
Aí uma foto do primeiro pega mais de um mes atrás, quando ainda dava pra escalar de calça "curta" e camiseta
Domingo passado eu mandei meu primeiro 7A francês do hemisfério Norte. A via se chama Cândida Palidez e fica no setor púrpura, em Patones, a uns 40minutos de Madrid. É uma Falésia de Calcário no meio de todo o granito da serra madrilenha, que tem como principal atração La Pedriza, que é tipo o Itatiaia, com muita escalada em granito e a terrível aderência. Patones, por ser de calcário, predominam os negativos e buracos (ou, como eu prefiro chamar, negativo de agarrão). A faixa dos graus varia entre os quintos até o 8a brasileiro, sendo quase 80% das vias entre o sexto sup e o 7c. Ou seja: o paraíso para mim, que estou na fase de encadenar 7b em flash ou a vista e oitavos com alguns pegas, pois aqui posso fazer uma boa pirâmide de 7a’s a 7c’s e priorizar a escalada a vista, pelo qual eu tenho sentido já muita diferença por estar escalando sempre nessa modalidade ha mais de 3 meses: você aprende a escalar de uma forma mais inteligente e objetiva. É realmente muito bom poder decifrar sozinho o traçado e a movimentação das vias, explorar os descansos e agir sempre com inteligência durante a escalada. Não dá pra ficar entrando em muitos oitavos pois nunca estou com uma galera, e normalmente priorizo escalar um maior número de vias do que as cadenas extremas, pois assim a Marta, que também tem evoluído bastante, pode escalar e encadenar suas vias na casa do sexto grau Brasileiro.
O caso da Cândida Palidez foi um caso à parte. Dei um pega faz mais ou menos 1 mes e meio, quando o pessoal da academia onde a Marta havia frequentado uns meses no verão, estava reunido neste setor, e um amigo nosso, o David, havia botado a maior pilha pra gente entrar nessa via pois estávamos mais ou menos no mesmo grau e ele sabia do meu particular gosto por negativos de agarrão. Essa via tem quase 30m e quando vc desce de baldinho fica a quase 10m de distância da parede original. Está super bem protegida e deve ter umas 18 chapas, algumas das quais é melhor pular (principalmente no começo abaixo do teto) se não no final dá um arrasto tremendo. Depois do teto tem um bom descanso e antes de entrar no primeiro crux tem um entalamento onde da pra enfiar os dois joelhos dentro de um buraco e descansar sem mãos. O crux, ao contrário do resto da via, vai por um bidedo e um regletinho meio de lado que requer uma certa pressão na pinça, para ir para um batentinho mais ou menos, uma cruzada de mãos para a esquerda e finalmente um agarrão que parece um “telefone” onde vc fecha a mão em volta. O segundo crux, menos de força e mais de jeito, já é pra sair do negativo e entrar no final, positivo de regletes, super técnico, com direito a invertida, pé alto, flag e deadpoint no regletinho… aí quando vc pensa que acabou tem mais 3 costuras até a parada.
Pra fazer essa via eu não tinha todas as costuras necessárias, (no primeiro pega juntamos as costuras da galera), então como eu já havia sentido falta de mais umas costuras pra fazer outras vias de 30m, aproveitei e comprei mais algumas, e domingo passado fui com ela na cabeça (a via, não as costuras… se bem que do jeito que eu sou viciado em equipo, a costura nova tbm nao saía da minha cabeça). O Nacho, amigo da marta que tinha mandado um 6c+ (7b BR) a vista fazia umas duas semanas, duas vias pra direita desta (a pescaíto frito) animou de entrar na cândida pois eu tava pilhando ele que apesar de mandar 7b a vista quase nunca tinha entrado em vias mais dificeis que isso.
Depois de quase ter os dedos congelados num sextinho pra aquecer, fui pra Cândida, separei as costuras, confiando que as 3 semanas de treino na Complutense que tem um boulder legal pra treinar ao lado de uma quadra de basquete teriam rendido frutos, bem como a pizza do dia anterior rendido energia para o ato! Entrei equipando, na intenção de tirar os moves, e preparar o terreno, alguns movimentos eu tinha até esquecido, e o crux, que fiz de novo a vista, fiz muito melhor do que os betas que tinham passado outro dia (pq depois descendo eu parei e lembrei). Lembro que depois que fiz o crux e ainda não tinha caído, fui pro “telefone” e fiquei ali, mil anos, pensando: DESSA PORRA EU NÃO CAIO MAIS!!!! Procurei descansar com inteligência, ponderando se o tanto que eu gastava de energia para ir para o próximo descanso e voltar pra via seria menor que a energia que eu ia poupar (ou recarregar) no descanso… até pseudoentalamento de joelho eu fiz de novo. Fiquei ali um tempo, pois ainda tinha o crux no positivo, que pra mim seria mais crítico, apesar de estar bem decorado. Entrei nele, me posicionei, inverti a mão num buraco pra pegar de invertida, e fui pro regletinho da cadena… toquei pra base com todo cuidado pra não cair de jão nos movimentos finais, e finalmente, estava feita a obra! Muito bem! Não esperava manda-la equipando, mas saiu!
