lado de lá da cerca). Chegando lá, ninguém. Só um cachorro. Que saiu correndo, babando, espumando, vindo em sua direção.

Agora imagina a cena em câmera lenta...

Agora imagina com um pitbull raivoso…

Ela aterrorizada pela figura errante vindo em sua direção, sai correndo como num filme de terror em que a mocinha corre do tarado estuprador vilão. Mas, em suas próprias palavras, se ficar o bicho pega se correr o bicho come. Após alguns metros, uma mordida na bota que a derrubou de joelho no chão, mão direita direto na terra. Ao se ver rodeada por uma fera de dimensões colossais, sentindo o sangue escorrendo pelas pernas e imaginando-se sendo devorada pelo raivoso animal como a um Zumbi de walking dead que devora a um humano degustando órgão por órgão, tripa após rim, coração após fígado, ela rapidamente levanta e, tal qual numa cena de perseguição hollywoodyana, se joga desfiladeiro abaixo rumo ao lago, buscando subterfúgios para que pudesse salvaguardar sua vida daquela fera de proporções e intenções subjulgadas. Só que eis que no lago havia patos extremamente territorialistas (ou seriam gansos?). Mas esses compadeceram-se com a cena de dona Maria Gabriela e atacaram em bando o cachorro, que foi devorado em poucos segundos pelos agora raivosos patos vingadores, os superpatos!

Ta, a história entra para a ficção a hora que os patos devoram o cachorro, mas até aí é tudo verdade! Bia ainda teve as moral de subir a trilha toda em sopa de volta até as vias rastejando e pedir resgate. O Joelho aparentemente precisaria de pontos e a mão de gesso. Sorte que não precisou de nada disso, mas o climb do feriado pra ela estava over.

Todos ficamos muito abalados com a história e a Ju entrou na Bulls pra equipar sob um sol de meio dia com a rocha fritando um ovo de tão quente. Eu ainda esperei até umas 3 da tarde pra equipar a Rock and roll na catedral, mas demorei horrores pra tirar todos os moves, também me sentia levemente abalado, não sei se pelo cansaço do dia anterior. O Ives equipou a Sonho de ìcaro. E eu, vendo que a noite se aproximava e que não queria entrar “de noite”, não esperei mais que uns 40mins e já entrei de novo, se não pra mandar, pelo menos pra equipar. E parece que tinha tirado muito bem os movimentos. Executei com maestria a maioria dos movimentos menos o da terceira chapa, que é um dinâmico meio de lado com um calcanhar direito segurando pra não abrir a porteira. (calcanhar o qual não to podendo usar por causa de uma contratura na panturrilha desde Arcos, na via Estréia). Mas fiquei impressionado com a leveza com que pude fazer a travessia pra direita que havia me custado tanto no primeiro pega. Rolou até mantel pra ficar em pé! Aí sim eu comecei a sentir uma torrente de glória (ô grória), e a acreditar que talvez pudesse mandar. E fiz isolando um regletão de esquerda que respira ofegantemente pra chegar nos buracos ao lado da ultima chapa. Dali pra cima foi respirar fundo, e escolher com que mão clipar a base. E aí veio o meu yang. Após duas cadenas sensacioníveis, uma dor num dedo da mão direita que eu não sentia ha mais de 2 anos. 😦 E os dedos da mão esquerda que tão sempre reclamando estavam bem! Ah, detalhe para o Raul que mandou a Dark Nectar, 8c no segundo pega! Voltando à forma que as cachaças e comidas brasileiras tanto tem lhe custado!

Fomos conhecer o setor Corujas no dia seguinte. Estava me sentindo bem cansado, e entrei na África apertando aqueles regletes como se fossem os últimos. Béee.. dedo reclamou. Depois entrei na C4, fui pagar o cruxzinho com uma puxada de perna direita e Bééé… panturrilha doeu horrores. Entrei na efeito moral, uma delícia, mas aí o corpo já tava pedindo pra parar, pegava nas agarras (enormes por sinal) e o braço respondia bem, poderia costurar à montê, mas o resto do corpo tava mole. Parecia que eu poderia dormir a qualquer momento no meio da via. Aí pedi pra descer, quando para de ser divertido eu paro. Só me restava a motivação de equipar uma via pro parça mandar, e fui correndo com o Ives lá no Tetos, equipei em tipo 10 minutos a It´s Only Rock and Roll às 17:20 pra ele poder entrar e mandar ainda com luz. E não é que o viado mandou?! A-hul! Depois de dois dias de muito aprendizado e yangs, finalmente um Yin pra ele! hehehe O Beto ainda mandou a Vôo da Coruja à vista! Not bad hein?

O último dia foi dia de Belay Bitch pra mim, enquanto o pessoal fazia volume no Quilombinho, eu só na seg e no joguinho do São Carlos Pression Team que eu tinha deixado em cache no meu celular. Consegui chegar no final e descobrir que era o último personagem da equipe!

E acabou-se mais uma trip. Muitas cadenas alucinantes no começo, e no final um ritmo um pouco mais lento. É, quando a cabeça não quer, não tem corpo que acompanha!  Ainda acabamos comendo um X-tragédia no centro de SBS pra fazer hora e pegar estrada depois das 8 e evitar congestionamentos, o que se mostrou de certa forma muito proveitoso. 🙂

Agradeço a todos que estavam no pico e tiraram tantas fotos minhas que nem soube quais escolher pra por no post! Menos à Bia que tava no Canadá hehehe

Próximo feriado, 1º de Maio, Arcos?

CarnavArcos!

Carnaval em ritmo de festa!

Carnaval em ritmo de festa!

