Vivendo o Climbers´ Way of Life

Depois de mais de 10 dias, finalmente consegui as fotos do carnaval. E que carnaval. Ultimamente tenho tido a sensação de estar vivendo uma vida de “Avatar”. Durante a semana eu encarno um personagem. O engenheiro, que trabalha, no escritório, na obra, na selva de pedra, que vai a campo, faz relatórios. Aos finais de semana e feriados eu volto a ser o verdadeiro eu, encontrando os amigos, tendo meu contato com a natureza, com meu eu superior através do xamanismo, e claro, da ESCALADA.
Pois tudo gira em torno dela. Quando eu iniciei no xamanismo, eu tinha medo que eu ia parar de escalar, me dedicar à faculdade, me formar, arranjar um emprego e por causa disso tudo parar de escalar. Bom. Digamos que foi exatamente o que me aconteceu, porém… com o adendo da minha escalada ter bombado. Estou escalando muito mais, e melhor. (Mais que o infinito umas duas vezes!! hahaha 😉 )Sinto que cada final de semana que passa, tem sido um melhor que o outro. Tanto os que escalo os dois dias, quanto os que divido um dia para ir aos rituais xamânicos, que são tão bons quanto uma bela trip de climb (veja, melhor que uma trip, não um só dia apenas). O aprendizado é tão grande que não tem como não tirar pelo menos uma coisa boa de tudo aquilo que se aprende. E o melhor, que pra mim foi fundamental: ninguém nos fala nada. Não tem um pastor, um padre, um “mestre” com uma bíblia na mão tentando te doutrinar. Há sim muitos irmãos. Durante as 6 horas do ritual, você passa em silêncio. Ao som de mantras e músicas de todas as egrégoras, afinal, o Xamanismo é inicialmente um universalismo.
Mas vamos ao que interessa: A trip da vez.

Betinho, Genjão, Naná e o Profeta Elias

A trip da vez foi pra São Bento do Sapucaí. Aos trancos e barrancos, cada um saindo de um canto, encontramo-nos por lá. Para aqueles que vivem inventando desculpinha pra nao ir escalar, quero ver pegar um metrô com uma mochila de 80 litros LOTADA com móveis, corda, saco de dormir, rango, às 6 horas da tarde na véspera de carnaval, em São Paulo. Pra mim foi o crux da viagem.

Em São Bento, íamos pra Falésia do Coimbra, mas, nós, formados na faculdade de mesmo nome, não conseguimos encontrar (digamos que o croqui existente não ajuda muito – em nada) e acabamos indo parar na vista aérea, onde ja conheciamos e tinhamos projetinhos inacabados – sem contar que o pico é demais e vale o rolê.

Naná mandou sua primeira via em móvel, um quinto, equipando! Elias mandou mto bem guiando ela equipada. Eu pus no bolso a cadena da batdiedro que tinha ficado devendo. Nossa, se quando nao mandamos pusemos a culpa em alguma coisa (calor, sapatilha, etc..) coloco a culpa da cadena na sapatilha, a feroce, da scarpa, que ficava até onde nao tinha como nem por onde (ahh meu, sexto grau, nao exagera hein meooo). Por fim,  Fizemos um ritual do cachimbo sagrado (sem a planta do Bob ou outros psicoativos, antes que já pensem coisa…) na falésia, onde ficamos observando as estrelas (e os satélites que passavam logo após o por do sol)  e filosofando por um tempo, antes de voltar pra casa.

Naná em seu primeiro quinto em móvel

E o profeta Elias disse... "Guiai todos e encadenai..."

No dia seguinte fomos para o Baú, onde um longo dia nos aguardava!

Como somos especialistas em ficar perdidos ao ir a primeira vez nos picos de escalada (talvez por confiar demais nos pseudo-croquis locais – ou por falta de vergonha mesmo),  rumamos rumo ao rumo do baú. Nunca haviamos estado lá, apenas no Bauzinho. La fomos nós,  depois de dar aquela desovada do mínimo impacto, encontramos a escadinha, e, acima dela, a caminhadinha do col que haviam nos tocado o “terror”.  (Ok, 80m prum lado, 30 pro outro: alto, mas se cair dali meu amigo… parabéns). Chegamos na base da cresta, onde o Beto foi com a Naná na learn to fly e eu com o Elias na Cresta propriamente dita.

(eu sei, o som está baixo)

Ao chegar no final da normal do baú (a cresta emenda nela), mas que nao da cume ainda…comemos, fizemos uma visitinha ao cume (que deste ponto pode ser acessado por uma trilha), e voltamos. O Carlão de Campinas estava fazendo o Teto do Baú, um A0 que eu ouvia falar desde minha infância. Como acabou se estendendo por demais, sua namorada não quis entrar, e como esta era minha via preterida do dia, la fui eu. Poe a daisy, encurta, troca estribo, tira o anterior, poe na proxima cantoneira de latinha de cerveja, e repete o processo umas 50 vezes.