O maldito magro do Nacho entrou na sequência, foi na cadena até a metade, mas no crux debaixo deu umas vaciladas e acabou vacando e demorando para tirar os moves, até que conseguiu e mandou o resto. Desceu em êxtase, dizendo que tinha sido a melhor via que ele tinha entrado =D Eu sabia hehehehe Com o tomelirrolímetro lá em cima, já pedi pra ele equipar o 6c+ que eu tinha equipado pra ele mandar a vista outro dia, mas ele se atrapalhou com uma costura, sem falar que já estava esgotado e parou no crux.

Essa é mais pra dar uma analisada na linha da via, Pescaíto Frito 6c+, mais dificil de engolir que a Candida Palidez 7a, do lado esquerdo
Sobrou pra mim entrar equipando… subi, equipei a próxima, pra entrar no crux. Bidedo de esquerda no teto, pé dropado, um cruzado de direita num abaolado que depois melhora, e záz… fui subindo, e quando tinha a chapa na cara, não podia soltar uma das mãos pq também estava esgotado! Procurei subir mais, pra costurar de uma posição mais estável de algum agarrão, com os pés estabilizados… Mas o que aconteceu foi que minhas mãos tavam tão frias, que eu não tava sentindo muito onde eu estava tateando… era mais de olhar do que de sentir que eu usava as agarras… e eis que quando ja tinha a chapa quase na cintura, e sem poder chapar………
VOANDOOO! Tomei um mega voaço e fui parar na primeira costura ahahahaha Tudo bem… voltei até o crux, descansei mil anos, esperei a dor passar (sim, o que acontece nesse momento é que o sangue começa a voltar pros dedos… e como o coração está acelerado, essa volta DÓI… DÓI muito!!!
Voltei pra via, consegui costurar a próxima, mas no caminho, umas duas vezes, aconteceu algo que nao me acontecia desde, sei lá… a Vingador ou a especialidade da casa no cipó: Parar pra descansar pq minha mão não ta fechando mais. Não conseguia apertar nem os agarrões de mão cheia!!
Mas por fim consegui terminar a via, mas a cadena fica pra uma próxima… o 7c eu já tinha mandado mesmo heheheh
Bem, para finalizar, depois desse mega relato à lá “Marião” (com muitos detalhes – é marião, é nóis!) e como faz tempo que nao ponho… coloco alguns videos para deleitarem-vos. Belas imagens, e belas cadenas:
Um video do Joe Kinder fazendo nada praticamente, mas boas imagens, e bom pra tirar um pouco o foco de escalada escalada escalada… mentira… bom pra ver os bastidores! =D
Esse é um tiozão (tipo o Russo assim) mandando uma via hard (10c) na Itália. Essa falésia, Sperlonga, saiu na Escalar de setembro, é uma cave com muitas chorreras, e como pode ser visto no vídeo, tetos! Vale pela via, pela filmagem e pelo escalador exemplo.
Esse é sobre uma escaladora que continua escalando mesmo grávida, provando que, apesar de atrapalhar muito, existe escalada depois da gravidez. Não obrigado!
Este mostra a Daila Ojeda e sua rotina muito chata, escalando e morando ao lado dos melhores picos de escalada esportiva do mundo, ali na Catalúnia.
O La Sportiva Legends, uma competição fechada só para os monstros da escalada atual… adivinha quem ganhou? Destaque para os fanfarrões chegando de limusine e os problemas criativos. Reparem que o Adam ondra é o mais técnico e que passeia nos boulders, escalando “inteligentemente”.
Action Direct! Ainda acho que o video do espanhol Iker Pou mandando a via, com o comecinho vendo uma revista, e dizendo “PAOLA ahahaha PAOLAAA! AHAHAHA” é mais interessante que esse… mas esse tem muito melhor qualidade, foca menos no bidedo e menos na via, e mais no escalador italiano mandando-a. Bom que mostra a via como um todo, fala da história e fala do Gullich, a lenda. Bom pela via e pela qualidade das imagens. Mas o video do Iker Pou ainda é melhor, apesar da baixa resoluçao.
Esse pra acabar é um video brazuca que eu quase nao vi repercussão na internet. Pouca gente falou dele, mas é muito bem feito, e, apesar de não ser de escalada, é sobre um casal carioca que faz boulder na Urca, dizendo quais as vantagens e desvantagens de se ter namorado escalador. Ótima edição e qualidade das imagens.
E é isso, depois do mega post, parece que a neve finalmente ta chegando por aqui… bora buscar as falesias de inverno!!
Beijos!!






Parabéns pela cadena Genja! A via parece ser massa mesmo, negativo de agarrão é sempre bom! Mas se continuar assim vai passar veneno nos regeltes da nossa excelentíssima Itaqueri!hehehhe
Curti os videos também! Essa tal de Daila Ojeda ta mandando bem até né..rs
Boas escaladas congelantes!
¡Muy bien la “cándida palidez”, hay que tener una buena pila para encadenarla, y técnica de sobra para el paso del final!
Por cierto, ayer busqué la vía que hicimos en San Martín, y creo que se llama “El secreto esta en la técnica (7a)”. Una de las vías más bonitas de placa que he escalado nunca, ¡y el nombre le va perfecto!.