O sábio erótico Clóvis Basílio certa vez disse que …”O carnaval da Vivi Fernandes é um dos melhor carnaval”… (sic). Eu vou ter que discordar. Certamente Kid Bengala não conheceu a galerinha do bem que esteve no último carnaval escalando em Arcos, no Rastro de São Pedro. Foram 6 dias de muito climb, festa e  claro, como não pode faltar em todo bom carnaval: furação.

Com a proposta de fazer um Carna diferente, gente de todos os cantos lotaram o pico, que agora conta com 102 vias esportivas praticamente. Mesmo com tanta gente, não houve fila nas vias, pelo contrário, o que rolou foi o comentário de pessoas diferentes em setores diferentes, que aquilo ali tava parecendo um ginásio de escalada: Muitas vias equipadas e muita gente dando A VIBE. E já que era ocasião, teve gente até escalando de fantasia de carnaval. Galerinha do São Carlos Pression Team pode passar o rodo em vários 7a´s e tivemos vários “primeiros 7a´s redpoint, flash e a vista”. Eu mandei meu primeiro 7c em flash (Cafeína) e se eu tivesse visto que a parada da via era pra direita e não pra cima como eu achava, teria mandado outro 7c a vista (A estréia)! Foi loco ver o Ives despertando seu escalador interior que estava dormente, mandando vários 7a´s, e até o Cleber que escala a menos de 8 meses mandou a “entre a sol e a sombra”. Beto pra variar passeando em todas as vias abaixo de nono e o Daniel com a Li curtindo uns quintinhos. Até o Sérgio apareceu com a Rose!! O Gera pôde consolidar sua escalada com vários sétimos também e aprender como NÂO se deixa a corda durante uma escalada dura tipo a cafeína<momento acuzada!>.

Pudemos conhecer os setores novos, muita via nova e todo mundo sem ficar perdido graças a um croqui bem feitinho que pode orientar a todos onde estavam as vias. Sem contar as plaquinhas estratégicas com os nomes das principais vias dos setores. Por muitos anos eu falava que tinha isso na Europa e que era muito massa, que me ajudou muito nas minhas viagens por lá, mas os vovôzinhos do Climb ficaram de putaria falando que isso tiraria o espírito da aventura. Mas aí vc vai no pico, com mais de 100 pessoas, e pergunta se essas pessoas estão reclamando? Ou se estão tendo ótimos momentos escalando com a galera e dando risada? Enfim. Parabéns ao GT Arcos pela proposta, iniciativas como essa só agregam ao esporte, que vem crescendo desenfreadamente, mesmo com tanta gente fazendo tanto pra sugar ao máximo em vez de contribuir de maneira construtiva. Sempre vai ter uma chapa que podia estar mais pra lá ou mais pra cá, é natural. Nem tudo é perfeito e a escalada é feita por seres humanos. Então em vez de reclamar, que tal aprender com os erros alheios (e próprios, claro) pra não acontecer de novo e  mandar um “Muito obrigado” pra essa galera de Arcos que vem botando a mão na massa? Valeu galera. É o Peixe, é o Cintura,  Carlão, Alexsandro, Ricardo Animal, Maurinho e uma galera que eu nem conheço mas sei que dão um trampo pro fico estar filé desse jeito.

Quando escalamos pela primeira vez a “Tufantástica” 6º, ficamos de namorico com a paredes que tem pra direita dela. E no “dia de descanso” fui com o Ives pra esse setor. Escalei uma canaleta pra direita do setor laçando árvore, vários bicos de pedra e fiz “cume”. Puxei a furadeira e desde o cume bati na virada o primeiro furo da parada da primeira via que conquistaríamos no feriado. Escalamos um escalador alto e um baixo e marcamos onde seriam as proteções. Fiz quase todos os furos mas no final tive o privilégio de “ensinar” o Ives a fazer o seu primeiro furo. Ele que vem sendo meu fiel escudeiro em várias conquistas, agora está se emancipando e botando mais a mão na massa. No final subi a via fazendo o FA (de um quinto grau, vale isso Arnaldo?), paguei uma travessia pra esquerda com a ultima costura vários metros pra baixo do pé e, completamente torto e ejetando da parede, comecei a fazer o primeiro furo da via da esquerda. Mas a bateria acabou no meio e eu tive que voltar, desescalar e deixar pra outro dia. No último dia escalei o quinto grau de novo, paguei a travessia desajeitada pra esquerda, lacei mais alguns bicos pra proteger a grande queda/pendulo e consegui terminar de bater a parada dessa outra via. Calculei certinho onde a corda iria passar pra não pegar em nenhum bico e como diriam no jargão local, “implantei”. Escalamos, marcamos e furamos. Enquanto isso a Dupla de Betos furava o final de uma via que o Betão de Divinópolis ja vinha namorando a tempos, pra esquerda da macaco não tem culpa. O Betinho subiu a mãe gaia, atravessou pra esquerda e bateu parada e vários furos no final da via. Mas a logística ficou bem comprometida pelas baterias estarem fazendo por volta de 3 furos cada uma, então era o tempo de ir na casinha deixar pra carregar e voltar pra pegar outra. Acabou que a via dos Betos não foi terminada pelo sol intenso e as bateras, mas não tardará muito voltaremos pra terminar o projeto! A outra via terminamos, deixei o Ives começar, e com umas 4 idas e voltas à casinha pra pegar baterias, o Ives furou a via toda. Está graduado na arte de furar. Agora só falta pagar acessos duvidosos com proteções precárias pra bater as paradas rsrsrs

Além de muito climb e furação, rolou muita cachaça festa a noite. Os donos do Camping tão mais pra melhores amigos que outra coisa. Nos sentimos muito a vontade, e ficamos muito gratos por poder vir ficar na casa de amigos quando vamos escalar em Arcos, isso não tem preço! E claro, numa certa altura das festas noturnas diárias rolou o momento Bigodagem: Todos os homens barbudos cortaram a barba deixando só o Bigode à lá Freddie Mercury / Seu madruga e costeletas.  Mas tipo, rolou adesão praticamente completa de todo mundo! Até as meninas fizeram bigode de Carvão. Isa, Ju, Mel, Ives, Cleber, todos que não tem barba aderiram ao movimento. Por isso a via da esquerda que conquistamos ficou em homenagem à essa galera que cortou barbas centenárias: Bigodagem, 6º. A via da direita ficou muito gostosa de escalar e por isso ficou com o nome de: “Delicinha”, 5º.