Óia a cueca do cidadão de fora...

Touching the Void...

Enquanto isso, não muito longe dali...

E la estava ele feito. O medo é inerente, e mesmo num Azero, sentado na cadeirinha, de top, ao olhar para baixo da um medinho. Medinho besta mas motivo pelo qual estava ali. Comecei a cantar musicas do xamanismo pra descontrair. Se eu estava com medo? Eu não, eu sabia que estava tudo sob controle e nada podia acontecer de errado (nada não, mas aquela historia de risco x probabilidade). Mas meu EGO estava se cagando! hehehehe Legal botar um medinho nele pra ele parar de me encher o saco com coisa besta. Apesar de ser um azero, a via é bem cansativa, por causa das trocas de estribo e chamadas pra encurtar a Daisy. Na descida da trilha deu pra sentir o desconforto causado pelo cansaço. Para evitar o maledeto rapel, descemos pela escadinha, assim aproveitamos para conhecer também o caminho.

A naná quase que não chega, mas depois de se livrar de um pouco de peso morto (jogou morro abaixo móveis, mosquetoes, costuras…) ficou mais leve e chegou ao estacionameno tranquila. Fomos tentar comer algo na cidade, e conseguimos… muito tarde! Mas melhor q fazer, no estado que estavamos.. ruim foi enfrentar a muvuca de gente se acotovelando e se aglomerando nos pseudoblocos… bloco pra mim só se for de boulder (ou de magnésio, ou rolando de conquista nova!)  hhahaha

Bem, o dia seguinte foi mais tranquilo. Acordamos mais tarde e fomos pra divisa fazer umas esportivas. Lógico que o Beto nao ia deixar por menos e se meteu em uma roubada…nao parou na base da Justiça infalível e tocou reto mais uns 15m, num projeto inacabado com cantoneiras. Mas deu-se um jeito, e com nosso bom e velho Macgyver, não precisou abandonar nada =D. Não houve cadenas significativas este dia, naná malhou a hellraiser e a rock and roll, e o profeta a hellraiser. Chegamos na casa, e a Dona Julia Mara (doravante denominada miss fevereiro) tinha feito um Puuuuta rango da hora meoooo…comemos pois; e tava da hora!

O dia seguinte foi massa. Último dia. Fomos pra Divisa novamente, pois pra la iam todos da casa, e fomos para que rolasse aquela integração. Naná já entrou na tora pra mandar a Hellraiser e…. “NÃOOOOO CONSEGUIUUUUOOOOOO”… mas deu um tempinho e foi de novo, ai sim, mandou =D Eu entrei na Tufão a vista, só com o beta da peça móvel que vai num lugar X la da via. Também saiu. Enquanto Beto entrava na morcheeba, o Profeta malhava a hellraiser mais um poquinho… Eu entrei nela pra conhecer, mas não consegui isolar o ultimo move, falta vergonha na cara ainda… Mas o beto mandou de segunda!! Seu primeiro oitavo confirmado! Muleque bão! Eu na sequencia ia entrar na hellraiser, mas como demorei e tinha gente nela, e já q eu não tava fazendo nada mesmo, entrei na Gripe espanhola…e mandei! da hora! Aí a naná resolveu entrar de novo na rock and roll pra mandar… e mandou!

Naná na rock and roll... Ta no lance... vai mandar!

Dia de muitas cadenas! O Greg e o Animal mandaram seus respectivos nonos preteridos, só faltou a Miss fevereiro mandar a kalimaya… Mas fica pra proxima! Ta mandada! O Beto e Eu ainda estavamos na tora e entramos na Chão de giz que o Pempem tinha deixado equipada pa nóis, e depois entrei na hellraiser e desescalei pra limpar a gripe espanhola. Cansa tanto qto subir! hahahah

Dia massa de climb!

Saímos da preda e fomos todos pra Truta.. onde eu e a naná rachamos uma lasanha =D

Fomos pra casa, arrumamos as malas, tomamos banho e já era a trip, bora pra casa, kamon.

Daí pra casa foi um olho aberto e outro fechado, pra ver se o profeta nao dormia no volante (novamente – tenso!)

E para o Beto nao dizer que este é um ego-post, tambem tem foto dele escalando com sua “camisazinha” (piada interna) da primeira comunhão 😉

Beto e a capinha branca de super Xavante hahaha 😉 (luv ya mtf)

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2 pensamentos sobre “Vivendo o Climbers´ Way of Life

  1. Hehehehe…só porque vc adora comentários!!!
    Até que vc camuflou bem minhas tendências suicidas da viagem! Quinto em móvel…..rsrsrs
    Não falou da Ensaio de Orquestra, que eu e Betito fizemos no Baú. Essa vale comentário. É uma via linda!!!
    E o ego atacando….eu também entrei na Tufão, poxa. 🙂
    Bjão, Genjinha!

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