Apesar das festas noturnas no camping , todos os dias na rocha era dia de festa. Gente escalando de peruca, cartola, fantasia de pirata, máscaras de carnaval, calças com reforço de cordura kkkkkkk Maior vibe MESMO, galera se conhecendo, escalando junto, foi muito massa! Pude conhecer várias celebridades que só conhecia por facebook, se tivesse caneta pediria até autógrafo hehehe

E foi isso galera! Tem muita historia pra contar mas dessa vez resolvi ser mais sucinto no relato e encher de fotos que agradam mais né? Qualquer dia desses eu upo no xvideos os videos que eu fiz com o celular das festas noturnicas!

Valeu demais a todos que conheci no Camping, vocês são demais e espero poder escalar com vocês de novo em breve! Aos parceiros que acompanham sempre _/\_ Gratidão 😉

Novo Pico de Escalada no Interior de SP

Falésia de Tremendal - O pico novo de São Paulo é tão legal que fica em minas!

Falésia de Tremendal – O pico novo de São Paulo é tão legal que fica em minas!

A Headline é meio sensacionalista mas é verdade. Esse fds conheci um pico novo muito legal com conquistas recentes, e muito potencial para mais. Tudo começou quando eu conheci o Everton de Franca, que estava hospedado lá no espaço mandala no Cipó com a Alice no Reveion. Conversamos um pouco e ele me falou desse pico novo do lado de Franca chamado Tremendal, onde eles estavam abrindo algumas vias. Pico com cachoeira, sombra, boulders, num quartzito com muitas agarras, bem propício. Já fiquei animado, e quando ele falou que ia rolar churrasco, consegui angariar 7 pessoas pra irmos em 2 carros passar o finde por lá.

Os detalhes de porque a gente combinou de sair as 5 da manhã mas saiu só as 9 vou deixar na imaginação de vocês, mas o fato é que chegamos em Franca as 11 e pudemos conhecer a Academia de Escalada ECOLIFE. Um conceito muito legal com uma pequena parede para vertical, mas uma mega estrutura de Boulder ímpar. Logo partimos pro pico, que fica próximo à cidade de Ibiraci e é preciso enfrentar 15 intermináveis km de terra para chegar no lugar, que é uma propriedade particular. Então, claro, todo respeito é bom e o dono gosta.

Comecinho do setor floresta

Comecinho do setor floresta

Fizemos a caminhada de 10 minutos do carro até o Acampamento Base, que é uma Mega árvore com vários blocos em volta, perfeito pra montar barraca, bivacar, armar rede, enfim, sombra sob o calor de rachar que fazia. Armamos as barracas deixamos tudo pronto e partimos pra mais 2 minutos de trilha conhecer o “pico” propriamente dito. Primeiro o setor “floresta” que é mais fechado e parece ter vias mais altas, termina próximo à cachoeira. Depois voltamos um pouco e já fomos para o segundo andar, onde resolvemos ficar e fazer a rapa no maior numero possível de vias que conseguíssemos. A idéia era abrir via também, mas no primeiro dia resolvemos escalar pra curar a ressaca a escalada estava tão gostosa, o time todo entrosado que resolvemos ficar curtindo o pico e o climb. Nos divertimos horrores, a escalada é muito gostosa, as vias muito bem protegidas, então é pra você curtir a escalada e não passar medo ou passar mal, no melhor estilo esportivo com um visual muito bonito.

Estávamos o Shimoto, a Júlia, o Gregson, a Fabi, o Ives, a convidada especial Mel, que veio de Sampameo, e eu. Foi massa porque todo mundo tava na mesma pegada: Opa, pico novo com várias vias encadenáveis, escalada à vista já! No fim do dia, quase escuro já, chegou o Artur, que é de Ribeirão, mas tem um pézinho em Bauru e agora meio que mora em São Carlos. E assim foi o primeiro dia, todo mundo entrando em tudo, fomos terminar de escalar lá pras 9 da noite. E olha como tava tão calor: Todo mundo caiu pro rio pra tomar banho 10h da noite! Com excessão do Ives que deu um migué monstro, todo mundo entrou na água e tomou o banho completo. Não demorou a água já estava agradável e dava pra ficar inteiro dentro tranquilamente (é que o lugar era meio raso).

O Churrasqueiro Everton que não deixou faltar nada!

O Churrasqueiro Everton que não deixou faltar nada!

E depois do banho, churrasco! Foi mto massa, o nosso anfitrião não deixou faltar Carne nem cerveja, muito menos batatas, cebolas e tomates no papel laminado para as vegetarianas. Teve até o repeteco do show do Rafa que animou a noite no 14º encontro de Londrina ano passado. E apesar de ter dormido pouco de sexta pra sábado e de sábado pra domingo, no domingo acordei cedinho, renovado, super disposto e pronto pra mais. Fomos pra bica do lado do carro pegar água e encontramos uma caranguejeira gigante preta na trilha do tipo que deixaria o Raul com piripaque (se bem que até as pequenas já causam esse efeito nele – essa era do tamanho de uma mão). Em seguida tomamos o café da manhã coletivo. Eu logo já fui pro pico com o Ives, que já tava animado pra furar também. Tinhamos visto vários locais em potencial para abrir via, mas em um dos setores a rocha parecia muito boa, super alta e com saídinha encardida. Fomos direto pra esse setor  e  Jumareei pela corda fixa que os locais tinham deixado no setor, (infelizmente não vou lembrar do nome de todos que conheci!) e no cume joguei a corda na linha que eu tinha flagrado enquanto subia.

Café

Tomando café da manhã, com a falésia ao fundo

Comecei a descer e rapidamente estava no lugar que havia vislumbrado bater uma parada, mas era meio duvidoso. Na verdade eu senti que não conhecia muito a rocha, pois no arenito só de olhar eu já sei se é podre ou um vidro. Mas ali é rocha nova e fui descendo até encontrar rocha suficientemente sólida pra eu bater uma parada. Decidi sacrificar alguns metros de uma escalada com muitos agarrões em prol da segurança, e foi melhor, porque no final das contas a via ficou com quase 30m!!

Parada batida, puxei outra corda e deixei o top armado com uma parada equalizada, backupeado na corda que vinha do cume. Desci e na metade inferior tive que escovar tudo pois tinha muuuito limo e musgo seco nas agarras. E tudo com uma escovinha de dentes kkkkkkk Foi puta trampo, ia magnando os regletes que da parede lisa iam pipocando e tornando a escalada possível. Cheguei no chão depois de quase 1:30h pendurado e dei uma relaxada rápida, bebi muita água e comi alguma coisa. Mesmo tendo ficado quase 1:30 no sol, as vezes vinha uma brisa da cachoeira o que não tornou a tarefa tão árdua. Na sequência entrei escalando de toprope pra definir os melhores lugares pra furar e por as chapas. Saídinha forte e logo um passeio até o final que já estava na sombra quando eu saí da altura da copa das árvores. A Jú entrou na sequência pra ver se a “altura” das chapas estava ok para os anões equiparem a via. A parada ficou poucos metros à direita do final vertical de uma fenda perfeita de uns 30m em z. Só que essa fenda tem vários blocos pra rolar, então já que tinha bastantes agarras pela direita deixei a via mais afastada dela (e pra não causar polêmica com chapa perto de fenda). Quando estava chegando na parada ela puxou um video-cassete que eu já tinha visto e desconfiado que tava solto. Gritou tão alto “PEEEEDRAAAAAA” que ela ficou rouca até chegar em São Carlos. O Everton deu um matrix se escondendo embaixo de um bloco, e a pedra caiu certinho onde ele estava!!

Via1

Tirando os moves pra ver onde é melhor colocar as proteções

Passado o susto concluímos que já estava meio tarde, então já subi pra furar. Foram 12 furos, 2 brocas e tive o cuidado de colocar uma chapa melhorzinha no crux pra economizar o mosquetão da galera. E o mais legal: quando estava na metade da via olhei pra cima e observei que faltavam 6 furos e eu tinha só mais duas baterias, então resolvi deixar um furo intermediário numa das partes mais fáceis da via para o final. Consegui felizmente furar os 5 furos que faltavam, e quando, já descendo, fui aproveitar pra fazer o furo que tinha deixado por último, a bateria acabou bem no comecinho! Fica a pimentinha na via pros amigos, quem já fez um 7c lá embaixo acho que não vai reclamar do esticãozinho de 4m na parte de 4º grau 🙂

Nem sei muito o que os outros tavam fazendo, mas sei que o Ives ficou ali no auxílio mandando as coisas pra mim enquanto furava, a júlia ajudou a definir a altura das chapas e a grampeação, e o shimoto deu aquela seg esperta no top e na cadena da Ju. O Greg subiu com o Ives lá no topo da falésia depois pra desarmar as cordas fixas e demoraram mil anos pra voltar. Ficou mal contada essa história mas tudo bem, eles estão no direito deles. E a Fabi tinha tomado uma picada na testa no dia anterior, acabou ficando mais na dela. A Mel escalou uma via com o Shimoto mais cedo mas depois também não resistiu aos encantos da rede e fez uma ciesta.

Furando a segunda chapa

Furando a segunda chapa

Duas horas depois de ter saído do chão pra começar a furar, estava de volta, exausto, acabado. Fiquei pensando nas escolhas que a gente faz na vida da gente. Estava ali porque eu queria, cansado, todo dolorido, não tinha obrigação nenhuma, mas eu queria tanto estar ali, estava me divertindo tanto, estava muito feliz. A cabeça a mil, o corpo nem tava aguentando tanto “malho” que vinha recebendo nos últimos dias. Tava tão cansado que deixei a via pro Shimoto equipar, depois deixei a Ju entrar pro FA enquanto eu tirava um cochilo, ali, em cima da corda do Shimoto mesmo. E quando ela chegou no chão, o corpo ainda esgotado respondeu quando eu mandei ele levantar e ir lá, que eu queria escalar aquela via tão bonita! Lembro que a hora que levantei a Mel já me olhou e passou a garafa de café, que eu tomei rapidão e já fui pra via. A Ju me proibiu de passar mag no crux, mas achei um entalamento de joelho tão bom que até pude me permitir. Fiz o lance, costurei da melhor posição (e não da agarra ruim que tem próxima à costura) e aí foi só dar uma respirada e tocar mais 25m de curtição. Subi re-limpando e re-assoprando muitas agarras pois não havia sido suficiente da primeira vez e lá no final da via ainda vinha um ar fresco da cachoeira, que maravilha! Acabei mandando a primeira repetição, e foi muito recompensador mandar uma via que acabara de abrir. O Grau sugerido ficou entre 7b duro ou um 7c suave, tem 30m praticamente e o nome é “Intercâmbio Cultural”, devido à essa troca de experiências tão gostosa que foi esse final de semana com o pessoal de Franca, em especial na figura do Everton da Ecolife. Obrigado pelo presente de me permitir fazer uma das coisas que eu mais gosto que é abrir vias, num pico tão incrível, bonito, num ambiente bucólico e escalar com pessoas que tem sido como uma família pra mim. Não vemos a hora de voltar! Tem muita linha pra abrir ainda, espero que ainda sobre alguma quando voltarmos! 🙂 Detalhe que ao sairmos do pico pra ir embora, não vimos um lixinho, nada, o pico ficou do jeito que estava como chegamos e como tem que ser!

E claro, obrigado aos amigos que me acompanharam ao pico novo, mesmo sem saber muito o que esperar, vocês são demais! Shimoto, Ives, Ju, Fabi, Greg e Mel:

Gratidão!

Capacete cheio de Poeira: Missão Cumprida!

Capacete cheio de Poeira: Missão Cumprida!

Férias no Cipó (Ou: “o post mais aguardado do ano até o momento”)

Começando o Post com o Por do Sol do Mirante

Começando o Post com o Por do Sol do Mirante

Falar o quê de uma das melhores trips de climb EVER? Simpesmente todos os praticamente 30 leitores deste blog estavam lá, então foi praticamente uma reunião nacional da galera mais firmeza do climb do Brasil! Graças à Ju que conseguiu reunir uma galeeera de todos os cantos do Brasil num único espaço, num único pico, que brilhou muito. Muita vibe boa, muita risada e uma galera integrada, confraternizando junto, comemorando juntos essa festa chamada escalada.

(pra você que vai ler tudo, dá o play nessa música que eu escrevi o post ouvindo ela e algumas do gênero)

Não tem muito como descrever, quem esteve lá sentiu que faz parte MESMO dessa tribo do bem que é a galerinha do Climb. O Espaço Mandalla acolheu a todos muito bem. Na outra vez tinhamos ficado no Magrão (Abrigo G3), e outrora no Abrigo Cipó dos amigos Barão e da Rafa, tudo 5 estrelas, e dessa vez pudemos conhecer o Mandalla. Mesmo quem não tava ficando lá “passava de lá” no fim do dia de Climb pra dar um salve pros irmão,(filar) tomar uma cervecita e botar o papo em dia. Através da figura do Ale Imbelloni que tava tomando conta na ausência da Fran, foi tudo muito bem organizado e não pudemos perceber sequer um mínimo de desconforto, muito pelo contrário.

Para o Cipó fomos de São Carlos a Fabi, o Greg (doravante denominados Fagreg) e eu. Fizemos um caminho que economizou praticamente 2h, indo por capitólio e Divinópolis. No começo estava chovendo todo dia as 2 e as 5 da tarde, então ficamos mais concentrados ali na sala de justiça e arredores. Conheci outra blogueira muito famosa, a Alessanda, do Minhas Certezas Incertas. Conheci a Wenia, com quem havia feito negócios via face e que me marcou pela espontaneidade (e é personalidade ali na região de São João del Rey, Arcos…). Esses são os que eu já conhecia de internet. Mas conheci muito mais gente. Conheci a Mel, o Lex, a Joana de SP, o Igor e o Gui do RJ, a Vanessa, a Cláudia e a Carol do Sul (sul de verdade, de POA e “alrededores” né gurias?), a Rê e a Emília com sua turminha de SP, o Everton de Franca, o Ulisses com a namorada Chilena, enfim: muitos desses com uma galeeeera junto (ou pelo menos @ respectiv@). Foi muito massa. Foi tipo o primeiro ano de faculdade quando todo mundo é super amigo! Conheci a família Imbelloni, a Luciana de Franco (que acaba de se tornar a primeira brasileira a mandar um 10b e que é a humildade e a simpatia em forma de gente). Conheci o Maneira de Araxá. A Vevê eu já conhecia, o Raul e o Cleber chegaram depois. Até o féla do Felipe colou na goma com sua familia do barulho aprontando altas confusões (E Não levou nem a sapatilha – imperdoável). Apareceram também o casal Guibia da Quero Escalar/ Sanca Pression Team! Incrivelmente chegou também diretamente da China o Daniel Hirata, (mandei mensagem pra ele qdo eu ainda tava em São Tomé pelo celular) e pudemos reconectar a boa vibe novamente, eita minino bão sô, diretamente de minas pro mundo trazendo na mala bastante saudade e duas toneladas de chá! E também uma Eslovena, a Ursa (se lê Ursha), a qual tinha conhecido em Cuenca na Espanha 1 ano e meio atrás. A galera ia chegando, ia vazando, e a gente foi perseverando. Quando vimos nem sabíamos quanto tempo fazia que estávamos ali, e a contar pelos dias de climb – descanso – climb – descanso – climb tinhamos ficado 3 dias a mais que o plano inicial. Mas também, não fosse isso não teria mandado meu projetinho da viagem!

Greg na Melzinho

Greg na Melzinho

Na verdade o projeto era desconectar do mundo, passar um reveion  diferente fazendo o que eu mais gosto na vida que é (interagindo com gente que pensa como eu) escalar e aproveitar para apresentar o pico pro Cleber e Fagreg que estão começando no mundo da escalada. O Greg(són) mandou a FlashBlack a vista! A Fabi mandou a Popopó equipando à vista também! E o nosso rádio Cléber dormiu na cachoeira e teve uma insolação – Burrrooooo! kkkkkk mandou a Diversão garantida no segundo pega: Ahhhh muleke! Escalaram muito mais que isso claro, mas foi bom ver eles entrando no espírito da coisa. Legal ver a Vevê entrando guiando nas vias. A Rê mandando seu primeiro 7a com a Rei do Torresmo. A Vanessa mandando um 7a/b na lapinha no segundo pega! A Mel dando duplo mortal de cuestas la no pedrão hahaha Pra quem tava parada ta muito bem no climb também! E até o Lex entrou num 8b de top achando que era 7b e foi até a quinta costura! O Raul foi pra dar uma escaladinha de leve e conseguiu… conseguiu matar 2 garrafas de cachaça e dar trabalho – pra variar –  e deixar a todos espantados com seus papos de sexo e cagadas… principalmente quando era ao mesmo tempo hahahaha A Jú conseguiu reunir todo mundo, igual a galinha mãe que abraça todos os pintinhos embaixo da asa. Equipando as vias e “spraying beta” pelos 4 cantos do Cipó. “Serviço de Beta Gratuito 0800-JuliaMara. Seg da cadena firmeza. Escovamos as agarras de seu projeto e damos a vibe-mor!” E eu? Bem, eu fui lá descompromissado, sem ter escalado quase nada em 2013 inteiro, mandando nem 7a praticamente. Fui com a intenção de poder presenciar tudo isso que narrei. De interagir com essa galera massa que ta nessa pegada da hora de curtir o climb. Essa galera sem nóia de grau, mas que também quer evoluir e mandar seus projetos. E acabei voltando pra casa com duas cadenas inesperadíssimas, mas que me custaram alguns intentos.

Mel na Mister X

Melzinha na Mister X olhando a Fabi na Melzinho (puts Mel, não tinha como não fazer esse trocadilho!)

Dois métodos de treino. Lembrava da Academia Vida e dos treinos funcionais do Juliano quando fazia os movimentos das vias e me sentia leve. Lembrava da Equilíbrio Corporal e dos treinos de Pilates com a Sí quando blocava no core nos moves nos negativos pra dar aquela chamada com o corpo colado na rocha e pés longe ou botar pé na mão. 2 meses de treino, ta bão né? Comecei a entrar na Ética por causa da Chuva. Estávamos ali, chovia muito no fim do ano, então tínhamos que acordar cedo tipo 6 da manhã pro Cagão do Greg poder fazer o seu ritual matinal de 1h cagando – em 10 dias foram lidos 2 enciclopédias Barsa, O Senhor dos Anéis (os 3 volumes), o Hobbit, o sumarilion, e o catálogo da revista hermes. Tudo isso somente enquanto ele fazia seu “muñequito” de barro matinal. Chegando na rocha umas 10 da manhã, dava pra escalar uma coisinha ou outra e logo tinhamos que correr pra sala pq chovia as 2 e as 5. Benzadeus que a Júlia escovou as agarras da ética, pq tava foda! E aí foi só tirar a senha ao longo de vários dias. No terceiro pega eu errei um monte de coisa, gastei pra caramba e ainda assim caí indo pra última agarra. E aí no próximo dia (2 dias depois pq fomos pra Lapinha e teve um de descanso) saiu de primeira. A Mônica, namorada do Doc tinha acabado de descer da via e perguntou: Vai mandar? E eu, na maior naturalidade: Vou sim. (pensando, vou… vou mandar uma fiasqueira que vou ter que sair da sala de justiça pela porta dos fundos hehehe) Mas aí rolou! um 7c no meio da viagem eu nem esperava! Só que aí eu me apaixonei perdidamente…

Fabi na Popopó

Fabi na Popopó

Lembro da primeira vez que a vi. Ali. Despretensiosa. Dando mole. Olhando pra mim. Toda de branco. Alguém estava tentando levar ela pra casa. Mas naquele momento eu senti que eu poderia ter sorte nesse jogo. Era do jeito que eu gosto, “Totally my style”. O nome dela é Cheetara. Vi a via equipada ali no setor da escamoso com uns costurões de 80cm nas 4 primeiras. Um negativão que parecia ter agarras. Ah.. ja tinha mandado muito mais que o que eu poderia esperar da viagem, porquê não entrar “For fun”? E aí fodeu. Me apaixonei pela via. Não conseguia pensar em outra coisa. Fui pra casa pensando nos movimentos e nos dias seguintes dei mais pegas despretensiosos e cada vez via a remota possibilidade se aproximar. Eu nem imaginava que poderia conseguir. Mas sabia que tudo é treino, e que o “jogo da conquista” muitas vezes é mais legal que a conquista em si. Quando eu consegui mandar com apenas uma queda, e ainda por cima num sol de lascar, percebi que algo poderia sair daquela brincadeira. Mas precisaria descansar um dia, o que implicaria em estender a trip. Implicaria descansar no teoricamente último dia, e entrar nela na segunda feira. Mexemos uns pauzinhos e fiz acontecer de ficarmos mais 3 dias. No domingo fiquei de Chico-GriGri só dando seg, desci a trilha do G3 pro mandalla correndo. Comemos pizza e a Vanessa pagou a cerveja que ela tava devendo pelas cadenas na Lapinha e no G3. Na segunda feira foram embora a Vanessa, a Ju e o Cléber e ficamos Fagreg, Raul e Daniel (a Ursa tirou dia de descanso). Aqueci na Via nova do Antonio Paulo Faria, a BR-040 que fica do lado esquerdo (Ou EM CIMA, mais precisamente) da Diversão garantida, talvez seja um sextinho interessante. E não esperei muito pois apesar de chegarmos cedo no setor, o sol em menos de 1h estaria FRITAAAANDO na via. Pedi pro Raul alongar estrategicamente 2 costuras pra mim quando ele fez a Popopó. Entrei enquanto havia sombra. Descansei nos descansos. Usei o Beta da Ursa, da Júlia e do Daniel (que eu não tinha usado nos outros tentos). Executei a sequência com maestria sem errar. A sequência está na cabeça até agora. Uma via linda! Gostosa, benevolente, bem equipada, longa, negativa, com apenas um reglete opcional. Nossa, nem acreditei que saiu! Foda foi controlar a cabeça no descanso depois de mandar o crux. “Será que vou mandar mesmo?” Será que vou cair no próximo movimento?” “Se eu cair costurando a base, terá sido Cadena técnica?” Mas aí você entra num estado de concentração meditativo tão intenso que sua cabeça se limpa dos pensamentos e só o movimento que você está fazendo naquele momento passa a existir no universo. É um momento mágico que poderia durar pra sempre. Que é o que buscamos quando estamos escalando. É a meditação em movimento.

Depois disso ainda dei dois pegas na Especialidade da casa mas aí já não tinha braço pra nada. E no último dia entrei a vista na virgulino, no setor cangaço, mas tomei um espanco daquele cruxzinho lazarento, até que eu descobri como faz. O Efetivo estava cada vez menor, e o Raul também tinha vazado, tendo ficado apenas Fagreg, Ursa e Daniel. Eles ficaram malhando a O Cravo e a Rosa e a Virgulino enquanto eu fui dar uma seg pra Ursa (se lê URSHA) na Ética, também porque tínhamos que desequipar pois estava com as costuras da Ju. Voltamos no cangaço e mandei (já no doping na base do ibuprofeno) a Virgulino. O betinha do crux faz ela virar praticamente um 7a pra quem é alto! E no fim do dia apresentei o grupo Foda pra turminha e fizemos a Pra elas, Voce decide (o sextinho do lado esquerdo da pra elas né?) e mandei equipando a qual é a nota, que pra mim é a Ninhos versão 7b. Ah! Detalhe para o ataque das aranhas gigantes que a fabi sofreu na segunda! Uma caranguejeira daquelas bundudonas do tamanho da minha mão pulou de uma agarra da Diversão Garantida na Fabi!!!!!! A fabi gritou Pro Raul que tava na Seg: “Ahhhh Raul, uma aranha! Desce!” O raul ficou tipo o Chaves quando tem um piripaque e não desceu a menina. (Detalhe, eu vendo tudo de camarote ao lado). Aí a Aranha PU-LOU na Fabi ARACNOFOBIA STYLE!! Se fosse o Raul no lugar dela tinha tido no mínimo uma Síncope, mas mais provável um ataque cardíaco fulminante seguido de evacuação completa e imediata dos intestinos grosso e delgado. Mas a Fabi em seu lugar só deu um Matrix na Aranha, que caiu direto no chão. Vc bota uma fé? Depois descobrimos que a aranha fugia de uma vespa do tamanho de um pardal que põe seus ovos na aranha ainda viva, tipo Alien, o 8º passageiro. Esse dia ainda vimos lacraias, besouros, sapos gigantes e escorpiões. Segundo o Raul, tinha um Nazgul por perto, certeza.

Aranhas "RIGANTES" né Raul?

Aranhas “RIGANTES” né Raul?

No meio desses relatos todos teve um reveion, muita comida, “biritis”, confraternização no Mandalla, música, piadas, gargalhadas e mais gargalhadas. Mas também prefiro nem detalhar muito, prefiro lembrar do que eu senti, não do que eu escrevi. Vocês idem.

Que mais eu podia pedir? Que 2014 continue assim? Ta bom né?

Valeu demais galera, só tenho a agradecer a vibe, o final de ano maraviwonderful, incredilivable, alucinante! Estão todos no meu coração! Qual a próxima trip?

Bjos e até a próxima!

Eu vim pra São Thomé…

Fotos sequenciais em São Tomé com os Locais!

Fotos sequenciais em São Tomé com os Locais!

E na véspera de Natal casou a viagem com a vontade de escalar. A Júlia me convidou e eu convidei o Cleber. Como já estava todo mundo indo embora eu fui me vendo ficando sem parceria de viagem de climb de fim de ano. Agarrei a oportunidade e fui. 3 dias em São Thomé das letras, cidade que não conhecia. A-hu! Fomos a Ju, o Cléber, o CV, dono da maior Academia de Escalada de Piracicaba , e eu. Desta vez não vou contar milimetricamente todos os detalhes e cadenas, porque tiramos muitas fotos. Vou resumir apenas que choveu só nos fins de tarde e deu pra escalar muito mais do que a previsão do tempo garantia. Até arriscamos fazer boulder no primeiro dia, mas o meu negócio é via mesmo, clipar umas mosquetões – ô que gostoso! – então focamos mais nisso. O Cleber que vem treinando e mostrando boa evolução no Climb, guiou pela primeira vez, e tomou sua primeira voada!

Demos risada demais e o Beto pra variar sempre presente, principalmente quando passamos por 3 corações e ele sempre conta a história do Pelé e do Traveco. Virou até um blues esta história heheheh Visitamos a pirâmide, que fica no final de uma piramba, a pirâmbide (tu-dun-tsss). Comemos a melhor pizza top five entre as 5 mais do Universo segundo o CV. “Muito loco esse lugar hein?” Reiterava o Cléber.  Ah, e antes que eu me esqueça… avisem onde tem poça! hahahaha (tipo, imagina 4 pessoas subindo uma piramba no escuro, breu total, aí uma vira e fala: “Avisa onde tem poça d´água!” Tipo, como vamos avisar se não estamos vendo um palmo diante de nossos narizes? hahaha

A Rocha é muito boa, mas parece que vai quebrar o tempo todo (mas não quebra!), o estilo é o de negativos e tetos com agarrões e patacos. Média de 10 a 15m por via. Muitas vias poderiam ter as paradas melhoradas, mas isso é questão de estilo desta escola. 🙂 Ah, e da pra abrir muuuuita via ainda, especialmente nos setores que já tem vias que eu visitei (os setores 1 e 2 do croqui, se não me engano – aquele que tem o ET). Vale a visita, mas mais que isso, vale vir conversar com os locais pois se for do interesse da comunidade local vira muito trazer a metranca pq tem muitas linhas óbvias ainda não chapeletadas!

Enfim, com vc´s, fotos de São Tomé das Letras;

Ta, as anteriores não são todas do primeiro dia, mas eu resolvi deixar assim pra facilitar a categorização das categorias categoricamente categorizidas:

E beleza, as fotos do último dia, com uma das clássicas do pico: a “De ré pra trás”  que mesmo chovendo fiz questão de entrar pela indicação do Carelli, da Outra Esquerda.

E foi isso! Se pá no Reveion tem mais em outro pico alucinervous por aí! Boas festas a todos, boa escalada e bom descanso!

Como foi o Climb do finde?

Amigas da marta na mini-oficina de escalada com o Javi.

Amigas da marta na mini-oficina de escalada com o Javi.

Eu é que pergunto! Como foi o climb aí do finde dos meus amigos queridos?! Contem me tudo! Aqui fui pra uma zona de escalada chamada Valéria, perto de Cuenca, já conhecida nossa: pequena, porém muito divertida. (pequena padrão espanha: Só umas 150 vias +-). A marta combinou com um monte de amigas suas e o namorado de uma delas deu um minicurso a elas no sábado, ensinando seg, encordamento, limpar vias, etc… Não é a oficina do cume, mas o pessoal aprendeu bastante! Aqui na espanha da uma sensação de que existem tres tipos de escaladores: nível foda pra caralho, nego que faz 10 cursos de montanha, guia, reciclagem, resgate, abertura de vias, primeiros socorros, e uma caralhada de coisas e sabe tudo de alta montanha, esqui, boulder, esportiva, tradicional, alpina etc… A outra vertente é o escalador que foi um dia numa academia, curtiu, vai na loja, compra corda, costuras, grigri e vai pra rocha sem saber o que fazer com tudo aquilo. O terceiro grupo é o que não é o guia alpino foda pracaralho, mas que se defende bem no que faz: Dá seg direitinho, escala bem e com segurança. As meninas com certeza se encaixarão grupo do meio 🙂 pois já se viu ali grande atenção à segurança e aos procedimentos. Muito bom! No sábado a escalada foi bem sussa, aqui tem muitos terceiros e quartos graus pra quem ta começando, então é ótimo pra aprender a fazer segurança, armar parada, etc…

Marta guiando um quinto grau

Marta guiando um quinto grau

Eu e a Marta ficamos ajudando, iamos equipando as vias enquanto o Javi e a Ali ensinavam os procedimentos pras meninas no chão, foi interessante. No fim do dia mandei um sexto com uma saída bem dura com uns bidedos médios e pés inexistentes praticamente até a segunda chapa, depois só curtição os 25m restantes.

 A noite, depois de umas cañas en el pueblo, fizemos Bivaque na tal cueva onde já havia feito bivaque outras 2 ocasiões.

A noite, depois de umas cañas en el pueblo, fizemos Bivaque na tal cueva onde já havia feito bivaque outras 2 ocasiões.

 

No domingo a galera ficou animada e ficaram fazendo vários quartos e quintos. A Marta e eu ficamos só nos sextos graus. É ótimo pra ela que está voltando a escalar a pegar confiança guiando algumas vias fáceis. E pra mim, que quero me ver livre de lesões, melhor ainda escalar vias fáceis, usar as mãos e forçar os dedos fortalecendo-os com escaladas como estas. Esqueci de tirar fotos das escaladas porque tambem ficamos mais independentes, mas no fim do dia fizemos séries de fotos sequenciais muito legais 🙂

O pessoal foi embora domingo mesmo, e a Marta e eu dormimos mais uma noite na cueva del Vivac, para segunda escalar por ali de novo. Na segunda eu inexplicavelmente estava meio abalado, ao contrário dos outros dias que estava guiando qualquer via sem problemas. Suponho que por ter escalado o dia anterior inteiro no sol. Escalamos algumas coisinhas tranquilas, mas depois de shimotar num sexto bem exposto (tipo a Manga com leite assim), fomos pra Cuenca conhecer a tal “cidade encantada“. Um paraíso para boulderistas, porém, onde não se pode escalar. São blocos enormes todos com negativos em cima (vide fotos) me lembrou um pouco o Parque de Vila Velha, no Paraná. E foi esse o finde! Escaladas tranquilas, aproveitando os quintos e sextos que a espanha tem pra poder me recuperar direito desta vez e poder voltar a apertar o quanto antes!

Uma coisa que eu acho genial mas que não ouso fazer no Brasil se não vou ser execrado e exilado na sibéria é colocar o nome das vias no pé das mesmas. Acho genial. Sob a justificativa da aventura e de que pra isso servem guias de escalada não se colocam essas marcas na rocha, mas se esquecem que não temos guias de escalada assim, digamos, impecáveis a ponto de não serem necessárias essas marcações, E, estamos falando também de escalada esportiva. Não são todas as vias, são só algumas no pico inteiro, as vezes 10 ou 20% das vias de um setor (o que em muitos casos é uma ou duas), pra identificar o setor com muitas vias, localizar-se pelo croqui, etc. Por muitas vezes essas marcações nos salvaram de roubadas pela europa, pena que no Brasil é tão mal-visto.

Ok, não precisa tanto! Talvez uma pedrinha no pé da via com o nome estaria bom, igual na Lapa do seu Antão, que tal? ;)

Ok, não precisa tanto! Talvez uma pedrinha no pé da via com o nome estaria bom, igual na Lapa do seu Antão, que tal? 😉